Programação completa de trabalhos 2021

 
 

25/10


Abertura

25/10 às 19h00

 
 

26/10


ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Abordagens de gênero nos cinemas da América Latina

26/10 às 9h00
Cabronas e Badasses: as três vidas de Teresa Mendoza
Marina Soler Jorge (UNIFESP)
Este trabalho tem como objetivo analisar a representação da mulher latino-americana por meio da análise comparada em três produtos da cultura de massas: o livro de ficção La Reina del Sur, escrito pelo espanhol Arturo Pérez-Reverte, a telenovela La Reina del Sur, produzida pela Telemundo, e o série Queen of The South, produzida pela USA Network. Analisaremos de que modo, nesses produtos, a mulher latino-americana bem sucedida é representada a partir dos valores do feminismo liberal.
Imágenes de la homosexualidad en el cine argentino y brasileño
Cecilia Nuria Gil Mariño (AvH-PBI)
Se propone analizar las figuras de la homosexualidad masculina y femenina (1950-1970) en relación a los rasgos de géneros cinematográficos como el policial, suspense y variantes híbridas del cine argentino y brasileño.
En clave comparativa, el trabajo indaga sobre las configuraciones de la alteridad de la disidencia sexual en el cine de género en ambas cinematografías, y explora la potencialidad política de estos filmes y las posibilidades de lecturas a contrapelo de los discursos hegemónicos.
Empregadas domésticas na comédia latino-americana: Desideria & Dercy
Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)
Nosso propósito é realizarmos uma análise comparativa entre as figuras das empregadas domésticas na comédia latino-americana clássica, ao estudar as personagens de Desideria, principal criação de Ana González, e a de Minervina, encarnada por Dercy Gonçalves.

ST Cinema Comparado – Sessão 1: Visualidades e pontos de vista

26/10 às 9h00
Frontalidade e absorção: dois paradigmas representacionais
Luiz Carlos Oliveira Junior (UFJF)
A proposta desta comunicação é confrontar dois paradigmas de representação que marcam a história do cinema desde suas origens: frontalidade e absorção. Partiremos das noções de absorção e frontalidade tal como formuladas pelo historiador da arte Michael Fried em seus estudos sobre as relações entre pintura e observador nos séculos XVIII e XIX, sem perder de vista as problematizações conceituais e históricas implicadas pela transposição desse modelo teórico de um campo disciplinar para outro.
A câmera embarcada e os cinemas amazônicos: simetrias, assimetrias
Lúcia Ramos Monteiro (UFF)
No âmbito de uma pesquisa em curso sobre os cinemas amazônicos, esta proposta pretende analisar planos filmados com “câmera embarcada”, presentes em uma parte significativa de um extenso corpus, ainda provisório. Se imagens realizadas com câmera embarcada foram incluídas já nos primeiros filmes da/na região amazônica, a apresentação se concentrará em “Iracema” (J. Bodanzky e O. Senna, 1974) e em filmes mais recentes, como “Para ter onde ir” (Jorane Castro, 2016) e “A febre” (Maya Da-Rin, 2019).
Constelação e motivo visual: a piscina vazia no cinema brasileiro
Mariana Souto (UnB)
No intuito de sedimentar os caminhos para a composição das constelações fílmicas, esta apresentação propõe experimentar com um possível eixo agregador de filmes: o motivo visual. Analisamos um motivo específico – o da piscina vazia no cinema brasileiro contemporâneo, indício de decadência de classe, abandono ou ruína, transversal em diferentes filmes como O som ao redor (2012), Que horas ela volta? (2015), Alvorada (2020) e Lambada estranha (2020).

ST Cinema e Educação – Abertura – O cinema negro como elemento de uma educação libertadora, por Edileuza Penha de Souza

26/10 às 9h00

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 1

26/10 às 9h00
O fazer-se: Lygia Clark e o cinema como produtor de gestos
Maria Del-Vecchio Bogado (PPGCOM/ECO/UFRJ)
Pretende-se analisar os “Projetos vivenciais: filmes”, de Lygia Clark, de 1967 e 1968. Esses projetos consistem em quatro proposições, nas quais a artista pressupõe a utilização de tecnologias audiovisuais e tece diálogo direto com formas consolidadas na história do cinema. Busca-se verificar como seu pensamento conceitual e processos de arte e vida são fecundos para pensar produções cinematográficas atuais que, mais do que no acabamento de produtos fílmicos, investem na produção de relações.
Experimentalismo: diálogo entre o cinema marginal e as artes visuais
Mario Caillaux Oliveira (UnB)
O experimentalismo esteve bastante presente na cultura brasileira entre os anos de 1960 e início da década de 1970. Investigaremos como o cinema e as artes visuais, neste período, compreenderam e trabalharam esta questão, e de que forma estas estratégias se assemelham ou se distanciam. Para isso iremos analisar e confrontar duas imagens: uma cena do filme Família do Barulho (1970), de Júlio Bressane, onde a atriz Helena Ignez vomita sangue, e a obra Língua Apunhalada (1968), de Lygia Pape.
A Hidra do Iguaçu: poesia, etnografia e cinema experimental
Cristiana Miranda Soares de Moura (FACHA)
“A Hidra do Iguaçu” é um filme experimental sobre os espaços esquecidos da historiografia colonial. O filme é uma experiência etnográfica onde o entendimento sobre si é inseparável da investigação sobre o coletivo. Uma experiência de filmar e habitar o estrangeiro que perturba as separações entre o diferente e o semelhante, o dentro e o fora, o eu e o outro. Enquanto artista experimento a identidade como uma construção, um desafio que só posso enfrentar a partir de um vínculo com a memória.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Abertura: Stephanie Dennison Brazucas em Londres: imigração, terrorismo e a diaspora brasileira em Jean Charles (2009)

26/10 às 9h00
Limite (1931) de Mário Peixoto e um Modernismo melancólico
Denilson Lopes Silva (UFRJ)
Gostaria de rever o filme Limite de Mario Peixoto menos na tradição de um cinema experimental mas como parte de uma sobrevivência anacrônica de uma ambiência decadentista que implica afirmar uma linhagem melancólica do Modernismo. Para essa leitura interessa ressaltar o diálogo entre a imagem de uma cidade morta encenada e a do mar dourado reunindo morte e beleza. A decadência associada ao um declínio de uma elite agrária enforma uma sensibilidade que culmina na desaparição da figura humana.
Desafios da descrição na análise de LIMITE (1931), de Mário Peixoto.
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (CTR/ECA-USP)
A impressão que nos move é a de que LIMITE faria jus às mais elaboradas categorias conceituais em disponibilidade na literatura especializada, ou mesmo exigiria o esboço de algumas novas. Um maior revelar crítico do seu “realismo poético” e do seu “ritmo” requerem talvez tentativas mais sedimentadas na crítica imanente empenhada em campo estético amplificado, talvez com aportes analíticos ou articulações comparativas inibidas por sua extrema singularidade no contexto específico de realização.

ST Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva – Sessão 1

26/10 às 9h00
Filmar a mãe: exercícios-fílmicos no confinamento do ensino remoto
Roberta Veiga (UFMG)
Retomo aqui minha pesquisa – formas insubordinadas de maternidade no cinema – partindo agora de exercícios-fílmicos realizados por alunas de Cinema e Feminismo (UFMG-2020/2), durante ensino remoto, no contexto da pandemia. Busco entender como e porque essas jovens escolhem voltar a câmera para suas próprias mães procurando engajá-las em alguma luta feminista. Interessa as implicações políticas e estéticas, que se amparam na intimidade, quando é o olhar para mãe como mulher que institui o filme.
A casa no cinema de mulheres: o trabalho doméstico
Natália Marchiori da Silva (UFSCAR)
Em Baronesa (2017) e Olmo e a Gaivota (2014) percebemos uma centralidade do ambiente doméstico como cenário dos filmes. As casas das personagens são importantes para o compartilhamento de suas subjetividades, que a partir de seus aspectos interseccionais demonstram o caráter opressor e libertador que esse espaço pode ser para as mulheres. O trabalho doméstico, por ser um projeto de divisão sexual, é central para tal discussão, pois permite analisar a sua atuação em mulheres de classes distintas.
A cena é outra: rasuras e afetos para pensar um cinema com mulheres.
Carla Maia (Una)
Propomos seguir com a investigação acerca das formas de encenação de relações afetivas entre mulheres no documentário brasileiro contemporâneo, a partir de análise comparada de filmes como Kbela (Yasmin Thayná, 2015), Minha história é outra (Mariana Campos, 2020), A felicidade delas (Carol Rodrigues, 2018) e Quebramar (Crys Lira, 2019), tendo como premissa a afirmação da existência lésbica (Rich, 2010), para elaboração de um pensamento sobre a amizade feminina potencialmente transformador.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – I – Cinema e lutas interseccionais

26/10 às 9h00
Cinemas racializados: que lutas, que estratégias no século XXI
Michelle Sales (UFRJ)
Análise interseccional das imagens produzidas por realizadores como Faela Maya, Welket Bungué e Isael Maxakali e a forma como esses cinemas sinalizam pistas, vontades de um fazer-ver interessado na descolonização do olhar e na produção de contra-narrativas.
Gestos ensaísticos no cinema de realizadoras do Sul global
Julia Vilhena Rodrigues (UC)
Pretende-se fomentar uma reflexão a respeito do gesto ensaístico no documentário contemporâneo, a partir da discussão de algumas obras cinematográficas de realizadoras do Sul global. Partindo de uma análise transversal, propomos discutir suas propostas estéticas e discursivas em diálogo com pensadores(as) da pós- e decolonialidade, a fim de refletir sobre os pontos de convergência das obras e as potencialidades de uma poética da margem em um pós-Terceiro Cinema de mulheres realizadoras.
A política dos corpos em narrativas cinematográficas transmidiáticas
Nathan Laurette Ferreira Costa (UBI)
Este trabalho propõe uma análise da função narrativa dos corpos e da transmidialidade nos curtas-metragens Swinguerra (Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, 2019) e Inabitáveis (Anderson Bardot, 2020), que constroem e habitam territórios híbridos onde convivem o cinema documental e ficcional, a dança, a videodança, as artes visuais e performáticas. Os corpos filmados, racializados, periféricos, queer, trazem consigo um discurso de enfrentamento e resistência – são espaços políticos.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Abertura

26/10 às 9h00
O brega e o artifício na direção de arte de filmes pernambucanos
Iomana Rocha de Araújo Silva (UFPE)
Este trabalho observa os filmes Amor, plástico e barulho e Estás vendo coisas. Nestes filmes aponto uma forte presença da estética brega, em uma visualidade ao mesmo tempo marcada pelo naturalismo e pelo artifício. São filmes cuja direção de arte explora o kitsch e as relações dos espaços com os corpos. Observo a potencialização e reconfiguração de signos populares, associados a uma sofisticada plasticidade, comprovando o artifício como fenômeno estético tão importante quanto a narrativa.
Camadas da direção de arte em A vida invisível (2019)
Nívea Faria de Souza (FACHA/UNESA)
Através de uma análise crítica e comparativa, pretende-se decompor as escolhas visuais percorridas pela direção de arte e figurino na tradução intersemiótica do livro de Martha Batalha, “A vida invisível de Eurídice Gusmão” (2016), para o filme de Karim Ainouz, “A vida Invisível” (2019). Este trabalho se propõe a analisar de que maneira o figurino e a arte auxiliam na dramaturgia e principalmente na construção de espaços e personagens.

SPC Festivais e Mostras de cinema nascidas em Museus: três estudos de caso

26/10 às 9h00
Primavera de um festival: o MIS-SP e o Festival de Curtas (1990-1994)
Adriano Ramalho Garrett (UAM)
Esta apresentação vai abordar os cinco primeiros anos do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo (1990-1994) e seus antecedentes, destacando os entrecruzamentos de sua trajetória com a história do MIS-SP (LENZI, 2018). Também serão discutidas as ações de ambos (festival e museu) frente a um período de grandes transformações no audiovisual brasileiro, entre o início da segunda metade dos anos 1980 e o final da primeira metade dos anos 1990.
Leon Cakoff no MASP e o início da Mostra Internacional de Cinema
Emerson Dylan Gomes Ribeiro (UNIFESP)
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo surgiu em 1977 como um evento do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Seu idealizador, Leon Cakoff, era diretor do Departamento de Cinema do MASP desde 1974, e sua gestão foi responsável pela exibição de filmes que dificilmente chegavam ao país em meio ao regime militar. Esta apresentação vai abordar a trajetória de Cakoff no Departamento e a relação constituída entre a Mostra e o Museu, que prevaleceu durante sete edições, até 1983.
Uma Cinemateca de grandes novidades: festivais e ineditismo no MAM/RJ.
Bianca Salles Pires (Independente/UFRJ)
A relação entre instituições museológicas e mostras audiovisuais será abordada nesta apresentação a partir da análise das mostras cinematográfica de longas-metragens programadas pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre os anos de 1964 e 1977. Parto das informações presentes no impresso Informativo do Museu analisando: as estratégias de programação, discursos sobre o ineditismo e a militância cultural exercida pela Instituição naquele período.

CI Imagem-movimento e Imagem-tempo: novas abordagens

26/10 às 9h00
A TAXONOMIA DELEUZEANA PARA A IMAGEM-MOVIMENTO EM “RELATOS DO MUNDO”
Maria Ogecia Drigo (Uniso)João Paulo de Carvalho dos Reis e Cunha (Uniso)
Este artigo tem como objetivo explicitar o potencial de significados do filme “Relatos do mundo” aplicando a taxonomia de imagens cinematográficas propostas por Deleuze. Para tanto, apresenta-se o conceito de imagem-movimento; discute-se a divisão em imagem-afeção, imagem-ação e imagem-relação e, por fim, apresentam-se análises de sequências do filme. O artigo é importante por explorar uma classificação de imagens cinematográficas que permite a realização de análises para além das narrativas.
Análise da Imagem-Tempo em Rashômon
Guryva Cordeiro Portela (unicamp)
Analise o ator Toshiro Mifune no filme Rashômon (Kurosawa, Akira, 1950) articulando entre filosofia e cinema. A partir da proposta por Gilles Deleuze na relação com a imagem-movimento e o reflexo na atuação nas diferentes versões da historia no filme. Aborda-se a interpretação Deleuzeana da teoria do movimento de Bergson em duas direções: a. assumindo a imagem-movimento do ator e abordando o seu predomínio como imagem cinematográfica b. proponho analisar o conceito de Fabulação no jogo do ator
L’image écrite e os múltiplos tempos de Aurélia Steiner
Isabela Magalhães Bosi (PUC-SP)
O objetivo deste trabalho é analisar as múltiplas temporalidades construídas nos filmes Aurélia Steiner dite Melbourne (1979) e Aurélia Steiner dite Vancouver (1979), ambos escritos, dirigidos e narrados por Marguerite Duras – sem perder de vista que, para Duras, seu cinema é, antes, imagem escrita (image écrite), na qual é possível inventar outros tempos. Para tanto, dialogamos, especialmente, com Gilles Deleuze e seu conceito de imagem-tempo, sobretudo a partir da leitura de Peter Pál Pelbart.

CI Serialidade: nostalgia, melodrama e melancolia

26/10 às 9h00
Modo e gênero melodramático em “Mad Men”: serialidade e alusão
Giancarlo Casellato Gozzi (USP)
Esta apresentação consiste em analisar como a série televisiva “Mad Men” se apropria do modo melodramático, ao mesmo tempo aludindo a um gênero específico, o melodrama familiar doméstico dos anos 1950, e fazendo pleno uso das potencialidades melodramáticas da serialidade. A partir da análise das primeiras três temporadas da série, pretendo analisar como o retorno irônico do gênero passado e o pathos acumulado de “Mad Men” produzem uma visão crítica da década de 1960 e dos dias de hoje.
Melancolia e nostalgia em Twin Peaks – O Retorno (2017)
Milton do Prado Franco Neto (PUCRS)
A proposta deste trabalho é promover uma reflexão sobre a presença da melancolia e da nostalgia na série Twin Peaks – O Retorno, de David Lynch, através de uma análise que combina aspectos narrativos e estéticos. Para este fim, além de recorrer a ferramentas de análise fílmica, utilizaremos algumas obras que analisam a evolução destes conceitos dentro da história da medicina e psicologia, assim como sua aparição na literatura e nas artes.
Stranger Things e a nostalgia dos anos 1980
Rosana Cordeiro Parede (UAM)
A comunicação pretende apontar o uso de elementos nostálgicos encontrados em Stranger Things, observando os vários elementos imagéticos, sonoros, narrativos e estilísticos utilizados na criação atmosférica com estética inspirada em muitas obras e referências dos anos 1980. Para tanto utilizou-se conceitos e teoria sobre composição da atmosfera fílmica, desenvolvidas por Inês Gil e Linda Hutcheon sobre nostalgia e pós-modernidade; entre outros assuntos e autores.

CI Estudos do som: heranças, territórios e imaginários sônicos

26/10 às 9h00
Heranças acústicas e pós-memória no cinema
Tiago Jorge Alves Fernandes (UBI)
A partir da análise dos filmes “Bostofrio” (2018, Paulo Carneiro) e “António, Lindo António” (2015, Ana Maria Gomes) é pretendido refletir a partir do termo pós-memória sugerido por Marianne Hirsch na década de 90 e que, nestas duas obras em particular, é construído essencialmente a partir de testemunhos sonoros sob a forma de relatos orais de familiares e habitantes dos locais retratados em ambas as obras.
SONÁRIO – imaginário, patrimônio e territorialidade do acervo sonoro
camila machado garcia de lima (UNB)
A partir da noção de Sonário, palavra que reverbera as noções de imaginário, inventário e cenário (paisagem sonora), buscamos ouvir a produção de acervos sonoros (bibliotecas) – disponibilizados para produtos artísticos, principalmente audiovisual – como uma possibilidade de refletir sobre os territórios onde os sons são gravados, podendo assim entender as sonoridades como um inventário de importância afetiva, cultural e social, que pode ser considerado um patrimônio cultural imaterial.
Hierofonia: O Som do Sagrado e a Voz de Deus
Fabrizio Di Sarno (FATEC/CEUNSP)
O presente trabalho realiza um estudo em diferentes meios audiovisuais sobre o som das manifestações do sagrado no mundo profano. Como recorte, foram escolhidas doze cenas que retratam a passagem bíblica da Sarça Ardente no cinema, na televisão e na internet. A pesquisa elabora um estudo sobre as características sonoras das chamas sagradas e da voz de Deus presentes nas cenas, de modo a compreender como tais atributos sônicos são articulados para causar diferentes efeitos de sentido.

PAINEL Cidades alegóricas, mundos nostálgicos – Coordenação: Pedro Artur Baptista Lauria

26/10 às 9h00
A Nostalgia como guia narrativo e estético do filme O Menino e o Mundo
Letícia Coelho Lenz Cesar (UFF)
Este trabalho realiza uma análise acerca da nostalgia presente na narrativa e na estética visual do filme O Menino e o Mundo, do diretor Alê Abreu. A pesquisa é executada a partir de uma revisão bibliográfica analítica concentrada no campo de estudo da nostalgia, partindo de uma visão moderna para explorar definições nostálgicas e estabelecer relações com o filme.
Filme Demência, cidade, subjetividade e alegoria.
Cauê Costa Soares (PPGCOM – UAM)
Nesta pesquisa pretendemos analisar a obra Filme Demência de Carlos Reichenbach. Principalmente, tendo em vista a questão da experiência do personagem com relação a cidade de São Paulo. E se podemos enxergar esta obra como uma alegoria do período histórico dos anos 80 e do cinema paulista.
Notas sobre um Apocalipse: Pasolini, Salò e os Escritos corsários
Renato Trevizano dos Santos (USP)
O trabalho analisa aspectos apocalípticos da produção final de Pasolini, centralmente a partir do filme Salò ou Os 120 dias de Sodoma (1975) e de artigos reunidos na coletânea Escritos corsários (2020). A chamada “fase corsária” de Pasolini, período combativo e de intensa produção em várias frentes, é marcada por um olhar crítico e de crescente desesperança frente à acelerada modernização italiana pós-II Guerra Mundial, com o qual teceremos paralelos em relação à crise da atualidade.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Paisagem e meio ambiente sob uma perspectiva social no cinema latino-americano

26/10 às 10h45
A crise ambiental e as estratégias de uma militância que não se verga
denise tavares da silva (UFF)
Esta comunicação é uma homenagem aos cineastas que desde os anos 1960 se localizaram no território da luta política e da resistência ao massacre econômico, social e cultural que a AL sofre desde sempre. Sob essa perspectiva elegi, em função de pesquisa que desenvolvo sobre documentário e meio-ambiente, destacar os filmes “O Botão de Pérola” (2015), de Patrício Guzmán; “Viagem a los pueblos fumegados” (2018), de Fernando Pino Solanas e “Idade da Água” (2018), de Orlando Senna.
A geo-história na trilogia de Patricio Guzmán
Patricia Cunegundes Guimaraes (PUC-Rio)Andrea França Martins (PUC-Rio)
Em sua última trilogia – Nostalgia da luz (2010), O botão de pérola (2015) e A cordilheira dos sonhos (2019) – o documentarista Patricio Guzmán associa a acidentada geografia chilena à história do país. Ao pensar em como sua escrita pessoal encontra afinidades na paisagem, e em como ele constrói e fabula o pertencimento à terra, ao lugar, à comunidade e ao espaço a partir da posição de exilado, vemos que a trilogia transforma a geografia, a memória e o cosmos em uma potência libertadora.
La sed y la imagen, sequía en el cine latinoamericano de la modernidad
Francisco Javier Ramírez Miranda (UNAM)
Los años de la segunda posguerra atestiguaron una serie de preocupaciones que desde diversas disciplinas del arte se preguntaron por las causas del hambre en nuestra región. El cine no fue la excepción y a lo largo de los años cincuenta del siglo pasado, diferentes películas exploraron el problema buscando causas y mostrando efectos interiores y exteriores del latinoamericano. Esta ponencia explora a través de aquellas cintas el desarrollo de un problema y una forma fílmica asociada a él.

ST Cinema Comparado – Sessão 2: O olho da história

26/10 às 10h45
Paisagens familiares. Deriva, arquivos, rastros e espaços íntimos
Angela Freire Prysthon (UFPE)
Este artigo propõe investigar três documentários da década passada: “A toca do lobo” de Catarina Mourão (2015), “El silencio es un cuerpo que cae” de Agustina Comedi (2017) e “A volta ao mundo quando tinhas 30 anos” de Aya Koretsky (2018). O objetivo é comparar e analisar as três obras a partir da sua composição do espaço e do que chamaremos de “paisagens familiares” (combinação que as três cineastas fazem entre as imagens de arquivos familiares, figurações do banal e espaços do presente).
Três personagens trágicos da II Guerra Mundial tombam na paisagem
Susana Madeira Dobal Jordan (UnB)
Hiroshima Mon Amour, (Alain Resnais, 1959), Ascensão (Larisa Shepitko, 1977) e Uma vida oculta (Terrence Malick, 2019): esses três filmes ambientados na época da II Guerra Mundial têm em comum a condição trágica de seus personagens expressa na vontade de emancipação em confronto com o momento histórico do nazismo. Embora em países e épocas diferentes, outro elemento em comum vem compor o drama de três personagens: a paisagem cujas nuances, que vão além do mero cenário, imageticamente, falam.
“Je vous salue, Sarajevo” (Godard, 1993) e a fotografia de Bijeljina
Nikola Matevski (ECA-USP)
A comunicação discutirá a fotografia tirada por Ron Haviv em Bijeljina em 1º de abril de 1992 e a posterior apropriação dessa imagem no filme “Je vous salue, Sarajevo” (Jean-Luc Godard, 1993). O objetivo é realizar uma análise comparatista tomando como referência os eventos da Guerra da Bósnia. Manifestamos assim a divergência daqueles que tendem a extrair do filme, com força de ditado e de modo apressado e estetizante, a já famosa síntese: a cultura é regra, a arte é exceção.

