Programação completa de trabalhos 2023

 
 

07/11


EXIBIÇÃO DO FILME EAMI (PAZ ENCINA, 2022)

07/11 às 16h30

Abertura e Homenagem Socine

07/11 às 19h00

Conferência de abertura – CINE, TERRITORIO Y MEMORIA EN AMÉRICA LATINA com a cineasta Paz Encina

07/11 às 19h30

Coquetel de abertura

07/11 às 21h00

 
 

08/11


PA 9 – Sentir o filme: novas perspectivas sobre o pornográfico e o excesso – Coordenação: Luiz Fernando Wlian

08/11 às 9h00
Não indicado para menores: os vestígios da pornochanchada na animação
TAÍS DE BARROS (PUCRS)Roberto Tietzmann (PUCRS)
No contexto brasileiro, há uma lacuna na pesquisa acadêmica voltada para as animações para o público adulto. Neste estudo, utilizamos a classificação indicativa como ponto de referência, para identificar filmes para maiores de 16 e 18 anos que compartilham características similares com as pornochanchadas dos anos 70. Portanto, nossa pesquisa concentrou-se em compreender de que forma as características das pornochanchadas influenciam as animações brasileiras destinadas ao público adulto.
Cinema de excessos: entre a pornochanchada e o sexploitation.
Bruno de Sousa Araujo (UNICAMP)
Esse trabalho busca entender como o conceito de excesso foi postulado como uma sensibilidade própria de um imaginário moderno que se consolida concomitantemente à consolidação do aparato cinematográfico enquanto entretenimento popular e massivo. Seguindo esse rastro dos estudos do excesso cinematográfico, tentaremos modular tal conceito a fim incluir um determinado tipo de cinema excessivo, a pornochanchada brasileira, no centro das discussões sobre excesso e cinema.
LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO SOBRE MARTIN SCORSESE PELO VIÉS SENSORIAL
MARCOS GABRIEL FARIA CARRERA (PPGCINE-UFF)
Propomos uma investigação acerca da bibliografia dedicada ao cineasta Martin Scorsese. Especificamente, debruçamo-nos sobre o filme “O Lobo de Wall Street” e possíveis análises de viés sensorial – isto é, que privilegiem questões espectatoriais como excesso, afeto, atrações etc. Trata-se de um primeiro momento de nosso estudo acerca da mobilização espectatorial no cinema de Scorsese.
O cinema de Adélia Sampaio no contexto da Ditadura Militar no Brasil
Catarina Silva Bijotti (UNICAMP)
Este painel tem como objetivo discutir o rompimento com a moral conservadora da sociedade brasileira durante a Ditadura Militar no cinema de Adélia Sampaio, com foco no filme “Amor Maldito” (1984). Vendido inicialmente como um filme pornográfico para conseguir chegar aos cinemas, o filme de Sampaio trata, na realidade, de um relacionamento entre duas mulheres e os julgamentos que elas recebem por diferentes partes da sociedade.

ST Estudos do insólito e do horror no audiovisual – Sessão 1

08/11 às 9h00
Atlanta e o espaço onírico: a negritude entre o arquétipo e o surreal
Marcos Antonio de Lima Junior (UAM)
O artigo visa compreender como a série Atlanta cria experiências que aproximam a audiência da vivência insólita dos corpos negros. O meio de construir essa experiência reside no conceito do espaço onírico, que se encontra no limiar entre o cinema surrealista de Luis Buñuel e o cinema arquétipo de Maya Deren, que possibilita a construção de narrativas que permitem ao espectador uma análise da realidade por meio de uma lente onírica que subverte a realidade em um produto audiovisual televisivo.
O insólito e o onírico Afro-Surreal em Corra, Querida, Corra
Marília de Orange Uchôa da Fonseca (UFPE)
Esta comunicação propõe uma leitura do filme Corra, Querida, Corra (2020), de Shana Feste, como ato de desobediência epistêmica (MIGNOLO, 2008) que o associa ao projeto do Manifesto Afro-Surreal, uma estratégia subversiva que busca dar visibilidade a narrativas sociais marginalizadas. Sugiro que a obra utiliza o horror, o grotesco, o suspense e o realismo sensório (ELSAESSER, 2015) na construção do seu onírico aproximando-se do dispositivo Afro-Surreal.
Fantasmas, memória e vingança: um estudo do folk horror brasileiro
Juliana Monteiro (UFPE)
Este trabalho procura apresentar características estéticas e narrativas do subgênero folk horror no cinema brasileiro a partir de uma análise de três filmes escolhidos por reverberarem uma leitura do conceito folclore atrelado ao período colonial e escravagista brasileiro. A discussão se baseia na definição de folk horror do autor Adam Scovell (2017) e nos textos do sociólogo Clóvis Moura.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 1

08/11 às 9h00
Ecoando Frequências: o FESPACO, o prêmio Paul Robeson e as diásporas.
Janaína Oliveira (IFRJ / FICINE)
Tomando como pontos de partida a criação e a trajetória do Prêmio Paul Robeson no FESPACO, Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou e a noção de “frequências”, tal como proposto por Tina Campt em “A Black Gaze”, o presente trabalho pretende pensar as relações contemporâneas entre os cinemas de África e das diásporas. Busca-se ainda trilhar caminhos epistemológicos que possibilitem refletir sobre as múltiplas concepções presente na ideia diáspora africana no campo do cinema
Crioulização da língua portuguesa em filmes contemporâneos dos PALOPs
Jusciele Conceição Almeida de Oliveira (CIAC/UAGL-PT)
As nações africanas vivem trânsitos constantes entre as línguas nacionais, tradicionais e crioulas e as línguas europeias, de homens e mulheres e de línguas múltiplas, reforçando e promovendo, a descolonização das telas por exibir a diversidade linguística africana e europeia, local e global, mediante a articulação entre fala, música e imagens fílmicas. Neste sentido, o presente resumo propõe pensar a questão da língua no cinema e a crioulização da língua portuguesa em filmes dos PALOPs.
SARAH MALDOROR, CINEMA DE COMBATE E REPARAÇÃO EM IMAGENS
Leticia Machado Santinon (UFRB)
A partir dos dois primeiros filmes de Sarah Maldoror – Monangambé e Sambizanga, realizados respectivamente nos anos de 1968 e 1972 – analisamos suas imagens na tentativa de compreender com mais profundidade o cinema que nasce junto ao período das independências dos países africanos. Um cinema que reivindica o direito à imagem e ao visível, um cinema que busca por reparação. Acreditamos que a pesquisa possa colaborar na ampliação do debate sobre a recepção dos cinemas africanos no Brasil.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 1 – Circulações de filmes no Brasil

08/11 às 9h00
Palestra de abertura – A não circularidade: os testes cinematográficos (Hernani Heffner)
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Apresentação e discussão do invento denominado Tricolor, criado por Paulo Benedetti nos anos 1920. A partir de uma filosofia dos objetos técnicos, desenvolvida por Gilbert Simondon, o experimento será analisado em seus constituintes e particularmente em sua hipertelia frente a inventos anteriores e posteriores do mesmo sistema maquinal.
A Companhia Kudara e a exibição itinerante: Viagem à Lua pelo Brasil
Filipe Brito Gama (UFF / UESB)
Nas pesquisas sobre a exibição cinematográfica no Brasil, fica evidente a importância da atuação dos exibidores itinerantes nos primeiros anos do século 20, circulando por diversos territórios brasileiros. Algumas companhias de variedades também atuavam de forma itinerante, exibindo filmes entre as funções de seus espetáculos. A presente comunicação analisa a atuação “Kudara – Imperial Companhia Japonesa de Variedades” no país, destacando a exibição pioneira do filme “Viagem a Lua”, de Meliès.
Cine Jornal Informativo: Produção e Circulação (1946-1964)
Arthur Autran Franco de Sá Neto (UFSCar)
A presente proposta de comunicação enfoca a produção e a exibição do Cine Jornal Informativo no recorte temporal entre 1946 e 1964, ou seja, desde a criação deste cinejornal até o golpe militar. Ele era confeccionado pela Agência Nacional, órgão do governo federal. Objetiva-se apresentar a inserção do cinejornal no âmbito governamental, o seu modo de produção e os profissionais envolvidos, bem como indicar características da sua circulação nas salas de cinema.

CI 15 – Cinema documental – dispositivos e autoria – Coordenação: Cristiane do Rocio Wosniak

08/11 às 9h00
JEAN-LOUIS COMOLLI E(M) EVALDO MOCARZEL: DIÁLOGOS CINEMATOGRÁFICOS
Cristiane do Rocio Wosniak (UNESPAR / UFPR)
Os atos teóricos e fílmicos do cineasta Evaldo Mocarzel poderiam estar impregnados de um raciocínio que advém de Jean-Louis Comolli? A partir de excertos de 3 documentários de dança, entrevistas e as cartas de montagem de Mocarzel, busca-se comparar possíveis traços de uma mise-en-scène documentária singular, numa tentativa de verificar a confluência das ideias de Comolli sobre tempo, copresença e auto-mise-en-scène, entre os objetos empíricos da investigação: os filmes dançantes mocarzelianos.
A ética da escuta radical de Agnès Varda em Os catadores e eu
Fernanda Albuquerque de Almeida (USP)
Esta comunicação propõe uma aproximação entre cinema e filosofia com o objetivo de explicitar os mecanismos pelos quais é possível caracterizar uma “ética da escuta radical” de Agnès Varda no aclamado documentário e/ou filme ensaio Os catadores e eu (2000), por meio de uma análise interpretativa dos jogos político-poéticos que a cineasta realiza entre figuras e linguagens artísticas que recolhe e combina como uma trapeira contemporânea.
Dispostivos de narração no documentário em primeira pessoa
Marcos Vinicius Yoshisaki (PPGMPA)
Em vista do crescimento da produção documentária em primeira pessoa, e a consequente codificação de seus procedimentos estilísticos, proponho uma revisão crítica do uso das narrações pessoais. Ao sugerir a noção de “dispositivo de narração”, procuro investigar alternativas à metodologia padrão de conceber e executar as narrações em primeira pessoa.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Os impactos da Inteligência Artificial no ofício de roteirista

08/11 às 9h00

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 1

08/11 às 9h00
Jet Lag: Transnacionalidade no cinema experimental de Vivian Ostrovsky
Fernanda Pessoa de Barros (ECA/USP)
A partir dos curtas Copacabana Beach (1982), U.S.S.A (1985) e Public Domain (1996), de Vivian Ostrovsky, analisamos como as noções de transitoriedade, fronteira borrada e geografia criativa aparecem em sua obra. Deslocamento no espaço e equivalência entre lugares são elementos comuns e interessa explorar como Ostrovsky, que nasceu em Nova York de pais bielorrussos judeus, cresceu no Rio de Janeiro e estudou em Paris, trabalha o travelogue, associando-o a aspectos pessoais e experimentais.
Invisibilidade e fabulação em History Lessons (2000)
Clara Bastos Marcondes Machado (ECA-USP)
Propomos a análise de History Lessons (2000) de Barbara Hammer. O filme busca o que pode haver de evidência de uma história lésbica nos registros audiovisuais estadunidenses. Percebendo que a maioria dessas imagens são produzidas por homens, em especial na pornografia, retratando essas mulheres de forma fetichizada ou degradante, Hammer vai partir dessas imagens para, através da montagem, ressignificá-las e criar uma “aula de história”, que mostra lésbicas presentes e visíveis na história.
Um olhar sobre 3 realizadoras portuguesas: Lamas, Sousa Dias, César
Maria Guiomar Pessoa de Almeida Ramos (ECO UFRJ)
Pretende-se apresentar e discutir um conjunto de obras audiovisuais de três realizadoras portuguesas contemporâneas: Susana de Sousa Dias, Luz obscura (2017), Salomé Lamas, VHS, (2010/12) e Filipa César, Cacheu (2012) almejando abordar o caráter documental/experimental de seus filmes e esboçar uma reflexão em relação a questão do gênero feminino.

MESA Montagem-assinatura: Mair Tavares, Virginia Flores e Karen Harley

08/11 às 9h00
Virginia Flores: sensibilidade e sensorialidade da montagem sonora
Elianne Ivo Barroso (UFF)
Através das análises dos filmes Miramar (1996), Nome Próprio (2008) e A Alegria (2010), o objetivo é apontar recorrências de montagem, buscando assim caracterizar um estilo de montar de Virginia Flores. O presente trabalho visa discutir as questões da sensibilidade e da sensorialidade como conceitos importantes para entender a participação do espectador no entendimento do fluxo narrativo mediante à junção inventiva do som com a imagem.
Mair Tavares: fluxo, intuição e técnica na montagem cinematográfica
Daniel Rodrigues Aroucas Garcia (UFRJ)
O presente trabalho busca através da observação de três filmes editados por Mair Tavares compreender o processo de montagem do montador brasileiro mais longevo e profícuo do cinema brasileiro. Os traços mais marcantes são a ideia de fluxo, o conhecimento da técnica e o uso da intuição.
Estilo e preferências – ensaios de montagem de Karen Harley
Fernanda Bastos Braga Marques (UFRJ)
Karen Harley é uma montadora brasileira cujo trabalho marca a nossa produção audiovisual contemporânea. Para identificar tal marca, propomos observar os gestos e recursos que ela utiliza em três filmes-ensaio: Estou me guardando para quando o carnaval chegar (2019) e Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Marcelo Gomes, e Com um oceano inteiro pra nadar (1997), da própria Karen. Pois entendemos que nesses casos o processo de montagem é autoral e decisivo para a essência das obras.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 1 – Cinematografias e memórias

08/11 às 9h00
Deus e o Diabo na Terra do Sol sob as lentes de Walter Carvalho
Ana Carolina Roure Malta de Sá (UnB)
Guiado pelo conceito de anacronismo de Georges Didi-Huberman (2015a), este estudo busca pensar, a partir da experiência cinematográfica/audiovisual trangressiva do diretor de fotografia Walter Carvalho com a releitura de uma tomada emblemática de Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha, 1964), os reencontros de temporalidades distintas na imagem na construção de formas que dilaceram as formas.
El botón de Nácar: a cinematografia e a memória da água
Rogério Luiz Silva de Oliveira (UESB)
O estudo é dedicado à direção de fotografia do documentário “El botón de Nácar” (2015), dirigido pelo chileno Patricio Guzmán. A intenção é verificar como as tomadas da câmera plasmam um anseio de reunir, nas imagens em movimento, diferenciais de tempo em torno de um mesmo elemento: a água. Baseando-nos no fenômeno de anacronismo manifestado na cinematografia, objetiva-se identificar as diferentes frentes abertas pelas imagens criadas pela direção de fotografia sinalada por Katell Djian.

CI 31 – Música e estética no cinema – Coordenação: Leandro Afonso Guimarães

08/11 às 9h00
Cinebiografias musicais latino-americanas do Século XXI: impressões
Leandro Afonso Guimarães (UFBA)
Este trabalho se concentra em compartilhar um mapeamento e esboçar impressões resumidas de cinebiografias musicais latino-americanas, sobre artistas populares, feitas no século XXI. Parte de uma pesquisa de doutorado em andamento, focada na análise da construção de protagonistas desses filmes, a proposta busca ainda analisar brevemente dados sobre essas obras: longas de ficção dedicados a abordar trajetórias de vida de personagens da música popular cujas existências históricas são documentadas.
Duas imagens de um casamento: Beatles, arquivos e documentários
Gabriel Filgueira Marinho (ESPM)
A migração de imagens em narrativas de arquivo ocorre, muitas vezes, à revelia dos seus sentidos originais. O documentário “Beatles: Let it be” (1970), por exemplo, articula horas de material bruto para narrar o crepúsculo do grupo musical, detalhando seus conflitos e rancores. Esse mesmo bruto é revisitado 50 anos depois para realização de “Get back” (2021), que narra momentos de harmonia e descontração entre os membros. Discutimos aqui como se operou essa ressignificação semântica.
Bruxas da Disney: como se constrói a atmosfera da maldade
Juliana Soares Mendes (PPGCine-UFF)
Selecionamos filmes da franquia Disney-Princesa com personagens bruxas para entender como elas se expressam nos diálogos e atmosfera. Analisamos trechos da Rainha Má, Malévola, Úrsula, Mamãe Gothel e uma bruxa sem nome (em Valente). Sua maldade e poder são retratados a partir da localização dos seus covis (para baixo) e de luzes coloridas e explosões (nos feitiços). O mal explícito é atualizado como cinismo. E duas bruxas fazem números musicais que ditam os comportamentos para as heroínas.

CI 33 – Narrativas seriadas no audiovisual – Coordenação: Rodrigo Cazes Costa

08/11 às 9h00
Estratégias genéricas em VoDs brasileiros não-segmentados.
Rodrigo Cazes Costa (UFF)
Os sites de VoD (vídeo por demanda) são uma recente e muito importante janela de exibição de produtos audiovisuais. Neste trabalho examino estratégias genéricas de quatro dos principais VoDs não-segmentados existentes no Brasil: Netflix, Amazon Prime Video, Globoplay e HBO Max. Os VoDs estudados parecem buscar formas de se comunicar melhor com seus públicos por meio dessas estratégias, que incluem a produção de ficções seriadas brasileiras e a criação de novas etiquetas genéricas.
Família desconhecida: Narrativa policial e incerteza na minissérie Em
Lucas Ravazzano de Mattos Batista (UNIFTC)
O presente trabalho analisa minissérie Em Defesa de Jacob (2020) e o modo como apresenta uma trama que vai na contramão de elementos típicos das narrativas policiais. O trabalho parte de conceituações que definem as narrativas policiais como um gênero calcado na exaltação da racionalidade. Em seguida a pesquisa irá analisar a construção narrativa da minissérie focando no desenlace do mistério principal de modo a demonstrar como a série deixa os personagens mergulhados tormento da incerteza.
Montagem transmidiática: uma reflexão sobre a série The Walking Dead
Samir Saraiva Cheida (PUC SP)
Com o propósito de refletir sobre a produção audiovisual, o presente trabalho analisa as estratégias narrativas de um objeto transmídia sob o ponto de vista da montagem. Como hipótese, a pesquisa parte da possibilidade de que combinações de imagens e sons de diferentes plataformas podem construir novos significados. O objeto transmídia será a série The Walking Dead (2010), de F. Darabont e R. Kirkman.

CI 35 – Construções de personagens femininas no audiovisual contemporâneo – Coordenação: Fabio Luciano Francener Pinheiro

08/11 às 9h00
Narrativa e a personagem feminina no Neo-Western : um estudo de 1883
Fabio Luciano Francener Pinheiro (UNESPAR)
Esta comunicação busca analisar as estratégias narrativas empregadas pela série 1883 (2021-2022) exibida pelo canal Paramount e criada por Taylor Sheridan. A série trata da marcha da família Hutton e de um grupo de pioneiros rumo ao território de Montana. A produção integra um amplo painel inaugurado por Yellowstone e 1923. A ideia é refletir sobre o conceito de Neo-Western e em especial sobre a voz da personagem Elza Hutton, por meio do recurso da focalização narrativa.
PALOMA E CORAÇÃO DE NEON: ambiguidades estéticas e lugares ocupados
Aline Vaz (UTP)Sandra Fischer (UTP)Anna Claudia Soares (UTP)
O estudo analisa configurações concernentes à topicalização da figura feminina como sintoma e potência a partir de ambiguidades observáveis na composição estética de cenas dos filmes brasileiros Paloma (Marcelo Gomes, 2022) e Coração de neon (Lucas E. Soares, 2023). Emblemáticas, as cenas recortadas instalam, em ambas as obras, brechas constitutivas de fraturas e escapatórias passíveis de desestabilizar estereótipos e viabilizar, por identificação ou contágio, experiências sensíveis germinais.
El tratamiento de la carne sufriente en el cine de terror argentino
Valeria Arévalos (UBA)
El cine de terror argentino contemporáneo está atravesando, en la última década, un período de fortalecimiento. Dentro de la amplitud temática que surgió en los últimos años se dio la que denomino terror verde, una corriente de terror ambientalista que equipara las vidas humanas y no humanas a través de un tratamiento del cuerpo de tipo slasher. Me interesa abordar este corpus a la luz de la teoría fílmica feminista para indagar en los cambios que se dan en torno a la figura de la mujer.

PA 1 – 1, 2, 3, som! Pensamentos sonoros no audiovisual – Coordenação: Camila Machado Garcia de Lima

08/11 às 9h00
A escuta e a percepção na linguagem audiovisual
Olivia Hernández Fernández (UnB)
Este trabalho estuda as relações entre os processos perceptivos e a capacidade humana de compreender as mensagens sonoras no audiovisual. A pesquisa baseia-se na análise de sequências de filmes e auxilia-se na análise espectral sonora. Esta investigação tem como propósito examinar os processos utilizados pelo ser humano para atribuir determinado sentido ao som no relato cinematográfico. Nosso objetivo é colaborar com reflexões que permitam o desenvolvimento do som no relato cinematográfico.
A música performando a narrativa de Inferninho
Caio Cardoso Holanda (UFSCAR)
Em Inferninho (2018), de Guto Parente e Pedro Diógenes, as performances musicais são cruciais para demarcar afetos e movimentar os acontecimentos da trama. Esta pesquisa analisará os modos de aderência da trilha musical na narrativa de Inferninho, sequências consideradas centrais serão analisadas tendo em vista a hipótese central da pesquisa: de que os momentos musicais articulam, criativamente, certos eixos narrativos através da relação entre gêneros musicais populares e os corpos em cena.
Caminhadas sonoras em Transeunte, de Eryck Rocha
Thiago de Castro Sobral (UFF)
Partindo das aproximações entre ecologia acústica, cinema de fluxo e escuta háptica, este projeto de pesquisa pretende se debruçar sobre a elaboração sonora do longa-metragem Transeunte (2010), de Eryk Rocha. Este filme configura um exemplo muito especial de pensamento sonoro dentro da cinematografia contemporânea brasileira devido a sua proposta de composição de paisagens sonoras através de caminhadas pelo centro do Rio e suas interferências entre som e imagem.
Conversas em busca de autenticidade: som direto em Muito Prazer (1979)
Gabriel Philippini Ferreira Borges da Silva (Unespar)
Muito Prazer (1979), por vezes, desvia-se de sua trama para registrar conversas prosaicas entre seus personagens. Nesta comunicação, exploramos a captação dos diálogos no longa-metragem, analisando uma cena à luz dos estudos de Garcia e Opolski e das reflexões do crítico-cineasta e diretor do filme, David Neves, em seus textos. Dessa forma, buscamos discutir como os diálogos, captados com som direto, parecem conferir ao filme certa autenticidade e “impressão de realidade” brasileira.

ST Festivais e mostras de cinema e audiovisual – Sessão 1- Festivais de cinema: um campo de estudos e possibilidades

08/11 às 9h00
Festivais de cinema e cinemas negros.
Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB)
Este artigo propõe um desenho inicial, portanto provisório e aberto a reestruturações, a respeito da presença dos cinemas negros nos festivais e mostras na Bahia.
Festivais em Rede: a experiência do Fórum dos Festivais
Tetê Mattos (Maria Teresa Mattos de Moraes) (UFF)
Em março de 2000, foi criado em Recife o Fórum Nacional dos Organizadores de Eventos Audiovisuais – Fórum dos Festivais -, associação de classe representativa do setor, com o objetivo de articular e fortalecer a rede dos festivais audiovisuais brasileiros. Nesta comunicação traçaremos um breve percurso da atuação política e coletiva do Fórum dos Festivais desde sua criação buscando analisar momentos de interlocução com as políticas federais de cultura ao longo das últimas décadas.

PA 15 – As relações simbióticas entre o cinema e outras mídias – Coordenação: Taina Xavier Pereira Huhold

08/11 às 9h00
Da escrita do haicai às imagens do cinema: o caso Abbas Kiarostami
Júlia Guimarães da Gama Fernandes (UFJF)
A presente comunicação tem por objetivo estabelecer aproximações a escrita do haicai e as imagens do cinema, utilizando como estudo de caso o livro de poemas Nuvens de Algodão (2018), de Abbas Kiarostami, e o filme 24 frames (2017), também de Abbas Kiarostami. Explora-se a maneira que texto e imagem dialogam, a partir dos temas caros à escrita do haicai, como natureza, vida, e brevidade, ao mesmo tempo que se busca entender os princípios cinematográficos que regem a imagem em movimento.
O cinema de Chantal Akerman e as peças-paisagem de Gertrude Stein
Danielle de Souza Menezes (UFJF)
Este painel pretende investigar as possíveis relações entre o trabalho de Chantal Akerman, analisando o filme Noite e Dia (1991), com o pensamento estético-textual nas peças-paisagens de Gertrude Stein. Na tentativa de propor um diálogo entre as duas, ambas comprometidas com a temática do “nada acontece”, o trabalho explora como as obras são formalizadas a partir de suas repetições ou insistências de imagens, palavras, objetos e sons.
O improviso na escrita e no ensino do roteiro audiovisual
Fidelis Fraga da Costa (UFF)
O presente estudo investiga a potencialidade do emprego de técnicas de improvisação de escrita na construção do roteiro audiovisual. Para tanto recorre-se às bases da metodologia de ensino de dramaturgia textual do dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra e aos princípios da Pedagogia do Dispositivo desenvolvida no projeto Cinema de Grupo e Práticas de Cuidado do Laboratório Kumã de cinema e audiovisual da Universidade Federal Fluminense.
Animação como metalinguagem no cinema nacional recente
Samuel Baptista Mariani (USP)
O trabalho propõe um estudo sistemático de crítica de mídia de duas obras do cinema de animação brasileiro que representam um amadurecimento do setor audiovisual ao qual pertencem. A pesquisa buscou evidenciar os recursos narrativos metalinguísticos adotados pelos filmes para justificar tematicamente sua existência na cultura audiovisual que habitam e sua influência no circuito midiático em que se engendram, frequentemente através de recursos caros aos gêneros de humor, como a auto-paródia.

ST Estudos do insólito e do horror no audiovisual – Sessão 2

08/11 às 11h00
Deus e o diabo na terra da performance vocal
Rodrigo Carreiro (UFPE)
Esta comunicação apresenta uma análise comparativa entre cenas dos filmes A Bruxa (The Witch, Robert Eggers, 2015) e Santa Maud (Saint Maud, Rose Glass, 2019) , focalizando a representação que os filmes fazem de Deus e do diabo, como seres sobrenaturais que aparecem dentro das histórias exclusivamente como vozes. O pricipal eixo conceitual da análise é a noção de performance vocal fragmentada (OPOLSKI, 2021), cunhada com base nos escritos de Goffman (1959) e Zumthor (1990).
Fronteiras luminosas de Kiyoshi Kurosawa
Álvaro André Zeini Cruz (Senac; FIB)
Esta comunicação analisa a luz como elemento estilístico fronteiriço entre o físico e o metafísico no cinema de Kiyoshi Kurosawa. Para isso, propõe como recorte cenas de três filmes que lidam com o insólito e com o medo em diferentes chaves: “Cure” (1997), “Para o outro lado” (2015) e “O Fim da viagem, o começo de tudo” (2019).
O uso do plano-sequência em A Maldição da Residência Hill
Rogério Ferraraz (UAM)Lucas Fontanella Ferraz (UAM)
Neste artigo, analisamos certas escolhas estilísticas na minissérie de horror A Maldição da Residência Hill, criada por Mike Flanagan (Netflix, 2018). Nos interessa, aqui, o sexto episódio, Two Storms, que conta com cinco planos-sequência consecutivos. Nossa hipótese é que o uso de planos-sequência não reforça apenas o realismo dramático envolvendo as situações familiares entre os personagens, mas funciona também para acentuar uma espécie de permanência do horror que acomete a família Crain.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 2

08/11 às 11h00
Cinema Negro Brasileiro: Sonhando com o Futuro e com o Espaço
KENIA CARDOSO VILACA DE FREITA (Sem)
Essa comunicação reflete sobre o cinema negro brasileiro contempâraneo, com intenção de pensar as transformações e contextos (políticos e estéticos) que atravessam esse campo. Se definições e conceitos seguem em constante mutação para se falar sobre cinema negro, desejamos abordar mais detidamente as produções e manifestos que reinvindicam a fabulação, futuros possíveis, espaços reais ou imaginários e a plenitude do “apenas sonhar”.
Cinemas em rotas do Atlântico Negro e as estéticas emancipatórias
Gilberto Alexandre Sobrinho (Unicamp)
O objetivo da comunicação é debater teoricamente a emergência de um cinema libertário e emancipador, em territórios do chamado Atlântico Negro. Assim, o recorte da comunicação é transversal, ou seja, olhamos as composições da negritude/pretitude e seus efeitos, em processos espaço-temporais não lineares e, potencialmente, em processos de recomposição. Trata-se de um debate obre o cinema do Atlântico Negro, interessado em cartografias para a história e a crítica do cinema.
ÔRÍ: A DIÁSPORA E SUAS IMAGENS REFLETIDAS NO ESPELHO CORPO
Vanessa Vieira dos Santos (UNICAMP)
O presente trabalho propõe uma análise discursiva do documentário Ôrí, (1989) direção de Raquel Gerber, roteiro e narração da historiadora, poeta e ativista Beatriz Nascimento. A partir do levantamento de conceitos, ideologias e caminhos subscritos no documentário sobre a história, a representação e a presença negra na sociedade brasileira, pretendemos pensar os corpos negros e suas representações, tendo como base a diáspora africana, suas travessias e seus múltiplos e possíveis significados.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 2 – Cinema silencioso brasileiro

08/11 às 11h00
Apaches, malandros e cinema popular no início do século XX
Rafael de Luna Freire (UFF)
É inegável a influência do cinema, em fins da década de 1910, na criação de esterótipos de tipos sociais cariocas. Mas se as figuras da “melindrosa” e do “almofadinha” como esterótipos de jovens da elite são mais conhecidas, nosso foco são tipos associados às classes populares. Nesse sentido, analisaremos os “apaches” como antecessores da figura do “malandro” e exemplo dos intercâmbios culturais – inclusive intermidiáticos e internacionais – promovidos pelo cinema durante o período silencioso
Zé Caipora, de Agostini: fenômeno transmídia no Brasil da belle époque
CIRO INACIO MARCONDES (UCB)
Procuramos averiguar se um conjunto de fenômenos relacionados à história em quadrinhos “As Aventuras de Zé Caipora” (1883-1906), publicada pelo jornalista e ilustrador ítalo-brasileiro Angelo Agostini, pode se configurar como transmídia. O personagem foi adaptado, na época, ao teatro, publicidade, canção popular e cinema (em 1909). Vamos também investigar outros filmes que saíram no mercado à época com o nome de Zé Caipora e a difusão de sua alcunha no vocabulário popular, além do filme de 1909.
O “nu artístico” em filmes e peças de Luiz de Barros
Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
Esta comunicação irá abordar a prática do chamado “nu artístico” em filmes e espetáculos teatrais dirigidos por Luiz “Lulu” de Barros entre os anos 1910 e 1920. Desde o filme “Alma sertaneja” (1918), Lulu inseriu nus artísticos femininos em diversos trabalhos, como em peças da sua companhia teatral Ra-ta-plan e no filme “Messalina” (1930). Iremos analisar o recurso à nudez feminina dentro de uma perspectiva que entrelaça cinema e teatro.

MESA Desafios do ensino de cinema e audiovisual em contexto intercultural

08/11 às 11h00
Desafios do ensino de cinema e audiovisual em contexto intercultural
Virginia Osorio Flores (UNILA)
A partir do relato de experiência do docente do curso de cinema e audiovisual da UNILA, a proposta é apresentar e debater as especificidades do ensino dentro do panorama intercultural que caracteriza a instituição. Pretende-se abordar as práticas do ensino tanto em alguns eixos como teorias, produção e montagem, bem como considerando o percurso formativo mais amplo.
Desafios do ensino de cinema e audiovisual em contexto intercultural
Fabio Allan Mendes Ramalho (UNILA)
A partir do relato de experiência do docente do curso de cinema e audiovisual da UNILA, a proposta é apresentar e debater as especificidades do ensino dentro do panorama intercultural que caracteriza a instituição. Pretende-se abordar as práticas do ensino tanto em alguns eixos como teorias, produção e montagem, bem como considerando o percurso formativo mais amplo.
Desafios do ensino de cinema e audiovisual em contexto intercultural
Eduardo Dias Fonseca (UNILA)
A partir do relato de experiência do docente do curso de cinema e audiovisual da UNILA, a proposta é apresentar e debater as especificidades do ensino dentro do panorama intercultural que caracteriza a instituição. Pretende-se abordar as práticas do ensino tanto em alguns eixos como teorias, produção e montagem, bem como considerando o percurso formativo mais amplo.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Sessão 1

08/11 às 11h00
Pela escrita sensível: sentimentos, sensações e laboratório de roteiro
Mariana Baltar (PPGCine/UFF)CAROLINA OLIVEIRA DO AMARAL (UFF-FAPERJ/ PUC-RIO)
Esta comunicação busca refletir sobre o lugar da expressão sentimental e sensorial no processo fílmico a partir do roteiro, tomando de partida a reflexão acerca do laboratório de escrita conduzido na UFF pelas autoras. Nesse sentido, a comunicação busca não apenas sintetizar reflexões sobre o campo da escrita do roteiro, nas suas relações com a expressão da emoção e das sensações, mas refletir a partir da prática de ensino laboratorial
Escrita das sensações
Érica Ramos Sarmet dos Santos (USP)
Desde uma perspectiva histórica e teórica que compreende a escrita fílmica simultaneamente como prática e discurso (Maras, 2009), venho entendendo que a forma tradicional de escrita de roteiros responde à uma noção de produtividade que reduz o roteiro à sua função organizacional. Na divisão da produção fílmica em etapas, as sensações foram relegadas à mise-en-scéne, sendo excluídas do âmbito da escrita. Contudo, há algo na leitura de roteiros que inspira um estado sensorial que também pode se apresentar na forma filme. A partir da análise de trechos de longas-metragens de ficção diversos, proponho uma reflexão sobre os modos de disrupção das normas da escrita fílmica na sua relação com o corpo e o sensório.
Tempo e temporalidade na escrita do roteiro audiovisual
Gustavo de Souza Araujo (UFF)
Este estudo compara roteiros e filmes brasileiros contemporâneos para entender como a percepção de tempo ocorre na escrita audiovisual e como é traduzida para a tela. Embora o roteiro possa prever ritmo e duração, não há uma regra objetiva. O fator autoral também influencia o tempo, assim como o diálogo e o silêncio em cena podem ditar o ritmo. A proposta é analisar essas questões no o filme Unicórnio (2017) de Eduardo Nunes, que apresenta um tratamento sutil da temporalidade.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 2

08/11 às 11h00
Alice & Alicia – experimentações de Navarro e Plá a partir de Carroll
Rodrigo Corrêa Gontijo (UEM)
Os filmes “Alice no País das Mil Novilhas” de Edgard Navarro e “Alicia en el País de las Maravillas” de Eduardo Plá, ambos de 1976, são adaptações de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” (1865) de Lewis Carroll. Esta comunicação visa estabelecer um cotejamento das obras para refletir, à luz do regime noturno das imagens (DURAND, 2012), como pontos de aproximação estabelecem diálogos, que se desdobram em estratégias de resistência à repressão social e política vigente em cada país.
Cinemas experimentais na América Latina: constelações
Theo Costa Duarte (Unicamp)
Pretende-se apresentar e discutir dois conjuntos de filmes experimentais latino-americanos realizados em um mesmo período, duas “constelações” de filmes ligados à movimentações neovanguardistas ainda não consideradas ou abordadas de modo aprofundado em recentes estudos comparativos.
Ocupar imagens: rememorações no cinema experimental latino-americano
Marina da Costa Campos (USJT/ CPS)
Este trabalho analisa quatro curtas-metragens experimentais em suas estratégias de rememoração das tensões do passado e seus ecos na América Latina atual e para isso concentra-se em produções que se ancoram nas técnicas de found footage e de intervenção em películas pararessignificar processos históricos traumáticos do território latino. Pretende-se compreender o que mobiliza esse tipo de prática que transforma os arquivos em potências latentes para outras escrituras da história do audiovisual.

