Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fabiano Grendene de Souza (PUCRS)

Minicurrículo

    Coordenador e docente do curso de Produção Audiovisual da PUCRS. Doutor em Comunicação Social pelo PPGCOM da mesma instituição. Fez estágio de doutorando na Sorbonne Nouvelle – Paris 3, sob orientação de Michel Marie. Publicou o livro “Caio Fernando Abreu e o cinema: o eterno inquilino da sala escura” (Sulina, 2011). É editor da revista Teorema – Crítica de Cinema, desde 2002. Realizou sete curtas-metragens e os longas “A Última estrada da praia” (2010) e “Nós Duas Descendo a Escada (2015).

Ficha do Trabalho

Título

    Depois da Chuva e Califórnia: Visões dos Anos 1980

Resumo

    A comunicação procura apresentar uma análise comparativa dos filmes Depois da Chuva (Cláudio Marques e Marília Hughes, 2013) e Califórnia (Marina Person, 2015), levando em conta a maneira como os filmes abordam seus protagonistas jovens. Na análise, destaca-se como estes personagens vivenciam o contexto político e cultural dos anos 1980, ressaltando o papel da música nesta relação.

Resumo expandido

    Depois da Chuva Depois da Chuva (Cláudio Marques e Marília Hughes, 2013) e Califórnia (Marina Person, 2015) chamam a atenção por abordarem um momento emblemático da história recente do Brasil: o período de redemocratização marcado pela campanha das Diretas Já e, posteriormente, pela última eleição indireta do país. Ao mesmo tempo, os dois filmes são protagonizados por jovens secundaristas. Em Depois da Chuva, Caio é um estudante anarquista que desconfia de certos ares otimistas do período de abertura. Nesse sentido, a escola do protagonista, palco de uma eleição para o centro acadêmico, funciona como alegoria do Brasil (XAVIER, 1983). Ali, enfatiza-se principalmente a postura de grupos contrários ao regime militar, calcados em um ideário caro aos anos 1960, alienados em relação às mutações do cenário político e cultural do resto do mundo. Além disso, o filme flagra uma série de contradições: a assimilação da rebeldia pela publicidade, a dificuldade de certos personagens em conviver com o dissenso e a busca de poder e de aceitação por parte do próprio protagonista (outrora avesso a isso) . Por outro lado, Califórnia revela os anos 1980 por outra ótica: centrado na vida de Estela, o filme narra antes de tudo a sua epopeia íntima, o período que vai da primeira menstruação ao momento em que ela tem sua primeira relação sexual. Este olhar, que espelha a busca do feminino que se destaca nos anos 1980 (Hollanda, 2000), também aborda a presença da AIDS, as relações homoafetivas e o preconceito contra minorias. Assim, Califórnia tem uma protagonista que procura ir além da sua vida de classe média, ávida por descobrir representações de mundo nos livros e nos discos. Ao mesmo tempo, a trajetória de Estela mostra o amadurecimento de um personagem que vai aprendendo a valorizar suas vivências pessoais, para além da família, dos padrões da sua turma de escola e, eventualmente, do próprio destino: a separação do namorado no final não eclipsa a alegria de uma protagonista que parece saber valorizar sua independência. Para ampliar a questão de como Depois da Chuva e Califórnia se aproximam e se afastam, sublinha-se que ambos têm posturas diferentes em relação à música, não só na forma de utilização da banda sonora, mas principalmente no seu olhar para a criação musical como expressão cultural. Em Depois da Chuva, ocorrem apresentações no auditório da escola. Num primeiro momento, um aluno entoa a música Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré (1968) e faz sucesso com grande parte do público e com a diretora da escola. Posteriormente, Caio e seus amigos sobem ao palco, ironizando o show anterior. As vestimentas e a música, inspiradas no glam-rock e no movimento punk, demonstram uma postura escrachada e a crítica ferina a um dos emblemas das manifestações de protesto à ditadura. Para Caio, é necessário que a situação de redemocratização seja pensada em um contexto cultural diferente daquele próximo ao AI-5 (1968). Durante todo o filme, a utilização de músicas que não atingiram o “mainstream” radiofônico dos anos 1980 repercute a ideia de que a expressão musical é uma forma de protestar contra a situação política, que – por esse raciocínio – tem como um de seus pilares a massificação cultural. Já Califórnia procede de forma diferente. O que se destaca no filme de Marina Person é a construção de um amálgama musical, conciliando tendências diversas. O rock brasileiro dos anos 1980 (de bandas como Metrô e Titãs), a MPB (a canção Lua e Estrela, de Vinicius Cantuária) e o pop internacional (David Bowie, The Cure) são assimilados igualmente pela protagonista, sem que se exponham determinados embates estéticos da época (vide NAPOLITANO, 2002). Assim, os protagonistas e as músicas de cada filme se espelham de maneira específica: enquanto Caio pretende confrontar frontalmente o sistema, Estela busca a construção de um universo próprio, em que a soma de sensibilidades é mais relevante que a subtração das mesmas.

Bibliografia

    AARÃO REIS FILHO, Daniel. Ditadura e Democracia no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
    ABRAMO, Helena Wendel. Cenas Juvenis: Punks e Darks no Espetáculo Urbano. São Paulo: ANPOCS/Scritta, 1994.
    HOLLANDA, Heloisa Buarque de. “A imaginação feminina no poder”. In: GASPARI, Elio. HOLANDA, Heloisa Buarque de. VENTURA, Zuenir. Cultura em Trânsito: da Repressão à Abertura. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2000. p. 198-201.
    NAPOLITANO, Marcos. História e Música: História Cultural da Música Popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.
    ORTIZ, Renato. A Moderna Tradição Brasileira. 2ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1989.
    TOLCHIN, Karen R. Part Blood, Part Ketchup: Coming of Age in American Literature and Film. Lanham: Lexington Books, 2006.
    VICENTE, Eduardo. Da Vitrola ao IPod: uma História da Indústria Fonográfica no Brasil. São Paulo: Alameda Editorial, 2015.
    XAVIER, Ismail. Alegorias do Subdesenvolvimento. Cinema Novo, Tropicalismo e Cinema Marginal. São Paulo: Brasiliense, 1983.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).