O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Txai de Almeida Ferraz (UFMG)

Minicurrículo

    Mestrando em Comunicação Social na UFMG. Possui graduação sanduíche em Cinema e Audiovisual na UFPE – Université Rennes 2 (Brasil-França). Realizador de documentários e gestor de mídias sociais em projetos de cinema, com experiência na distribuição de mais de dez longas-metragens. Diretor artístico do MOV – Festival Internacional de Cinema Universitário de Pernambuco. Organizador do livro Cinema Plural: Imagens do Contemporâneo na Visão de Jovens Pesquisadores do Brasil (Editora UFPE, 2014).

Ficha do Trabalho

Título

    Entre o fora e o dentro da cena, o descontrole na construção do “eu”

Resumo

    No curta-metragem No interior da minha mãe (2013), de Lucas Sá, o realizador documenta uma viagem de sua família para uma pequena cidade no Maranhão, por meio de experimento que suscita ambiguidades da prática autobiográfica no cinema. A partir da análise da obra e de entrevista com o realizador, propomos examinar a passagem do “eu de fora” da narrativa para o “eu personagem”, construído no filme, e sua implicação com estratégias de descontrole da escritura fílmica.

Resumo expandido

    Em No Interior da Minha Mãe (2013), o diretor Lucas Sá filma uma viagem de seu núcleo familiar para a pequena São João dos Patos, município onde sua mãe e tias viveram boa parte de suas vidas. Com a câmera sempre à mão, o realizador tenta impor a esse registro familiar um regime observacional, como se não estivesse em cena. O dispositivo, no entanto, é desmontado pelos seus parentes, que insistem em dirigir-se ao antecampo, revelando uma motivação autobiográfica da empreitada e uma implicação clara do diretor com os sujeitos filmados.

    Mas a obra não se estrutura apenas em torno desta questão, dando a ver um interesse oscilante que passeia entre vários “microtemas” suscitados pela viagem, como a ida a um parque de diversões e a subida a um mirante da cidade. Em meio a esses fragmentos, um personagem “do diretor” surge na narrativa de maneira apenas insinuada, rarefeita, distante de uma centralidade egóica que unificaria as figuras de cineasta e protagonista na trama de sua busca familiar.

    O “eu” que surge na narrativa é desmembrado, subsumindo no mundo com o qual é constantemente confrontado. Se por um lado o personagem assinala fechamentos, estes também não se dão sem movimentos contrários de abertura e fragmentação. De acordo com a pesquisadora Roberta Veiga (2016), que formula o conceito de “autobiografia não-autorizada”, o sujeito que é enunciado e enunciador ao mesmo tempo tem dificuldade de ter total domínio sobre a narrativa em que se inscreve, fazendo-o perder as rédeas de sua própria obra, em um fazer estético que o conforma não como “eu” monolítico, mas como um “outro”, poroso ao acaso e ao fluxo, que surge no ato mesmo da escrita.

    Há então uma forte noção de processualidade em jogo, entendida aqui como a capacidade do filme desdobrar-se no tempo e confundir-se com a experiência vivida, “sendo por ela limitado, estimulado, transformado, conformado ou até mesmo expandido, potencializado” (MESQUITA, 2011, p. 18). Na especificidade do jogo da escrita de si, a processualidade se dá justamente na distância entre o “eu de fora” e o “eu de dentro da tela”. Este último construído em ato, processualmente, e nunca apriorístico.

    Diante desta perspectiva, torna-se inevitável não se interrogar sobre aspectos extra-fílmicos, e em que medida em que eles podem nos ajudar a compreender com mais clareza como a passagem do “eu de fora” para “dentro” da narrativa pode operar. O presente trabalho – fruto de uma dissertação em curso -, tomou então a opção metodológica de enriquecer o corpus de análise com informações coletadas em entrevista com o diretor sobre o processo fílmico. Em nosso contato, Lucas Sá revelou ter feito uso de trucagens deliberadas na montagem para diminuir sua centralidade no filme: apagou sua própria voz inúmeras vezes e provocou conscientemente “aberturas” na narrativa que retiram o filme do eixo mais autobiográfico, entre outras estratégias de descentramento de sua figura.

    Desta maneira, onde antes acreditávamos estar diante de uma experiência de descontrole da escrita em primeira pessoa, a entrevista nos mostrou que também aí podem residir cálculos e planejamentos. Longe de reforçar por vias tortas uma pretensa coincidência entre o “eu de dentro” e o de “fora da tela”, acreditamos todavia que a inscrição do eu na narrativa sempre guardará algo de escapável, extrapolando aos planos do realizador, mesmo quando estes buscam emular um descontrole.

    O que parece ficar claro, sem sombra de dúvidas, é que essa experiência de realização não pode ser tomada como ingênua diante de seus próprios efeitos. Em No Interior da Minha Mãe, a indicialidade da imagem documentária é posta a confundir o espectador. Nem tudo que aparece como descontrole ou como risco – embora sirva perfeitamente a este fim narrativo -, pode ser tomado assim quando considerado o plano extrafílmico, o que revela um jogo nuançado e complexo do movimento de construção do eu.

Bibliografia

    BRASIL, André. Formas do antecampo: performatividade no documentário brasileiro contemporâneo. Revista Famecos, Porto Alegre, v. 20, n. 3, pp. 578-602, set./dez. 2013.

    CASTELLO BRANCO, Lúcia. A traição de Penélope – uma leitura feminina da memória. Tese (Doutorado em Letras – Literatura Comparada) – Universidade Federal de Minas Gerais, 1990.

    CORRIGAN, Timothy. O filme-ensaio – desde Montaigne e depois de Marker. Campinas: Papirus, 2015.

    LOPES, Silvina Rodrigues. Literatura, defesa do atrito. Chão da Feira, 2012.

    MESQUITA, Cláudia. Obra em processo ou processo como obra? Transcrição de fala que integrou o ciclo Cinema Brasileiro Anos 2000, promovido pelo CCBB, no dia 5 de maio de 2011, no Rio de Janeiro.

    RENOV, Michael. The Subject of documentary. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2004.

    VEIGA, Roberta. Autobiografia “não-autorizada”: por uma experiência limiar no documentário na primeira pessoa. Doc On-line, n. 19, pp. 42-59, mar. 2016.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.