O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Mariana Baltar (UFF)

Minicurrículo

    Mariana Baltar é professora departamento de Cinema e Vídeo e do PPGCOM/UFF e coordenadora do Nex – Núcleo de Estudos do Excesso nas Narrativas Audiovisuais. Publicou diversos artigos entre eles Atrações e prazeres visuais em um pornô feminino, na revista Significação (2015) e o capítulo Weeping Reality, no livro Latin American Melodrama. Passion, Pathos, and Entertainment (2009). Pesquisadora do Cnpq, é coordenadora do ST Corpo, gesto, performance e mise en scène, da SOCINE.

Ficha do Trabalho

Título

    O Encarar a câmera e os afetos partilhados

Seminário

    Corpo, gesto, performance e mise en scène

Resumo

    A proposta desta comunicação é pensar o gesto de encarar e interagir com a câmera no interior das obras marcadas prioritariamente no campo da ficção como um instante que estabelece uma relação de cumplicidade e afeto com o espectador. Nossa hipótese é que tal gesto – instante quase supérfluo e fragmentário no interior do tecido fílmico – acaba por instaurar uma outra ordem de engajamentos com o espectador, mobilizando relações de cumplicidade, “partilhamentos”, afetações e atrações.

Resumo expandido

    A proposta desta comunicação é pensar o gesto de encarar e interagir com a câmera no interior das obras marcadas prioritariamente no campo da ficção como um instante que estabelece uma relação de cumplicidade e afeto com o espectador. Tais passagens acontecem sobretudo nas inserções de performances musicais em filmes que não necessariamente dialogam com o gênero. Nesse sentido, tais performances oferecem ao espectador uma suspensão do regime narrativo (pelas formas como são insertadas no tecido fílmico e pela duração de suas performances) e com isso, argumento, recuperam o regime de atrações no cinema e audiovisual contemporâneo. Nossa hipótese é que tal gesto – instante quase supérfluo e fragmentário no interior do tecido fílmico – acaba por instaurar uma outra ordem de engajamentos com o espectador, mobilizando relações de cumplicidade, “partilhamentos” e afetações.
    É possível perceber tais passagens em obras como Boi Neon (Gabriel Mascaro, 2015), Mate-me por favor (Anita Rocha da Silveira, 2015), Amor, plástico e barulho (Renata Pinheiro, 2015), Batguano (Taviho Teixeira, 2014), Doce Amianto (Guto Parente e Uiros Reis, 2013).
    Nossa hipótese é que nesta atualização do regime de atrações, o gesto (dos corpos em sua interação e da câmera) acaba por operar um efeito afetivo que promove uma força disruptiva no tecido narrativo. Nesse sentido, os gestos e as performances constroem um modo de expressar os corpos na tela que mobilizam, a partir de afetos e engajamentos sensório-sentimentais. Com isso, acreditamos contribuir para uma reflexão sobre as tensões entre a dimensão narrativa (entendida como storytelling – a capacidade do cinema e audiovisual de contar e estruturar estórias) e a dimensão performativa e de atrações no campo do audiovisual. Para sustentar a hipótese, a pesquisa recupera o conceito de atrações, formulado por Tom Gunning e André Gaudreault, refletindo sobre suas permanências e atualizações.
    Entendemos que Atrações e Narrativa são sim regimes distintos (e não meramente opostos), que podem conviver, e efetivamente o fazem, num mesmo tecido fílmico. Assim, deve-se pensar nesta “convivência” como relações dinâmicas de equilíbrio instável entre dois regimes estéticos.
    O Cinema de atrações se baseia na qualidade de mostrar mais do que na faculdade da narração (a dimensão narrativa entendida como storytelling). Tal dimensão do mostrar acaba por reconhecer e instaurar a figura do espectador, o que é algo que se estabelece pelo comportamento explicitamente demarcado do aparato cinematográfico – especialmente a coreografia da câmera na relação com os corpos na tela, a singularização da performance das ações e gestos desses corpos voltadas para o olhar da câmera (e correlatamente para o nosso olhar).
    O gesto de encarar a câmera é usualmente associado ao campo do documental – e nas convenções do cinema clássico narrativo ele é mesmo evitado por traria uma dimensão reflexiva além de evocar aspectos da “vida de improviso” (para usar a formulação de Vertov). No cinema moderno, é justamente a qualidade antiilusionista que interessou, fazendo com que o gesto de encarar a câmera fosse elemento presente em filmes da nouvelle vague francesa, para citar um exemplo mais canônico.
    Minha questão ao pensar essas passagens no cinema ficcional brasileiro contemporâneo é perceber como elas se apresentam como instantes que irrompem no fluxo do tecido fílmico e estabelecem uma partilha e cumplicidade com o espectador. Assim, tais passagens ao mesmo tempo recuperam os usos autorreflexivos do cinema moderno e estabelecem novas dinâmicas de afeto.
    O entendimento do afeto é tributário de duas leituras do termo: a realizada por Elena Del Rio (2008) e Susanna Paasonen (2011), que vêem afeto como algo que se tece no âmbito do fílmico em direção à mobilização das sensações do espectador. Tal movimento se dá como uma expressão que se ampara no corpo e para o corpo, mas que se sustenta na performance.

Bibliografia

    BALTAR, Mariana. Atrações e prazeres visuais em um pornô feminino. In. Significação: Revista de Cultura Audiovisual, Brasil, v. 42, n. 43, p. 129-145, ago. 2015.
    DEL RÍO, E. Deleuze and the cinemas of performance. Powers of affection. Edinburg University Press, 2008.
    EISENSTEIN, S. A Montagem de atrações. In. Xavier, I. (org). A Experiência do Cinema. Rio de Janeiro, Graal, 1983.
    GUNNING, T. The cinema of attractions: early film, its spectator and the avant-garde. In. STRAUVEN, W. (Org.). Cinema of attractions reloaded. Amsterdam University Press, 2006.
    JAQUES, Pierre-Emmanuel. The Associoational attractions of the musical. In: STRAUVEN, W. (Org.). Cinema of attractions reloaded. Amsterdam University Press, 2006.
    PAASONEN, Susanna. Carnal Resonance – Affect and Online Pornography. 1a. ed. MIT Press, 2011.
    WILLIAMS, Linda (org). Viewing Positions. Ways of seeing film. New Jersey, Rutgers University Press, 1997.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.