Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Josué da Silva Bochi (UFF)

Minicurrículo

    Mestre em Filosofia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), na linha de pesquisa de Estética e Filosofia da Arte (conclusão em 2016), com a dissertação “Eduardo Coutinho – Saber da singularidade”. Graduado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UFRGS (conclusão em 2006) e Comunicação Social – Cinema pela UFF (conclusão em 2014). Estágio-docência sobre o tema de crítica cinematográfica na disciplina de Filosofia Política na UFF (período 2014/2).

Ficha do Trabalho

Título

    Eduardo Coutinho, o singular e o comum

Resumo

    Ao trazer ao centro o sujeito comum a partir de uma escuta desejosa do diretor e de uma estética minimalista, o documentário recente de Eduardo Coutinho superou limites do individualismo e de representações generalizantes da sociedade. A relação da obra de Coutinho com os temas do singular e do comum é sugerida através das teorias do reconhecimento e do sofrimento social, da experiência de assistir à presença do outro e do levantamento pontual de variações do método na filmografia do cineasta.

Resumo expandido

    Em 2012, o documentarista Eduardo Coutinho afirmou em uma entrevista que “há uma tendência a se pensar que ao passar de ‘Cabra Marcado para Morrer’ (1964-84) para um filme como ‘Santo Forte’ (1999) eu deixei de ser político. Mas eu considero que meus filmes continuaram sendo políticos. Acho que entender questões individuais como a morte, o envelhecimento e a perda é fundamental. (…) Essa foi a tragédia do socialismo, que nunca entendeu que há uma dimensão pessoal em tudo. Existe uma dimensão individual na vida que para mim é essencial e acho que chega ao político de outra forma”.
    A crítica à vulgata marxista não é para o diretor um preceito frio. Surge da desilusão e da crítica perante a falência dos ideais de emancipação do povo, compartilhada por muitos artistas e intelectuais de sua geração, e da experiência prática de escutar o outro “nem de cima, nem de baixo” ao longo de “Cabra Marcado para Morrer” e no programa “Globo Repórter”. Mais do que tomar o estilo do diretor como mero reflexo de uma experiência pessoal, no entanto, é preciso compreender como a renovada atenção à vida de sujeitos “ordinários” ocorre num contexto de crescente anomia e de perda da centralidade do discurso das lutas de classes enquanto chave de leitura para as tensões sociais. Ao invés de celebrar a vitória do individualismo, a atenção ao singular torna-se (ou pode se tornar) um meio de atenção às demandas universais de reconhecimento e de reflexão sobre aquilo que Bourdieu chamou de “miséria do mundo” – miséria objetiva que, no entanto, só pode ser vista e dita em seus rastros.
    Se há comunidade (e política) na filmografia recente de Coutinho, obra esta reconhecida por seu minimalismo, é somente através da recusa radical de um romantismo nostálgico que recolocou no futuro o lugar da unidade perdida e das representações mesmas do “estar-em-comum”. Em “Santo Forte”, filme cujo tema é a religiosidade popular, não se veem organizações de grupos políticos ou de movimentos sociais (como era o caso de “Santa Marta, Duas Semanas no Morro”, de 1987), e tampouco são filmados os cultos, que poderiam sugerir a ideia de uma comunhão espiritual. Do pouco que resta – a presença das pessoas que falam de si frente a uma escuta desejosa do diretor – irrompe, não raro, o que poderíamos tratar como a potência da vida de “singularidades quaisquer” (cf. Agamben).
    Segundo Comolli, “a potência subjetivante da fala filmada tem menos a ver com o desdobramento (que ela permite, evidentemente) da interioridade do personagem do que com o liame que ela promove entre o corpo filmado e o nosso”. Há algo que nos cativa como espectadores e com o que me conectamos, porém não sob a forma de identidades ou de estilos consumíveis; algo que torna possível a relação com uma singularidade que já não se apresenta como irredutivelmente diferente da nossa, e que ao mesmo tempo mina nossa posição ou preconceitos prévios. A este respeito, é preciso refletir, primeiro, a respeito da força da presença (ou melhor, da imagem de uma presença, muitas vezes mais potente que a presença real) que pode nos lançar para uma espécie de comunidade de jogo; e, segundo, sobre o caráter de “obra aberta” que há nas personagens e o modo como podemos ou não completá-las ou continuá-las.
    Há uma potência de indeterminação que não é própria exatamente do sujeito, mas antes da linguagem. Isto é o que se vê em “Jogo de Cena” (2007): quando histórias de vida particulares migram de boca em boca ao serem reinterpretadas por atrizes, mesmo o rosto e o nome, que talvez antes parecessem imprescindíveis, tornam-se substituíveis ou dispensáveis. O caso exemplar e radical de “Jogo de Cena” mostra como o dispositivo de corporificação de uma presença não é uma fórmula fadada a se repetir a cada filme e a cada cena. Assim, interessam as variações e rupturas do método e o modo como elas sugerem novas distâncias, silêncios e ausências onde poderíamos esperar uma presença pura que se confundiria com um ideal de comunhão.

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. A comunidade que vem. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.
    BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012.
    BOURDIEU, Pierre (coord.). A miséria do mundo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
    BUTLER, Judith. Relatar a si mesmo: crítica da violência ética. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
    COUTINHO, Eduardo; BRAGANÇA, Felipe (org.). Eduardo Coutinho. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008 (Encontros).
    COUTINHO, Eduardo; OHATA, Milton (org.). Eduardo Coutinho. São Paulo: Cosac Naify, 2013.
    GUIMARÃES, C.; OTTE, G.; SEDLMAYER, S. (orgs.). O comum e a experiência da linguagem. Belo Horizonte: UFMG, 2007.
    MORIN, Edgar. O cinema e o homem imaginário. São Paulo: É Realizações, 2014.
    PELBART, Peter Pál. Vida capital: ensaios de biopolítica. São Paulo: Iluminuras, 2011.
    SAFATLE, Vladimir. Grande Hotel Abismo: por uma reconstrução da teoria do reconhecimento. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).