Trabalhos Aprovados 2018

Ficha do Proponente

Proponente

    TATIANE MONTEIRO DA CRUZ (UAM)

Minicurrículo

    Docente em EAD na Rede Laureate, atuando para as universidades Anhembi Morumbi (UAM), Faculdade Metropolitana Unida (FMU), Universidade de Potiguar (UnP) e Universidade de Salvador (Unifacs). Professora de Libras na Fipen (Instituto Paulista de Ensino). Doutoranda e Mestre em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi, Especialista em Libras pela AVM, em Língua Portuguesa e Literatura pela Universidade Mackenzie e em Neurociência e Psicologia Aplicada, também pela Mackenzie.

Ficha do Trabalho

Título

    A outra voz: o uso da língua de sinais na linguagem cinematográfica

Seminário

    Estilo e som no audiovisual

Resumo

    A língua de sinais tem sido instrumento bastante utilizado na linguagem cinematográficas dos últimos anos. O presente estudo enfoca o uso da língua nos filmes A Gangue (2014), A Forma da Água (2017) e Um lugar silencioso (2018), com o objetivo de explorar os efeitos de som e silêncio. Para isso, adota-se como metodologia uma análise fílmica ancorada nas abordagens teóricas de Chion (2011) Schafer (1991; 2001) e Orlandi (2003; 2007)

Resumo expandido

    Michel Chion (2011, 13) afirma que, “no cinema, o som é maioritariamente vococêntrico”. Isso significa que tal mídia favorece a voz, destacando-a de outros sons – mas e quando a voz audível não existe? Nos últimos anos, a partir da década de 2010, temos visto um uso frequente da língua de sinais nas narrativas cinematográficas. Como exemplo, podemos citar: A Gangue (The Tribe, de Miroslav Slaboshpitsky, 2014), A Forma da Água (The Shape of Water, de Guillermo del Toro, 2017) e Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, de John Krasinski, 2018). Até as séries televisivas estão usando esse elemento, como Trocadas ao Nascer (Switched at Birth, de Lizzy Weiss, com 5 temporadas de 2011 a 2017) e Van Helsing ( de Neil LaBute, com 3 temporadas de 2016 a 2018).
    Ainda que a língua de sinais esteja associada a personagens surdos ou mudos, tem se mostrado eficiente na linguagem cinematográfica por permitir explorar o silêncio, sem transformar o filme em uma obra ao estilo cinema mudo. Para a crítica Amanda Martinez (2014), do Cine Festivais, a língua de sinais constitui-se, além de idioma, uma linguagem cinematográfica inédita.
    O filme A Gangue (2014) foi o que mais explorou essa forma comunicativa e trouxe para as telas diálogos silenciosos sem tradução do que os personagens diziam e sem uma voz audível sequer, obrigando o espectador a sair de sua zona de conforto e aguçar a visão em detrimento da audição para a compreensão da narrativa. Muitas pessoas consideraram este filme uma obra de cinema mudo, mas não; é um filme sonoro, pois o silêncio também soa (SCHAFER, 1991). Um lugar silencioso (2018) apostou no uso da língua como meio de sobrevivência em um lugar onde o menor ruído pode significar a morte. A Forma da Água (2017) fez uso da língua como forma de comunicação entre dois seres que se consideravam diferentes para a sociedade – a personagem muda e o homem-peixe.
    Mais do que uma expressão linguística – pois são línguas naturais, com gramática própria e não são universais –, as línguas de sinais, na linguagem cinematográfica, permitem explorar formas variadas de construção narrativa e de comunicação, em que o silêncio se torna parte do discurso narrativo, representando, assim, uma outra voz: a voz do silêncio.
    Desde o surgimento do cinema sonoro, a voz sempre esteve presente nas narrativas. Os diálogos entre os personagens sempre foram audíveis. Mas agora surge uma nova possibilidade de dialogar e construir narrativas com paisagens sonoras e comunicação sinalizada, semelhante aos filmes de Chaplin, mas, ao mesmo tempo, diferente, uma vez que hoje temos tecnologia de captação e manipulação do som na montagem das cenas, o que nos permite brincar e explorar os efeitos do som e do silêncio.
    O presente estudo é um recorte da dissertação de mestrado intitulada “Filme A Tribo: mudanças de paradigmas na representação do surdo no cinema” (CRUZ, 2017), na qual há uma análise dos efeitos de som e silêncio no filme A Gangue (2014). Agora, com o surgimento de novos filmes, como A Forma da Água (2017) e Um Lugar Silencioso (2018), ampliam-se os objetos de estudo para uma análise dos efeitos do silêncio com o uso da língua de sinais. O estudo contou com abordagens teóricas de Michel Chion (2011), de Murray Schafer (1991; 2001) e de Eni Orlandi (2003; 2007).

Bibliografia

    CHION, Michel. A Audiovisão. Lisboa: Texto e Grafia, 2011.
    MARTINEZ, A. A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky. Cine Festivais, 28 Out 2014. Disponivel em: . Acesso em: 13 maio 2018
    ORLANDI, Eni Puccinelli. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4a. Edição – Campinas, SP: Pontes, 2003.
    ___________. As formas do silêncio – no movimento dos sentidos. 6a. Edição. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2007.
    SCHAFER, M. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991.
    ____________. A afinação do mundo. São Paulo: UNESP, 2001.