Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Marco Túlio de Sousa Ulhôa (UFF)

Minicurrículo

    Doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, na linha de pesquisa de Estudos de Cinema de Audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    A imagem e as figurações do sensível na obra de Miguel Rio Branco

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    O trabalho analisa o curta-metragem Nada Levarei Quando Morrer, Aqueles que a mim Deve Cobrarei no Inferno (1985), do fotógrafo e artista plástico, Miguel Rio Branco. Ao retratar a dimensão simbólica do espaço público e dos aspectos da vida social da comunidade situada no bairro do Maciel, na região do Pelourinho, em Salvador, a obra de Miguel Rio Branco realiza, através da construção de um regime de visibilidade condicionado pela imagem fotográfica e cinematográfica, uma penetração nas questões ontológicas que caracterizam a relação entre a dinâmica histórica, como exercício de escrita da memória e manutenção do discurso religioso, e a inscrição de uma ordem profana produzida por meio dos excessos evidentes na ação e na figuração dos corpos, da violência e do erotismo. Para isso, aborda-se a opção estética do artista pelos elementos da arte barroca, como traço histórico e mitológico de uma genealogia cultural e de um discurso de resistência próprios à comunidade retratada.

Resumo expandido

    Ampliando as interrogações sobre as interdições entre a política e a teologia, existentes nas teses sobre o conceito de história de Walter Benjamin, o trabalho analisa o curta-metragem Nada Levarei Quando Morrer, Aqueles que a mim Deve Cobrarei no Inferno (1985), do fotógrafo e artista plástico, Miguel Rio Branco. Composta pela junção de tomadas realizadas em película 16mm com as fotografias da série Maciel, registradas pelo artista em 1979, no bairro do Maciel, parte integrante da região do Pelourinho, em Salvador, o filme, montado em 1985, foi exibido inicialmente no circuito de festivais de cinema, antes de ser tornar uma das obras que integram as exposições do artista, como material projetado no espaço das galerias. Suscitando a resistência da organização social e dos valores afetivos da comunidade retratada, o trabalho documental de Miguel Rio Branco realiza uma valiosa investigação sobre o corpo coletivo da região do Pelourinho no final da década de 1970 operando, quase quatro décadas depois, como um importante registro da memória local e da vida dos seus habitantes, em meio ao cenário de degradação e ruína do patrimônio histórico da cidade de Salvador.
    A série de visitas realizadas por Miguel Rio Branco ao bairro do Maciel são fruto do intuito do artista em estabelecer contato com seus habitantes, oferecendo em troca do direito de fotografá-los, seus retratados montados como monóculos. Um código de permuta que remonta às origens da fotografia. Com a sua inserção na esfera íntima dos personagens retratados, Miguel Rio Branco buscou realizar um registro documental que evidenciasse no corpo das imagens, como forte indício do seu posicionamento ético e estético, a sua posição de envolvimento com a cena registrada. Como resultado, temos imagens que revelam a visão parcial do artista sobre as práticas sociais e as suas inscrições nos corpos dos personagens, ampliando as dimensões dos espaços público e privado. Propondo uma possível medida comum entre essas práticas e as inscrições que figuram do retrato da prostituição e da violência à degradação material e imaterial da região do Pelourinho, Miguel Rio Branco estabelece uma delicada conexão entre a condição de marginalidade e o processo de produção da mesma. Com isso, o artista estende uma tênue e paradoxal linha histórica que expõe tanto a condição do negro de sujeito da violência colonial à fruto do descaso do estado moderno; por sua vez, apresentando um cenário de degradação imediatamente relativo aos anos que precederam o fim do período militar brasileiro; quanto a premência de um sentido antinormativo implícito nas práticas da comunidade retratada. O que, no entanto, permite que uma relação entre a função heterogênea dos elementos de resistência existentes na obra e o corpo documental do processo de escrita realizado por Miguel Rio Branco possa ser estabelecida como aspecto de uma conotação política, nesse caso, própria ao campo das artes.
    Partindo, portanto, da opção de Miguel Rio Branco pela apropriação do signo do barroco – evidente em outras obras do artista e na montagem final do curta aqui analisado, onde vemos as imagens da Igreja de São Francisco acompanhadas pela música de Bach – é possível que aqui sejam abordadas não só a importância histórica e cultural do tema, mediante as singularidades das suas impostações no campo das artes do pensamento na América Latina, como também a entrada que este nos permite às intrincadas relações entre a política e a religião. Para isso, o barroco é tomado no seio da obra de Rio Branco, tanto como um importante ponto ligação do seu trabalho com as críticas americanista e decolonial, quanto como parte de um discurso de fundo mitológico, segundo o qual, os elementos da tradição retórica do barroco são expostos sob um outro pacto cultural e religioso. Por fim, o trabalho analisa o estatuto da imagem de Miguel Rio Branco, vislumbrando a ação temporal e sensível de imagens sem ponto fixo entre o cinema e as artes plásticas.

Bibliografia

    BATAILLE, Georges. A parte maldita, precedida de A noção de dispêndio. Trad. Júlio Castañon Guimarães. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 ____________. O Erotismo. Trad. Fernando Scheibe. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 ____________. Teoria da religião: seguida de Esquema de uma história das religiões. Trad. Fernando Scheibe. Belo Horizonte: Autêntica, 2015 BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Trad. e org. João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica, 2012 COCCIA, Emanuele. A vida sensível. Tradução Diego Cervelin. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2010 DELEUZE, Gilles; GUATARRI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia 2, vol. 1; trad. Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 1995 DIDI-HUBERMAN. Georges. O que vemos, o que nos olha. Prefácio de Stéphane Huchet, Trad. de Paulo Neves – São Paulo: Editora 34, 1998 SARDUY, Severo. Escrito sobre um corpo. Trad. Ligia Chiappini Moraes Leite e Lucia Wisnik. São Paulo: Perspectiva, 1979

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).