ST Cinema e Educação – Sessão 1 – Cinema, educação e distanciamento social

26/10 às 10h45
Cinema, clausura e educação: desafios pandêmicos e trocas feministas
Cíntia Langie Araujo (UFPel)
Que modos de docência são possíveis inventar em uma pandemia? Que afetos políticos tornam-se urgentes acessar na contemporaneidade? Esta pesquisa busca investigar estratégias para o ensino de Cinema em meio aos novos desafios impostos pela Covid-19 e, para isso, compartilha experiências com textos e filmes criados por mulheres. Selecionando a clausura como imagem disparadora, o texto aposta na cartografia e no repertório feminista para pensar escapes ou respiros para uma docência em desordem.
CINEMATOGRAFAR COM JOVENS PARA ALÉM DO SATURADO: VOZES-EM-CONTÁGIO
Juslaine de Fátima Abreu Nogueira (Unespar)
Este trabalho traça uma reflexão sobre os resultados do Projeto Convide Imaginação que mobilizou a criação audiovisual com jovens e suas professoras no contexto da pandemia viral de 2020. A partir da proposição de cenas como disparadoras ao registro de imagens e sons no território doméstico e da comunidade local de jovens apartados do espaço escolar, o projeto buscou molduras que cinematografassem a dobra entre a saturação da vida e as possibilidades da vida vivível.
Olhares (Im)Possíveis: cartografia de Contra-monumentos em Ouro Preto
Arthur Medrado Soares Araujo (UFF)
Abordaremos o projeto que desde 2017 propõe encontros com crianças e adolescentes de Ouro Preto a partir de imagens e processos de produção de um filme, realizado de forma remota durante 2021. As experiências recortadas dessa pesquisa-intervenção permitem evidenciar os contra-monumentos criados no processo: funcionamentos que se opõem à lógica territorializada do monumento instituído na cidade cartão postal a partir de processos subjetivos do cinema como prática de cuidado na educação.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 2

26/10 às 10h45
A “ironia inclusiva” e “antiphrasis” – Tropos de Peter Tscherkassky
BARBARA BERGAMASCHI NOVAES (PPGCOM-UFRJ)
Nesta comunicação analisarem três curta-metragens de Peter Tscherkassky que trabalham sob o tropo ou figura de linguagem da ironia através unicamente das operações de montagem, sendo eles: Shot / Countershot (1987), Tabula Rasa (1989), ‘L’arrivée’ (1999). Veremos como seus filmes experimentais possuem camadas “meta-historiográficas”, produzindo comentários sub-reptícios e chistes iconoclastas sobre as origens e estruturas fundadoras do cinema.
A outra face do arquivo, tocar a história
Alexandre Kenichi Gouin (UFRJ)
Esta comunicação se propõe em apresentar no trabalho de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi uma forma singular de tensionar os documentos da história que possui forte teor político. Mostraremos como, ao colocar em relevo as dimensões plásticas do arquivo, os artistas possibilitam outras formas de se relacionar com as imagens do passado. Por meio de uma relação agora ancorada na sensação, as dimensões discursivas do arquivo se encontram subvertidas, apresentando assim outros mundos possíveis.
A CÂMERA ANALÍTICA NO CINEMA DE ARQUIVO DE RICCI LUCCHI E GIANIKIAN
Ilma Carla Zarotti Guideroli (Unifesp)
Este trabalho busca expor aspectos da obra do casal de diretores italianos Angela Ricci Lucchi e Yervant Gianikian, sob a perspectiva da câmera analítica, dispositivo criado para a análise de filmes de arquivo da primeira metade do século XX. Ao se apropriarem de tais imagens, trazem questões do passado colonialista europeu, mobilizando problematizações éticas, políticas e estéticas, e atualizando a condição do cinema de arquivo. Nessa direção, comentaremos trechos de algumas produções.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 1

26/10 às 10h45
Paz e Amor (1910): reexaminando os filmes cantantes e a “Bela época”
Rafael de Luna Freire (UFF)
Apesar dos filmes cantantes – em que artistas dublavam as projeções, ao vivo, atrás da tela – constituírem um objeto já largamente analisado pelos historiadores, eles ainda sofrem de várias limitações. O objetivo dessa comunicação é trazer uma nova interpretação sobre a origem e o fim da chamada Bela época do cinema brasileiro, particularmente dos cantantes, assim como aprofundar a análise de “Paz e amor”, com novos elementos que ampliam nossa compreensão sobre seu impacto e características.
Quando teatro e literatura vão ao cinema
Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
Esta comunicação irá abordar a prática de ir ao cinema, entre os anos 1910-20, a partir de peças do teatro ligeiro, encenadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, e também do romance “… eu vi você bolinar…” (1927), de Renato Vianna. A proposta é tomar essas obras enquanto fontes de pesquisa, por meio das quais é possível levantar informações e abrir linhas de discussão sobre aspectos da exibição e da recepção cinematográficas no país durante o período do cinema silencioso.
Promessas, promessas: “Paramount e a filmagem brasileira” em Cinearte
PEDRO BUTCHER (ESPM)
Em março de 1927, a revista Cinearte publicou uma série de reportagens dedicadas à Paramount. Dentre elas, um texto de Pedro Lima em que o autor comentava a promessa do diretor da companhia no Brasil, John L. Day, de que o Rio de Janeiro seria “o centro único para ser instalado um estúdio cinematográfico”. Esse artigo procura analisar essa edição de Cinearte à luz de um entendimento histórico da presença das distribuidoras americanas no Brasil e das relações com a produção brasileira.

ST Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva – Sessão 2

26/10 às 10h45
Tecer uma teresa em roda: “Tremor Iê” e o fazer entre mulheres
Aline Bittencourt Portugal (UFRJ)Érico Oliveira de Araújo Lima (UFC)
Percorreremos aqui as tessituras entre mulheres no filme Tremor Iê (2019), tramado a muitas mãos, a partir de um encontro entre vizinhas (Lívia de Paiva, Elena Meirelles, Lila M. Salú e Deyse Mara). Tomaremos como mote a teresa, objeto usado para a fuga das prisões, num emaranhado de tecidos; e a roda, forma recorrente de reunião entre as mulheres que habitam a cena fílmica. Com elas, buscaremos pensar ainda o entrelaçamento entre tempos, entre filme e processo, entre real e ficção.
Cinedemografia: gênero, cor/raça e temáticas de longas brasileiros
PAULA ALVES DE ALMEIDA (sem vínculo)
A partir da elaboração de uma base de dados, do uso de análises qualitativas e quantitativas, este trabalho apresenta a distribuição por gênero e cor/raça de diretores, roteiristas e protagonistas (população que filma e população filmada) e as temáticas dos longas brasileiros de maior público e bilheteria em salas comerciais entre 1995 e 2016. Os resultados apontam para uma associação entre o sexo e a cor/raça de diretores, roteiristas e protagonistas e as temáticas abordadas nos filmes.
Lésbicas racializadas e o “final feliz” em filmes de amadurecimento
Camila Macedo Ferreira Mikos (UFPR)
Derivado de uma pesquisa de doutorado em andamento, este trabalho é disparado pela pergunta: sob que circunstâncias um futuro feliz desponta no horizonte de jovens protagonistas lésbicas e racializadas em longas-metragens que entrecruzam códigos narrativos de filmes de amadurecimento e de “saída do armário”? Propondo uma aproximação da problemática que desde aí se decanta, as noções de temporalidade normativa (Halberstam, 2005) e de teleologia da felicidade (Ahmed, 2010) são postas em operação.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – II – Perspectivas indígenas

26/10 às 10h45
A potência estética das mulheres-imagens em Nhemongueta Kunhã Mbaraete
Olívia Érika Alves Resende (UFRJ)
Busco compreender de que modo, nos quatro filmes do projeto Nhemongueta Kunhã Mbaraete, mulheres e imagens atuam, juntas, na (re/des)construção de suas próprias ontologias. Articulo a noção de corpo presente no perspectivismo ameríndio à reflexão sobre a dimensão expressiva intrínseca aos corpos das imagens cinematográficas. Percebo nas filmagens a formação de intercorpos mulheres-imagens que engendram uma potência estética contra-política ativa de (sobre/super)vivências.
Deconialidade e resistência no cinema indígena da Amazônia
Angela Nelly dos Santos Gomes (UFPA)
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre o cinema indígena da Amazônia para compreender em que aspectos essa produção pode ser entendida como forma de resistência à colonialidade. Partimos das teorias decoloniais e do conceito de indigenização para analisar o cinema como meio importante de estratégia cultural e comunicacional na luta contra a invisibilidade e por reivindicações de direitos dos povos originários da Amazônia, ao mesmo tempo que extrapola essa instrumentalidade.
O cinema indígena Kayapó e o corpo-câmera
Brener Neves Silva (UFF)
O cinema indígena Kayapó vem se consolidando nas últimas décadas com narrativas fílmicas que se caracterizam pela presença de corpos à frente e atrás da câmera em uma relação corpo-câmera. A presente pesquisa propõe reflexões sobre esta relação a partir do Coletivo Beture Cineastas Mebêngôkre, objetivando compreender suas implicações no espaço-tempo indígena. Para pensar estes aspectos, discute-se a prática de vídeo por meio das cosmologias dos povos Kayapó.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Sessão 2_direcao de arte e Cenografia

26/10 às 10h45
Direção de arte e cenografia virtual na TV Cultura
João Paulo Amaral Schlittler (USP)
Esta apresentação tem como objetivo compartilhar minha experiência como diretor de arte da TV Cultura entre 2011 a 2013, onde trabalhei como gerente de arte da Fundação Padre Anchieta, sendo responsável pelos departamentos de videografia, cenografia, figurino, maquiagem, design gráfico e efeitos especiais. Este relato pretende trazer para o universo acadêmico, conhecimentos práticos, processos e técnicas que podem enriquecer o ensino e a pesquisa em design audiovisual e direção de arte.
O Lugar da Cenografia no Espaço Cênico Televisivo.
flavia yared rocha (ufrj)
O presente artigo trata do lugar da Cenografia na construção do espaço cênico visual de uma série de dramaturgia na televisão aberta. Como caminho para este estudo, pretende analisar e descrever a partir da série A Fórmula, exibida em 2017 na tv Globo, o papel dos profissionais que compõem a equipe artística na ausência da abordagem unificadora da espacialidade e visualidade da obra que é comumente criada pelo Diretor de Arte.
Táticas projetuais de Lina Bo Bardi na cenografia de A Compadecida
Rafael Vieira Blas (MACK)
Este trabalho versa sobre a experiência de Lina Bo Bardi na concepção e construção das ambiências de A Compadecida, longa-metragem dirigido por George Jonas, em 1969. Os espaços construídos, pré-existentes e não edificados têm importância crucial na criação da visualidade fílmica, impingindo camadas de compreensão à narrativa. Sob esta perspectiva, o estudo procura identificar os procedimentos projetuais adotados pela arquiteta, sublinhando sua prática e pensamento crítico no exercício espacial.

SPC Temporalidades: imagens em Tempo de Ruínas e Refúgios do Captoloceno

26/10 às 10h45
Temporalidades: imagens em Tempo de Ruínas e Refúgios do Captoloceno
Diego Kern Lopes (UFES)
TENSÃO: A obra TENSÃO é uma ação poética artística e de pesquisa junto ao Organon (UFES) – Núcleo de ensino, pesquisa e extensão em mobilizações sociais sobre o desastre de mineração de 2015 no Rio Doce. A investigação compreendeu 3 anos de pesquisa de campo nos territórios afetados no Espírito Santo, período no qual foram realizados registros audiovisuais e profunda reflexão sobre as funções e disfunções desse tipo de registro. Concebido como um mecanismo alternador, TENSÃO requer uma escolha d
Temporalidades: imagens em Tempo de Ruínas e Refúgios do Captoloceno
Raquel de Oliveira Pedro Garbelotti (UFES)
Esta mesa visa promover o debate e encontro de artistas pesquisadores sobre a esfera de questões do contemporâneo. Propõe a discussão de temas vinculados a esfera pública: exploração da(s) natureza(s) pela idéia de Antropoceno (feminismo, ecologia, subalternidades e escalas de comunidade) e suas relações com práticas artísticas contemporâneas fílmicas em seus problemas na produção, imagens e narrativas geradas pela mesma.
“Montagens de um casamento”
Aline Maria Dias (UFES)
“Montagens de um casamento” apresenta o processo de “O Casamento de Clarice e Bataille”, filme e instalação desenvolvidos por Aline Dias e Julia Amaral, abordado especificamente a partir da dilatação temporal de suas imagens e das passagens entre as formas de exposição.

CI Poéticas e estilos sonoros

26/10 às 10h45
Estilo e fusão sonora de Christopher Nolan
Ian Costa Cavalcanti (UFPE)
Este estudo aborda a prática estilística da fusão dos elementos sonoros na obra do diretor Christopher Nolan a partir de parcerias formadas com o sound designer Richard King e o compositor Hans Zimmer. Sob o prisma do marcador estilístico da fusão entre música e efeitos sonoros, analisa a incidência e recorrência desta fusão nos filmes em que o trio trabalhou em conjunto, investigando a contribuição entre desenho de som, composição musical e conceituação da direção.
A experimentação sonora de Alejandro Iñárritu em 1’09’’01-September11
Thais Rodrigues Oliveira (UEG)
Pretende-se realizar uma apreciação sobre o uso do som como elemento prioritário na construção da narrativa do filme dirigido por Alejandro González Iñárritu em 1’09’’01- September 11 (2002). A análise narrativa do filme será realizada com uma abordagem descritiva, ancorada na metodologia de decomposição dos sons indicada por Martin W. Bauer (2008), Michel Chion (2011), Luiza Alvim e Rodrigo Carreiro (2016).
Montagem e som no cinema Artesanal: o caso de Estrada Para Ythaca
Kira Santos Pereira (UNILA)
Montagem e som estão desde os primórdios do cinema intimamente conectados. Dependendo de seu modo de produção tal relação criativa assumirá características únicas. Apontarei aqui traços do modo que nomeei como Artesanal, no qual existe uma recorrência de relações horizontais entre membros da equipe, bem como de marcas da precariedade. Abordarei então o processo de criação de Estrada para Ythaca (Ricardo Pretti, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Guto Parente, 2010), bem como seu resultado estético.

CI Cineclube: invenção e experiência no Brasil

26/10 às 10h45
Cineclube: a experiência brasileira
Jorge Luiz Cruz (UERJ)
Nesta proposta, discutiremos algumas atividades cineclubistas do Rio de Janeiro visando contribuir, junto com outros estudos, para uma história da experiência das exibições audiovisuais fora do circuito comercial, o que engloba principalmente os cineclubes e, na medida do possível, dentro destas atividades, pretendemos apresentar também algumas informações sobre estas atividades.
O cinema de invenção brasileiro contemporâneo no Zero4 Cineclube
Roberto Ribeiro Miranda Cotta (UFPel)
Este trabalho analisa o processo de construção curatorial da mostra Invenção permanente, promovida de forma remota pelo Zero4 Cineclube em 2020. O objetivo é examinar as articulações estéticas propostas pela composição das sessões, com o intuito de pensar as características de um cinema brasileiro contemporâneo de invenção. Para tanto, revisita-se o pensamento de Ferreira (2016), Sales Gomes (1996) e Xavier (2012), buscando confrontar suas ideias diante do objeto selecionado.

CI Adaptações: da literatura ao cinema

26/10 às 10h45
(In) Fidelidade em adaptações fílmicas de Grande sertão: veredas
Fábio Ricardo Gioppo (UTP)
Este trabalho se propõe a discutir, a partir dos teóricos Julia Sanders, Brian McFarlane e Linda Hutcheon questões concernentes a adaptações fílmicas. Para isso, foram selecionadas duas cenas de adaptações fílmicas realizadas com base no livro “Grande sertão: veredas” de João Guimarães Rosa com o objetivo de refletir, à luz dos conceitos propostos pelos autores, termos como adaptação, transferência, apropriação e fidelidade.
Cubas e Casmurro-a adaptação da narrativa autoconsciente não-confiável
Carolina Soares Pires (USP)
Análise das adaptações para cinema e TV dos romances Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1889) com base nos conceitos de narrativa autoconsciente e não-confiável, tendo como referencial teórico os estudos de narratologia e adaptação, sobretudo os de Booth, Chatman, Stam e Johnson. Articula-se uma análise comparativa dessas adaptações para traçar um quadro do diálogo do cinema e da TV com os dois romances, tendo como eixo principal a estrutura narrativa.
Da literatura ao cinema: por uma teoria da influência cinematográfica
Luiz Fernando Coutinho de Oliveira (UFMG)
Através de uma discussão sobre a influência no campo da literatura comparada – abordando autores como René Wellek, T.S. Eliot, Roland Barthes, Maurice Blanchot e, principalmente, Harold Bloom –, pretende-se proceder à discussão da possibilidade de uma teoria da influência no cinema, atentando para os obstáculos metodológicos e conceituais de tal empreitada. Partindo de Bloom, coloca-se a questão: é possível compreender todo filme como um “interfilme” que revê e distorce filmes precursores?

PAINEL Entre lágrimas e risos: melodramas de ontem, comédias de hoje – Coordenação: Luiz Fernando Wlian

26/10 às 10h45
Desejo e desilusão – melodramas romanescos na Hollywood dos anos 50
Victor Cardozo Barbosa (UNICAMP)
Este trabalho se propõe a identificar a sobreposição entre o romanesco (Girard, 2009) melodramático (Brooks, 1995) no cinema hollywoodiano dos anos 50. Será feita a análise fílmica comparativa dos filmes Deus Sabe o Quanto Amei, Bom dia, tristeza e Imitação da Vida, na qual serão investigadas tanto as recorrências nas estratégias estilísticas utilizadas por cada cineasta, bem como as suas particularidades individuais sob a luz dessa sobreposição.
A transformação histórica da malandragem em “Os Farofeiros” (2018)
Maxwell Tomaz Assis de Souza (UFSCAR)
Esta pesquisa analisa a transformação da representação da figura do malandro na comédia “Os Farofeiros” (Roberto Santucci, 2018), produzida pela Globo Filmes. O estudo foi feito a partir da abordagem comparatista, relacionando o longa-metragem de Santucci com a obra Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel A. de Almeida, 1853); as interpretações da malandragem por Grande Otelo; e o uso do personagem do malandro nos filmes dirigidos por Hugo Carvana.
SOLO: A REALIZAÇÃO DE CINEMA FICCIONAL NARRATIVO POR UMA SÓ PESSOA.
Kelvin Cigognini (UNESPAR (FAP))
O presente estudo objetiva entender o processo de construção da narrativa cinematográfica Hollywoodiana através de uma breve revisão da história do cinema pela ótica de Cousins (2013), observando avanços tecnológicos e alguns diretores que fizeram experimentos capazes de moldar a linguagem e de expressar autoria dentro do cinema como indústria. O percurso foi desenvolvido para compreender as possibilidades de usar elementos do modelo em experiências contemporâneas realizadas por uma só pessoa.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 01 – Cinemas negros LGBT+ e estética queer

26/10 às 14h30
A imagética decolonial de corpos negros LGBT+ no cinema negro
Marcus Vinicius Azevedo de Mesquita (UnB)
Este artigo busca compreender a maneira como o curta-metragem NEGRUM3 (2018), constrói um discurso decolonial acerca das vivências de negros LGBTQ+, ao desenvolver narrativas cinematográficas sobre as experiências de diferentes jovens da cidade de São Paulo. Adotaremos como perspectiva metodológica o exame dos elementos que compõem a linguagem cinematográfica, para compreender como o filme desenvolve narrativas que relacionam corporeidade e experiência negra como forma de resistência.
Políticas de presença e autoria trans negra no documentário brasileiro
Daniel Zacariotti (ESPM)
A presente pesquisa visa discutir as políticas de presença trans negra, com foco no espaço de autoria, a partir do documentário Bixa Travesty, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, e da performance (re)apresentada de Linn da Quebrada. Vemos que, a partir de um processo de deslocamento da autoria, é possível discutir a emergência de uma narrativa trans negra neste documentário e, em virtude disso, a existência de um cenário promissor e esperançoso de reverberações das performances de Linn.
O cinema negro LGBT e queer no Brasil
Gilberto Alexandre Sobrinho (UNICAMP)
Estudo sobre o cinema negro LGBT e queer, no Brasil, em que a questão da performance dos sujeitos diante da câmera engendra uma conexão com o(s) sujeito(s) atrás da câmera, ou seja, a presença dispara e se conecta à autorrepresentação, um elo forte entre os filmes aqui considerados. Assim, qual a singularidade desse cinema negro, tomando-se como ponto de partida as identidades dos cineastas e o interesse em narrar sobre sujeitos queer, como dominantes no plano da representação?

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 1 – Cinematografia e plasticidade

26/10 às 14h30
O QUE PODEMOS APRENDER COM OS PINTORES?
André Schütz (UNESP)
Diretores de fotografia, ao longo da história do cinema, utilizam a pintura como objeto de estudo e fonte de referências. Há uma notável presença de elementos da poética e do pensamento da arte seiscentista europeia na cinematografia, visto que essa se dedica predominantemente ao suporte à narrativa. A partir do estudo da pintura moderna e contemporânea é possível desnudar a cinematografia do véu do utensílio, investigando e explorando seus aspectos sensoriais e sua materialidade.
Reflexões sobre cinema e pintura em Retrato de uma moça em chamas
ALINE DE CALDAS COSTA DOS SANTOS (UFOB)Camila Lacerda Lopes ( )
Estudo do filme Retrato de uma moça em chamas (2019), de Céline Sciamma, refletindo sobre cinema e pintura com foco em direção de fotografia, direção de arte e a pintura de Artemisia Gentileschi (1593-1656). Trata-se de pesquisa bibliográfica e análise fílmica, apontando resultados referentes aos usos dos planos e movimentos, das cores nos cenários e figurinos, das luzes e diferentes temperaturas de cor, e a relação entre ações da trama e a trajetória biográfica e estilística de Gentileschi.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 1

26/10 às 14h30
Sons do demônio em Possuídos
Rodrigo Carreiro (UFPE)
O objetivo deste artigo consiste em realizar uma análise da banda sonora do filme Possuídos (Fallen, Gregory Hoblit, 1998), a fim de verificar a maneira como recursos sonoros são utilizados para solucionar um problema de representação proposto pelo roteiro: o vilão, uma entidade sobrenatural, não possui corpo físico e muda frequentemente de hospedeiro, dificultando que público e personagens possam identificá-lo visualmente com rapidez.
Entre os ruídos e a música – a fronteira indefinida no cinema japonês
Demian Albuquerque Garcia (UPJV – UNESPAR)
O cinema japonês nutre uma relação particular com sua cultura tradicional, e o cinema contemporâneo é marcado por essa ligação histórica. Se em Ring, Hideo Nakata pede ao seu compositor uma música sem melodia, K. Kurosawa utilisa sons da natureza e da tecnologia para indicar a presença da morte – o som da conexão internet vira o leitmotiv do fantasma. Essa comunicação quer explorar essa fronteira indefinida entre o design sonoros e música na construção de emoções nos filmes de fantasmas.
Como Analisar o efeito sonoro fílmico: Uma proposta metodológica
ROBERTA AMBROZIO DE AZEREDO COUTINHO (UFPE)
Como analisar o efeito sonoro fílmico?A presente comunicação intenta encontrar possíveis respostas para tal questionamento por meio da propositura de um esquema metodológico que contemple de modo eficaz as especificidades que permeiam o estudo do efeito sonoro. Como suporte para tal elaboração metodológica, propomos uma abordagem conceitual da análise fílmica sonora a partir do diálogo com autores referência na área, tais como Rick Altman (2014), Alvim e Carreiro (2016) e Aumont e Marie (2013).