CI 21 – Políticas públicas e economia cultural no Brasil – Coordenação: Danielle dos Santos Borges

08/11 às 11h00
Recepção e EPC: um caminho para políticas públicas para o audiovisual
Danielle dos Santos Borges (UFF/RJ)
O presente artigo revisa algumas críticas feitas às pesquisas de recepção mais recentes do país para defender uma retomada das instâncias econômica e política nesses estudos, a partir da Economia Política da Comunicação, no intuito de aproximá-los da proposição de políticas públicas para o setor do audiovisual.
O devir do audiovisual brasileiro entre o Estado e o capitalismo
Julia de Almeida Maciel Levy Tavares (UFF)
O trabalho apresenta parte dos resultados da nossa pesquisa de mestrado na qual analisamos os impasses da regulação do video sob demanda no Brasil. Através de um panorama interdisciplinar apoiado na crítica da economia política, na história do pensamento social brasileiro e na historiografia do audiovisual brasileiro, analisamos como o capitalismo se desenvolveu no Brasil forjando a natureza do Estado brasileiro e suas políticas públicas, principalmente no que toca o audiovisual brasileiro.
Panorama da Política Pública Afirmativa para o Audiovisual no Brasil
Ana Paula Melo Sylvestre (ENAP)
A pesquisa consolida um panorama dos instrumentos de política pública afirmativa para o audiovisual no Brasil mobilizados em âmbito federal nos dez anos pós-implementação do Edital Curta Afirmativo (2012-2022). A análise, mediada pelas lentes teóricas da interseccionalidade, evidencia características de gradual remodelagem da política afirmativa para o campo no período e a necessidade de aprimoramento no seu desenho, mediante o endereçamento objetivo da perspectiva interseccional.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 2 – Cinematografias e expressões

08/11 às 11h00
Cinematografia, encenação e expressão no documentário Santiago
Bertrand de Souza Lira (UFPB)
A cinematografia – a maneira como a narrativa cinematográfica é construída através de planos, enquadramentos, ângulos e movimentos de câmera – será abordada aqui tendo como objeto de análise o documentário Santiago: reflexões sobre o material bruto (João Moreira Salles, 2007) com foco na expressão de idéias do diretor e dos sentimentos do personagem retratado; trataremos igualmente aspectos da encenação a exemplo da construção de cenas ficcionais para a expressão de subjetividades.
O efeito intensificador da direção de fotografia
TAIS A S NARDI (ECA-USP)
Esta apresentação discute como a direção de fotografia colabora com a acentuação da intensidade narrativa no filme de ficção. Parte-se da análise de cenas de Anjos da Noite (Wilson Barros, 1987) e Terra Estrangeira (Daniela Thomas e Walter Salles, 1995) para demonstrar a existência de diferentes tipos de contribuição da imagem na intensificação narrativa: ora por meio da identificação com as sensações dos personagens e ora na explicitação do comentário do narrador sobre a ação destes.
Redemoinho e o “enquadradar” de Walter Carvalho
Maria Fernanda Riscali de Lima Moraes (ESPM -SP)
Esta pesquisa analisa o modo como Walter Carvalho cria as imagens do filme Redemoinho (2016), de José Luiz Villamarim, a partir de um procedimento chamado por ele de “enquadradar”, ou seja, colocar a imagem em quadrados.

CI 26 – Para além do visível no cinema – Coordenação: Andreson Silva de Carvalho

08/11 às 11h00
Audiodescrição: o não visto que precisa ser dito
Andreson Silva de Carvalho (ESPM Rio)
A AD é um recurso cada vez mais necessário para que o cinema e o audiovisual possam alcançar um público que, segundo o último censo, é de aproximadamente 36 milhões de brasileiros com algum grau de deficiência visual. Após tantos atrasos e mudanças na lei e na IN será que estamos prontos para oferecer este serviço ao espectador brasileiro? O objetivo não é só o de analisar a situação da AD no cenário atual do Brasil, como o de entender suas complexidades pra além do cumprimento de seus prazos.
O CEGO ESTRANGEIRO E A EXPERIÊNCIA DO SUJEITO IMERSO NA NÃO-IMAGEM
huilton luiz silva lisboa (UTP)
O CEGO ESTRANGEIRO E A EXPERIÊNCIA DO SUJEITO IMERSO NA NÃO-IMAGEM
O artigo analisará o curta O Cego Estrangeiro (2000), de Marcius Barbieri, e o modo como alia as potencialidades visuais do som e a ausência da imagem na construção de uma experiência imersiva em seus espectadores. Primeiramente, serão apresentadas as “afinidades imersivas” que este filme estabelece com o teatro cego, a leitura imersiva e a radionovela. Por fim, será feita uma reflexão sobre suas características cinematográficas
O que se sabe e o que se vê: derivas na duração de “Três Minutos”
Patricia Rebello da Silva (UERJ)Luís Fellipe dos Santos (UERJ)
O presente trabalho parte da inquietação provocada pelo documentário “Três minutos – uma duração (2021)” de Bianca Stigter. A partir de um singular material de arquivo, a realizadora parte de um filme amador feito em 1938 durante uma viagem à Europa. Este filme, de três minutos, faz um registro da cidade de Nasielsk, Polônia, e de sua comunidade judaica que seria massacrada no Holocausto poucos anos depois. Um ensaio sobre a potencia da vida e de histórias possíveis. Apesar de tudo.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Abertura – Exibição do filme “Vênus de Nike” com presença do realizador

08/11 às 11h00

CI 44 – Relações sociais e de gênero no cinema – Coordenação: Luiz Antonio Mousinho

08/11 às 11h00
Vozes narrativas: Como nossos pais, Olmo e a gaivota, Pele fina
Luiz Antonio Mousinho (UFPB)
A tematização das relações amorosas e familiares e sua expressão em discurso cinematográfico será observada nos filmes Como nossos pais (Laís Bodanzky, 2017), Pele fina (Arthur Lins, 2022) e Olmo e a gaivota (Léa Glob e Petra Costa, 2014). Buscaremos realizar a análise e interpretação das obras rastreando aspectos de seus mecanismos de produção de sentido, os diálogos que os constituem e as relações sociais representadas nos longas.
As mulheres no cinema de Kim Ki-Duk: silêncios e silenciamentos
Andressa Gordya Lopes dos Santos (UNICAMP)
Kim Ki-Duk, sul-coreano conhecido como o “cineasta do silêncio”, dedicou parte considerável de suas obras a narrativas em que suas personagens, principalmente femininas, resistem a diferentes formas de violência por meio do silêncio, utilizado não como obediência, mas como reação à violência misógina. A partir da análise de cinco de seus filmes: A ilha (2000), Bad Guy (2001); Samaria (2004), Casa Vazia (2005) e O arco (2007); analiso o discurso de um cineasta dotado de contradições e nuances.
Edward Yang: Os Espaços e Movimentos Interiores em Taipei Story (1985)
GUILHERME HENRIQUE ANTONIO (UNESP)
Desde meados da década de 1980, a produção cinematográfica de Taiwan tem desfrutado de exposição internacional através do trabalho de jovens cineastas que revitalizaram uma indústria cinematográfica em declínio. Coletivamente, o trabalho destes cineastas ficou conhecido como Novo Cinema. Esse artigo é a análise da Produção Taipei Story de Edward Yang, discutindo as relações entre o espaço de cena e os signos, lidando especialmente com o papel da mulher frente ao patriarcalismo tradicional.

CI 28 – Documentário e práticas jornalísticas – Coordenação: Márcio Zanetti Negrini

08/11 às 11h00
Lula e as imagens da “Operação Lava Jato” em documentários brasileiros
Márcio Zanetti Negrini (PUCRS)
Elencamos os documentários “Democracia em Vertigem” (Petra Costa, 2019) e “Amigo Secreto” (Maria Augusta Ramos, 2022) para análise de como as imagens de arquivo da “Operação Lava Jato”, que registraram depoimento de Lula a Sérgio Moro, são reconfiguradas pela montagem dos filmes. Imagens que outrora serviram à perseguição jurídica, política e midiática de Lula ganham novos sentidos pela escritura imagética da história realizada pelos documentários, expressando sentidos de resistência política.
O Cinema Documentário e o Golpe: Estética, gênero e tecnologia
Daniel Velasco Leão (UFSC/CNPq)
Ao contrário dos eventos políticos dos anos 90, a eleição de Lula, o golpe sofrido por Dilma Rousseff e o governo de Jair Bolsonaro foram tematizados em filmes documentários relativamente contemporâneos a estes eventos. Buscamos investigar os fatores que possibilitaram e explicam essa mudança e formular asserções a respeito da estética e modo de produção do cinema documentário contemporâneo a partir do numeroso conjunto de filmes que os aborda. O cerne de nossa pesquisa são os filmes do golpe.
Crime em quadro: O documentário true crime e sua chegada ao Brasil
Bernardo Demaria Ignácio Brum (UERJ)
O artigo aborda a consolidação do gênero true crime no Brasil com a série O Caso Evandro (2021), investigando o interesse crescente pelo gênero do Brasil na forma de produções investigativas. Traça-se um retrospecto das narrativas inspiradas por crimes reais de Edgar Allan Poe, livros de não ficção, podcasts e séries de streaming. Discute-se a ética sobre o uso de estratégias narratológicas de ficção e a relação do gênero com os campos do jornalismo, justiça e entretenimento.

CI 32 – Cinema militância e política – Coordenação: Geraldo Blay Roizman

08/11 às 11h00
Bolívia Online: Um documentário político experimental
Geraldo Blay Roizman (Anhembi Morumbi)
O documentário Bolívia Online foi feito experimentalmente a partir de uma viagem turística e suas imagens captadas em 2001 sobre a paisagem em variados lugares peruanos e bolivianos, as pessoas, suas vestimentas e costumes ligados que se ligariam ao posterior momento histórico-político importante que estava para acontecer em 2005, particularmente na Bolívia momentos antes da eleição de Evo Morales.
Cinema militante: contornos conceituais
Carlos Eduardo da Silva Ribeiro (UFRGS)
A apresentação revisa a literatura sobre o cinema militante e interroga como a categoria se presentifica no Brasil recente em termos práticos e teóricos. A temática do cinema militante atravessou as discussões relacionadas ao Tercer Cine na Argentina e o trabalho da crítica francesa na virada entre os anos 1960 e 1970. Se refere ao uso dos filmes como ferramenta de luta, com o objetivo de denunciar injustiças sociais e mobilizar para a promoção de mudanças sociopolíticas.
A crise de 2008 nos filmes Corrente do Mal e Amantes Eternos
Helena Lukianski Pacheco (UFRGS)
Propomos analisar as consequências da crise de 2008 no cinema. Analisaremos cenas que se passam em Detroit (EUA) nos filmes Corrente do Mal (It Follows, 2014) e Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, 2013). A similaridade entre os motivos visuais (BALLÓ; BERGALA, 2016) das cenas aponta para mudanças profundas de um modo de vida anteriormente baseado no fordismo, e revela no rosto das personagens preocupações que se relacionam com a instabilidade do sistema capitalista (FISHER, 2009).

ST Festivais e mostras de cinema e audiovisual – Sessão 2 – Os festivais e a memória das cidades

08/11 às 11h00
FESTIVAL GUARNICÊ: MEMÓRIA E CINEMA EM SÃO LUÍS DO MARANHÃO
Milene de Cássia Silveira Gusmão (UESB)Euclides Santos Mendes (UESB)JOSE RIBAMAR FERREIRA JUNIOR (UFMA)
Esta investigação surge no âmbito da pesquisa intitulada “Memória, patrimônio e linguagem no contexto maranhense”, aprovada pelo Edital da CAPES, nº 21/2018, no Programa de Cooperação Acadêmica na Amazônia – PROCAD/AM, e toma a relação entre memória, cinema e processos de formação cultural em São Luís como questão. Na pesquisa sobre as práticas de cinema na cidade, comparece fortemente o Festival Guarnicê de Cinema como articulador de ações de formação pelo/para o cinema em São Luís desde 1977.
Inventando memórias com o bairro: Mostra AudioVisual do Titanzinho
Deisimer Gorczevski (UFC)Sabrina Késia de Araújo Soares (UFC)
A Mostra AudioVisual do Titanzinho chega à sua décima edição, em 2023, na cidade de Fortaleza, afirmando filmes feitos com o bairro, produções que raramente circulam nos espaços tradicionais do cinema. Ao criar espaços de convivência, promover encontros com diferentes formatos, tecnologias e modos singulares de exibição, a Mostra traz à tona problemas e potencialidades, afirmando o lugar de moradia, a participação comunitária e a produção audiovisual como invenção de memórias do território.
Cinema é Celebração: exibição independente no Rio de Janeiro-anos 2000
Thiago Nogueira Carvalho (PPGMC/ECO/UFRJ)
Apresentação das principais características da cena de exibição independente de cinema e audiovisual do Rio de Janeiro na virada dos anos 2000, observadas no âmbito de pesquisa de metrado. O estudo contou com a realização de entrevistas com integrantes de cinco dos principais eventos constituintes da cena: Festival Brasileiro de Cinema Universitário, O Incinerasta, Cachaça Cinema Clube, Mostra do Filme Livre, e Cineclube Mate Com Angu.

CI 45 – Performance e poética no cinema norte-americano – Coordenação: Flavio Kactuz

08/11 às 11h00
Mímesis e performance no cinema Europeu e Estadunidense dos anos 20
Flavio Kactuz (Flávio C. P. de Brito) (PUC-Rio)
O presente trabalho pretende se inserir nas linhas de pesquisa dedicadas a estudar a História do Cinema, a partir da relação entre Direção e Performance, observando, especialmente, o que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos durante os anos 1920, quando uma série de fatores econômicos, políticos e tecnológicos foram determinantes para delimitar as distinções entre filmes de ficção, documentários e experimentais, conforme o teor empregado de veracidade e mimetismo na representação.
O ator Clint Eastwood e o Gesto Psicológico de Michael Tchekov.
mauro baptista y vedia sarubbo (UNESPAR)
A comunicação propõe uma reflexão sobre Clint Eastwood como ator e as relações com a escola clássica de interpretação cinematográfica (Gary Cooper, John Wayne, James Cagney) e com as teorias do ator e mestre russo Michael Tchekov e seu conceito de Gesto Psicológico.
A protopoética de filmes com características do Western Americano.
Alexandre Silva Wolf (FAE)
Os filmes “Bravura Indômita” (1969) e (2010) e “Onde os fracos não têm vez” (2007) possuem características relacionadas ao cinema norte-amerticano, especificamente aquele compreendido como o western americano. Este estudo baseado na análise comparativa, com base na protopoética e, a sua mais importante ferramenta, o diagrama protopoético, apresenta esse conceito como ferramenta de análise fílmica, tendo por base os pressupostos da semiótica, da intertextualidade e da intersemiose.

Reunião Rede de Arquivos Universitários (Grupo de Trabalho)

08/11 às 14h30

ST Tenda Cuir – Sessão 1

08/11 às 14h30
Por uma cinema de criaturas
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL)Alessandra Soares Brandão (UFSC)
Um manifesto documenta menos uma interpretação do mundo e mais uma vontade de mudá-lo. O manifesto é um modo de expressão adequado para aqueles que foram historicamente marginalizados. Um manifesto cinematográfico tem menos a ver com uma descrição do estado das coisas e mais com a projeção de um mundo (por vir) do cinema (por vir). Um manifesto por um cinema de criaturas reclama por um cinema de descriação do mundo. Como se fosse possível tal cinema.
De cidades submersas, bichas-paponas e vales encantados: videoensaio
Erly Milton Vieira Junior (UFES)
Sob a forma de um videoensaio, pretende-se aqui inventariar e investigar, dentro do audiovisual contemporâneo capixaba, feito por e para pessoas LGBTQIA+/cuir, possíveis pontos de contato que apontem para estratégias de engajamento sensório diferenciadas, convidando suas audiências a experimentarem corporalmente os modos de existência cuir neles retratados, bem como suas temporalidades, espacialidades e dinâmicas fabulatórias diante da ausência/precariedade dos arquivos imagéticos oficiais.
Dança envolvente, ficção visionária, fabulação cuir: elos entre mundos
Milene Migliano Gonzaga (UFRB)
Os olhos e ouvidos se comovem com o que tem diante de si. O corpo se retesa inteiro. A pele se eriça, dos pés sobe um impulso que prenhe de muito, preenche em completude pernas, os joelhos relaxam, como se repousassem onde sempre estiveram. Nas coxas a energia do impulso e sua capilaridade energética recobre a extensão da pele em contato com a cadeira, o ar, a roupa. As mãos procuram mais sentidos nos entremeios da pele instigada. Na tela a dança me encanta e faz sentir tantos jeitos de existir.

CI 5 – Corpo e horror no cinema – Coordenação: Rodrigo Almeida Ferreira

08/11 às 14h30
Body horror, biological horror: políticas de um corpo em fúria
Rodrigo Almeida Ferreira (UFRN)
A presente proposta parte do gênero do body horror e mais especificamente do biological horror dos filmes Shivers (Canadá,1975) e Rabid (Canadá, 1977), de Cronenberg, como caminho para refletir sobre as políticas de um corpo em fúria, especialmente a partir da experiência coletiva da pandemia do Covid-19. Em diálogo com Linda Williams e outras autoras, traçamos um paralelo entre corpos esteticamente furiosos e dissonantes das obras, com corpos socialmente lidos desta mesma forma na sociedade.
O gesto e o mal no cinema de horror
Christiane Quaresma Medeiros (Unicap)
O texto se propõe a discutir certo imaginário sobre o corpo que atravessa as representações do mal no cinema de horror, não somente a partir da forma, mas também dos movimentos corporais, onde elaboramos do gesto de Satanás ao gesto do espírito perturbado. Busca, a partir de uma leitura sócio-antropológica, examinar por que nós, enquanto sociedade, costumamos imaginar – através do cinema – criaturas tocadas pelo mal como corpos que gesticulam de forma desconfigurada.
O corpo negro na escuridão: o uso da sombra no cinema de Jordan Peele
Robinson Samulak Alves (UFPR)
O presente estudo realiza uma análise do uso da sombra para esconder os corpos negros em filmes de horror. A partir da filmografia do diretor Jordan Peele — Corra (2017), Nós (2019) e Não! Não Olhe! (2022) —, este estudo busca compreender de que maneira a fotografia dos filmes é trabalhada como um recurso narrativo que visa esconder as personagens negras e os efeitos que tal uso das sombras causa, tanto nas cenas dos filmes, como na construção do horror.

MESA Criação, Produção e Espectatorialidade com Novas Tecnologias

08/11 às 14h30
Recuperar os sentidos – a Estética e as imagens na contemporaneidade
Mirian N Tavares (UALG)
Estamos imersos no universo digital – num mundo mediado por máquinas que nos aproximam e que nos distanciam. Estamos assoberbados de imagens que escaparam do domínio das artes e são produzidas e distribuídas aos milhares através das plataformas digitais. Se no princípio era o Verbo, este dissolveu-se, transformou-se, converteu-se, também ele, em imagem. E a questão que resta é: como lidamos, passados tantos anos, depois de tantas teorias e de inovações tecnológicas, com as imagens?
Tecnologia e arte: viajar sem sair do estúdio
Rita Cassitas (UTP)
No roteiro “Não beba se quiser partir” em produção, pretende-se demonstrar os conceitos de literacia fílmica e espectador repertorial contextualizados em uma viagem internacional baseada em cenários digitais e a linguagem de videogames. Ao beber da ‘água do monge’, surge na tela um avatar nos moldes representativos de videogames. A profissional de TI volta a sua rotina de projetos ao redor do mundo, por meio de cenários digitais materializados em estúdio, agora acompanhada por um avatar.
O espectador-repertorial e seus diálogos intertextuais/tecnológicos
Denize Correa Araujo (UTP)
O objetivo desta proposta é enfatizar que o filme Jogador Número 1 (Ready Player One, Spielberg, 2017) requer um espectador diferenciado, que chamo de “espectador-repertorial, capaz de dialogar com intertextos que são parte fundamental para compreensão do contexto criado. Além disso, a trilha sonora também exige conhecimento para poder assimilar o que as imagens estão mostrando. Associar com o romance de Ernest Cline de 2011 com o mesmo título é relevante para uma imersão experimental futurista.

CI 14 – Cinema e natureza – atravessamentos políticos – Coordenação: Denise Tavares da Silva

08/11 às 14h30
Por epistemologias imperfeitas: evocações à natureza em dois filmes LA
denise tavares da silva (UFF)
No filme peruano “Hija de la laguna” (2015), a protagonista Nélida Ayay Chilón centraliza a luta da sua comunidade para conservar um lago e no brasileiro “A mãe de todas as lutas” (2021), Shirley Krenak, uma das protagonistas, atua, com seu povo, pela defesa do seu território. Ambas evocam a natureza como ser vivo. Ambas representam um giro epistemológico no percurso do conhecimento pós-iluminismo. Discutir os imbricamentos e desafios destes protagonismos é o objetivo desta comunicação.
Extrativismo e documentário na Amazônia
Gustavo Soranz (Unesp)
A atividade extrativista é determinante nos modos como a região amazônica tem sido ocupada e explorada. Desde o extrativismo tradicional dos povos da região, passando pelos grandes projetos de intervenção, até projetos recentes de extrativismo de base comunitária. O cinema é um meio privilegiado para dar visibilidade a como o extrativismo na Amazônia tem ocorrido nas últimas décadas e, para além do registro factual destas atividades, os filmes nos revelam a emergência de novos sujeitos sociais.
Cosmopoéticas da natureza no cinema de Michelangelo Frammartino
Bruno Mesquita Malta de Alencar (UFPE)
Analisa o cinema de Michelangelo Frammartino, concentrando-se na interface com as discussões sobre a ecologia e o Antropoceno. Seguindo as reivindicações de Marcelo Ribeiro (2021) da obra de Yuk Hui (2020), sustenta que ao tensionar a significação do que está sendo figurado nas imagens, as audiovisualidades dos filmes inscrevem uma indeterminação que desfaz o espelhamento transcendental entre cosmos e antropos, retramando os gradientes morais nas disposições da natureza pelo universo da técnica.

ST Cinemas decoloniais, periféricos e das naturezas – Sessão 1 Imagens rituais

08/11 às 14h30
Reflexões sobre os processos de ficcionalização em imagens Tikmu’un
Catarina Andrade (UFPE)
Esta comunicação reflete sobre as imagens produzidas pelos realizadores Suely e Isael Maxakali a partir das noções de Rancière (2012) sobre os processos de ficcionalização. Partimos do cinema como ferramenta cosmopoética de invenção do comum, numa perspectiva anti e decolonial, como espaço para outras releituras e interpretações de mundo. Perguntamos se, e de que modo, essas imagens podem, de um lado, produzir uma memória coletiva desses povos, e do outro, re-situar a experiência do espectador.
Os engendramentos curativos das imagens agentivas de Michele Kaiowá
Olívia Érika Alves Resende (UFRJ)
Investigo vídeo-cartas de Nhemongueta Kunhã Mbaraete (2020) produzidas por Michele Kaiowá, a fim de perceber como as imagens da cineasta manifestam o desejo de “inventar o que fazer” durante a pandemia de covid-19. Defendo que o gesto fílmico de Michele, ao ativar implicações ontológicas inventivas de “engendramentos” (LATOUR, 2021), expressa uma abertura agentiva da câmera e uma potência fílmica criativa e curativa, de sobrevivência e de “supervivência” (RIVERA CUSICANQUI, 2018) com as imagens.
Construção de uma atmosfera cinematográfica nos filmes-rituais Kayapó
Brener Neves Silva (UFF)
O cinema Mebêngôkre-Kayapó vem se consolidando nos últimos anos com diversas narrativas fílmicas, especialmente com a filmagem de rituais, característica que tem possibilitado a construção de uma atmosfera cinematográfica particular. Esta pesquisa propõe reflexões sobre a prática dos filmes-rituais a partir das cosmologias próprias da sociedade Mebêngôkre, objetivando compreender a criação de uma atmosfera cosmológica nesses filmes, especialmente em aspectos espaço-temporais.

CI 30 – Práticas ensaísticas e fabulação – Coordenação: Carolina Gonçalves Pinto

08/11 às 14h30
Imagem de arquivo, fabulação e memória em Stories we tell
Carolina Goncalves pinto (ECA – USP)
Em Stories We Tell (2013), Sarah Polley cria falsas imagens de arquivo, ao investigar seu passado familiar. A revelação sobre a natureza das imagens levanta questões sobre a obra, como resultado de realidade e invenção.
A partir do conceito de fabulação de Gilles Deleuze, nos interessa a relação articulada no corpo da obra, entre imagens e narrativas fabulares. Deleuze entende a fabulação como a passagem de um estado a outro, a descoberta de uma verdade desconhecida e que se constitui num devir.
Devir-viúva: a ensaísta cinematográfica diante da perda
Ana Paula de Aquino Caixeta (UNICAMP)
Esta proposta se dedica a refletir por quais vias formais e estratégias retóricas os filmes-ensaio Babenco – alguém precisa ouvir o coração e dizer: parou (Bárbara Paz, 2019) e Diário de Sintra (Paula Gaitán, 2008) configuram distintos processos de viuvez. Compreende-se que, a partir da liberdade formal e inscrição subjetiva do cinema ensaio, essas obras constituem um devir-viúva, uma experimentação fílmica do processo de luto que acolhe seu efeito transformador e fragmentário.
“Sob as pedras do chão”, de Olga Futemma: análise de um primeiro filme
Hanna Henck Dias Esperança (USP)
A proposta deste trabalho é investigar os possíveis traços autobiográficos e ensaísticos no filme “Sob as pedras do chão” (1973), primeira realização de Olga Futemma, curta-metragista brasileira que atuou entre as décadas de 1970 e 1980. Proponho também uma comparação entre este primeiro filme e suas duas produções posteriores, “Retratos de Hideko” (1981) e “Hia sá sá – hai yah!” (1985).

MESA Poéticas do Audiovisual: sobre eventos e objetos das artes

08/11 às 14h30
Botannica Tirannica: arte, ciência e imagem técnica
NINA VELASCO E CRUZ (UFPE)
Pretende-se discutir a relação entre arte, ciência e imagem técnica a partir da instalação da artista Giselle Beiguelman, intitulada Botannica Tirannica (2022). A exposição é composta por imagens fotográficas e vídeos gerados por inteligência artificial a partir de um banco de dados criado pela artista que reúne plantas com nomes que remetem a estigmas pejorativos ligados a diferentes grupos historicamente vitimizados pelo projeto colonial moderno.
Dramaturgia da luz
Patricia Moran Fernandes (USP)
Em espetáculos cênicos a luz encontra-se a serviço da dramaturgia, cria ambientes e define o espaço a ser visto. O trabalhos dos artistas Mirella Brandi e Muep Etmo tratam a luz como um recurso tátil esculpindo a percepção do espaço que ora se apresenta vago, constituindo-se como um ambiente de espera, e ora sugerindo figuras e tensões dramáticas. Discutiremos o acoplamento de recursos expressivos das artes da interpretação cênica, da luz e música como dinâmica de criação das performances.
Projeção mapeada: arte performativa e expressão política na Amazônia
Denise Costa Lopes (PUC-Rio)
O objetivo deste trabalho é investigar a linguagem do video mapping como arte performativa e expressão política hoje na Amazônia. As obras de Roberta Carvalho, Symbiosis e Cinema Líquido, estarão em foco como produtoras de potentes visualidades sobre os povos originários da região. Usadas como meio de aproximação com as populações ribeirinhas e a natureza, essas práticas serão analisadas como poéticas tecnológicas de ressignificação e resistência à luz do perspectivismo ameríndio (Castro).

ST Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil. – ABERTURA: Por uma nova cultura política para o cinema e o audiovisual

08/11 às 14h30
Palestra de Abertura com convidado especial: Alfredo Manevy
()
Alfredo Manevy é pesquisador em políticas culturais, professor da UFSC e cineasta. Foi secretário-executivo do MinC (2008-10) e presidente da Spcine (2014-16).
Como pensar políticas públicas em tempos de mudanças de paradigma
Pedro Butcher (ESPM)
Em janeiro de 2023, o Fórum de Tiradentes reuniu profissionais do audiovisual com o objetivo de propor novas matrizes para a formulação de políticas públicas para o setor. O grupo de trabalho dedicado à exibição/difusão apresentou um desafio em particular, na medida em que as transformações mais profundas provocadas pela digitalização se deram na forma como as obras são difundidas e apreciadas. A questão principal que se impôs foi: como pesar um segmento que atravessa mudanças paradigmáticas?
O quebra-cabeça dos dados e indicadores do cinema e audiovisual
Lia Bahia (UFF)
O Fórum de Tiradentes trouxe contribuições fundamentais para reinvenções das políticas públicas para o cinema e audiovisual brasileiro. Uma das mais relevantes (e pouco debatida) é a construção de uma nova política de informação, dados e indicadores para o setor no Brasil. Esta comunicação irá avançar na reflexão sobre dados, informações e indicadores considerando o cinema e audiovisual como um ecossistema com múltiplas e variadas arquiteturas produtivas e janelas de exibição.

MESA Televisão e mediação nacional e transnacional: estudos de caso

08/11 às 14h30
A História na Telinha: Mad Men e o meio televisivo
Giancarlo Casellato Gozzi (ECA-USP)
Esta apresentação analisará o papel que o meio televisivo desempenha em Mad Men (2007-2015), sua presença onipresente no mobiliário doméstico, enquanto tema de tramas ao longo das temporadas, e seu papel mediador entre os personagens fictícios da série e os eventos históricos reais que eles assistem pelo televisor, procurando entender o quanto essa presença da televisão dentro da diegese da série cria uma autorreferencialidade entre o passado retratado pela série e o presente de sua exibição.
Televisão, telenovelas e remediação na China das Reformas
Cecília Antakly de Mello (USP)
A intenção será investigar o impacto do aparecimento da televisão na China continental nos anos 1980 e o surgimento de suas primeiras telenovelas a partir da análise de Ano após ano, de 1998. Como irei sugerir, a genealogia da televisão como remediação é enfatizada nesta novela através do que eu chamo de “reflexividade intermidiática”, que mostra como a evolução da mídia e a crescente mediatização da sociedade chinesa no período de reforma (1980-1990) vem impactando a formação de subjetividades.
Melodrama corporativo na China: análise de The Rational Life (2021)
Marina Soler Jorge (UNIFESP)
Nesta comunicação, procuraremos explorar as representações femininas da série chinesa The Rational Life (2021), apontando mudanças, permanências e ambiguidades na imagem da mulher de 30 anos solteira, bem como a influência do feminismo liberal a partir da sugestão da existência de um estilo de gerência “feminino”, entendido como mais honesto e compassivo. Analisaremos também a forma como a série pode expressar o soft power chinês a partir da exploração do tema do carro elétrico.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 1- ESTILO E SOM, ESTUDOS DE CASO

08/11 às 14h30
Suspensão: Depois do sol, na montanha, na rua de trás, em 1985
Fernando Morais da Costa (UFF)
Esta proposta, sobre procedimentos recorrentes no cinema contemporâneo, pretende demostrar a continuidade do uso da já conhecida suspensão dos sons diegéticos. Aliado a isso, há uma pujante representação de sons mediados por tecnologias audíveis e visíveis no universo criado para cada filme. Que papéis narrativos são desempenhados por silenciamentos propositais e por aparelhos de som, televisões, microfones, câmeras, rádios? O que se escolhe silenciar, o que se escolhe tocar em quadro?
Estilos sonoros no cinema brasileiro contemporâneo
Damyler Ferreira Cunha (UFS)
Existe um estilo sonoro do cinema brasileiro contemporâneo? Quais os tipos de expressividades sonoras são mais preponderantes nos filmes brasileiros realizados recentemente?
Observamos, a partir da análise das trilhas sonoras de Carro Rei, Mato Seco em Chamas, Temporada e Baronesa, que algumas estratégias de uso da música, dos efeitos sonoros e dos sons ambientes se repetem.
Da opacidade ao hiper-realismo em RRR
Ian Costa Cavalcanti (UFPE)
Este estudo analisa a constituição sonora do filme indiano RRR (2022), investigando aproximações e distanciamentos da representação realista à luz dos conceitos de opacidade e transparência (XAVIER, 2005) e da continuidade intensificada (BORDWELL, 2006). A análise se debruça na rarefação de elementos sonoros condutores da verossimilhança, prática estilística apontada como característica da indústria cinematográfica indiana, bem como a larga utilização de sonoridades hiper-realistas.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Direção de arte, cores e procedimento

08/11 às 14h30
Direção de Arte em narrativas audiovisuais não-hegemônicas
Dorotea Souza Bastos (UFRB)
Este artigo faz parte da investigação da autora sobre a composição visual nas narrativas audiovisuais, abrangendo o papel da Direção de Arte e os aspectos estéticos e técnicos na criação de imagens, buscando identificar e analisar as características e as formas de apresentação da imagem, em especial, nas narrativas não-hegemônicas.
Cores artificiais: transgressões estéticas no cinema brasileiro
Iomana Rocha de Araújo Silva (UFPE)
Observando a direção de arte de filmes como Boi Neon, Azougue Nazaré, Amor, plástico e barulho, Inferninho, Doce amianto, e tomando como base as ideias de Baudrillard sobre os valores de ambiência, mais especificamente os conceitos de cor tradicional e cor natural, busco apontar algumas questões acerca do uso de cores vibrantes na representação destes universos, opção que evidencia a resistência de contextos marginalizados e invisibilizados, uma fuga estética que sugere outros mundos possíveis.
Percurso em degradê: as escolhas cromáticas no processo criativo da DA
Maíra Moraes Mesquita (ECA-USP)
Com base em relatos de processos criativos da direção de arte, e a partir das teorias do antropólogo inglês Tim Ingold, investigamos de que maneira a paleta de cores opera na formação das características cromáticas apresentadas no set, em embate e cooperação com outras contingências materiais que também alteram esse aspecto cromático. Interrogamos de que modo as cores de um filme emergem de seu processo criativo e se transformam em embate com suas matérias.

MESA Mulher no Cinema contemporâneo: contestação, tradição e resistência

08/11 às 14h30
A montagem como efeito visual na representação nostálgica da mulher
Fabiano Pereira de Souza (USP)
A representação da figura feminina em Tron: o legado (Tron: legacy, EUA, 2010), de Joseph Kosinski, Blade Runner 2049 (EUA/Reino Unido/Canadá/Espanha, 2017), de Denis Villeneuve, e O exterminador do futuro: destino sombrio (Terminator: dark fate, EUA/China, 2019), de Tim Miller, indica como a montagem espacial atualiza os limites dos efeitos visuais e reflete como a nostalgia em Hollywood reforça premissas sociais em ciclos de retrocesso conservador.
Femme fatale e Fantasia: a franquia Blade Runner
Luiza Cristina Lusvarghi (Unicamp)
O objetivo dessa comunicação é estabelecer uma análise comparativa da femme fatale vista como símbolo da mulher contemporânea e de contestação no cinema do ciclo noir clássico de Hollywood (HARVEY IN KAPLAN, 1988) com as personagens femininas “monstruosas” das narrativas distópicas contemporâneas de Ficção Especulativa e Fantasia, a partir de uma comparação entre Rachel, de Blade Runner (1982), de Ridley Scott, e Joi, de Blade Runner 2049 (2021), de Dennis Villeneuve.
Touzani e Meddour – um Cinema de Resistência
Fernanda Aguiar Carneiro Martins (UFRB)
Um dos mais jovens cinemas no mundo, o Cinema Africano abrange uma admirável diversidade. Em meio a ela, vozes femininas como as de Maryam Touzani e Mounia Meddour integram o Cinema do Magreb, Marrocos e Argélia, respectivamente. Cabe analisarmos seus longas-metragens de estreia, Adam e Papicha, ambos realizados em 2019. Em suas narrativas eminentemente femininas, um jogo de olhares e de reflexos se tece, trazendo a força de um cinema de denúncia e de resistência.

ST Cinema Comparado – Sessão 1: O cinema e as outras artes: literatura, pintura, canção popular e teatro

08/11 às 14h30
A cena da escrita e a escrita da cena
Lúcia Ramos Monteiro (UFF)
A partir da análise de sequências de filmes em que roteiristas e escritores aparecem trabalhando, pretendo interrogar as condições materiais da escrita – quem escreve, como escreve, onde escreve. Na comparação entre diferentes cenas de escrita, questões ligadas a gênero, classe e raça se evidenciam, dando corpo a constatações exploradas por Virginia Woolf em “Um teto todo seu”. A proposta se associa aos exercícios de observação como base para a escrita da cena de roteiros audiovisuais.
“Não é Velázquez”: cinema, pintura e história
Luiz Carlos Oliveira Junior (UFJF)
Pretendo comparar cenas de Sermões – A história de Antonio Vieira (Júlio Bressane, 1989) e Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (Carla Camurati, 1995), considerando sua referência ao jogo visual presente na pintura barroca, em especial na obra de Diego Velázquez, que os filmes mobilizam através do plano-tableau, empregado como dispositivo plástico que reúne cinema e pintura na confecção de uma imagem condensativa da história brasileira em épocas distintas de seu processo de formação.
Diálogos de IIIº Mundo: Caetano Veloso e José Agrippino de Paula
Claudio Leal (ECA-USP)
Nos anos 1960, o diálogo de Caetano Veloso com o escritor e cineasta José Agrippino de Paula (1937-2007), autor do romance “PanAmérica”, influenciou a formulação conceitual do Tropicalismo. No retorno do exílio, em 1972, Caetano assistiu pela primeira vez a “Hitler IIIº Mundo” e consolidou sua preferência pelo teatro e cinema de Agrippino. Com base em críticas e depoimentos, este trabalho apresenta a recepção de Caetano à obra audiovisual de Agrippino, de “Hitler” a “Céu Sobre Água” (1978).

