O XXI Encontro SOCINE acontecerá na UFPB, em João Pessoa, de 17 a 20 de outubro de 2017.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 12  a 26 de junho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
  • SEGUNDO PRAZO: 27 de junho a 17 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
  • TERCEIRO PRAZO: 18 de julho a 7 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gabriela Kvacek Betella (UNESP)

Minicurrículo

    Bacharel em Letras (Italiano) pela USP, mestre e doutora pelo DTLLC-FFLCH-USP, com pós-doc no IEB-USP, professora assistente no DLM da FCL-UNESP-Assis, área de Língua e Literatura italiana. Sua atuação está voltada para os estudos das relações entre Literatura, História e Audiovisual, em projetos, grupos de pesquisa e no programa de pós-graduação de sua unidade, na linha de pesquisa Literatura Comparada e Estudos Culturais.

Ficha do Trabalho

Título

    A extenuação das certezas: primeira pessoa e política em Nanni Moretti

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    Boa parte dos filmes de Nanni Moretti trazem a aparente autenticidade da autobiografia e da desenvoltura ficcional por meio de um rompimento com a objetividade e conservação de um ponto de vista narcísico. Também oferecem reflexões políticas e éticas a partir da autoexposição como mecanismo estético, crítico e autocrítico. Demonstramos como esses procedimentos se modificam ao longo da obra do diretor italiano, estabelecendo relações entre Caro diario (1993), Aprile (1998) e Il Caimano (2006).

Resumo expandido

    Na pesquisa em andamento, discutimos o caráter autobiográfico no cinema de Nanni Moretti (1953-), cuja obra vem sendo tratada em termos de autobiografia, autoficção e metacinema. Privilegiamos a análise do posto de narrador em Caro diario, considerando o ensaio pessoal, o diário, o diário de viagem, as memórias e o romance autobiográfico como seus pares literários. Ao investigar o rompimento com as pretensões de objetividade “realista”, “neutra” e a preferência pelo ponto de vista narcísico, vimos que dele partem reflexões políticas e éticas, por sua vez colocadas com legitimidade. Noutras palavras, o discurso de si serve a Moretti para refletir o sujeito, seu meio político e o cinema. Investigamos a postura e o alcance da autoexposição como mecanismo estético, crítico e autocrítico a partir da unidade promovida pela criação do personagem Michele Apicella, tido como alter ego do diretor, e seus diversos perfis em alguns dos primeiros longas. Concluímos que, ao desafiar a estabilidade dos gêneros e interferir na hibridização dos mesmos, Moretti apostou em filmes que se afirmaram como autobiográficos, contudo, manteve-se voltado para o diálogo com a crítica política mais aguda, em momentos decisivos do contexto italiano.
    Transposto o espaço ocupado pelo refluxo ideológico da geração pós-68, Moretti conseguiu explorar esse inconsciente marcando sua filmografia com o domínio de uma intuição dos ânimos sobre uma nova forma, seguido de uma exposição de convicções, como acontece em Caro diario, no viés da comédia, e em Aprile, quando o protagonista Nanni Moretti está preparando um filme, um ano e meio depois das eleições de 1994 e da queda do governo de direita. Há neste filme construções cênicas bastante proveitosas para a análise de “aparentes contradições” causadas pela combinação da voz, da câmera subjetiva e do personagem (ou “narrador narrado”), de modo a questionar as aproximações à figura de um narrador à maneira convencional da literatura. Ao lado disso, a poética morettiana evolui para a abdicação do ato de falar pelo outro, abrindo espaço para que este fale em primeira pessoa, referindo-se não a si, mas ao diretor.
    Num terceiro passo, analisamos as relações estabelecidas pelos filmes que percebem seu tempo e espaço sem sentimentalismos, na medida da atualidade e com aportes ao processo criativo. Assim, distinguimos parentescos temático-formais entre Io sono un autarchico e Ecce bombo, entre Aprile e Il caimano, entre La stanza del figlio e Mia madre, para citar apenas alguns exemplos, com o acerto de escolher categorias contemporâneas como os impasses da juventude no enfrentamento dos problemas de geração, o empenho político contra as forças de direita berlusconista e as interrogações que envolvem as esquerdas. Nesse sentido, pode-se dizer que a história sociopolítica da Itália dos últimos quarenta anos é debatida na filmografia de Moretti sem frustração, porém até o esgotamento, enquanto, em muitas ocasiões, o cinema se afastou dessa função. Ao longo da trajetória, notamos a busca pela instância narrativa ideal para o sentimento de inadequação que permeia a obra de Moretti, à luz do sentimento autobiográfico que permanece presente, mesmo quando os filmes se afastam de tal caráter.

Bibliografia

    ARFUCH, L. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Trad. Paloma Vidal. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010.
    DE GAETANO, R. Nanni Moretti: Lo smarrimento del presente. Cosenza: Pellegrini, 2012.
    MAZIERSKA, E. e RASCAROLI, L. Il cinema di Nanni Moretti: sogni e diari. Roma: Gremese, 2006.
    MICCICHÉ, L. “Ecce bombo” di Nanni Moretti. In: _____. Cinema italiano degli anni ’70. 2. ed. Venezia: Marsilio, 1989, p. 294-295.
    Qualcosa di sinistra (Wolfgang Achtner, 2007).
    AGAMBEN, Giorgio. O autor como gesto. In: ______. Profanações. Trad. Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo, 2007. p. 55-63.
    FABRIS, Mariarosaria. O cinema italiano contemporâneo. In: BAPTISTA, Mauro e MASCARELLO, Fernando. (org.). Cinema mundial contemporâneo. Campinas: Papirus, 2008, p. 91-106.
    GILI, Jean. A. Nanni Moretti. Roma: Gremese, 2006.
    LEJEUNE, Philippe. O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet. Trad. Jovita M. Gerheim Noronha e Maria Inês C. Guedes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

Estão publicados os anais do XX Encontro SOCINE, sediado em outubro de 2016 pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná.

As duas versões – anais digitais e anais de textos completos – estão em nosso site:

Anais 2016

Qualquer problema deve ser comunicado à secretaria no socine@socine.org.br.

Prezados,

Informamos que os prazos de pagamento da anuidade 2017 e de inscrição de trabalhos para o XXI Encontro SOCINE acabam de ser prorrogados.

A nova data limite para impressão do boleto (e vencimento do mesmo) é 4 de abril.
A nova data limite para inscrição das propostas em nosso sistema é 10 de abril (até à meia-noite, horário de Brasília).

Pedimos que avisem aos colegas.

Lembramos aos associados que hoje, 24 de março, encerra-se o prazo de pagamento da anuidade de 2017 da SOCINE.

Além de ser um compromisso dos sócios para a manutenção da sociedade, estar em dia com as anuidades é pré-requisito para inscrever trabalho para o Encontro.

Quaisquer dúvidas ou problemas devem ser comunicados diretamente à secretaria no socine@socine.org.br.

Comunicamos que a SOCINE é agora sócia da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entidade que congrega mais de 130 Sociedades Científicas para a consecução de objetivos comuns, visando a defesa do desenvolvimento científico e tecnológico do País.