Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Maria Cristina Mendes (UEPG)
Minicurrículo
- Professora Adjunta do Departamento de Artes da UEPG/PR (desde 2015) e professora dos cursos de Artes Visuais e Tecnologia em Fotografia da UTP/PR (2002 a 2015). Doutorado (2014) e Mestrado (2010) em Comunicação e Linguagens na UTP/PR; Especialização em História da Arte do Século XX (2000) na EMPAP/PR e Graduação em Pintura (1984) na EMBAP/PR. Coordenadora do curso de Especialização – Fotografia: processos de produção de imagens na UTP/PR (2012 a 2015).
Ficha do Trabalho
Título
- Adaptação Neobarroca: Catatau de Leminski e ExIsto de Cao Guimarães
Resumo
- ExIsto (Cao Guimarães, 2010) é uma adaptação cinematográfica de Catatau ( Paulo Leminski, 1975). Analiso nos trechos do filme, Dança da chuva, Brasília e Mãe Preta, a presença do Barroco que Haroldo de Campos identifica no livro e aponto mudanças socioculturais no período que separa as obras. Se tradução criativa e infidelidade ao texto fonte fundamentam a qualidade da nova obra, destaco singularidades do estilo que, para Deleuze, representa novo modelo de mundo.
Resumo expandido
- Em 1975 Paulo Leminski publica Catatau e em 2010 Cao Guimarães lança o longa-metragem ExIsto, uma adaptação livre do romance. Em setembro de 1989, ano da morte do poeta paranaense, Haroldo de Campos publica “Uma Leminskíada Barrocodélica”, ensaio que destaca o alto grau de ilegibilidade e o caráter polissêmico do texto, cujo tema é a fictícia vinda de René Descartes para o Brasil e a desconstrução do método cartesiano. Investigo, no livro e no filme, a presença de características Neobarrocas e destaco algumas de suas singularidades. Dada a premissa que os processos intersemióticos, tais como adaptações ou apropriações, podem evidenciar a transformação de mundos, pesquiso como ExIsto pode indicar algumas das substanciais alterações sociais ocorridas nos trinta e cinco anos que separam as duas obras. Adoto o método crítico analítico de caráter intertextual, com base em Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Júlio Plaza, que valorizam a tradução criativa. A partir do conceito de “cinema impuro” de André Bazin, enfatizo os postulados de Robert Stam e Julie Sanders sobre as teorias de adaptação cinematográfica, cujo ponto em comum é a desvalorização da fidelidade ao texto fonte e o enaltecimento das peculiaridades de cada linguagem. Com aporte em Ernst Gombrich, Heinrich Wölfflin e Gilles Deleuze delimito peculiaridades dos estilos artísticos, evidenciando as substanciais alterações imagéticas provindas do predomínio da racionalidade no Renascimento e da exasperação da emoção no Barroco. Explicito características Neobarrocas em Catatau com bases em Haroldo de Campos e analiso três fragmentos de ExIsto nos quais a retomada do estilo é evidente. Em Dança da chuva demonstro a preocupação com os limites da linguagem e a potência dos efeitos tecnológicos; em Brasília enfatizo a serialização das imagens quase estáticas e a ausência de foco; em Mãe Preta valorizo a tonalidade castanha da cena e a retomada do sagrado. Pontuo singularidades em cada uma das obras, lembrando que no livro Descartes devaneia nos jardins de Nassau e no filme conhece rio, floresta, cidade e mar. Se o romance é repleto de personagens históricas em constante imbricação, o filme mostra a solidão de Descartes nos trópicos. Os abismos do livro são intransponíveis e residem na desconstrução de provérbios, na junção de línguas distintas e no deslocamento de letras e sílabas, numa atitude de franca experimentação dos limites da inteligibilidade. A atmosfera do filme é de encantamento: as fronteiras da linguagem visual são ampliadas, os contornos das formas diluídos e os silêncios potencializados através de estratégias típicas das pesquisas poéticas em suportes audiovisuais. A polissemia, os excessos e mestiçagens de Catatau se associam, em ExIsto, aos êxtases de Descartes, ao foco da imagem e à montagem fílmica. Dentre as singularidades que evidenciam possíveis alterações socioculturais destaco a atual problemática de movimentos contraculturais e a multiplicidade de possíveis abordagens sociológicas decorrentes da ampliação dos processos comunicacionais. As neobarroquizações criam brechas de expressividade, locais por onde as formas artísticas se inscrevem no mundo. O filme de Cao Guimarães mantém o caráter enigmático que identifica a produção literária leminskiana; ao traduzir criativamente o romance, Existo instaura um modo peculiar de estar no mundo, quando pensar e sentir estabelecem relações dialéticas. Descartes, no século XXI, transcende fronteiras geográficas e linguísticas em curvas e dobras Neobarrocas. Num mundo em que proliferam os processos de comunicação, Descartes silencia.
Bibliografia
- BAZIN, A. O que é o cinema? SP: Cosac Naify, 2014
CAMPOS, H. Transluciferação. In: PLAZA, J (org.) Transcriar. SP: MAC/USP, 1985, p.5-8
DELEUZE, G. A Dobra: Leibniz e o Barroco. Campinas: Papirus, 2012
GUIMARÃES, C. ExIsto. DVD, 86 min. Dig. Cor. Brasil, 2010
HUTCHEON, L. A Theory of Adaptation. New York/London: Routledge, 2006
LEMINSKI, P. Catatau – um romance idéia. SP: Iluminuras, 2013
LINS, C. Ex-isto: Descartes como figura estética do cinema de Cao Guimarães. In: GONÇALVES, O (org). Narrativas Sensoriais: ensaios sobre cinema e arte contemporânea. RJ: Circuito, 2014, p. 83-102
PIGNATARI, D. Semiótica da Arte e da Arquitetura. SP: Cultrix, 1981
PLAZA, J. Tradução Intersemiótica. SP: Perspectiva, 2008
SANDERS, J. Adaptation and Appropriation. New York/London: Routledge, 2008
STAM, R. A literatura através do cinema: realismo, magia e a arte da adaptação. BH: UFMG, 2008
WÖLFFLIN, H. Conceitos fundamentais da história da arte: o problema do estilo na arte
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
