O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Christiane Quaresma Medeiros (UFPE)

Minicurrículo

    Christiane Quaresma é pesquisadora graduada em Design e mestre em Comunicação, ambas titulações adquiridas na UFPE e com pesquisas na área de história e teoria da animação. Atualmente, encontra-se vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, onde realiza seu doutorado, com pesquisa sobre o corpo no cinema de animação.

Ficha do Trabalho

Título

    Corpo e plasticidade do gesto no cinema de animação

Resumo

    A apresentação propõe um olhar sobre a representação do corpo que é operada na arte da animação. Ao mesclar os atributos do dispositivo cinematográfico (tempo e movimento) a outras artes de representação, como a pintura, o cinema animado engendra uma nova plasticidade para o corpo, a partir da possibilidade de moldar o gesto. A partir daí, a animação se configura como espaço de articulação de novos sentidos e utopias para o corpo, construindo um imaginário particular sobre o mesmo.

Resumo expandido

    A utopia está na base da representação do corpo na cultura ocidental. A partir dela, o corpo foi idealizado para além de sua própria corporeidade. É preciso observar que tal empreendimento não se elabora apenas na cultura visual, mas em diversas outras instâncias do pensamento, que mediam nossa experiência com o corpo. Foucault (2013) nos lembra, assim, do mito da alma, e como este cumpre negar a topologia do corpo. Assim seria com utopias de outras naturezas: das fadas, dos gênios, dos mágicos (FOUCAULT, 2013, p. 8), que evidenciam as faltas que o corpo real suscita, em sua natural fragilidade e mortalidade. A representação do corpo na cultura visual não está desvinculada destas utopias. No entanto, o espaço da representação imagética não se configura apenas como espelho de mitos e desejos já previamente configurados, ele também é palco de atualizações e reelaborações, muitas vezes engendrados pelas possibilidades mesmas dos meios de representação de cada arte.
    É o caso do cinema de animação, cujos atributos tecnológicos e processuais possibilitam uma plasticidade para além da figura humana: a plasticidade do gesto. O cinema, por seu aparato técnico capaz de dotar a imagem de movimento, evidencia na cultura visual a experiência do corpo em uma de suas instâncias elementares: o gesto. Este será, a princípio, limitado pela natureza física do corpo, uma vez que o cinema, à exemplo da fotografia, elaborou sua representação com base no corpo real. Assim, no espaço da prática cinematográfica, caberá, principalmente, à arte da animação a possibilidade de libertar o gesto de sua prisão. Pois, ao se tratar de uma arte de representação híbrida, que faz uso do dispositivo cinematográfico associado a outras formas imagéticas, como a pintura, a animação possibilita que o gesto seja recriado em uma infinidade de formas. De fato, no cinema animado, se inventa uma plasticidade própria para o corpo, possibilitando a construção de novos sentidos para o mesmo.
    A partir do exposto, propõe-se discutir como esta possibilidade de moldar o gesto a partir do processo animado, permite não somente novas formas de experiencia-lo, mas também como dá continuidade a utopias, desejos e mitos de formas singulares. Neste empreendimento, considera-se, ainda, a animação em sua conexão com outras artes de representação. De fato, a linguagem de animação se desenvolve no início do século XX, período em que o campo da arte executava profundas transformações no modo como o corpo era representado. “Fragmentar, decompor, dispersar: essas palavras se encontram na base de qualquer definição do “espírito moderno”” (MORAES, 2002, p. 56). Artistas do período empreenderam a transfiguração, a fragmentação, a metamorfose, e até a ausência do corpo. Exemplos encontram-se nas obras de Picasso, Dali, Magritte, Miró, entre outros. Para Eliane Robert Moraes (2002), tratou-se de desconstruir a forma humana, desumanizando-se também a arte.
    Nesse momento de repensar o corpo na arte, é possível que o cinema de animação tenha abarcado parte desses novos paradigmas. É emblemático, por exemplo, que os primeiros experimentos animados tenham sido marcados por uma enorme reconfiguração do corpo (em figura e gesto), como se testando seus limites (como vemos em Little Nemo de Winsor McCay – 1911). Assim, na arte animada, não só a figura, mas também o gesto será desconstruído, caricaturado, desumanizado, repensado para além de sua corporeidade.
    Como objeto deste estudo, destaca-se, a princípio, as experiências da animação cartoon, que marcou profundamente a linguagem de animação. Adicionalmente, busca-se observar exemplos de como o corpo é problematizado em animações de diversos contextos durante o século XX que, pelo desvinculo com modelos de representação específicos, configuram-se como exemplos singulares, formas particulares de problematização do corpo na arte da animação. Em suma, busca-se identificar no modo como se representa o corpo em animação uma forma particular de repensá-lo.

Bibliografia

    BENDAZZI, Giannalberto. Cartoons: One Hundred Years of Cinema Animation. Bloomington: Indiana University Press, 1995.
    EISENSTEIN, Sergei. Eisenstein on Disney. Seagull Books Pvt Ltd, 1986.
    FOUCAULT, Michel. O corpo utópico, As heterotopias. São Paulo: n-1 Edições, 2013.
    GOMBRICH, Ernst Hans. Arte e ilusão: um estudo da psicologia da representação pictórica. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007.
    MATESCO, Viviane. Corpo, imagem e representação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.
    MORAES, Eliane Robert. O corpo impossível. São Paulo: Editora Iluminuras, 2002.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.