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Narrativas audiovisuais

26/10 às 14h30
Do Menino Maluquinho a um novo modelo narrativo no Cinema Infantil
ARTHUR FELIPE DE OLIVEIRA FIEL (UFF)
O objetivo central desta comunicação é realizar uma análise de algumas das características presentes no longa-metragem O Menino Maluquinho (1995), de Helvécio Ratton, que vão ecoar em obras posteriores e pautar um novo modelo de construção narrativa para o cinema infantil brasileiro. Para isso, revisitaremos também algumas outras obras de curta e longa-metragem lançadas ao longo dos anos 2000 e 2010s, a fim de tornar evidente este novo paradigma e apontar suas principais características.
Manifestações da Não-Trama na estrutura dramatúrgica de “A Febre”
Caio Cesar Neves (UFF)
Operando no nível das poéticas de estruturação dramática do roteiro, partimos de um conceito central, a Não-Trama (MCKEE, 2006), que desafia o clássico narrativo e é essencialmente caracterizada por: imobilidade dramática, dinâmica de sucessão e ausência de dispositivo teleológico. Investigando uma convergência de tal modelo com tendências do cinema contemporâneo brasileiro, promovemos o diálogo da Não-Trama com o filme “A Febre” (2019), buscando evidenciar padrões narrativos do mesmo.
Tempo, narrativa e Boyhood
CAROLINA OLIVEIRA DO AMARAL (UFF/FAPERJ)
Pode-se dizer que Boyhood é um filme sobre o tempo, mesmo que as cenas frequentemente não “avancem a narrativa”, não apresentam obstáculos no caminho entre o protagonista e seus objetivos, nem propriamente personificam o conflito central. Investigamos o processo criativo da obra e como o roteiro, criado de maneira pouco convencional consegue encapsular o tempo em cenas e elipses, criando um efeito acumulativo que abandona formatos mais usuais de storytelling.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 1

26/10 às 14h30
A projeção na tela grande e a percepção do erro de continuidade
Márcia Bessa (Márcia C. S. Sousa) (UFF)Wilson Oliveira da Silva Filho (UNESA)
A partir de conceitos e características da experiência cinematográfica e da sala de exibição tradicional, esse trabalho tenta pensar a dispersão perceptiva em relação aos erros de continuidade existentes nos filmes projetados na tela grande; ressaltando o papel decisivo desempenhado pelos efeitos psicológicos da “situação cinema” no comportamento do espectador comum, sobretudo frente a narrativas mais afinadas com o modelo clássico em uma simples ida ao cinema na contemporaneidade.
O cinema imóvel: espaços e subjetividades
José Cláudio Siqueira Castanheira (UFSC)
Parte da teoria clássica trata da imobilidade da plateia como fator determinante da experiência cinematográfica. Análises baseadas em conceitos psicanalíticos e na individualidade do espectador tendem a normatizar uma determinada forma de ver e ouvir o filme. Uma análise a partir de um viés sociológico pode melhor situar as relações entre os diversos grupos representados ou ignorados pelo cinema e buscar alternativas ao modelo de experiência solitária e doméstica do filme.
O COSMOPOLITA NACIONAL: OS CINEMAS DE ARTE E O FILME BRASILEIRO
Vitor Oliveira Côrtes (UFF)
O objetivo é fazer uma pequena historia dos cinemas de arte a partir dos textos de Ely Azeredo e, em menor escala, Alberto Shatovsky, tendo em vista a presença do filme brasileiro nesse tipo de espaço. Procurar-se-á dar maior ênfase ao período em que essa colocação – ao menos, como justificativa – fez-se mais atuante a partir dos anos 1970, com o Estatuto dos Cinemas de Arte – e explicar, sobretudo, a queda desse projeto com base nas noções postuladas por Ortiz Ramos ao setor cinematográfico.

ST Montagem Audiovisual: Reflexões e Experiências – Destinos da montagem

26/10 às 14h30
O fim do corte? O filme-plano, o plano-filme e o corpo zumbi do cinema
Silvia Okumura Hayashi (FAAP)
O plano longo, o corte e a imagem do corpo no cinema podem ser reconhecidos visualmente pelo olho do espectador. O cinema digital transformou a noção dos limites da visibilidade destes elementos. Se os cortes podem ser tornados invisíveis por ferramentas digitais e assim tornar indefinida a transição de uma imagem a outra, algo semelhante acontece com o corpo em sua forma audiovisual. Corpos audiovisuais podem hoje ser montagens com costuras invisíveis que unem elementos sintéticos e humanos.
Plano a plano: poética das transições na montagem de “Acossado”
VINICIUS AUGUSTO CARVALHO (UFF / ESPM-Rio)
O trabalho investiga transições na montagem do filme “Acossado” (1960) de Jean-Luc Godard em busca de materialidades estéticas e estruturais que exponham relações morfológicas e cognitivas utilizadas pelo diretor francês. Com auxílio de técnicas computacionais de “Visualização da Informação” propostas por Manovich (2010) o estudo, inspirado na análise fílmica de Marie (2006) sugere uma abordagem metodológica-analítica alternativa para a identificação das pontuações no sexagenário longa-metragem.
Paradigmas da ferramenta de edição não-linear de video digital
João Velho (ESPM Rio)
Como distinguir adequadamente os principais softwares de edição audiovisual atualmente em uso no mercado profissional? Em que pesem as inumeras e evidentes semelhanças entre eles, do ponto de vista conceitual, e para além dos artifícios de interface e um ou outro recurso técnico, é preciso procurar entender essas ferramentas e suas diferenças observando os modelos de abstração que estão por trás delas, que podem ser compreendidos a partir de tres paradigmas, a saber: clássico, digital e híbrido.

ST Outros Filmes – Sessão 1

26/10 às 14h30
Arquivo, Memória e Inscrição Cinematográfica em Different Trains
RAFAEL TASSI TEIXEIRA (Unespar (PPGCINEAV)))
A peça musical Different Trains, criada em 1988 pelo compositor Steve Reich a partir de três movimentos para quarteto de corda e sons pré-gravados, é interpretada pelo grupo Kronos Quartet no ano de 1989, e posteriormente reescrita filmicamente (em 2016) pela cineasta Beatriz Caravaggio. O presente trabalho objetiva discutir a terceira gestualidade artística sobre a peça, que marca o ato fílmico realizado pela artista multimídia à luz das diferentes dimensões do arquivo.
O território artístico nas obras de Freitas, Parente e Andrade
Paula Nogueira Ramos (USP)
Com base no uso reincidente de dispositivos tecnológicos, como a fotografia e o vídeo, na criação de performances em que o corpo é o objeto central, pretende-se analisar o modo com que certas obras transformam o ambiente doméstico em território de criação das artistas mulheres. Para isto, a comunicação busca investigar alguns trabalhos de três artistas visuais brasileiras, Iole de Freitas, Letícia Parente e Sônia Andrade, produzidos na década de 1970.
Fabulação e Memória no Filme Ensaio – Análise de Coração de Cachorro
Carolina Goncalves pinto (ECA – USP)
A partir do conceito de fabulação elaborado por Gilles Deleuze em Imagem Tempo (DELEUZE, 1985), propomos uma análise do filme Coração de Cachorro (2015) de Laurie Anderson, com o objetivo de exemplificar a fabulação no ensaio. A fabulação, conforme Deleuze, se estabelece a partir do real, mas comporta também a invenção. O cinema de fabulação não busca retratar aspectos objetivos ou subjetivos de um personagem; visa flagrar o quê o personagem se torna, a partir de seu próprio relato.

ST Teoria de Cineastas – Sessão 1 – Teorias e Metodologias para a Teoria de Cineastas

26/10 às 14h30
Os critérios de Aumont
Bruno Leites (UFRGS)
Nesta comunicação, pretendo recuperar o núcleo dos estudos de Jacques Aumont acerca da questão das “teorias dos cineastas”, do “pensamento dos filmes” e do “ato teórico fílmico”. Os livros O que pensam os filmes e As teorias dos cineastas exploram diferentes caminhos no agenciamento que liga cinema, pensamento e teoria. O objetivo é problematizar os critérios de Aumont, assim como destacar especificidades do objeto de pesquisa e da função do pesquisador em cada uma dessas linhas de investigação.
O espectador e o processo criativo: concepções a partir de cineastas
Manuela Penafria (UBI)André Rui Nunes Bernardes da Cunha Graça (UBI, CEIS-20/UC)
O artigo propõe-se discutir a figura de “espectador” a partir dos cineastas e contribuir para a teoria do cinema mapeando e estruturando a noção de espectador, por meio de um diálogo entre o que podemos chamar de “noção institucional de espectador” e o “conceito de espectador visto pelos cineastas”.
Karim Aïnouz e o(a) pesquisador(a) na T. de C.: outras aproximações
Marcelo Carvalho da Silva (PPGCom-UTP)
Esta proposta busca investigar algumas relações entre o(a) pesquisador(a) e a obra cinematográfica (como objeto de investigação) no âmbito da Teoria de Cineastas. Para tanto, faremos uso de uma pesquisa em curso que tem como fonte primordial os filmes e as entrevistas de Karim Aïnouz. O objetivo é pensar os deslocamentos espaciais e as divagações mentais em seus filmes, além de propor um campo conceitual preliminar apropriado à obra deste cineasta.

SPC A imagem como contraespaço

26/10 às 14h30
Pluralidade na ficção científica em The Future was Desert (2016)
Ana Maria de Assunção Carvalho (ISMAI)
As ferramentas-palavras-imagens inscrevem formas de pensar inscrita numa história. A bolsa, e não uma faca, é a primeira das ferramentas humanas. A função da bolsa é carregar as sementes, a função da faca é matar e vencer a luta. Na obra The Future was Desert (2016), de Sophia Al-Maria, uma espécie alienígena nos conta sobre o fim da humanidade através referenciais imagéticos do árido deserto. A narrativa, tal como a história contada, utiliza multiplos tempos, multiplas vozes.
(Outros) fundamentos de Aline Motta
Alessandra Lucia Bochio (UFRGS)
(Outros) fundamentos (2017-19) da artista Aline Motta é objeto de análise desta comunicação. Para tanto, lanço mão do conceito de dororidade de Vilme Piedade (2017), para debater as relações entre memória individual e memória coletiva presentes no trabalho de Aline, e a noção de tempo espiralar de Leda Martins (2002), para abordar os trânsitos e deslocamentos que emergem das conexões entre a história familiar da artista e dela própria e a Nigéria, como lugar escolhido para o filme.
Apontamentos sobre riscos e ubiquidade
Patricia Moran Fernandes (USP)
A residência online Pink Umbrella (2020) coord. por Mirella e Muepto é o ponto de partida para se abordar a arte como agenciamento de espaços. Na rede, a imagem agrega à mediação – a este seu lugar de intermediário – o presença da criação e compartilhamento. Partilham-se imagens e ações, o tempo presente se evidencia como suspensão entre o passado e o futuro, um lugar inventado, “contraespaço” a reunir duplas de artistas para uma experimentação conjunta em risco. Um outro espaço a ser criado.

CI Documentário e experiência político-social no Brasil contemporâneo

26/10 às 14h30
Cinema ou propaganda? Uma leitura de dois filmes sobre o impeachment
Fabio Silvestre Cardoso (ANHEMBI MORUMBI)
Em 2019, foram lançados dois filmes a propósito do impeachment de Dilma Rousseff. “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa; e “Não vai ter Golpe!”, produzido pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise das estratégias narrativas dos dois documentários, buscando responder às seguintes perguntas: é possível comparar os dois filmes? Até que ponto esses filmes conseguem alcançar um consenso acerca da crise política de 2016? Cinema ou propaganda política?
Imagem e nostalgia no filme De longe, ninguém vê o Presidente
Márcio Zanetti Negrini (PUCRS)
O documentário “De longe, ninguém vê o Presidente” (Rená Tardin, 2018) apresenta o último discurso de Lula em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista antes de ser preso, imagens de São Bernardo do Campo na atualidade e imagens de arquivo da grande greve na região do ABC, em 1979. Assim, indagamos como o filme expressa um traço nostálgico ao articular imagens do passado e do presente, possibilitando compreendermos parte da experiência social de nosso país na atualidade.
Imagens em disputa no documentário brasileiro contemporâneo
Cristiane Freitas Gutfreind (PUCRS)
Nesse trabalho pretendemos analisar as imagens em disputa nos documentários brasileiros contemporâneos com o objetivo de construir uma escrita da história por meio de escolhas estéticas que configuram uma narrativa sobre o político. Para isso iremos refletir sobre o testemunho (KRACAUER) e o filme militante que permite a construção do conhecimento e da visibilidade do subjetivo. Esses filmes revisitam a história-política do país diante do esquecimento e do autoritarismo vigente.

CI Filmar a si mesma, inventar a si mesma: autoficções e escritas de si

26/10 às 14h30
Em meio à profusão: inscrição de si pelas filmagens domésticas
Laís de Lorenço Teixeira (Unicamp)
Investiga-se a inscrição subjetiva no documentário “Papirosen” (Gastón Solnicki, 2011, Arg.) através do documentário autobiográfico (TONELO, 2015) e do filme-ensaio (TEIXEIRA, 2019). O objetivo, a partir da análise do emprego das filmagens domésticas e da voz em off, é compreender como o realizador se insere na obra, apesar de usar sua avó como narradora. Defende-se esta articulação como base para inscrição subjetiva do realizador e atualização da memória familiar.
O ser como invenção – Das dramaturgias da memória às simulações de si
Márcio Henrique Melo de Andrade (UERJ)
Este artigo analisa a relação entre memória, imagem e narrativa nos curtas Virgindade (2015), Guaxuma (2018) e cinema contemporâneo (2019). Nessa análise, busca-se compreender como a dimensão autobiográfica (LEJEUNE, 2014; LANE, 2002) e autoficcional (DOUBROVSKY, 1977; COLONNA, 2004) podem levantar questões sobre autoria, processos e poéticas da escrita cinematográfica (SAYAD, 2008; MARAS, 2009; JOHANN, 2015), pensando em como, ao nos narrar, não representamos nossos selfs, mas o simulamos.
Conjugar intermitências: entre o dito e o indizível
Rafael de Souza Barbosa (UFMG)
Fronteira do desejo de narrar uma história sob a perspectiva do “eu” e do indizível, a escrita de si habita o que alguns pesquisadores chamam de “região do impossível”. Com frequência, depara-se com um “eu” inacessível, um “eu” turvo. Tomando isso como premissa, este trabalho parte de um fotograma comentado, como método de pesquisa e abordagem de análise, para investigar como a escrita de si em No intenso agora (2017), de João Moreira Salles, opera no limiar do dizer e do desvio.

CI Documentário e dispositivos: amparos, desamparos e testemunhos para o futuro

26/10 às 14h30
Filmes para quedas: a incerteza como dispositivo no documentário
Daniel Velasco Leão (PPGAV/UDESC)
Essa comunicação tem o objetivo de investigar como a incerteza, a incompletude e os trânsitos arriscados que estruturam e constituem quatro filmes documentários: A Walk de Jonas Mekas, Carta de uma cerejeira amarela em flor de Naomi Kawase, O fim e o princípio de Eduardo Coutinho e Santiago de João Moreira Salles. A escolha destes filmes, distintos em quase tudo e também na forma como incorporam esses riscos, se deve a um desejo de apresentar um conjunto de práticas singulares irredutíveis.
Memória e barbárie: dispositivos confessionais no cinema documentário
Letícia X. L. Capanema (UFMT)
Discutiremos os dispositivos fílmicos confessionais acionados nos documentários “Pastor Cláudio” (Beth Formaggini, 2017) e “Ato de matar” (Joshua Oppenheimer, 2012). Os filmes abordam assassinos que aturam, respectivamente, durante a ditadura civil-militar brasileira (1964 a 1985) e o genocídio indonésio (1965 a 1966). Cada qual à sua maneira, as obras articulam dispositivos (Agamben, 2015) que acessam a memória de algozes, problematizando seus discursos e gerando confissões de crimes cometidos.
O homem com a câmera (1929) como um filme-diário
Luis Felipe Gurgel Ribeiro Labaki (PPGMPA-ECA-USP)
Ainda que Dziga Viértov não realizasse filmes-diário em um sentido estrito, parte de sua obra flerta com a forma diarística. Menções a diários em seus filmes, escritos e projetos não-realizados, bem como uma reiterada intenção de autorrepresentação dos kinocs nos trabalhos realizados pelo grupo, sugerem a construção de um fragmentário “diário profissional coletivo”. Nesse sentido, “O homem com a câmera” (1929) é aqui analisado pelo prisma de seu subtítulo “Excerto do diário de um cinegrafista”.
Questões públicas no documentário autobiográfico estadunidense recente
Gabriel Kitofi Tonelo (ECA-USP)
Abordarei como a produção contemporânea de documentários autobiográficos estadunidenses reflete, refrata e amplia debates sociopolíticos recentes em três filmes: Strong Island (Yance Ford, 2017), Did You Wonder who fired the gun? (Travis Wilkerson, 2017) e Minding the Gap (Bing Liu, 2018). Explicarei como o impulso autobiográfico é alimentado por debates públicos que circunscrevem o espaço-tempo da criação e como apresentam desdobramentos epistemológicos em relação à história de tais filmes.

PAINEL “A televisão levada a sério”, hoje – Coordenação: Rosana Cordeiro Parede

26/10 às 14h30
QUEBRANDO AS REGRAS DO JOGO – Leitura semiótica da vinheta de abertura
Patricia Machado Fernandes (PUC-RJ)
Discussão de questões semióticas relacionadas a representação, forma e função na vinheta de abertura e teaser de lançamento da telenovela A Regra do Jogo, com seu tabuleiro e peças de xadrez disposto enquanto espaço cênico. Resgate da história do jogo do xadrez e seus signos, e como eles foram subvertidos no conceito adotado pela equipe de produção na proposta desta vinheta de abertura, mostrando como as regras do jogo viriam a ser quebradas ao longo da narrativa na obra a ser assistida.
Reality Show: Narrativas de Survivor e Big Brother Brasil
Felipe Lopes (UFF (PPGCINE))
O reality show é um gênero televisivo onde a produção de sentido para o espectador e a encenação dos atos ocorrem com um pressuposto discurso de realidade, mas performados a partir de códigos da ficção.

O painel abordará construção de narrativas no Big Brother Brasil e Survivor em 2020 a partir de três eixos:
– as narrativas transmidiáticas oficiais dos canais de televisão;
– a percepção do público e criação de conteúdos e narrativas pelos espectadores;
– a performance de si dos participantes.

