O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Catarina Andrade (UFPE)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação pela UFPE é autora do livro As Fronteiras da Representação: imagens periféricas no cinema francês contemporâneo, e co-autora dos livros Cinema, Globalização, Transculturalidade, Filmes da África e da Diáspora. Curadora do Atelier Cinéma da Aliança Francesa/Recife. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Interpretação Cinematográfica. Atua principalmente nos temas: cinema contemporâneo, cinema intercultural, representação, performance, gênero, memória e identidade.

Ficha do Trabalho

Título

    Dente Canino e Miss Violence: a violência dos afetos

Seminário

    Corpo, gesto, performance e mise en scène

Resumo

    Este artigo analisa os filmes Dente Canino (Yorgos Lanthimos, 2009) e Miss Violence (Alexandros Avranas, 2013), a partir das teorias do corpo e da perspectiva da estética performativa da chamada Greek Weird Wave, buscando entender o espaço familiar nessas obras enquanto microcosmo político de uma sociedade fundamentada na violência. Propomos pensar o corpo performático enquanto espaço ideológico, e de que modo sua performance e mise-en-scène instauram em cena uma “violência dos afetos”.

Resumo expandido

    O cinema grego contemporâneo tem produzido obras, no mínimo inquietantes, tanto do ponto de vista estético quanto temático. Esse cinema parece ter o corpo como sua força motriz, mas trata-se de um corpo mutilado, doente, deformado, desajeitado, supra-gestual, que leva o espectador a associa-lo a experiências de traumas físicos e emocionais. De uma maneira geral, esses traumas estão relacionados a perdas: da capacidade de convivência, do controle, de pessoas, de partes do corpo, e, até mesmo, do próprio corpo. Alguns críticos e pesquisadores consideram como a Greek New Wave (Nova Onda Grega) – ou como a Greek Weird Wave (Estranha Onda Grega) os filmes que se dirigem aos espectadores afetivamente, a partir da performance e da mise-en-scène dos corpos dos personagens. Segundo Afroditi Nikolaidou, essa estética performativa do cinema grego deve ser contextualizada dentro do ambiente econômico e cultural recente, levando-se em consideração sua forma e formação, e em que medida essa categoria possui características em particular (Nikolaidou, 2014). Nesse sentido, cineastas como Yorgos Lanthimos, Alexandros Avranas, Athina Rachel Tsangari, Stravos Psyllakis, Yiannis Papadopoulos, vem realizando obras dentro dessa estética performativa – aliada a um contexto econômico, político e cultural enfrentados pela Grécia na atualidade –, corporal-centrada, ou seja, em função dos gestos e das temáticas concernentes ao corpo. Portanto, importa pensar os corpos nesse cinema a partir da identificação do desejo, da afetação dos sentidos (MARKS, 2000), mas também enquanto identificação cultural e material de uma possível realidade trazida pela ficção cinematográfica. Assim, propomos pensar o corpo também enquanto espaço ideológico, enquanto um território de que, para emancipar-se necessita estabelecer relações de afeto e de violência.
    Desse modo, pretendemos investigar, nos filmes Dente Canino (Yorgos Lanthimos, 2009) e Miss Violence (Alexandros Avranas, 2013), a partir das teorias do corpo que perpassam os aspectos da estética, da percepção e do gênero, os corpos que carregam discursos (BUTLER, 2002), as distintas maneiras como esses corpos se estabelecem em cena, e, de que modo eles surgem como performance. Nos dois filmes o elemento central é a família, que parece se apresentar como um microcosmo político de uma sociedade fundamentada na violência (inclusive numa violência do próprio afeto), uma vez que se configura enquanto espaço de refúgio e de afeto, e, ao mesmo tempo, de violência e de opressão. Ao perceber as famílias retratadas nos filmes enquanto microcosmos de um certo estado de coisas da sociedade, propomos compreender as formas de dominação que se instauram, as fronteiras que esses corpos estabelecem enquanto sujeitos (capacidade de agência) e enquanto objetos (assujeitados). Nessa relação, Dente Canino e Miss Violence parecem revelar um lado perverso da humanidade, representado sobretudo nas figuras paternas, mas, também, nas figuras maternas que, apesar de sofrerem com os maridos, ajudam a consolidar e reproduzir o sistema de dominação por eles instaurado, não parecendo demonstrar algum sentimento de desejo de ruptura com o que fora por eles estabelecido.
    Assim, esses filmes parecem criar uma espécie de “mundo originário”, “um mundo de uma violência muito especial (sob certos aspectos, é o mais radical)” (Deleuze, 2009 p. 190). Portanto, tomaremos a categorização de Deleuze de imagem-afecção e imagem-pulsão, paralelamente ao conceito de cinema de performance (DEL RIO, 2008), de performatividade (BUTLER, 2002) e da estética performativa própria ao cinema grego (Nikolaidou, 2014), dentro de um “sistema de evidências sensíveis que revela, ao mesmo tempo, a existência de um comum e dos recortes que nele definem lugares e partes respectivas” (RANCIÈRE, 2005 p.15), no intuito de perceber se, e de que modo, o cinema constrói essas imagens na violência e no afeto vividos pelos corpos nos filmes e instaura em cena uma “violência dos afetos”.

Bibliografia

    BUTLER, Judith.Performative Agency. Journal of cultural economy. Londres, v. 3, n. 2, set. 2010.
    ______. Cuerpos que importan: sobre los límites materiales y discursivos del “sexo”. Buenos Aires: Paidós, 2002.
    DEL RIO, Elena. Deleuze and the cinemas of performance: powers of affection. Edimburgh: Edimburgh University Press, 2008.
    DELEUZE, Gilles. Cinema I – A Imagem Movimento. Lisboa: Assírio e Alvim, 2009.
    MACEDO & RAYNER (orgs) Gênero, Cultura Visual e Performance. Ribeirão: Humus, 2011.
    MARKS, Laura U. The skin of the film: intercultural cinema, embodiment and the senses. London: Duke University Press, 2000.
    ______. Touch: sensuous theory and multisensory media. Minneapolis, USA: University of Minnesota Press, 2002.
    Nikolaidou, Afroditi. The Performative Aesthetics of the ‘Greek New Wave’. FILMICON: Journal of Greek Film Studies (Setembro 2014), p.20-44. Acesso Março, 2017.
    RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: EXO Experimental / Ed. 34, 2005.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.