ST Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas – Sessão 1 | Caminhos dos feminismos na América Latina

08/11 às 14h30
FILMES LATINO-AMERICANOS DE HELENA SOLBERG: CAMINHOS PARA A PESQUISA
Mariana Ribeiro da Silva Tavares (UFMG)
Este trabalho pretende apontar caminhos para a pesquisa sobre os documentários realizados pela cineasta brasileira Helena Solberg em países latino-americanos como Chile, México e Bolívia entre as décadas de 1980 e 1990 e que permanecem ainda pouco interpelados pela pesquisa acadêmica no país. São sete documentários que abordam os povos ameríndios, populações afrodescendentes entre outros aspectos decoloniais, culturais e geo-políticos e constituem fonte significativa para a pesquisa científica.
O PEQUENO EXÉRCITO LOUCO E AS IMAGENS DE UMA UTOPIA LATINO-AMERICANA
Isabella Loureiro Khaled Poppe (UFRJ)
Esse trabalho irá apresentar o resultado da análise do filme O Pequeno Exército Louco, sobre a revolução sandinista nicaraguense, com o cruzamento da análise de entrevista feita com a realizadora Lucia Murat. Através deste método, que leva em consideração a trajetória política da cineasta, o reemprego crítico das imagens de arquivo e a costura dos depoimentos e imagens na linha argumentativa da montagem, investiga-se a busca por imagens que façam reviver a(s) utopia(s) na América Latina.
De Pucha Vida a Verde Olivo: as revolucionárias mulheres invisíveis
Marcelo Vieira Prioste (PUC-SP)
Esta comunicação se propõe a discutir como dois curta-metragens, Pucha Vida (Cuba/Colombia, 2007) e Verde Olivo (Cuba, 2017), apresentam mulheres que outrora estiveram engajadas ao processo revolucionário e que hoje, octagenárias, preservam nas memórias o ideário da Revolução. Embora invisibilizadas, ao enfrentarem os efeitos do embargo econômico estadunidense imposto desde o início da década de 1960, foram e são, no desafio do cotidiano, talvez a imagem mais legítima do heroísmo cubano.

CI 25 – Moral e ética no audiovisual no Brasil – Coordenação: Adil Giovanni Lepri

08/11 às 14h30
Moral e melodrama nas micronarrativas do canal de Deivison Nascimento
Adil Giovanni Lepri (UFBA)
Este artigo investiga a produção de Deivison Nascimento no YouTube, que consiste em micronarrativas ficcionais com base no modo melodramático, retratando situações de conflito entre personagens que encarnam vícios e virtudes na chave da moralidade simples. A análise foi feita usado o método de raspagem da web e posterior análise fílmica e estrutural da narrativa. Os vídeos em questão parecem funcionar no sentido de operar um controle social da norma ligado a valores morais neopentecostais.
A crítica política humorística em Porta dos Fundos e Sinta-se em casa
Guilherme Fumeo Almeida (UFF)
O trabalho pretende analisar, de forma complementar, a crítica política humorística de Porta dos Fundos e Sinta-se em Casa. Estruturado em dois eixos, o marco teórico parte das interfaces entre público e privado na formação sociopolítica brasileira e mundial, com base em Arendt (2002), Holanda (1995), Sennett (2014) e Fechine e Demuru (2022), e das reflexões de Bergson (1983), Jost (2012), Aumont (1995) e Jaguaribe (2010) sobre as relações entre humor, efeito de real/realidade e mise-en-scène.
Combate às “fitas imorais”: moralização do cinema da França ao Brasil?
Felipe Davson Pereira da Silva (UFF)
Partindo de dois congressos ocorridos em Paris, entre os anos 1908 e 1910, este trabalho busca analisar as dinâmicas internacionais de combate à pornografia, e quais sinais delas podemos observar no Brasil, especificamente nos estabelecimentos cinematográficos. Através de jornais e documentos da época, seguiremos os rastros de como esse debate estrangeiro se inseriu no país e como foi incorporado nas discussões sobre a moralidade em nossas salas de cinemas nos anos de 1910.

ST Tenda Cuir – Sessão 2

08/11 às 16h30
My queer horror experience: temporalidades emaranhadas
Diego Paleólogo (UERJ)
Essa experiência começa há muito tempo, na longínqua década de 90 do século XX, em um cinema no Rio de Janeiro. “O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger” foi o primeiro filme de terror que assisti no cinema. Essa narrativa tornou-se uma inquietante metáfora para o início do meu processo de saída do armário. “My queer horror experience” é um exercício híbrido entre a performance, o vídeo, a narrativa visual, o ensaio acadêmico, no qual sobreponho o cinema de terror às minhas experiências.
Horror cuir e pornografia nos filmes de zumbis de Bruce LaBruce
RENATO TREVIZANO DOS SANTOS (USP)
O trabalho analisa dois filmes do cineasta canadense Bruce LaBruce: Otto; or, Up with Dead People (2008) e LA Zombie — Hardcore (2010). A partir deles, elaboramos reflexões sobre horror cuir e pornografia, recorrendo a teóricos do cinema e de outros campos, como a filosofia, a história e a literatura.
Isso não é o meu Last of Us: tensões na adaptação e recepção da série
Lucas Waltenberg (ESPM Rio)MARCELA DUTRA DE OLIVEIRA SOALHEIRO CRUZ (ESPM)
O terceiro episódio da adaptação do jogo The Last of Us retrata a relação amorosa entre Bill e Frank, personagens que recebem arcos narrativos aprofundados na versão audiovisual, gerando um tensionamento incômodo na comunidade de conhecedores do texto-fonte. Neste trabalho, vamos analisar como a recepção da versão desvela uma dinâmica preconceituosa que rejeita a inserção de um arco inclusivo da comunidade LGBT através de uma pretensa busca pela manutenção do texto-fonte no processo adaptativo.

CI 6 – Narrativa e cinema de horror – Coordenação: Ramiro Giroldo

08/11 às 16h30
O ESCORPIÃO ESCARLATE: MOLDURAS PARA A FICÇÃO DE GÊNERO
RAMIRO GIROLDO (UFMS)
O trabalho discute de que maneira o filme de longa metragem O Escorpião Escarlate, de Ivan Cardoso, constrói uma rede intertextual genérica (relativa ao cinema, mas também aos quadrinhos, à literatura e ao rádio drama de gênero) por meio de molduras narrativas intercaladas e simultâneas. Tal procedimento é compreendido como parte da poética do roteirista do filme, R. F. Lucchetti, em seu costumeiro passeio por diversas mídias – portanto, o trabalho aborda ora o roteiro original, ora o longa.
A inquietação do espaço: o fantástico e as narrativas fílmicas
Alexandre Bruno Gouveia Costa (ufmg)
Esta pesquisa busca investigar a experiência fílmica por meio da inquietação provocado pelo espaço fílmico em narrativas ficcionais, moduladas pelo fantástico. O fenômeno em questão é a trilogia fílmica do cineasta maranhense Frederico Machado, especificamente: O Exercício do Caos (2013); O Signo das Tetas (2015) e As Órbitas da Água (2021). Como problema norteador para o caminho é refletir sobre a inquietude do espaço fílmico como elemento do fantástico.
O xadrez do horror: estratégias de intensificação do medo
Paulo Souza dos Santos Junior (UFPE)
Diante da tradição secular do cinema de horror, entendemos que a instância criativa das obras busca estratégias para que a potência do seu principal afeto não seja dissipada por uma audiência já versada em suas soluções narrativas e formais. O presente artigo busca investigar a ideia de que há, no nível cognitivo, a predominância de um jogo mental que busca burlar as defesas e predições do espectador de horror, tornado-o vulnerável a ação dos efeitos propostos pelos filmes.

CI 36 – Espectatorialidade e políticas de circulação do audiovisual – Coordenação: Renato Candido de Lima

08/11 às 16h30
Por uma política audiovisual preta no Brasil
Renato Candido de Lima (USP)
Esta trabalho é sobre minha tese defendida em 13/05/2022 na ECA/USP e traz questões ligadas às ações afirmativas no audiovisual brasileiro sob a ótica da Gestão de Políticas Públicas. Considera-se aspectos históricos da presença negra enquanto realização cinematográfica/audiovisual, além das questões políticas e econômicas que envolvem este meio. O trabalho esmiúça as diversas relações entre Estado Brasileiro, branquitude e suas políticas de produção cinematográfica ao longo do séculos XX e XXI.
O cinema tardio: cinefilia, modelos tecnológicos e neoliberalismo
JOSE CLAUDIO S CASTANHEIRA (UFF)
O discurso tecnocientífico pensa as tecnologias a partir de parâmetros autocentrados. A agenda neoliberal promoveu profundas mudanças na cadeia produtiva mundial e, consequentemente, redesenhou a experiência do filme pautando-se por objetivos bem definidos como eficiência, previsibilidade, racionalização e datificação tanto de conteúdos quanto das ações do espectador. Esta proposta traz algumas reflexões iniciais sobre tais modelos de produção e circulação de produtos audiovisuais.
Feminismo e democratização das mulheres no audiovisual
Amanda Lopes Fernandes (UAM)
De acordo com dados do IBGE, as mulheres representam 51,1% da população brasileira. No entanto, quando observamos a atuação no audiovisual, notamos que esta maioria não é equânime nos espaços de liderança da área. Dados da Ancine, revelam que apenas 20% ocupam o cargo de direção e roteiro. Portanto, sem esgotar o assunto, busco discutir a importância das políticas públicas para mulheres do audiovisual. E a relevância do feminismo para a disseminação da democratização da mulher no cinema.

CI 27 – Hibridismo e política ambiental no audiovisual contemporâneo – Coordenação: Bruno Saphira Ferreira Andrade

08/11 às 16h30
Dispositivos ficcionais e engajamento político no documentário Lavra
Bruno Saphira Ferreira Andrade (Unijorge)
A experiência do filme Lavra (Lucas Bambozzi, 2021) aponta para uma postura de vivência/composição fílmica que nos estimula a pensar as possibilidades que o uso de dispositivos ficcionais no documentário propicia a um engajamento politico por meio do cinema. Este trabalho propõe uma analise da obra buscando estabelecer interconexões entre perspectivas decoloniais no cinema, os elos e potencialidades da ficção no documentário e a indissociabilidade entre estética e politica.
Outras tramas para o cinema: o processo cine-artístico do projeto Teia
Maria Gabriela Capper (UFF)
Esta comunicação investiga quais as implicações geradas pelo cinema expandido no desenrolar das imagens e dos sons, na montagem, na projeção e na narrativa, através do projeto de intervenção audiovisual e videoarte Teia, no qual o cinema em interface com a arte contemporânea adere a outras configurações e porta importantes reflexões sociais e políticas, por se inclinar sobre a memória oral de uma cidade que sob o impacto sócio-ambiental do garimpo, resiste com suas identidades.

ST Cinemas decoloniais, periféricos e das naturezas – Sessão 2 Cosmologias da/na cena para um mundo implicado

08/11 às 16h30
Corpos da cena/em cena: o audiovisual nas naturezas do comunitário
Angelita Maria Bogado (UFRB)Scheilla Franca de Souza (PPGCOM/UFRB/CAPES)
Para pensar as inter-relações entre natureza, afeto, território e ancestralidade plantamos nosso olhar na fabulação audiovisual Pretos ganhando dinheiro incomoda demais (Criolo, 2023). Imaginada por estudantes do Projeto Soma+, o clipe se enraíza no saber ancestral. O fruto da coletividade é cultivado na encruzilhada entre as violências da matriz colonial e os saberes dissidentes. Para colher imagens de inversão, vamos investir na sensibilidade analítica das naturezas dos corpos em cena/da cena.
Cartas para um Mundo Implicado: Rotas de fuga do Mundo Ordenado
LINA CIRINO ARAUJO OLIVEIRA DOS SANTOS (USP)
Denise Ferreira da Silva, na fala-performance Corpus Infinitum, utiliza o tarô como metodologia performática para ativar a criatividade radical da imaginação. Para Silva, as imagens são fractais que podem reproduzir, mas também romper com as modalidades de sujeição racial, colonial e cis-hetero-patriarcal. A leitura de tarô em Corpus Infinitum é uma prática de fugitividade dos cativeiros do Mundo Ordenado para atravessar abismos rumo ao Mundo Implicado.
“A terra é circular” – Cosmologias afro-atlânticas em Ôrí
Gustavo Mota Alves Assunção Nogueira (Gustavo Maan) (UFRJ)
Ôrí é um filme documentário de 1989, dirigido por Raquel Gerber e guiado pela fala da pensadora Maria Beatriz Nascimento. A obra procura trabalhar a presença afro-brasileira em suas diversas reverberações: nos corpos, nos espaços e na história. Nesta apresentação analisaremos o pensamento elaborado pelo filme acerca das religiões afro-brasileiras, investigando a inserção de tais liturgias e cosmologias afro-atlânticas em um discurso estético, ético e político mais amplo.

PA 14 – Criadores e suas criaturas: reflexões sobre os filmes de autor – Coordenação: Felipe Davson Pereira da Silva

08/11 às 16h30
Hitchcock e Kiarostami – Cineastas do ponto-de-vista
Michel Henrique Araújo da Silva (UFF)
Tomando as obras Janela Indiscreta (1954) e Gosto de Cereja (1997) – de Alfred Hitchcock e Abbas Kiarostami, respectivamente – como corpos textuais a partir dos quais estes diretores elaboraram suas reflexões teóricas sobre a noção de ponto de vista na arte cinematográfica, a apresentação se proporá a correlacioná-los, analisando semelhanças e particularidades nos procedimentos empregados por cada um.
Possibilidades de Cinema de Autor nos tempos de smartphone filmmaking
Thiago Henrique Cardoso (UNESPAR)
O presente estudo compreende um levantamento sobre realizadores associados ao uso de modelos iPhone como câmera de filmagem no cinema e audiovisual contemporâneao, visando os trabalhos de Lady Gaga, Zack Snyder e Sean Baker. Concentra-se na revisão bibliográfica de Alexander Astruc e o seu conceito de “Cámera-stylo”, Cláudia Maria Queiroz Lambach e o conceito de “cinema de bolso” e demais conteúdos encontrados em veículos de imprensa acerca das obras discorridas.
O conceito de imagem no filme-ensaio A gaia ciência de Jean-Luc Godard
Patrick Silva Cavalcante (UNICAMP)
Este trabalho visa apresentar uma análise do filme A gaia ciência (1968-1969) de Jean-Luc Godard (1930-2022), sob o recorte do domínio do filme-ensaio, assunto recente nos estudos sobre a arte cinematográfica. Na obra em questão, ao tentar definir o conceito de imagem, tanto visual quanto sonora, Godard caminha no sentido de promover o estatuto da imagem fílmica enquanto uma forma própria de pensamento, ainda que seja por um balbuciar como um “estrangeiro em sua própria língua”.
Raimiverso: a experiência multidimensional no cinema de Sam Raimi
Francisco Gabriel Garcia (UAM)
Este trabalho propõe o Raimiverso como o universo multidimensional dos filmes do diretor americano Sam Raimi. São abordadas as técnicas analógicas criativas do cineasta para atingir profundidade nas tomadas de Evil Dead e o percurso tecnológico, com o advento do 3D, a partir do Homem-Aranha até Dr. Estranho, filme criado para exibição no cinema 4D. Por fim, são refletidas as relações que existem entre os diferentes modos a que esses filmes são assistidos e a própria maneira como foram filmados.

CI 4 – Cinema experimental e cinema expandido – Coordenação: Régis Orlando Rasia

08/11 às 16h30
Helena Ignez e o cinema do corpo em tempos de pandemia
Régis Orlando Rasia (UFMS)
Este texto tem como objetivo analisar o filme “Fogo Baixo, Alto Astral”, de Helena Ignez, que retrata um dia na vida da atriz durante o período de isolamento social, explorando a experiência do corpo como fonte de pensamento e criação. Através dos conceitos de “corpo cotidiano” e “corpo cerimonial” de Gilles Deleuze, pretendemos refletir sobre as questões dos corpos em relação aos espaços internos das casas, utilizando o cinema como um inventário de gestos, hábitos e cerimônias cotidianos.
Passage, de Dani Karavan: um cinema imaginário à Walter Benjamin
Maria Angélica Del Nery (USP)
“Passages, Homage to Walter Benjamin” (1990-1994) é uma obra artística de dimensão arquitetônica situada em Portbou, realizada por Dani Karavan, quando dos 50 anos da morte do filósofo. A partir de reflexões sobre percepção (Merleau-Ponty) e sobre experiência (Benjamin), e a partir de estudos sobre o cinema na fronteira com outras artes, pretende-se analisar “Passages” enquanto dispositivo de visão capaz de propiciar uma experiência cinematográfica, apesar da ausência de uma imagem fílmica.
Cinematic VR – a experimentação como práxis em Rio de Lama
marcella ferrari boscolo (UAM)tatiana giovannone travisani (UAM)
Pretendemos desenvolver uma discussão sobre a experimentação do ofício do cinema no campo da realidade virtual, por meio da análise do processo criativo do curta documental Rio de Lama (Tadeu Jungle, 2016), pioneiro do gênero para esse formato no nosso país, sobre o crime ambiental na cidade de Mariana (MG). Para tanto, empreendemos a revisão teórica sobre esse novo domínio do cinema expandido e entrevistamos o diretor do filme.

ST Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil. – Arquiteturas produtivas e seus múltiplos processos

08/11 às 16h30
O FUNDO SETORIAL DO AUDIOVISUAL E SUA DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL
André Ricardo Araujo Virgens (UFBA)
O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) situa-se, hoje, como o principal mecanismo de financiamento ao setor audiovisual no Brasil. E, desde que foi criado, em 2006, têm contado com diferentes dispositivos que teriam como objetivo promover um acesso mais equânime a seus recursos numa perspectiva territorial, através de iniciativas como cotas de acesso e chamadas em conjunto com entes locais. Assim, discutiremos como essas ações têm contribuído (ou não) para a democratização do acesso ao FSA.
Breve relato de uma política de raça e gênero para o audiovisual.
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Pernambuco é frequentemente citado na literatura sobre o cinema brasileiro. Seja por seu ressurgimento (anos 1990), seja por sua força estética, apoiada em política pública regional. Estudo da Ancine (2018) revela a presença tímida de mulheres, pessoas negras e indígenas no cinema no país. Em 2016, Pernambuco implantou as primeiras medidas para reduzir as desigualdades do setor, através de indutores e cotas. Propomos uma breve análise sobre o processo de elaboração e efeitos dessas iniciativas.
Redes e hierarquia entre os campos da produção e distribuição
Debora Regina Taño (Unirio)
O presente estudo tem por objetivo identificar, por meio do mapeamento das redes formadas pelas interações entre empresas produtoras e distribuidoras nas últimas décadas, a relação de dependência entre os campos da produção e da distribuição no cinema brasileiro. Para tanto, parte das bases teóricas das teorias de campos e da análise de redes sociais, combinadas aos estudos de distribuição do cinema nacional.

PA 12 – Fiquem em casa e vejam filmes: desdobramentos da pandemia no audiovisual brasileiro – Coordenação: Rúbia Mércia de O.Medeiros

08/11 às 16h30
A PANDEMIA DE COVID-19 COMO UM DISPOSITIVO PARA REPÚBLICA E VOLTEI!
Eduarda de Oliveira Figueiredo (UFMT)
Trata-se de analisar dois modos de representar a pandemia de Covid-19 realizados no Brasil na quarentena de 2020 pelos filmes República, de Grace Passô, e Voltei!, de Ary Rosa e Glenda Nicácio. Buscaremos destacar suas diferentes construções ficcionais e como essas maneiras de contar se relacionam com o tema da Covid-19, pelo fato de a pandemia ser um dispositivo de criação, que atravessa as suas formas, permitindo notar que o Brasil e seus processos históricos são tratados de diferentes modos.
Performer e persona: Teresa Cristina nas plataformas on-line
Welton Florentino Paranhos da Silva (ECA/USP)
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre o modo como o performer forja e articula uma persona pública na tarefa de estabelecer conexão com o público. A Persona é um dos elementos da atuação performativa que vem ganhando destaque, inclusive, por abarcar o trabalho de atores, cantores, performers, dançarinos e outros artistas. O estudo baseia-se na observação de transmissões ao vivo realizadas pela cantora e compositora Teresa Cristina em plataformas on-line durante a pandemia.
Cultura digital, pandemia e o cineclubismo conectado
Lucas Guimarães Blunck Schuina (Ufes)
Apresentamos os resultados parciais de uma pesquisa em andamento sobre as ações on-line de cineclubes do Espírito Santo durante a pandemia de Covid-19. Para isso, descrevemos brevemente o conceito de cineclube como espaço de “autoformação do público”, e apresentamos as reflexões de Bamba (2005) sobre cibercineclubismo e as análises de van Dijck (2013) sobre “cultura da conectividade”. Os dados empíricos incluem a identificação de 117 cineclubes capixabas, 26 deles com ações durante a pandemia.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 2- SOM, TERRITÓRIO E IDENTIDADE

08/11 às 16h30
Canto da Ceilândia: canções e paisagem nos filmes de Adirley Queirós
Manoel Adriano Magalhães Neto (USP)
Logo em seu primeiro curta, “Rap, o canto da Ceilândia”, o cineasta Adirley Queirós apresenta uma abordagem musical associada a questões como territorialidade e paisagem sonora a partir do ponto de vista de agente social no contexto da Ceilândia, no Distrito Federal. Estilo que foi consolidado nos anos seguintes em seus longa-metragens. Este trabalho objetiva analisar as canções e a paisagem sonora nos filmes de Adirley e como a construção de som do diretor articula uma narrativa local própria.
De Havana a Saigón: pontes sonoras no Noticiero ICAIC
Glauber Brito Matos Lacerda (UESB)
A comunicação apresenta uma análise da edição 444 do Noticiero ICAIC Latinoamericano, cinejornal oficial da Revolução Cubana. No referido número, o NIL celebra os feitos heróicos do Assalto ao Palácio Presidencial de Havana, em 1957, e a Ofensiva do Tet, em 1968, em Saigon. As transições sonoras entre imagens de Cuba e do Vietnã sugerem que os dois fatos históricos se figuram como duas batalhas de uma mesma guerra contra o imperialismo dos EUA.
Festival Panafricain d’Alger, de W. Klein, e a apoteose do som direto
Sérgio Puccini Soares (UFJF)
A comunicação pretende apresentar uma análise do documentário Festival Panafricain d’Alger, dirigido por William Klein em 1969, centrando a sua atenção no tratamento sonoro trabalhado no terço final do filme e que estamos chamando de apoteótico. Essa ideia é resultado de uma construção discursiva fortemente apoiada no papel da captação do som direto e que possui especial simbolismo se pensarmos no contexto histórico do filme em estreita relação com a evolução do estilo do documentário direto.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Direção de arte, objetos e imagem

08/11 às 16h30
Os postes: transcendência, natureza e técnica no cinema de Tarkovsky
Milena de Lima Travassos (UNIAESO)
Cenas dos filmes O Espelho, Stalker, Nostalgia e O Sacrifício, de Tarkovsky, marcadas pela aparição de postes, são “lidas” em uma tradução criativa em que se destacam as noções de espiritual, natureza, humano e técnica. Tal leitura se atém ao que é visível e confere linguagem às cenas; portanto, à presença da direção de arte enquanto procedimento criador de atmosferas. Nesse exercício de leitura, o pensamento de Benjamin, Agamben e Didi-Huberman, somaram-se ao de Inês Gil, e foram essenciais.
O objeto na imagética audiovisual
Luciana Bueno (FAU)
Quando se observa o fazer da direção de arte pelo ponto de vista da composição tridimensional e bidimensional é inevitável o encontro com o objeto. E afinal, do que é constituído o objeto cênico? Este trabalho propõe um olhar enviesado na direção das teorias do design, para determinar certas premissas de criação e realização do espaço cênico audiovisual.

MESA Mulheres no cinema de Eduardo Coutinho

08/11 às 16h30
Para Eduardo Coutinho, sua incontornável abordagem no feminino
Roberta Veiga (UFMG)
A proposta é retomar a obra de Eduardo Coutinho menos entusiasmada pelo cineasta – como os estudos da primeira década dos anos 2000 – mas por suas personagens. Levando em conta a peculiaridade de seu método de aproximação dos mundos filmados e de construção da cena documental, buscamos uma abordagem no feminino, a partir da qual as tantas mulheres presente nos filmes sejam vistas como protagonistas não apenas na mise-en-scène e na narrativa, mas na constituição do dispositivo do documentarista.
Mulheres de luta – a família de Elizabeth Teixeira
Cláudia Cardoso Mesquita (UFMG)
abeth Teixeira é, provavelmente, a principal personagem do cinema de Coutinho. Militante das Ligas Camponesas, seu protagonismo foi elaborado em Cabra Marcado para Morrer (1984). O exílio forçado a separou brutalmente de dez de seus filhos, durante 17 anos. Propomos abordar as aparições fílmicas de suas filhas e netas, de modo a examinar como, nas histórias dessas mulheres de outras gerações, as opressões patriarcais sofridas por Elizabeth se atualizam, mas também suas lutas e resistências.
O que a vida separa, o cinema encontra – mulheres de Araçás reunidas
Kamilla Medeiros do Nascimento (UFRJ)
Em O fim e o princípio (2005), Eduardo Coutinho visita moradores de Araçás, povoado do sertão paraibano. Dos personagens, este trabalho destaca as relações entre as mulheres, a maioria de idade já avançada, com exceção de Rosa, a mais jovem. Muitas delas não saiam mais de casa, não se viam há tempos, mas a cada relato, as lembranças e as saudades retornavam. Assim, temos interesse em comentar como o filme reaproxima essas mulheres e suas histórias de vida entre si, mas também com elas próprias.

ST Cinema Comparado – Sessão 2: Mãos à obra: a dança e o trabalho do corpo

08/11 às 16h30
Constelação fílmica dos musicais trabalhistas: corpo, trabalho e dança
Mariana Souto (UnB)
Esta apresentação busca exercitar o método comparatista das constelações fílmicas em um conjunto de filmes que chamaremos de “musicais trabalhistas”, filmes que o corpo do trabalhador dança. Observaremos as redes que se tecem entre A fábrica de nada (2017), Dançando no escuro (2000), Tempos modernos (1936) e Billy Elliot (2000). Desse exercício de análise, procuraremos enriquecer o método e refletir sobre as potencialidades e limites do cinema comparado.
Dance bem, dance mal, dance sem parar: Estética Disco.
Denilson Lopes Silva (UFRJ)
Como dialogar a disco e o audiovisual? Quando a disco se firma nas paradas de sucesso na segunda metade dos anos 1970, ela era vista como mero entretenimento. Curiosamente, houve alguns filmes, em geral comerciais, séries e mesmo um romance que não só utilizaram a disco como trilha sonora mas colocaram a discoteca como espaço cênico e dramático. Para compreender uma estética disco seria possível dialogar produtos culturais, artísticos e relatos etnográficos?
Mãos que se encontram: políticas de um motivo do cinema contemporâneo
Romane CARRIERE (ENS de Lyon)
O motivo das mãos que se encontram aparece em vários filmes contemporâneos. Transnacional e “transgenérico”, esse motivo nos permite esboçar vínculos entre filmes diferentes entre si. Veremos que esse motivo aparece num contexto contemporâneo onde os laços entre indivíduos estão amaçados. Trata-se de uma tentativa de (re)criar vínculo com os demais. Evidenciaremos as potências da descentralização e de reconfigurações políticas dos vínculos existentes permitidas por esse contato.

ST Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas – Sessão 2 | Produções e co-produções na América Latina

08/11 às 16h30
A coprodução entre países da América Latina no filme A Pele Morta
DENISE MORAES CAVALCANTE (UnB)
O presente trabalho pretende discorrer sobre o projeto de produção do filme “A Pele Morta” da empresa Araçá Filmes e sua proposta de integração latino-americana, com o intuito de refletir sobre a coprodução cinematográfica internacional na região e seus obstáculos na composição de parcerias financeiras, criativas e técnicas de uma obra de longa-metragem de ficção.
Padrões imagéticos e “pistas” narrativas em Narcos México
Anna Karolina Veiga Santa Helena (PUCRS)
Este trabalho tem como proposta testar uma metodologia de análise audiovisual a partir de fotogramas de episódios da série Narcos México. Com o objetivo de encontrar padrões imagéticos, foram escolhidos três episódios e extraídos 100 fotogramas de cada um. Em seguida, foi feita a análise, tendo como referência autores como Aumont e Marie (2009) e Manovich (2013). O estudo permitiu observar padrões dentro dos episódios e entre eles, bem como indícios do avanço da narrativa.
Outra História do Cinema
YANET AGUILERA VIRUEZ FRANKLIN DE MATOS (UNIFESP)
Aprender a tatear o que mal conseguimos enxergar apenas com o lusco-fusco do barroco penumbrista. sem o claro-escuro benjaminiano coalhado de brilhos estelares. Trata-se de analisar uma sequência de 3 filmes e uma performance filmada: O Descobrimento do Brasil, de 1936, de Humberto Mauro; Terra em Transe, de 1967, de Glauber Rocha; O Rei do Baralho, de 1974, de Júlio Bressane; e a performance Me Gritaron Negra, de 1960, performance de Victória Eugenia Santa Cruz, filmada por um anônimo.

CI 9 – Festivais e formação de plateia em circuitos regionais – Coordenação: Marília Xavier de Lima

08/11 às 16h30
Primeiro Plano: estudo do impacto do festival na produção audiovisual
Marília Xavier de Lima (UAM)
Essa comunicação busca realizar um estudo sobre o Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades com intuito de compreender seu impacto no campo da realização e formação de um ambiente audiovisual na cidade de Juiz de Fora e região da Zona da Mata e Vertentes. Criado em 2002, o festival é o mais longevo da região, mobilizando a circulação e produção de filmes na cidade, no estado e no país.
Festival de Cinema de Três Passos: um projeto de formação de plateia
Christian Jordino Antonio Ferreira Alves da Silva (FCA/UFMT)
Este trabalho pretende observar como as ações voltadas para a educação audiovisual, criadas pelo Festival de Cinema de Três Passos, contribuíram (e contribuem) para a formação de plateia na cidade e para o crescente número de produções locais a cada ano. Desde 2014, o FCTP acontece no Cine Teatro Globo, única sala de exibição em Três Passos, interior do Rio Grande do Sul, atraindo cineastas de várias partes do Brasil, com o intuito de interagir com o público durante a semana do evento.
Festivais de cinema de interior e sua relação com a comunidade local
Edsamy Dantas da Silva (UNICAP)
A presente pesquisa tem como objetivo apresentar a investigação de como um festival de cinema de interior pode gerar identificação cultural e movimentar a comunidade local, de forma democrática e acessível, tendo como estudo de caso o Circuito Penedo de Cinema. O resultado final reafirma as hipóteses de que o evento consegue despertar um sentimento de pertencimento cultural na população local, contribuindo com o desenvolvimento regionalizado do cinema, da cultura e da economia criativa.

CI 48 – Estudos sobre experiência e recepção – Coordenação: Antonio Carlos Tunico Amancio da Silva

08/11 às 16h30
A terra é redonda – Erasmus Mundus e as fronteiras do conhecimento
Antonio Carlos Tunico Amancio da Silva (UFF)
Três egressos de universidades brasileiras participam do Programa ERASMUS MUNDUS, de mobilidade acadêmica internacional. Sua experiência, vivida em três diferentes países, dá conta do amplo interesse pelo universo audiovisual e por diferentes perspectivas e modos de operação acadêmicas em sua formação. O trabalho pretende estudar e relacionar os documentos gerados por essas três trajetórias.
OCA-UFF: perspectivas para a divulgação de pesquisas em audiovisual
India Mara Martins (UFF)
A proposta desta comunicação é refletir sobre as perspectivas da divulgação científica para a área de cinema e audiovisual, a partir da experiência do Observatório de Cinema e Audiovisual da UFF. O OCA-UFF foi criado em 2021, no contexto da pandemia de Covid, num ambiente hostil, de menosprezo à ciência, à universidade e à cultura, para ser uma plataforma de divulgação das pesquisas do PPGCine. Atualmente, o projeto vem ganhando novas configurações e incorporando outras perspectivas, com a participação de discentes da graduação, de pesquisadores de outros programas de pós-graduação e profissionais da área. Mas a proposta inicial – democratizar o acesso à informação sobre as atividades e pesquisas da universidade na área de cinema e audiovisual – continua sendo o principal objetivo.
Perturbando a ausência. Experiências de Cinemas desde a UNILAB.
Francisco Levy Freitas Rafael (UFRJ)
Esta comunicação é uma contribuição ao movimento de reflexões e produções em torno da primeira década da criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Partindo do enorme local ocupado pela ausência de cursos nas áreas de Comunicação e Artes, apresentamos algumas experiências de perturbação. Produções, pesquisas e ações de distribuição que perturbam, lembram das importâncias e usos dos Cinemas, em escalas que vagueiam entre indivíduos e nações.

VII Fórum de Discentes de Pós-Graduação da SOCINE

08/11 às 18h00

EXIBIÇÃO DE FILMES DO CURSO DE CINEMA DA UNILA

08/11 às 18h00

Prêmio Socine de Teses e Dissertações

08/11 às 19h00

Lançamento de livros – Local: Auditório Martina, no Jardim Universitário – Unila

08/11 às 19h30

 
 

09/11


CI 20 – Reflexões sobre feminismo e audiovisual na América Latina – Coordenação: Yanara Cavalcanti Galvão

09/11 às 9h00
O cinema brasileiro contemporâneo por cineastas mulheres
Yanara Cavalcanti Galvão (UFF)
Nesse trabalho apresento uma pesquisa na sua fase inicial, que investiga o cinema brasileiro contemporâneo por cineastas mulheres. Nosso foco é uma realização fílmica documental marcada por diferentes modos de produção. Articulamos, para tanto, os processos criativos que envolvem as feituras de filmes com as políticas do audiovisual, impulsionadoras das realizações. A pesquisa volta-se para experiências locais, na dimensão territorial do estado de Pernambuco.
Práticas coletivas no cinema feminista latinoamericano
Maíra Tristão Nogueira (UFRJ)
Esse estudo pretende analisar como a construção de redes e a formação de coletivos de cinema feministas na América Latina foram fundamentais para uma nova escrita do cinema e um espaço de construção da epistemologia feminista. A partir de alguns coletivos de cinema e do pensamento de Donna Haraway refletimos nas práticas relacionais como o lugar que privilegia os saberes e práticas localizadas, que em rede, proporcionam transformações dos sistemas de conhecimento e nas maneiras de ver.
A luta anticolonial no cinema de realizadoras latino-americanas
Manuela Bezerra Gouveia de Andrade (UFF)
O presente trabalho contemplará a temática da luta anticolonial travada nas narrativas das diretoras latino-americanas Beatriz Pankararu em Rama Pankararu (2022), Claudia Huaiquimilla em Mala Junta (2016) e Marcela Said em El Verano de los pesces voladores (2013). Em concomitância a essa análise também será realizado um paralelo entre a luta presente nas narrativas dos longas-metragens e a batalha profissional das diretoras para produzirem e distribuírem os seus filmes.