AMOR DE MÃE E A REPRESENTATIVIDADE DA MATERNIDADE NEGRA
Matheus Effgen Santos (UFES)Gabriela Santos Alves (UFES)
O trabalho objetiva compreender de que forma a maternidade negra é representada em telenovelas contemporâneas por meio das personagens Camila (Jéssica Ellen) e Vitória (Taís Araújo), protagonistas de Amor de Mãe (2019). Como método emprega-se uma análise textual focada nas falas das personagens. Os resultados indicam a continuidade de uma série de estereótipos através da experiência materna dessas personagens, ainda que o texto proponha alguns modos de confrontação dessas mesmas imagens.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 02 – Campos expandidos de estudos dos cinemas negros

26/10 às 16h15
Casa da Memória Negra de Salto – um documentário social de exposição
Lilian Sola Santiago (ECA-USP)
Esse trabalho propõe uma aproximação entre o conceito de documentário como cinema expandido (YOUNGBLOOD, 1970) e produção partilhada do conhecimento (BAIRON, 2008), a partir de uma afroperspectiva (SOBRINHO, 2020), através da análise do processo de pesquisa e implantação do dispositivo Casa da Memória Negra de Salto (em exposição desde 2016 no Museu da Cidade de Salto-SP). A descrição desse processo fundamenta uma metodologia que venho chamando de Documentário Social de Exposição.
“A Cilada com Cinco Morenos”: Pérola Negra do Cinema Matogrossense
Mauricio Rodrigues Pinto (UFMT)
Propomos analisar a representação de pessoas negras no filme “A Cilada com Cinco Morenos” (Luiz Borges, 1996), na frente e por trás das câmeras. Para isso, partimos da abordagem interseccional e das definições de cinema negro de Orlando Senna (1979) e de Júlio C. dos Santos (2013) para refletir sobre o que é (ou seria) um cinema matogrossense que expresse traços identitários da negritude cuiabana.
Se não me vejo, não assisto: um estudo sobre consumo audiovisual negro
Joselaine Caroline (UFRGS)
O presente trabalho têm como objetivo investigar as práticas de consumo midiático de produtos de temática negra através da aplicação de um questionário, a fim de realizar um levantamento sobre as práticas de consumo de conteúdos e produtos que abordem as temáticas relacionadas à negritude.
Constatamos que a práticas de consumo de produtos audiovisuais negros ocorre em diversos setores e territórios, e resulta tanto da luta contra a invisibilidade, como no fortalecimento da negritude.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 2 – A cinematografia, a paisagem e a espacialidade

26/10 às 16h15
A paisagem nos documentários de Jia Zhangke como dialética da imagem
Camilo Soares (UFPE)
O presente trabalho pretende observar como a direção de fotografia nos documentários de Jia Zhangke reforça a paisagem como uma abertura semântica capaz expandir a narrativa e os elementos informativos para propor um olhar ativo e emancipado do espectador. Discorreremos como tal dialética estabelecida entre representação, mundo e observador é capaz de propor uma reconfiguração hierárquica do olhar e um engajamento político pela estética.
A práxis da cinematografia nos filmes ‘Mulher do Pai’ e ‘Pasajeras’
Francieli Rebelatto (UNILA)
Proponho trazer à luz questões centrais que envolveram o trabalho criativo entre a direção e direção de fotografia nos filmes ‘Mulher do Pai’ (2016) dirigido por Cristiane Oliveira e fotografado por Heloisa Passos e o filme ‘Pasajeras” (2021) dirigido por mim e fotografado por Luciana Baseggio. Interessa-me pensar como essas mulheres realizadoras compartilharam e construíram um pensamento cinematográfico sobre as distintas formas de imprimir na tela paisagens, territórios e personagens femininas
São Paulo dos diretores de fotografia: do neon às luzes dos faróis.
Taís de andrade e Silva Nardi (USP)
A apresentação discute como a direção de fotografia contribui na construção dos sentidos atribuídos à cidade de São Paulo nos filmes Anjos da Noite (Wilson Barros, 1987) e Terra Estrangeira (Daniela Thomas e Walter Salles, 1995). Ao passo que o primeiro exalta as luzes da noite paulistana e é marcado pela exuberância de cores primárias, o segundo é um retrato em preto e branco da plasticidade e do movimento da cidade; opções imagéticas que revelam diferentes visões sobre a metrópole brasileira.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 2: Abertura: “Too Many Cookes in the Kitchen: The Representation of Ownership and Entrepreneurship in the Soundtrack for “One Night in Miami”, com Jeff Smith

26/10 às 16h15

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Poéticas do roteiro

26/10 às 16h15
A escrita inútil: excesso no roteiro cinematográfico
Érica Ramos Sarmet dos Santos (USP)
A partir de análise de trechos do roteiro de Orlando (Sally Potter, 1992) e apoiada em autoras como Thompson (1977), Williams (1991, 2012) e Baltar (2012), buscarei apontar os distintos modos de manifestação do excesso no roteiro, com o objetivo último de refletir sobre as possibilidades de construção de sensação desde o roteiro cinematográfico.
Personagens roteiristas e suas poéticas de roteiro
Joanise Levy (Jô Levy) (UEG)
Para refletir sobre as poéticas da escrita fílmica partimos da representação do processo criativo dos personagens roteiristas dos filmes Barton Fink – Delírios de Hollywood (1991) e Adaptação (2002). Os personagens estão com bloqueio criativo e para superar o problema vão adotar estratégias que revelam o desenvolvimento da screen idea, conceito proposto por Macdonald (2013), o que nos possibilita enxergar as preconcepções sobre criatividade e as práticas legitimadas na escrita de roteiros.
O roteiro no cinema pós-industrial: “Antônio um dois três”
Ana Patricia de Queiroz Carneiro Dourado (PUC-SP/CIAC-UAlg)
A comunicação aborda as práticas de roteiro do filme Antônio um dois três de Leonardo Mouramateus no contexto do cinema pós-industrial, diante da relação entre o modo de produção e as estratégias dramatúrgicas, em intenso diálogo com os atores e a equipe, na construção do roteiro ao longo de todo o processo de criação do filme, sem o isolamento de etapas, e na relação com o pensamento composicional do coreógrafo João Fiadeiro no que se refere à ferramenta de Composição em Tempo Real.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 2

26/10 às 16h15
A trajetória da Orient Cinemas no mercado exibidor brasileiro
Filipe Brito Gama (UFF)
Esta comunicação busca apresentar e analisar a trajetória da empresa exibidora baiana Orient Cinemas e sua relação com o mercado de salas de cinema, desde o início de suas operações com cinemas nos anos 1980, em um momento de crise no setor, até as estratégias desenvolvidas pela empresa para sua continuidade nas décadas seguintes no Brasil e no exterior. Um estudo de caso que apresenta as mudanças no parque exibidor brasileiro, dos antigos cinemas de rua aos complexos multiplex em shoppings.
Arábia: uma análise de sua distribuição e exibição
Adhemar Soares Lage (UFS)
Este trabalho objetiva analisar a distribuição e exibição do filme Arábia (2017) em suas diversas janelas, como: festivais, salas de cinema, plataformas de VOD e exibições gratuitas. A pesquisa parte das discussões sobre a cadeia produtiva do audiovisual, distribuição, exibição e o cinema independente. Por meio do estudo de caso, foi possível identificar o alcance do filme, refletir sobre a estratégia adotada e compreender os desafios e alternativas da distribuição e exibição de filmes independe
O Galo cantou em Recife: uma história do Cinema Pathé (1909-1919)
Felipe Davson Pereira da Silva (UFF)
Este trabalho busca analisar a sala Cinema Pathé, localizada no Recife entre os anos de 1909-1919, a partir da sua relação com a cidade, bem como a sua participação na formação de um circuito exibidor e na produção de novas sociabilidades com o público local, de suma importância para a constituição de uma cultura cinematográfica na região. Jornais e revistas serão nossas fontes principais. A metodologia utilizada será o paradigma indiciário (GINZBURG, 2007).

ST Montagem Audiovisual: Reflexões e Experiências – Espacialidade e temporalidade no cinema contemporâneo

26/10 às 16h15
Realismo Fantasmagórico em Longa Jornada Noite Adentro, de Bi Gan
Cecília Antakly de Mello (USP)
Meu objetivo nessa comunicação será investigar de que forma a manipulação das convenções de ilusionismo e o uso do plano-sequência contribuem para a criação de um espaço cinematográfico instável no filme Longa Jornada Noite Adentro (Bi Gan, 2018), levando à criação de uma atmosfera ao mesmo tempo realista e fantasmagórica.
MONTAGENS GESTÁLTICAS E ESPECTADORES-INTERLOCUTORES
Denize Correa Araujo (UTP)Luciano Marafon (UTP)
Objetiva-se analisar a montagem de dois filmes contemporâneos, O Som do Silêncio (Marder, 2019) e Meu Pai (Zeller, 2020), que criam, através da junção de planos, sons e ritmo, um mundo interno e externo ao protagonista, levando o espectador a se tornar também interlocutor, ao conseguir interpretá-lo de acordo com sua percepção mental (Münsterberg, 1916). Dessa forma, podemos apontar para uma montagem gestáltica, na qual a imagem da Gestalt é parte do caminho para a leitura do corpus em análise.

ST Outros Filmes – Sessão 2

26/10 às 16h15
As mulheres operárias no cinema de Chris Marker e Carole Roussopoulos
Julia Gonçalves Declié Fagioli (UFJF)
A partir de um recorte histórico e geográfico do cinema militante dos anos 60 e 70, buscamos observar como se dá a participação das mulheres operárias. Nossa proposta é analisar quatro filmes com diferentes perspectivas: Até logo, eu espero (Chris Marker, 1967); Classe de lutte (Groupe Medvedkine, 1969); LIP 1: Monique; e LIP 5: Christiane e Monique (Carole Roussopoulos, 1973 e 1976). Interessa-nos discutir como se dá, na retomada das imagens, as imbricações entre luta de classes e feminismo.
Inês: cinema, arquivo e resistência
Thais Blank (FGV CPDOC)Patricia Furtado Mendes Machado (PUC-Rio)
Esta comunicação se debruça sobre o filme Inês (1974, 19min), dirigido pela atriz e cineasta Delphine Seryg. Pouco conhecido e nunca exibido no Brasil, o filme aborda a prisão da militante Inês Etinne Romeu, única sobrevivente do centro de tortura conhecido como Casa da Morte, Inês foi uma testemunha chave no esclarecimento dos crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante o período da Ditadura Militar.
Matar os pais: por uma arquivologia emancipatória
Beatriz Rodovalho (UPJV)
A partir de arquivos de filmes domésticos divergentes, que perturbam as normas patriarcais, heterossexuais, burguesas e etnocêntricas inscritas nos filmes de família aos quais se dedicam majoritariamente a arqueologia, a arquivologia e a historiografia do cinema amador, esta comunicação propõe questionar a “lei” do Arquivo e o gesto de arquivagem.

ST Teoria de Cineastas – Sessão 2 – A Teoria de Cineastas e os processos de produção

26/10 às 16h15
O cineasta e sua gestalt. Contribuições metodológicas para a teoria.
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
O filme sofre diversas metamorfoses no processo de realização, além de ser mediado pelas diversas instâncias externas à ele. A proposta metodológica da Teoria de Cineastas sugere tanto a análise do filme, quanto dos textos produzidos pelos cineastas, incluídos no contexto em que se produzem. Como reflexão, busco compreender essas subjetividades dentro das coletividades em que se forjam e incluir os aspectos institucionais (econômicos e políticos), por influenciarem diretamente a realização.
Complexidade dos processos de produção cinematográfica
Cecilia Almeida Salles (PUC/SP)
Serão apresentadas algumas reflexões sobre os processos de produção cinematográfica, a partir de registros de cineastas como E. Mocarzel e Eliane Caffé. A discussão teórica será feita na interação da crítica de processos de criação com De Masi (2005, 2007). Serão abordados alguns aspectos que envolvem o complexo processo de concretização de um projeto comum, guiado pelas teorias destes cineastas em meios aos outros membros do grupo, como a formação da equipe e a escolha dos modos de trabalho.
As vozes autorais e os gestos de criação na nova trilogia de Star Wars
Patricia de Oliveira Iuva (UFSC)
A proposta discute o processo de criação da nova trilogia de Star Wars e a configuração da autoria nessa etapa da franquia, através da análise de enunciados de paratextos: entrevistas, críticas e making ofs. Articulando a crítica de processo e a Teoria de Cineastas, o estudo parte da produção como espaço criativo, a fim de desvelar a relação da cineasta Kathleen Kennedy com o cinema e como isso reverbera nos gestos criativos e dá a ver múltiplas vozes autorais nos 3 últimos filmes da saga.

SPC Casa Grande e Que horas ela volta? em três olhares diferentes

26/10 às 16h15
Sobre lugares morais, fronteiras e afetos
Janie Kiszewski Pacheco (PUCRS)
A mesa trata sobre dois filmes brasileiros recentes: Casa Grande (2015), de Fellipe Barbosa e Que horas ela volta? (2015), de Ana Muylaert. Em ambos, a ação se passa em bairros nobres de duas capitais brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Reflexões estéticas, questionamentos sociais e gênero, estão presentes em ambos os filmes, revelando desejos, contradições e desafios de personagens em um país complexo como é o Brasil.
Sobre a Estética da Aproximação
Isabel Alencar de Castro (ESPM-POA)
A mesa trata sobre dois filmes brasileiros recentes: Casa Grande (2015), de Fellipe Barbosa e Que horas ela volta? (2015), de Ana Muylaert. Em ambos, a ação se passa em bairros nobres de duas capitais brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Reflexões estéticas, questionamentos sociais e gênero, estão presentes em ambos os filmes, revelando desejos, contradições e desafios de personagens em um país complexo como é o Brasil.
Sobre poder e papeis de gênero
Luíza Buzzacaro Barcellos (Unisinos)
A mesa trata sobre dois filmes brasileiros recentes: Casa Grande (2015), de Fellipe Barbosa e Que horas ela volta? (2015), de Ana Muylaert. Em ambos, a ação se passa em bairros nobres de duas capitais brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Reflexões estéticas, questionamentos sociais e gênero, estão presentes em ambos os filmes, revelando desejos, contradições e desafios de personagens em um país complexo como é o Brasil.

CI O (cinema de) Horror no Brasil

26/10 às 16h15
ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO e tendências do horror brasileiro nos anos 2000
Laura Loguercio Cánepa (UAM)
Buscamos apontar o mosaico de referências que parece ter moldado a concepção do longa-metragem Encarnação do Demônio (José Mojica Marins, 2008) para além dos filmes anteriores de Zé do Caixão, nos anos 1960: as múltiplas encarnações do personagem na indústria cultural; o culto ao cineasta pela cultura underground e trash; o diálogo com franquias de horror internacionais; a tendência à espetacularização da violência no cinema brasileiro do começo dos anos 2000.
CINEMA DE HORROR BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO: PERSPECTIVAS E FRONTEIRAS
Rodrigo Cazes Costa (UFF)
Esta comunicação examina filmes de horror do cinema brasileiro contemporâneo, por meio da teoria de ALTMAN (1999). São estudados filmes mais associados a uma ideia de cinema autoral que de cinema de gênero: O animal cordial; As boas maneiras; Clube dos canibais; M-8, quando a morte socorre a vida. Nesse conjunto de filmes há uma nítida intenção em tecer comentários acerca de questões estruturantes da sociedade brasileira, assim como em superar a dicotomia entre cinema autoral e de gênero.
Rastros de ódio: o horror como representação dos traumas da ditadura
Lucas Procópio Caetano (UNICAMP)
O trabalho discutirá longas-metragens latino-americanos que rememoram as violências sofridas por vítimas das ditaduras nestes países através de elementos estilísticos e/ou temáticos do gênero horror como ferramentas de elaboração dos traumas nacionais causados por tais regimes.

CI Filme e Vídeo Ensaio: território crítico; território de experimentação

26/10 às 16h15
Seria Ôrí um filme do domínio do ensaio?
Reginaldo do Carmo Aguiar (Unicamp)
O trabalho visa por meio de alguns critérios metodológicos de pesquisadores do ensaio fílmico demonstrar como este filme se configura no domínio ensaístico. Entre os critérios propostos: a relação complexa do teste do eu com o Mundo (experiência pública); os modos ensaísticos: autobiografia e de viagem; algumas características do cinema moderno e do cinema contemporâneo; as vozes ensaísticas empregadas e o cinema como configuração estético-política enquanto processo singular do pensamento.
Sérgio Muniz, uma obra entre o Documento e o Filme Ensaio.
Silvia Helena Cardoso (UNIFESSPA)
O artigo analisa o percurso cinematográfico do artista e cineasta brasileiro Sérgio Muniz a partir dos filmes: Roda e Outras Estórias (1965) e De raízes & rezas, entre outros (1972). As obras evidenciam uma matriz experimental aliando os registros fílmicos, as artes populares, a música brasileira, a montagem não linear. O Cinema Documentário, o Cinema Experimental, o Cinema de Autor e o Filme Ensaio são repertórios teóricos e estéticos abordados.
Imagens de segunda mão: vídeo-ensaio como novo território crítico
LUIZ GUSTAVO VILELA TEIXEIRA (UTP)
Através do cotejo entre um vídeo-ensaio e um texto analítico, ambos sobre o mesmo tema (o cinema de Wong Kar-wai), esta comunicação busca discutir as possibilidades e limites entre cada forma de crítica audiovisual: a mais usual, textual, herdeira da tradição literária, e a audiovisual, que se convencionou nomear vídeo-ensaio. Para isso cabe apresentar algumas das perspectivas teóricas sobre crítica enquanto postura diante da obra e o vídeo-ensaio a partir de seus elementos constituintes.

CI Documentário: institucionalidade, economia e modos de produção

26/10 às 16h15
A Unesco e as contradições de um projeto universal no Documentário
Fernando Weller (UFPE)
A presente comunicação parte de pesquisas realizadas no Arquivo da Unesco, em Paris, através do projeto de pós doutorado intitulado “A utopia do Direto na crítica cinematográfica francesa nos anos 1960”. Em 2020, tivemos acesso aos dossiês de trabalho de Enrico Fulchignoni, então chefe da seção de Filmes e Cultura da Unesco (1963-66). Fulchignoni foi pesquisador, cineasta e teve um papel central nos anos 1960, atuando como um elo entre realizadores audiovisuais, críticos de cinema e a Unesco.
États généraux: uma dinâmica econômica para o documentário
Teresa Noll Trindade (UNICAMP)
O presente trabalho busca analisar o evento Estados Gerais do Filme Documentário (États généraux du film documentaire), que ocorre anualmente na França. Focado no documentário, promove exibições de filmes, seminários, ateliês, encontros profissionais, entre outras atividades. Nosso objetivo é avaliar a forma como este evento se desenvolve, suas atividades e os agentes econômicos do setor audiovisual envolvidos, a fim de examinar sua importância econômica para o mercado do documentário.
Afinal, o que é o cinema artesanal?
Marcel Gonnet Wainmayer (PPGCine-UFF)
A apresentação propõe abordar leituras e conceitos relacionados ao “cinema artesanal”, ao “cinema amador” e a outras noções sobre modos de produção por fora dos mecanismos industriais, a partir de três documentários de baixo orçamento da produção argentina das últimas décadas que tematizam o próprio trabalho de produção audiovisual.

PAINEL Friccionando individualidades, hibridizando poéticas – Coordenação: Laís de Lorenço

26/10 às 16h15
Comunidades em negativo: caminhos da coralidade no cinema
Rodrigo Hubert Leme (UFMG)
A partir do entendimento do termo “coralidade” tal como empregado em diversos estudos nos campos das artes, esse trabalho evidencia a existência de instâncias corais no cinema observando suas presenças na crítica sobre o neorrealismo italiano e em cena no atual cinema documentário-ficcional brasileiro. Através dessas relações, busca-se entender as possibilidades da coralidade em tela e como suas questões se revelam pertinentes para o compreendimento de imagens coletivas no cinema nacional.
A ênfase poética no cinema experimental do Irã: Pluralidade estética
MICHELE DE LA CRUZ (UTP)
O presente resumo tem como escopo analisar a ênfase poética imanente às produções cinematográficas do cinema iraniano, que serão analisadas nesta pesquisa a partir do viés da pluralidade estética resultante das hibridações que tensionam ficção e documentário. Serão investigadas as estratégias estilísticas que configuram o cinema de poesia dos cineastas Abbas Kiarostami em Gosto de Cereja (1997) e Cópia Fiel (2010), Samira Makhmalbaf em A Maçã (1998) e Jafar Panahi em Taxi Teerã (2015).
Narrativas de si mediadas pelo cinema
ANA PAULA SOARES DA SILVA GOMES (FAE/UFMG)
Este estudo investiga a potência das narrativas de si mediadas pelo cinema no ambiente escolar e tem como base uma experiência de realização audiovisual realizada, em contexto de oficinas, com três trabalhadoras de uma escola da rede municipal de ensino de Belo Horizonte.

 
 

27/10


ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Políticas de representações no audiovisual latino-americano

27/10 às 9h00
Brasil, México e a representação de novos regimes de controle
Marcelo Vieira Prioste (PUC-SP)
Uma reflexão sobre como recentes séries em plataforma streaming do Brasil e do México apresentam o uso das redes digitais como instrumentos de controle e coerção social. Em ambas, acompanhamos as rotinas de colégios sendo abaladas por uma rede de intrigas em que o uso de celulares em rede disciplinam comportamentos. Observa-se a instauração de um regime de controle horizontal, como um “panóptico digital” que, no século XXI, tem se difundido por entre a juventude de classe média latino-americana.
Cinema fronteiriço: primeiros passos rumo a um subgênero mexicano
Maurício de Bragança (UFF)
A migração é um dos aspectos recorrentes nos filmes mexicanos que incorporam a fronteira em suas narrativas, trazendo uma questão social de grande impacto. O melodrama estruturou tais narrativas desde filmes da década de 1930, matriz que permanecerá no modo como o cinema mexicano tratará esse tema. Aqui, nos deteremos no momento inicial da abordagem da temática da fronteira no cinema mexicano, recorrendo, em especial, ao filme La china Hilaria, dirigido por Roberto Curwood em 1938.
A representação de Augusto Pinochet no Noticiero ICAIC Latinoamericano
Ignacio Del Valle Dávila (UNILA)
A partir de setembro de 1973 o ditador chileno Augusto Pinochet teve um papel de destaque no Noticiero ICAIC Latino-americano, transformando-se no ditador sul-americano com mais aparições. Nesta comunicação estudaremos a sua representação no Noticiero cubano, estabelecendo suas principais caraterísticas. Nossa hipótese é que Pinochet não só serviu como metonímia do regime militar chileno, mais também das ditaduras guiadas pela teoria da Segurança Nacional e aliadas dos Estados Unidos.

ST Cinema Comparado – Sessão 3: Os espasmos do mundo

27/10 às 9h00
Da colonização do sono aos sonhos do corpo: “A febre”, de Maya Da-Rin
Ilana Feldman (USP)Maria Cristina Franco Ferraz (UFRJ)Ericson Telles Saint Clair (UFF)
A partir de uma perspectiva histórica e genealógica, em cotejo com a antropologia, filosofia, literatura e artes visuais, visamos investigar a aliança entre o cinema e a potência política dos sonhos em “A febre” (2019), primeiro longa-metragem de ficção de Maya Da-Rin.
Tropa de Elite e Elite da Tropa: descrições esquemáticas
Leandro Rocha Saraiva (UFSCar)
A comunicação pretende apresentar um resumo esquemático das estruturas narrativas e do quadro de personagens de Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite II (2010), dirigidos por José Padilha, com roteiro dele e de Bráulo Mantovani, e o livro (em duas partes), Elite da Tropa (2006), de Luiz Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel e André Batista.
A história dos filmes espantados: o documentário, o ensaio, o silêncio
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Notório pelo processo de auto-elaboração da fala, a produção contemporânea do filme ensaio se notabiliza pela incorporação da pausa e do silêncio como elementos de pontuação narrativa, viabilizando “no intervalo entre linguagens”, o discurso sobre o espanto e sobre a falta de sentido. O silêncio e a pausa como estratégias de discurso em documentários ensaísticos como “Diário de uma busca”, “História de um olhar”, “Retratos de identificação” e “Luz Obscura” é o que essa fala pretende elaborar.

