O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    VIRGÍNIA DE OLIVEIRA SILVA (UFPB)

Minicurrículo

    PhD em Educação (UERJ); Doutora em Educação (Uff); Mestre em Educação (UFRJ); Licenciada em Letras (UFRJ) e Cinema e Audiovisual (Uff) e Graduada em Comunicação (UFPB); Professora Associada da UFPB; Líder do GP “Políticas Públicas, Gestão Educacional e Participação Cidadã”, LP “Políticas Públicas e Práticas Educativas” e “Linguagens Audiovisuais, Formação Cidadã e Redes de Conhecimento”, nas quais coordena os Projetos Educação Legal e Cinestésico. Coordena com Torquato Joel o Laboratório JABRE.

Ficha do Trabalho

Título

    À escuta de “Sophia”

Resumo

    Análise do som (voz, ruído, música e silêncio) em “Sophia” (fic., 15′, PB, 2013) do cineasta paraibano Kennel Rógis, percebendo-o como elemento essencial para a continuidade de suas cenas, sua ambiência e sua significação. Primeiro, realizamos a Análise de Plano a Plano de som e imagem de “Sophia”, depois, analisamos mais detidamente os efeitos sonoros propostos pelo diretor em consonância com a sua equipe de som, bem como os possíveis desdobramentos de sua recepção estética pelos espectadores.

Resumo expandido

    O jovem sertanejo Kennel Rógis (Coremas-PB) foi selecionado para o II Laboratório Paraibano para Jovens Roteiristas ( JABRE) em 2012, na cidade do Congo, no Cariri da PB, organizado por Torquato Joel e Virgínia Silva, coordenadores na UFPB dos Projetos ViAção Paraíba e Cinestésico, respectivamente. Após roteirizar “Sophia”, Rógis foi selecionado pelo Edital Linduarte Noronha do Fundo de Incentivo à Cultura do Estado da Paraíba, no mesmo ano.
    Em 2013, Rógis dirige a intimidade cotidiana de uma micro família de classe popular em uma cidade do sertão nordestino e mergulha na busca por estabelecer algum elo entre dois mundos distintos, o da mãe solteira e o de sua filha surda, personagens centrais de “Sophia”.
    Metodologicamente, primeiro, assistimos ao curta reiteradamente para realizarmos a Análise de Plano a Plano (APP) de seu som e imagem, depois, analisamos mais detidamente os efeitos sonoros propostos pelo diretor e equipe de som, bem como seus desdobramentos para a recepção estética de “Sophia” pelos espectadores. Destacamos dois pontos relevantes à consecução e entendimento da análise auditiva de “Sophia”.
    O primeiro trata-se daquilo que afirma Metz (1977) a respeito da etimologia do termo diegese:
    (…) provém do grego diegesis, significando narração e designava particularmente uma das partes obrigatórias do discurso jurídico, a exposição dos fatos. Tratando-se de cinema o termo foi revalorizado por Étienne Souriau; designa a instância fílmica: o enredo em si, mas também o tempo e o espaço implicados no e pelo enredo, portanto as personagens, as paisagens, acontecimentos e outros elementos narrativos, desde que tomados no seu estado denotado. (METZ, 1977, p. 118)
    O segundo ponto refere-se à relação do som no cinema ficcional, trazida por Flôres (2013):
    (…) por mais que o som se assemelhe a algo natural, ele sempre será uma fabricação inerente ao processo criativo de todo filme nos mais variados estilos. Até mesmo o som direto se torna diegético, na medida em que é sua adequação ao espaço criado que o integra à narrativa. (FLÔRES, 2013, p. 37)
    Dos elementos possíveis de serem sonoramente analisados na diegese cinematográfica (voz, música, ruído e silêncio), em “Sophia” há quase ausência de voz, somente identificamos um balbucio entre a mãe e a vizinha, e no qual o modelo de escuta semântica está comprometido. Contrariando a tendência ao vococentrismo e ao verbocentrismo característicos do cinema clássico estadunidense, não há monólogos, diálogos, voz de narrador. Quanto aos ruídos do filme, na procura de se tecer verossimilhança para se produzir maior grau de realidade na relação com o espectador, correspondem ao que vemos nas imagens, estão colados e subordinados a elas, exceto nos Planos 1 e 8 da Cena 1 e no final do Plano 8 da Cena 8, em que som e imagem estão descolados, não compondo a clássica montagem vertical eisensteiniana (CHION, 1985, p. 56), podendo levar o espectador a pensar o modelo causal de escuta: “se, ao contrário das outras cenas, nestas, imagem e som são autônomos, de onde vem o som que ouvimos?” O som antecipa a locação do plano seguinte. O que se ouve (grilo, pedra na amarelinha, atrito de dedos no papel), diz da escolha hiperrealista de Rógis, diretor-mixador-editor de som.
    Em relação ao elemento música, Gorbman (1987, p.79) afirma que “Music appears in classical cinema as a signifier of emotion.” A primeira canção ouvida no curta, p.e., é diegética (CHION, 1994), aparenta vir do rádio que Sophia liga tentando alegrar a mãe que o sintoniza.
    Pela temática abordada, o silêncio não poderia deixar de ocorrer em algumas cenas, como, p.e., quando o som paradoxalmente some antes de aparecer a cartela com o título “Sophia” entre aspas, em cima e embaixo, como quando se desenha a propagação do som no espaço.
    Assim, concluímos: presente ou ausente, o som em “Sophia” é o elemento essencial para a costura da continuidade de suas cenas, a construção de sua ambiência fílmica e a sua própria significação.

Bibliografia

    ANDREW, Dudley. As principais teorias de cinema. Uma introdução. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
    AUGUSTO, Maria de Fátima. A montagem cinematográfica e a lógica das imagens. São Paulo: Annablume, 2004.
    AUMONT, Jacques e MARIE, Michel. A análise do Filme, Edições & Fotografia. Lisboa, Portugal, 2004.
    BRANIGAN, Edward. “O plano-ponto-de-vista.” In: RAMOS, Fernão. (org), Teoria contemporânea do cinema, Vol. II. São Paulo: SENAC, 2005. (pp. 251-275)
    CHION, Michel. Le son au cinéma. Édtions d l’ Etoile/Cahiers du Cinéma. Paris, 1985.
    _____. Audio-Vision: sound on screen. Columbia University Press, New York, 1994.
    METZ, Christian. A significação no cinema. São Paulo: Perspectiva, 1977.
    FLÔRES, Virgínia. O cinema: uma arte sonora. São Paulo: Annablume, 2013.
    GORBMAN, Claudia. Unheard melodies – narrative film music. Bloomington: Indiana University Press, 1987.
    ORLANDI, Eni Puccinelli. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos, 2ª edição, Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1993.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.