ST Estudos do insólito e do horror no audiovisual – Sessão 3

09/11 às 9h00
Fazendo o diabo: o horror e o espectro da aids em “Espelho de carne”
Henrique Rodrigues Marques (UNICAMP)
Partindo das reflexões de Susan Sontag sobre as metáforas da aids (2007) e dos dados da pioneira pesquisa de Néstor Perlongher (1987) sobre a construção social da doença como motivo de pânico moral no Brasil, este trabalho pretende analisar como elementos do cinema de horror são utilizados no filme “Espelho de Carne” (Antonio Carlos Fontoura, 1985) para refletir a ansiedade causada pelo comportamento sexual dissidente na burguesia heterossexual nos primeiros anos da pandemia da aids.
O processo de censura ao Estranho Mundo de Zé do Caixão
Giancarlo Backes Couto (PUCRS)
Este trabalho faz parte da pesquisa de doutorado que busca investigar os relatórios de censura à filmografia de José Mojica Marins, produzidos pelo governo durante a Ditadura Civil-Militar (1964-1985). Essa apresentação visa analisar o processo do filme O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) e parte do pressuposto que os censores trabalhavam em uma lógica de defensores da sociedade (KUSHNIR, 2012) a partir de discursos sobre a anormalidade (FOUCAULT, 2010).
Um Italiano Perdido no Vale dos Dinossauros do Cinema Brasileiro
Tiago José Lemos Monteiro (IFRJ)
Perdidos no vale dos dinossauros é um filme italo-brasileiro de 1985, que intersecciona características do infame filão canibal com aspectos aventurescos, farsescos e eróticos. Rodado em terras brasileiras e contando com técnicos e elenco majoritariamente local, a obra é resultado de um contexto de produção no qual dinâmicas assimétricas de co-produção internacional ensejavam filmes perpassados por distorções, estereótipos e perspectivas ambivalentes sobre os corpos e paisagens em evidência.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 3

09/11 às 9h00
O griot vai ao cinema: as tradições orais nos filmes de Dani Kouyaté
Morgana Gama de Lima (UFBA)
Nas culturas africanas, o griot não é só um contador de histórias, mas um guardião das memórias de um país ou de uma família, funcionando como um meio de comunicação e compartilhamento de valores. Diante de lançamentos recentes como a série de curtas “African Folktales Reimagined” (Netflix e Unesco, 2023), essa comunicação busca trazer um retrospecto sobre a aproximação entre o cinema e as tradições orais africanas, especialmente a partir de dois filmes realizados pelo cineasta Dani Kouyaté.
SER “OUTRA-MENTE” EM “LINGUI” (2021): PRESENÇAS NUM “MUNDO IMPLICADO”
Henrique Nogueira Neme (PUC-SP)
Nesta comunicação, utilizo a “abordagem das extremidades” (MELLO, 2017) para analisar uma sequência do longa-metragem “Lingui” (2021) e seus procedimentos de produção de presença (GUMBRECHT, 2010). Depois, partindo da “poética negra feminista” (SILVA, 2019), proponho a reflexão: podem as obras cinematográficas, em sua experiência estética, evitar a distinção e separação do corpo racializado como um “outro” e materializar o emaranhado indistinto de um “mundo implicado” (SILVA, 2019)?
O Atlântico enquanto poética da morte em Mati Diop
evelyn santos sacramento (UFBA)
Os filmes Atlantique a Atantiques da cineasta franco-senegalesa Mati Diop, são separados por uma década desde o seu lançamento, ambos têm em comum o oceano enquanto metáfora da morte. O presente artigo traça um paralelo entre as aproximações e poéticas presentes na ficção e no documentário, partindo do oceano enquanto meio da ação colonial, e as novas colonialidades, através das migrações ilegais.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 3 – Curtas-metragens na história do cinema brasileiro

09/11 às 9h00
Películas Nahim Miana: desafios da pesquisa de uma coleção de filmes
Vanessa Maria Rodrigues (UFF)
Nahim Miana foi um cineasta doméstico que filmou em películas 8mm e 16mm cenas do cotidiano em família ao longo das décadas 1940 a 1970. No ano 2000, ele doou 34 películas para a Funalfa, em Juiz de Fora (MG). Esse conjunto de filmes ficou no local até 2022, quando foi firmado um convênio com o LUPA-UFF para a revisão, análise e catalogação dos rolos. Nesta comunicação, apresentaremos os resultados do trabalho teórico-prático de investigação do conteúdo fílmico e de preservação dessa coleção.
Cinema amador em Goiás: enquanto tudo começou.
Lara Damiane de Oliveira Estevão (UFG)
Na escrita da história do cinema goiano, o longa-metragem ficcional tem sido a fonte principal para determinar a existência do cinema em Goiás. Sendo assim, o cinema no estado nasce na década de 1960, com O Ermitão de Muquém, filme não concluído de Cici Pinheiro. Este trabalho, através de uma revisão da historiografia do cinema goiano e da análise de fontes hemerográficas, investiga como esquemas de produção de cinema amador também se atestaram em Goiás nos anos 60.
A renovação do curta-metragem: um debate a partir do cinema gaúcho
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)LUCAS FURTADO ESTEVES (UFRGS)
Por muitos anos intitulada como a “terra do curta-metragem”, os realizadores gaúchos buscavam no formato longa a profissionalização da sua carreira. Nas últimas duas décadas, essa percepção mudou e o curta foi deixando de ser apenas um “formato de entrada” para se constituir numa produção com seus próprios méritos e reconhecimentos. A proposta desta apresentação, portanto, é discutir o lugar do curta-metragem na produção cinematográfica gaúcha, a partir dos anos 2000.

MESA Cinema na educação: conhecer/narrar o mundo desde outras perspectivas

09/11 às 9h00
Filmes- carta como produção de memória e acervo sobre as escolas
caroline montezi de castro chamusca (UFRJ)
Criar filmes-cartas em escolas, além de atuar como dispositivo pedagógico, é uma forma de documentar esses espaços, em uma perspectiva afetiva e ensaísta. A proposta é viabilizar um espaço de enunciação através de cartas audiovisuais realizadas por estudantes e trabalhadores dessas instituições a fim de promover a criação de um acervo que documenta perspectivas diversas de sujeitos que habitam cotidianamente esses espaços.
A criação fílmica sob a perspectiva da prática artística escolar
Luciano Dantas Bugarin (UFRJ)
A criação fílmica pode ser utilizada de forma significativa como prática artística no ensino de arte. Estimular a atividade cinematográfica em diálogo com a fruição de filmes promove um aprendizado artístico mais envolvente e significativo. A relevância da criação fílmica escolar reside no processo sensível da materialização da criação mental do aluno, que se concretizará na exibição do filme. A criação fílmica contém um aspecto lúdico que conduz o aprendizado de maneira sensível e emancipadora.
Ensaios com Agnès Varda: abrir horizontes na docência com as imagens
Karine Joulie Martins (UFSC)
O que os filmes-ensaio de Agnès Varda podem nos revelar sobre a docência que se aventura no trabalho com cinema em contextos educativos? A partir de discussões apresentadas em uma pesquisa desenvolvida em um doutorado, esta comunicação aborda a potência do encontro de subjetividades no cinema e na docência em uma oficina on-line, culminando na construção de técnicas para “narrar a si mesma” diante de um contexto que impõe uma suposta isenção/neutralidade nos processos de ensinar-aprender.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Sessão 2

09/11 às 9h00
Roteiro colaborativo: Chytilová, Krumbachová e Kucera
Esther Hamburger (USP)
Esse trabalho discorre sobre a co-criação do roteiro de As Pequenas Margaridas (Vera Chytilová, 1966), com a participação da diretora, da diretora de arte e figurinista e do co-diretor de arte e fotógrafo. A partir de pesquisa relacionada a bolsa de Bepe Fapesp 2022/04554-0 de Luiza Wollinger Delfino nos acervos da Cinemateca Tcheca, nosso texto colaborativo discute o processo colaborativo do roteiro e seu potencial de estimular a experimentação.
O roteiro no cinema documentário: da impossibilidade à imaginação
Rafael de Almeida (UEG)
Pretendemos refletir sobre a escrita audiovisual em filmes documentais, buscando discutir a ideia de que o documentário seria acompanhado da impossibilidade do roteiro, conforme Comolli. Nos interessa reconhecer as formas de criação textual que antecedem a realização de obras não-ficcionais, assumindo a ausência de controle absoluto como condição para o exercício de escrita e para a invenção de mundos que dialogam criativamente com a realidade, a partir da noção de roteiro imaginário de Guzmán.
A partilha subjetiva: estratégias de modulação na escrita do roteiro
Vicente Nunes Moreno (UNISINOS)
Debateremos o que chamamos de partilha subjetiva: o quanto o Narrador compartilha de conhecimento, visão e audição com o Personagem. Partindo dos conceitos de focalização, ocularização e auricularização de Genette/Jost, e pinçando O Quarto de Jack como caso, propomos um deslocamento do olhar teórico usual a essa problemática, incluindo na análise não só o texto fílmico, mas também o roteiro e o livro que o originaram. O objetivo é entender essa modulação como processo consciente de escrita.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 3

09/11 às 9h00
Dança do arquivo: notas sobre repetição e violência em “Tekoha”
Nicholas Andueza (UFRJ e PARIS 1)Alexandre Wahrhaftig (USP)
Em “Tekoha” (2022), Carlos Adriano retoma imagens feitas por membros do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul em 2021-22. Eles registram práticas criminais por agentes privados que ateiam fogo em casas e os ameaçam. O filme fragmenta e repete as imagens; retrabalha visualmente a violência desses arquivos. Tais procedimentos, em diálogo com um certo cinema experimental, habilitam o próprio cinema como ritualística do arquivo, desviando esse meio, em parte, de suas funções colonialistas.
Vestuário e produção de diferenças em dois filmes de Lucchi/Gianikian
Ilma Carla Zarotti Guideroli (Unifesp)
O trabalho analisará trechos dos filmes “Imagens do Oriente – Turismo Vândalo” (2001) e “País Bárbaro” (2013), dos realizadores italianos Angela Ricci Lucchi e Yervant Gianikian, no que diz respeito às vestimentas sob o seguinte argumento: se as roupas podem servir tanto como marcadores de diferenças quanto acentuadores de homogeneização, mostraremos como a montagem insere torções em ideais ocidentais fortemente colonialistas de subjugação, tais como as noções de civilização e progresso.
Videoarte: obsolescência e remasterização
Mario Caillaux Oliveira (UNB)
Neste artigo investigaremos como, quase cinquenta anos após a criação das primeiras obras de videoarte no Brasil, a obsolescência da tecnologia acaba, em alguns casos, dificultando o acesso a esses trabalhos, enquanto em outros, a remasterização desses filmes – e consequentemente a mudança de seu suporte original – acaba alterando os seus modos de exibição e recepção.

MESA Gestos de Montagem nas Artes Audiovisuais

09/11 às 9h00
Os Gestos de Montagem em Obras Audiovisuais de Realidade Virtual
Caio Victor da Silva Brito (UFC)
Sendo a montagem o principal meio de construção da narrativa audiovisual, propomos discutir como se dão os gestos de montagem (SZAFIR, 2014) em obras imersivas para realidade virtual (VR). Tendo em vista a experiência do público na VR, as técnicas tradicionais de montagem não se aplicam da mesma forma. Discutiremos a relação entre imersão, montagem, e interatividade como guias ao olhar do espectador: como realizadores projetam (to design) suas composições em VR.
Polifonias na montagem: das artes audiovisuais em Israel
MILENA SZAFIR (UFCE)
Calem as obras audiovisuais israelenses…? No momento em que subscrevo-me no XXVI Encontro SOCINE, quatro ou cinco situações perpassam a cultura de um pequeno país incrustado no Oriente Médio: (1)manifestações democráticas em frente à Knesset e além; (2)YomHashoá; (3)YomHazikaron; (4)YomHaatzmaut e, em 2023 ocorre mais outra lembrança, (5)os 75 anos da permissão ocidental à existência de um Estado Judeu no mapa mundi. Mas, qual a relação destas com a questão da montagem audiovisual nas artes?
Entre a montagem audiovisual e a fotografia cinematográfica
Rister Saulo Machado Rocha (UFC)
O filme “Footnote”, apresenta uma estética que mescla elementos do cinema clássico e moderno, utilizando técnicas de fotografia e montagem que evidenciam a sua própria construção audiovisual. Minha apresentação trará trechos da pesquisa no mestrado, onde vislumbramos como esta produção adota uma identidade visual que remete tanto à película das fichas de leitura dos manuscritos estudados pelos próprios personagens da obra quanto uma estética em split screen através da arte em motion design.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 3 – Cinematografias e plasticidades

09/11 às 9h00
A plasticidade e o sensível em ‘Serras de desordem’ (2005)
Felipe Corrêa Bomfim (UFMS)
Este estudo apresenta os desdobramentos do uso da encenação na direção de fotografia do documentário Serras da desordem (2005), de Andrea Tonacci. Acionamos os aspectos plásticos da obra, em constante diálogo com as práticas de encenação, a fim de notarmos o impacto da exploração do sensível na tela, que materializa a construção das camadas do tempo e da memória na subjetividade de Carapiru e o ambiente ao seu redor.
A plasticidade fotográfica de Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades
Julianna Nascimento Torezani (UESC)
O filme Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades, dirigido por Alejandro González Iñárritu (2022), apresenta Silverio Gacho, documentarista mexicano, que mora nos Estados Unidos, mas retorna ao México por conta de uma premiação. O trabalho busca analisar os elementos da cinematografia utilizados para narrar de forma visual a jornada do protagonista. A análise das imagens indica que a direção de fotografia foi elaborada para acentuar as emoções, os medos, a intimidade e a identidade de Silverio.
Fronteira imagética: A estética fílmica de O homem das multidões
Guilherme Augusto Bonini (UNESP – FCL)
Nesta comunicação procura-se investigar a composição fílmica no processo de transposição da escrita literária para a linguagem cinematográfica de O homem das multidões (2013). A partir de análise fílmica e entrevista com os diretores Cao Guimarães e Marcelo Gomes, objetivamos compreender sua estética cinematográfica, propondo pensar na construção de uma unidade de sentido que aborda a solidão como tema de sua significação.

CI 3 – O discurso da crítica sobre o cinema brasileiro – Coordenação: Rafael Oliveira Carvalho

09/11 às 9h00
Andrea Ormond leitora de Walter Hugo Khouri: a crítica como descoberta
Rafael Oliveira Carvalho (UNEB)
A partir dos ensaios-críticos de Andrea Ormond sobre os filmes de Walter Hugo Khouri em seu blog Estranho Encontro, pretendemos fazer um resgate da obra khourina pelas mãos de uma reconhecida conhecedora do cinema brasileiro e grande admiradora do cinema do diretor paulista. Tal proposta intenta não apenas lançar luz sobre o cinema de Khouri, mas também entender a importância de um olhar crítico para revitalizar e despertar o interesse sobre a historiografia clássica do cinema brasileiro.
O discurso da mídia brasileira do filme Quilombo em Cannes.
Rafael Garcia Madalen Eiras (UFF)
O trabalho analisa a repercussão nos periódicos liberais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, da estreia em Cannes do filme Quilombo (1984), de Carlos Diegues. A obra é pensada como reflexo estético da realidade social, do contexto cultural e político do período de reabertura democrática.
A retórica sobre o cinema nacional nos textos de Merten
Gilmar Adolfo Hermes (UFPel)
Em análises semióticas de doze reportagens do crítico de cinema Luiz Carlos Merten, publicadas no jornal O Estado de S. Paulo, entre os anos de 2018 e 2019, observa-se os procedimentos retóricos do jornalista, nos signos que revelam como o autor estabelece formas de identificação com o público leitor. Essas características foram analisadas em um leque de publicações representativo dos filmes brasileiros presentes nas salas de exibição paulistanas e brasileiras do período.

CI 7 – Ficcionalização e real no cinema contemporâneo – Coordenação: Mariana Dutra de Carvalho Lopes

09/11 às 9h00
A FICCIONALIZAÇÃO DO REAL NO FILME “TEMPORADA”, DE ANDRÉ NOVAIS
Mariana Dutra de Carvalho Lopes (UFMG)
As produções de novos autores provocam reflexões sobre suas linguagens. Objetiva-se aqui uma análise do filme Temporada (2019) voltada para os efeitos criados pela sua forma de narrar a história. Parte-se de conceitos de encenação e considera-se questões relativas a roteiros de filmes autorais e criação de significados no cinema. Conclui-se que Temporada constrói a encenação a partir da ficcionalização da realidade, criando significados para as personagens a partir dos espaços da cidade.
Mundos Possíveis e o Carma da Imagem: dois filmes de Hong Sang-soo
Pedro Henrique Villela de Souza Ferreira (PPGCINE-UFF)
O presente trabalho procura analisar os filmes Certo Agora, Errado Antes (2015) e Você e Os Seus (2016), do diretor sul-coreano Hong Sang-soo, à luz das ferramentas literárias disponibilizadas pela teoria dos mundos possíveis. Discutindo qual é este manancial e como a interpretação cinematográfica pode se aproveitar dele para superar amarras da semiologia, a pesquisa assume o ponto-de-vista de que os saltos ontológicos no cinema de Hong são melhor compreendidos como atos de re-ficcionalização.
Ali G e Philomena Cunk– O mockumentary como desafio à autoridade
Brian Hagemann (UTP)
Este estudo analisa as séries de mockumentary “Da Ali G Show” e “O Mundo de Philomena Cunk” através dos conceitos de documentário por Bill Nichols Fernão Ramos, Craig Hight e Jane Roscoe. Essas séries de são consideradas importantes para os estudos de Cinema devido aos seus usos irônicos da linguagem documental. “Da Ali G Show” questiona os limites éticos da representação. “O Mundo de Philomena Cunk” satiriza documentário educativos, ridicularizando a noção de narrador onisciente.

MESA LabArteMídia: realização de filmes em 360 e em Realidade Virtual

09/11 às 9h00
LabArteMídia: realização de filmes em 360 e em Realidade Virtual
Lyara Luisa de Oliveira Alvarenga (ECA/USP)
Apresentação audiovisual de filmes 360º/VR, em performance, das criação e pesquisa cinematográficas e audiovisuais de narrativas imersivas em realidade virtual, X-Reality e tecnologia de filme em 360º, desenvolvidas pelo LabArteMídia – Laboratório de Arte, Mídia e Tecnologias Digitais, do CTR e ao PPGMPA da ECA/USP. Estarão em foco conteúdos originais do LabArteMídia, com ênfase nas pesquisas que abordam poética, técnica e estética de procedimentos cinematográficos e audiovisuais de inovação.
LabArteMídia: realização de filmes em 360 e em Realidade Virtual
Deisy Fernanda Feitosa (CÁSPER LÍBERO; USP)
Apresentação audiovisual de filmes 360º/VR, em performance, das criação e pesquisa cinematográficas e audiovisuais de narrativas imersivas em realidade virtual, X-Reality e tecnologia de filme em 360º, desenvolvidas pelo LabArteMídia – Laboratório de Arte, Mídia e Tecnologias Digitais, do CTR e ao PPGMPA da ECA/USP. Estarão em foco conteúdos originais do LabArteMídia, com ênfase nas pesquisas que abordam poética, técnica e estética de procedimentos cinematográficos e audiovisuais de inovação.
LabArteMídia: realização de filmes em 360 e em Realidade Virtual
ALMIR ANTONIO ROSA (USP)
Apresentação audiovisual de filmes 360º/VR, em performance, das criação e pesquisa cinematográficas e audiovisuais de narrativas imersivas em realidade virtual, X-Reality e tecnologia de filme em 360º, desenvolvidas pelo LabArteMídia – Laboratório de Arte, Mídia e Tecnologias Digitais, do CTR e ao PPGMPA da ECA/USP. Estarão em foco conteúdos originais do LabArteMídia, com ênfase nas pesquisas que abordam poética, técnica e estética de procedimentos cinematográficos e audiovisuais de inovação.

CI 13 – Cinema brasileiro e questões políticas – Coordenação: Karla Holanda

09/11 às 9h00
Estratégias da extrema direita no audiovisual brasileiro
Karla Holanda (UFF)
Embora não sejam novidade na história brasileira, produções audiovisuais alinhadas à extrema direita têm se proliferado nos últimos anos. Compreendendo que é fundamental conhecer aspectos dessas obras para uma sociedade minimamente saudável, esta comunicação investiga algumas de suas características, identificando como elas buscam se legitimar e quais estratégias usam para propagar seus ideários, em especial os antifeministas.
Olhar gauche sobre a história: Silvio Tendler e a Ditadura Militar
Flávia Seligman (Sem vínculo)
Este trabalho faz um recorte na obra do cineasta Silvio Tendler, os filmes que tratam da Ditadura Militar Brasileira. Como Tendler afirma em entrevistas e debates e com base na sua própria produção, todos seus filmes possuem um viés político, social. Na intenção de constituir uma análise mais específica, escolhemos, entre filmes e séries pontuais, que centram numa figura pública , como Jango e Mariguella, e outros mais abrangentes que retratam um grupo social, profisional ou uma geração.
A ESQUERDA EM TRANSE: VIOLÊNCIA E FASCISMO NO CINEMA BRASILEIRO
IVAN CAPELLER (UFRJ)
Uma análise comparativa de dois filmes brasileiros, “Terra em Transe”, de Glauber Rocha (1967) e “Bacurau”, de Kléber Mendonça (2019), para tentar entender os motivos da impotência da esquerda não só diante do golpe de 2016, mas também diante da eleição presidencial fraudada de 2018. Ao examinarmos as diferenças entre esses filmes – particularmente no que diz respeito à recepção do público brasileiro de esquerda ontem e hoje – esboça-se um retrato da esquerda brasileira em estado de transe.

CI 50 – Identidade e alteridade – Coordenação: José Augusto Lobato

09/11 às 9h00
Identidade, modernidade e experiência em “Os Banshees de Inisherin”
José Augusto Lobato (USJT)
Este trabalho discute a relação entre midiatização, identidade e experiência na modernidade com base na narrativa de “Os Banshees de Inisherin” (2022, dir. Martin McDonagh). Por meio de autores como Benjamin (1996), Flusser (2007; 2008) e Giddens (2022), analisamos a abordagem da guerra civil irlandesa e a crise do personagem Colm (Breendan Gleeson) como sintomas da crise de experiência benjaminiana, marcada pela cultura vicária e pela profusão de representações de identidade e alteridade.
Ressujeitando o cinema: o ato de criação queer em Bixa Travesty
Daniel Oliveira Silva (UBI)
Pensar em um cinema queer é refletir sobre como o audiovisual, com suas estratégias estético-narrativas, pode contribuir para uma proposta antinormativa de gênero e sexualidade. Partindo da noção de que uma série de filmes contemporâneos tem concretizado esse propósito por meio da encenação de um ato de criação queer (SILVA, 2021), esta comunicação busca identificar esse ato na performance estético-político-corporal da cantora Linn da Quebrada no longa Bixa Travesty.
Imagens do operário no cinema brasileiro: Montagens de recorrências
MAURICIO VASSALI (PUCRS)
O trabalho apresenta a construção metodológica de uma pesquisa sobre imagens do operário no cinema brasileiro. Desenhada com o intuito de localizar e compreender como tais sobrevivem e se atualizam, a pesquisa fez uso de montagens de recortes pertencentes a obras realizadas nos períodos de 1978-1983 e 2015-2020. Pelas afinidades visuais e pelo choque temporal, foram propostas reflexões a partir do presente da pesquisa, dos filmes e da realidade do operário nos períodos estudados.

ST Festivais e mostras de cinema e audiovisual – Sessão 3 – Mostras e festivais da perspectiva das mulheres

09/11 às 9h00
Inventar Cenas- experiência de curadoria da Mostra Cine Caratapa
Rúbia Mércia de O.Medeiros (PPGCOM/UFC)
Esta proposta nos apresenta a experiência da Mostra Cine Caratapa, realizada em março de 2023 na cidade de Fortaleza/CE e que teve como proposta um recorte de filmes realizados por mulheres nas principais funções do cinema; produção, realização, som, montagem, fotografia e direção de arte. O desenho da mostra teve como aposta a exibição de filmes cearenses contemporâneo na perspectiva de produções audiovisuais de mulheres cis e trans, travestis, pessoas não-binárias e trans-masculinas.
Los festivales latinoamericanos de cine de mujeres: Equis – Ecuador
Maria Camila Osorio Ortiz (Unila)
El presente artículo, a partir del Equis Festival de Cine Feminista de Ecuador – EFCFE, pretende pensar los festivales latinoamericanos de cine de mujeres o de cine femenino como espacios de colectividad generadores de encuentros y re-existencias del cine feminista, articulando esa discusión con los Films Festival Studies y con los feminismos en perspectiva decolonial, a partir de la Historia Oral.

CI 49 – Marcas autorais – questões estéticas – Coordenação: Marcelo Carvalho da Silva

09/11 às 9h00
O ato autoral: notas em prol da reavaliação da autoria no cinema
Marcelo Carvalho da Silva (PPGCOM/UTP)
Esta comunicação apresenta, no âmbito da Teoria de Cineastas, um deslocamento na problemática do autor, afirmando o que ora chamamos de ato autoral. Ao considerar cineasta todo aquele que contribui para o filme, a Teoria de Cineastas afirmaria o ato autoral de pensamento, instância não necessariamente artística que se afasta da procura das marcas autorais do cineasta-autor, apanágio da Teoria do Autor. A proposta considera ainda o problema do filme como pensamento sem pensador e sem autoria.
O artesão e os marmelos: sobre um filme de Víctor Erice
Marcel Gonnet Wainmayer (PPGCV)
O filme El sol del membrillo (Espanha, 1992), realizado por Víctor Erice, retrata a experiência do pintor espanhol Antonio López García, os métodos, as tentativas e os fracassos do artista ao dedicar-se a registrar as mutações da realidade. O filme encarna um processo de “consciência sobre os materiais”, nos termos propostos por Richard Sennett, e sugere também uma reflexão sobre os aspectos artesanais que podem ser encontrados no cinema.
A tecnostalgia em Os Jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida
Mariana de Paula Costa (PUC Rio)
Discutimos a noção de tecnostalgia como uma reminiscência carinhosa sobre tecnologias ultrapassadas, que inspira a reutilização de equipamentos considerados obsoletos e a atração por suas estéticas. Em um estudo de caso, nos debruçamos sobre o filme Os Jovens Baumann (2019), de Bruna Carvalho Almeida, feito com filmadoras VHS, investigando como a nostalgia se traduz enquanto forma, ou seja, de que forma ela pode ser instrumentalizada através dos aspectos técnicos-estéticos e narrativos da obra.

MESA Políticas feministas e mulheres em cena: entre o público e o privado

09/11 às 11h00
A participação das mulheres no cinema militante
Julia Gonçalves Declié Fagioli (UFJF)
A partir de um recorte histórico e geográfico do cinema militante e engajado produzido nos anos 1960 e 1970, propomos analisar Quando as mulheres se revoltam (René Vautier, 1977). Nosso objetivo é compreender de que maneira o realizador registra o engajamento das mulheres, qual era sua realidade e o que reivindicavam. No caso dos homens operários, sua militância diz respeito às questões ligadas à fábrica e à rua, durante as manifestações e assembleias. Para as mulheres, o privado é político.
Da casa para rua: “Minha história é outra” e “Quebramar”
Natália Marchiori da Silva (UFMG)
Em alguns filmes brasileiros contemporâneos realizados por mulheres, percebe-se que o gesto cinematográfico das diretoras e as histórias pessoais retratadas estão tensionando as divisões entre o espaço doméstico e o público. Acredita-se que esta característica, em alguns casos, é construída por meio de cenas situadas em espaços entre o dentro e o fora, como a laje, a janela e a porta. Propomos analisar de que forma essas cenas operam em dois curtas-metragens: Minha história é outra e Quebramar.
Diálogos entre Camille Billops e Yvonne Rainer
Carla Italiano (UFMG)
A comunicação visa estabelecer relações entre as estéticas feministas de dois longas autobiográficos realizados no mesmo contexto, nos EUA: Procurando Christa (1991), de Camille Billops, e Privilégio, de Yvonne Rainer (1990). A investigação busca aproximar as duas formas de experimentação com os sons e as imagens a partir do diálogo entre o cinema e as outras artes; e interpelar como cada filme elabora as diferenças entre as mulheres retratadas, especificamente sob um enquadramento racial.

ST Estudos do insólito e do horror no audiovisual – Sessão 4

09/11 às 11h00
Narrando o inenarrável, descrevendo o indescritível: A cor que caiu do
Adérito Schneider (IFG)
Como narrar o inenarrável e como descrever o indescritível? Ao comparar o conto “A cor que caiu do espaço” (1927), de H. P. Lovecraft, com o filme A cor que caiu do espaço (Richard Stanley, Color out of space, 2019), a proposta é analisar escolhas estéticas do filme para representação de cor e sons indescritíveis, além de comparar a construção de personagens e estratégias narrativas na obra literária e cinematográfica a partir de uma provável misantropia lovecraftiana diante do horror cósmico.
TOMEM SEUS LUGARES À MESA! Sobre a lesbiandade na FC brasileira
Carolina de Oliveira Silva (Unicamp)
Este artigo pensa a lesbiandade nos filmes Bacurau (2019), Medusa (2021) e Mato seco em chamas (2022), partindo da hipótese de que tal recorte, entremeado às produções que flertam com a ficção científica, podem promover diferentes elaborações sobre a “estraga-prazeres feminista” (AHMED, 2020). Assim, utilizo autoras que dialoguem com a in/visibilidade lésbica no cinema (BRANDÃO; SOUSA, 2019) e as representações femininas na FC brasileira (GINWAY, 2005).
Renovar o insólito e o público: a cena de filmes de gênero de Toulouse
Ana Carolina Bento Ribeiro (N/A)
Neste trabalho, exploraremos como o cenário cinéfilo de Toulouse abriu as portas para o festival Grindhouse Paradise e como este se situa em relação a outros eventos voltados aos cinemas do insólito. Partindo de debates em torno da cinefilia, da economia do cinema e das evoluções do insólito cinematográfico, nosso objetivo é esclarecer de que forma eventos e produção alimentam-se mutuamente promovendo a renovação dos códigos dos cinemas do insólito e de seu público.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 4

09/11 às 11h00
Escrevivências audiovisuais: narrativas negras e periféricas no cinema
Luz Mariana Blet (UFSC)
Neste artigo, discorro sobre a produção audiovisual de coletivos negros e periféricos e a importância do cinema independente como espaço de disputa por novas narrativas e construção de identidades. Na pesquisa, procuro abordar tais produções audiovisuais a partir do conceito de Escrevivências, proposto pela linguista e escritora Conceição Evaristo, ou seja, como narrativas ficcionais que remetem a experiências coletivizadas afrodiaspóricas.
Grace Passô, o surrealismo e nós
tatiana a c costa (UFMG)
Neste trabalho, recupero a discussão de Suzanne e Aimé Césaire a respeito do Surrealismo, associando ao pensamento de outros autores antilhanos e a pensadoras negras brasileiras e de outras diásporas Afro-Atlânticas como Dionne Brand, Lélia Gonzalez e Maria Beatriz Nascimento, para dar conta da pujante obra audiovisual de Grace Passô. A análise centra-se no projeto Ficções Sônicas.
Marte Um e M8 Estética e Fotografia Negra
Matheus Jose Vieira (UFSCar)
A presente comunicação tem como objetivo destacar a relação entre os estudos intermidiáticos e a respresentação estética do negro no cinema no que consiste a exposição, contraste e tratamento da cor. Ao longo do desenvolvimento tecnológico da indústria cinematográfica a pele negra foi sendo ignorada na escalada de câmeras e aparatos para calibragem de cor, assim como no desenvolvimento estético que registre e exiba artisticamente nuances e texturas de tons escuros de pele.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 4 – Novas perspectivas historiográficas

09/11 às 11h00
Panorama histórico dos 50 anos da animação em Pernambuco
Marcos Buccini Pio Ribeiro (UFPE)
O presente trabalho descreve a evolução dos primeiros 50 anos da animação em Pernambuco, com foco nos fatores tecnológicos e mercadológicos desta produção. Descreve-se o papel da tecnologia do Ciclo do Super-8, passando pelo vídeo analógico, até chegar a tecnologia digital. No aspecto mercadológico, aborda-se as iniciativas que formaram os primeiros profissionais e as circunstâncias de realização de filmes e séries, que ajudaram a tornar Pernambuco um grande polo de produção de animação no país.
Debates sobre legitimidade de autoria e representação social e racial
Mariana Queen Ifeyinwaeze Nwabasili (USP)
Propõe-se uma reflexão sobre a existência de relações entre os debates sobre representação social e os debates sobre representação racial tornados públicos ao longo da história do cinema nacional e o entendimento desses debates como parte de uma historicidade dos Estudos de Cinema Negro Brasileiro, campo heterogêneo que vem se consolidando historicamente a partir de verificáveis e disputadas produções de pessoas negras na crítica de filmes, no âmbito acadêmico e também na curadoria de festivais.
Vianinha, roteirista de cinema
Reinaldo Cardenuto Filho (UFF)
Para além de escritor teatral e televisivo, Vianinha também atuou como roteirista de cinema. Entre 1971 e 1975, seus roteiros originaram filmes como Em família e O casal. Em comum entre eles, a tentativa de Vianinha em adaptar textos que escreveu para outros meios artísticos. A descoberta de um roteiro inédito do autor, em torno de sua peça Corpo a corpo, é mais um item desta história não contada: o deslocamento de dramaturgos comunistas para o campo cinematográfico no decorrer dos anos 1970.

MESA NOSotras: políticas e pedagogias vizinhas dos cinemas nas escolas

09/11 às 11h00
Miradas de lo escolar en el cine realizado por niñxs
Debora Nakache (UBA)
Desplegaremos algunas referencias de nuestra investigación en curso, que procura describir la singularidad de la mirada infantil acerca de lo escolar, en el marco de la experiencia de hacer cine en la escuela. Nos interesa cómo el advenimiento de niñxs-cineastas en el escenario escolar permite interpelarlo. Inventar ciertos regímenes de visibilidad que renuncian a naturalizar lo obvio de la maquinaria escolar, además de resultar una formación estética, se transforma en una apuesta política.
CINEMA NA ESCOLA EM TEMPOS DE EDUCAÇÃO DIGITAL.
Adriana Mabel Fresquet (CINEAD/UFRJ)
Em tempos de Educação Digital (Lei 14355/23) ver, produzir e compartilhar audiovisual é uma prática habitual que nem sempre é segura, crítica e criativa. A precariedade da Lei Geral de Proteção de Dados, (13907/18), nos deixa expostos como indivíduos e sem soberania digital. O cinema pode entrar na escola (Lei 13006/14) descontinuando o capitalismo da vigilância e da informação, garantindo espaços e tempos para o encontro analógico e digital entre pessoas, artes e saberes.
La producción audiovisual del Estado argentino para la educación
MARIA SILVIA SERRA (UNR)
En la Argentina es posible reconocer dos momentos centrales en la producción de audiovisuales con fines educativos por parte del Estado: el programa Cine Escuela Argentino (1948-1955) y los canales Encuentro y PakaPaka (desde 2004 hasta nuestros días). Se abordan las especificidades de cada una de estas políticas, las miradas que cada una de ellas construye para las infancias, y el modo en que se articulan con el sistema educativo.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Sessão 3

09/11 às 11h00
A criação de histórias condicionada pela realização universitária
Cíntia Langie Araujo (UFPel)
A proposta desta pesquisa é compartilhar peculiaridades do circuito de aprendizagem de roteiro no curso de Cinema e Audiovisual da UFPel, a partir de uma limitação e um foco: escrever dentro de um limite estabelecido de páginas, com a condição de ser algo possível de ser filmado de forma artesanal. O objetivo é investigar como alguns dispositivos pedagógicos de um curso superior de cinema direcionam a criação de histórias para audiovisual.
O que Sartre pode nos ensinar sobre criação de personagens
Joanise Levy (Jô Levy) (UEG)
Este estudo objetiva fazer o cotejo de princípios do existencialismo e certa concepção de personagem ficcional. O texto O existencialismo é um humanismo, escrito pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre, é colocado em diálogo com obras bibliográficos adotados na formação de roteiristas. Tal estratégia se orienta na perspectiva de investigar referenciais teóricos não exclusivos dos estudos de roteiro, no intuito de identificar contribuições conceituais e metodológicas convergentes.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 4

09/11 às 11h00
O corpo despido de imagem: a estranha homenagem de Warhol a Paul Swan
João Vitor Resende Leal (Unicamp)
A partir de uma leitura do filme Paul Swan (Andy Warhol, 1965), buscaremos refletir sobre a articulação entre corpo e imagem no meio audiovisual. Ao registrar a performance daquele que, um dia, havia sido o homem mais bonito do mundo, a câmera de Warhol revela, em primeiro lugar, um corpo envelhecido, numa estranha homenagem ao performer. Com isso, ela instiga o espectador a se questionar sobre os limites do corpo filmado nos termos de sua presença como “corpo-imagem”.
O vestígio em um traçado: o “desenho” em Jonas Mekas
Lucca Nicoleli Adrião (UFPE)
Propõe-se averiguar a pertinência de uma noção de “desenho” na discussão do cinema de Jonas Mekas. Sustentando a ideia de que seus filmes-diário atuam como suporte de reserva para a memória do próprio gesto produtivo da mão do artista com a sua câmera, vislumbra-se identificar onde se situam as marcas de produção artística no corpo dessa obra, como também enquadrar a prática de Mekas enquanto uma manufatura artesanal de imagens.
Memória incandescente: montar os arquivos em decomposição
Alexandre Kenichi Gouin (UFRJ)
Pretendemos apresentar no trabalho da dupla de cineastas italianos Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi uma abordagem dos documentos da história ancorada na sensação. Alegoria de um passado inalcançável e que nos escapa, a decomposição física da imagem nos alerta sobre o apagamento da memória e dos rastros da história. Ao colocar em primeiro plano a dimensão material da imagem deteriorada, os artistas criam as condições de uma relação sensorial com a superfície do fotograma.

MESA Montagem e experiências de inclusão e colaboração

09/11 às 11h00
Uma cidade em montagem
ana rosa marques (UFRB/UFF)
Viver em um novo território estimula os alunos de um curso de cinema a expressar a experiência. Com foco especial na montagem, pretendemos analisar como são criados formas e sentidos em seus filmes. Como são trabalhados tanto os aspectos físicos da cena quanto a ação das pessoas diante da câmera? Como essas escolhas e combinações também revelam ou constroem as relações do cineasta com o espaço e as pessoas? Como se articulam a dimensão pessoal da narrativa com as memórias coletivas e públicas?
Ilha de Edição Remota: tecnologia inclusiva, inovadora e sustentável
Márcia Bessa (Márcia C. S. Sousa) (UFF)
Esse trabalho visa apresentar o projeto de criação da Ilha de Edição Remota (IER) — um servidor multiusuário cujo objetivo é disponibilizar softwares de pós-produção audiovisual à distância. Trata-se de um empreendimento de inovação tecnológica voltado para a sustentabilidade e a inclusão. A IER permite o uso e reuso de dispositivos obsoletos no acesso ao servidor, prolongando sua vida útil; além da oferta de utilização gratuita pela comunidade universitária, promovendo a cidadania digital.
Quebrando Mitos: montando um documentário político em primeira pessoa
Silvia Okumura Hayashi (FAAP)
O trabalho aqui proposto é uma reflexão sobre a montagem do documentário Quebrando Mitos, um filme sobre Jair Bolsonaro, dirigido por Fernando Grostein Andrade e Fernando Siqueira. Fui uma das montadoras desse filme, lançado no YouTube às vésperas das eleições presidenciais de 2022. A montagem do filme foi atravessada por questões que podem ser examinadas a partir dos fundamentos do documentário, da experiência da montagem como processo de colaboração, da tecnologia digital e do design thinking.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 4 – Cinematografias e processos

09/11 às 11h00
A imagem que falta: a cinematografia de Kawaiwetés Invadidos
Luís Martins Villaça (ECA-USP)
No filme Kawaiweté Invadidos (em produção concomitante à pesquisa de doutorado), busco estudar, desenvolver e aplicar um método de direção de fotografia para esse filme documentário de temática indígena. Por meio de uma revisão bibliográfica e uma discussão sobre métodos de filmagem, o objetivo deste trabalho é elaborar um estudo acerca das estratégias de filmagem adotadas para a direção de fotografia nesse documentário. Serão apresentadas imagens das duas etapas de filmagem (2022 e 2023).
Processos de criação: materialidade, gestualidade e cinematografia
Eduardo Tulio Baggio (Unespar)
A partir do conceito de cineasta, que, para a Teoria de Cineastas, envolve não apenas diretores, mas todas as pessoas que desenvolvem papel criativo no fazer fílmico, a comunicação visa abordar possibilidades conceituais e metodológicas para o estudo de processos de criação no cinema, notadamente da cinematografia, tendo em conta a materialidade e a gestualidade da direção de fotografia. Trata-se, portanto, não de uma proposta de análise fílmica específica, mas de uma investigação conceitual.

