Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Karliane Macedo Nunes (UFBA / UFAM)

Minicurrículo

    Doutoranda do Pós-cultura (UFBA), com pesquisa sobre cinema indígena. Professora do Curso de Comunicação Social da UFAM. Membro do grupo de pesquisa em Cultura e Subalternidades da UFBA. Graduada em Comunicação (Jornalismo) pela Faculdade de Comunicação da UFBA (2003). Mestre pela mesma instituição (2008).

Ficha do Trabalho

Título

    Caminhos de convergência: política e resistência no cinema Huni Kuin

Resumo

    O objetivo desta comunicação é discutir as estratégias enunciativas que enfatizam o caráter de encontro e os hibridismos a partir dos filmes “Os cantos do cipó” (2006) e “Já me transformei em imagem” (2008) que, ao dedicarem-se ao tema da produção de imagens e de sons, articulam questões proeminentes do cinema na atualidade, celebrando a potência dos encontros, o cinema indígena como catalisador da cultura e como espaço de resistência, ação e transformação.

Resumo expandido

    Indissociável de sua dimensão pragmática, o cinema indígena produzido no Brasil nos últimos anos tem se configurado como uma prática cultural e interétnica no qual o processo de realização dos filmes e o cotidiano das comunidades envolvidas imbricam-se mutuamente. O caráter de produção partilhada (uma vez que o filme existe a partir de uma rede formada por índios e não índios) possibilita uma série de diálogos, fazendo do cinema indígena um espaço híbrido, articulador de uma multiplicidade de vozes, que coloca em relação diferentes sujeitos e pontos de vista.

    Fazendo dos filmes instrumento de mediação, os cineastas indígenas assumem posições de sujeito, promovem deslocamentos de saberes e poderes e inserem-se no jogo da “cultura” (cultura com aspas), expressão cunhada por Manuela Carneiro da Cunha (2010), que diz respeito à relação reflexiva que os indígenas fazem de suas culturas. Ruben Queiroz (2008), Cézar Migliorin (2013) e André Brasil (2013) são alguns pesquisadores que vem abordando o cinema indígena enquanto uma manifestação da “cultura”, uma vez que o processo de elaboração do filme exige, a todo tempo, que os indígenas selecionem e negociem – não sem tensão – elementos da cultura metropolitana (definições antropológicas de cultura) no momento mesmo de performar e citar reflexivamente a própria cultura. (BRASIL, 2013, p. 248)

    Enquanto produto cultural híbrido e como ferramenta pedagógica (com atuação dentro e fora das aldeias), alguns dos filmes produzidos no âmbito da ONG Vídeo nas Aldeias, apontam para convergências que envolvem a educação e a produção de narrativas históricas, destacando uma dimensão política, que inclui também a luta por direitos e a possibilidade de o registro atuar como um modo de preservação da “tradição” para as futuras gerações.

    No entanto, tem ganhado destaque o modo criativo como os realizadores indígenas, ao enfatizar a dimensão mediata, fazem dos filmes um espaço híbrido, uma rica manifestação das dinâmicas de encontro (étnicos, discursivos, de temporalidades), que coloca em relação imagens de dentro e de fora, passadas e atuais, num movimento de reelaboração permanente, fazendo do filme não apenas uma oportunidade de registro, mas, sobretudo, um momento de constituição de acontecimentos.

    O cinema indígena opera por adição: abriga as tecnologias e as categorias do cinema para reelaborá-las em suas práticas, fazendo desse lugar de convergência a sua potência. Portanto, muito mais do que preservar tradições e originar arquivos, os filmes quase sempre são eventos que produzem efeitos nas vidas das pessoas envolvidas. Aspectos marcantes das culturas indígenas (oralidade, protagonismo do corpo, rituais, músicas, dentre outros) são potencializados pela ferramenta audiovisual, e o filme torna-se um forte convite de aproximação aos modos de vida indígenas.

    Tais convergências expressam-se nos filmes de diferentes maneiras. O objetivo desta comunicação é discutir as estratégias enunciativas que enfatizam esse caráter de encontro e hibridismo na filmografia do povo Huni Kuin, habitante da Amazônia (no Acre e no Peru), a partir dos filmes Os cantos do cipó (2006), de Josias Maná Kaxinawá e Tadeu Siã Kaxinawá) e Já me transformei em imagem (2008), de Zezinho Yube. São filmes que me parecem particularmente interessantes por se dedicarem ao tema da produção de imagens e de sons, mobilizando imagens de arquivo e registros da etnografia, colocando-os em diálogo com suas memórias, pontos de vista, demandas e desejos, e criando novas imagens e sons. Desse modo, pode-se articular algumas questões proeminentes do cinema na atualidade, como os hibridismos, os encontros (de brancos e índios, corpos e tecnologias, performance e cotidiano, mito e história), o cinema como catalisador da cultura, como espaço de resistência, ação e transformação.

Bibliografia

    BRASIL, André. Mise-en-abyme da cultura: a exposição do “antecampo” em Pi’õnhitsi e Mokoi Tekoá Petei Jeguatá. Significação. v. 40, n. 40, 2013.
    CARELLI, Vincent. Vídeo e diálogo cultural: experiências do projeto Vídeo nas Aldeias. Horizontes Antropológicos, (2), Antropologia Visual, PPGAS/UFRGS, 1995.
    CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. “ ‘Cultura’ cultura: conhecimentos tradicionais e direitos intelectuais”. In: CARNEIRO DA CUNHA, M. Cultura com aspas. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
    MIGLIORIN, Cezar. Território e virtualidade. Quando a “cultura” retorna no cinema. In: Revista Famecos. Mídia, cultura e tecnologia. Porto Alegre, vol. 20, n.2, maio/agosto 2013.
    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Metafísicas Canibais. São Paulo: Casac Naify, 2015.
    QUEIROZ, Ruben C. Cineastas indígenas e pensamento selvagem. Revista Devires. Cinema e humanidades. V. 5 n. 2 Jul/Dez. UFMG, Belo Horizonte, 2008.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).