Trabalhos Aprovados 2018

Ficha do Proponente

Proponente

    Francisco Elinaldo Teixeira (UNICAMP)

Minicurrículo

    Professor livre-docente do Instituto de Artes, chefe do Departamento de Cinema (DECINE). Responsável pela disciplina de História do Cinema do curso de Midialogia, com pesquisas e cursos no PPG-Multimeios sobre cinemas documentário, experimental e cine-ensaio. Autor, entre outros, dos livros: O ensaio no cinema – Formação de um quarto domínio das imagens na cultura audiovisual contemporânea; Cinemas ‘não narrativos’: Experimental e Documentário – Passagens.

Ficha do Trabalho

Título

    Filme-ensaio e subjetividade

Resumo

    A inscrição da subjetividade do ensaísta nos processos de criação do filme-ensaio constitui um traço essencial de sua prática. Dois modos ganharam relevo e se intensificaram na contemporaneidade: sua presença em corpo na imagem visual e sua presença em voz na imagem sonora, muitas vezes com a simultaneidade de ambos os modos. Mas há um terceiro modo dessa inscrição em que sua presença se virtualiza, atualizando-se na criação de “intercessores”/”personagens conceituais”.

Resumo expandido

    Os processos de criação de filmes-ensaio se intensificaram na cultura audiovisual contemporânea, com um traço característico que é a inscrição da subjetividade do ensaísta enquanto modo de singularização de seu próprio ato de pensamento. Ou seja, nesse território/domínio ou concepção da realização fílmica, a presença do realizador é um elemento/material fundamental do processo de criação, indicador de um ato de pensamento que lhe é imanente. A princípio tratado de maneira genérica como modo “performativo” ou “poético”, tal relevo da subjetividade se intensificou e operou através das presenças em corpo e voz do ensaísta, ou com a contaminação de ambas. Mas há um terceiro modo de inserção da presença subjetiva que, na investigação em curso, poderemos nome de criação de “intercessores”/”personagens conceituais” e que prescinde da imagem visual em corpo e da imagem sonora em voz do ensaísta. Em tal modo de presença uma espécie de terceira pessoa opera a condução dos processos de pensamento, desdobrando ao mesmo tempo um outro de si e um outro como alteridade que remete propriamente ao domínio público, momento em que a relação eu-mundo se intensifica e expande. O objetivo de minha comunicação é tratar dessas inscrições da subjetividade no filme-ensaio contemporâneo, vislumbrando os diversos níveis de complexidade aí alcançados.

Bibliografia

    Teixeira, Francisco E. – O ensaio no cinema: formação de um quarto domínio das imagens na cultura audiovisual contemporânea. São Paulo: Hucitec, 2015.
    Corrigan, Timothy – O filme-ensaio: desde Montaigne e depois de Marker. Campinas/SP: Papirus, 2015.
    Adorno, Theodor. “O ensaio como forma”. In: Adorno, Theodor. Notas de literatura I. São Paulo: Duas Cidades-Ed. 34, 2012.
    Deleuze, Gilles & Guatarri, Félix. “Os personagens conceituais”. In: Deleuze, Gilles & Guatarri, Félix. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.