Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Marcos Fabris (FFLCH USP)

Minicurrículo

    Marcos Fabris é doutor pela FFLCH-USP com pós-doutorado na Universidade de Columbia (Nova York), Université Paris Ouest Nanterre (Paris), MAC-USP e FFLCH-USP (São Paulo). Suas publicações e palestras mais significativas incluem reflexões sobre pintura francesa do século XIX e fotografia europeia, norte-americana e latino-americana dos séculos XIX e XX.

Ficha do Trabalho

Título

    Edward Hopper e o cinema

Resumo

    O pintor norte-americano Edward Hopper (1882 – 1967) forjou uma imagística reconhecidamente complexa em sua aparente simplicidade, não raro identificada como icônica do Zeitgeist nos Estados Unidos da primeira metade do século XX. O cinema deste país fez igualmente amplo uso do conjunto de imagens produzidas pelo artista. Esta comunicação almeja não apenas descrever tal imagística mas identificar alguns dos usos mais produtivos que a produção cinematográfica norte-americana fez da “estética Hopper”, considerando com particular atenção o filme Carol (Todd Haynes, 2016).

Resumo expandido

    O pintor norte-americano Edward Hopper (1882 – 1967) adorava cinema. Frequentava com assiduidade as salas de Nova York, local onde passou grande parte da vida, e não tardou a retratá-las: The Balcony, também conhecido por The Movies (1928), foi uma de suas primeiras e mais diretas representações do tipo. Aqui, duas figuras isoladas no balcão superior de uma sala de exibição fixam o olhar numa suposta tela que nós, observadores da obra, não vemos. Mas notemos que mesmo quando não representou diretamente as salas de cinema, sua obra aludiu à estética cinematográfica – as configurações formais em Night shadows (1921), por exemplo, aludem a um sketch de storyboard, que de cunho marcadamente expressionista parece de fato extraído de uma película de Fritz Lang. Esta obra (e não apenas ela!) explicita que não estamos diante de um artista que se restringiu a retratar o cinema meramente no nível do assunto. Hopper incorporou, na fatura formal da obra de arte, procedimentos caros à sétima arte.

    Impactado profundamente pela produção hollywoodiana dos anos trinta e quarenta do século XX, suas pinturas e desenhos serão, nos termos acima descritos, extremamente “cinéticos”. Ao explorar de modo dialético as capacidades cinematográficas de representar tanto o estático como o dinâmico, o pintor articulará uma poderosa reflexão sobre a experiência moderna nas grandes metrópoles, “espionando” a experiência social de seus habitantes em “stills” que não dissimulam seu parentesco com a estética do noir (pensemos, por exemplo, nos paralelos visuais entre os modos de representação da luz em Hopper e a fotografia de Força do mal, filme de 1948 do diretor Abraham Polonsky, ou ainda no Hitchcock de Psicose, de 1960, mais especificamente nas simetrias iconográficas entre a casa de estilo neogótico presente no filme e a pintura House by the railroad, executada por Hopper em 1925). Nesses termos, o voyeurismo que vivencia o frequentador das salas de cinema (e o próprio Hopper, como um deles!) será pictoricamente articulado pelo artista no intuito de aprofundar suas investigações sobre a experiência societária urbana norte-americana sob a égide da modernidade.

    Se Hopper adorava o cinema este, por sua vez, lhe retribui em dobro até hoje sua adoração. Polonsky e Hitchcock não são os únicos que fizeram uso produtivo do que logo se convencionaria chamar de “estética Hopper”, uma poderosa e persistente matriz para as mais diversas gerações de diretores: o George Stevens de Assim caminha a humanidade (1956), o Terrence Malick de Cinzas do paraíso (1978), o Wim Wenders de O fim da violência (1997), O Robert Altman de A última noite (2006), o Todd Haynes de Carol (2016)… (vale lembrar que Haynes assinou a curadoria de uma mostra de cinema na Tate Modern de Londres sobre as relações entre Edward Hopper e o cinema por ocasião da exposição dedicada ao artista no museu em 2004).

    Nos termos acima descritos, esta comunicação pretende expandir a identificação de momentos cruciais na produção artística de Hopper e seus paralelos com o cinema para, em seguida, verificar como este dialoga com a arte do pintor norte-americano, referindo-se a ela para potencializar suas capacidades expressivas no âmbito da produção cinematográfica. Pretende-se considerar com particular atenção o filme Carol, de Todd Haynes (2016).

Bibliografia

    ALBERA, F. Eisenstein e o construtivismo russo. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

    BENJAMIN, W. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1994.

    HEGEL, G. W. F. Cursos de estética. São Paulo: EDUSP, 1999.

    HOPPER. Paris: Réunion des musées nationaux – Grand Palais, 2012. 367 p. Catálogo de exposição, 10 out. 2012 – 28 jan. 2013, Grand Palais, Paris.

    LAVIN, M. [et alii]. Montage and Modern Life 1919 – 1942. Boston: The MIT Press, Cambridge, Massachusetts, 1992.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).