ST Cinema e Educação – Sessão 2 – Políticas das imagens

27/10 às 9h00
Cinema e Arte-Educação: Basquiat – traços de uma vida
Maria Cristina Mendes (UEPG/ UNESPAR)
O filme Basquiat- traços de uma vida (Julian Schnabel, 1996) recria a vida do primeiro grafiteiro negro norte-americano que se transforma em celebridade internacional. Os entrelaçamentos de sentido criados pelo diretor possibilitam aproximações entre história da arte popular com bases cinematográficas e a Arte-Educação. Busca-se evidenciar, no confronto entre biopic e dados concretos da vida do artista, contribuições para o ensino das Artes.
CINEMA E EDUCAÇÃO: ELABORAÇÃO DE MEMÓRIA E LUTA DA FAVELA DO VIDIGAL
Marta Cardoso Guedes (SME)
Em 2017/18, a Escola de Cinema do Djalma (CINEAD) descobriu e restaurou, em parceria com a Cinemateca do MAM-Rio, imagens Super-8, fotografias e fitas cassete sobre a luta dos moradores da favela do Vidigal contra sua remoção para Santa Cruz/Antares em 1977/78. Em 2019, montamos Vidigal: exercícios de pensamento com arquivos e realizamos as gravações de Morro do Vidigal, cuja metodologia de filmagem se deu pelo confronto das imagens de arquivo com as testemunhas da história.
Investigando quadros de dor: uma pedagogia para a imagem da catástrofe
Alice Andrade Drummond (USP)
Ao perscrutar imagens dos rompimentos das barragens de minério em Mariana e Brumadinho, à luz da metodologia teórico-prática aplicada por Harun Farocki em A Prata e a Cruz (2010), a exposição põe em contato os grandiloquentes registros dessa catástrofe produzidos pela grande mídia, imagens de cineastas profissionais do ocorrido e aquelas captadas por atingidos enquanto fugiam e gravavam a sua dor, a fim de investigar como estas imagens tomam posição e ensejam o conhecimento frente à catástrofe.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 3

27/10 às 9h00
O cinema submerso: visualidades hidrográficas da Amazônia
Mariana Arruda Carneiro da Cunha (UFPE)
O trabalho busca cotejar um conjunto de obras (de caráter experimental, etnográfica e ficcional) que retratam paisagens hidrográficas da Amazônia e florestas em processo de desaparecimento. A partir de uma reflexão sobre a “floresta ocupada” (Gómez-Barris, 2020) e “geografias esgotadas” (Rogoff, 2010), questiono como essas imagens criam novas formas de coexistência entre humanos e não-humanos (o mundo animal, vegetal e elemental) num mundo em crise, e que visão de natureza atravessa as imagens.
Animismo: uma via estético-ecológica do cinema de vanguarda
Lucas de Castro Murari (UFRJ)
O intuito desta apresentação é discutir elementos da teoria do cinema e da antropologia em relação à estética e a cosmologia animista, levando em consideração uma certa tradição do cinema de vanguarda que remonta à década de 1920 e que permanece viva até os dias de hoje. O estudo vai abordar o desenvolvimento e complexificação do animismo cinematográfico, mais precisamente no que tange a questões ecológicas presentes em filmes experimentais realizados em diferentes contextos.
O háptico no Tríptico elementar da Espanha de José Val de Omar
Erly Milton Vieira Junior (UFES)
Este trabalho busca investigar as conexões entre os filmes experimentais do espanhol José Val de Omar, seus escritos e suas inovações técnicas (a diafonia, a visão tátil e o transbordamento apanorâmico da imagem) para pensar a dimensão multissensória de sua proposta de uma “neopercepção audiovisual” como uma antecipação das atuais reflexões teóricas em torno da dimensão háptica do cinema. Para isto, abordaremos os filmes que compõem seu Tríptico elementar da Espanha, realizado entre 1952 e 1963.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 2

27/10 às 9h00
Festivais e a história do cinema: I Festival de Cinema da Bahia (1962)
Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB)
Neste artigo nos aproximamos do I Festival de Cinema da Bahia, realizado em 1962. Emulando o formato dos grandes festivais europeus, o festival foi organizado pela Associação de Críticos Cinematográficos da Bahia, em homenagem aos 50 anos do Jornal A Tarde. Entretanto, mais do que a dimensão da efeméride, o evento acaba por pautar uma série de discussões, que ainda se vinculam com a ambiência de produção da “nova onda baiana”, e sua relação com o cinema brasileiro de forma mais abrangente
O Brasil em Cannes (1966-1969): políticas do INC e o apoio da França
Belisa Brião Figueiró (UFSCar)
Esta comunicação analisa as primeiras tentativas de políticas de internacionalização por meio do Instituto Nacional de Cinema (INC). O objetivo é compreender até que ponto essas medidas contribuíram para a difusão dos filmes brasileiros no Festival de Cannes, entre 1966 e 1969, e quais eram as condições desse apoio. Também examinaremos a influência dos críticos e curadores franceses na inserção dessas obras no festival, abordando as entrevistas realizadas com Sylvie Pierre e Pierre-Henri Deleau.
GERAÇÃO CINEMATECA EM FESTIVAIS BRASILEIROS ENTRE 1975 E 1985
Luciane Carvalho (UFPR)
Propomos esta pesquisa sobre a chamada Geração Cinemateca e a participação de seus filmes em festivais brasileiros entre os anos de 1975 e 1985, mapeando a circulação e premiação dessas obras, assim como uma análise do contexto de produção. Por Geração Cinemateca entendemos o grupo de jovens cineastas que iniciaram suas carreiras junto à Cinemateca do Museu Guido Viaro graças aos cursos práticos e apoio à produção oferecidos.

ST Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva – Sessão 3

27/10 às 9h00
A PRESENÇA FEMININA NAS TRILHAS MUSICAIS DO CINEMA BRASILEIRO
Suzana Reck Miranda (UFSCar)Debora Regina Taño (UFSCar)
Este trabalho debruça-se sobre a presença feminina nas trilhas musicais originalmente compostas para o Cinema Brasileiro. O recorte aqui apresentado centrou-se em longas ficcionais e documentais lançados comercialmente no país entre 1969 e 2018. Como esperávamos, pouquíssimas mulheres compuseram trilhas para estes filmes. Tal resultado nos levou a investigar de forma mais ampla o “fazer musical” das mulheres brasileiras, desde meados do século XIX até as primeiras décadas do século seguinte.
A mulher prostituta no documentário “Mulheres da Boca” (1982)
Hanna Henck Dias Esperança (UFSCar)
A comunicação tem como proposta discutir o documentário curto “Mulheres da Boca” (1982), dirigido por Cida Aidar e Inês Castilho. O filme tem como temática as prostitutas localizadas no centro de São Paulo, região que abrigava, na época, tanto a chamada “zona do meretrício” quanto o polo cinematográfico da Boca do Lixo. Assim, o documentário relaciona e transita entre a performance característica da prostituição e o universo ficcional do cinema da Boca.
Perfil e narrativas das protagonistas de filmes comerciais brasileiros
Bárbara Malta Rabello (CPDOC – FGV)
Este trabalho é fruto de dissertação sobre a representação das protagonistas femininas nas produções comerciais brasileiras contemporâneas (filmes de longa-metragem de ficção lançados entre 2002 e 2017 que obtiveram no mínimo 500 mil espectadores). Será dado enfoque a um dos eixos da pesquisa, referente ao perfil das protagonistas e à sua cartografia temática narrativa, com análise da presença de estereótipos na representação feminina feita pela produção comercial brasileira recente.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – III – Perspectivas afrodiaspóricas

27/10 às 9h00
Escravidão, terror branco: casas assombradas em O Nó do Diabo e Açúcar
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)Marina Lordelo Carneiro (UFBA)
Duas abordagens recentes da herança histórica da escravidão, assim como da persistência do racismo estrutural no Brasil contemporâneo, recorrem a elementos dos gêneros do horror e do fantástico. Este artigo interroga como o Engenho Wanderley, em Açúcar (2017), e a casa da família Vieira, em O Nó do Diabo (2018), são construídos com base em diferentes investimentos topofílicos e topofóbicos, atualizando o topos da casa assombrada e insinuando a releitura da escravidão como terror branco.
A morte branca do Feiticeiro Negro: imagem-arquivo como re-existência
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)Ricardo Lessa Filho (UFPE)
Buscamos investigar a imagem-arquivo no curta A morte branca do feiticeiro negro (Rodrigo Ribeiro, 2020), diante do gesto de Timóteo, escravo que se suicida e escreve uma carta, cujas palavras são trazidas no documentário fusionadas por imagens de arquivo da escravidão brasileira. Queremos entender o corpo posto diante da tela, frente ao corpóreo do arquivo de um homem negro que rompe o véu do esquecimento e traz à tona a história das “experiências silenciadas” e o desejo de “re-existência”.
A República dos Espectros
Arthur Fernandes Andrade Lins (UFPB/UFF)
Propomos três movimentos que se cruzam e se refletem. Analisar os procedimentos estéticos que dão a ver uma aparição espectral no filme ‘República’, de Grace Passô; Nos enveredar no jogo das especulações que um espectro sempre suscita; e clamar juntos por uma justiça que não seja da ordem do Direito, ou seja, fazer ecoar essa justiça que é próprio do espectro reivindicar (DERRIDA, 1994). Abordaremos essas questões assumindo uma posição anti-distópica em seu potencial disruptivo e anti-colonial.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Sessão 3 _ direção de arte e personagens

27/10 às 9h00
CORPOS ENTRE OBJETOS: CORES FORMAS E TEXTURAS
Silvaneide Dias da Silva (UESB)
Esta pesquisa pretende tratar da forma como as cores são utilizadas na construção de cenas compostas no audiovisual e de como elas perdem, em certa medida, seus significados óbvios ao passo que os objetos são dispostos nos espaços. Para tanto iremos verificar detalhes de imagens que nos chamam atenção no seriado Modern Love (2019), dirigido por John Carnei. Para pensarmos a visualização dessas matérias, apresentamos como principal referência os estudos de Georges Didi-Huberman e Gilles Deleuze.
O papel da caracterização na representação de personagens realistas
Theresa Christina Barbosa de Medeiros (UFJF)
Este artigo tem como objetivo discutir o papel da equipe de maquiagem de efeito e caracterização na construção das personagens Domingas, interpretada pela atriz Sônia Braga no filme Bacurau (Kleber Mendonça Filho, 2019) e Pacarrete, interpretada pela atriz Marcélia Cartaxo, no filme Pacarrete (Allan Deberton, 2019).
Escada pro palhaço: direção de arte e comédia física na cidade moderna
Gianna Gobbo Larocca (UERJ)
O objetivo do trabalho é abordar usos da direção de arte na comédia física a partir do paralelo das obras de Chaplin e Keaton com a de Jacques Tati. Tanto na obra deste como daqueles, a direção de arte participa da construção da gag. A comparação se mostra mais profícua na medida em que produz discursos sobre a cidade na modernidade – em dois momentos distintos – traçando um repertório no qual a direção de arte se destaca e cuja potência estética sobrevive no atual encolhimento do espaço urbano.

SPC Ensaios Audiovisuais sobre Geografias Afetivas

27/10 às 9h00
Geografias Flexíveis do Cinema em Pernambuco
Amanda Mansur Custódio Nogueira (UFPE)
Três ensaios audiovisuais de curta-metragem, a saber, Passagens (Lúcia Nagib, Samuel Paiva, 2018), Fabulário Tropical de um Cinema Vadio (Amanda Mansur, 2021) e Recife, Marrocos (Alexandre Figueirôa, 2021), somam e contrapõem diversas visões sobre uma geografia afetiva e flexível do cinema pernambucano contemporâneo.
Geografias Flexíveis do Cinema em Pernambuco
Samuel Paiva (UFSCar)
Três ensaios audiovisuais de curta-metragem, a saber, Passagens (Lúcia Nagib, Samuel Paiva, 2018), Fabulário Tropical de um Cinema Vadio (Amanda Mansur, 2021) e Recife, Marrocos (Alexandre Figueirôa, 2021), somam e contrapõem diversas visões sobre uma geografia afetiva e flexível do cinema pernambucano contemporâneo.
Geografias Flexíveis do Cinema em Pernambuco
Alexandre Figueirôa Ferreira (Unicap)
Três ensaios audiovisuais de curta-metragem, a saber, Passagens (Lúcia Nagib, Samuel Paiva, 2018), Fabulário Tropical de um Cinema Vadio (Amanda Mansur, 2021) e Recife, Marrocos (Alexandre Figueirôa, 2021), somam e contrapõem diversas visões sobre uma geografia afetiva e flexível do cinema pernambucano contemporâneo.

CI Plataformas digitais e distribuição online

27/10 às 9h00
Cinema Online: rearranjos da distribuição audiovisual nas plataformas
João Carlos Massarolo (UFSCar)Dario de Souza Mesquita Júnior (UFSCar)
O processo disruptivo do streaming perturbou o cinema brasileiro, provocando um rearranjo da cadeia de distribuição, exibição e circulação de filmes, no qual o tempo de janela exclusiva do cinema é reduzido ou abolido, criando espaços para o cinema online com a sua multiplicidade de telas nas plataformas online. Pretende-se discutir de que forma as plataformas de streaming alteram o modelo tradicional da distribuição cinematográfica, fomentando serviços online de entrega de filmes ao público.
Caos regulatório e a guerra do streming no Brasil: uma análise crítica
Lia Bahia Cesário (ESPM RJ)
A sincronicidade entre a crise política e institucional do cinema e audiovisual independente brasileiro e o crescimento de serviços de streming, ainda sem regulação no país, configura um fenômeno recente e gera novas contradições e (des)conexões no setor. O trabalho examina, sob uma abordagem exploratória, as relações internas bem como os contornos políticos e econômicos da geopolítica mundial que afetam, de maneira sistêmica, toda a cadeia produtiva do cinema e audiovisual nacional.
De catálogo a canal: os 10 anos de Netflix no Brasil
Pedro Peixoto Curi (ESPM)
Há dez anos no Brasil, a Netflix pode superar a audiência da TV paga em 2021 e tem o país como terceiro mercado em receita e segundo em assinantes. Este trabalho propõe um panorama da última década ao explorar as estratégias para engajar o público brasileiro, a produção local e a consolidação de uma marca sólida e de um universo intertextual complexo na passagem de um catálogo online de conteúdos licenciados a um canal por streaming em meio à disputa com outros serviços de vídeo sob demanda.

CI Estratégias de produção e arranjos produtivos regionais

27/10 às 9h00
O FUNDO SETORIAL DO AUDIOVISUAL E O ESTADO DA BAHIA: ESTUDO DE CASO
André Ricardo Araujo Virgens (UFBA)
O presente trabalho, de natureza empírica, tem como objetivo discutir o impacto que o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) gerou em contextos locais, a partir de um estudo de caso sobre aportes direcionados ao estado da Bahia entre 2009 e 2020, dados estes que integram a pesquisa de doutorado do autor. Em primeiro lugar, contextualizaremos o histórico e os objetivos Fundo Setorial do Audiovisual. E, na sequência, apresentaremos o detalhamento dos dados sobre o acesso ao FSA por agentes baianos.
A força dos arranjos produtivos regionais a partir da criação do Tecna
Aleteia Selonk (PUCRS)
Este trabalho pretende demonstrar a importância dos arranjos produtivos regionais para o audiovisual como estratégia de desenvolvimento e sobrevivência. A partir de uma visão ampliada do espaço audiovisual, considerando não apenas a produção, a distribuição e a exibição, mas incluindo a infraestrutura, a formação, e a pesquisa como eixos fundamentais da cadeia produtiva, a proposta traz um estudo de caso da implantação do Tecna, uma infraestrutura com altos padrões tecnológicos instalada no RS.
A experiência do vídeo na produção audiovisual rondoniense
Juliano José de Araújo (UNIR)Sávio Luis Stoco (UFPA)
A comunicação traz à tona a experiência singular do casal de realizadores audiovisuais e artistas Lídio Sohn e Pilar de Zayas Bernanos que, a partir do final da década de 80 e até 2007, fez cinco trabalhos em vídeo que vão do documental à videoarte, todos contundentes na crítica sobre a realidade socioambiental de Rondônia. Analisa-se essa filmografia indicando o contexto de produção regional, as poéticas, as relações entre as obras e as temáticas priorizadas.

CI Processos criativos, invenção e escrita audiovisual

27/10 às 9h00
Novos procedimentos: roteiro e encenação em Moscou
Helena Oliveira Teixeira de Carvalho (UFMG)
O artigo pretende fazer um estudo sobre novos procedimentos de roteiro e encenação. Para tanto, será analisado o documentário Moscou (2009), de Eduardo Coutinho, que levanta questões sobre as fronteiras entre documentário e ficção, assim como a noção de roteiro e encenação. Pensaremos como o encenador trabalha a cena, levando em conta a interpretação do atores, os espaços e a presença do aparato cinematográfico.
Resistir, apesar de tudo
Fabiana de Oliveira Assis (UBI)
Este artigo apresenta, de forma breve, parte do processo de criação do documentário em longa-metragem Parque Oeste, que dirigi em 2018 e que surge do curta Real Conquista que també dirigi em 2017. Trato, especialmente, do desvio do projeto original, ocasionado pela inserção das imagens de arquivo, tendo como norte o conceito de “levante” definido por Georges Didi-Huberman.
Cinema de Invenção: sintonias e relações processuais
Renato Pannacci (Unicamp)Priscyla Bettim (Unicamp)
Esta comunicação propõe refletir sobre dois aspectos que envolvem os processos de realização no Cinema de Invenção brasileiro: o cinema como extensão da própria vida dos autores; as sintonias com outros realizadores como uma questão metafísica/mística. Como ponto de partida, analisaremos algumas obras, escritos e reflexões dos realizadores Andrea Tonacci, Cristina Amaral, Jairo Ferreira, Luiz Rosemberg Filho.

PAINEL Na mesa com Didi-Huberman – Coordenação: Pedro Vaz Perez

27/10 às 9h00
Correspondência Fílmica : sobrevivência das imagens por alteridades
Gabriel Dias Franco de Godoy (UFPE)
Em processo de rememoração dos pontos de origem à atualização do fenômeno da correspondência no cinema epistolar, este trabalho se desenvolve pelos resquícios dos primeiros cinemas que sobrevivem na história. Indicando o travellogue e o cinema de atualidades como manifestações epistolares de uma experiência estética na exploração das alteridades, que aproxima o artesão-narrador a reprodutibilidade técnica, entre o realismo e a poesia na ausência de uma escritura fílmica singular.
A aparição do gesto no filme Era o Hotel Cambridge.
Beatriz Andrade Stefano (UFPE)
A partir da análise do filme Era o hotel Cambridge (2016), o presente trabalho tem como objetivo discutir a relação entre o aparecimento do gesto, na concepção de Giorgio Agamben, e o tableau vivant. Além disso, refletir sobre o gesto e o levante enquanto expressões políticas na imagem. A discussão sobre a noção de gesto guia a análise do documentário, ao mesmo tempo que ele é propulsor de algumas das reflexões desenvolvidas por esse trabalho.
A sobrevivência dos vaga-lumes na cidade: uma análise de Tokyo-ga
Mariana Ferreira Valentin da Silva (CEFET-MG)
Este trabalho explora as reflexões construídas em Tokyo-ga (1985), de Wim Wenders, sobre a permanência de imagens genuínas no mundo moderno visualmente saturado. Contrastando as ideias apresentadas no filme com as teorias de Pier Paolo Pasolini e Georges Didi-Huberman, nota-se que o trabalho da construção do espaço imagético de Tokyo-ga conecta as potências de Ozu a Wenders e mantém imagens que sobrevivem ao mundo da reprodutibilidade.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Políticas do corpo em performance no audiovisual da América Latina

27/10 às 10h45
O RISO, O CINEMA E A CIDADE: GRANDES CLOWNS DO CINEMA DA AMÉRICA LATIN
YANET AGUILERA VIRUEZ FRANKLIN DE MATOS (UNIFESP)
Trata-se de pensar a relação que o cinema da América Latina estabeleceu entre a comédia e a cidade. Especificamente, é uma análise da interação de Mazzaropi, Cantinflas e Grande Otelo com São Paulo e a cidade do México, nos filmes: “Candinho”, de Abílio Pereira de Almeida, 1954; “El bolero de Raquel”, de Miguel, M. Delgado, 1957; e “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969. Em resumo, o objetivo é perceber a resistência dos corpos engraçados e excluídos dos clowns diante destas urbes antro
Arquivos inacabados: danças populares na filmografia latinoamericana
Natacha Muriel López Gallucci (UFCA)
No contexto da montagem do ensaio FiloMove Performance em rede (2020, PNPD, Capes), confrontamo-nos com a tarefa de construir um arquivo fílmico para embasar a investigação sobre o registro audiovisual de técnicas do corpo nas danças populares. Produzimos, assim, uma plataforma de fragmentos do cinema silencioso e sonoro latino-americanos privilegiando performances em dança. Esperamos avançar aprimorando os protocolos de análise comparada dessas filmografias Latino Americanas.
Encenando e cantando a tragédia já conhecida
Leandro Afonso Guimarães (UFBA)
A seguinte proposta pretende analisar a encenação das canções tocadas na íntegra nos dois longas mais recentes de Lorena Muñoz: Gilda – no me arrepiento de este amor (2016) e El Potro – lo mejor del amor (2018). A ideia é, a partir do diálogo entre música e imagem, ambas relacionadas a história e personagens já conhecidas, analisar escolhas estéticas que norteiam essas cenas centrais dentro dos filmes.

ST Cinema Comparado – Sessão 4: Metáforas da visão e elogios do amor

27/10 às 10h45
Brakhage, Kant e o “olho não-tutelado”: interpelações recíprocas
Mateus Araujo Silva (ECA-USP)
Em diálogo com a filósofa Patrícia Kauark, propõe-se aqui uma interpelação recíproca entre cinema e filosofia, a partir da figura do “olho não tutelado”, central na obra de Stan Brakhage mas aparentemente estranha à teoria kantiana da percepção na Crítica da Razão Pura (1781/87). Para tanto, voltaremos ao prólogo de Dog Star Man (1961) e ao manifesto “Metáforas da Visão” do cineasta, para reexaminarmos sua aposta em um conhecimento não-conceitual do mundo, e confrontá-la com a posição kantiana
Metamorfoses de uma cidade
Lucas Bastos Guimarães Baptista (Egresso ECA-USP)
A comunicação busca apresentar as observações de Annette Michelson sobre o cinema e o surrealismo. A ênfase é dada à recorrência de Paris como base da trama dos filmes comentados por Michelson, e o modo como neles as técnicas cinematográficas são utilizadas para transfigurar o espaço e o tempo da capital francesa.
Caetano/Godard: a canção-câmera
Claudio Leal (Sem vínculo)
A influência do diretor francês Jean-Luc Godard sobre a obra de Caetano Veloso, na música e no cinema, se apresentou de forma nítida no tropicalismo e influenciou estruturalmente seu único longa, “O Cinema Falado”. Os procedimentos godardianos de montagem e assimilação do pop inspiraram equivalências na canção. Este trabalho pretende repassar o impacto de Godard na arte e na obra crítica de Caetano Veloso.