PA 17 – Disputas, tensões e militância no cinema brasileiro – Coordenação: Kamilla Medeiros do Nascimento

09/11 às 11h00
Militância no cinema contemporâneo brasileiro: uma análise comparativa
Matheus da Silva Lima (UnB)
Esta comunicação propõe desenvolver uma análise comparativa de obras com viés político no atual contexto de produção brasileira, sendo elas: Martírio (2016), Na missão, com Kadu (2016), Branco sai, preto fica (2014) e Juízo (2007). O objetivo é discorrer sobre a produção cinematográfica com recorte militante no Brasil contemporâneo e possíveis sentidos para sua compreensão, abordando as diferentes formas de engajamento político em cada obra e seu agenciamento quando analisada em conjunto.
O Nordeste através de ‘Faz que vai’ (2015) e ‘O caseiro’ (2016)
Luísa Estanislau Soares de Almeida (UNILA)
Este trabalho deseja refletir sobre representações contemporâneas do Nordeste a partir da análise de ‘Faz que vai’ (2015, 12’), de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, e ‘O caseiro’ (2016, 8’), de Jonathas de Andrade. Ele é parte da pesquisa de um mestrado em andamento, que investiga as representações da região em produções de artistas visuais que utilizam a linguagem audiovisual no contexto da arte contemporânea.
O pecado original: Glauber, Sganzerla e as facetas da cultura popular
Emilio Gonzalez Diez Junior (USP)
O presente trabalho discute como Rogério Sganzerla em Sem essa, Aranha (1970) trava um debate com o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969). Analisaremos como Sganzerla irá confrontar as ideias presentes no filme de Glauber, refutando a autenticidade como privilégio da cultura rural, e propondo a cultura popular urbana e a Umbanda como formas de resistência autênticas do oprimido.
Tensões, conflitos de classe e territorialidades no cinema de KMF
Priscilla Schimitt Huapaya (UFES)
Este trabalho é parte de uma pesquisa em andamento que busca problematizar as territorialidades geradas no universo ficcional da cinematografia do cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, especificamente em seus três longas-metragens de ficção, “O som ao Redor” (2012), “Aquarius” (2016) e “Bacurau” (2019) .Pretende-se identificar o modo como as territorialidades e os conflitos de classes e alteridade são estabelecidos em cada um dos espaços diegéticos apresentados nessas obras.

PA 3 – Mulheres brasileiras, uni-vos! As feminilidades no cinema nacional – Coordenação: Yanara Cavalcanti Galvão

09/11 às 11h00
Mulher Protótipo do Cinema Novo e a Originalidade Latino-Americana
Andrea Rosas de Almeida (UFSCar)
A mulher protótipo do cinema novo é concebida por Glauber Rocha no manifesto estética da fome, que situa a sociedade latina face à centralidade do cinema industrial, perspectiva também presente em seu filme Deus e o diabo na terra do sol. Considerando a potência do feminino no cenário exposto, este estudo objetiva analisar a elaboração da mulher protótipo na mencionada obra.
Representatividade e identificação no coming of age queer brasileiro
Amanda Victoria Decothé da Silva Ferreira (UFF)
Esta comunicação tem como objetivo analisar a representação de personagens que performam feminilidades dissidentes, no cinema de formação brasileiro. Os filmes popularmente conhecidos como coming of age, concentram sua narrativa na trajetória de amadurecimento de seus protagonistas. Em uma sociedade onde as performances de gênero se complexificam cada vez mais cedo, essas produções podem representar um veículo de construção de identificação para jovens brasileiros, a partir do cinema.
Grace Passô e Kika Sena: atuação que transborda o estereótipo feminino
Camila Botelho da Silva Pereira (USP)
Esta apresentação é um estudo sobre o trabalho realizado pelas atrizes Grace Passô e Kika Sena nos longa-metragens “Temporada”, dirigido por André Novais, e “Paloma”, dirigido por Marcelo Gomes, respectivamente. A partir desses filmes, investigo a forma como se apresentam as personagens e como as atrizes inscrevem a narrativa de seus corpos, para avaliar em que medida o trabalho de atuação pode transbordar a visão estereotipada da figura feminina tradicionalmente representada.
Medusa (2021) e o feminino-monstruoso no cinema de horror brasileiro
Ana Catarine Mendes da Silva (Unicamp)
Como a mulher é representada no cinema brasileiro contemporâneo de horror? Partindo deste questionamento, elege-se como objeto de estudo o filme Medusa (2021), de Anita Rocha da Silveira. A pesquisa proposta objetiva compreender a representação da mulher no cinema brasileiro contemporâneo de horror, diante de um contexto patriarcal e discriminatório, utilizando em seu corpo teórico os estudos de identidade de gênero e feminismo, da mulher no cinema e de cinema de horror.

CI 24 – Cinema imersivo e realidade virtual – Coordenação: Marcelo Rodrigo Mingoti Müller

09/11 às 11h00
Avatares e Hologramas: Poéticas dos Corpos em Realidade Virtual
Marcelo Rodrigo Mingoti Müller (Unifor)
O trabalho descreve algumas estratégias para criar, incorporar e manipular corpos virtuais na realização de experiências, filmes e/ ou performances ao vivo em realidade virtual, dando ênfase a processos que envolvem a relação entre corpos reais e corpos virtuais, seja pela captura da sua forma e movimento utilizando técnicas de captura volumétrica, seja pela incorporação e manipulação de avatares tridimensionais.
Estratégias Narrativas nos Documentários em Realidade Virtual
Francisco Merino (LABCOM-UBI)
O documentário em RV, ao projetar o sujeito no ambiente virtual, reforça a dimensão empática e expande as ferramentas do contador de histórias, mas distancia-se de algumas das características nucleares do seu congénere cinematográfico. Através de duas obras muito distintas, procuraremos inscrever o documentário em RV no contexto mais abrangente da narratologia contemporânea e compreender os efeitos da imersão e da empatia nos processos de narração, na mensagem e no próprio tema da representação.
Corpo expandido: uma experiência imersiva de dança em 360º
João Cláudio Simões de Oliveira (UFRJ)
Dança contemporânea e audiovisual expandido. A proposta de comunicação visa compartilhar o processo de criação de uma obra de dança imersiva, a experiência em 360º chamada “200”. A partir de pesquisas no campo da realidade virtual, do vídeo 360º e das telas no audiovisual junto com estudos da dança contemporânea do século XX, o resultado é um trabalho que propõe diferentes possibilidades para a linguagem audiovisual em realidade expandida.

CI 11 – Cinema e literatura em perspectiva comparada – Coordenação: Clarissa Mazon Miranda

09/11 às 11h00
Anaálise comparada de roteiro e romance em O Quatrilho
clarissa mazon miranda (AMF)
Apresenta o desenvolvimento de um protocolo próprio de análise comparada entre romance e roteiro adaptado. Esse protocolo é fruto da pesquisa realizada para o desenvolvimento da tese de doutorado da autora. O corpus de pesquisa em que se experimentou a criação do mesmo foi o romance O Quatrilho, de José Clemente Pozenato (1985), e os roteiros adaptados dele originados, sendo, o primeiro a adaptação feita por Antonio Calmon (1995) e o segundo o tratamento de autoria de Leopoldo Serran (1995).
Dom casmurro mente? Uma análise narratológica comparativa
Carolina Soares Pires (USP)
Esta pesquisa propõe o estudo comparativo das adaptações para cinema e televisão da obra literária Dom Casmurro sob o enfoque teórico da teoria da adaptação e por meio da análise narratológica, concentrando-se especificamente nas questões da narração autoconsciente e não-confiável. Com base nessas análises, pretende-se investigar aspectos preponderantes dessas adaptações no terreno específico da narratologia e elaborar questões relativas às implicações dessas relações na adaptação audiovisual.
A opacidade mascarada em O Pássaro das Plumas de Cristal
Wellington Gilmar Sari (PPGHIS/UFPR)
A comunicação investiga como Dario Argento repensa os mecanismos da literatura detetivesca denominada loked room mysteries a partir das propriedades de imagem e som em O pássaro das plumas de cristal (1970). O objeto de comparação é The hollow man (John Dickson Carr, 1935). No livro, a narrativa transparente é mascarada, durante um capítulo, para que o detetive palestre sobre os truques utilizados em obras de locked room mysteries. Como Argento realiza gesto análogo, por meio da mise-en-scène?

CI 18 – Cinema e identidade indígena no Brasil – Coordenação: Adriano Medeiros da Rocha

09/11 às 11h00
Resistência e representação cinematográfica do povo Yanomami
Adriano Medeiros da Rocha (UFOP, UFF)
Esta pesquisa constitui análise fílmica sobre o filme A última floresta (2019), desenvolvido através da parceria entre a equipe do cineasta Luiz Bolognesi e a comunidade indígena Yanomami, dentro da floresta Amazônica. Serão evidenciados aspectos narrativos, estéticos e políticos da obra realizada de forma compartilhada e híbrida. O caminho conceitual busca reconhecer características do cinema socioambiental, bem como problematizar esta arte como resistência e luta na defesa da natureza.
O processo de restituição do filme Kalapalo (1955) no Alto Xingu
Thomaz Marcondes Garcia Pedro (USP – DIVERSITAS)
A comunicação trata do processo de restituição – ou seja, a devolução das imagens aos protagonistas – do filme Kalapalo, de 1955, dirigido por William Gericke. Após a exibição do filme para o povo Kalapalo, no Território Indígena do Xingu, surgiu a proposta de criação de um novo filme. Acreditamos que a restituição ativou questões ligadas à memória e também desencadeou um impulso de criação de um novo filme, que conta a história a partir do ponto de vista dos próprios Kalapalo.
Fôlego Vivo (2021) e o cinema indígenas como narrativa de si
Roseane Monteiro Virginio (UFSC)Naiara Leonardo Araujo (UFSC)
Neste artigo refletimos como, por meio da produção cinematográfica Fôlego Vivo (2021) e da análise de suas imagens, o povo kariri constrói espaços de resistência, memórias e narrativas de si. O curta documental performático, produzido em coletivo e assinado por Juma Jandaia, se apresenta como um cinema contra-hegemônico uma vez que foi produzido, dirigido e atuado pelo povo kariri. Assim, traçamos um percurso de análise das imagens fílmicas confrontando-as com seu contexto sócio-político.

ST Festivais e mostras de cinema e audiovisual – Sessão 4 – Encenação, imaginação e indagação política nos festivais e mostras de cinema e audiovisual

09/11 às 11h00
Perfil da direção brasileira na Mostra Cinema e Direitos Humanos
Luiza Rossi Campos (UnB)
Este estudo analisa e compara os perfis de direção cinematográfica do cinema brasileiro e da filmografia nacional selecionada pela Mostra Cinema e Direitos Humanos. Objetiva-se compreender em que medida a Mostra promove direitos humanos: se especificamente através das narrativas dos filmes selecionados ou se também reconhecendo a direção enquanto um espaço de representatividade, entendendo o filme como discurso (FOUCAULT, 1999) e a direção cinematográfica como um lugar de fala (RIBEIRO, 2020).
Recanto do cinema, periferia e processos de subjetivação política
Allex Rodrigo Medrado Araújo (IFB)
O presente texto propõe descrever o Festival Recanto do Cinema, audiovisual na periferia, realizado no âmbito educacional pelo IFB , na região administrativa Recanto das Emas, no DF e refletir como ele pode ser uma estratégia de reconfigurar o sensível e as formas como encara as visualidades periféricas de forma emancipatória. O festival busca, pois, redistribuir espaços e tempos fílmicos para reorientar a experiência do comum cinematográfico.
“Para ser cine, es muy otro”: o primeiro festival de cinema zapatista
Juliana Esquenazi Muniz (USP)
Este trabalho tem como objetivo investigar as provocações do convite e algumas dinâmicas propostas durante o primeiro festival de cinema zapatista “Puy ta Cuxlejaltic”, realizado em 2018 em Chiapas, México. Podemos perceber que tais dinâmicas ‘outras’ entre as e os anfitriões zapatistas e cineastas convidados acabaram por subverter algumas características que compreendemos como comuns nos “festivais mais tradicionais” de cinema, valorizando coletividades e priorizando seus espectadores.

PA 4 – Tecnologias do transe: a fabulação entre corpos e mentes – Coordenação: Guryva Cordeiro Portela

09/11 às 11h00
A ECODELIA NOS FILMES VISIONÁRIOS
Anália Alencar Vieira (UFF)
Para analisar os agenciamentos narrativos e estéticos de obras audiovisuais que se inserem no movimento da arte visionária, busca-se compreender de que modo as experiências em estados não ordinários de consciência são transpostas nos filmes, sob a hipótese de que as obras decorrentes das mirações acionam perspectivas não-antropocêntricas e propiciam uma revisão epistemológica e política quanto à natureza, produzindo um engajamento sensível e fazendo do filme uma ferramenta de ação ecocrítica.
Ritual no Coreocinema de Maya Deren
NICOLE DONATO PINTO MACHADO (UFS)
Esta pesquisa propõe uma categorização de fases da obra de Maya Deren, para investigar de que maneiras a sua noção de ritual informou (e se transformou ao longo de) seu coreocinema. Seja na defesa de uma forma de arte ritualística, nas viagens ao Haiti e filmagens das cerimônias de vodu, e na consequente afetação dos seus últimos filmes por essa cosmologia, busca-se compreender sua teoria de cinema e filmes de uma perspectiva total atada pelo elo do ritual.
O Bom Falsário: um Ser (artista) indígena, um devir-outro
Samir Gid Rolim de Moura Moreira (UFPR)
Só o bom se deixa esgotar pela vida em vez de a esgotar, afirmou Deleuze conceitualizando o regime cristalino; suas potências do falso; suas realidades incompossíveis; mas, principalmente, seu sentido criativo capaz de inventar um povo e fazer nascer o artista. Subvertendo o que se acredita como verdade, é baseado no traço de criador, que o filósofo confere a essa figura, que será pensada neste texto a função fabuladora dos personagens em devir de filmes realizados por indígenas brasileiros.
Modos de ver e ser corpo: a montagem como ampliadora de possibilidades
Lígia Villaron Pires (UNICAMP)
Partindo do trabalho seminal de Maya Deren, “A Study in Choreography for Camera”, de 1945, o presente artigo pretende abordar a relação entre imagem em movimento e dança e discorrer sobre como essa relação cria novas formas de ver e ser corpo: o corpo do bailarino, o corpo na tela, o corpo que dança. Serão analisados trechos de algumas obras audiovisuais, atentando-se para as técnicas de montagem e em como elas contribuem para criação de presença.

EXIBIÇÃO DE FILMES – MUESTRA ARDER

09/11 às 13h00

ST Tenda Cuir – Sessão 3

09/11 às 14h30
A Grande Vedete (1958): Watson Macedo sob o signo de Oscar Wilde
JOCIMAR SOARES DIAS JUNIOR (UFF)
Nesta apresentação, proponho uma releitura queer de A Grande Vedete (1958), um pastiche de Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950) dirigido por Watson Macedo e estrelado por Dercy Gonçalves. Através de arcabouço teórico queer que mapeia as reverberações da figura de Salomé criada por Oscar Wilde nas subculturas homossexuais, gostaria de reivindicar a frescura de Watson Macedo, localizando-o como participante brasileiro de uma série de reapropriações queer do mito salomeico wildeano.
Darwin, um transformista entre o sucesso e o preconceito nos anos 1920
Sancler Ebert (PPGCine-UFF/FMU)
Para resgatar a história do artista cuir Darwin, o imitador do belo sexo, e tensionar as questões de gênero e sexualidade no Rio de Janeiro dos anos 1920, vamos contrapor nesta comunicação diversos dados sobre o sucesso do transformista nos palcos e telas com o processo de requerimento da naturalização como brasileiro solicitado pelo artista em 1924. Enquanto na cena cultural Darwin era considerado um rei dos transformistas, no processo o imitador é tratado com preconceito e acusações.
Ciborgues e bugs no sistema: um elogio ao indiscernível?
Luiz Fernando Wlian (UNESP)
O cinema queer demonstra ascensão no cenário brasileiro, bem como fôlego para promover modos outros de sensibilidade. Este trabalho, de cunho teórico e analítico, busca observar de que formas esse cinema dialoga de modo crítico com fenômenos do capitalismo contemporâneo por meio de suas propostas estéticas. Valemo-nos de ideias como a fenomenologia queer (AHMED, 2006) para pensar os modos pelos quais o audiovisual dissidente contemporâneo pode promover disputas no campo da sensibilidade.

CI 8 – Violência e horror no cinema brasileiro – Coordenação: Lucas Procópio Caetano

09/11 às 14h30
Um purgatório chamado Brasil: passado é presente no horror nacional
Lucas Procópio Caetano (UNICAMP)
O presente trabalho visa realizar um panorama acerca da tendência do cinema de horror brasileiro em retratar passado e presente como tempos indissociáveis. Através de uma constelação de filmes, será analisada a recorrência desta estratégia em narrativas que refletem acerca da história nacional a partir do gênero horror.

Observação: Esta é uma versão atualizada do trabalho submetido no ano anterior e que não pude apresentar por não ter pago a taxa do encontro.

Resistência coletiva em Bacurau frente ao horror da desumanização.
Ricardo Tsutomu Matsuzawa (USP/UAM)
A comunicação tem por objetivo discutir o filme Bacurau (2019) de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles em sua fabulação, a perspectiva de um futuro possível calcado na resistência coletiva frente a luta contra o horror de um colonialismo que se atualiza não como um lucro mercantilista escravagistas ou de preparação de território a ser dominado, é sim como uma satisfação individualista compensatória da sociedade do desempenho.
Panorama das formações do filme de crime contemporâneo
Luiz Felipe Rocha Baute (UNICAMP)
Por meio da exposição de diferentes produções nacionais e regionais dos gêneros de crime no cinema e audiovisual, propõe-se uma análise das formações do filme de crime contemporâneo à luz da perspectiva dos sistemas-mundo. Orientada por estudos do cinema transnacional e da crítica cultural materialista, a apresentação delimitará o centro, a semiperiferia e a periferia do filme de crime, de modo a investigar o desenvolvimento social e estético deste gênero nos dias de hoje.

MESA Inventar, escavar, transgredir: produção de memória no audiovisual

09/11 às 14h30
Memória inventada: Chão de Fábrica e a ficção sobre a ditadura militar
Mônica Mourão Pereira (UFRN)
A partir de fotografias de arquivo, vê-se que, apesar de pouco numerosas, houve mulheres que participaram da greve de 1979 do ABC Paulista. Esse é o mote do Chão de Fábrica (2021), que conta a história de quatro operárias, mostrando os atravessamentos entre vida pessoal e política enquanto conversam no banheiro feminino de uma fábrica no período de organização da greve. O filme trabalha com a expressão criativa do cinema de ficção em diálogo com a experiência histórica.
Dar a ver o silêncio: o fragmento como estética da urgência
Mili Bursztyn de Oliveira Santos (UFF)
Uma análise comparativa do conto “Alguma Coisa Urgentemente” (1980), de João Gilberto Noll e do filme “Nunca Fomos Tão Felizes” (1984), de Murilo Salles, a partir das noções de estética do fragmento (Renato Lessa) e de trauma experimentado enquanto um esfacelamento da experiência (Benjamin e Primo Levi).
A transgressão nos vestígios audiovisuais do coletivo 3 Antena
Arthur Ribeiro Frazão (UFRJ)
Entre 1987 e 1990, o coletivo anônimo 3 Antena realizou esporádicas transmissões clandestinas de televisão no Rio de Janeiro. Da experiência do grupo, restam dois vídeos exibidos no Festival Vídeo Brasil e algumas fitas magnéticas com fragmentos da programação. Nesta comunicação, os vestígios sobreviventes da atuação do coletivo 3 Antena são recuperados para problematizar a noção de transgressão na arte no contexto da redemocratização brasileira.

CI 2 – História da exibição cinematográfica no Brasil – Coordenação: Lívia Maria Gonçalves Cabrera

09/11 às 14h30
As estratégias de produção nos primeiros anos da Brasil Vita Filme
Lívia Maria Gonçalves Cabrera (PPGCine/UFF)
A proposta de comunicação irá trazer as reflexões iniciais sobre os primeiros anos da Brasil Vita Filme, empresa idealizada e presidida por Carmen Santos, e dois de seus projetos: Favela dos meus amores (Humberto Mauro, 1935) e Inconfidência Mineira (Carmen Santos, 1936-1948), levando em consideração o contexto econômico e político ao qual estavam inseridos, o modelo de produção e as escolhas estéticas desenvolvidos, procurando estabelecer aproximações e diferenciações entre as obras.
As poltronas de cinema Móveis CIMO S.A.: exibição, design e imprensa
Osvaldo Bruno Meca Santos da Silva (UFPR)
A proposta dessa comunicação é analisar as relações da Móveis CIMO S.A. com o mercado exibidor cinematográfico durante as décadas de 1940 e 1950 na cidade de São Paulo (SP), em uma perspectiva da criação e desenvolvimento de redes de comercialização que contribuíram para a construção de salas de cinema como um negócio que dependia de diversos fornecedores e emprego de tecnologia, a partir de um conjunto de anúncios publicitários da Móveis CIMO S.A. no Semanário Cinematográfico Cine-Repórter.
A noção de “empresa” nos primórdios da exibição: caso Rockert & Mayo
Tiago Bravo Pinheiro de Freitas Quintes (UFF)
O presente trabalho discute a definição de “empresa” e sua forma de compreensão na historiografia do cinema brasileiro, especificamente sobre os primórdios da exibição cinematográfica. A proposta é feita a partir da análise das atividades que envolveram a chamada Empresa Rockert, de Campos dos Goytacazes (RJ) e de empreendimentos no ramo da exibição cinematográfica de Vitor Di Maio, italiano radicado no Brasil.

ST Cinemas decoloniais, periféricos e das naturezas – Sessão 3 Imaginários Coloniais

09/11 às 14h30
Cenas de guerra, memórias do trauma: o imaginário colonial nos filmes
Michelle Cunha Sales (UFRJ/ UNICAMP)
Esta comunicação pretende analisar o filme moçambicano Uma Memória em três atos, (2016) de Inadelso Cossa em relação com o de Ruy Guerra, Mueda, memória e massacre (1979). Inadelso, ao reviver e revisitar os locais de tortura e os palcos de guerra, cristaliza imagens do trauma em cenários de ruínas que o filme de Ruy só poderia entrever.
Hostilidades, hospitalidades: o estrangeiro em “Outubro” e “Timbuktu”
Hannah Serrat de Souza Santos (UFMG/IFNMG)
Neste trabalho, buscamos aproximar dois filmes realizados por Abderrahmane Sissako, “Outubro”, curta-metragem realizado em 1993, e “Timbuktu”, lançado mais de 20 anos depois, em 2014. Interessa-nos traçar um paralelo entre os modos com que a figura do estrangeiro é abordada, considerando formas de acolhimento e de confrontos, que atravessam corpos e territórios periféricos retratados pelos filmes. Diante do encontro entre conhecidos e desconhecidos, como o cinema retrata coabitações possíveis?
Oficinas de Montagem e Cinema Ayoreo
Bernard Belisário (UFSB)
Neste trabalho pretendemos apresentar algumas reflexões em torno do processo de montagem que realizamos no Paraguai com Mateo Sobode Chiqueno em 2016, e que resultou no documentário “Ujirei” (2020). A oficina de montagem fez parte do Projeto de Vídeo Ayoreo, desenvolvido e coordenado pelo antropólogo Lucas Bessire em colaboração com líderes do povo Ayoreo e com o Vídeo nas Aldeias.

CI 40 – Documentário e política – Coordenação: Francisco Alves dos Santos Junior

09/11 às 14h30
Pelé, o documentário brasileiro e as cenas do sensível
Francisco Alves dos Santos Junior (UFRB)
Partindo da ideia que os documentários sobre futebol podem ser considerados produções estético-políticas, já que trazem para a superfície questões relacionadas à vida política e cultural do país, o que nos interessa neste trabalho é analisar, através de uma perspectiva comparada, como Pelé é representado nos documentários Isto é Pelé (Luiz Carlos Barreto e Eduardo Escorel – 1974), Pelé Eterno (Anibal Massaini Neto – 2004) e Pelé: o Rei desconhecido (Ernesto Rodrigues – 2017).
Construções do olhar em “Matto Grosso, the Great Brazilian Wilderness”
LETICIA XAVIER DE LEMOS CAPANEMA (UFMT)Luzo Vinicius Pedroso Reis (UFMT)
Busca-se discutir as construções do olhar no filme “Matto Grosso, the Great Brazilian Wilderness”, rodado em MT em 1931. Considerado pioneiro na captação de som direto em documentários, o filme é uma realização da expedição liderada por Vladimir Perfilieff e financiada pelo Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia. Misto de filme científico e aventura, a obra apresenta uma visão paternalista e colonialista sobre os povos Bororo, suas práticas e tradições.
Filming the Congo Panorama – Materialities of practice-led research
Érica Faleiro Rodriguess (UL)Diego Barajas Riano (TLU – BFM)
In 2022, Érica Faleiro Rodrigues (director) and Diego Barajas Riaño (cinematographer) filmed the 1913 Congo Panorama, 110 years after its first presentation and almost 80 years after its last public display. Together, they analyse the materialities, construction and deconstruction involved in the creative process of making a film about this object. For this, it is important to shed light on the conflict between aesthetic perspectives, technical constraints and the relevance of decolonising.

MESA A Rainha Diaba (1974): um caleidoscópio endiabrado

09/11 às 14h30
Mostra Ladrões de Cinema: reescritas da história do cinema brasileiro
Lorenna Rocha da Silva (UFPE)
A Mostra Ladrões de Cinema, realizada no Janela Internacional de Cinema do Recife (2022), apresentou um conjunto de filmes, entre eles, A Rainha Diaba (1974), guiado pela seguinte pergunta: como seria reescrever a história do cinema brasileiro a partir das criações artísticas de atores e atrizes negros? Compartilharemos o processo de pesquisa curatorial, de modo a dar ênfase às autorias de profissionais negros do audiovisual que não ocupam necessariamente a função de direção cinematográfica.
Os mil e um corpos da Rainha: corpos e assinaturas em A Rainha Diaba
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Considerando a mise-en-scène como trabalho dos corpos que se encontram no processo de um filme e situando a autoria como uma das modalidades de demarcação de um corpus, discuto os múltiplos corpos e assinaturas que atravessam A Rainha Diaba (1974). Ao mesmo tempo em que identifico algumas das assinaturas contextuais e autorais que se inscrevem no filme, busco reconhecer as linhas de força que o atravessam, reposicionando-o em relação aos campos do cinema negro e do cinema queer.
A Rainha Diaba e sua trajetória desviante na preservação audiovisual
Débora Lúcia Vieira Butruce (USP)
Em 2022, o filme A Rainha Diaba passou por um processo de digitalização cujo resultado vem impulsionando uma ampla recirculação da obra. A qualidade desta versão digital está diretamente relacionada ao excelente estado de conservação dos materiais originais em 35mm, algo raro no cenário da preservação audiovisual brasileira. Este trabalho pretende analisar os pressupostos que categorizam esse caso como uma exceção e quais as oportunidades que essa experiência possibilita ao setor no Brasil.

ST Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil. – Dinâmicas de formação para o cinema e audiovisual

09/11 às 14h30
Formação profissional e políticas públicas como potência audiovisual
Hadija Chalupe da Silva (UFF / ESPM Rio)
A presente pesquisa pretende compreender quais foram os desdobramentos que o 1º Edital de fomento ao audiovisual de Niterói (03/2018) – em especial a Categoria IV de fomento à produção de de curta-metragem – provocou para o mercado audiovisual fluminense nos últimos 5 anos. Partimos da hipótese que o fortalecimento das instituições de ensino e a manutenção de políticas públicas culturais são fundamentais para o estabelecimento de um ecossistema audiovisual salutar.
O cineclubismo como dispositivo formativo
JULIANA VIEIRA COSTA (PUCRS)
O trabalho tem como objetivo discorrer sobre o cineclubismo como um dispositivo formativo ao longo da história do movimento. Partindo de historiografias do cineclubismo no Brasil e na França (SOUILLÉS-DEBATS, 2013; MACEDO, 2017) investigaremos de que forma as diferentes acepções da atividade em relação a sua dimensão formativa criam linhas de força e de fissura no dispositivo (FOUCAULT, 2008) cineclubista.
Reflexões sobre os marcos regulatórios do cinema infantil no Brasil
Ludmila Moreira Macedo de Carvalho (UFRB)Charles Morais de Souza (UFRB)
Pensando nas diversas instituições que regulam o cinema feito para e sobre crianças, interessa-nos investigar os marcos regulatórios do cinema infantil no Brasil, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e a classificação indicativa, em diálogo com a Lei 13.006/2014, que institui a obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais nas escolas. Questionamos a visão de infância que orienta esses marcos legais e como eles podem contemplar as diversidades que permeiam as culturas das infâncias.

CI 19 – Ética e estética na experiência fílmica – Coordenação: Jamer Guterres de Mello

09/11 às 14h30
A experiência palestina e a ficção científica de Larissa Sansour
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Interessa a esta pesquisa pensar de que forma os aspectos históricos, políticos e culturais da Palestina são representados a partir de experiências temporais desestruturadas com base em distopias no presente. A partir da obra “Nation Estate” (Larissa Sansour, 2012), a intenção é investigar de que forma a ficção científica pode funcionar como uma estética de resistência ao trazer à tona estratégias contra-hegemônicas que possibilitam novos agenciamentos políticos da experiência palestina.
Pensar com as imagens: ruídos estéticos na antropologia visual
Guilherme Rezende Landim (UNICAMP)
Esta pesquisa utiliza-se da imagem na escrita fílmica como ferramenta agenciadora de tensionamentos. Pensar o não dito, o silêncio, o ruído das narrativas orais e visuais, além da busca de uma forma metodológica e até mesmo fabuladora de sentidos para se chegar a caminhos possíveis na ruptura do espaço-tempo, pela busca de outras epistemologias por meio fluxo de montagem: extrair dessa terceira margem, daquilo que escapa, reflexões técnicas e estéticas sobre o campo da antropologia do cinema.
Ver a imagem na companhia da vítima e de quem vê conosco
Pedro de Alencar Sant’Ana do Nascimento (UFBA)
Vemos imagens de violência todos os dias. Elas se repetem. Novas surgem, nos lembram de outras. Um tempo depois, filmes se apropriam delas. Tratam-nas como dadas à apropriação. Mas essa apropriação é enfrentada: há apelos por interdição, questionamentos de natureza ética. A partir de Azoulay (2019), faremos um exercício de ver essas imagens na companhia da vítima e de quem vê conosco, na análise de Auto de Resistência (Natasha Neri e Lula Carvalho, 2018) e A 13ª Emenda (Ava DuVernay, 2016).

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 3- CINEMA E VOZ

09/11 às 14h30
A criação sonora com a voz em Sin Peso, de Cao Guimarães
CLOTILDE BORGES GUIMARÃRS (FAAP)
Sin Peso é um filme de Cao Guimarães, composto de imagens de formas geométricas e de sons editados de pregões falados/cantados em espanhol de uma feira de produtos ilegais da Cidade do México. Não visualizamos os donos das vozes. Este trabalho investiga como a escuta dessas sonoridades dessas vozes, somada às imagens das formas geométricas, provoca um efeito sensorial meditativo, característico de obras em que o espaço-tempo é percebido de forma estendida.
Filme conversa, cinema conversa e filmes de conversação no Brasil
Alexandre Rafael Garcia (Unespar; UFPR)
Entre as décadas de 1950 e 1960, Paulo Emílio Salles Gomes insistiu que o problema estético primordial do cinema brasileiro era a maneira de falar (e soar) das personagens. A partir de 1963, com o início da utilização de equipamentos leves e portáteis para gravação de imagem e som sincrônicos, surgiu o que Paulo Emílio chamou de “cinema conversa”: filmes sem comprometimento dramático definido e imediato, que se opunham ao formato do diálogo tradicional e valorizavam a espontaneidade verbal.
ANÁLISE DA PERFORMANCE VOCAL EM FILMES DE CONVERSAÇÃO BRASILEIROS
debora regina opolski (UFPR)
Esta comunicação tem o intuito de apresentar uma pesquisa que relaciona dois temas que são de interesse da autora: as formas da fala na cinematografia brasileira e o espectro do som como ferramenta de análise. A comunicação pretende compartilhar dados que podem nos ajudar a compreender de quais formas a fala é um elemento cinematográfico que estrutura a mise en scène nos filmes de Conversação, conceito cunhado pelo pesquisador Alexandre Garcia (2022).

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Direção de arte, paisagens e arranjos

09/11 às 14h30
Paisagens e intervenções digitais no cinema brasileiro
Sabrina Tenório Luna da Silva (UFMT)
Neste artigo, pretendemos investigar o uso de intervenções digitais na representação de paisagens de três filmes brasileiros contemporâneos: Aquarius (2016, Dir. Kléber Mendonça Filho), As Boas Maneiras (2018, Dir. Juliana Rojas e Marco Dutra) e Inferninho (2018, Dir. Guto Parente e Pedro Diógenes). Nestas obras, as intervenções digitais se mostram como elementos estéticos e políticos construídos em conjunto com a direção de arte, transformando e criando espaços de visualidade.
As Imagens-Espaço de temporada
diogo cavalcanti velasco (UFS)
A comunicação pretende apresentar a análise da abertura espacial no filme Temporada (2018), de André Novais. A determinação espacial, seja pela nominação de onde Contagem está, para além das suas práticas espaciais formadas por suas ruas e edificações, é desformada pela criação de outras imagens-espaços, por meio da utilização de agentes estéticos. A metodologia a ser utilizada é a previamente publicada em artigo (VELASCO, 2020).
Explorando o uso de ruínas na representação do trauma e da história.
Victor Guimarães Loturco (Unicamp)
Este trabalho explora o uso de ruínas no filme “Orestes” como cenários numa representação do trauma duradouro causado pela violência policial durante a ditadura militar brasileira e nos tempos atuais. O filme cria um espaço teatral para entrevistas com vítimas, usando as ruínas da ditadura como uma metáfora para a natureza fragmentada da memória e do trauma. A justaposição do passado e do presente cria uma reflexão crítica sobre o impacto duradouro da violência estatal na sociedade brasileira.

MESA Multiverso: o audiovisual na construção de mundos compartilhados

09/11 às 14h30
O passado disputado nas produções audiovisuais da Brasil Paralelo
Karina Oliveira Brito (UERJ)
A ascensão da extrema direita e o uso das plataformas digitais estabeleceu novos desafios à democracia e à ciência. Através da produção e compartilhamento de seus conteúdos os movimentos de extrema-direita têm construído a sua própria bolha, criando realidades paralelas e dando vazão a discursos conspiracionistas e negacionistas. A produção e divulgação de materiais audiovisuais sobre temáticas históricas com viés negacionista da empresa Brasil Paralelo no YouTube é o foco desta proposta.
Terra Plana: Vídeos do Youtube e Mundos Alternativos
Erick Felinto de Oliveira (UERJ)
Segundo líderes e defensores da hipótese terraplanista (teoria segundo a qual o real formato da Terra seria achatado e não redondo), os vídeos do Youtube vêm sendo instrumentais na difusão de suas ideias (Cf. Landrum, Olshanski & Richards, 2021, p. 136). O objetivo deste trabalho é analisar as estruturas dos discursos audiovisuais que contribuem para a constituição de uma espécie de “mundo alternativo”, divorciado das percepções e convicções normativas da sociedade.
Multiversos Extremistas
Ivana Bentes (UFRJ)
Uma análise das estéticas e linguagens audiovisuais usadas por grupos extremistas, negacionistas, religiosos e conspiracionistas, para a criação de mundos alternativos. Partimos da lógica “gamer” para analisar alguns desses casos: como esses monomundos dogmáticos se efetivam? Como as narrativas extremistas operam a partir de linguagens massivas e populares, como os multiversos, a lógica gamer, a cultura cosplay e suas potências de efetivar mundos.

