O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Ana Ângela Farias Gomes (UFS)

Minicurrículo

    Graduada em Comunicação (UFC), mestre em Sociologia (UFC), doutora em Comunicação (Unisinos), professora do Curso de Cinema e Audiovisual (UFS) e coordenadora do Mestrado Interdisciplinar em Cinema (UFS). Leciona e pesquisa sobre cinema, narrativas, urbano e educação. Coordena o Laboratório de Pesquisa e Produção em Audiovisual (LAPPA/UFS) e o projeto de extensão Cine Mais UFS. anaangelaufs@gmail.com

Ficha do Trabalho

Título

    Vingança e estética realista em “Matar um Homem”

Resumo

    Uma análise do filme “Matar um Homem” (2014), do diretor chileno Alejandro Almendras, que a exemplo de outros filmes latinos recentes, investem num híbrido de estética realista e elementos narrativos de gêneros tradicionais, como a vingança. Se faz sentido a noção de “estética geopolítica” de Jameson (1995), no caso desses filmes a estética realista opera em tom de resistência ideológica. Ao mesmo tempo, marcado pela noção de descentramento, tão própria de nosso cinema recente latino, o filme se

Resumo expandido

    O filme “Matar um Homem” (2014) aborda um caso real ocorrido no Chile, onde uma família sofre atos de violência e ameaças, contando apenas precariamente com a ajuda do Estado para se proteger. Constrói-se, portanto, uma demanda por vingança, único modo para que pai, mãe e casal de filhos possam viver em paz. Mas como viver em paz quando é necessário praticar um ato de violência grave?
    A questão, que a princípio convoca um debate ético-moral tão comum às narrativas do melodrama, ganha na obra de Alejandro Fernández Almendras outros contornos. É que este filme se inscreve num conjunto de produções latinas recentes que abordam a violência explorando, em maior ou menor grau, uma visão política sobe o cotidiano do homem ordinário levado à situação de ter que se vingar.
    Elemento constante em gêneros tradicionais como o western e o melodrama, a vingança agencia a figura do herói. Mas em “Matar um Homem”, o protagonista não demonstra vocação para o heroísmo. Ele adia ao máximo assumir tal papel, buscando permanecer no lugar do ressentido, aquele que, segundo Kehl (2004), persiste no sentimento de mágoa, na repetição da queixa.
    A história se passa em um bairro de classe média baixa e mostra, sem nunca precisar explicitar do ponto de vista de um discurso mais direto, que a postura omissa do Estado é forte mola propulsora do conflito em questão. A dimensão política do filme pulsa tanto por conta deste aspecto, quanto pela estética realista usada por Almendras. Nada ameniza a brutalidade das cenas, ao passo que também nada as espetaculariza. O protagonista é o herói que não deseja esse papel.
    “Matar um Homem” se inscreve em um conjunto de filmes latinos contemporâneos que atualizam o conceito do gênero no cinema (melodrama, terror etc.), lançando mão de aspectos desses gêneros, mas dentro de um sentido político. “O Som ao Redor” (2012) é outro filme que opera com lógica semelhante: o gênero do terror surge em cenas como um dispositivo a estabelecer tensões metafóricas que, ao fim e ao cabo, buscam uma discursividade de potência política.
    A análise aqui proposta pretende investigar o diálogo que essas obras – e em especial “Matar um Homem” – estabelecem entre estética realista e elementos recorrentes em cinemas de gênero, como é o caso da vingança.
    Marcados por uma noção de descentramento, potencialmente classificados dentro do largo guarda-chuva conceitual do world cinema, essas obras trazem muito frequentemente a marca do registro do indivíduo comum, do periférico, do que em alguma medida ocupa um espaço marginal (Prysthon, 2009). A esta mirada soma-se, não por acaso, um uso realista da linguagem cinematográfica.
    Se faz sentido a noção de “estética geopolítica” de Jameson (1995), no caso desses filmes a estética realista opera em tom de resistência ideológica. Uma certa noção dispositiva apriorística baseada no que Barthes (2004) ironicamente chamou de “aquilo que se passou realmente”, ou “o real concreto”. É desse hibridismo entre estética do real e elementos tradicionais de gênero narrativo que o trabalho trata.

Bibliografia

    BARTHES, Roland. O efeito de real. In: O rumor da língua. São Paulo: Cultrix, 2004.
    JAMESON, Fredric. La estética geopolítica. Barcelona, Espanha: Paidós Ibérica, 1995.
    _____________________ Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo, Ática, 2002.
    KEHL, Maria Rita. Ressentimento – Clínica psicanalítica. SP: Casa do Psicólogo, 2004.
    METZ, Christian. A significação no cinema. São Paulo: Perspectiva, 2007.
    PRYSTHON, Angela. Do terceiro cinema ao cinema periférico – Estéticas contemporâneas e cultura mundial. Revista Periferia, Rio de Janeiro, UERJ, v.1, n.1, jan/jun.2009.
    STAM, Robert. A fenomenologia do realismo. In: Introdução à teoria do cinema. Campinas, SP: Papirus, 2013.
    XAVIER, Ismail. Corrosão social, pragmatismo e ressentimento – vozes dissonantes no cinema brasileiro de resultados. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, julho.2006, p. 139 – p. 155.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.