ST Cinema e Educação – Sessão 3 – Pedagogias do cinema

27/10 às 10h45
A mixtape como procedimento pedagógico na obra de Goran Olsson
Ines Bushatsky (USP)
A comunicação terá como foco a relação entre a obra do diretor sueco Goran Olsson e a estrutura de organização narrativa e de montagem da mixtape. Essa relação é sugerida já no título de um de seus documentários, The Black Power Mixtape [1967-1975], de 2011. A partir da investigação das estruturas formais presentes neste e em outro filme do mesmo autor, Concerning Violence, de 2014, refletiremos sobre as possibilidades artístico-pedagógicas da mixtape enquanto dispositivo crítico e criativo.
Cartografias de um devir feminino da realização de um doc
Fernanda Omelczuk Walter (UFSJ)
O trabalho visa pensar o processo coletivo de criação de um filme documentário que tem como motivação os afetos e realidades de mulheres que são estudantes e mães. A atividade é parte de um projeto de criação artística da Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ. Entendemos que este processo criativo é também formativo, reunindo mulheres em torno de uma prática cartográfica no fazer cinema e no fazer pesquisa, com ressonâncias pedagógicas, estéticas e políticas para todas as envolvidas.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 4

27/10 às 10h45
A grade como problema cinematográfico
Hermano Arraes Callou (UFRJ)
Este trabalho pretende defender que a grade (grid) se tornou um procedimento importante na tradição do cinema de vanguarda desde os anos 1960. A grade foi uma forma de ordenação paradigmática da arte moderna, que teve um papel decisivo na história da pintura do século XX, ao mesmo tempo que se mantém no horizonte da arte contemporânea. Esta proposta procura narrar o translado da grade das artes espaciais para uma arte temporal como o cinema, interrogando suas origens e consequências.
O “filme estrutural” e o “problema dos três corpos”
Rodrigo Faustini dos Santos (USP)
Certa aspiração da vanguarda cinematográfica norte-americana (ligada ao “filme estrutural”) de instanciar funções da mente por meios técnicos, cruza com o imaginário da cibernética, que orbita o pós-guerra. Considerar relações e reações desses filmes com tal disciplina, ligada ao eletrônico e ao digital, permite acentuar aspectos mais “caóticos” desse cinema, sugerindo vieses não-triviais que perturbam pressupostos de seu rigor purista e essencialismo esquemático, convocando dinâmicas outras.
A performance aleatória nos cinemas experimentais
Sandro de Oliveira (UEG)
As vanguardas cinematográficas desenharam um espaço fílmico que Parker Tyler (1995) nomeou de pan-pessoal: espaços que englobam seres (transeuntes e anônimos) considerados invisíveis pelo cinema clássico e toda uma franja diegética com seus fatos fortuitos. Este trabalho analisará como filmes experimentais ostentaram fascínio explícito na sua fatura ao justaporem cidadãos retirados do “real” (corpos societais) e os elementos humanos que fragilmente poderiam ser chamados de “atores”.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 3

27/10 às 10h45
Uma análise transnacional da crítica cinematográfica na América Latina
Isabella Regina Oliveira Goulart (FMU FIAM-FAAM)
A pesquisa propõe uma análise do pensamento social por meio da crítica cinematográfica durante as décadas de 1920 e 1930 na Argentina, Brasil e México através da análise comparativa das revistas Cinegraf, Cinearte e El Universal Ilustrado. Pretende-se avaliar se os críticos se engajaram em projetos de identidade nacional que convergiam com o pensamento social em outros campos, além de identificar elementos comuns da perspectiva dos editores sobre o pensamento social em seus respectivos países.
História do cinema & sociedade: as ideias de Jean-Claude Bernardet
Arthur Autran Franco de Sá Neto (UFSCar)
Esta comunicação versa sobre um dos aspectos mais instigantes da produção historiográfica de Jean-Claude Bernardet: a análise crítica de filmes canônicos da história do cinema brasileiro visando o alargamento da compreensão da nossa sociedade.
Ao longo dos anos 1970 e 1980, todo um esforço foi construído por este autor para indicar, por meio de diversos ensaios, como filmes produzidos nas primeiras décadas do século XX reverberam aspectos ideológicos, conflitos e impasses da sociedade.
Ilustrações historiográficas: “90 anos de cinema”, a série e o livro
Luís Alberto Rocha Melo (UFJF)
Esta proposta objetiva discutir três aspectos do discurso historiográfico da série de TV e do livro intitulados “90 anos de cinema, uma aventura brasileira” (1988): 1) o seu recorte temporal, que abrange os anos de 1898 a 1964; 2) o papel dos acervos fílmicos na construção desse discurso historiográfico; e 3) a presença da televisão, que surge com grande destaque na série, mas é praticamente ausente no livro – apesar de ser o próprio livro fruto de uma série de televisão.

ST Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva – Sessão 4

27/10 às 10h45
Laços que unem? – escrita de si (e das outras) em “Finding Christa”
Carla Italiano (UFMG)
Esta comunicação propõe investigar os modos de auto-inscrição no filme “Finding Christa” (1991), realizado por Camille Billops e James Hatch, a partir dos diferentes vínculos entre mulheres negras no filme, em particular das diversas relações entre mães e filhas. Para a análise, colocaremos em diálogo o campo das escritas de si no cinema e das teorias feministas, em particular do pensamento feminista negro estadunidense e das investigações sobre maternidade.
Gestos de resistência no documentário autobiográfico de mulheres
Coraci Bartman Ruiz (Unicamp)
Na realização de documentários autobiográficos de mulheres, o sujeito do discurso e a legitimação do conhecimento estão em disputa; o cinema, enquanto tecnologia de gênero, é uma potente estratégia de agenciamento no campo da representação. Analisando um corpus de dez filmes a partir das formas de enderec?amento em torno das quais eles se constituem, propomos uma categorização organizada em gestos essenciais pelos quais as diretoras se dirigem às espectadoras.
Aborto e direitos reprodutivos em Grey’s Anatomy
Virgínia Jangrossi (UFSCar)
Por meio de uma análise feminista e da leitura polissêmica de Grey’s Anatomy, pretende-se debater o modo como o aborto tem sido representado diegeticamente nos últimos vinte anos na série. Ao analisar duas personagens enfrentando gestações indesejadas, objetiva-se apresentar o modo como essas mulheres são representadas ao considerarem a possibilidade de realizar um aborto. Além disso, visa-se observar as alterações no comportamento masculino diante da escolha de suas parceiras.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – IV – Territorializações e reterritorializações

27/10 às 10h45
Aportes para novas miradas: O cinema de César González
Roberta Filgueiras Mathias (UFF)
A obra do diretor e literato César González centra-se em dois polos: sua experiência na Villa Carlos Gardel, localizada em região periférica de Buenos Aires e sua formação em filosofia. Transitando pelos dois universos, González cria narrativas visuais fortes em seus audiovisuais que são propositivos de uma perspectiva política e estética combativa. Assim, trago o que o próprio chama de trilogia villera para discutir essa disputa de discurso que é, acima de tudo, cultural e territorial
Dez anos da Rosza Filmes no Recôncavo da Bahia, cinema e território
Angelita Maria Bogado (UFRB)
A URFB tem gestado empreendedores culturais que conseguiram romper a barragem do discurso hegemônico e estão dando vazante a imagens silenciadas pela história. Foi nesse espaço potente que Rosa e Nicácio, através de uma gramática própria e uma prosódia local, encontraram uma forma de ocupar esse espaço e levar as imagens do Recôncavo para outras margens. O estudo pretende apontar como essa escolha política de ocupar o território promove desdobramentos estéticos na cena fílmica.
Mítico, Maravilhoso, Fantástico? Fraturas em um Documentário Amazônico
Uriel Nascimento Santos Pinho (UFF)
Esta análise discute os encontros entre o verossímil do documentário Mãos de Outubro (Vitor Souza, 2009) com o pretensamente inverossímil de cosmovisões da Amazônia paraense. Para isso, recorremos à análise fílmica e ao levantamento de uma cinematografia do estado do Pará que aborda o catolicismo popular. Nos aproximamos ainda dos conceitos de mítico, maravilhoso e fantástico para desenhar uma área deste cinema documental que se aproxima do inexplicável enquanto terreno – e talvez dispositivo

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Sessão 4 _ reflexões e metodologia em D.A..

27/10 às 10h45
O pensamento da cor na direção de arte audiovisual
Milena Leite Paiva (UNICAMP)
Este artigo apresenta os resultados de uma investigação conceitual e metodológica acerca da inserção da cor nos processos da direção de arte audiovisual e do seu papel na estruturação da visualidade, buscando mapear o pensamento da cor nas etapas de um projeto de arte a partir de três perspectivas: teórica, metodológica e prática. Dos autores acessados no estudo da direção de arte destacamos Butruce (2005), Hamburger (2014) e Block (2010), e no estudo das cores, Guimarães (2000).
O ensino de Direção de Arte no curso de Cinema e Audiovisual da UFRB
Dorotea Souza Bastos (UFRB)
A trajetória do ensino de Direção de Arte na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) é traçada pela ocupação de um território necessário à formação discente no campo do audiovisual. Nesta proposta de artigo, trago questões referentes à experiência no processo de ensino-aprendizagem da Direção de Arte no meio acadêmico, em especial na UFRB, e busco tencionar a discussão sobre estrutura, conteúdos e aspectos metodológicos específicos da Direção de Arte como componente curricular.
Abraço do mundo: experiência e fazer da experiência na direção de arte
Monica Poli Palazzo (PPGAV/ECA/USP)
Uma conversa informal com a manicure inspira a reflexão sobre como a direção de arte não somente cria o espaço visual fílmico, mas é experiência mediadora da relação com o mundo. Amparada pelos conceitos de experiência estética, produção de presença e partilha do sensível, investigo a sensação de ser abraçada pelo mundo, experiência que se faz premissa e resultado no processo criativo em direção de arte. E indago: como abrir espaço e compartilhar a potência do sensível no mundo do “já sentido”?

SPC Perspectivas transversais sobre o Insólito: horror e política

27/10 às 10h45
O horror da bomba atômica como origem do mal em Twin Peaks: The Return
Rogério Ferraraz (UAM)
Esse trabalho tem como objetivo compreender os elementos expressivos, narrativos e estilísticos do horror na série televisiva Twin Peaks: The Return (2017), criada por David Lynch e Mark Frost e dirigida por Lynch, através da análise do episódio Part 8, especialmente verificando as relações entre as configurações daquele universo ficcional e os aspectos históricos, políticos e culturais dos EUA, com ênfase na relação estabelecida entre a primeira detonação de uma bomba atômica e a origem do mal.
1975, o ano do lobisomem no Cone Sul
Tiago José Lemos Monteiro (IFRJ)
Este trabalho explora as eventuais conexões entre o imaginário audiovisual insólito brasileiro dos anos 70 e 80 e a produção latinoamericana de língua hispânica desta mesma época. Partindo do lançamento, em 1975, de dois filmes em torno da licantropia – Quem tem medo de lobisomem?, de Reginaldo Farias, e Nazareno Cruz y el lobo, de Leonardo Favio – aqui proponho uma aproximação entre ambos, tendo como pano de fundo o turbulento contexto sociopolítico que Brasil e Argentina então vivenciavam.
Algoritmo, vigilância e horror em documentários de crime da Netflix
Ana Maria Acker (ULBRA)
O objetivo da proposta é investigar características do uso da estética da internet e das redes sociais enquanto arquivo nos documentários de crime da Netflix e compreender como o horror se expressa na abordagem tecnológica por essas obras. Documentários como: Por que você me matou? (2021), de Fredrick Munk, Cenas de um homicídio: uma família vizinha (2020), dirigido por Jenny Popplewell, e a série Don’t Fu**k with cats: uma caçada online (2019), de Mark Lewis, constituem o corpus de análise.

CI Plataformas digitais e distribuição online II

27/10 às 10h45
Web documentários: formas audiovisuais adaptadas à pandemia
Guilherme de Souza Castro (Não há)
As séries Travessia: a COVID 19 e os movimentos sociais populares e Direitos Humanos e Saúde no Brasil em 2020, totalmente realizadas em remoto, através da Internet, são formas de web documentários que adaptam a produção audiovisual às necessidades sanitárias de distanciamento e às novas condições tecnológicas de produção de imagens, cujos métodos são descritos no artigo.
Um “pé” quebrado e uma vitrine estilhaçada: a pandemia na exibição
Márcio Rodrigo Ribeiro (ESPM)
A partir de dados de mercado da Agência Nacional de Cinema (Ancine), o presente trabalho pretende analisar os efeitos do fechamento do circuito exibidor no Brasil durante os 12 primeiros meses da pandemia de Covid-19 no País, entre março de 2020 e março de 2021. A análise também pretende estudar inicialmente as mudanças no hábito do público de frequentar salas de cinema devido à multiplicação de plataformas de streaming, a partir do conceito de habitus, elaborado por Pierre Bourdieu.
Competição ou Reinvenção? Tensionamentos entre o cinema e o streaming
aline lisboa da silva (UNESP)
Nossa proposta é compreender se os tensionamentos envolvendo os formatos cinema e serviço de streaming se mostram de fato prejudiciais ao primeiro ou se apresentam como possibilidades de reinvenção à indústria cinematográfica. Em nosso trabalho confrontamos as fronteiras existentes entre o campo cinematográfico e o serviço de streaming com o intuito de examinar como o consumo de conteúdo audiovisual vem se modificando e transformando o mercado do setor.

CI Estratégias de produção e arranjos produtivos regionais II

27/10 às 10h45
Fundo de quintal S/A: estratégias do audiovisual no RN, na PB e em PE
Janaine Sibelle Freires Aires (UFRN)
As mudanças tecnológicas favoreceram novas dinâmicas de produção do cinema no país. Este artigo busca apresentar um panorama do mercado audiovisual nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A partir do referencial teórico da Economia Política da Comunicação, analisamos a espacialização, a estruturação e a mercantilização da cadeia produtiva do audiovisual destas localidades com o intuito de problematizar a tendência de renovação dos modos de ser e fazer cinema no Brasil.
Cinema de Alagoas: panorama da última década
Maysa Santos da Silva (UFS)
Esta publicação tem como intuito reconhecer e registrar o desenvolvimento do cinema realizado em Alagoas na última década. Partindo de um breve histórico, vamos apresentar e analisar os momentos e as frentes que promoverão a realização audiovisual no estado. Entre elas estão os editais e os subsídios públicos, os festivais e as mostras de cinema, as oficinas de formação, as entidades de representação setorial e as iniciativas que operam em prol do registro e da memória do cinema alagoano.
Maranhão: perspectivas e contradições de um mercado invisibilizado
Andréia de Lima Silva (UFF)
O Maranhão ocupa uma cena peculiar no mercado cinematográfico brasileiro. Ao mesmo tempo que possui um dos festivais de cinema mais antigos do país (Guarnicê), as produções de ficção em formato de longas-metragens tiveram suas primeiras incursões apenas em meados dos anos 2000. Em quadro desenvolvido pela pesquisadora, catalogamos vinte filmes produzidos no Estado. Desses, apenas quatro foram registrados na ANCINE, o que torna a produção maranhense invisível em nível nacional.

CI Toques e tatuagens: masculinidades desviadas e fantasia

27/10 às 10h45
Diversidade no filme Tatuagem: experimentações criativas
Wilton Garcia (Fatec)
Este texto expõe uma leitura sobre a diversidade no filme brasileiro Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda. O enredo traz eloquentes desafios enunciativos que impactam controvérsias, contrastes e paradoxos, ao permear vestígios sensíveis da metalinguagem – uma encenação da encenação. Ou seja, a fantasia da fantasia. Os resultados dessa escrita ensaística estrategicamente apostam em experimentações poéticas do cinema nacional, ao provocar reflexões sobre o Brasil contemporâneo.
TATUAGEM, OUTRAS IMAGENS E FANTASMAS
SAMUEL MACÊDO NASCIMENTO (UFC)
Conectando o filme Tatuagem (2013, Hilton Lacerda) com outras imagens dissidentes, encaramos dispositivos e contradispositivos que interpelam os fantasmas e os mitos ocidentais que giram em torno da masculinidade hegemônica. Partindo de uma perspectiva decolonial, analisaremos alguns aspectos das masculinidades desviadas que deslocam os discursos de poder entre o presente, o passado e o futuro.
Toque e Afetos: dança, corpo e sexualidade em “E então nós dançamos”
Thalita Cruz Bastos (Unisuam)
“E Então nós dançamos”, de Levan Akin (2019) narra a história de descoberta sexual de Merab, bailarino do Corpo de Dança Nacional Georgiana. Nossa proposta é compreender a relação entre afetos, dança e sexualidade desenvolvidas na narrativa. As principais referências teóricas são a circulação cultural dos afetos (Ahmed), os limites da ressonância carnal através da encenação dos corpos na dança (Paasonen), a questão háptica (Vieira Jr.) e as reflexões sobre performatividade de gênero (Butler).

PAINEL Corpo e gênero: entre a virtualidade e a morte – Coordenação: Cesar Castanha

27/10 às 10h45
Corpos permeáveis e aparatos de imersão virtual no cinema Sci-fi.
Gustavo dos Santos Ramos (UFPE)
Breve percurso pelos aparatos tecnológicos de imersão virtual retratados nas obras fílmicas e seriadas de ficção científica, “eXistenZ” (1999) e “Striking Vipers” (2019), com foco na relação desses dispositivos com o corpo humano e a produção de novos modos de vida. A apresentação terá como pano de fundo um diálogo com o trabalho de Paula Sibilia sobre a compatibilização do homem “pós-orgânico” com as tecnologias digitais, em paralelo com o pensamento de Michel Foucault e Gilles Deleuze.
OBJETIFICAÇÃO DO CORPO FEMININO NO FILME “MÃE!”
Maria Eduarda Santos Medeiros (UNISUL)
“Mãe!” (2017) é um filme rico em metáforas e alegorias, podendo ser interpretado de diversas formas, porém nesse trabalho proponho analisar a estética do filme e a objetificação do corpo da mulher a partir da personagem “mãe”, interpretada por Jennifer Lawrence, e como as escolhas estéticas e artísticas interferem na interpretação e discursos do filme; qual o olhar que temos do corpo feminino a partir da narrativa e sua estética?
UMA ANÁLISE ESTILÍSTICA DA MORTE EM A BALADA DE BUSTER SCRUGGS
Ian Abé Santiago Maffioletti (UFPB)
Esta comunicação busca compreender os caminhos estilísticos escolhidos pelos irmãos Coen para retratar a morte, em sua última obra, A Balada de Buster Scruggs. Guiados pela explicação dos próprios diretores, que indicam a morte como elo entre os seis capítulos do filme, nosso objetivo é observar se há alguma padronização ou distinção do tema ao longo da narrativa. Para isso, cruzamos as reflexões de Campbell (2013), a respeito dos irmãos Coen, e as de Bordwell (2013), a respeito do estilo.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 03 – Poéticas, arqueologias e arquivos afrodiaspóricos

27/10 às 14h30
Arqueologia das imagens no documentário histórico de Raoul Peck
Gabriel Filgueira Marinho (ESPM)
Algumas das dificuldades na realização de documentários de arquivo são a síntese do silêncio ensurdecedor dos arquivos e cinematecas quando requisitados a colaborarem com a história da população preta. A partir da arqueologia da iconografia pesquisada pelo cineasta Raoul Peck em seu documentário de estreia, “Lumumba: a morte do profeta” (1990), esse trabalho pretende mapear as relações tensas entre essas instituições de memória e a demanda por uma História negra no cinema documentário.
Whose Streets: de quem são as ruas e de quem são as imagens das ruas?
Pedro de Alencar Sant’Ana do Nascimento (UFBA)
Os protestos de Ferguson, em 2014, consolidaram a cidade como berçosdo Black Lives Matter. Nessa apresentação, traremos resultados de uma análise de um documentário que lançou um olhar sobre as ondas de protestos: Whose Streets, de Sabaah Folayan. Nosso interesse está na disputa pela representação dos protestos, em que Folayan se insere ao questionar a cobertura midiática dos eventos. Segundo Folayan, o que operou sobre a formulação daqueles discursos surgidos a partir de Ferguson?
John Akomfrah, artista como arquivista
rodrigo sombra sales campos (UFMS)
Esta apresentação examina as múltiplas valências da figura do arquivo na obra do artista inglês John Akomfrah. Interessam-me os meios pelos quais os princípios de apropriação e ordenamento de imagens alheias constituem a estrutura poética do documentário As Canções de Handsworth. Argumento ainda que procedimentos do cinema direto usados no filme permitem repensar os elos entre raça e tecnologia que incidem e atualizam continuamente as concepções de documento, memória e a noção mesma de arquivo.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 3 – Cinematografia, composição e enquadramento

27/10 às 14h30
A composição em profundidade de campo em “Roma”
Marília Xavier de Lima (UAM)
A presente comunicação busca apresentar um estudo acerca do uso da profundidade de campo como um modo de guiar a atenção do espectador no quadro. Na esteira das reflexões de David Bordwell (2008) e André Bazin (2014), propomos a análise da composição fotográfica do filme “Roma” (Alfonso Cuarón, 2018). Nosso intuito com esse trabalho é pensar sobre métodos de pesquisa de direção de fotografia em consonância com a prática que envolve a produção de imagens no cinema.
Personagem-câmera: a lucidografia de Resident Evil 7: Biohazard
Paulo Souza dos Santos Junior (UFPE)
O presente estudo se dedica a investigar regimes imersivos audiovisuais a partir da análise da fotografia de uma cena do game Resident Evil 7: Biohazard (Koshi Nakanishi, 2017). Partindo de conceitos como hipercinema, realocação e continuidade intensificada, buscamos descrever a constituição de um particular regime de agenciamento, onde o espectador passa a ter controle da movimentação espacial da câmera em cena, atendendo o contemporâneo desejo de participação e interação nas mídias digitais.
A câmera com estabilização triaxial e as imagens-antídoto dos Krenak
Rogério Luiz Silva de Oliveira (UESB)
Krenak – Vivos na Natureza Morta (2017) é uma série documental audiovisual sobre os impactos do rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, no Vale do Rio Doce, onde vive o povo Krenak. A partir deste trabalho, é possível realizar uma reflexão sobre uma estratégia de cinematografia utilizada na série: o uso de câmeras portáteis de estabilização triaxial. Tomamos este recurso como um antídoto para a tentativa das empresas de criar uma imagem convincente de reparação da paisagem.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 3

27/10 às 14h30
Síncresis y escucha atenta en “Brouwer: el origen de la sombra”
Carlos Fernando Elias Llanos (UFG)
“Brouwer: el origen de la sombra” es el documental minimalista de Katherine Gavilán y Lisandra López Fabé que nos presenta la figura del guitarrista, compositor y director de orquesta cubano Leo Brouwer. Valiéndonos de los conceptos de síncresis y escucha atenta analizaremos las “sombras” que el dispositivo fílmico crea a partir de los múltiples planos de sentido e indexación presentes en la banda sonora.
A canção na estrada do Cinema Nacional
Manoel Adriano Magalhães Neto (UFRJ)
Canções populares acompanhando a representação imagética da estrada é um traço recorrente do cinema brasileiro e também conexão intersemiótica que marca a continuidade da tradição fílmica no país. Este trabalho tem o objetivo de analisar quatro canções que associadas às imagens de estrada ajudam a construir a simbologia da utopia de um projeto de futuro para o Brasil, nos anos 60, e ainda no presente, nos filmes da década de 2010.
Cultura sound-system e obras audiovisuais: teorias em diálogo
Leonardo Alvares Vidigal (UFMG)
A apresentação irá procurar colocar em diálogo filmes sobre sound systems com a teoria do som no cinema e o aparato teórico mobilizado para se estudar estes grupos. A interrelação entre as três faixas de frequência que compõem a cultura sound system (material, corporal e sociocultural) e a “dominância sonora” exercida por eles na ocupação de espaços públicos serão analisados nos filmes a partir de conceitos como ponto de escuta, para se compreender tais obras e sua dimensão política.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Práticas do roteiro no Brasil

27/10 às 14h30
O roteiro nos primórdios do cinema brasileiro (1913-1931)
Natasha Romanzoti (UNICAMP)
Este trabalho tem como objetivo discutir e elucidar o papel do roteiro, bem como a evolução desse formato, nos primórdios do cinema feito em solo brasileiro, entre os anos de 1913 e 1931. Para esse fim, serão analisados diversos exemplares de revistas dedicadas à cinema do período, como A Scena Muda e Cinearte, bem como outras bibliografias pertinentes e os poucos roteiros sobreviventes disponíveis da época.
Telenovela brasileira e estudos de roteiro: um estado da questão
Lucas Martins Néia (USP)
Este trabalho objetiva prospectar o lugar do roteiro nos estudos de telenovela no Brasil. Para isso, procedemos a um mapeamento e levantamento bibliográfico referente a pesquisas que se voltaram à intersecção entre a escrita audiovisual e a telenovela brasileira, de modo a versar acerca de conteúdos temáticos e modelos teóricos presentes em tais investigações. Buscamos, ainda, discutir os desafios de se tomar o roteiro como fonte e reflexão para o estudo de ficções de longa serialidade.
Para ler o filme: roteiro, literatura e mercado editorial no Brasil
Maria Castanho Caú (UFRJ)
A partir do breve estudo de caso do volume “Três roteiros”, de Kleber Mendonça Filho, lançado no fim de 2020 pela Companhia das Letras, problematiza-se o espaço do roteiro cinematográfico no mercado editorial nacional. Pretende-se pensar se as publicações de roteiros, que parecem ter ganhado certa força nos últimos anos no país, esboçam novas relações entre autor e leitor/espectador ou novas experiências de leitura e editoração. Estaríamos diante da consolidação de um novo “gênero literário”?