ST Cinema Comparado – Sessão 3: Na rua, no campo, na floresta: cinema brasileiro e processos sociais

09/11 às 14h30
Representação e Alteridade no Filme-Ensaio Brasileiro (1972-1982)
Rafael de Campos (UFRGS)
Este trabalho investiga como os filmes Congo (1972), O Tigre e a Gazela (1987) e Mato Eles? (1982) utilizam a linguagem ensaística na busca por reflexões formais acerca da representação de povos e culturas “figurantes” (Didi-Huberman, 2014) da sociedade brasileira no cinema de não-ficção. Partimos das noções sobre o ensaio definidas por Lukács (1974) e Adorno (2003), e das reflexões sobre a linguagem filme-ensaística trazidas por Rascaroli (2017) e Corrigan (2015).
Maíra, A Última Floresta e A Febre: reflexos da questão indígena
Susana Dobal (UnB)
Entre as diversas nuances da questão indígena ao longo da história, pode acontecer de ela se refletir em obras cujas afinidades revelam uma configuração particular desse tema. Ao comparar o romance Maíra de Darcy Ribeiro, e os filmes A Última Floresta e A Febre, sob o filtro do perspectivismo ameríndio exposto por Viveiros de Castro e do livro A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, o artigo investiga reincidências reveladoras da percepção indígena e não-indígena encenadas nas obras.
Respostas do cinema brasileiro recente ao bolsonarismo
Maria Leite Chiaretti (ECA-USP)
A comunicação elege um conjunto de filmes de ficção brasileiros recentes (lançados entre 2019 e 2023) e discute como eles respondem, cada um a seu modo, à derrota política representada pela ascensão do bolsonarismo e pelo governo de extrema-direita que o encarnou. Numa aproximação inicial, trata-se de caracterizar as escolhas temáticas e formais adotadas pelos cineastas para lidar com questões políticas candentes deste período e vislumbrar possíveis futuros utópicos ou distópicos.

ST Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas – Sessão 3 | Cinema ameríndio

09/11 às 14h30
A experiência do cinema Kayapó tecendo uma nova cena estético-política
Angela Nelly dos Santos Gomes (UFPA)
Este trabalho traz uma reflexão sobre a experiência de cinema do povo Mebêngôkre-Kayapó do Pará cujas obras e fazer cinematográfico agem na construção de uma “cena estético-política” pois, para além da visualidade como figuração de singularidades socioculturais, desvelam uma perspectiva outra sobre si, os povos originários e sobre a própria Amazônia. Para pensar essa perspectiva nos valemos da contribuição dos estudos decoloniais e de estética e política das imagens.
Ficções epistêmicas, narrativas alagmáticas e a imagem cosmotécnica
CARLOS FEDERICO BUONFIGLIO DOWLING (UFPB)
A presente comunicação propõe uma análise com a aplicação dos conceitos de Ficções Epistêmicas, Narrativas Alagmáticas e Imagem Cosmotécnica (Dowling, 2022), a partir dos processos de criação do projeto da série ficcional multiplataformas ANIMA LATINA, com especial atenção ao desenvolvimento do protótipo do filme-instalação em Cinema de Realidade Virtual A ESCRITA DO DEUS (2023), livre adaptação do conto homônimo de Jorge Luis Borges e de desenvolvido através da metodologia de pesquisa-criação.
Geometria do poder: imagens do Estado em dois filmes indigenistas
Fabio Camarneiro (UFES)
O Estado brasileiro aparece em Uaká (Paula Gaitán, 1988) na arquitetura dos prédios de Brasília e, em Serras da desordem (Andrea Tonacci, 2006), na montagem de imagens da “modernização conservadora” do país. A geometrização do espaço, associada à ideia de um poder central, entende os traços vetoriais tanto como “segmento de reta” quanto como uma “determinada orientação” rumo ao progresso econômico. Resistindo a isso, os filmes marcam a presença dos rituais e dos corpos dos indígenas.

CI 12 – Juventude e cinema queer – Coordenação: Joao Eduardo Hidalgo

09/11 às 14h30
O cineasta Pedro Almodóvar e a contracultura de La Movida espanhola
Joao Eduardo Hidalgo (Unesp)
La Movida é o movimento de contracultura que aconteceu em Madri, e nos principais centros urbanos espanhóis, do final dos anos 1970, neste ambiente surge o cineasta autodidata Pedro Almodóvar, que estreou comercialmente em 1980. Almodóvar costuma usar argumentos, personagens, detalhes de filmes que ele admira na composição de seus roteiros, fazendo citação, referência e incorporando o elemento parodiado na nova obra.
EL REGRESO QUEER DE LA REBELDÍA JUVENIL
Alejandro Ventura Comas (Dodecá)
En 1996, “Trainspotting” había cancelado a la rebeldía sesentista como mecanismo de adaptación prevalente para la nueva generación del fin de siglo. En su lugar aparecía el conformismo cínico. Veinte años después, “Les garçons sauvages” (Francia, 2017), replantea el asunto desde una perspectiva queer. A partir de múltiples referencias cinematográficas, esta película plantea interrogantes sobre una supuesta nueva sensibilidad queer como elemento novedoso en las actitudes juveniles actuales.
Não-lugar e cinema queer brasileiro: uma análise do filme Tinta Bruta
João Paulo Pinto Wandscheer (UFRGS)
Resultado de uma dissertação que estuda homossexualidade e cinema queer brasileiro, este trabalho consiste em uma análise de aproximações entre atitudes dos protagonistas de Tinta Bruta (2018) e o termo queer nas cenas em que ocorrem festas. É possível perceber nas noites de festa do longa-metragem não apenas tensionamentos em relação a preconceitos que os protagonistas sofrem, mas também que o termo queer se distancia do conceito de assimilação e pode ser associado a uma sensação de não-lugar.

CI 41 – Melodrama e atuação no audiovisual – Coordenação: Pedro Maciel Guimarães Junior

09/11 às 14h30
Abramovic encontra Callas : notas sobre a atuação melodramática
Pedro Maciel Guimaraes Junior (Unicamp)
A partir da videoinstalação Seven Deaths of Maria Callas, de Marina Abramovic, pretende-se discutir os parâmetros da atuação do melodrama na obra em que a performer retoma cenas de morte interpretadas na ópera pela soprano. Se a noção de gênero é algo que imediatamente cria um quadro conceitual para o sentido da atuação na tela (Cornea, 2017), o melodrama das óperas serviria de manancial infindável para os procedimentos corporais do gênero cinematográfico, retomados aqui por Abramovic.
O Melodrama no Cinema Brasileiro: Gênero Fraco, Modo Forte
David Ken Gomes Terao (Unicamp)
Compreendendo a limitação histórica e metodológica de circunscrever no cinema brasileiro o melodrama dentro da categoria de “gênero cinematográfico”, propõe-se alternativamente o uso da categoria “modo” para abordar suas particularidades. Para demonstrar sua aplicação teórica e analítica será apresentada uma análise de Eles Não Usam Black-Tie (Leon Hirszman, 1981), que representa ao mesmo tempo a conciliação entre melodrama e cinema político e a permanência deste modo em nossa filmografia.
A biblioteca audiovisual compartilhada de Nanni Moretti
Juliana Rodrigues Pereira (UFPR)
Ao longo de sua filmografia, o diretor Nanni Moretti tem se colocado como um comentador privilegiado do cinema. São abundantes as menções a atores, a diretores, a presença do set de filmagem e as citações diretas de outros filmes – todos estratégias reflexivas. Propõe-se neste trabalho, a partir da investigação sobre o longa-metragem “Caro diário” (1993), pensar em como a reflexividade transforma o cinema do realizador em uma biblioteca audiovisual compartilhada com os espectadores.

ST Tenda Cuir – Sessão 4

09/11 às 16h30
Hábitos hápticos: pela remontagem do imaginário de freiras lésbicas
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esta comunicação pretende revisitar o múltiplo imaginário audiovisual de freiras lésbicas a partir de uma combinação entre o que se manifesta na materialidade das superfícies visuais e hápticas (BRUNO, 2014) de filmes e séries que colocam essas personagens no centro da cena e depoimentos presentes no livro que se tornou um clássico do feminismo lésbico nos anos 1980: As freiras lésbicas: rompendo o silêncio, de Rosemary Curb e Nancy Manaham.
Uma cartografia queer em “Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui”
Carolina Alves Pacheco (UFSC)
Este trabalho visa traçar uma cartografia queer e lésbica da cidade cinematográfica, dos movimentos das personagens e dos afetos lésbicos coletivos no filme brasileiro “Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui” (2021) de Érica Sarmet através de uma análise da espacialidade construída e mise-en-scène no curta-metragem.
Entre a bolsa e a flecha: outras estórias por um continuum cuir
Carla Ludmila Maia Martins (Una)
Continuamos a explorar a noção de continuum cuir como mobilizadora de outras cenas para o campo de estudos de gênero e sexualidades, bem como de outros processos e práticas criativas no audiovisual. Dessa vez, em estreito diálogo com o pensamento de Ursula K. Le Guin sobre a teoria da bolsa de ficção, buscamos analisar algumas implicações éticas, poéticas e políticas de pensar outras estórias, consoantes com novas figuras, outras formas de narrar.

PA 13 – Como pensar o cinema de gênero: métodos, atravessamentos e historicizações – Coordenação: Luiz Felipe Rocha Baute

09/11 às 16h30
AS ESTRELAS DA FICÇÃO CIENTÍFICA REVELADAS PELO MÉTODO DAS CONSTELAÇÕE
Victor Finkler Lachowski (UFPR)
Esta pesquisa tem como objetivo estudar o cinema de ficção científica pelo Método das Constelações de Walter Benjamin e Theodor Adorno, para relevar as ideias, estrutura e origem de um conjunto de obras. Utiliza como aporte teórico a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt e autores que utilizaram e se debruçaram sobre o materialismo histórico-dialético e/ou sobre o sci-fi. Tem como objetos os filmes Videodrome (CRONENBERG, 1982), They Live (CARPENTER; 1988) e Bacurau (FILHO; DORNELLES, 2019).
Um sonho é feito de lágrimas e sangue: Pearl e os melodramas sirkianos
JAQUES LUCAS DE LEMOS CAVALCANTI (UFSCar)
O presente trabalho busca estabelecer relações entre o filme de terror Pearl e os melodramas de Douglas Sirk. A partir de uma dimensão crítica e irônica, o diretor Ti West une a plasticidade visual dos melodramas sirkianos e o excesso sanguinário do terror slasher para construir um complexo estudo de personagem. O conceito ampliado de imaginação melodramática nos ajuda a compreender como o filme consegue criar vínculos empáticos com a assassina através do procedimento da simbolização exacerbada.
O sitcom brasileiro, a rádio e o teatro: Origens de um gênero
Carolina Rodrigues Mendonça Martins (UFJF)
Este trabalho visa as relações entre o teatro, a rádio nacional e o início do que pode ser entendido como o sitcom – abreviação de situation comedy. Pretendemos fazer aproximações entre a comédia brasileira dos anos 1950/1960, quando a TV nacional passa a existir, e a tradição cômica no país. Esse estudo é necessário para entender a formação do sitcom para além das análises focadas em seriados estadunidenses e britânicos, focada na televisão brasileira e suas peculiaridades.

CI 29 – História e política no Brasil: disputas travadas no e pelo cinema – Coordenação: Juliano José de Araújo

09/11 às 16h30
Conflitos ambientais em Rondônia no cinema brasileiro dos anos 1980
Juliano José de Araújo (UNIR)
Procuro traçar um panorama histórico sobre o cinema brasileiro e os conflitos ambientais na Amazônia, especificamente em Rondônia na década de 1980, período marcado por profundas transformações no estado decorrentes dos projetos de ocupação da ditadura militar. Discuto, em uma perspectiva comparada, os filmes Fronteira das almas (Hermano Penna, 1987), Mamazônia, a última floresta (Brasília Mascarenhas e Celso Luccas, 1996), e Rondônia, viagem à terra prometida (Sílvio Tendler, 1986).
Disputas pela memória, disputas pelo filme
Maria Clara Rodrigues Arbex (UNILA)
Esse trabalho tem como objeto de pesquisa os filmes 108: Cuchillo de Palo (Renate Costa, Paraguai, 2012) e Os Dias com Ele (Maria Clara Escobar, Brasil, 2013). Nesses documentários, as diretoras fazem do cinema um meio para recuperar, descobrir ou reconstruir uma memória, colocam-se em cena e expõem suas relações familiares com os entrevistados. Iremos explorar, nessas relações, como personagens disputam filme, narrativa e memória.
Reescrita histórica no documentário brasileiro contemporâneo
Giulianna Nogueira Ronna (PUCRS)
Nesse texto busco analisar e refletir como a inscrição da palavra e do traço em documentários brasileiros contemporâneos relaciona-se graficamente com o tema da ditadura civil-militar (1964-1985), reconfigurando a experiência histórica. Para tanto, trago uma reflexão sobre a escrita do desastre (BLANCHOT, 2016) na tomada do testemunho e do trauma, que permite a compreensão dos sujeitos e das comunidades biografadas a partir dos silêncios gráficos, dos hiatos e dos desvios narrativos.

CI 34 – Experiência, exibição e imersão no audiovisual contemporâneo – Coordenação: Julio Bezerra

09/11 às 16h30
O devir da continuidade: o cinema e os paradoxos de Zenão
Julio Bezerra (UFMS)
Ao tentar mostrar como toda aparência é ilusória e a noção corriqueira de movimento está errada, Zenão criou uma série de célebres paradoxos que atravessaram a filosofia ocidental. O cinema, ao nos fazer experimentar o tempo na duração de forma absolutamente diversa, também oferece sua visão particular de Zenão. Sem a garantia da fundamentação indicial do cinema analógico, a tecnologia digital não bagunçaria um pouco essa visão? São estes os caminhos e as questões que nos propomos a atravessar.
Imagem de Emergência – 4 experiências audiovisuais
Fernando Gerheim (UFRJ)
A proposta desta comunicação é estabelecer relações e sínteses entre quatro trabalhos produzidos como artista-pesquisador no âmbito da universidade, todos eles acompanhados por publicações de artigos em revistas acadêmicas. São trabalhos audiovisuais atravessados pelo cinema, pela videoarte e pelas mídias digitais: cinemaobjeto (2013), 2086 (2014), ZAUMDATA (2015-2018) e Jogos para Apps de Contato Remoto (2020-2022).
Entre documentário e transbordamentos na mostra de Cao Guimarães
Laís dos Passos Lara (UFF)Leandro José Luz Riodades de Mendonça (UFF)
A presente proposta objetiva trazer à tela o debate sobre as ideias-força de transbordamento e apropriação (modos de circulação e exibição) nos documentários de Cao Guimarães exibidos em sua Mostra “Ver é uma Fábula” (2014). Pretendemos discutir as formas de exibição/exposição dessas obras em relação aos espaços imersivos e suas problematizações possíveis do lugar e não lugar do “audiovisual contemporâneo” e suas abstrações .

ST Cinemas decoloniais, periféricos e das naturezas – Sessão 4 Imagens e atmosferas decoloniais

09/11 às 16h30
Cinemas e espaços de cultivo
Clarisse Maria Castro de Alvarenga (UFMG)Gustavo Jardim (UFMG)
A proposta aborda experiência com estudantes da Licenciatura em Educação do Campo (UFMG), envolvendo curadoria, exibição de filmes, criação cinematográfica e pedagogias das imagens em interface com questões que surgem na relação com o espaço, com a terra e o território de cada estudante. Pretende-se, por meio da análise dos processos cinematográficos e pedagógicos, identificar aquilo que chamamos de “espaços de cultivo” e que surge da aproximação entre a terra e o cinema.
Atmosferas decoloniais em “Um real a hora” (2022), de André Alcântara
Jorge Cardoso Filho (UFRB)Gustavo (UFRB)
A partir da experiência proporcionada por “Um real a hora”, de André Alcântara, o artigo discute a construção de uma atmosfera decolonial para uma cultura gamer que se pretende globalizada e personificada nas arenas gamers, a partir da apresentação das locadoras de videogames, muito comuns na décadas de 90 e 2000, em várias cidades periféricas do Brasil. O foco da análise é a narrativa audiovisual e seus transbordamentos para os elementos da cultura gamer apresentados nos corpos da cena/em cena.
Enquadramentos decoloniais sobre a invasão russa e sua infraestrutura
Ruy Cézar Campos Figueiredo (UFF)
Apresenta-se uma seleção de práticas audiovisuais deepfake da artista-pesquisadora Anna Engelhardt que elaboram uma crítica decolonial sobre aspectos infraestruturais e tecnológicos da Invasão Rússia da Criméia (2014) e da Ucrânia (2022). Hardwired Essence of Russial Colonialism (2022), Circuits of Truth (2021) e Adversarial Infrastructure (2020) oferecem, ainda, base para se refletir sobre práticas de pesquisa baseadas em audiovisual.

CI 47 – Elementos estéticos da narrativa cinematográfica – Coordenação: Pedro de Andrade Lima Faissol

09/11 às 16h30
O motivo da cortina no ciclo trágico de James Gray
Pedro de Andrade Lima Faissol (Unespar)
Analisaremos a estrutura dramática dos 4 filmes iniciais do diretor e roteirista James Gray com o propósito de contribuir com os estudos do trágico no cinema. Para defendermos a hipótese de que tais filmes compõem um “ciclo trágico”, iremos nos deter em um motivo recorrente: a cortina. Supõe-se que ela desempenhe a função de figurar uma fronteira incontornável: de um lado, o espaço reservado ao exercício do livre-arbítrio do personagem; de outro, a primazia dos desígnios que regem o seu destino.
Entre Planos: a trajetória da pontuação imagética no cinema brasileiro
Vinicius Augusto Carvalho (UFF)
A partir dos efeitos visíveis de transição entre planos, propõe-se uma perspectiva de análise histórica da cinematografia brasileira de longas-metragens de ficção com foco nas pontuações imagéticas. O levantamento de fades, fusões e wipes em 235 filmes lançados entre 1930 e 2019 revela tendências e materialidades estruturais e estéticas que dialogam com os conceitos de clássico, moderno e pós-moderno presentes em debates sobre a evolução da gramática e da linguagem narrativa no cinema nacional.
Imagens do olhar endividado: cinema e moeda no Brasil
Pedro Félix Pereira Moura (UFRJ)
O presente trabalho reflete sobre a filmografia brasileira a partir das relações entre imagem e moeda na produção nacional recente. Considerando a noção deleuziana de que o “O dinheiro é o avesso de todas as imagens do cinema”, pretende-se olhar para o audiovisual produzido no Brasil hoje na busca de uma compreensão sobre como o imbricamento entre cinema e dinheiro atravessa a estética dos filmes, os processos de produção e as dinâmicas de confiança.

CI 17 – Conceituando branquitude e negritude no cinema – Coordenação: Maria Neli Costa Neves

09/11 às 16h30
Cinema Negro e questões da “branquitude” brasileira
Maria Neli Costa Neves (UNICAMP)
Com base em Lia Schucman, Maria Aparecida Bento, Robert Stam e Ella Shohat, o intuito dessa comunicação é refletir sobre o filme M-8, quando a morte socorre a vida (2019), de Jeferson De, dando destaque à posição dos personagens afrodescendentes diante da negação dos “negros em espaços de poder”, da “exclusão moral, afetiva, econômica e política” (SCHUCMAN, 2020, p. 71), além de sua luta cotidiana para ganhar visibilidade e voz.
Exu e Pomba Gira em Rainha Diaba & Madame Satã.
Guryva Cordeiro Portela (UNICAMP)
Neste texto trago alguns traços das entidades Exu e Pomba Gira. O argumento que estas divindades permitem uma leitura cultural brasileira, de caráter “mediador cultural”, com características fluidas de um “não lugar”, o que o torna um princípio para pensar temas da identidade nacional. Proponho a análise de dois filmes, através das personagens: Madame Satã (Karim Aïnouz 2002), e A Rainha Diaba (Antônio Carlos Fontoura, 1974). Um aprofundamento no “tropo” da identidade do corpo brasileiro.
Audiovisuais da fronteira: apagamentos e resistências on e off-line.
Eduardo Silva Salvino (ECA/USP-SP)
Os “AI, Ain’t I a Woman?”, 2018; “Blackbird”, 2008 e “A máquina normalizadora”, 2018, — questionam enquanto forma e conceito — pertencimentos e procedimentos e têm em comum: rastro, padrão e predição, numa interpolação contínua para pensarmos uma contracolonização imagética e sonora; enfim, roupagens em desacordo com os parâmetros dados nos audiovisuais que contêm algoritmos e inteligência artificial (IA). Junto a “interface aumentada” coloca-se em relevo a negritude (CÉSAIRE, 2022).

ST Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil. – Entre os modelos tradicionais e os novos olhares para a distribuição, circulação, exibição e difusão

09/11 às 16h30
Cinemas cariocas e preservação patrimonial: um mapeamento
Talitha Gomes Ferraz (ESPM/PPGCine-UFF)
Apresentamos as linhas teórico-metodológicas da pesquisa “Cinemas cariocas e instrumentos de preservação patrimonial”, mapeamento de mecanismos legais e ações de política cultural voltados para questões patrimoniais de cinemas do Rio de Janeiro. Observamos instrumentos direcionados à preservação material de cinemas de rua e sua função exibidora, com foco na sistematização de dados e análises de contextos, pensando as possibilidades de políticas culturais para além do tombamento arquitetônico.
Indicadores de políticas públicas de distribuição no Brasil
Felipe Lopes (ESPM)
A política pública audiovisual brasileira carece de uma análise complexa do setor de distribuição e ações eficazes para o mesmo. Além de haver pouco investimento à comercialização de produções diversas, os indicadores de políticas públicas para o setor consideram, de forma extensiva, o público pagante em salas de cinema como um dos únicos balizadores de resultados. Este estudo busca propor novos indicadores em alinhamento com o atual momento pós-pandêmico e de mudanças nos hábitos de consumo.
As contradições do cinema brasileiro na luta por um maior market share
Ana Paula Sousa (ESPM-SP)
Entre 2012 e 2022, em apenas três anos (2013, 2016 e 2020) o cinema brasileiro rompeu a barreira dos 15% de market share. O que há de comum nesses anos é a presença, no circuito exibidor, dos três “Minha mãe é uma peça”. A partir do estudo da distribuição da franquia, este trabalho analisará a atuação do consórcio Downtown-Paris no mercado; o papel da métrica do market share na estruturação das políticas públicas; e as possibilidades de enfrentamento da hegemonia hollywoodiana na era digital.

PA 5 – Audiovisual e racialidade: memória, realização e novas epistemes – Coordenação: Mariana Queen Ifeyinwaeze Nwabaili

09/11 às 16h30
O fio da memória sob a perspectiva do letramento racial crítico
Christiane Matos Batista (Feusp)
Este trabalho tem como objetivo tecer uma análise sobre o filme O fio da memória (1991), de Eduardo Coutinho, a partir do conceito de letramento racial crítico. Realizado na ocasião do centenário da abolição da escravatura no Brasil, o documentário reúne entrevistas conduzidas pelo diretor com pessoas negras de diferentes segmentos da sociedade.
O projeto de cinema de Zózimo Bulbul e a censura brasileira
Cintya Ferreira Mendes (UFF)
A apresentação se voltará para o projeto de cinema do ator e diretor Zózimo Bulbul. Será construída uma reflexão a partir de três obras: as novelas Vidas em Conflito (1969, TV Excelsior) e A Cabana do Pai Tomás (1969, TV Globo) e o filme Compasso de Espera (1970-1973, Antunes Filho), com um enfoque no filme dirigido por Antunes. O trabalho traçará paralelos com a vida do personagem principal, Bulbul e o momento histórico do Brasil.
TEREZA DE BENGUELA NO IMAGINÁRIO DE MULHERES DE VILA BELA
Danielle Bertolini da Silva (UFMT)
Esta é uma pesquisa realizada com mulheres negras que vivem em Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital mato-grossense, onde existiu o quilombo do Quariterê nos anos 1700. Através da linguagem cinematográfica, a pesquisa examina como o imaginário sobre Tereza de Benguela, líder do quilombo, influencia a identidade dessas mulheres. O objetivo da pesquisa é explorar como a história de Tereza pode ser usada como uma fonte de fortalecimento para mulheres da região.
Mediações e Epistemes Curatoriais no Cinema Negro Brasileiro
Lucas Honorato Cordeiro Contreiras Teles (UFRJ)
Este trabalho discute a curadoria cinematográfica como um dispositivo de mediação comunicacional ativa entre a curadoria e os filmes. O recorte é da curadoria de festivais e mostras nacionais de Cinema Negro Brasileiro do segundo decênio do século XXI. Assim, busca-se analisar o desenvolvimento da Curadoria e de como as suas agências — a seleção e os discursos — atuam como prática de mediação cultural no campo e podem interferir na produção.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 4- MÚSICA, CINEMA E GAME

09/11 às 16h30
Estilo e música em filmes de Nuri Bilge Ceylan: parcimônia e repetição
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (USP)
O uso da música nos filmes do cineasta autoral turco Nuri Bilge Ceylan se caracteriza pela parcimônia e pelo repertório clássico ocidental, podendo ser relacionado ao que Gorbman (2007) chamou de “música de autor”. Nos dois últimos filmes do diretor, Sono de inverno (2014) e A árvore dos frutos selvagem (2018), há repetição da mesma música associada ao protagonista. Consideramos aspectos estéticos e culturais quanto ao estilo de uso da música de Ceylan a partir de análise fílmica e entrevistas.
O vil barbeiro e as Sonatas de Beethoven
Guilherme Maia de Jesus (UFBA)
Para contar a história de um homem medíocre e vil, que leva a esposa ao suicídio por ter sido condenada à prisão por um crime que ele próprio cometeu, Joel e Ethan Coen, em O homem que não estava lá (2001), optam por elementos da audiovisualidade noir. Na musicalização do filme, entretanto, os diretores elegem predominantemente seções intermediarias das Sonatas de Beethoven. Examinar hipóteses sobre o modo como essa decisão afeta a obra e a experiência de fruição é o objetivo desta comunicação.
Manutenção e ruptura de padrões na música de games brasileiros
Vicente Reis de Souza Farias (USP | UFRB)
Este trabalho analisa a presença ou ausência de elementos culturais capazes de associar a música de um jogo eletrônico ao Brasil. Dodgeball Academia, Unsighted, 99Vidas e Wolfstride são os jogos analisados. O estudo discute as escolhas musicais desses jogos em relação aos contextos em que as músicas aparecem e o quanto elas tensionam ou se conformam à tendência conservadora do uso da música em jogos nacionais.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Direção de arte, presente e sensibilidades

09/11 às 16h30
Sensorialidades e direção de arte no cinema contemporâneo brasileiro
TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD (UFF / ESPM)
O interesse nas implicações sensoriais valoriza e estimula experiências afetivas através do cinema, concedendo relevância às materialidades do profílmico, operadas pela direção de arte. Buscamos identificar, na produção brasileira pós retomada, estratégias de direção de arte que produzam novas espaço-visualidades e colaborem com a criação de estilos, como as parcerias entre Marcos Pedroso e Karim Aïnouz e entre Renata Pinheiro e Cláudio Assis.
As ondas mágicas e nuas da direção de arte
Benedito Ferreira dos Santos Neto (UERJ)
A pesquisa examina as particularidades da direção de arte e seus retratos de juventude dos filmes O Olho Mágico do Amor (1981), Onda Nova (1983) e Estrela Nua (1985), dirigidos pela dupla José Antônio Garcia e Ícaro Martins. A partir de revisão de conceitos fundamentais como “aparência” e “representação”, verifica-se a eclosão de cenários e figurinos robustecidos pelo figural continuamente estimulado pelo improviso da direção de arte comum aos filmes de baixo orçamento no Brasil dos anos 1980.
Espaços do hedonismo: o cinema de Eva Ionesco
André Antônio Barbosa (UFPE)
Este trabalho analisa os dois longas realizados pela francesa Eva Ionesco: My Little Princess (2011) e Une Jeunesse Dorée (2019). Ao estudar a visualidade construída pela direção de arte, buscamos entender como Ionesco cria uma reflexão sobre a experiência do hedonismo, o qual nem é rejeitado com julgamentos morais, nem abraçado ingenuamente. Antes, uma tensão permanente é estabelecida entre um deslumbre encantado por espaços extravagantes e um sentimento de niilismo, inocuidade e melancolia.

CI 38 – Estudos em cinema comparado – Coordenação: Anderson Luis Ribeiro Moreira

09/11 às 16h30
A estética posseira de filmes brasileiros no multiverso proprietário
Anderson Luis Ribeiro Moreira (PPGCine/UFF)
Ao fazer um contraponto entre obras audiovisuais brasileiras que se apropriam de conteúdos proprietários, em particular de super-heróis, com filmes estadunidenses contemporâneos, procuraremos afirmar uma estética posseira dos primeiros em face de uma estética proprietária dos últimos. Para isso, balizamos o modus operandi dessas práticas apropriadoras em certa tradição teórica da antropofagia brasileira, particularmente no conceito de “posse contra propriedade”.
Os nove da fama, Ulisses e Alice: fronteira literária no audiovisual
Dirceu Martins Alves (UESC)
O trabalho é um estudo da criação de personagens na antiguidade, na Idade Média e na contemporaneidade. Na antiguidade a base era a mitologia (GTAVES, 2018), na Idade Média Reis e Cavaleiros (DOM QUIXOTE, 2012), e na contemporaneidade, Ulisses, de Joyce, e Alice, mergulham na experimentação de tempo e espaço (GILBERT, 1958). Baseada na tradução intersemiótica (PLAZA, 2012), a análise se centra na brecha homem imaginário, homem material, (MORIN, 2014).
Três homens invisíveis: fragmento da ontologia cavelliana do cinema
Pedro Monte Kling (UFPR)
Embasado na ontologia do cinema proposta por Stanley Cavell em “The World Viewed”, propõe-se a leitura comparativa de três obras: “O Homem Invisível” (1933), “Aconteceu Naquela Noite” (1934) e “Iguana” (1988). Colocadas lado a lado, elas evidenciam e refletem a condição de invisibilidade do espectador fílmico, i.e., a condição daquele que está necessariamente presente para o (mundo do) filme, mas ausente dele.

ST Cinema Comparado – Sessão 4: Cruzamentos transatlânticos: vanguardas e aspirações radicais

09/11 às 16h30
André Bazin, o automatismo e as vanguardas históricas
Hermano Arraes Callou (UFRJ)
Esta comunicação pretende desenvolver uma interpretação do conceito de imagem automática apresentado por André Bazin em seu ensaio “Ontologia da Imagem Fotográfica”, comparando a noção elaborada pelo crítico com a ideia de automatismo desenvolvida no contexto da história da arte, no começo do século XX, pelas vanguardas históricas.
“O cinema e a aspiração radical”: um projeto comparativo
Lucas Bastos Guimarães Baptista (Egresso ECA-USP)
O que se propõe aqui é um olhar sobre as comparações presentes nos textos de Annette Michelson entre o cinema francês e a vanguarda norte-americana. Nossa ênfase é no tema da “aspiração radical” como ligação entre as duas filmografias e referências para as comparações feitas por Michelson – entre os modos e contextos de produção, entre as abordagens formais, entre as posições nos debates críticos e teóricos.

ST Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas – Sessão 4 | Estilo estéticas representação

09/11 às 16h30
Abordagens sobre a favela no Nuevo Cine Latinoamericano
Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)
Ao compartilharmos do entendimento da cidade “periférica” como arena cultural, a partir do célebre conceito de Morse, entendemos o cinema como um dos agentes importantes dentro do jogo de forças que forma tal arena. Com esse propósito, analisaremos dois curtas: “Buenos Aires” (Argentina, 1958), de David José Kohon e “Herminda de La Victoria” (Chile, 1969), de Douglas Hübner.
Visões surrealistas sobre a Conquista do México
Estevão de Pinho Garcia (IFG)
Um pouco antes de sua viagem ao México em 1936, Antonin Artaud escreve La coquête du Méxique, que seria o primeiro espetáculo do Teatro da Crueldade. Em 1973, Alejandro Jodorowsky faz uma releitura dessa peça em uma sequência de A montanha sagrada. Nossa proposta reside em analisar essa cena e investigar a interpretação surrealista que está sendo esboçada sobre a cultura ameríndia, de um mundo geral, e a asteca, em particular, principalmente na articulação de sua “crueldade” como paradigma.

CI 10 – Curadoria e identidade em mostras cinematográficas – Coordenação: Maria Ines Dieuzeide Santos Souza

09/11 às 16h30
À distância, ver o que não se mede – sobre trabalhos de Basma Alsharif
Maria Ines Dieuzeide Santos Souza (UFC)
Este trabalho tece algumas considerações a respeito de três curtas realizados pela artista palestina Basma Alsharif: We Began by Measuring Distance, Home Movies Gaza e A Field Guide to the Ferns. Com esses filmes (reunidos pela curadoria da 3ª Mostra de cinema árabe feminino), nos interessa pensar como a montagem de imagens de procedências e suportes diversos, atravessadas por sons também de naturezas variadas, pode propor uma visualidade espessa, instável e estranhada para a Palestina.
Curadoria e a construção da identidade racial na autoria de filmes
Marcio Blanco (UFMS)
A partir de uma pesquisa de dois Festivais com recorte racial – o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bubul e o Festival de Cinema e Cultura Indígena (FECCI) – este trabalho investiga como suas curadorias se configuram como instâncias enunciativas das noções de raça contidas na autoria daquilo que se denomina atualmente no Brasil como cinema negro e cinema indígena.
Festivais de cinema: o(s) cinema(s) brasileiro(s) em circulação
Cleide Mara Vilela do Carmo (PPGSOL/UnB | IFB)
Este artigo tem o objetivo de discutir significados de cinema(s) brasileiro(s) no século XXI a partir da circulação dos filmes e realizadores/as brasileiros/as em festivais internacionais de cinema, especialmente, aqueles localizados no continente europeu. Portanto, descrevo o contexto de circulação em diálogo com políticas de diversidade cultural, seus efeitos no contexto nacional e considerações sobre as disputas por significados no(s) cinema(s) nacional.

CI 42 – Direção e atuação no cinema brasileiro – Coordenação: Afrânio Mendes Catani

09/11 às 16h30
Um operário negro no cinema brasileiro: o ator e diretor Waldyr Onofre
Afrânio Mendes Catani (UERJ/USP)
O texto mapeia a trajetória do ator e diretor negro Waldyr Onofre (1934-2015). De família humilde, foi engraxate, serralheiro, ferreiro e técnico de rádio e TV. Fez curso de interpretação e teve longa carreira como ator coadjuvante em mais de 25 filmes, dirigiu 1 longa (As aventuras amorosas de um padeiro, 1975), 4 curtas e 3 assistências de direção.
Trabalhou com Nélson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Paulo Thiago, Miguel Borges, Sérgio Rezende, Joaquim Pedro de Andrade e Arnaldo Jabor.
Utopia e barbárie numa das trilogias possíveis de Vladimir Carvalho
Gabriela Kvacek Betella (UNESP)
O país de São Saruê (1979), Conterrâneos velhos de guerra (1992) e Barra 68 – sem perder a ternura (2001) representam etapas simbólicas de uma história pessoal. A unidade reside nas evidências das lutas de classes, dos deslocamentos e dos espaços utópicos como registros da memória coletiva. Assim como visualizamos a dilatação do caráter panfletário na trilogia, apostamos na densidade das relações entre o homem, a terra e as utopias nas múltiplas relações no universo poético do cineasta.
Mauro, Peixoto e Cavalcanti: uma Teoria da Paisagem no Cinema?
Simplicio Neto Ramos de Sousa (ESPM-Rio)
Nesse trabalho iremos analisar a interlocução mais ou menos truncada que houve entre Humberto Mauro, Mario Peixoto e Alberto Cavalcanti. , em sua época de maior atuação, e que nos revela a importância que a discussão realista sobre a representação fidedigna da paisagem brasileira tinha para eles, exemplo primordial de elaboração de uma Teoria dos Cineastas entre nós, no caso versando sobre o realismo no cinema, em particular a representação da paisagem física nacional como espaço/lugar dramático

Exibição de filmes Grupo Chaski

09/11 às 18h00

Mesa Plenária “GRUPO CHASKI E CINEMA COMUNITÁRIO NA AMÉRICA LATINA”

09/11 às 18h30

EXIBIÇÃO DO FILME BEM-VINDOS DE NOVO (MARCOS YOSHI, 2023)

09/11 às 21h00

 
 

10/11


PA 2 – Luz, câmera, ação! As diretoras (re)descobertas do cinema – Coordenação: Carolina de Oliveira Silva

10/11 às 9h00
A representação feminina no cinema noir norte-americano
Juliana Joaquim Gomes (UFF)
O cinema noir norte-americano é analisado através da representação das personagens femininas: o contexto histórico em que surgiu, suas influências, características e teorias feministas. Evidencia-se que, se por um lado, esses filmes conseguiram subverter valores da época, por outro, reforçaram padrões patriarcais: as personagens femininas deviam se submeter aos homens, ou ser punidas no final. Busca-se também dar visibilidade a Ida Lupino (1918-1995), a primeira mulher a dirigir um filme noir.
Criações de uma nova linguagem através dos filmes de Alice Guy
Júlia Lelli (UAM)
Explicitar de que forma os filmes da cineasta pioneira do cinema de ficção Alice Guy Blaché ajudaram a construir a, então nova e em desenvolvimento, linguagem cinematográfica. Dentre as obras mais importantes que merecem destaque por terem trazido algum ponto específico de criação na linguagem estão: La fée aux choux (1896), Les résultats du féminism (1906), La vie du Christ (1906) e Madame a des envies (1907).
Ana Carolina à luz do manifesto: uma proposta de análise fílmica
Renata Masini Hein (UFF)
Esta comunicação procura apresentar o gênero discursivo manifesto como um potente meio de compreensão da trilogia “Mar de Rosas” (1977), “Das Tripas Coração” (1982) e “Sonho de Valsa” (1987) de Ana Carolina tanto em seus aspectos estéticos e narrativos quanto históricos e políticos.
A “cine-reciclagem” na obra de Agnès Varda
Carolina Ribeiro Rodrigues (UFF)
A “cine-reciclagem” é uma característica marcante da obra de Agnès Varda. Das películas fílmicas usadas em suas cabanas às imagens de batatas que voltam a aparecer em suas obras após “Os catadores e eu” até suas próprias sequências fílmicas que lhe servem de material bruto para novas construções: tudo em sua obra é digno de ser reciclado. A partir da análise da sua produção audiovisual e artística, este trabalho busca identificar os gestos e efeitos da “cine-reciclagem” nas obras de Varda.

