Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Isabel Paz Sales Ximenes Carmo (UFC)

Minicurrículo

    Isabel Paz é mestranda em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com pesquisa em Fotografia e Audiovisual, e graduada em Jornalismo pela mesma universidade. Participa do grupo de estudos e pesquisa “As faces do rosto”, que discute o tema a partir da perspectiva da Semiótica, da Filosofia, da Neurologia e da Psicanálise. É orientada pela Prof. Dra. Gabriela Reinaldo.

Ficha do Trabalho

Título

    ESPAÇO-FORA-DA-TELA E O (DES)APARECER DO ROSTO EM LES YEUX SANS VISAGE

Resumo

    O rosto é a principal parte do corpo pela qual interagimos com o ambiente e com os outros que nos rodeiam (COUTINE E HAROCHE, 1995). Pensando nas rupturas que a ausência do rosto provoca, discutiremos três sequências do filme Os Olhos Sem Rosto (Georges Franju, 1960) a partir do conceito de espaço-fora-da-tela imaginário proposto por Burch (2008), e como as operações fílmicas constroem e fortalecem essa ausência num jogo dialético permanente entre esconder e mostrar.

Resumo expandido

    O rosto proporciona uma dimensão de ligação e de comunicação com os outros que nos rodeiam; nele se revelam nossas emoções, sentimentos e ideias. Por esse motivo, nem sempre é lugar de clareza e entendimento. Pela boca, olhos, testa, fala-se; mas também se silencia. Diz-se, mas por meio de dobras, incoerências e entrelinhas. É um pouco desse ocultismo – algo de fantasmático, sobrenatural e aterrorizante – do rosto que discutiremos, a partir de sua ausência em “Os Olhos sem Rosto” (1960), de Georges Franju.
    Christiane teve o rosto desfigurado após um acidente de carro provocado pelo pai, Dr. Génessier. Culpado, ele tenta restituir o rosto à filha por meio de transplantes de rosto de moças, sequestradas com a ajuda de sua assistente, Louise. Enquanto espera pelo sucesso dos transplantes, Christiane é aprisionada em casa e obrigada a usar uma máscara que esconde sua desfiguração.
    Em “Os Olhos sem rosto” tudo gira em torno de rostos, num constante jogo dialético de mostra/esconde. Três sequências distintas são simbólicas desse jogo, construídas a partir de operações fílmicas que possibilitam essa (des)aparição: o posicionamento dos atores em relação à câmera, o uso de objetos que escondem a face, o jogo entre campo/fora de campo. Nelas são apresentadas as três personagens principais, Louise, Génessier e Christiane, e uma das vítimas, Simone. Louise se encontra atrás de um para-brisa (1ª sequência), Génessier está fora do campo (2ª) e Christiane, deitada em uma longue chaise, esconde o rosto em almofadas (3ª). Esses quatro rostos ocupam, a um primeiro momento, o espaço-fora-da-tela, de que fala Noel Burch (2008), sobre o qual o autor propõe duas formas de pensar e categorizar. Primeiro, em relação à orientação do espectador quanto ao espaço no filme (os quatro cantos da tela, atrás do cenário e atrás da câmera). A segunda é uma separação entre o espaço-fora-da-tela “concreto” – que é mostrado posteriormente, como no campo e contracampo, em que é possível reconhecer a continuidade daquele espaço – e imaginário. O espaço-fora-da-tela de Burch abrange não só um fora de campo que pode se tornar visível, mas também aquele espaço que em nenhum momento é mostrado, mas do qual conhecemos uma suposta existência que para nós passa a ser totalmente imaginária.
    No início da sequência (1), em que surgem Louise e o cadáver de Simone, não vemos diretamente o corpo morto (está fora de campo), pois é reflexo de um espelho. Depois, o contracampo afinal nos é mostrado; aí, um chapéu obstrui nossa visão. O rosto está dentro do campo, mas fora do quadro: invisível. Na palestra de Génessier (2), o som de sua voz é indício de uma presença física ainda não revelada, anunciada no plano anterior. No quarto (3), estão presentes o corpo inteiro de Christiane, vivo, visível, e uma voz a ele associada (portanto pertencente ao campo), mas seu rosto é negado ao espectador (como foi o de Simone).
    Estes quatro rostos são limitados a existir, por diferentes períodos, nesse espaço-fora-de-tela imaginário, que trabalha no preenchimento desse vazio de imagem. Descobrimos os rostos de Louise e de Génessier. Do cadáver, saberemos apenas o nome, Simone. Já o rosto de Christiane, a quem pertencem os “olhos sem rosto”, é um elemento de angústia, pois se trata de um rosto desfigurado. Essa ausência permanente se fortalece na montagem dos planos, como se a ausência se presentificasse, pois “como uma parte importante da personagem permanece em off, o espaço-fora-da-tela torna-se mais presente do que se a personagem entrasse em cena de corpo inteiro.” (BURCH, 2008, p. 41). Aqui falamos de uma ansiedade sentida pelo espectador, ansiedade por um rosto ao qual relacionar Christiane, mas que nunca será satisfeita: daí a inquietante sensação que a máscara nos provoca. Nosso intuito é discutir e problematizar o espaço-fora-de-tela em relação a esses rostos que não se deixam ver, pensando na dialética entre visível e invisível, presença e ausência.

Bibliografia

    AGAMBEN, G. O rosto. In:______. Meios sem fim: notas sobre a política. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015.
    BURCH, N. Práxis do cinema. São Paulo: Perspectiva, 2008.
    COURTINE, J. J; HAROCHE, C. História do rosto: Exprimir e calar as suas emoções. Lisboa: Editorial Teorema, 1995.
    FREUD, S. O inquietante. In: ______. Sigmund Freud: obras completas, vol. 14. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
    LE BRETON, D. Les passions ordinaires: Anthropologie des émotions. Paris: Armand Colin/Masson, 1998.
    OS OLHOS sem rosto. Direção: Georges Franju. Produção: Jules Borkon. Paris /Roma: Champs-Elysées Productions, Lux Film. 1960. 1 filme (88 min), 35 mm, p&b.
    REINALDO, Gabriela. Caras em profusão – o que nos dizem as imagens do rosto? In Carlos Gerbase, Eduardo Campos Pellanda, Juliana Tonin (orgs.). Meios e mensagens na aldeia virtual. 1ª ed. Porto Alegre: Sulina, 2012, v. 1, p. 89-108.
    RISTERUCCI, P. Les Yeux sans visage de Georges Franju. Liège: Éditions Yellow Now, 2011.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).