O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Marcius Freire (UNICAMP)

Minicurrículo

    Professor Associado (Livre-docente) do Dept. de Cinema e do PPG em Multimeios da UNICAMP. Autor de Documentário. Ética, estética e formas de representação, além de inúmeros artigos e capítulos de livros sobre o campo fílmico. Organizou com Philippe Lourdou, Université de Paris X–Nanterre, o livro Descrever o Visível. Cinema documentário e antropologia fílmica; coedita com Manuela Penafria, Universidade da Beira Interior-Portugal, o periódico Doc on-line. Revista Digital de Cinema Documentário.

Ficha do Trabalho

Título

    “O Cine-Eu”: ou de como a terra passou a girar em torno do meu umbigo.

Seminário

    Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    Com o esgarçamento dos valores que serviam de referência ao desenvolvimento humano e ao aprimoramento de sua existência no mundo, o indivíduo viu-se desnorteado ideologicamente, desestabilizado em suas convicções e inseguro quanto ao seu papel na sociedade. O documentário contemporâneo, fazendo eco a esse estado de coisas, passou a gestar um número cada vez maior de micro-histórias pessoais que, algumas vezes, podem reverberar processos sociais ou históricos mais amplos, outras nem tanto.

Resumo expandido

    A proposta em tela retoma um tema que já exploramos em duas ocasiões diferentes neste nosso seminário. Em 2014, quando nos debruçamos sobre filmes de dispositivos e filmes autobiográficos, mas enfatizando, de fato, apenas os primeiros; e em 2015, quando, efetivamente, atacamos a questão dos artefatos audiovisuais em que o realizador volta a objetiva para si. No entanto, nessa segunda ocasião, nossos objetos foram os filmes de arte ou filmes de artista, muitos dos quais se consubstanciavam bem mais como espécies de duplos de registros de performances ou de outras manifestações efêmeras que precisavam ser postas em um suporte persistente. Agora, neste encontro de 2017, intencionamos verificar o filme em primeira pessoa que se propõe a ser uma construção sobre algo que não está dado no mundo histórico e que não é, tampouco uma forma de registro de uma obra de arte que poderia existir independentemente do filme. Ao contrário, ele pretende se desenvolver nesse mundo como um percurso, como uma busca, como uma autobiografia, como um retrato ou um auto-retrato em que o protagonista é o próprio realizador ou com ele se associa para a produção do artefato.

    De acordo como aquilo que anunciamos no resumo, partimos do pressuposto que, com o esgarçamento dos valores que serviam de referência ao desenvolvimento humano e ao aprimoramento de sua existência no mundo, o indivíduo viu-se desnorteado ideologicamente, desestabilizado em suas convicções e inseguro quanto ao seu papel na sociedade. O campo do documentário contemporâneo, fazendo eco a esse estado de coisas, passou a germinar um número cada vez maior de micro-histórias pessoais que, algumas vezes, podem reverberar processos sociais ou históricos mais amplos, outras nem tanto.

    De par com a interpretação acima para essa prática cinematográfica, existe uma outra que não pode ser negligenciada. Com efeito, é preciso levar em conta que a vulgarização do suporte digital, sua miniaturização e o seu barateamento tornaram a incursão nos liames da realização fílmica extremamente acessível. Como corolário, temos uma proliferação jamais vista de artefatos audiovisuais sendo produzidos. Logo, a tentação de se colocar em cena a si mesmo é enorme, tanto mais que a sociedade contemporânea, com seus incontáveis instrumentos de registro domésticos e o pernicioso hábito/vício do selfie fez de todos e de cada um que deles dispõe um cineasta/fotógrafo de ocasião.

    Uma terceira variável merece ser mencionada nesta nossa nessa breve apresentação. Ela diz respeito à hierarquização da significância das diversas fases do processo criativo. Melhor dizendo, dos dois principais momentos que conformam a obra: a sua feitura e a sua exposição ao público.

    Aqui, o documentário vai ao encontro das artes plásticas que, já há algum tempo, abandonou seus suportes tradicionais levando o artista a transformar seu próprio corpo em suporte para a sua arte. Para além da body art, são inúmeros os exemplos de intervenções de toda sorte a que os corpos são submetidos como forma de subversão dos cânones da arte figurativa e, mesmo, da arte moderna de fatura tradicional. O que importa não é mais a exposição de uma peça, de um objeto ou mesmo de uma instalação, mas de um processo a que o espectador assiste. Tal processo pode ou não ser filmado, mas sua criação tem como objetivo a sua fruição ao vivo.
    O cinema documentário de que aqui tratamos também se preocupa mais em mostrar como é feito do que se mostrar feito. Em sua grande maioria, o processo criativo é a própria razão de ser do filme. É ele que serve de fio condutor e o seu realizador é que puxa esse fio à vista do espectador.
    Essa substituição da obra acabada pela obra em processo levou Paul Valéry a afirmar: “Pode acontecer que sejamos levados a considerar com mais complacência, e mesmo com mais paixão, a ação que faz, do que a coisa feita”.

    Sobre o que precede tratará nossa apresentação.

Bibliografia

    BEAUJOUR, Michel, “Miroirs d’encre. Rhétorique de l’autoportrait », Paris: Seuil, 1980.

    BELLOUR, Raymond. ‘Autoportraits’. In: « Communications », 48, 1988. Vidéo. pp. 327-387.

    _________Raymond, « Le corps du cinéma, hypnoses, émotions, animalité ». Paris : P.O.L., Coll. « Trafic », 2009.
    GRUNBERGER, Bela, CHASSEGUET-SMIRGEL, Janine (Eds.). « Le Narcissisme. L’Amour de soi ». Paris : Tchou Éditeur, 1997.

    LASCH, Christopher, “Culture of Narcissism. American Life in An Age of Diminishing Expectations”. New York: W. W. Norton & Company, 1991.

    _______, Christopher, The Minimal Self. Psychic Survival in Troubled Times. New York: W. W. Norton & Company, 1984.

    LEBOW, Alisa (Ed.), The Cinema of Me. The self and Subjectivity in First Person Documentary. New York: Wallflower Press, 2012.
    LEJEUNE, Philippe, Pour l’autobiographie, Paris: Seuil, 1998.
    LIPOVETSKY, Gilles, SERROY, Jean, L’Écran global. Paris: Éditions du Seuil, 2007.

    LOWEN, Alexander, Narcissism. Denial of the True Self. Ne

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.