ST Estudos do insólito e do horror no audiovisual – Sessão 5

10/11 às 9h00
WESTERN HORROR: QUANDO O INSÓLITO ENCONTRA O VELHO OESTE
Marcelo Dídimo Souza Vieira (UFC)
O Western e o Horror são gêneros cinematográficos que foram criados com a história do cinema. Ambos tiveram forte influência da literatura: as dime novels para o western e a gótica para o horror. O Western Horror é um híbrido (ou subgênero) que acompanhou a consolidação desses gêneros cânones, surgiu no início do século XX e se consolidou a partir dos anos 1930, influenciado pelas narrativas do weird west. A produção se fortaleceu e continua com histórias horríveis no velho oeste até hoje.
O Horror Satânico: um debate sobre História, Cinema e Religiões
Rafaela Arienti Barbieri (UFSC)
Abordando filmes de horror sob a ótica historiográfica, este trabalho visa analisar filmes que compõem o ciclo Horror Satânico estadunidense consolidado na década de 1970, o qual fortaleceu-se após a formalização do Satanismo autodeclarado no país. A década seguinte contou com a pluralização dos Satanismos, a presença do tema em jornais, revistas e no cinema de horror, que o representou em diversas produções que viabilizam uma problematização histórica de medos sociais, políticos e religiosos.
Uma leitura Macabra de Eami (2022) e La Llorona (2019)
Libia alejandra castañeda lopez (UFPE PPGCOM)
O trabalho propõe realizar uma leitura sobre os elementos macabros presente nas obras fílmicas de Eami (Encina, 2022) e La llorona (Bustamante, 2019). O objetivo é responder como essas obras abordam a alteridade que se configura como artefato do medo, tendo em vista como estos filmes se situam enquanto encruzilhadas entre gêneros cinematográficos. Da mesma forma, as narrativas apresentam a diferença colonial históricamente sustentada pela violência contra as minorías políticas.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 5

10/11 às 9h00
UM POETA DOS GESTOS
Fabio Rodrigues da Silva Filho (UFMG)
Desdobrando a ideia de “poeta dos gestos”, modo como Antônio Pitanga definiu Mário Gusmão, tentaremos demonstrar o rasgo da atuação e do ator analisando traços de sua presença em duas obras. Para discutir este corpo-pelicular que sobrevive aos filmes, pensaremos o gesto em cena e a poética de tal ator. Lidando com a fabulação crítica, este estudo vincula-se a um programa de pesquisa que investiga rasgos na imagem e tentar compor uma pequena história do ator e da atriz negra no cinema brasileiro.
Se lançar como míssil
Talita Arruda (UFRB)
A partir de uma perspectiva múltipla – pesquisadora, profissional e espectadora, a pesquisa reflete sobre narrativas imagéticas, midiáticas e tecnológicas da distribuição dos cinemas negros contemporâneos. Por debruçar-se no mercado – espaço de disputa, estruturado num sistema capitalista, patriarcal e racista, as contradições aqui importam. É possível tensionarmos tais estruturas através das tecnologias da distribuição e, assim, potencializar a presença e permanência dos cinemas negros?
Caracterização, imagens de controle e criação de personagens negras
Luciana Soares de Medeiros (UFSC)
Articulando o fazer do caracterizador com as problemáticas inerentes às leituras sociais resultantes de suas criações, busca-se dar suporte a debates específicos referentes à composição visual de personagens negras. Parte-se das personagens vividas por Viola Davis para analisá-las e relacioná-las ao conceito de Imagens de Controle, observando representações que atuam como instrumentos de poder em uma estrutura social de dominação e opressão de pessoas – em especial mulheres – negras.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 5 – Modernismo(s) e cinema brasileiro

10/11 às 9h00
Visão de Brasília: a crítica e o projeto de cinemateca ao redor de 64
Pedro Plaza Pinto (UFPR)
Estudo da crítica e do diálogo entre a Cinemateca Brasileira e os cineastas Nelson Pereira dos Santos e Paulo César Saraceni em torno da marca histórica de 1964. Cultura cinematográfica, revistas e festivais de cinema como meios de ação específica. A singularidade da obra de Nelson após Vidas secas e o desafio dos acontecimentos entre 1964 e 1965. Brasília como um registro real e imaginário para a crítica cinematográfica brasileira.
Por meio de imagens em movimento, de Minas, vejo um Brasil
Daniela Giovana Siqueira (UFMS)
A comunicação propõe uma investigação que toma por base um trabalho de pesquisa a partir dos filmes brasileiros: A vida provisória (1968), de Maurício Gomes Leite, Crioulo doido, (1970), de Carlos Alberto Prates Correia e Temporada (2018), de André Novais Oliveira. O objetivo é pensar esse conjunto documental dentro de um ponto de vista modernista, buscando perceber liames e rupturas sociais que podem ser evidenciadas pela produção cinematográfica nacional, entre o moderno e o contemporâneo.
O homem do pau-brasil, cinema, história.
Luiz Ancona (FFLCH-USP)
A comunicação analisará o filme O homem do pau-brasil (1981) de Joaquim Pedro de Andrade. Biografia do escritor modernista Oswald de Andrade, o longa é um filme histórico sui generis. A análise fílmica identificará as memórias e representações construídas sobre o biografado e sobre o modernismo brasileiro. Com isso, objetiva-se inscrever o filme nos debates culturais de seu tempo, assim como evidenciar os diálogos que ele estabeleceu com a produção cinematográfica brasileira do período.

CI 37 – Cinema e ensino dentro e fora da sala de aula – Coordenação: Marta Cardoso Guedes

10/11 às 9h00
MEMÓRIA DA FAVELA COM O CINEMA NA ESCOLA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Marta Cardoso Guedes (SME)
Com o cinema na escola e a investigação da história da favela do Vidigal (CINEAD), iniciada em 2015, descobrimos e restauramos em parceria com a Cinemateca do MAM-Rio, imagens Super-8, fotografias e fitas cassete sobre a luta dos moradores da favela contra sua remoção para Antares/Santa Cruz em 1977/78. A partir de então a elaboração de uma memória de luta da favela na escola desenvolve-se como abertura à alteridade. É possível tornar-se essa experiência outra?
Relatos metodológicos de alfabetização cinematográfica
Joel Felipe Guindani (UFSM)
O processo metodológico de alfabetização cinematográfica a partir da produção de filmes realizados no projeto de extensão “Cine Escola Guarujá: nossa cultura em projeção”. Revela a importância de processos metodológicos que provoquem o senso de coletividade e de pertencimento. Propõe observar a produção cinematográfica no âmbito da alfabetização decorrente de metodologias que estimulem o diálogo e a escuta do sujeito-coletivo na perspectiva da educomunicação.
Ensino e Direção de Arte: tecendo métodos e processos
Camila da Silva Marques (UNILA)
O que se propõe no presente artigo é uma reflexão teórico-prática acerca do ensino da Direção de Arte em audiovisual e dos desafios que se colocam no compartilhamento do saber/fazer desta área no ambiente universitário, mais especificamente no curso de Cinema e Audiovisual da UNILA, através das disciplinas Direção de Arte e Direção de Arte II. Espera-se, assim, contribuir para a formação de profissionais que construam um mercado não apenas tecnicamente preparado, mas reflexivo e colaborativo.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Sessão 4

10/11 às 9h00
O Melodrama de Aruanas: Transformações e Reiterações
Pedro Notariano Belizário (UFSCar/ PPGIS)
Essa apresentação se propõe a analisar as transformações e reiterações do melodrama quando transposto para o formato de séries complexas, buscando compreender como as tradicionais simplificações estruturais do gênero se comportam perante a complexidade narrativa das ficções seriadas. Para isso, foi selecionada como objeto de análise a primeira temporada da série “Aruanas” (Original Globoplay, 2019) que demonstra algumas inovações estruturais em relação ao melodrama clássico.
Olhar em disputa: representação evangélica em “Vai na fé”
Bernardo Tavares e Silva Costa (UFRJ)
A comunicação busca analisar os mecanismos narrativos de produção de empatia (MATSUNAGA apud ROJAS, 2019) que fazem da novela “Vai na fé” um esforço por parte da Rede Globo em se aproximar do público evangélico. À medida em que complexifica os personagens, a produção se contrapõe a uma série de obras nacionais que apresentam uma representação por vezes simplista da religiosidade cristã e, assim, abre caminho para outras relações do olhar, que não meramente de oposição (HOOKS, 2019).
O roteiro não filmado de Lorraine Hansberry
Fernanda Sales Rocha Santos (USP)
A apresentação se debruçará sobre a adaptação para o cinema da peça teatral “A Raisin in The Sun” (1959), de Lorraine Hansberry, tendo como foco a análise de versões do roteiro não aceitas pelas instâncias produtoras do filme lançado em 1961. Por meio desta análise em conjunto com a leitura do memorando do estúdio, proponho a ideia da adesão, no processo de roteirização, a um “melodrama branco” que se mostrou incompatível, naquele momento, com uma história preta.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 5

10/11 às 9h00
Irrupções do cinema abstrato em narrativas contemporâneas de ficção
Milton do Prado Franco Neto (PUCRS)
A proposta deste trabalho é de repensar a aparição do cinema experimental abstrato dentro de obras de ficção atuais, identificando os modos em que se esta se dá: como empréstimo, apropriação, citação ou irrupção. Exemplos como os da série Twin Peaks – O Retorno (2017) e La Flor (2018) parecem apontar um uso mais potente destas aparições, interrogando dispositivos, investigando imagens antigas do cinema e questionando formatos e meios a partir do trabalho com a longa duração.
Atenção poética na animação The Aroma of Tea, de Michaël Dudok de Wit
Beatriz Avila Vasconcelos (Unespar)
Investigando sobre o lugar da atenção nos cinemas de poesia, proponho-me aqui a considerar a animação abstrata 2D “The Aroma of Tea” (2006), do holandês Michaël Dudok de Wit, como espaço de realização de atenção poética, para a qual nos conduz a trajetória atemporal e a-geográfica de uma pequena esfera errante a vagar por um universo branco indefinido composto por formas aleatórias, em passo ritmado com o Concerto Grosso opus 6, de Arcangelo Corelli.
“Mixagem alta não salva burrice”: notas sobre duas cartas de Bressane
Leonardo Esteves (PPGHIS/UFMT)
Entre Novembro de 1970 e Janeiro de 1971, um par de cartas escritas por Julio Bressane é publicado nos programas da Cinemateca do MAM, por ocasião da mostra “Novos rumos do cinema brasileiro”. Nelas, o diretor esmiúça a ruptura contra o Cinema Novo, formalizando críticas à industrialização encampadas pelos cinemanovistas. Faz também defesa da Belair, sua produtora criada em parceria com Rogério Sganzerla e Helena Ignez. A presente comunicação propõe uma análise sobre o conteúdo das cartas.

CI 22 – Audiovisual e democratização no Brasil – Coordenação: Vanessa Guimarães Lauria Callado

10/11 às 9h00
Cinema na palma da mão: o potencial cinematográfico dos smartphones
Vanessa Guimarães Lauria Callado (URJ)
Neste trabalho investiga-se a utilização da câmera de smartphones para a produção de filmes de cinema. Nos interessa pesquisar o alcance e as validações da utilização de smartphones com esse intuito. Serão analisadas outras possibilidades e potenciais do aparelho por meio de uma abordagem crítica, buscando compreender se essa nova realidade de produção pode proporcionar acesso mais democrático a realização audiovisual. Analisa-se também como a intersecção entre os dispositivos cinema e smartphon
AS MUITAS VIDAS DO CINE SÃO JOSÉ
André Huchi Dib (UFPB)
O cine São José, cinema de rua em atuação comercial no Sertão Pernambucano, apresenta uma história de quedas e recuperações que acompanham em parte, o cenário nacional de abertura e fechamento dos cinemas de rua no Brasil. A nossa comunicação conta a história desse equipamento e apresenta o seu sistema de funcionamento, a sua relação com distribuidores, com o público, sua estratégia de sustentação e de modelo de gestão, fatores que o torna um ponto fora da curva no atual circuito de exibição.
Política das margens: a experiência da Tv Maxambomba”
Gabriela Rizo Ferreira (Catu Rizo) (UNESPAR)
Interessa interrogar nesta proposta como uma das mais duradouras experiência de tv comunitária da América Latina, a Tv Maxambomba (1986-2002), pode nos dar pistas para uma elaboração decolonial de um pensamento de cinema e audiovisual que colabore para a ampliação das perspectivas na construção de políticas públicas para o setor. Propiciando políticas com ênfase na dimensão cultural, processual e comunitária da práxis audiovisual.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 5 – Cinematografias e tecnologias

10/11 às 9h00
15 anos de telenovelas em HD na Rede Globo: historização e reflexões
Marina Cavalcanti Tedesco (UFF)
A Rede Globo sempre incorporou inovações tecnológicas à sua programação para apresentar ao seu público um padrão de imagem “superior” ao de suas concorrentes. Há 15 anos, devido a exigências legais, avanços no vídeo e reconfigurações no audiovisual, a emissora digitalizou a captação de imagens das suas telenovelas e modificou a estrutura das equipes por ela responsáveis. Nesta comunicação, apresentaremos uma historicização destas mudanças e reflexões iniciais sobre tal processo.
O cinema de Walter Carvalho na fotografia de Pantanal (2022)
Eduardo Teixeira da Silva (UFRGS)
O principal objetivo desta pesquisa é identificar elementos da linguagem cinematográfica,
sobretudo da fotografia, que são impressos nas imagens da telenovela Pantanal (2022) e
evidenciar rastros nessas imagens que remetem ao trabalho do cineasta Walter Carvalho, um
dos mais importantes fotógrafos do cinema brasileiro e um dos diretores da telenovela
Pantanal.
Ofício de artesão: a cinematografia de Ivo Lopes Araújo
Edvaldo Siqueira Albuquerque (UNIFOR)
Quando a lenta transição do analógico ao numérico se fechou, velozmente tecnologias digitais se incorporaram ao cinema, disseminando novas relações entre o mundo histórico e quem o registra. Tal como no contexto globalizado, a cinematografia sofreu profundas mudanças, o que repercute na forma de captar e manipular a imagem, gerando modelos reprodutíveis. Na contramão da padronização, lentamente foram aparecendo cinematografias singulares, como a de Ivo Lopes Araújo, fotógrafo artesão brasileiro.

CI 1 – Música e elementos sonoros na construção fílmica – Coordenação: Lisandro Nogueira

10/11 às 9h00
Chrissie’s Death: performance orquestral e narrativa fílmica
Lisandro Nogueira (ufg)
A musica de orquestra e a narrativa fílmica. Compreender como a performance orquestral contribui na construção da narrativa fílmica. Realizamos a análise do filme “O tubarão” de Steven Spielberg. Para a leitura da cena de abertura, usamos o conceito de Intensidade da Performance de Schechner (2011) e as funções da musica na narrativa audiovisual JIménez (1993). É possível compreender que a forma como a orquestra realiza sua performance auxilia diretamente na construção do filme clássico.
OS EXCREMENTOS DO CORPO DA VOZ EM DOCE AMIANTO: O EXCESSO DO REAL
Joice Scavone Costa (UFF, FACHA, UNIFOR)
A experiência da artificialidade (STAM, 2015) no filme Doce Amianto (2013) ultrapassa os limites da linguagem cinematográfica para que a personagem tencione territórios e culturas. O excesso (WILLIAMS, 1991) que transborda esta disjunção (BALOGH, 1996) é, em si, um ato de resistência (DELEUZE, 1990) – no sentido de re-existência – pois a voz vem do outro lado da imagem e está sempre próxima ao espectador, independente da profundidade da imagem ou em relação aos demais elementos sonoros.
Os primórdios da música orquestral no cinema brasileiro
alexandre pfeiffer fernandes (UFF)
Este trabalho tem como objetivo apresentar um breve histórico a respeito dos primórdios da música orquestral no cinema brasileiro, com enfoque no período compreendido entre as décadas de 1930 e 1960. Serão discutidas influências da música do cinema norte-americano nas produções brasileiras, bem como o desenvolvimento das trilhas musicais orquestrais nos filmes brasileiros produzidos nas décadas de 1930/1940 até a mudança estética que ocorreu durante o Cinema Novo.

PA 11 – Janelas para o mundo: festivais, cinefilia e coproduções – Coordenação: Danielle dos Santos Borges

10/11 às 9h00
Festival de Cinema de Pyongyang: Janela entre mundo e Coreia do Norte
Gabriel da Silva Pinheiro (UFSCar)
O objetivo é analisar o Festival de Cinema de Pyongyang como uma janela do mundo para a Coreia do Norte e dela para o mundo, através do cinema. O festival promove um intercâmbio cultural onde profissionais do cinema e jornalistas estrangeiros veem a Coreia do Norte e seu cinema, e os norte-coreanos têm contato com o cinema internacional. Pretende-se discutir o papel do cinema no diálogo entre países, usando o festival como um possível exemplo de ferramenta para essa promoção.
COPRODUÇÃO INTERNACIONAL NO CINEMA.
Gustavo Ferreira Rolla (ESPM)João Luiz de Figueiredo Silva (ESPM)
O objetivo do artigo é analisar o cinema brasileiro sob o prisma das políticas de coprodução internacional. Exploraremos os conceitos da economia da cultura e da literatura sobre o desenvolvimento da indústria cinematográfica. Por meio de uma pesquisa qualitativa, com análise de dados secundários, levantamento documental e coleta de dados primários, via entrevistas semiestruturadas, ponderamos sobre os resultados do potencial das coproduções internacionais para o Brasil.
A Cibercinefilia e o fim da Revista SET
Tiago Coutinho de Oliveira (UnB)
Partiremos das definições de cibercinefilia e de cinefilia 2.0 para, comparando-as, entendermos quais mudanças foram implementadas no perfil cinéfilo após a propagação da internet. Analisaremos a existência de uma possível relação de causa e efeito entre esses fenômenos e a extinção da Revista SET. Abordaremos as mídias digitais como agentes transformadores do formato original da publicação, de modo a adaptá-la ao gosto de um público acostumado com as ferramentas interativas do ciberespaço.

PA 10 – Cinema como manifesto: modos de ser, ensinar e fazer – Coordenação: Kamilla Medeiros do Nascimento

10/11 às 9h00
Documentário e feminismo na escola de audiovisual Al Borde
Jéssica Faria Ribeiro (USP)
Este trabalho tem como objetivo analisar como o documentário Mentiras que dan Alas (2013), produzido pela escola de audiovisual Al Borde, se relaciona com as teorias feministas decoloniais e consequentemente reforça uma posição política do coletivo. A escola acontece de forma itinerante pela América Latina e é um projeto do coletivo colombiano Mujeres Al Borde para criar, divulgar e estimular a produção de histórias audiovisuais que desafiam as ordens de gênero e sexualidade.
Driblar o olho da torre: a câmera nômade de Filme de rua (2017)
Iakima Delamare (UFMG)
Partindo da produção coletiva Filme de rua (2017), feita por jovens cineastas em situação de rua, traço hipóteses sobre a correlação entre a migração compulsória desses corpos ameaçados pelo controle biopolítico e a produção de imagens de refúgio, que aspiram existir no contexto de extrema opressão subjetiva e imagética vivida por esses sujeitos, e em que a fixação de seus corpos em imagens – assim como em um território – é, em si, um risco.
Erguer vozes e discursos no ambiente da escola pública
Gisella Cardoso Franco (PPGCINE UFF)
Nesse trabalho vamos pensar a questão da representatividade no programa “Imagens em Movimento” a partir de um olhar sobre a falas de dois alunos em debate realizado no Cineop de 2022 e o filme que eles realizaram no programa, fazendo um paralelo com o pensamento de Luiz Rufino e Luiz Simas – que nos falam sobre o lugar de potência da educação para transformar e inventar novos mundos.
ARQUIVOS DA MULTIDÃO: AS IMAGENS DE 2013 COMO CONTRA-ARQUIVO
Julia Mariano de Lima Araújo (UFRJ)
A internet tornou-se, ao mesmo tempo, lugar de arquivamento e de fluxo de comunicação/informação. Uma estranha combinação, que redimensiona o entendimento de arquivo, memória e história e nos provoca acerca das possibilidades narrativas dos acontecimentos históricos. A pesquisa se debruça sobre o material de arquivo das “Jornadas de Junho de 2013” disponível na internet, e propõe o conceito de “Arquivos da Multidão” para pensar essa heterogeneidade de olhares/imagens/registros acessíveis online.

CI 16 – Cinema comparado – questões conceituais – Coordenação: Dinaldo Sepúlveda Almendra Filho

10/11 às 9h00
O figural e o olhar comparativo na tradição teórica do cinema político
Dinaldo Sepúlveda Almendra Filho (UNILA)
O texto debate a “questão figural” e a “abordagem comparada” nas tradições de pensamento do cinema político. Revisita algumas teorias na perspectiva de uma fenomenologia da imaginação interessada no tratamento poético dado às categorias da experiência política como, por exemplo, a justiça, encarnada no motivo visual da pena de morte em A tênue linha da morte (1998) e Não Matarás (1988). Conclui que a questão figural é um enclave teórico do cinema político a ser aberto pelo olhar comparatista.
Breve história do Stimmung e suas redefinições na teoria do cinema
Mariana Dias Miranda (PPGCOM/UFRJ)
A partir do mapeamento das problemáticas que envolvem a análise estética do conceito de Stimmung e sua mobilização no cinema atualmente, propõe-se recuperar, através de uma breve genealogia, o contexto de seu afloramento no século XVII. Tomando como recorte a teoria humoral e a gramática das emoções associada a paisagem e sua subsequente incorporação no discurso da teoria do cinema, visa-se tensionar a trivialização e esvaziamento do conceito, oferecendo pistas para sua análise na encenação.
Deslimites do pensamento: provocações bressaneanas à teoria do cinema
Lennon Pereira Macedo (UFRGS)
Almejamos traçar um diagrama em torno do conceito de deslimite extraído dos escritos de Júlio Bressane. Desde uma teoria de inspiração deleuziana, a construção de conceitos torna-se vital para compreender a relação entre o pensamento cinematográfico e o pensamento teórico. A essa composição Bressane acrescenta uma reversibilidade entre formas artísticas e filosóficas. Para estudar esse deslimite entre formas, elaboramos uma genealogia do conceito de deslimite através das heranças bressaneanas.

PA 16 – Análises do corpo e da performance como arquivo no audiovisual – Coordenação: Laís de Lorenço Teixeira

10/11 às 9h00
A imagem de Getúlio Vargas (1937-1945) pelo Cine Jornal Brasileiro
Sofia Figueira de Siqueira (UFSCAR)
O cinema de propaganda foi uma ferramenta importante para a construção de um Estado centralizador ao longo do século XX. Considerando sua conexão com o público em geral, este trabalho busca explorar a existência de uma expressão ideológica autoritária na representação do corpo de Getúlio Vargas, exibido nas edições do Cine Jornal Brasileiro no período do Estado Novo. A partir da análise fílmica, pretende-se evidenciar o uso do cinema nacional para a manifestação de uma mentalidade autoritária
O uso de imagens de arquivo e da performance em filmes-ensaios
Marcus Vinicius Azevedo de Mesquita (UnB)Bruno Victor dos Santos Almeida (Unicamp)
Este artigo busca compreender a maneira como os filmes: Alma no olho, Tudo que é apertado rasga e E no rumo do meu sangue, constituem filmes-ensaios que elaboram construções acerca de questões que afetam os realizadores. A partir do exame dos elementos que compõem a narrativa fílmica, buscamos compreender como os filmes desenvolvem narrativas a partir de imagens de arquivo e da performance para construir ensaios, que explicitam as visões dos diretores acerca da experiência negra no Brasil.
Corpo e performance em O rei do cagaço (1977) e Shave & Send (1977)
Frederico Franco (UNESPAR)
O presente trabalho propõe uma análise comparativa dos filmes O rei do cagaço, de Edgard Navarro, e Shave & Send, de Jorge Mourão, a partir de um diálogo com teorias da performance e do uso do corpo nas artes visuais. Através de textos de Frederico Morais, Hélio Oiticica e Décio Pignatari e trabalhos de Artur Barrio e Lygia Clark, busca-se compreender como ambos os filmes, aliados a seu contexto artístico-cultural, encontram nos corpos um instrumento de experimentação estética.
As duas faces de Dôra
ANA MARIA STRAUBE DE ASSIS MOURA (Unicamp)
Este trabalho tem como objetivo analisar dois documentários produzidos por Luiz Alberto Barreto Sanz: “Não é hora de chorar” (1971, Chile), e “Dôra, ou Quando chegar o momento” (1978, Suécia). Ambos os filmes trazem, de diferentes formas, a história da militante Maria Auxiliadora Lara Barcelos (Dôra), presa e banida pela ditadura militar brasileira. A análise parte do contexto histórico e das condições materiais em que os filmes foram produzidos para discutir suas opções estéticas e narrativas.

MESA A memória construída pelos cinejornais e telerreportagens brasileiros

10/11 às 9h00
Representações e visibilidades juvenis em telerreportagens da TV Tupi
Rosana de Lima Soares (USP)
Este estudo busca analisar telerreportagens relacionadas às representações da juventude e das visibilidades juvenis veiculadas em telejornais da TV Tupi de São Paulo entre 1962 e 1974. Pretende-se, assim, empreender uma análise crítica dessas produções, investigando as políticas da representação, os regimes de visibilidade e as estratégias de reconhecimento dos jovens e das culturas juvenis nos chamados “discursos referenciais” presentes em narrativas audiovisuais do período tratado.
O maio de 68 nas telerreportagens da TV Tupi
Eduardo Victorio Morettin (USP)
A comunicação tem por objetivo examinar a representação dos protestos estudantis nas telerreportagens da TV Tupi exibidas em 1968, com especial ênfase nos eventos ligados ao maio de 68 francês. Com isso, discutiremos a construção histórica da política por meio da análise das imagens audiovisuais sobre a França e do discurso político elaborado por essa linguagem.
Segmentos recompostos: pesquisar e catalogar cinejornais na Cinemateca
Rodrigo Archangelo (Cinemateca Bras.)
Resultado do trabalho com cinejornais na Cinemateca Brasileira e da pesquisa de pós-doutorado alavancada pelo Projeto Temático FAPESP “Audiovisual, história e preservação: o lugar dos cinejornais e das telerreportagens brasileiros na construção da memória (1946-1974)”. Edições do Fundo Atlântida e Fundo Canal 100 com segmentos recompostos pela investigação, pesquisa e catalogação revelam camadas que conectam sua cultura cinematográfica a interpretações da cultura política brasileira.

ST Tenda Cuir – Sessão 5

10/11 às 11h00
A heterocuiridade abjeta em Close, de Lukas Dhont
Fernando Mascarello (Pesq. Independente)
Recorrendo a conceitos como os de desejo homossocial e pânico homossexual (E. Sedgwick), abjeto (J. Butler) e homens heterocuir (R. Heasley), e tendo como horizonte comparativo a categoria cultural do bromance, analiso a encenação da repressão social e psíquica ao amor fraterno entre meninos púberes no filme de Lukas Dhont.
O estatuto do heteropessimismo na cultura pop contemporânea
Thalita Cruz Bastos (UVA/UNISUAM)
Pode a mulher hétero sofrer? A relação entre tragédia da heterossexualidade, o paradoxo da misoginia e o heteropessimismo feminino são a chave de análise para obras audiovisuais da cultura pop contemporânea. Este trabalho propõe refletir sobre como o heteropessimismo não necessariamente produz uma solução para a crise da heterossexualidade, mas aponta seus pontos conflituosos e ensaia alternativas de existências dissidentes, fora da heterossexualidade.
Meninos cuir na ficção televisiva infantojuvenil: Cyrus, de Andi Mack
João Paulo Lopes de Meira Hergesel (PUC-Campinas)
Como a ficção televisiva infantojuvenil vem construindo seus personagens cuir? O objetivo deste trabalho é discutir a construção do menino adolescente homossexual na série “Andi Mack” (Disney Channel, 2017-2019). O método utilizado é o da análise de personagens, focalizando quatro cenas protagonizadas por Cyrus Goodman. Os resultados apontaram que o garoto vai se sentindo confortável sobre si próprio e seus sentimentos ao receber apoio dos amigos.

ST Estudos do insólito e do horror no audiovisual – Sessão 6

10/11 às 11h00
Tornar-se Homem: A Garota Final e o Garoto Injustiçado
PEDRO ARTUR BAPTISTA LAURIA (UFF)
O presente trabalho tem como objetivo demonstrar a proximidade sintática entre dois dos mais influentes arquétipos do cinema estadunidense oitentista: a “garota final” dos slashers e o “garoto injustiçado” do suburbanismo fantástico. Ao fazê-lo, o trabalho também destaca as proximidades semânticas, estéticas e conjunturais entre estes dois subgêneros que, apesar de mercadologicamente dissociados durante os anos 1980, apresentam também uma origem em comum: o suburbanismo gótico.
O insólito como tradição na produção audiovisual para crianças
Zuleika de Paula Bueno (UEM)
O objetivo desta comunicação é discutir a profunda articulação existente entre o insólito ficcional e a produção audiovisual para crianças. Para isto, três produções seriadas televisivas, realizadas no Brasil em três momentos históricos distintos, são tomadas como objetos de análise: Sítio do Pica Pau Amarelo (em sua versão produzida entre as décadas de 1970 e 1980), Castelo Rá-Tim-Bum e Detetives do Prédio Azul.
Gremlins, um E.T. com dentes para Ronald Reagan
Laura Loguercio Cánepa (UAM)Ana Maria Acker (ULBRA)
A comédia de horror infanto-juvenil Gremlins (Joe Dante, EUA 1984) pertence a uma leva de filmes estadunidenses caracterizada pelo olhar nostálgico à indústria cultural e ao conservadorismo político e comportamental dos anos 1950, que foram recuperados pela Era Reagan. O presente trabalho explora o papel singular desempenhado por Gremlins nesse contexto, observando como o filme utiliza princípios do bio-horror para produzir um discurso crítico que o diferencia da maioria de seus contemporâneos.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 6

10/11 às 11h00
A produtora de cinema Adélia Sampaio – A “cineasta das minorias”.
Camila Christina Bezerra Soares (UNICAMP)
A Cineasta Adélia Sampaio após os lançamentos dos curtas – metragens que dirigiu e o lançamento do filme Parceiros da Aventura (1980) de José Medeiros em que assinou a direção de produção o Jornalista Ailton Assis do Jornal da Tribuna cita Sampaio como a “cineasta das minorias”. Este trabalho pretende discutir a atividade da cineasta enquanto produtora cinematográfica e sua inscrição na historiografia do cinema brasileiro.
Cinema é travessia: escrevivências de mulheres negras no curtametragem
Quézia Maria Lopes Gomes da Silva Ribeiro (UFF)
Neste trabalho, debruço-me sobre as narrativas documentais, numa abordagem interseccional, que leva em consideração raça, gênero, sexualidade, a partir de obras de três realizadoras negras contemporâneas, entre elas: Travessia (2017), de Safira Moreira; NoirBlue – Deslocamentos de uma dança (2018), de Ana Pi; (Outros) Fundamentos (2019) e Pontes sobre Abismos (2018), ambas de Aline Motta. Como fundamentação teórica, mobilizarei os conceitos de Lélia Gonzalez, B. Nascimento, Fanon e N. S. Souza.
Ontologia das vidas pretas em experimento audiovisual de Arthur Jafa
Irene de Araújo Machado (USP)
O estudo é uma introdução ao debate sobre as concepções de ontologia da negritude apresentadas no filme-ensaio Dreams are colder than Death (2013), do multiartista Arthur Jafa, parte de sua investigação sobre Black Aesthetics. Para isso, examinamos como premissas discursivas traduzidas em procedimentos audiovisuais evidenciam formas de opressão produzidas pelos movimentos diaspóricos, perpetuando a segregação racial e negando o exercício dos direitos civilizatórios universais da humanidade.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 6 – Documentário e tensões com o poder

10/11 às 11h00
À margem da imagem: Amazônia e ditadura militar
Mariana Lucas (UFF)
A proposta deste trabalho consiste em realizar uma análise comparativa dos filmes: O projeto Jarí, Jean Manzon (1977) e Jarí, Jorge Bodanzky e Wolf Gauer (1979). Busca-se compreender a maneira como o imaginário desenvolvimentista é formalizado , contrapondo uma produção que compactua com a visão do regime a um documentário crítico. O objetivo é analisar os diferentes regimes de historicidade que atravessam a imagem em seu constructo enquanto imaginário social e expressão cultural.
A fase brasiliense do cinema de Vladimir Carvalho
André Lima Monfrini (ECA USP)
A presente comunicação analisa três filmes do documentarista paraibano radicado em Brasília Vladimir Carvalho. São eles: os curtas Brasília segundo Feldman (1979) e Perseghini (1984), e o longa-metragem Conterrâneos Velhos de Guerra (1991). Tomados em conjunto, estes filmes encaminham um projeto de história e memória de Brasília. Carvalho confronta a memória hegemônica construída por agentes ligados a circuitos do poder político e ao projeto da arquitetura moderna brasileira.

ST Cinemas decoloniais, periféricos e das naturezas – Sessão 5 Cinemas Transnacionais e periféricos

10/11 às 11h00
Uyra Sodoma: narrativa transmídia e transgênero sobre o fim do mundo
MARCOS PAULO SOUZA CORRÊA (UFSCAR)
O trabalho tem como objetivo estabelecer uma relação da temática do fim do mundo presente no projeto transmídia multiplataforma Manaus, uma cidade na aldeia (2020), de Uyra Sodoma, com as perspectivas de Débora Danowski e Eduardo Viveiros de Castro (2014), Ailton Krenak (2019, 2020) e Dodi Leal (2021). Nossa pesquisa evidencia acentuação de tal temática a partir da pandemia de Covid-19 e constata distintas perspectivas e noções em torno do “fim do mundo”, apontando para o futuro da humanidade.
Migração e natureza latino-americana no documentário transnacional con
Filipa Raposo do Amaral Ribeiro do Rosário (CEComp-FLUL)
O trabalho analisa as paisagens “naturais” de Territorio (Cuesta, 2016), El mar la mar (JSniadecki e Bonnetta, 2017) e ELDORADO XXI (Lamas, 2016), para compreender de que forma o documentário contemporâneo transnacional codifica a atual estrutura de sentimento apocalíptica gerada pelo tardo capitalismo e globalização. Fá-lo, examinado a experiência sublime da paisagem “natural” latino-americana, contribuindo, assim, para a conceptualização do sublime enquanto categoria estética não-eurocêntrica.
Cinemas transnacionais e periféricos – quatro filmes em questão
Ivonete Pinto (UFPel)
A comunicação objetiva problematizar conceitos em torno de nomenclaturas como cinemas periféricos, world cinema e transnational cinema. Partimos de entendimentos preliminares sobre o tema (Pinto, 2021) e, como um work in progress, a ideia é cruzar hipóteses propostas por Stam (2019) envolvendo dois eixos principais: a questão narrativa e de estilo e a questão contextual (geopolítica e cultural) em que se apresentam quatro filmes de diferentes origens.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Sessão 5

10/11 às 11h00
As partilhas sensíveis de Temporada: roteiro, diário e filme
ROBERTO RIBEIRO MIRANDA COTTA (UFPel)
Tendo em vista o longa-metragem Temporada (2018) e o livro Roteiro e diário de produção de um filme chamado Temporada (2021), escrito pelo roteirista, diretor e montador André Novais Oliveira, analisa-se o atravessamento das experiências cotidianas no processo criativo do longa. À luz da partilha do sensível de Rancière (2005), consideram-se as trocas construídas dentro e fora do set e o contexto sociopolítico para compreender como os elementos relatados desembocam na narrativa do filme.
Desenvolvimento de roteiro de cinema no Brasil: discursos de qualidade
Ester Marçal Fér (UNICAMP / UNILA)
Esta comunicação pretende observar quais são os discursos de qualidade e os seus devidos marcadores utilizados nas práticas de desenvolvimento de roteiro cinematográfico de ficção no Brasil. Para isso, lança mão dos conceitos formulados por Batty & Taylor (2021) e do cotejo entre os documentos das Linhas de Desenvolvimento da ANCINE e documentos de processo (SALLES, 2016) tais como sinopses e tratamentos de roteiro de filmes que transitaram por dois laboratórios de roteiro nacionais.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 6

10/11 às 11h00
De Symbiosis e Cine Planta a Botannica Tirannica: Natureza e cinema
Wilson Oliveira da Silva Filho (PPGCINE/UFF e UNESA)
Do cinema ao vivo de “Symbiosis”, de Roberta Carvalho e “Cine Planta”, de Paola Barreto, Marlus Araújo e Guto Nóbrega aos vídeos “Flora Rebelis”, parte da exposição “Botannica Tirannica”, de Gisele Beiguelman podemos ao mesmo tempo pensá-los como experimentos ecológico-midiáticos, mas literalmente compreendê-los na relação entre cinema e uma natureza expandida. Analisar tais obras é o objetivo do trabalho, atentando para a relação entre cinema e natureza, entre meio e ambiente no contemporâneo
Liberdade vertiginosa: o ensino de cinema experimental na universidade
Luis Fernando Severo (Unespar)
Relato analítico da experiência em ministrar durante quatro semestres a disciplina optativa Cinema Experimental e Underground no Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Paraná. A partir da proposta de utilizar como método avaliativo a realização de filmes experimentais individuais ou em equipe, aconteceu uma intensa resposta dos alunos e alunas participantes das aulas, gerando um corpo de mais de oitenta obras no gênero, com notável diversidade.