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 3

27/10 às 14h30
Acelera! Cinema, uma questão de velocidade
Julio Bezerra (UFMS)
Um dos desafios mais visíveis no cinema contemporâneo é negociar a velocidade crescente da forma e da cultura cinematográficas. O objetivo desta apresentação é pensar modos mais acelerados de ver cinema. Ao longo desse caminho, atravessaremos questões como, um diálogo cada vez mais forte com o primeiro cinema, a constante ideia da “morte do cinema”, a sétima arte como uma experiência individual e solitária, o ritual da exibição, o discurso neoliberal e a cultura digital.
FLUXO EXPANDIDO NAS AUDIOVISUALIDADES CONTEMPORÂNEAS
EDEMAR MIQUETA (UNESPAR)
A proposta é abrir espaço para discutir sobre o fluxo expandido nas audiovisualidades contemporâneas, a partir das reflexões de autores/pesquisadores tais como Ismail Xavier, Arlindo Machado, Henri Jenkins, Thomas Elsaesser, Jacques Rancière, Lucas Bambozi, Demétrio Portugal e dos artistas/pesquisadores André Parente e Kátia Maciel. De como as novas tecnologias têm colaborado para a exploração de outras durações e intensidades encontrando um novo espectador que agora é parte integrante da obra.
Tecnostalgia e sala de cinema: apostas discursivas em meio à pandemia
Talitha Gomes Ferraz (ESPM/PPGCine-UFF)
Buscamos compreender a relação entre manifestações de nostalgia e reafirmação de determinados atributos identitários dos cinemas e seus públicos diante dos riscos e desafios impostos pela pandemia. Com base na noção de tecnostalgia, examinamos peças publicitárias de exibidores publicadas em redes sociais e estratégias do Grupo Estação, do setor exibidor carioca, no âmbito do Movimento Juntos Pelo Cinema.

ST Montagem Audiovisual: Reflexões e Experiências – Gestos de montagem

27/10 às 14h30
O sentido do precário na montagem
ana rosa marques (UFRB)
Em alguns filmes do documentário brasileiro contemporâneo observamos o uso de uma linguagem caracterizada pela precariedade ou improviso que parece ir contra os manuais mais convencionais de edição. Nossa proposta é, a partir da análise dos filmes, observar quais efeitos estéticos e políticos produzem e que experiência propõem ao espectador. Buscamos assim pensar o papel da montagem e do montador no documentário e em relação com as diversas narrativas que usam o real como matéria prima.
A montagem guiada pelo acaso: dois vídeos de Brígida Baltar
Fernanda Bastos Braga Marques (UFRJ)
O presente artigo propõe a análise de A geometria das rosas e O refúgio de Giorgio, de Brígida Baltar, obras de videoarte que se constroem no processo de montagem/edição audiovisual a partir de defeitos gerados na imagem pela deterioração do suporte material – drop outs. Os vídeos são exemplos da grande liberdade estética que esse gênero artístico oferece à montagem/edição, para experimentação visual, narrativa, rítmica e sensorial. Nos dois casos, a forma abre-se ao acaso e molda-se ao erro.
Live-streaming, saved footage e montagem em Present.perfect.
Regiane Akemi Ishii (USP)
Partindo da investigação de como o cinema contemporâneo tem sido instigado pelos processos de produção e circulação próprios da internet e do fluxo audiovisual 24/7, propomos uma análise de Present.perfect. (2019), de Shengze Zhu. Nele, a diretora e montadora gravou por dez meses, com um software de captura de tela, cerca de 800 horas de live-streaming em plataformas chinesas. O intenso trabalho de montagem resultou em um filme de quatro capítulos sem títulos, protagonistas ou plot explícito.

ST Outros Filmes – Sessão 3

27/10 às 14h30
O espectador de cinema e o Jornal Nacional
Consuelo Lins (UFRJ)Caio Bortolotti Batista (UFRJ)
Trata-se de analisar uma serie de edições do Jornal Nacional a partir de ferramentas da crítica do cinema. Partimos do princípio de que os instrumentos tradicionais desse pensamento são, a um só tempo, indispensáveis e problemáticos para essa empreitada. São eles, porém, que serão utilizados aqui para analisar essa serie extraída do que chamamos de “arquivos do presente”, que são os arquivos televisivos.

ST Teoria de Cineastas – Sessão 3 – O cinema, as monstruosidades e a política

27/10 às 14h30
O cinema sobre cinema nos filmes de Manuel Mozos
Eduardo Tulio Baggio (Unespar)
Existe um conjunto de nove filmes realizados pelo cineasta Manuel Mozos que têm o cinema como foco principal, algo absolutamente incomum e que demarca um perfil intenso, especialmente se levarmos em conta que trata-se de praticamente um terço de seus filmes. A proposta desta comunicação é analisar, sob a perspectiva da Teoria de Cineastas, os dois últimos dentre esses nove filmes: João Bénard da Costa – Outros Amarão as Coisas que Eu Amei (2014) e A Glória de Fazer Cinema em Portugal (2015).
Entre autor e obra: Cronenberg do feminino ao masculino monstruoso
Fernando Mascarello (UNISINOS)
Segundo Linda Ruth Williams e Scott Loren, a abordagem cinematográfica de David Cronenberg à relação entre o abjeto e a sexualidade exibe uma mudança de foco, desde o feminino monstruoso para o masculino monstruoso, concomitante à sua transição do body horror ao cinema de arte. Terão as acusações de misoginia, dirigidas por parcela da crítica feminista aos seus body horror movies, concorrido para essa mutação no tratamento estético e político do embate masculino x feminino pelo sujeito-cineasta?
Do Sistema ao Mecanismo: a política segundo Padilha em dois tempos
Guilherme Fumeo Almeida (UFRGS)
O trabalho objetiva problematizar o conceito de política desenvolvido por José Padilha em Tropa de Elite 2 e O Mecanismo, a partir do diálogo entre a análise destas produções audiovisuais e de entrevistas concedidas pelo diretor e um marco teórico estruturado em dois pontos. O marco teórico parte da Teoria de Cineastas, especialmente com base em Baggio, Graça e Penafria (2015), e das reflexões de Holanda (1995) e Schwarcz (2019) sobre a construção sociopolítica brasileira.

SPC Experimentações com cinema no/do lugar-escola da Educação Infantil

27/10 às 14h30
Criação de dispositivos em filmes para e com bebês
Mauro Antonio Guari (SME Campinas)
Fazer cinema não é coisa simples nem fácil.
Em nossa escola fazemos cinema. Um cinema para e com bebês. Temos estudo, pouco dinheiro, algum equipamento e disciplina. Nossos atores e atrizes é que não tem nenhuma disciplina e nem é para ter. Estamos falando de crianças no começo da primeira infância, descobrindo os primeiros passos sobre o mundo. Nosso cinema é feito com e para eles e para fazer isso temos que inventar muitas coisas, criar dispositivos. Nosso cinema é o cinema de inventar.
Quando o cinema na escola emerge como mafuá
marina mayumi bartalini (UNICAMP)
A oficina de formação para professoras/es de escolas municipais de Campinas, intitulada Para além da sala escura baseou-se em propostas que tinham como principal preocupação atentar-se às nuances de iluminações naturais e artificiais das escolas tanto para a produção de filmes quanto para sua posterior projeção. Ao somarmos a presença de câmeras e projetores e de tudo que na escola coexiste um grande conjunto de variáveis entra em movimentação. Tudo se torna passível de virar cinema.
QUANDO NÃO ESTÃO AS CRIANÇAS O QUE ESTÁ VIVO EM FILMES DO LUGAR-ESCOLA
Wenceslao Machado de Oliveira Jr (UNICAMP)
A pergunta do título nos levou a filmagens da escola vazia como um lugar povoado de outras vidas que reverberam na “ausência presente” das crianças.
Essas vidas povoam os filmes que emergiram do arquivo coletivo de filmagens e apontam o quanto a ausência do foco habitual de nossa atenção – as crianças – fez emergir outro tipo de atenção cinematográfica. Outra pergunta nos veio: quais aproximações existem entre eles e as proposições de Migliorin e Pipano sobre os filmes produzidos nas escolas?

CI Retornos e recomeços: abordagens comparatistas

27/10 às 14h30
As curvas da estrada: a metamorfose em filmes de recomeços narrativos
Leonardo Bomfim Pedrosa (PUCRS)
Uma investigação sobre a recorrência de imagens de estradas em filmes realizados após o centenário do cinema que apresentam recomeços narrativos, como A Estrada Perdida (Lost Highway, 1997), de David Lynch, Eternamente Sua (Sud Sanaeha, 2002), de Apichatpong Weeasethakul, A Cara Que Mereces (2004), de Miguel Gomes, À Prova de Morte (Death Proof, 2007), de Quentin Tarantino, e Garoto (2015), de Julio Bressane.
O Díptico no Cinema Contemporâneo
Pedro Henrique Villela de Souza Ferreira (UFF)
A pesquisa estuda formas narrativas dípticas no cinema contemporâneo. Como na pintura eclesiástica da Idade Média, onde duas figuras eram emolduradas paralelamente ao olhar do espectador, a trama de filmes bem distintos entre si como, Mal dos Trópicos, Tabu ou Certo Agora, Errado Antes, opera uma espécie de ‘reboot’ ou recomeço: estabelece um grau zero na própria trama, mas dobra sobre si mesmo, forçando o espectador a ver a segunda história com a memória da primeira, numa contínua lemniscata.
Repetição no cinema: no palácio de Moebius ou retornados da história?
Alexandre Wahrhaftig (ECA-USP)
No cinema brasileiro moderno dos anos da ditadura civil-militar, encontramos uma série de filmes cujas poéticas são marcadas, pontualmente ou estruturalmente, por repetições. Propomos esboçar e comparar duas hipóteses para compreender o fenômeno de maneira ampla no contexto, partindo de duas diferentes leituras sobre a repetição na arte: uma condensada na metáfora do “palácio de Moebius”, por Nuno Ramos, e outra condensada na ideia de “retornados da história”, por Jean-François Hamel.

CI Processos criativos em cinemas interativos, imersivos e em tempo real

27/10 às 14h30
DIASPORÁTICAS – Desenvolvimento de uma experiência imersiva
Lyara Luisa de Oliveira Alvarenga (ECA-USP)
DIASPORÁTICAS é uma instalação audiovisual imersiva configurada com uso de recursos de captação e exibição do conteúdo em realidade virtual. A obra está em desenvolvimento, atualmente em produção. Apresentaremos o processo de concepção criativa e técnica da obra e as reflexões à cerca dos elementos visuais constitutivos da narrativa audiovisual em confluência a proposição de criação de um ambiente de imersivo elaborado a partir do uso da tecnologia de captação em vídeo 360.
A Inscrição do Iauaretê _ Tecnoestéticas, Cosmotécnicas
CARLOS FEDERICO BUONFIGLIO DOWLING (UFRJ/UFPB)
O presente trabalho analisa os processos de criação e desenvolvimento do filme-instalação ficcional digitalmente expandido em Realidade Virtual Interativa [RVi] e Aumentada [RA]/Mista [RM]], livremente adaptado do conto MEU TIO O IAUARETÊ (Guimarães Rosa, 2013), desenvolvido através da metodologia de pesquisa-criação [research-creation], integrando simultaneamente a tese KINE DATA:Cinemas_Dados: Imagens Cosmotécnicas, Narativas_Cibernéticas, e o projeto seriado em animação gráfica ANIMA LATINA.
Audiovisual on trajective
tatiana giovannone travisani (UAM)
O texto propõe uma possibilidade de analisar processos criativos e teóricos de projetos audiovisuais realizados em tempo real, utilizando como conceito o audiovisual on trajective. Para isso, será apresentado o projeto Clássicos de Calçada, dúo de live audiovisual em atividade desde 2013, como concepção de um percurso.

PAINEL História do cinema brasileiro: entre ciclos e gerações – Coordenação: Nezi Heverton Campos de Oliveira

27/10 às 14h30
Conselhos de cinema no Brasil: aproximações entre setor e Estado
Laura Souza Pereira (UNICAMP)
Este trabalho procura realizar uma análise historiográfica comparativa entre os conselhos de cinema existentes na história da cinematografia brasileira. São eles o Conselho Superior de Cinema, o Concine e os Conselhos Consultivo e Deliberativo do Instituto Nacional de Cinema. O objetivo é levantar pontos de similitude e diferença entre tais experiências no que se refere a participação do setor em espaços institucionalizados de formulação de políticas cinematográficas.
O ECLIPSE DA EXCEÇÃO (Cinema e ditadura na 2a metade dos anos 1980)
THIAGO MENDONCA (ECA-USP (PPGMPA))
Na segunda metade dos anos 1980 o fim da ditadura já era evidente. Celebrada ou colocada em xeque, a transição para a democracia foi pano de fundo de alguns filmes brasileiros deste período, trazendo à cena diversas contradições do processo de redemocratização. Da celebração de um tempo novo à denuncia de um falso rompimento, o cinema trouxe discussões importantes e ainda não superadas sobre as heranças da ditadura.
REALIZADORAS CAPIXABAS: 3 GERAÇÕES EM 30 ANOS DE AUDIOVISUAL NO ES
Raysa Calegari Aguiar (UFES)
Este trabalho apresenta um panorama com base na divisão geracional das realizadoras de audiovisual que atuam no Espírito Santo, desde os primeiros filmes até 2019. A segmentação as divide em três gerações: 1989 a 1997; 1998 a 2010 e 2011 até 2019. Os períodos são delimitados por mudanças nas formas de financiamento, nos recursos tecnológicos e no acesso à formação. Como fonte está a bibliografia sobre o audiovisual local em cruzamento com conteúdo das Revistas Milímetros publicadas pela ABD/ES.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 04 – Poder e potência da ancestralidade fílmica

27/10 às 16h15
Escrevivência fílmica em “Sementes: Mulheres Pretas no Poder”
Maria Amália Borges Cursino de Freitas Arruda (CEFET/RJ)
A presente comunicação tem o objetivo de identificar e encampar, nas cinematografias afrodiaspóricas, as escrevivências enquanto forma narrativa que extrapola os limites da literatura, borrando suas fronteiras de linguagens e suportes. Em “Sementes: Mulheres Pretas no Poder” (2020) a escrevivência é via assessória para os atravessamentos temáticos-políticos-poéticos: corpas-multidão, atos de poder, insubmissão e ruptura, a despeito de nossa morte física e simbólica que a estrutura engendra.
“Mãe dos netos” Afeto, memória e identidade no cinema
Edileuza Penha de Souza (IFB / UnB)
A proposta é discutir o doc Mãe dos Netos, 2008 Isabel Noronha e Vivian Altman como possibilidade de reconstruir histórias de afetos, ancestralidade, memória e identidade. O filme é uma história resultante do HIV em Moçambique, que, inexoravelmente, rasga o tecido familiar, criando um vazio de figuras adultas e deixando nas mãos dos idosos o cuidado de crianças. O objetivo é discutir o cinema negro de animação e edificar categorias como afeto, corporalidade, ancestralidade, identidade e memória.
Cinema e ancestralidade: as esferas de criação dos cinemas negros
Natália Lopes Wanderley (UFPE)
O cinema, desde sua criação, se mostra como dispositivo capaz de operar em diferentes “mundos’, seja na tentativa de imprimir a realidade, seja na busca por contar e recontar histórias. A ancestralidade, por outro lado, é organicidade herdada dos antepassados que aflora nas experiências de vida. Na confluência dessas duas vias, reconhecemos que a ancestralidade negra e/ou indígena têm sido caminho para a produção cinematográfica de cineastas negros do passado e na contemporaneidade.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 4 – A cinematografia e a luz

27/10 às 16h15
A luz de Nora
Julianna N Torezani (UESC)
O filme biográfico Nora (Alla Kovgan e David Hinton, 2008) conta a história da bailarina do Zimbábue, Nora Chipaumire. O objetivo deste trabalho é analisar a cinematografia do filme Nora, tendo como traço teórico: performance (CARLSON, 2009), direção de fotografia (SCANSANI, 2020), cor no audiovisual (MOLETTA, 2009) e cinematografia (OLIVEIRA, 2016). A análise foi feita a partir da pesquisa bibliográfica e documental para analisar a luz da infância, a luz da juventude e a luz do caminho.
A noite do informante: cinematografia em cenas noturnas
Matheus José Pessoa de Andrade (UFPB)
Este texto versa sobre a direção de fotografia em cenas noturnas no cinema narrativo clássico. Partimos do pressuposto de que a noite no cinema é um código fotográfico, criado também através da iluminação, dentro de um jogo de representatividade e ilusões. A análise, assim, aponta para o trabalho de cinematografia no filme O delator (John Ford, EUA, 1935), cuja trama se passa durante uma noite. Identificamos, nele, estratégias de iluminação que chamam atenção sobre os limites da verossimilhança.
A cinematografia de Vittorio Storaro em filmes de Woody Allen
LAIZ MARIA DOS SANTOS DE MESQUITA SOUZA (UFBA)
Este trabalho investiga a contribuição do diretor de fotografia Vittorio Storaro para a obra de Woody Allen, a partir de análise comparativa, tendo em vista um corpus principal formado por Café Society (2017) e Roda Gigante (Wonder Wheel, 2018), ambos filmes de época com fotografia assinada por Storaro, e um corpus secundário, composto por 7 filmes, também ambientados no passado, dirigidos por Allen, mas com a contribuição de outros diretores de fotografia.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 4

27/10 às 16h15
A voz em VT Preparado AC/JC (1986), P. Vieira e W. Silveira.
CLOTILDE BORGES GUIMARÃRS (FAAP)
Estudos sobre a voz no cinema narrativo e documentário tratam a fala e a voz na perspectiva de atribuição de sentido e investigam aspectos da relação da voz com o corpo, do corpo com o espaço e da voz com o poder. Escolhemos analisar o som do vídeo VT Preparado AC/JC porque existe uma experimentação na qual a voz é tratada como vocalidade (por suas qualidades sonoras e não semânticas), e não como oralidade (uso da voz com produção de significado) ou como sujeito de enunciação.
Dark: vozes de narradores, “som sujo”, a escuta do ambiente fantástico
Fernando Morais da Costa (UFF)
Esta apresentação propõe analisar a trilha sonora da série Dark, o thriller de ficção científica produzido pela Netflix alemã. Nossa intenção é demonstrar como as vozes over, tanto femininas quanto masculinas, os sons ambientes, com a prevalência de frequências graves, e os silêncios diegéticos são elementos centrais para a composição de tal trilha sonora, e, partir disso, para a narrativa em si da série.
Doce Amianto: Disjunções entre o corpo e a fala
Joice Scavone Costa (UFF e FACHA)
Pretendemos construir um percurso das relações – com tensões e liberdade – estabelecidas entre a imagem e o som no filme “Doce Amianto”. Durante o estudo pormenorizado de cada parte da elaboração sonora em relação ao todo, tentaremos conhecer melhor a natureza, as funções, as relações e as causas do elemento sonoro diante da premissa estética da obra: de como ela se apresenta ao espectador e dá suporte à intenção e ao afeto dos diretores e equipe e do afeto das personagens em si.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Processos de criação e escrita audiovisual

27/10 às 16h15
Mudança de paradigma do roteiro: dos manuais ao processo criativo.
Fahya Kury Cassins (UNISOCIESC)
O roteiro, dentro da produção audiovisual, já foi visto de diversas formas. Porém, no ensino dos cursos de cinema, tem sido comum focarem na assimilação da formatação e em seguir manuais de roteiros. Então, procura-se aqui desenvolver a concepção do ensino de roteiro como uma visão crítica dos manuais e mais focada nos processos criativos individuais e coletivos.
Processo criativo na escrita da série original Netflix “Boca a Boca”
Raphael Aragão de Carvalho Cavalcante (UFPB)
O trabalho busca investigar o processo criativo na escrita do roteiro e construção da narrativa na série brasileira original Netflix Boca a boca (2020). A equipe é formada por cinco roteiristas e tem como showrunner Esmir filho, e se organiza no formato de sala de roteiristas a partir do conceito americano de writer’s room. Partimos então para estudar esse percurso criativo através de entrevistas e análise de documentos de processo.
Sala de roteiristas: aspectos teóricos da escrita colaborativa
Marcel Vieira Barreto Silva (UFPB)
Os estudos de roteiro dedicam pouco espaço para a reflexão teórica em torno dos processos de escrita colaborativos, como aqueles desenvolvidos em sala de roteiristas (Writer’s room). Entendendo que a escrita colaborativa é resultado de um processo anterior de cunho retórico, vamos definir a sala de roteiristas como uma arena argumentativa, em que o processo de criação privilegia a disputa hierarquizada de ideias para a produção de uma obra dramática desenvolvida, ao cabo, por muitas vozes.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 4

27/10 às 16h15
Ressignificando fotografias de idas ao cinema: dois exemplos
João Luiz Vieira (UFF)
A partir da análise de três fotografias de arquivo—duas da década de 1940 e uma da década de 1950—o trabalho pretende chamar a atenção e reiterar o papel fundamental da fotografia como fonte primária para a pesquisa de inúmeras e variadas histórias de cinemas.Trata-se de uma apropriação de alguns exemplos fotográficos encontrados em arquivos que acionam uma perspectiva transdisciplinar em nosso campo de pesquisa superpondo, História, Sociologia, Arquitetura e uma Antropologia urbana.
Cine Globo de Três Passos: dos rolos de 35 mm aos HDs do 3D
Christian Jordino Antonio Ferreira Alves da Silva (PPGCine/UFF)
Este trabalho pretende refletir sobre os fatores que contribuíram para a longevidade do Cine Teatro Globo, única sala de exibição na cidade de Três Passos, interior do Rio Grande do Sul, tendo como ênfase as mudanças tecnológicas ao longo dos anos até a recente inauguração da exibição Digital em 3D. Fundado na década de 1940, o cinema segue em atividade até hoje com uma função que vai além da exibição cinematográfica, sendo casa de projetos de formação de plateia na região.
Cine Passeio: a volta do cinema às ruas de Curitiba.
Tamara Fernanda Carneiro Evangelista (UNESPAR)
O presente artigo discutirá sobre a abertura do Cine Passeio, o único cinema de rua de Curitiba, e seu papel na formação de público e democratização do acesso ao cinema. Buscando compreender a relação do imaginário do espectador com esse novo cinema de rua, a partir de uma discussão sobre a história do cinema, memória da prática da ida ao cinema, e nostalgia. A pesquisa pode ser classificada como documental e bibliográfica de caráter teórico-prático

ST Montagem Audiovisual: Reflexões e Experiências – Montagem e cinema brasileiro

27/10 às 16h15
Montadores brasileiros entre as décadas de 1910 e 1940
Elianne Ivo Barroso (UFF)
A partir da base de dados “Filmografia Brasileira” da Cinemateca Brasileira, listar os montadores citados entre os anos 1910 e 1949 com o objetivo primeiro de traçar uma história destes técnicos no Brasil. Em segundo lugar, buscar compreender o perfil dos mesmos e suas trajetórias profissionais dentro do cinema. E, por fim, identificar quando figuram as primeiras montadoras brasileiras.
A montagem espiralar em Abjetas 288
Luzileide Silva (IFS)
Esta análise propõe observar como o modelo de montagem esférico se relaciona com as teorias decoloniais de tempo encruzilhada, espiralar e curvilíneo para criar ideias utópicas e distópicas de representação, representatividade, princípios periféricos e resistência em um país em queda no curta-metragem Abjetas 288 (2021).

