Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Alessandro José de oliveira (UTP)

Minicurrículo

    Alessandro José de Oliveira é antropólogo, artista e produtor cultural. Atualmente, é pós doutorando na Universidade de Tuiuti (Paraná) com pesquisa em performance e arte queer. Doutor em Ciências Sociais (Unicamp) com pesquisa sobre pedofilia: abuso sexual de crianças. Mestre em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (2004).Também atuou como assistente de produção dos filmes documentários ‘Diário de Exus’ (2013/2015) e ‘Dança da Amizade’ (2015/2016) dirigido por Gilberto A. Sobrinho.

Ficha do Trabalho

Título

    Corpos abjetos que habitam a imagem: um trans-documentário?

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Este trabalho analisa o filme documentário “De gravatas e unhas vermelhas” de Miriam Chnaiderman (2014). Destaca-se aqui como a exibição de imagens e desejos de pessoas que se apresentam como sujeitos que se reconhecem e/ou querem permanecer no trânsito entre o masculino e o feminino aparecem como a forma mais viável de fazer referencia ao mundo queer. Observa-se assim como a cineasta revela a necessidade de por em circulação imagens de referência a respeito da confusão de gênero.

Resumo expandido

    Nesta comunicação proponho uma indagação a respeito do cinema queer: a exibição do trânsito dos desejos entre o masculino e o feminino e vice-versa são suficientes para referendar o trabalho de Chnaiderman como um filme queer ou a diretora usa os mecanismos cinematográficos apenas para dar a ver um conjunto de vozes silenciadas?
    Partindo dessa indagação organizo o trabalho em três etapas. Na primeira, observo como Miriam Chnaiderman aposta no conhecido formato de entrevistas centralizando-se em trajetórias pessoais de personagens transexuais, travestis e crossdressing para organizar uma teia de relatos que explora continuamente os embaraços e desembaraços a respeito das possibilidades de lidar com as formas de experimentar o masculino e feminino. Analiso como os jogos de representação e referenciação passam pela aceitação e/ou recusa de diferentes aspectos da forma de viver a sexualidade e como o poder de manusear a câmera coloca a cineasta na posição de especialista com poder de determinar o tolerável e aceitável.
    Numa segunda etapa analiso o conteúdo dos relatos apresentados no filme dando destaque para os elementos disparadores dos desejos dos depoentes em ser do sexo oposto. Esses desejos aparecem quando se fala do impacto causado pela simples troca de vestimento do masculino para o feminino e se acentua ainda mais quando as narrativas se voltam para o processo de transformação corporal. Os relatos a respeito das modificações do corpo passam a ganhar destaque cada vez maior e se ampliam consideravelmente quando se discute sobre o uso de hormônio e as intervenções cirúrgicas.

    Numa terceira etapa chamo atenção do processo de montagem do filme. Destaco como alguns cortes, sobreposições de imagens, sonoridades, escolhas de locação para as entrevistas colaboram para a organização do tema em questão. Neste contexto, destaco tanto as imagens de caráter meramente ilustrativo quanto as propostas mais ousadas e poéticas, como o passeio da câmera sobre determinados corpos. Nota-se também como os recortes são organizados de modo a instigar nossa percepção a respeito da confusão de gênero.

    Sem querer encerrar a complexidade da questão e nem reduzir a potencialidade do documentário aponto, por fim, como ele insere de forma sútil uma perspectiva mais abjeta a respeito da produção sexual. Contudo, chamo à atenção para o fato do documentário revelar muito mais a respeito de nós mesmos e de como não estamos preparados para conviver com “novos corpos” e “novos gêneros”. E, neste aspecto, observo como a cineasta potencializa a discussão sobre o modo de compreendermos e mesmo convivermos com os ‘sujeitos queers’.

Bibliografia

    GRUPPI, L. 1978. O conceito de hegemonia em Gramsci. Rio de Janeiro: Graal
    BUTLER, J. 2003. Problemas de Gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
    GARCIA, W. 2004.Homoerotismo e imagem no Brasil. São Paulo: Nojosa.
    HOLMLUND, C., FUCHS, C. 1997. Between the sheets, in the streets: queer, lesbian, and gay documentary. Minneapolis: Univ. of Minnesota.
    LOPES, Denílson. 2004. Desafios dos estudos gays, lésbicos e transgêneros. Revista Comunicação, Mídia e Consumo, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 63-73.
    PULLEN, C. 2007. Documenting Gay Men: Identity and Performance in Reality Television and Documentary Film. Jefferson: Mcfarland.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).