ST Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil. – O lugar do streaming e suas dissonâncias

10/11 às 11h00
O streaming e o cinema brasileiro: diálogos e imposições
Sheila Schvarzman (UAM)
Como a implantação das das grandes plataformas internacionais de streaming no Brasil vem impactando a produção nacional de filmes e em especial, aqueles produzidos pela Netflix, e Amazon Prime, e em consequência, a Globoplay. Quais as características dessas produções, formas de realização e os resultados sobre economia do audiovisual no Brasil nos últimos quatro anos.
Na minha mão é mais barato: mediação de acesso e streaming no Brasil
Pedro Peixoto Curi (ESPM Rio)
A experiência de assistir a conteúdos audiovisuais por streaming trouxe aos espectadores brasileiros novos mediadores de acesso, diferentes dos presentes na vivência do cinema, da TV linear, do vídeo sob demanda ou mesmo da pirataria. A partir dos aparelhos, das relações entre espectadores ou das (re)configurações do mercado, este trabalho busca, diante das novas batalhas da Guerra dos Streamings no Brasil, refletir sobre esses sistemas de mediação, seus usos estratégicos e os impactos locais.
A commodificação dos afetos: cinema e plataformas
Pedro de Araujo Nogueira Tinen (AvH-Stiftung)
Partindo dos estudos de audiência, plataformização, e da economia de dados, a presente comunicação propõe uma reflexão sobre a posição política e afetiva dos públicos do audiovisual diante do quadro econômico-institucional proporcionado pelo streaming, pelos algoritmos e pela inteligência artificial. Apresentam-se os conceitos do trabalho emocional, da análise sentimental e das emoções como commodities, recursos mensuráveis e comercializáveis em face aos paradigmas da economia da atenção.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 6 – Cinematografias e formações

10/11 às 11h00
O estrangeirismo na cinematografia brasileira: carisma, estilo e criaç
ALINE DE CALDAS COSTA DOS SANTOS (UFOB)
O trabalho aprofunda a discussão sobre o estrangeirismo na cinematografia brasileira sob a versão revista do conceito sociológico de carisma (SILVA, 2019). Trata-se de estudo sobre a formação de comunidades em torno da cinematografia evidenciando certos valores comuns. O recorte é a trajetória de Barbara Alvarez, diretora de fotografia uruguaia atuante no Brasil e membro do Coletivo de mulheres e pessoas transgênero do departamento de fotografia do cinema brasileiro (DAFB).
Do fotojornalismo à cinematografia
Matheus José Pessoa de Andrade (UFPB)
A formação para o ofício da direção de fotografia de cinema e audiovisual, no Brasil, consiste num emaranhado de caminhos possíveis que se entrecruzam na capacitação para essa profissão. Nossa proposta é lançar luz sobre o fotojornalismo como um caminho para a cinematografia, conforme declaram profissionais que o trilharam.
Entre técnica e sensibilidade: Uma possível História da Cinematografia
Camilo Soares (UFPE)
Como pensar a evolução da direção de fotografia tal qual uma extensão da história do cinema e, consequentemente, da história da arte? A observação do progresso técnico é inevitável, mas não pode restringir a compreensão da cinematografia apenas como fabricante maquinal de matéria bruta para filmes, sem avaliá-la também como imprescindível resposta às novas sensibilidades, além de artífice de valores e significados dados às imagens de uma época.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 5 – ESCUTA, TERRITÓRIO E GÊNERO NO AUDIOVISUAL

10/11 às 11h00
Pedagogia de Reativação da Escuta na formação audiovisual
Marina Mapurunga de Miranda Ferreira (UFRB)
Este trabalho propõe uma pedagogia de Reativação da Escuta por meio de práticas sonoras experimentais como estratégias pedagógicas para o ensino de som em cursos de Cinema e Audiovisual. A partir de uma discussão teórica sobre a escuta, propomos duas estratégias de Reativação da Escuta: a Cartografia Aural e a Orquestra de Improvisação Audiovisual. Ao final da apresentação, trazemos o resultado das aplicações de tais estratégias no contexto do curso de Cinema e Audiovisual da UFRB.
Ocupação Sonora: o MST é um estrondo!
camila machado garcia de lima (UFF)
Este projeto é um estudo do som a partir de gravações de campo em territórios ocupados pelo MST. A ocupação sonora diz respeito à atuação dos movimentos no aumento da diversidade sonora e da escuta, transformando sonoramente o campo brasileiro, a política e a sociedade. Noções como reverberação, ressonância, diversidade espectral e fronteira sonora farão parte da análise do sonoro enquanto política.
Nas trilhas delas: compositoras para o cinema no Brasil e no mundo.
Suzana Reck Miranda (UFSCar)GEÓRGIA CYNARA COELHO DE SOUZA (UEG/UFG)
Esta comunicação apresenta resultados parciais de um amplo levantamento sobre o cenário brasileiro em relação à autoria de trilhas musicais cinematográficas. Em diálogo com alguns estudos mundiais que demonstram as consequências de uma lógica patriarcal na invisibilidade da carreira das compositoras de música para cinema, nossa investigação objetiva valorizar e dar visibilidade às compositoras que, num meio tão dominado por homens, enfrentam dificuldades em dar continuidade às suas carreiras.

PA 8 – Filmar com o pincel, desenhar com a câmera: diálogos entre pintura e cinema – Coordenação: Benedito Ferreira dos Santos Neto

10/11 às 11h00
CARÁTER TRANSGRESSIVO DE SUDOESTE: PERFORMATIVIDADE DE SEUS FOTOGRAMAS
LUCIANA BUARQUE (UFRJ)
A proposta é destacar o caráter transgressivo da gramática visual de Sudoeste, de Eduardo Nunes. O filme tangencia a região limítrofe entre cinema, fotografia e pintura, rompendo com as formas de criar e as formas de percepção visual consolidadas. Pretende-se expor a ideia analisando o caráter performativo de seus fotogramas, entendido aqui em um lugar de transição, entre fotografia e cinema, não mais como recorte de um tempo cronológico, simétrico, destituído de duração.
O reverberar do corpo opaco na imagem do suicídio em Aftersun (2022)
Iury Peres Malucelli (Unespar)
A partir do ato de cruzar imagens (SAMAIN, 2012) propõe-se a reflexão sobre a imagem do suicídio no filme Aftersun (2022) e sua relação gestual com outra obra que não encena o ato diretamente: Bom Trabalho (1999). A aproximação leva em conta a existência da recorrência formal em certas representações da morte de si, percebida em obras como a pintura Le Suicidé (1877). Utilizam-se recursos de análise fílmica, bem como o diálogo com pesquisadores da imagem (Samain, 2012; Didi-Huberman, 2013).
Rohmer e a tradição pictórica: diálogos entre pintura e O Raio Verde
Giovanni Alencar Comodo (UNESPAR)
Em sua busca constante pelo belo e o verdadeiro no cinema, Éric Rohmer realiza “O Raio Verde”, um filme totalmente improvisado e em movimento constante por locações em toda a França durante o verão. Mesmo rodado às pressas, seu filme estabelece um diálogo com grandes nomes da pintura francesa, especialmente Cézanne. Suas inquietações desde crítico de cinema sobre o antigo e o novo na arte provocam diálogos possíveis com a tradição e a modernidade na pintura.

ST Festivais e mostras de cinema e audiovisual – Sessão 5 – investigando curadorias: formação e intervenção a partir dos festivais de cinema

10/11 às 11h00
Curadoria educativa em festivais infantojuvenis
Ana Paula Nunes (UFRB)julio cesar de souza tavares (Antropologia, UFF)
Com base em Vergara (2018), nossa proposição de curadoria educativa em festivais de cinema, para o público infantojuvenil, visa unir duas perspectivas: vida comum em contraste com o espaço “sagrado” dos filmes e a construção de uma sociedade mais justa por meio de discussão sobre o apartaide no audiovisual brasileiro. Vamos refletir sobre curadoria educativa, suas dimensões de cuidado e cura (ALMEIDA, 2018), considerando a experiência da Mostra de Cinema Infantojuvenil de Cachoeira – ManduCA.
Curadoria: Reparações, constelações e visões do cinema brasileiro.
Arthur Benfica Senra (UnB)
A pesquisa propõe investigar o trabalho de curadores e programadores de filmes brasileiros. O surgimento de especialistas em curadoria e programação de cinema no Brasil coincide com o nascimento e desenvolvimento de festivais de cinema, filmes e políticas públicas para o setor. Uma análise comparativa sobre os gestos curatoriais de diferentes profissionais, observando as possibilidades de refletir, pensar e projetar um país através das diferentes visões de Brasil e do cinema brasileiro.

ST Cinema Comparado – Sessão 5: Conexões italianas: de Vittorio De Seta a Carmelo Bene, com Glauber Rocha de permeio

10/11 às 11h00
De Seta e Olmi: As Vicissitudes do Documentário Italiano dos Anos 1950
Matheus Batista Massias (UNICAMP)
Ao cotejar as obras dos diretores italianos De Seta e Olmi nos anos de 1950, este trabalho almeja analisar como a modernização e a modernidade se desdobram, respectivamente, nos planos socioeconômico e cinematográfico, e como eles desencadeiam representações distintas do trabalho e da paisagem no sul e no norte do país. Visto que trabalho e trabalhadores têm sido pouco retratados no cinema, constelações fílmicas são traçadas a fim de pontuar as vicissitudes do documentário italiano dessa época.
Gaviões e Passarinhos e Terra em transe: o luto da esquerda em DIL
Leandro Rocha Saraiva (UFSCar)
Análise comparativa de Terra em transe (Glauber Rocha, 1967) e Gaviões e Passarinhos (Pasolini, 1966) , à luz dos modos de emprego do discurso indireto livre nestes dois filme, empreendendo, para isso, uma revisão do conceito de subjetiva indireta livre
O diálogo com Carmelo Bene no estilo tardio de Glauber Rocha
Mateus Araujo Silva (ECA-USP)
A comunicação discute o diálogo perceptível travado pelos últimos filmes de Glauber Rocha (sobretudo Claro e Idade da Terra) com aspectos do trabalho do ator, diretor teatral, escritor e cineasta italiano Carmelo Bene (1937-2002), que ele integrou ao seu programa estético, apropriando-se completamente deles e transformando-os em matéria inteiramente sua. Nunca alardeado por Glauber e ignorado amiúde por seus intérpretes, tal diálogo ajuda a avaliar melhor a singularidade de seu estilo tardio.

ST Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas – Sessão 5| Documentário e construção de memórias

10/11 às 11h00
Construção de memória de mulheres no documentário latino-americano
Laís de Lorenço Teixeira (UNICAMP)
Os documentários latino-americanos contemporâneos agregam obras que se constroem baseados em “eus” narrativos de mulheres. A busca pela memória pessoal e familiar é demarcada pela relevância política e de gênero. Com Silvia (María Silvia Esteve, 2018, Argentina/Chile) e Hija (María Paz González, 2011, Chile), objetivo delinear linhas de força (temáticas e linguagem) dessa produção, com objetivo de compreender melhor como se sustentam no campo expressivo subjetivo atual.
Mauricio Berú: Documentário latinoamericano entre exílio e performance
Natacha Muriel López Gallucci (UFAL)
Abordamos aspectos da trajetória de Mauricio Berú (1927), documentalista argentino e exilado em São Paulo, Brasil, durante a última ditadura cívico militar na Argentina. Buscamos construir uma primeira aproximação estética da sua obra fruto da entrevista pessoal e da análise fílmica seus trabalhos mais reconhecidos Fuelle Querido (1967), Certas Palavras com Chico Buarque (1980), Quinteto (1971), Tango y Tango (1984), Vamos Tango Todavia (1990-1992) e Piazzolla en Buenos Aires (2005).
Noticiero ICAIC Latinoamericano: arquivo, montagem e História
Tainá Carvalho Ottoni de Menezes (UFF)
Este trabalho faz parte da pesquisa para a tese de doutorado realizada no PPGCINE da Universidade Federal Fluminense, sobre os arquivos do Noticiero ICAIC Latinoamericano (NIL). Busca-se neste breve espaço, à luz do pensamento de Frantz Fanon, observar os mecanismos de alinhamento discursivo entre linguagem cine-jornalística e enunciado oficial do Governo Revolucionário Cubano, através da análise da edição nº 495 dedicada ao centenário de Vladmir Lênin.

ST Tenda Cuir – Sessão 6

10/11 às 14h30
Fingindo ser menines: fugas de gênero em filmes de high school
Adriana P F Azevedo (UFRJ)
Neste trabalho serão analisados filmes de Hollywood adolescentes de comédia que retratem personagens que “fingem ser de outro gênero”. Para esta exposição, selecionei quatro filmes: “Just one of the guys” (1985), “Nobody is perfect” (1989), “Anything for love” (1993) e “She’s the man” (2006). As análises levarão em conta a dimensão da espectatorialidade e como, apesar de um discurso normativo sobre o gênero, essas obras colaboram com o que chamarei de “fugas do gênero”.
O nomadismo da experiência bissexual em Les Rendez-Vous D’Anna
Julie de Oliveira (Sem Vínculo)
Este trabalho discute o processo de nomadismo na experiência bissexual da personagem Anna Silver no filme Les Rendez-Vous D’Anna, de Chantal Akerman. Pensamos a bissexualidade enquanto experiência fluida, em lugar de a entendermos apenas como uma identidade fixa: é sim o estado daquele cujo desejo transita entre gêneros diversos, ou à sua revelia.
Fracasso, coletividade e outros futuros a partir da vivência cuír
Emylinn Fernanda Tostes Lobo (UFSC)
Para quem já é o próprio fracasso, a construção de um futuro decolonial que não cabe na lógica cisheteronormativa capitalista vigente (Halberstam, 2020) já é tecida artesanalmente e de forma coletiva. Esse trabalho reflete sobre o pós-fracasso a partir da resistência de corpos marginalizados queers no cinema brasileiro, em especial a cantora travesti preta periférica Linn da Quebrada (Bixa Travesty, 2018), e a personagem ficcional transexual Rose (Os Primeiros Soldados, 2022).

PA 7 – As mil faces do horror – Coordenação: Juliana Monteiro

10/11 às 14h30
A Produção atual do Cinema de Horror Brasileiro
Matheus Maltempi Munhoz (Unicamp)
Esta apresentação se propõe analisar a cadeia produtiva contemporânea do cinema de horror brasileiro por meio do estudo de um corpus de filmes específico: As Boas Maneiras (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017) e Animal Cordial (Gabriela Amaral Almeida, 2018). Pretende-se fazer essa investigação através de entrevistas com os realizadores das obras e apresentar alguns resultados parciais no painel em questão.
Análise comparada de “A Inocente Face do Terror”: entre livro e filme
Marco Antônio Bonatelli Torres (UFF)
A apresentação discute de que maneira o romance “A Inocente Face do Terror” (“The Other”, 1971), de Thomas Tryon, e sua adaptação homônima para o cinema, de Robert Mulligan (1972), conjugam os elementos “Mal” e “inocência” no cerne de suas narrativas – através de representações do Diabo e da criança, respetivamente. Para tanto, fundamenta-se em uma leitura comparada entre obras (livro e filme), aliada à estudos historiográficos que se detêm sobre o fenômeno sociocultural que ambas construíram.
O horror na adaptação de jogos eletrônicos: o caso de The Last of Us
Allison Vicente Xavier Gonzalez (UFscar)
Alguns estudos já foram realizados sobre as adaptações de jogos eletrônicos de gênero horror para outros formatos de mídia. Em geral, a sobrevivência parece ser algo peculiar nos jogos e encaixa-se de forma diferente quando adaptada. Este trabalho pretende analisar e discutir alguns aspectos do gênero na adaptação The Last of Us com ênfase no episódio oito da série televisiva. Aponta-se que: o horror se manifesta diferentemente em cada formato, porém mantém seu fundamento principal da narrativa.
Quando a paisagem esconde o rosto
Eduardo Azevedo Medeiros (UFMG)
A partir da aproximação das obras O Infarto da Alma (1994) e O Filho de Saul (2015), buscamos discutir o impacto da exclusão da paisagem do horror no surgimento do que o filósofo Emmanuel Lévinas (1999) chama de “rosto”. Defenderemos que ambas as obras desviam da representação esperada das vítimas, mostrando sua humanidade a partir de estratégias como o enquadramento e a profundidade de campo, para dar menos enfoque aos espaços de sofrimento e evidenciar heterotopias de afeto.

CI 23 – Experiências em formação audiovisual – Coordenação: Isaac Pipano Alcantarilla

10/11 às 14h30
“Mundo-imagem”: um percurso de formação remoto em audiovisual
Isaac Pipano Alcantarilla (Unifor)
A linguagem e os recursos audiovisuais têm sido largamente empregados nas estratégias de ensino-aprendizagem em todos os campos do conhecimento e níveis da educação. Entretanto, sua aplicação majoritária adota o formato das videoaulas que emulam a dinâmica de transmissão do conhecimento. A série educativa “Mundo-Imagem” procura desconstruir essa premissa ao apostar numa experiência de formação remota em edição e montagem, dialógica e interativa, a partir de um curso ofertado pelo Moodle.
Doc Cariri: experiências de formação e produção audiovisual no Ceará
Rodrigo Capistrano Camurça (UFCA)
Até meados dos anos de 1990 era praticamente inexistente o investimento em formação e produção de cinema no Ceará, especialmente no interior do estado. A cidade de Juazeiro do Norte e a região do Cariri cearense, reconhecida como um território de ricas manifestações culturais, vem desenvolvendo experiências de formação audiovisual que potencializam a produção local. A comunicação analisa especialmente o projeto “DOC Cariri – Curso de Documentário”, que realiza em 2023 a sua segunda edição.
Filme-ensaio: um “não gênero” para “não-cineastas”
Álvaro Renan José de Brito Alves (UFPE)
Esta apresentação pretende desenvolver algumas notas a partir da experiência de uma disciplina eletiva para o curso de Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco. A disciplina “Cinema, currículo e educação”, ministrada em 2020 para estágio docência, serviu como um curso de formação de professores, sendo adaptada para o contexto de isolamento social da pandemia de Covid-19. Trabalhamos a produção de filmes a partir da apropriação de imagens de arquivo e da perspectiva do filme-ensaio.

CI 43 – Percursos do cinema – políticas de distribuição – Coordenação: Alessandra Souza Melett Brum

10/11 às 14h30
Os projetos de cinema da CSN para Volta Redonda/RJ.
Alessandra Souza Melett Brum (UFJF)
Esta comunicação tem objetivo traçar um perfil preliminar dos projetos de cinema para a cidade de Volta Redonda/RJ pela Companhia Siderúrgica Nacional – CSN. A construção do cinema consta desde o início do plano urbanístico da cidade operária da CSN planejado pelo arquiteto Attilio Corrêa Lima. Projeto do Estado Novo, a cidade de Volta Redonda é concebida como modelo de cidade a ser seguida no Brasil, com seus espaços de lazer inseridos na lógica da indústria.
Um percurso fílmico-cartográfico nos limites da capital argentina
Caio Bortolotti Batista (PPGCOM-UFRJ)
Em um percurso analítico que se faz entre espaços fílmicos e espaços sociais relacionados com uma grande feira popular situada nos limites da cidade de Buenos Aires, busca-se uma cartografia mais múltipla e aberta de determinados processos migratórios na região, ao mesmo tempo em que o próprio cinema é posicionado como alvo movediço de observação quanto a suas possibilidades epistemológicas, no contexto do “novo paradigma das mobilidades” (SHELLER; URRY, 2006) que se apresenta no século XXI.
Um aceno formal em meio à informalidade: o caso Frederico Machado
Andréia de Lima Silva (UFF)
Os primeiros longas-metragens ficcionais maranhenses nasceram em um cenário de informalidade, no ano de 2006, quando os primeiros filmes surgiram e não foram registrados na ANCINE. Mas foi também nesse período que foi criada em São Luís (MA) a produtora e distribuidora do cineasta Frederico Machado: Lume Filmes. O selo é considerado um dos mais respeitados quando se fala em cinema autoral no Brasil e nasceu em um estado que não possui tradição cinematográfica estabelecida ao longo do século XX.

ST Cinemas decoloniais, periféricos e das naturezas – Sessão 6 Poéticas audiovisuais de pertencimento

10/11 às 14h30
Cinemas de territórios: a compreensão de uma prática
Camilla Vidal Shinoda (USP)
O artigo busca compreender as possibilidades de uma prática cinematográfica que articule as poéticas do pertencimento de cineastas subalternizados a uma relação ética com a dimensão humana do território. A proposta é que o território, a sua ocupação e a luta pela terra operem como categorias analíticas no estudo do cinema. Investigaremos, assim, os primeiros modos de vínculos com a terra que povos indígenas e afrodiaspóricos estabeleceram, entendendo como isso afeta as produções fílmicas.
A Estética e a Política do “Falar de Perto” em Trinh T. Minh-ha
Marina Costin Fuser (USP)
A suspensão do enunciado está no cerne da política de Trinh T. Minh-ha de “falar de perto”, abrindo caminho para o posicionamento do olhar do etnógrafo visual como um ponto de vista. Sua política de falar de perto é uma assinatura estética, uma forma de tratar a alteridade que lança mão de imagens, palavras e sons em todas as suas obras cinematográficas. Meu intuito é explorar as trilhas e fissuras que desviam e abrem caminho para significados abertos, desterritorializando o olhar colonial.

CI 46 – Tensões narrativas no audiovisual contemporâneo – Coordenação: Alex Ferreira Damasceno

10/11 às 14h30
Blockbuster áspero e followability bloqueada: uma análise de Tenet
Alex Ferreira Damasceno (UFPA)
O trabalho analisa a questão da followability (GALLIE, 1968) no filme Tenet (2020), de Christopher Nolan. Defendo que o filme é um blockbuster de forma áspera (THOMPSON, 1988), que intencionalmente bloqueia a compreensão da sua história. Aponto os dispositivos formais que frustram o processamento das informações, retardam a progressão da narrativa e confundem o encadeamento das ações. Por fim, discorro sobre como esse fenômeno segue uma lógica de engajamento do público na produção de conteúdo.
La imagen orgiástica: tachadura y simulacros
Christian Irving Martínez Romero (UAM)
Se hace un análisis paralelo entre los cines Latinoamericano y Hollywoodense, a fin de reparar en las posibilidades del discurso polifacético que deviene en simulacro, resultado de un período de exceso de imágenes concebido como la orgía. Hecho que provoca el deterioro del drama y la desaparición de la otredad. La imagen orgiástica oblitera en forma de tachadura y anula al otro para poner en marcha una narrativa de la simulación: los simulacros de la otredad y del relato.
Mecânicas narrativas de mundo aberto como repertório audiovisual
Guilherme Soares (UERJ/UFRB)
A ideia de que a possibilidade de maior realismo, e uma maior inserção de elementos cinematográficos ou de animação mais complexa dentro da sequência das jogabilidades dos games atuais torna-os mais narrativos e próximos a um “cinema expandido”, pode parecer intuitivamente lógica, mas gerou um dos problemas centrais da fundação do campo dos game studies como subárea dos estudos de mídia. Os conceito de “mecânica narrativa” e “mundo aberto” reaproximam aqui teorias do audiovisual e games

CI 39 – Aspectos experimentais e cinema expandido – Coordenação: Maria Cristina Mendes

10/11 às 14h30
Manifesto, de Julian Rosefeldt: da videoinstalação ao longa-metragem
Maria Cristina Mendes (UNESPAR)Valdir Heitkoeter de Melo Junior (UNESPAR)
O longa-metragem Manifesto (Julian Rosefeld, 2015) é criado a partir da instalação homônima e traz Cate Blanchett protagonizando treze personagens, cujas falas são estruturadas em mais de cinquenta manifestos políticos e artísticos. A principal característica de ambas as obras é a não linearidade e o caos. Nesta análise, procuramos identificar aspectos experimentais do trabalho e destacar distintas formas de fruição. Parente, Carvalho, Uroskie e Ljungbäck compõem nosso escopo teórico.
Fantasia, ilusão e sonho: cinemas atmosféricos no Rio de Janeiro
João Luiz Vieira (UFF)
Uma abordagem teórico-arqueológica da influência do cinema hegemônico estadunidense na exibição cinematográfica brasileira, tomando como exemplo o conceito de cinema atmosférico, desenvolvido pelo arquiteto austríaco John Eberson (1875-1954) entre os anos 1920-1940. A pesquisa em curso investigará a presença desse estilo em dois cinemas cariocas, o Cine Ipanema (1934) e o tardio Cine Mauá (1952), detalhando transformações e adaptações desse conceito e estilo na exibição carioca.
Magia e Mágica: O Cineasta no Limiar entre o Ocultismo e o Ilusionismo
Giordano Dexheimer Gil (UFRGS)
O presente trabalho parte do pressuposto do cinema, em especial o cinema fantástico, como espaço de intersecção entre as tradições ilusionistas da mágica de palco e da tecnologia e as tradições do ocultismo e do hermetismo, e para fazê-lo, são invocados realizadores que operam dentro desse limiar em sua prática e teoria, dentre os quais estão George Méliès, Alejandro Jodorowsky, David Lynch, Kenneth Anger, Maya Deren, F. W. Murnau, Harry Everett Smith, entre outros.

ST Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil. – Reimaginar o cinema e o audiovisual como política pública

10/11 às 14h30
A centralidade da cultura e a produção audiovisual periférica
Wilq Vicente (UFABC)
O texto busca apresentar uma caracterização da produção audiovisual contemporânea com a participação de pessoas das periferias urbanas brasileiras, enfatizando a disputa de significados que emergem a partir dos anos 2000 em função do aumento da produção e circulação de filmes produzidos por realizadores moradores das periferias. Por isso, este tipo de audiovisual, precisa ser colocado em diálogo com um debate mais amplo que envolva não apenas o cinema, mas também a cultura.
Trabalho em audiovisual no Brasil: relatos de uma pesquisa
Bruno Casalotti Camillo Teixeira (UNICAMP)
A presente comunicação tem como objetivo expor relatos do itinerário de uma pesquisa que atualmente vem sendo realizada sobre o mundo do trabalho e os trabalhadores (por trás das câmeras) que atuam no setor audiovisual no Brasil. Para tanto, pretendemos apresentar dados quantitativos e qualitativos que revelam características contemporâneas das relações trabalho e das condições do emprego de profissionais brasileiros que atuam nas áreas de cinema, televisão, produções publicitárias.
Políticas para Audiovisual: esfera pública e participação na LPG
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (Unila)
A partir do conceito habermasiano de esfera pública e demais discussões propostas pela Teoria crítica frankfurtiana, busca-se identificar e analisar a valorização da esfera pública, da democracia e da participação cidadã, e também possíveis mecanismos de priorização dos interesses privados e de exclusões culturais num ambiente de debates sobre o instrumento Lei Paulo Gustavo (LPG) que opera majoritariamente como uma ação de Política Pública para o Audiovisual no Brasil.

PA 6 – Recordar é cinema: histórias da circulação fílmica no Brasil – Coordenação: Filipe Brito Gama

10/11 às 14h30
Os Exibidores Ambulantes em Santa Catarina: de 1897 a 1912
Bernardo Schmitt (UFF)
Por meio de uma pesquisa de levantamento e análise de dados em arquivos, este trabalho procura explicitar o funcionamento e as operações dos exibidores ambulantes de cinematógrafo no estado de Santa Catarina, desde sua primeira exibição registrada até a eventual transição para um modelo de salas fixas. Buscamos demonstrar os diversos aspectos deste ciclo de exibições e as influências que este momento teve na continuidade das práticas de ida ao cinema em Santa Catarina através do século XX.
ANOS INCRÍVEIS, A NOVA GERAÇÃO DE DISTRIBUIDORAS
ROGÉRIO ZAGALLO CAMARGO (UFSCAR)
Um olhar luz sobre o que chamaremos de “Anos Incríveis”, período de 2010 até o final de 2018, onde o surgimento de uma nova geração de distribuidoras brasileiras independentes ampliou as possibilidades de exibição para a crescente produção nacional, ainda que isto não tenha se refletido numa maior participação do filme nacional no mercado de cinema no Brasil.
Do Cineclube Macunaíma ao cineclubismo atual: histórias de resistência
Claudia Regina d’Almeida Moretz-Sohn (UFF)
O Cineclube Macunaíma, que funcionou na ABI de 1973 a 1986, foi ponto de encontro da esquerda carioca na ditadura. Após a exibição dos filmes, discutiam-se questões nacionais, como repressão, anistia, liberdade de expressão. A redemocratização foi um dos motivos para o fim do Macunaíma, mas o movimento cineclubista não acabou: transformou-se. Hoje, são exibidas e debatidas produções próprias sobre temas mais específicos, mas não menos relevantes: racismo, violência, carências locais.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 6 – ESCUTA E SONORIDADES NO AUDIOVISUAL

10/11 às 14h30
A concepção sonora em Os Inocentes e sua influência na J-Horror
Demian Albuquerque Garcia (UPJV – UNESPAR)
A comunicação quer examinar a concepção sonora em Os Inocentes (1961). Este filme é quase uma exceção no cinema ocidental, não apresentando uma escritura sonora atracional. Isso faz com que se torne uma grande referência para um grupo de cineastas japoneses contemporâneos. Silêncios abundantes e economia na música orquestral. Vozes, ruídos vocais, efeitos sonoros e ambiências reverberam no fora de quadro sem que seja possível determinar se são de natureza diegética, extra diegética ou subjetiva.
Pontos de escuta do Dolby Atmos e suas possibilidades no uso doméstico
Raphaela Benetello (UFMG)
O trabalho objetiva analisar os pontos de escuta e a espacialidade sonora a partir do uso doméstico do Dolby Atmos. O filme Nada de novo no front (2022), lançado exclusivamente para streaming, será o objeto desta análise, na qual pretende-se verificar as sonoridades possíveis dos pontos de escuta gerados pela mixagem em Atmos, ampliando as discussões sobre o conceito e as perspectivas de criação de uma tridimensionalidade sonora mesmo fora da sala de cinema, utilizando fones de ouvido.
Ponto de escuta e regimes da diegese: ambiguidades na percepção sonora
Leonardo Alvares Vidigal (UFMG)
Esta comunicação versa sobre teorias e conceitos relacionados ao ponto de escuta nos estudos de cinema. O objetivo da apresentação será discutir desenvolvimentos teóricos recentes sobre um conceito que pode ser empregado de forma mais nuançada e detalhada, refinando a análise de obras ambíguas e pouco estudadas. O texto considera também a incorporação de aspectos práticos na construção do ponto de escuta e ainda o desenvolvimentos tecnológico, algo essencial no tocante a filmes contemporâneos.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Direção de arte, tempo e figurinos

10/11 às 14h30
Tecido de tempo e afeto em Há Uma profetas nas Olaias, tenham cuidado!
Lucas Camargo de Barros (FBAUL)
As camadas de tempo e afetos que atravessam o curta-metragem “Há uma profeta nas Olaias, tenham cuidado!”, realizado em 2021 por Lucas Camargo de Barros e com figurino de Raphael Fraga (autores deste artigo), são nosso foco de reflexão acerca da narrativa e sua relação com a indumentária.
Vestido de noiva: A materialidade visual de um projeto de país
Elizabeth Motta Jacob (UFRJ)
O presente artigo trata das representações políticas expressas no vestido de noiva usado por Rosangela da Silva na cerimônia de celebração de seu casamento com o então candidato à presidência da republica, Luis Ignácio da Silva. Através da metodologia de análise própria ao campo da direção de arte analisaremos, através das materialidades apresentadas nesta vestim, elementos da linguagem não verbbal que revelam um projeto de país.
Da ilusão a Imersão: figurino em 360°
Nívea Faria de Souza (UNESA/UCL/FACHA)
Este trabalho pretende uma reflexão sobre o processo de criação e a experiência visual do figurino no audiovisual 360°. A partir dos conceitos de ciberespaço, ambiente virtual de interação entre usuário e conteúdo, desenvolvido por Murray (2003) e correlacionando ao conceito filosófico de agenciamento estabelecido por Deleuze e Guattari (1995), pretende-se uma reflexão sobre a camadas da experiência imersiva tangenciadas pelo trinômio corpo-roupa-espaço.

ST Festivais e mostras de cinema e audiovisual – Sessão 6 – Os festivais de cinema e os cinemas nacionais: entre o Brasil e a França

10/11 às 14h30
O cinema brasileiro no Festival de Cannes (1949-2017)
Belisa Brião Figueiró (UFSCar)
Esta comunicação apresenta alguns dos principais resultados da pesquisa de doutorado que investigou as políticas cinematográficas voltadas para a difusão e a promoção dos filmes no Festival de Cannes, por meio de um estudo comparativo e histórico, no período de 1949 a 2017. Para isso, foi realizado um levantamento dos longas-metragens majoritários brasileiros selecionados para a Competição Oficial, Quinzena dos Realizadores, Semana da Crítica, Um Certo Olhar e sessões especiais.
“Le Cinéma Brésilien”: retrospectiva do cinema brasileiro (1987)
NEZI HEVERTON CAMPOS DE OLIVEIRA (COC/Fiocruz)
Este trabalho busca analisar a programação da mostra retrospectiva “Le Cinéma Brésilien”, realizada em 1987 no Centre Georges Pompidou em Paris. O objetivo é discutir os critérios que balizaram a seleção dos filmes exibidos nessa primeira grande retrospectiva internacional do cinema brasileiro e cotejá-los à luz do conceito de nacional, a partir da reflexão proposta naquele momento em dois ensaios de Jean-Claude Bernardet e Ismail Xavier publicados no livro-catálogo do evento.
Promovendo um cinema nacional: o Festival Varilux do Cinema Francês
EDUARDO N VALENTE (UFF)
Desde seus primórdios, os festivais de cinema se constituem como plataforma para a promoção mundial das cinematografias nacionais. A partir da criação da Unifrance, em 1949, a França utiliza o formato de “semanas do cinema francês” como uma das principais ferramentas de trabalho na internacionalização do seu cinema. A partir de 2010, o Festival Varilux de Cinema Francês assume esta função no Brasil. Veremos como ele tem sido utilizado para continuar a tradição dessas ações de promoção.

ST Cinema Comparado – Conferência de Encerramento (a confirmar): “No meio do mundo: paisagem e natureza no cinema e nas artes visuais” (Ângela Prysthon)

10/11 às 14h30

ST Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas – Sessão 6 | História e outras temporalidades no cinema latino-americano

10/11 às 14h30
Paradoxotopias: o contraditório como método composicional no cinema br
Aline Bittencourt Portugal (UFRJ)
A proposta é pensar o paradoxo como método composicional que produz fricções entre elementos a princípio separados, tais como real e ficção, utopia e distopia, escape e confinamento — e como essas são formas férteis para pensar o território latinoamericano em termos estéticos, epistemológicos, geopolíticos. Parto dos filmes Tremor Iê e Mato Seco em Chamas para pensar a maneira como abordam o encarceramento de mulheres — não representando a prisão, mas produzindo formas de fuga.
A espiral do tempo em O Século das Luzes de Humberto Solás
Marco Túlio de Sousa Ulhôa (PUC Minas)
O estudo analisa o filme O Século das Luzes (1992), do cineasta cubano Humberto Solás, apontando como os ciclos temporais das tramas e suas interseções com o desenvolvimento linear do enredo estabelecem a temporalidade espiralar da narrativa. Para isso, realiza a análise dos temas da obra original, o romance homônimo do escritor cubano Alejo Carpentier, colocando em perspectiva as origens da modernidade latino-americana, a partir das contradições dos ideais da Revolução Francesa no continente.

Assembleia

10/11 às 16h30

Envolverse – Festa de encerramento

10/11 às 21h00
TOTAL: 183 SESSÕES