O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Cristiane Freitas Gutfreind (PUCRS)

Minicurrículo

    Cristiane Freitas Gutfreind é doutora em Sociologia pela Université Paris 5 – Sorbonne (França), professora da graduação em Cinema e do Programa de Pós-graduação em Comunicação da PUCRS. Bolsista produtividade do CNPq e membro da AFECCAV(Association Française des Enseignants et Chercheurs en Cinéma et Audiovisuel). Coordenadora do grupo de pesquisa Kinepoliticom registrado no CNPq. Vice-presidente da Compós (2015-2017).

Ficha do Trabalho

Título

    Entre Bazin e Kracauer: a atualização do realismo na contemporaneidade

Resumo

    O interesse desse trabalho é construir uma reflexão sobre a atualidade das teorias realistas a partir de seus precursores, que também foram críticos de cinema, André Bazin e Siegfried Kracauer, para compreender a “ficcionalização” de acontecimentos históricos traumáticos na contemporaneidade, como a ditadura civil-militar brasileira, através de filmes biográficos.

Resumo expandido

    As questões entorno do realismo fazem parte do cinema desde a sua origem e continuam ainda hoje a mobilizar uma discussão sobre a “ficcionalização” de temas relacionados a traumas históricos. O interesse desse trabalho é construir uma reflexão sobre a atualidade das teorias realistas a partir de seus precursores, Bazin e Kracauer, para compreender a representação de acontecimentos históricos na contemporaneidade, como a ditadura civil-militar brasileira, através de filmes de ficção biográficos. Esse tema faz parte de uma pesquisa, iniciada desde 2009, e tem financiamento de bolsa PQ – CNPq. O realismo é a apreensão de um mundo imaginário produzindo um efeito de real e a sua banalização nas artes e nas mídias deve-se a sua vinculação, no século XX, às artes narrativas e do espetáculo. Em revanche, algumas correntes realistas vão tentar recuperar certa capacidade de idealização para dizer algo sobre o real.
    A partir dos anos 50, Bazin e Kracauer, partem do neorrealismo italiano para elaborar suas teorias, baseando-se na ideia de que o cinema representa a realidade e, ao mesmo tempo, mostra a sua ontologia. Se para Bazin, grosso modo, o cinema se aproxima do mundo como seu prolongamento, destacando a sua capacidade em participar da vida existente, para Kracauer, ao contrário, o cinema registra os aspectos já vistos para revelar aquilo que não é compreensível de imediato. Se para o primeiro o cinema é uma “revelação” e, portanto, evidencia as aparências, para o segundo, o cinema é apreendido como um dispositivo, onde o mundo é reproduzido e documentado. Além disso, esses teóricos partem do pressuposto de que um mesmo acontecimento histórico é passível de diferentes representações, e cada uma delas abandona ou salva qualidades que faz com que o acontecimento seja reconhecido na tela. Kracauer ainda avança, com as suas ideias em relação à Bazin, ao enfocar que o cinema realista é um sintoma da realidade vivida, servindo como documento para construção e atualização da história.
    O didatismo e a espetacularização fazem parte da banalização do realismo midiático, questionado por vários autores, desde os anos 60, como Rivette, Godard, Lanzmann, Lyotard, passando por Badiou, Rancière até a recente polêmica entre Didi-Huberman e Fleischer. Em 2015, Georges Didi-Hubermen escreve uma carta em formato de livro, Sortir du noir, ao diretor do filme O Filho de Saul (Nemes, 2015) e ao final do ano passado, Alain Fleischer, responde a Didi-Huberman, no livro intitulado Retour au Noir. A discussão sobre o realismo se faz, então, fundamental nessa proposta pois nos remete à criação da imagem cinematográfica na contemporaneidade. Segundo Badiou (2010, p. 358): “a imagem é com o que o cinema pensa, porque o pensamento é sempre uma criação”. Nesse sentido, o cinema possibilita encontrar a realidade, pois se constitui em uma forma de pensamento em movimento onde há criação e abstração. Mas, essa característica faz com que haja uma exposição indiscriminada de imagens visuais de acontecimentos históricos atreladas às diferentes mídias e suas técnicas, cada vez mais entranhadas no cotidiano, que contribuem para banalização e inconsistência dessas imagens possibilitando que o acontecimento torne-se um simulacro; fazendo com que o efeito de real fique invadido de imagens extremas, que, por vezes, viram míticas (como as cenas de militantes brasileiros correndo contra bombas de gás lacrimogêneo em imagens amplamente difundidas da ditadura civil-militar), substituindo, assim, o impacto pela indiferença.
    O que pretendemos aqui, então, é construir uma reflexão atualizada sobre essas indagações, a partir de confrontos e aproximações entre as teorias de Bazin e Kracauer, tendo os filmes de ficção biográficos sobre a ditadura civil-militar como foco, ou seja, a junção de real, imagem e personagem como criação de um pensamento sobre esse acontecimento histórico.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. De l’esthétique au présent. Paris: De Boeck Université, 1998.
    BADIOU, Alain. Cinéma. Paris : Nova, 2010.
    BAZIN, André. Qu’est-ce que le cinéma? Paris: Cerf, 1993.
    DIDI-HUBERMAN, Georges. Sortir du Noir. Paris: Minuit, 2015
    FLEISCHER, Alain. Retour au Noir; quand ça tourne autour. Paris: Flammarion, 2016.
    JOUBERT-LAURENCIN, Hervé e ANDREW, Dudley. Ouvrir Bazin: Paris: Deloeil, 2011.
    KRACAUER, Siegfried. De Caligari à Hitler. Lausanne: L’Age d’Homme, 1973.
    __________. Theory of film. The redemption of physical reality. Princeton: Princeton University Press, 1997.
    _________. L’Histoire, des avants-dernières choses. Paris : Stock, 2006.
    REIS, Daniel Aarão, RIDENTI, Marcelo, PATTO SÁ MOTTA, Rodrigo (Org.). A ditadura que mudou o Brasil – 50 anos do golpe de 1964. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.