Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Pedro Butcher (UFF)

Minicurrículo

    Pedro Butcher desenvolve pesquisa de doutorado na UFF sobre os primórdios da distribuição cinematográfica no Brasil, com foco no estabelecimento dos escritórios dos grandes estúdios no país. Em março de 2006, concluiu mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ, com a dissertação A dona da história: origens da Globo Filmes e seu impacto no audiovisual brasileiro. Entre 2001 e 2014 editou o site Filme B. Desde 2014 é curador da Mostra Cine BH e colaborador do Brasil Cine Mundi.

Ficha do Trabalho

Título

    Distribuição de cinema: formação de uma hegemonia e abalos históricos

Resumo

    A ideia desse trabalho é delinear a formação do setor da distribuição na indústria do cinema estadunidense e esquadrinhar seu papel na formação de um império econômico e cultural que permaneceu hegemônico por décadas. Ainda que esse modelo tenha sofrido abalos importantes, com a expansão da televisão, essa estrutura não chegou a se desfazer. O quadro só começa a se modificar recentemente, quando a rápida penetração de tecnologias digitais coloca em xeque a cadeia audiovisual.

Resumo expandido

    A epígrafe de Exporting Entertainment: America in the World Film Market (1907-1934), pesquisa de Kristin Thompson sobre os primeiros avanços internacionais da indústria cinematográfica estadunidense, pesca o trecho de um texto publicado em 1914 da revista Motography: “Luís XIV teria dito: ‘o Estado? Sou eu!’. Os realizadores do cinema americano podem dizer: ‘O negócio do cinema? Somos nós!’”.
    Desde muito cedo, consolidou-se uma percepção de que o cinema feito nos EUA seria “o” cinema. A construção dessa percepção foi de uma eficácia tamanha que, de fato, reflete pelo menos o desejo de ir além de uma dominação oligárquica ou monopolista para alcançar um alcance de caráter quase absolutista no setor. Esse desejo ultrapassa a noção do cinema como indústria e chega à linguagem, ao modo como os filmes “devem ser”.
    A construção dessa imagem de uma atividade monolítica e onipresente se dá, em um primeiro momento, internamente. A organização da indústria estadunidense envolve o estabelecimento de suas três colunas fundamentais (produção, distribuição e exibição) e a articulação profunda entre elas, dando forma a uma estrutura oligárquica em que cinco ou seis companhias (as majors) controlam o negócio e assumem amplos poderes nos campos econômico e institucional.
    A produção e a exibição têm sido contempladas nos estudos que se debruçam sobre a formação do cinema estadunidense, mas nosso objetivo, aqui, é focar na distribuição. Como bem percebeu Lopes (2014, p. 9), “é comum que as majors estejam associadas à imagem de grandes galpões de filmagem; todavia, resumi-las a estúdios esconde o diferencial competitivo dessas companhias”.
    Esse diferencial está, justamente, na criação de uma rede de distribuição, primeiro de alcance nacional e, em seguida, internacional. A distribuição é a ação que faz o produto chegar ao ponto de venda e, consequentemente, ao consumidor. Sua função envolve desde o estabelecimento dos meios de transporte até a publicidade que irá tornar o produto conhecido do público. Observando-se o modo de operação das majors, é possível concluir que são, antes de tudo, máquinas de distribuição que arcam com os custos de um filme para ter o controle sobre sua comercialização.
    A ideia desse trabalho é delinear a formação histórica do setor da distribuição na indústria do cinema estadunidense, procurando esquadrinhar seu papel na formação de um império econômico e cultural, bem como no estabelecimento de uma estrutura de difícil penetração que permaneceu durante décadas como modelo hegemônico de operação. Ainda que esse modelo tenha sofrido alguns abalos importantes, com a expansão da televisão, por exemplo, essa estrutura não chegou a se desfazer de todo. O quadro só começa a se modificar recentemente, quando a rápida penetração de novas tecnologias digitais começa a colocar em xeque a cadeia audiovisual.
    No campo da produção, a realização de filmes deixa de depender de investimentos volumosos e se torna acessível a um número maior de pessoas, na medida em que a disponibilização de câmeras portáteis e de fácil manuseio, com resolução razoável, permite a realização de filmes, por exemplo, com câmeras de celular.
    Mas é na distribuição que a tecnologia digital gera um abalo mais sistêmico. A produção de cópias de produtos audiovisuais não depende mais da película e dos meios de transporte físicos, abrindo a possibilidade do compartilhamento de arquivos e da transmissão via internet. O cinema e a televisão deixam de ser as únicas plataformas de apreciação dos filmes e já não é mais tão simples determinar quando, onde e como o espectador terá acesso ao que deseja ver. A distribuição perde sua centralidade; os grupos que tradicionalmente a controlam precisam inventar novas estratégias para manter suas posições. O próprio gigantismo desses grupos, porém, parece dificultar respostas rápidas; surgem novas companhias, agressivas justamente diante das novas possibilidades de difusão, que se expandem e conquistam espaço.

Bibliografia

    ABEL, Richard. Americanizando o filme: ensaios de história social e cultural do cinema. São Paulo: Cinemateca Brasileira, 2013.

    ALLEN, Robert C.; GOMERY, Douglas. Film History: Theory and Practice. New York: Knopf, 1985.
    AUTRAN, Arthur. O pensamento industrial cinematográfico brasileiro. São Paulo: Hucitec Editora, 2013.

    EPSTEIN, Edward Jay. O grande filme: dinheiro e poder em Hollywood. São Paulo: Summus Editorial, 2005.

    LOPES, Thiago Cardoso Storch Secundo. “Desafios atuais da distribuição de filmes independentes no Brasil”. In: Rascunho – Monografias cinema e vídeo UFF, v.7, n. 12, 2015.
    SEGRAVE, Kerry. American Films Abroad: Hollywood’s Domination of the World’s Movie Screens From the 1890’s to the Present. Jefferson: McFarland & Company, 1997.
    THOMPSON, Kristin. Exporting Entertainment: America in the World Film Market, 1907-1934. Londres: BFI Pub., 1985.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).