Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação pela ECO-UFRJ (tese: Robert Bresson e a música), com período sanduíche na universidade Paris 3, sob orientação de Michel Chion. Em 2013-2014 fez pós-doutorado em Música na UNIRIO e, em 2014–2015, foi professora substituta da ECO-UFRJ. Atualmente, faz novo pós-doutorado em Música na UFRJ sobre a música preexistente no cinema moderno. Participa da SOCINE desde 2007,foi membro do Conselho Deliberativo em 2013-2015 e tem várias publicações sobre música no cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    Ecos musicais no começo e no fim do filme: 03 casos do Cinema Moderno

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    Pretendemos analisar uma característica comum a três filmes dos cinemas modernos francês e brasileiro dos anos 1967-1969: a reutilização da mesma música no começo e no final do filme, geralmente durante ou em continuidade com os créditos. Além da unidade formal, essa repetição implica variações reconsiderações do filme como um todo. São analisados: “Mouchette” (Robert Bresson, 1967), “Terra em transe” (Glauber Rocha, 1967) e “A besta deve morrer” (“Que la bête meure”, Claude Chabrol, 1969).

Resumo expandido

    O começo e o fim são muito importantes num filme: se o começo traz objetivos como conquistar o espectador e ancorá-lo na história/proposta do filme, o final dá sentido de obra acabada. Mesmo em finais ambíguos ou abertos, o filme termina.
    Dentro dessa perspectiva e levando em conta as suas características de alteridade e intermedialidade pela presença da palavra escrita (STRAW, 2010), os créditos representam momentos especiais. Considerando o filme como um “texto”, seriam, partindo da conceituação de Genette (1987), um “paratexto” (elementos no limiar do texto) e promovem para o espectador uma transição entre o mundo extratextual da “vida real” para o mundo textual do filme (STRAW, 2010).
    Uma convenção bastante respeitada nos cinemas clássico e moderno foi a presença da música nos créditos, que Gorbman (1987) considerou como um código cinemático, próprio do cinema Até então, os créditos iniciais geralmente continham todas as informações do filme e os créditos finais muitas vezes só tinham a palavra “fim”, ao contrário do que acontece na maioria dos filmes contemporâneos.
    Em relação a outros códigos e modos de utilização da música no cinema, Gorbman (1987) observa que um princípio importante é o da unidade, representado, no cinema clássico, pelo leitmotiv. Porém, mesmo com o desejo de diretores do cinema moderno de questionarem as convenções do cinema clássico, a música permanece um elemento que traz unidade ao filme, por exemplo, quando utilizada no início e no final deles, em especial, nos créditos iniciais e finais. Analisaremos esse tropos da repetição da musica no começo e no fim do filme em três casos: “Mouchette” (Robert Bresson, 1967), “A besta deve morrer” (“Que la bête meure”, Claude Chabrol, 1969), “Terra em transe” (Glauber Rocha, 1967).
    Em “Mouchette”, Bresson – diretor bastante conhecido pela parcimônia com que utilizou a música – aproveita os momentos altamente codificados dos créditos para incluir música extradiegética no filme, que, exceto aí, só tem música diegética. A música dos créditos iniciais e do final do filme é representada por duas partes da mesma peça, as Vésperas de Monteverdi. A letra da música e o conteúdo do último plano do filme (o lago em que Mouchette se afoga, seguindo com a tela preta) funcionam como uma resposta à pergunta do personagem da mãe da protagonista (“O que será deles sem mim?”) à qual se seguiram os créditos iniciais (ALVIM, 2013).
    Em “Terra em transe”, embora os créditos estejam logo em seu início, poderíamos considerar o filme em si recomeçando a partir do momento em que o protagonista Paulo Martins dá início ao seu longo flashback, marcado pelo Prelúdio das Bachianas n.3 de Villa-Lobos, do qual só voltará ao final do filme, quando ouvimos a mesma música, junto com sons de tiros e sirenes, tudo continuando durante os créditos finais. Nesse “envelope” do flashback de Paulo, há um processo de repetição e variação dos planos imagéticos e do som (XAVIER, 1993; ALVIM, 2015).
    “A besta deve morrer” conta com música original de Pierre Jansen, porém um dos Quatro Cantos Sérios de Brahms é ouvido nas primeiras imagens, num prólogo que antecede os créditos iniciais (que ocorrem sem música). Neste prólogo, a música vem do rádio de um carro e é constantemente interrompida em montagem alternada com planos de um garoto até o atropelamento da criança, fato que desencadeia toda a vingança do pai. No final bastante ambíguo, a voz over deste personagem evoca a música de Brahms, que passamos a ouvir extradiegética até o princípio dos créditos finais. Estes, como os iniciais, ocorrem sem música.
    A evocação da mesma música do início pelo personagem, a pergunta da mãe de Mouchette e a ação da menina ao final, assim como a repetição variada de planos ao som do mesmo prelúdio de Villa-Lobos em “Terra em transe” proporcionam reconsiderações do filme como um todo pela repetição da mesma música do começo.

Bibliografia

    ALVIM, L. Robert Bresson e a música. Tese (Doutorado em Comunicação) – UFRJ, 2013.
    _____. A música de Villa-Lobos nos filmes de Glauber Rocha dos anos 60: alegoria da pátria e retalho de colcha tropicalista. Significação, v.42, n.44, 2015.
    BRAUCOURT, G. Claude Chabrol, Que la bête meure: comment écraser un cafard. Les Lettres Françaises, 3 sept. 1969.
    CHION, M. L´écrit au cinéma. Paris: Armand Colin, 2013.
    GENETTE, G. Seuils. Paris: Seuil, 1987.
    GORBMAN, C. Unheard melodies: Narrative film music. London: BFI, 1987.
    PHILIPPE, C.-J. Que la bête meure…ainsi que l´homme. Télérama, 31 août 1969.
    STRAW, W. Letters of introduction: film credits and cityscapes. Design and culture, v.2, n.2, July 2010.
    ______. Palavras, canções e carros: músicas de abertura e as sequências de créditos nos filmes. In: SÁ, S.; COSTA, F. (org.). Som+Imagem. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012.
    XAVIER, I. Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal. São Paulo:Brasiliense, 1993.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).