Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Rafael de Luna Freire (UFF)
Minicurrículo
- Professor adjunto no Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense (UFF) e no Programa de pós graduação em Comunicação da UFF. Autor de inúmeras publicações, entre as quais “Cinematographo em Nictheroy: história das salas de cinema de Niterói” (2012).
Ficha do Trabalho
Título
- A história dos fabricantes de projetores cinematográficos no Brasil
Seminário
- Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil
Resumo
- Esta comunicação investiga um aspecto talvez nunca discutido em profundidade pelos historiadores do cinema brasileiro: a história das empresas brasileiras fabricantes e montadoras de projetores cinematográficos. A lacuna desse tema em nossa historiografia pode ser explicada por dois motivos: a escassez de estudos sobre a história da exibição e dos exibidores cinematográficos no Brasil e o igualmente parco interesse por estudos econômicos e tecnológicos do passado do cinema brasileiro. Assim, essa comunicação visa abordar a história de uma das mais importantes indústrias do setor cinematográfico no Brasil, mas que se desenvolveu prestando serviços e oferecendo produtos ao setor da exibição. Apontaremos como foi com o advento do som que suscitou o desenvolvimento inicial de um conjunto de empresas brasileiras de fabricação de projetores cinematográficos, entre as quais destacaremos as três pioneiras: Cinephon (RJ, 1930), Phonocinex (SP, 1931) e Cinetom (RJ, 1932).
Resumo expandido
- Ao longo do século XX, os historiadores do cinema brasileiro privilegiaram o estudo e análise do fenômeno da produção de filmes no Brasil, em detrimento de aspectos relacionados à exibição e distribuição (Bernardet, 1995, p. 26-29). Além disso, desde os anos 1920, mas acentuando-se a partir da década de 1950, criou-se no meio cinematográfico brasileiro (com influência clara na historiografia) um antagonismo entre lideranças do setor da produção – que se arvorava ideais nacionalistas – e o empresariado do setor da exibição, tido como subserviente a interesses econômicos e políticos estrangeiros (Autran, 2013, p.70-75; Johnson, 1993, p. 42-44).
Diante dessas questões, relacionadas entre si, não é surpresa que ainda sejam relativamente poucos os estudos sobre a história dos exibidores e da exibição cinematográfica no Brasil. Nesse sentido, mesmo com o crescimento no número de trabalhos sobre o mercado cinematográfico brasileiro, são extremamente raras as pesquisas históricas sobre os setores industriais que se desenvolveram oferecendo produtos e serviços para o circuito exibidor cinematográfico brasileiro. Ou seja, as indústrias que se desenvolveram em função não da produção de filmes brasileiros, mas da exibição de filmes no Brasil.
Esta comunicação busca contribuir para suprir essas lacunas, investigando a história de uma das indústrias dedicadas ao fornecimento de equipamentos utilizados pelo setor da exibição cinematográfica: o conjunto de empresas brasileiras de montagem, fabricação e comercialização de equipamentos de projeção cinematográfica sonora. Foi o advento do filme sonoro na passagem para os anos 1930 que, além de provocar inúmeras mudanças no mercado cinematográfico brasileiro, alavancou o desenvolvimento dessa indústria no país.
Em seus primórdios no final do século XIX, o cinema no Brasil era uma atração e uma tecnologia essencialmente importadas. Tanto os filmes quantos os equipamentos – e até mesmo os primeiros profissionais – vinham do exterior, sobretudo da Europa. Mais importante ainda, nos primeiros tempos dos exibidores ambulantes e das salas de cinema temporárias a compra de algumas cópias de filmes representava um investimento financeiro mais alto do que a aquisição do equipamento de projeção em si.
Ao longo dos anos 1910 e 1920, com o crescimento do circuito exibidor e a sofisticação dos aparelhos, o mercado brasileiro será dominado por projetores franceses, alemães e norte-americanos. A chegada do cinema sonoro, porém, irá demandar uma reformulação radical dos espaços de exibição para a introdução da nova tecnologia, inclusive com a instalação de caros e complexos equipamentos. Inicialmente, os palácios de cinema das grandes capitais brasileiras instalaram projetores sonoros importados dos Estados Unidos, fossem os das poderosas Western Electric e Radio Coporation of America, fossem marcas mais modestas como Pacent e Mellophone.
Entretanto, a crise econômica (com a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar) e a demanda crescente de aparelhos mais baratos pelos exibidores menos capitalizados, motivou o início da oferta de contrafações nacionais do Vitaphone e Movietone. Em 1930, no Rio de Janeiro, a empresa J. Barros & Cia começou a comercializar os projetores da marca Cinephon. Já no ano seguinte, começaram as vendas da aparelhagem Phonocinex, fabricada pela poderosa empresa paulista Byington & Cia. O mercado cresceu tanto ao ponto de dois funcionários da Cinephon saírem da empresa e fundarem uma nova companhia, a Cinetom (1932). A demanda por projetores nacionais mais baratos, simples e acessíveis continuou crescendo, motivando o surgimento de novas empresas, todas sediadas em São Paulo, como Sólidus (1934), Centauro (1935) e Triunfo (1939).
Esta comunicação irá traçar a história desses fabricantes pioneiros, investigando as circunstâncias que permitiram o surgimento dessa indústria no Brasil dos anos 1930, e seu desenvolvimento posterior.
Bibliografia
- AUTRAN, Arthur. O pensamento industrial cinematográfico brasileiro. São Paulo: Hucitec Editora, 2013.
BERNARDET, Jean-Claude. Historiografia clássica do cinema brasileiro. São Paulo: Annablume, 1995.
CAPELLARO, José Jorge Vittorio. História da indústria de equipamentos de telecomunicações no Brasil. In: BARROS, Henry British Lins. (ed.). História da Indústria de telecomunicações no Brasil. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Telecomunicações, 1989. p. 13-45.
FREIRE, Rafael de Luna. Da geração de eletricidade aos divertimentos elétricos: a trajetória empresarial de Alberto Byington Jr. antes da produção de filmes. Estudos Históricos, v.26, p.113-131, 2013.
JOHNSON, Randal. Ascensão e queda do cinema brasileiro, 1960-1990. Revista USP, n.19, p.31-49, 1993.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
