Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Demian Albuquerque Garcia (UPJV)

Minicurrículo

    Compositor e diretor de som para cinema e teatro. Doutorando em Cinema na Univ. de Picardie Jules Verne. Orientação de Sébastien Denis. Tema: A construção do medo através do som no cinema japonês. Professor de som e trilha sonora no cinema na UNESPAR. Bolsista da CAPES-proc. BEX 1149/15-6. Integrante do Grupo de Pesquisa Cinema: Criação e Reflexão (Unespar/Cnpq) e do CRAE: Centre de Recherche en Arts et Esthètique (UPJV). Terminou seu mestrado em Cinema na Univ. Paris 3 Nouvelle Sorbonne em 2009

Ficha do Trabalho

Título

    Depuração e exageração: Escritura sonora nos filmes de sabre japoneses

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    Esta proposta tem por objetivo analisar e refletir sobre o realismo sonoro – a depuração e a exageração -, examinando as transformações da escrita sonora através da história. O objeto principal é o som das cenas de combate nos filmes de sabre do cinema japonês – o chanbara. Faremos uma comparação entre os filmes dos anos 1950 à 1970 e os filmes dos anos 2000, analisando a passagem de uma construção sonora trabalhada em função dos aspectos estéticos e narrativos da obra, para uma espetacularização do desenho sonoro no cinema de grande público. Se, no som do cinema de ação a “atração” pode, as vezes, coabitar com a “narração” [HIGGINS, 2008], em uma grande parte dos casos ela pode desviar a atenção da narração para um espetáculo de “fogos de artifício” sonoro. As questões analisadas são: como os japoneses trabalharam o som das cenas de duelo nos chanbaras, quais as variações entre esses dois períodos, e como a construção sonora dessas cenas pode contribuir com a expressão dos cineastas.

Resumo expandido

    Chanbara designa familiarmente o filme de sabre japonês, chamado ken-geki, que tem sua origem no teatro tradicional japonês, precisamente o kabuki. O nome vem da contração da onomatopeia japonesa Chan-chan-bara-bara, utilizada pra evocar o som do sabre cortando a carne. Mas é realmente este som que ouvimos nesses filmes? Esta comunicação propõe estudar como se apresentam os sons dos sabres nesses filmes e a maneira como eles são produzidos, assim como examinar o processo de manipulação do som, levando em conta suas mudanças e transformações segundo o grau de realismo e a época à qual essas obras foram filmadas.
    Primeiramente estudaremos o som dos filmes de sabre a partir dos anos 1950, onde, livre da tutela dos Estados Unidos, os estúdios japoneses voltam a produzir o chanbara inaugurando uma “Era do ouro” do gênero – entre 1954 e 1974. [RICHIE, 1971; TESSIER, 2008] Analisaremos alguns filmes de sabre de Akira Kurosawa, Hideo Gosha e Kenji Misumi. Esses filmes manifestavam uma ideia de realismo sonoro através da utilização de sons e foleys mais moderados, assim como uma escritura sonora mais depurada. Durante esse período os imperativos técnicos – principalmente o uso do som ótico com seu caráter monofônico – não permitiam a sobreposição de uma grande quantidade de sons; o cinema, então, teve que desenvolver uma hierarquia de sons onde cada cena deveria conter um só elemento sonoro principal, o que privilegiava geralmente a voz ou a música [CHION, 2003]. Assim, o foley dos sabres se revezava com os gritos de samurais ou com a música. Esses cineastas desenvolveram uma ideia de escrita sonora ligada à caligrafia japonesa – baseada na precisão, na depuração, no simbolismo, e numa estética de “fazer escolhas”: neste caso, o uso de sons pontuais e a supressão de alguns sons para colocar outros em evidencia, chegando mesmo a remover os sons das espadas. Alguns trabalhavam com o efeito desses sons na construção da violência, modificando e dramatizando cada choque das katanas na construção das cenas.
    A partir dos anos 1990, o dolby e a possibilidade de espacialização sonora abrem o caminho para a composição de um desenho sonoro mais trabalhado.[CHION, 2002] O cinema “grande público” de hoje, pode ser definido como um cinema de profusão sonora: o efeito do real é frequentemente construído com uma exageração sonora. Nesse contexto, analisaremos alguns chanbaras dos anos 2000, nos quais a abundância sonora é significativa, especialmente nos remakes de Takashi Miike e Takeshi Kitano.
    Partindo dessas análises vamos traçar as diferenças entre esses dois períodos, desde a economia e depuração do pós guerra até a exageração dos anos 2000. A partir desta investigação tentaremos colocar em evidência como o som, mais precisamente o foley – onde os ruídos reais são substituídos por um “simulacro” [DESHAYS, 2010] -, pode modificar a percepção dos espectadores, assim como fazer parte da criação dos autores e responder à exigências comerciais ligadas à expectativa do público, exploração do sistema surround, etc.

Bibliografia

    DESHAYS Daniel, Entendre le cinéma, Paris, Klincksieck, 2010
    CHAMPCLAUX Christophe, Tigres et Dragons – les arts martiaux au cinéma, Paris, G. Trédaniel, 2008
    CHION Michel, Technique et création au cinéma, Paris, Esec, 2002
    ______, Un art sonore, le cinéma, Paris, Cahiers du Cinéma, 2003
    ______, Y a-t-il un “son numérique” au cinéma?, Paris, Positif n° 603, mai 2011
    ______, L’audio-vision : son et image au cinéma, Paris, Armand Colin, 2013
    FINE Robert, PERSPECTA – the All-Purpose Recording and Reproducing Sound System, International Projectionist, jul 1954
    GATTO Robin, Hideo Gosha: Cinéaste sans maître, Paris, LettMotif, 2014
    HIGGINS Scott, Suspenseful Situations: Melodramatic Narrative and the Contemporary Action Film, Cinema Journal, vol 47, n° 2, 2008
    KUROSAWA Akira, Comme une autobiographie, Paris, Cahiers du Cinéma, 1997
    RICHIE Donald, Japanese Cinema: Film Style and National Character, New York, Doubleday, 1971
    TESSIER Max, Le cinéma japonais, Paris, Armand Colin, 2008

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).