Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Juliana Froehlich (UA/CAPES)
Minicurrículo
- Juliana Froehlich é doutoranda e bolsista CAPES em Film Studies na University of Antwerp, Bélgica, onde pesquisa a herança da vanguarda europeia e do filme de vanguarda no cinema brasileiro através das artes visuais. Faz parte do grupo de pesquisa Visual and Digital Cultures Research Center (ViDi) na mesma Instituição. Possui mestrado em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo no PGEHA- MAC e é Psicóloga e bacharel em psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP.
Ficha do Trabalho
Título
- A “quebra” do quadro e o corpo abstrato em O Pátio (1959)
Resumo
- O Pátio (1959), de Glauber Rocha, explora dois corpos, um masculino e um feminino, que se movem sobre um piso de formas geométricas (quadrados) ao mesmo tempo em que interagem entre si e com elementos que os envolvem, como plantas e a linha do horizonte. Assim, a partir das relações entre corpo e elementos da paisagem trabalhados pelo (des)enquadramento e pela montagem do curta, pretende-se fazer uma análise à luz das proposições do Grupo Frente e do movimento Neoconcreto, ambos de raiz abstrata, de modo que se possa estabelecer convergências entre o filme e as obras de arte visuais.
Resumo expandido
- Três proeminentes artistas do Grupo Frente e do movimento Neoconcreto, Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica, caminharam paralelamente com suas produções entre a década de 1950 e meados de 1970. Entre as principais propostas desses artistas durante o Grupo Frente, destaca-se a quebra da moldura do quadro e a inserção da pintura no espaço, como apontava Piet Mondrian, uma das referências do grupo: “Pelo que sei, fui o primeiro a colocar a pintura na frente da moldura, em lugar de colocá-la dentro dela” (MONDRIAN, 1999, p. 368). Tal projeto, de raiz abstrata, referente ao limite dado pela moldura continua presente nas obras dos artistas no movimento Neoconcreto. E, assim que a pintura adentra o espaço, o corpo, tanto do artista quanto do espectador, é convocado a constituir as obras de arte. Na obra abstrata neoconcreta as linhas e cores rompem o limite do quadro conquistando o espaço habitado pelo corpo. O filme O Pátio se aproxima das obras e projetos desses três artistas no que diz respeito ao pensamento da abstração e da organicidade da expressão de planos, especificamente, à quebra da moldura, à abstração de partes que constituem um todo e à relação do corpo inserido na obra e no espaço como parte do mesmo “mundo”(Merleau-Ponty, 2004).
No curta, o quadro, elemento mínimo do cinema e limite formal dado pela câmera, é diluído em quadrados pretos e brancos. A forma que enquadra é (re)vista, não só pelas formas geométricas, mas também pelos dois corpos que se movem em meio ao quadriculado e são recortados pelos “limites” do quadro. Logo, a câmera que limita é a câmera que desenha linhas por vezes retas e por vezes vivas. Os corpos exploram o quadro, habitam suas margens e nelas rastejam. O mesmo quadro que enquadra, desenquadra. A montagem, ao relacionar linhas retas com as linhas orgânicas do corpo e da paisagem, e ao infinito da linha do horizonte, expande o quadro delineando um espaço. “Mais plus il (le cadre) est ténu, mieux le hors-champ réalise son autre fonction, qui est d’introduire du trans-spatial et du spirituel dans le système qui n’est jamais parfaitement clos. (DELEUZE, 1983, p.31). Ou seja, quanto mais os corpos ocupam os limites do quadro, mais amplo se torna o espaço que eles ocupam. Entre (des)enquadramentos e montagem os elementos dos corpos se integram ao mesmo espaço que habitam e nele se expressam. “O corpo é para a alma seu espaço natal e a matriz de qualquer outro espaço existente.” (Merleau-Ponty, 2004, p. 31)
Portanto, em consonância particularmente com o neoconcretismo, O Pátio desenvolve a expressão pela forma, o conceitual pelo sensorial e nos apresenta que os mesmos corpos que se veem e se buscam, se tocam. Do modo análogo, o neoconcretismo em seu manifesto escrito por Ferreira Gullar em 1959 e assinado pelos artistas, fundamenta-se na arte abstrata de vanguarda, como a de Mondrian e na fenomenologia de Merleau-Ponty, em busca de uma arte expressiva que insere o corpo em sua experimentação. Gullar escreve: “Não concebemos a obra de arte nem como ‘máquina’ nem como ‘objeto’, mas como um quase-corpus, isto é, um ser cuja realidade não se esgota nas relações exteriores de seus elementos; um ser que, decomponível em partes pela análise, só se dá plenamente à abordagem direta, fenomenológica” (Gullar, 1959/1977, p. 82).
A arte não-figurativa se aproxima do filme não-narrativo, eles se tocam naquilo que pertence ao pensamento do “real”. O abstrato não é menos real que o figurativo, assim como o filme narrativo não contempla mais a realidade do que o filme abstrato. “Figurativa ou não, a linha em todo caso não é mais imitação das coisas, nem coisa.” (Merleau-Ponty, 2004, p. 40).
Por fim, o filme é anunciado nos créditos como experimental, caráter que Hélio Oiticica vislumbra em sua obra a partir de 1959. “em suma o experimental não é ‘arte experimental’. os fios soltos do experimental são energias q (sic) brotam para um número aberto de possibilidades” (Oiticica, 1972, p.5, grifos do autor).
Bibliografia
- AMARAL, A (Ed.). Projeto construtivo na arte brasileira: (1950-1962). RJ: Museu de Arte Moderna; SP: Pinacoteca do Estado, 1977.
BRITO, R. Neoconcretismo: Vértice e Ruptura do Projeto Construtivo Brasileiro. RJ: Funarte, 1985.
CLARK, L. A morte do plano. 1960. Disponível em: http://www.lygiaclark.org.br.
DELEUZE, G. L’image-mouvement. Paris: Minuit, 1983.
MACHADO Jr., R. ‘O Pátio e o cinema experimental no Brasil: Apontamentos para uma história.’ In: CASTELO BRANCO, EDWAR DE ALENCAR. (org.). História, cinema e outras imagens juvenis.Teresina: EDUFPL,2009.
MERLEAU-PONTY, M. O olho e o espírito. São Paulo, SP: Cosac & Naify, 2004.
MONDRIAN, P. Realidade Natural e Realidade abstrata. In: CHIPP, H.B. Teorias da arte moderna. SP: Martins Fontes, 1999., p.324-327.
OITICICA, H. Experimentar o Experimental. 1972.Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/programaho/
WAGNER, J.A.S. “O construtivismo de Glauber”. In: Folha de S. Paulo, 2/3/1983.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
