Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Lara Santos de Amorim (UFPB)

Minicurrículo

    Doutora em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (2002), doutorado Sandwich em Antropologia no Graduate Center, na City University of New York (2011). É professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia na UFPB, atuando na linha Imagem, Arte e Performance. Pesquisa e orienta na área de antropologia e imagem, patrimônio cultural e antropologia urbana. Publicou os livros Reinvenção da Tradição (2012) e Cinema e Memória- O Super 8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980 (Org.) (2013).

Ficha do Trabalho

Título

    Antropologia e Cinema: análise fílmica e memória narrativa do Super8

Seminário

    Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    Pretende-se debater a experiência de fazer pesquisa na interface entre antropologia e cinema. Propor uma discussão que analise um corpus de filmes produzidos em Super8 na década de 1980 na Paraíba e que representam formas inovadoras de abordar temáticas políticas e sociais. Refletir sobre como estes filmes podem ser lidos como “artefatos culturais” capazes de revelar intuições e valores de uma época. A partir desta memória narrativa, pensar a filmografia de realizadores contemporâneos na Paraíba

Resumo expandido

    O livro Cinema e Memória- O Super 8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980 foi o resultado de um Projeto de Pesquisa realizado na Universidade Federal da Paraíba e financiado pelo Programa Petrobrás Cultural, entre 2012 e 2014, o qual catalogou, digitalizou e disponibilizou no site cinepbmemória.com.br um acervo de 88 filmes. Este texto se debruçará sobre um corpus de filmes (que ainda serão) selecionados a partir deste acervo digitalizado, disponíveis para exibição no site referido.
    Entre 1970 e 1980 o Núcleo de Pesquisa e documentação da universidade da Paraíba- NUDOC foi preenchido por uma produção audiovisual que foi influenciada em 1980 pelo convênio realizado entre a Associação Varan de Paris e a UFPB, encabeçado por Jean Rouch e que culminou na criação do Atelier de Cinema Direto do NUDOC. O projeto acima referido levantou a memória deste momento da produção audiovisual na Paraíba marcado por diferentes influências culturais e estéticas: o neo-realismo italiano que influenciou Linduarte Noronha, diretor de Aruanda (1960), o pré-tropicalismo ou o tropicalismo de Jomar Muniz de Brito e a estética do cinema direto, com a chegada dos Ateliers Varan na UFPB.
    O início dos Ateliers Varan em João Pessoa coincide com o terceiro ciclo de cinema na Paraíba, caracterizado por uma produção plural e pela predominância do Super8, o qual permitia produções de baixo orçamento e mais simplificadas em relação a outras bitolas profissionais. Surge então uma noção de cinema mais radical, voltada para temáticas sociais, regionais, mais politizadas, assim como temáticas relacionadas à sexualidade e homoafetividade. Encontramos esta diversidade temática no acervo do Nudoc, o qual inclui filmes sobre miséria urbana, luta camponesa, trabalho, política cultural, campanhas eleitorais, meio ambiente, cultura popular e manifestações artísticas e tradicionais.
    Há um número significativo de filmes que possuem orientação documental mais próximos do “método” do cinema direto, mas há também um corpus relevante de filmes que tratam da questão da sexualidade, discutindo formas de punição e controle, com uma orientação narrativa orientada para a ficção (em torno de 13 filmes) e driblando a orientação do estágio do cinema direto.
    Assim, a relação entre os meios de produção da imagem, a conjuntura política brasileira e a linguagem estética são alguns dos elementos que norteiam boa parte do debate travado sobre a produção audiovisual na Paraíba durante os três ciclos que se desenvolveram no século XX.
    Os diferentes ciclos deflagrados pela produção de Aruanda, em 1960, pelo movimento superoitista, em 1979, com Gadanho, e pela atuação do Centro de Formação em Cinema Direto de Paris (Associação Varan), em 1980, demonstram que a produção cinematográfica paraibana respondeu a determinado contexto político e econômico regional e nacional, onde os meios de produção da imagem, bem pouco acessíveis até a década de 1970, deixaram de ser escassos e passaram a estar disponíveis para a classe universitária, a partir da iniciativa do Estado, como foi o caso do Convênio que possibilitou a formação do Atelier Varan.
    A partir do contexto descrito, pretende-se empreender uma análise de um corpus de filmes capazes de revelar em conjunto, ou individualmente, uma perspectiva narrativa que marcou a época (1980) e compará-las com produções de realizadores contemporâneos, buscando um diálogo entre o cenário da produção do Super8 e o atual contexto de produção digital na Paraíba. Uma pesquisa de mestrado orientada por mim no PPGA/UFPB está entrevistando realizadores que pertencem a ambas as gerações, indagando em que medida as inovações estéticas da época do cinema direto e do pré-tropicalismo ficcional que marcou a década de 1980 dialoga ou rompe com as recentes narrativas ficcionais e documentárias de jovens realizadores. Quais os símbolos e narrativas que poderiam ser identificados na análise? Por fim, seria possível pensarmos em termos de uma epistemologia da antropologia do cinema?

Bibliografia

    AMORIM, L. S. de, TREVAS, F. T. Cinema e Memória- O Super 8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980 (Org.) (2013). João Pessoa: Editora da UFPB, 2013.
    AUMONT, J., MARIE, M. A Análise do Filme. Lisboa: Edições Texto e Grafia, 2013.
    BARBOSA A., CUNHA, E. T. da, HIKIJI, R. S. G. (orgs). IMAGEM-CONHECIMENTO: Antropologia, cinema e outros diálogos. Campinas, SP: Papirus, 2009.
    FREIRE, M., LOURDOU. (org.) Descrever o Visível. Cinema Documentário e Antropologia Fílmica. São Paulo: Ed. Estação Liberdade, 2010.
    JULLIER, L., MARIE, M. Lendo as Imagens do Cinema. São Paulo, Ed. Senac, 2009.
    MARTINS, J. de S., ECKERT C. (orgs), NOVAES, S. C. O Imaginário e o poético nas Ciências Sociais. Bauru: São Paulo, Edusc, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).