Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Larissa Bougleux (UFSC)
Minicurrículo
- Larissa Bougleux: Mestranda na pós Graduação em Linguística e Literatura da UFSC, pesquisa sobre a convergência da literatura e a televisão com enfoque em Estudos Culturais. Eduarda Rodrigues: Doutoranda na pós Graduação em Linguística e Literatura da UFSC, tem como áreas de interesse feminismo e estudos culturais. Fabio Coura: Mestrando na pós Graduação em Linguística e Literatura da UFSC, tem como áreas de interesse estudos críticos sobre adaptações literárias e estudos culturais.
Coautores
- Maria Eduarda Rodrigues (UFSC)
Fabio Coura de Faria (UFSC)
Ficha do Trabalho
Título
- Napoleã do Crime: Implicações da Mudança de Gênero em Moriarty
Resumo
- Este estudo abordará a subversão ecoada pela adaptação do personagem Moriarty da literatura do séc. 19 para a televisão do séc. 21. Através da análise, no âmbito literário, de James Moriarty, em O Problema Final (1893) de Conan Doyle, e, no âmbito televisual na série Elementary (2012-), da versão feminina do personagem, Jamie Moriarty, investigaremos implicações políticas trazidas por essa mudança de gênero.
Resumo expandido
- Esta apresentação abordará a representação subversiva da caracterização de personagem na adaptação da literatura para a televisão. O interesse deste estudo situa-se na célebre história de Sherlock Holmes e seu arquinimigo, Moriarty, com enfoque de caracterização no personagem Moriarty. No âmbito literário, analisaremos o professor James Moriarty através do conto que o apresenta, O Problema Final (1893) de Sir Arthur Conan Doyle, e no âmbito televisual, examinaremos a única versão feminina do professor já retratada, Jamie Moriarty, através da análise de um episódio da série Elementary (2012-) criada pelo produtor Robert Doherty. Entitulado “A Napoleã do Crime,” este estudo focará na adaptação intermediática do famoso personagem nêmesis do detetive Vitoriano. Sherlock Holmes repetidamente alude ao seus arquinimigo como “O Napoleão do Crime” e esta apresentação tem como interesse principal observar a única versão feminina criada deste Napoleão. Investigaremos as duas personagens através da sua caracterização direta e indireta no conto e no episódio televisivo. Na última mídia, utilizaremos primordialmente a análise de cinematografia, edição, mise-en-scène e som como sustentáculo para o estudo da caracterização da personagem. Com base no conceito de hegemonia articulada por Antonio Gramsci (1971), de hegemonia-alternativa desenvolvida por Raymond Williams (1977) e de teoria feminista proposta por Susan Faludi (1991), investigaremos o impacto político dentro do escopo feminista da mudança na caracterização da personagem Moriarty num estudo comparativo entre literatura e televisão. Também traremos a ideia proposta por Teresa de Lauretis (1987) quando se refere ao cinema como “tecnologia do gênero”, ou seja, um aparato social imbricado com representações de gênero que impactam concretamente na “vida material das pessoas” (p. 209). A fim de entender este contraste de personagens e ideologias por elas apresentadas, utilizaremos ainda a discussão que Andrew Bennett e Nicholas Royale (2009) propõem a respeito da proeminência da caracterização dentro do contexto narratológico da literatura, a sua acentuação na passagem intermediática para a televisão discutida por Kristin Thompson (2003) bem como a articulação que Mimi White (1992) preconiza sobre ideologia e televisão. Por meio deste suporte teórico, contrastaremos a análise da personagem no contexto do hipertexto literário com o hipotexto televisivo a fim de observar se há uma repercussão política nessa representação de uma Moriarty mulher no âmbito feminista. Levantaremos, assim, um questionamento crítico a respeito da atual discussão sobre o papel da mulher neste momento pós-moderno. Esta apresentação, por fim, busca fomentar debates a respeito de como o feminismo materializa-se social e midiaticamente perante contra-ataques que visam silenciar a agência da mulher dentro e fora do âmbito representativo.
Bibliografia
- HEROINE. Elementary. Nova Iorque: CBS, 2012. Programa de TV.
BENNETT, A; N, ROYALE. An introduction to Literature, Criticism and Theory. Edinburgh Gate: Pearson Education Limited, 2004. p. 63-79.
DE LAURETIS, T. Technologies of Gender: Essays on Theory, Film and Fiction. Bloomington: Indiana U. Press. 1987. p. 165.
DOYLE, A.C. The Complete Sherlock Holmes. New York: Barnes & Noble, 2009. p. 438-449.
FALUDI, S. Backlash in Popular Culture. In: Backlash: The Undeclared War Against American Women. New York: Crown, 1991. p. 565.
GRAMSCI, A. Selections from the Prison Notebooks. Tradução de Quentin Hoare e Geoffrey Nowell Smith. London: Lawrence & Wishart, 1971. p.506-556.
THOMPSON, K. Storytelling in Film and Television. Massachusetts: Harvard University Press, 2003. p.1-140.
WILLIAMS, R. Marxism and Literature. Oxford: Oxford University Press, 1977. p.108-114.
WHITE, M. Channels of Discourse, Reassembled: Television and Contemporary Criticism. New York, London: Routledge, 1992. p. 408
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
