O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Caio Túlio Padula Lamas (FRB)

Minicurrículo

    Caio Lamas possui graduação em Rádio e Televisão pela Faculdade Cásper Líbero (2008) e mestrado com Menção Honrosa em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2013). É professor das Faculdades Integradas Rio Branco e da Faculdade Campo Limpo Paulista; autor de diversos artigos sobre a censura à pornochanchada e ao cinema brasileiro; e diretor de curta-metragens em bitola digital.

Ficha do Trabalho

Título

    Sexualidade, erudição e moralidade: a censura ao filme Anjo Loiro

Resumo

    A presente comunicação visa analisar um dos processos de censura mais longevos e emblemáticos de que se tem conhecimento da relação entre o Estado e a pornochanchada, o caso do filme Anjo Loiro. O processo de censura revelou, de forma similar ao de outros filmes já analisados anteriormente, como um filme despretensioso do ponto de vista político poderia ser alvo sistemático da Censura, não só pelo número elevado de cortes, mas pela avaliação mais rigorosa da versão destinada à televisão.

Resumo expandido

    A presente comunicação visa analisar um dos processos de censura mais longevos e emblemáticos de que se tem conhecimento da relação entre o Estado e a pornochanchada. Anjo Loiro, originalmente intitulado Anjo Devasso, foi o segundo longa-metragem dirigido por Alfredo Sternheim, diretor da Boca do Lixo com uma longa trajetória: foi crítico de cinema do jornal O Estado de S. Paulo, continuísta e assistente do diretor Walter Hugo Khouri em A Ilha (1961), diretor de cinema – tem em sua filmografa cerca de 25 longas e 14 curtas – e diretor de televisão. Dirigiu um dos episódios do longa-metragem Memórias da Boca (2015), filme que contou ainda com a direção de outros remanescentes da Boca como Clery Cunha (Pensionato de Mulheres) e José Mojica Marins (Exorcismo Negro, todos os filmes com o personagem Zé do Caixão) e que tem como foco um resgate nostálgico das memórias do polo de produção.
    O filme conta a história de Armando (Mário Benvenuti), professor de História de um tradicional colégio que vê sua vida mudar por completo quando começa a sair com a jovem Laura (Vera Fischer, em início de carreira). Jovens e adultos, revolução dos costumes e tradição alternam-se em uma trama que, de um lado, atribui a práticas alternativas de relacionamento – sobretudo o chamado amor livre, a relação aberta entre
    parceiros – um certo grau de imaturidade; de outro, critica-se aqueles que valorizam de maneira excessiva a razão, como se ela fosse a resposta para todos os problemas amorosos.
    Curiosamente, o filme apresenta um dos casos mais emblemáticos de censura à pornochanchada: seu processo no órgão estatal abrange um período longo de tempo, principiando-se no ano de 1971 e se alongando até 1985. Atravessou com isso diversos períodos da Ditadura Civil-Militar, dos anos de chumbo do General Emílio Garrastazu Médici (1969 – 1974), passando pelo princípio de abertura política do governo do General Ernesto Geisel (1974 – 1979) e culminando com o governo do General Figueiredo (1979 – 1985), que encerrou o período militar.
    O processo de censura de Anjo Loiro revelou, de forma similar ao de outros filmes já analisados anteriormente, como um filme despretensioso do ponto de vista político poderia ser alvo sistemático da Censura, não só pelo número elevado de cortes, mas também pela rigorosa fiscalização posterior, que abrangia da unidade central em Brasília até órgãos regionais da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP). O processo de Anjo Loiro também mostra a vulnerabilidade dos produtores aos desmandos da Censura, acarretando graves prejuízos para a equipe, ainda mais em se tratando de filmes que dependiam unicamente do retorno de bilheteria para o pagamento de todos seus profissionais.
    Similarmente também a outros filmes cujos processos foram analisados, Anjo Loiro teve uma avaliação mais rigorosa ainda para a televisão do que para as salas de cinema, mesmo tendo sido liberado anteriormente pelo órgão federal. A exposição do corpo, sobretudo o feminino, permanecia sendo um problema em meados da década de 1980, mesmo que o final da trama valorizasse a relação estável entre parceiros.

Bibliografia

    ABREU, N. C. Boca do Lixo: cinema e classes populares. Campinas: Editora da UNICAMP, 2006.
    REIS JÚNIOR, A.; LAMAS, C. A censura ao cinema no Brasil e os percalços de Os Garotos Virgens de Ipanema. Revista Comunicação Midiática: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, v. 8, ed. 1, 2013.
    __________. Embates entre o cinema brasileiro e a censura federal em tempos de redemocratização. In: GOMES, M. R. (org). Comunicação e Controle: observações sobre liberdade, controle e interdição de expressão. São Paulo: Intercom, 2013.
    __________. História, Cinema, Censura: silenciamentos e resistência em Pra Frente Brasil, de Roberto Farias. Lumina: Revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação. Universidade Federal de Juiz de Fora, vol 8, n. 2, dez 2014.
    SIMÕES, I. Roteiro da Intolerância: a censura cinematográfica no Brasil. São Paulo: Editora Senac, 1999.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.