ST Outros Filmes – Sessão 4

27/10 às 16h15
Governo, governamentalidade e imagens em movimento
Arlindo Rebechi Junior (UNESP)
Nos anos 1970, Michel Foucault nas suas investigações sobre as relações e exercícios de poder delineia os conceitos de governo e governamentalidade. Com base nesses dois conceitos, esta comunicação investiga como registros de imagem em movimento incorporaram formas de governar. Para essa discussão são escolhidos uma sequência documental de 1922 sobre o trabalho fabril e três breves documentários de Humberto Mauro, produzidos no contexto do Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE).
Imagens críticas do Estado Novo. Propaganda Oficial em Conflito
Sayd Mansur (ECO-UFRJ)
Este trabalho busca expor a relação íntima entre a construção de um ideal estético que se empenhou na sustentação do Estado Novo. Para tanto, daremos especial atenção à construção da imagem de uma nação em vias de desenvolvimento, buscando amparo na crença no desenvolvimento técnico e no trabalho.
Dispositivo, atmosfera e nostalgia na retomada de filmagens de arquivo
Vanessa Maria Rodrigues (PPGCINE UFF)
Neste trabalho, discutimos possíveis relações entre os conceitos de dispositivo, atmosfera e nostalgia a partir da análise de trechos dos curtas Cemitério da Memória (Marcos Pimentel) e Supermemórias (Danilo Carvalho), ambos realizados com filmagens preexistentes. Apresentamos como a relação entre as imagens de arquivo filtradas pelo dispositivo, o conteúdo imagético desses registros, as expressões sonoras e visuais utilizadas e a montagem serviram à criação de uma atmosfera de nostalgia.

ST Teoria de Cineastas – Sessão 4 – As potências identitárias na Teoria de Cineastas

27/10 às 16h15
Negro Léo, o último anjo da história
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Este trabalho procura examinar, segundo uma especulação imaginativa, a performance do músico Negro Léo no documentário “É Rocha e Rio, Negro Léo” (2020), de Paula Gaitán. O personagem conduz o discurso cinematográfico a partir de um pensamento teórico sobre sua música e sobre o cotidiano social e político do país, operando enquanto uma espécie de viajante do tempo, como os personagens de “Branco Sai, Preto Fica” (2015), de Adirley Queirós, e “O Último Anjo da História” (1996), de John Akomfrah.
La grammaire de la grandmère: oralidade como poética cinematográfica
MORGANA GAMA DE LIMA (UFBA)
No contexto dos cinemas africanos, a tradição oral é apresentada como influência relevante na construção da narrativa fílmica. A começar por Ousmane Sembène, que identificava a si mesmo como griot, outros cineastas africanos fizeram e fazem referência à tradição oral como uma importante fonte de inspiração para pensar a “gramática” ou a poética de seus filmes, um deles é Djibril Diop Mambéty. É com base nos depoimentos desse cineasta que propomos uma reflexão sobre cinema e oralidade.
Juntar o visível e o invisível em A paz com os mortos, de Rithy Panh
Tomyo Costa Ito (UFMG)
No livro La paix avec les morts (PANH; BATAILLE, 2020), Rithy Panh percorre o Camboja, retornando às paisagens que filmou em 30 anos de trabalho, e discorre sobre sua cinematografia, ressaltando o gesto de juntar o visível e o invisível, o mundo dos vivos e dos mortos. Em quatro de seus documentários, analisamos o modo pelo qual o cineasta operacionaliza este gesto que religa paisagens, testemunhos, imagens de arquivos e figuras de argila, ao passado e aos mortos.

SPC Cinema de grupo e corpo online

27/10 às 16h15
Cinema de grupo e o ver junto no modo online
Viviane de Carvalho Cid (PPGCINE)
Reflexão coletiva sobre os modos de fazer e de estar juntos com o cinema que temos praticado nos grupos produzidos pelo lab. Kumã da UFF, agora em modo remoto.
Cinema de grupo e o ver junto no modo online
Cezar Migliorin (UFF)
Reflexão coletiva sobre os modos de fazer e de estar juntos com o cinema que temos praticado nos grupos produzidos pelo lab. Kumã da UFF, agora em modo remoto.
Cinema de grupo e o ver junto no modo online
Douglas Resende (UFF)
Reflexão coletiva sobre os modos de fazer e de estar juntos com o cinema que temos praticado nos grupos produzidos pelo lab. Kumã da UFF, agora em modo remoto.

CI Mulheres em rotas de fuga, no cinema e além

27/10 às 16h15
Êxodo Hollywoodiano
Laís Lima Pinho (ufscar)
Trabalho e representação feminina na televisão são o foco deste trabalho. Popomos uma reflexão a respeito das batalhas diárias encaradas pelas mulheres operárias do audiovisual, mais especificamente o caso das mulheres do cinema Hollywoodiano que estão migrando para a televisão. E de como a televisão pode ser um espaço audiovisual mais aberto ou simpático para abrigar o trabalho feminino, dentro e fora da tela. Mas há um longo caminho deste processo de ocupação das mulheres nas séries de TV.
A gravidade e a graça: a produção cinematográfica de Chris Kraus
Lucas Procópio de Oliveira Tolotti (USP/ESPM)
Chris Kraus, escritora e crítica de arte estadunidense, atinge reconhecimento com o livro “I Love Dick” (1997). Porém, antes da literatura, Kraus escreveu, dirigiu e produziu uma série de filmes experimentais, culminando no longa “Gravity and Grace” (1996). Diante do fracasso de suas produções, resolve abandonar o cinema. Esta comunicação pretende recuperar sua produção cinematográfica, principalmente seu último filme, situando-o como peça emblemática na carreira literária e crítica de Kraus.
Leonor Teles: O autorretrato de uma jovem cineasta portuguesa
Ana Catarina Pereira (UBI)
“Rhoma Acans” (2012) e “Balada de um batráquio” (2016) são as únicas duas curtas-metragens realizadas por Leonor Teles que, aos 23 anos, era já a mais jovem cineasta a ser premiada em Berlim. Rejeitando o peso da representatividade, dedicou os seus filmes a uma comunidade à qual não pertence, mas que faz parte da sua identidade.

CI Figuras do monstro e cinema fantástico: abordagens comparatistas

27/10 às 16h15
Grimórios em Movimento: A Arte de Méliès à Luz de Outros Fantasmas
Giordano Dexheimer Gil (UFRGS)
A presente pesquisa tem como objetivo pensar o cinema de George Méliès, na virada do século XIX para o século XX, como um prisma através do qual refratam-se sete espectros da modernidade (o mágico, o fantasma, o duplo, o diabo, o sonhar, a máquina voadora, o trem), ou seja, elementos recorrentes em seus filmes que desdobravam questões caras àquele período, e que se ressignificam de diferentes maneiras à luz da contemporaneidade.
Notas sobre monstro e multidão em Béla Tarr e Vladimir Herzog
João Victor de Sousa Cavalcante (UFPE)
A partir das figuras do monstro e da multidão, o trabalho elabora reflexões sobre os filmes As Harmonias de Werckmeister (Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2000) e Nosferatu – o Vampiro da Noite (Werner Herzog, 1979). O objetivo é pensar como, nas duas obras, as imagens da monstruosidade são mobilizadas na proposição de formas outras de pensar o sensível e o comum. Interessa pensar como monstro e multidão propõem modos insurgentes de pensar a política, como desvios à figura unívoca do estado.
Potencialidades de um Suburbanismo Fantástico Brasileiro
PEDRO ARTUR BAPTISTA LAURIA (UFF)
O presente trabalho busca analisar como o suburbanismo fantástico vêm sendo produzido no Brasil a partir da análise de três filmes Mate-me Por Favor (Anita Rocha da Silveira, 2015), O Escaravelho do Diabo (Carlo Milani, 2016) e Turma da Mônica – Laços (Daniel Resende, 2019). O faremos a partir do comparativo semântico, sintático e narrativo dessas obras, buscando ressaltar o potencial de nossas especificidades e brasilidades nesse subgênero de origem tão arraigada no cinema estadunidense.

CI Formas experimentais, expandidas e interativas em imagem e som

27/10 às 16h15
Cultura dos dados e estética do fragmento em narrativas interativas
DANIELA ZANETTI (UFES)
O paper apresenta uma análise inicial de duas obras audiovisuais interativas lançadas em 2020 e feitas para smartphones, ambas produzidas junto à National Film Board of Canada: Far Awar From Far Away e Motto. As análises buscam compreender a articulação entre a estética do fragmento e a cultura do banco dos dados na construção destas narrativas, considerando que as estratégias de interatividade e de engajamento somente são possíveis a partir dos fragmentos de memórias, relatos e imagens,
Paradoxos da visibilidade: a melancolia da imagem no databending
Mariana Dias Miranda (PPGCOM/UFRJ)
Através da análise da instalação “Íntegro” (2017, Gisela Motta e Leandro Lima) e do vídeo “Digital Decay III (2007, Claire Evans)”, este trabalho propõe explorar a dimensão formal da melancolia pela técnica do datamoshing. Ao deliberadamente corromper e degradar a imagem, ambos evidenciam a materialidade do digital e, simultaneamente, deixam entrever uma temporalidade ligada a dissolução e ruína. Desse modo, elaboram sobre o problema estético da expressão da ausência e da perda no cinema.
Ruttman e Eggeling: análise de dois exemplos de música visual
Marcus Vinicius Fainer Bastos (PUC-SP)
Este artigo propõe uma análise de duas obras importantes do gênero Lichtspiel Opus 1, de Walter Ruttman, e Symphonie Diagonale, de Victor Eggeling), como forma de contribuir para o aumento de discussões críticas sobre este universo. A proposta esta inserida numa pesquisa mais ampla sobre o campo expandido do audiovisual, que busca mapear as formas experimentais de articulação entre som e imagem em movimento.

PAINEL Reflexividades, autoficções, poéticas queer – Coordenação: Jocimar Dias Jr.

27/10 às 16h15
As Reflexividades do documentário Interior. Leather Bar.
Esmejoano Lincol da Silva de França (UFPB)
O objetivo da comunicação que apresentamos é analisar a Reflexividade no documentário Interior. Leather Bar. (2013). Com base no que propõem Jacques Aumont e Michel Marie (2018) sobre o discurso metalinguístico no cinema, inferimos a existência de duas modalidades basilares de Reflexividade em na obra que analisamos – Cinematográfica, autorreferente, e Fílmica, dialógica. Utilizamos como metodologia a Análise Fílmica Textual, proposta por Christian Metz (1980).
AUTOFICÇÃO, HIV E AIDS: UM CAMINHO POSSÍVEL PARA A REDUÇÃO DE ESTIGMAS
Evandro Rafael Ramadan Manchini (UFRJ)
Este trabalho aponta como narrativas audiovisuais que partem de experiências pessoais contribuem na redução dos estigmas relacionados ao HIV/Aids, tendo como referência o filme Non, Je Ne Regrette Rien (1993) de Marlon Riggs, o vídeo Prelúdio de uma Morte Anunciada (1991) de Rafael França, e o curta-metragem de animação Sangro (2019) de Tiago Minimisawa, tentando estabelecer aproximações e distanciamentos entre tais universos.
Ver o tempo: Atmosfera em Sophia de Mello e “Me chame pelo seu nome’’
RODRIGO CORREA DA FONSECA (UFF)
O objetivo deste artigo é refletir acerca de um ponto de contato entre a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa , e do longa-metragem “Me chame pelo seu nome”. Há, nas duas obras, a evidência da criação de uma atmosfera específica: um encontro com o sublime e uma – quase – sempre presente sensação do tempo que passa. Situando nossa pesquisa no campo dos estudos de presença, buscaremos observar a centralidade do olhar e do silêncio na construção dessa atmosfera.

 
 

28/10


ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Resistências, estéticas e experiências audiovisuais latino-americanas

28/10 às 9h00
Processos e formas coletivas de cine em Marta Rodríguez e Jorge Silva
Rafael de Amorim Albuquerque e Mello (UFMG)
A partir de diálogos entre Chircales e Nuestra Voz de Tierra, Memória y Futuro propõe-se uma investigação dos autores, no que diz respeito às suas formas e processos, tomando como referência a ideia de coletivo nas respectivas experiências. Seguindo o método para América Latina proposto pela cineasta, temos como hipótese de partida que da vivência continuada junto às lutas comunidades filmadas emanaria uma das principais forças políticas dos filmes, ao configurar um coletivo de cinema.
O anacronismo no Barroco de Paul Leduc
Marco Túlio de Sousa Ulhôa (UnB)
O estudo analisa o filme Barroco (1989), do cineasta mexicano Paul Leduc, propondo a interpretação do conceito de anacronismo e como este se projeta na linguagem cinematográfica. Para isso, o texto articula a relação entre os temas e a narrativa do filme, ao apontar para a inclusão do barroco no debate sobre a modernidade artística latino-americana e sua conexão com o anacronismo, enquanto conceito que contempla as disjunções entre a história científica e os outros regimes de historicidade.
Uma ilha rodeada de terras: o ostracismo paraguaio e “El pueblo”
Andrea C. Scansani (UFSC)
Este trabalho busca os poucos rastros deixados pelo cinema paraguaio dos anos 1960-1970 – especialmente a produção do Grupo Cine Arte Experimental idealizado por Carlos Saguier e o seu filme, “El pueblo” (1969) – como forma de olhar para aquelas cinematografias que, mesmo férteis e promissoras, não puderam florescer à sombra das violentas ditaduras que, à época, se impuseram sobre o nosso continente.

ST Cinema Comparado – Sessão 5: Filmes de seres imaginários

28/10 às 9h00
Espetáculos Noturnos: do Fantástico como Ambiência Cinematográfica
Erick Felinto de Oliveira (UERJ)
Noção exaustivamente explorada no domínio dos estudos literários, o fantástico ainda se manifesta como categoria híbrida e difícil de precisar. Tomando como exemplo e estudo de caso os esquecidos filmes de Marcel Carné, “Les Visiteurs du Soir” (1942), e de Wojciech Has, “Rekopis znaleziony w Saragossie” (1965), pretende-se investigar o estatuto das “imagens fantásticas” no cinema e na literatura, ao desvelar suas conexões com as ideias do espanto (taumaséin) e da perplexidade filosófica.
Uma cena sem paredes: refletindo Todorov e o fantástico no cinema
Fabio Cardoso Andrade (NYU)
Partindo do primeiro episódio da série Servant (2019), de M. Night Shyamalan, e do filme inacabado de Raoul Ruiz, O Tango do Viúvo e o Espelho Deformador (1967), reimaginado por Valeria Sarmiento (2020), este trabalho reposiciona o “fantástico” de Tzvetan Todorov à luz do específico cinematográfico. Tradicionalmente circunscrito nos estudos de cinema ao universo diegético, as duas obras sugerem uma dimensão reflexiva do fantástico, nutrindo a dúvida no espectador: o que é que estou assistindo?
Diante daqueles que estão à beira: os filmes de A. Sissako
Hannah Serrat de Souza Santos (UFMG/IFNMG)
O cinema de Abderrahmane Sissako, atento aos movimentos migratórios no oeste africano, aborda formas de coabitação entre diferentes mundos, sujeitos e lugares, oferecendo especial atenção aos modos de aparição dos povos em suas relações com o território. Neste trabalho, buscamos produzir aproximações e comparações entre seus filmes e retratos realizados por fotógrafos africanos, em consonância com um gesto instaurado pelo próprio cinema, tendo em vista os modos de ver e de aparecer em comum.

ST Cinema e Educação – Sessão 4 – Ver, escutar e montar

28/10 às 9h00
Do ponto de vista ao ponto de ver: camerar o cinema para sair de si
Isaac Pipano Alcantarilla (Unifor)
Central nas teorias do cinema, o ponto de vista é um conceito ocularcêntrico que concebe o lócus privilegiado daquele que vê, a partir de um lugar estável e controlado, como epicentro do processo da criação cinematográfica. Questionar sua predominância e sua ênfase autoral parece-nos importante para a elaboração de conceitos renovados que possam melhor lidar com a produção de imagens e sons em ambientes educativos, nos quais a criação, com frequência, escapa à hipercentralidade individual.
Da reativação da escuta na formação audiovisual
Marina Mapurunga de Miranda Ferreira (UFRB/USP)
Neste trabalho, proponho uma reflexão sobre a escuta na formação de estudantes de audiovisual. Comento sobre uma escuta automatizada que vai se modelando pelos padrões utilizados na indústria audiovisual e parto para um contexto pedagógico que se volta a uma conscientização da escuta. A partir disso, proponho algumas estratégias que chamo de “reativação da escuta”, baseadas em práticas sonoras que transitam pela arte sonora e pela música.
Experimentando cinema na escola a partir de paisagens em desaparição
Katharine Rafaela Diniz Nunes (UNICAMP)
Pesquisa de doutorado que mobiliza sessões de cineclube escolar dedicadas não só a assistir e conversar, mas a realizar experimentações audiovisuais que sejam atravessadas por forças, ritmos, fluxos e materiais de um lugar-escola. Assistimos fragmentos de filmes brasileiros e chineses sensíveis às transformações urbanas e sociais sentidas no cotidiano de pessoas cujos aspectos locais, comunitários e/ou públicos de seus modos de vida têm sido ameaçados por interesses privados com apoio estatal.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 5

28/10 às 9h00
Historicidade sincrônica na poética audiovisual de Valêncio Xavier
Daniel Felipe Espinola Lima Fonseca (USP)
O trabalho examina dois materiais do artista multimídia brasileiro Valêncio Xavier (1933-2008): o curta-metragem em película O Corvo (1983) e o vídeo Pinturas Rupestres do Paraná (1992). Observa-se em ambos a centralidade de uma perspectiva sincrônica de historicidade a partir das relações entre as espacialidades captadas com as camadas de memória mobilizadas. As obras analisadas são articuladas com elementos da produção literária do criador.
Triste trópico e a peste de Antonin Artaud
Maria Guiomar Pessôa Ramos (ECO/UFRJ)
Trazer à tona a Antropofagia Cultural como um procedimento do Cinema Experimental, através do longa Triste tópico, 1974, Arthur Omar, apontando para a proposta de Antonin Artaud, presente em O teatro e a peste. Apontar para uma forma fílmica repleta de intertextualidade e foundfootage destacando o percurso de três metáforas que perpassam esse filme emblemático com ecos sobre o cinema brasileiro do final dos anos 60/70: a antropofagia oswaldiana, a carnavalização bakhtiniana e a peste artaudiana.
Do experimental ao filme-ensaio: passagens
Francisco Elinaldo Teixeira (UNICAMP)
Na noção de passagem estão implicadas abertura, transição, deslocamento, criação de linhas de fuga. O propósito dessa comunicação é centrar em dois territórios do cinema-audiovisual, o experimental e o ensaio, para pensar em convergências, afinidades, passagens, dissimetrias, diferenças entre eles.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Sessão 4

28/10 às 9h00
A disputa pelo Cinema Novo nas páginas da imprensa carioca
Reinaldo Cardenuto Filho (UFF)
Em 1962, a euforia tomou a imprensa carioca. Diante de novos filmes brasileiros com temas sociais, a crítica nomeou o processo de renovação como Cinema novo, difundindo um viés elástico a incluir vasto espectro de formas estéticas. Porém, para uma jovem geração de autores, a noção genérica constituía perda de substância. Em sua opinião, Cinema novo era exclusivamente um movimento político e formal revolucionário. Atuando na imprensa, eles disputariam um conceito central na história da cultura.
A restauração de “O dragão da maldade” e os desafios do Tropicolor
Débora Lúcia Vieira Butruce (USP)
Este trabalho pretende analisar o processo de restauro digital, concluído em 2008, de “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, primeiro longa-metragem colorido de Glauber Rocha, de 1969. A partir da análise das características originais da obra, pretendemos verificar de que forma as ferramentas digitais podem atuar em materiais com deterioração cromática e com fotografia altamente saturada, um exemplo do chamado “Tropicolor”.
Historicizar a estética: um método diante do documentário brasileiro
Naara Fontinele dos Santos (Paris 3 – UFMG)
Este trabalho pretende discutir uma proposta metodológica desenvolvida em tese de doutorado defendida em 2020. A pesquisa articula trabalho historiográfico e análise fílmica, num esforço de “historicizar a estética” do documentário de crítica social e do documentário experimental criado no Brasil nos anos que precedem e atravessam a ditadura civil-militar. Esta comunicação percorrerá alguns documentos essenciais na elaboração das hipóteses e análises.

ST Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva – Sessão 5

28/10 às 9h00
Em busca do filme perdido: Les Antillais (1967) de Norma Bahia Pontes
Lívia Perez de Paula (USP)
Os Antilhenses/Les Antillais (1967) é o primeiro curta-metragem de Norma Bahia Pontes, ensaísta, cineasta e videomaker que esteve próxima ao Cinema Novo na década de 1960 e foi pioneira no vídeo feminista estadunidense nos anos 1970. Além de explicitar o processo de busca, localização, restauro e digitalização da cópia do filme, proponho uma reflexão de Os Antilhenses/Les Antillais a partir da tomada de consciência anti-colonial e de sua linguagem com inspiração estilística no cinema verdade.
O silêncio audível sobre Alice Guy
Amanda Lopes Fernandes (UAM)
Dada a recorrente ausência da cineasta francesa Alice Guy (1873-1968) na escrita da história cinematográfica, traremos sua história no primeiro cinema. Assim, surge a motivação para analisar algumas causas do silenciamento feminino. Analisando parte dos dados bibliográficos, videográficos e de pesquisa quantitativa levantados durante o desenvolvimento de minha dissertação de mestrado, revela-se essa lacuna ou falta de aprofundamento em livros específicos sobre cinema para a formação acadêmica.
Sois belle et tais-to: Manifesto da atuação feminina autoral
Catarina de Almeida (UFF)
Em 1981, Delphine Seyrig, filma 23 atrizes em sua maioria européia e americana, com o intuito de debater as relações que uma atriz pode ter com a obra a ser trabalhada, documentando suas falas e apresentando mulheres insatisfeitas com seus trabalhos, dando espaço para que as atrizes falassem sobre como gostariam de ter performado. Focaremos em algumas inquietações das atrizes filmadas, a fim de dar voz a essas mulheres que, não puderam exercer suas performances de maneira autônoma.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – V – Enfrentamentos e resistências

28/10 às 9h00
Balas perdidas, escolas violadas: as imagens da linha de tiro
Diego de Jesus Santos (UT Austin)
O texto analisa mortes de crianças e adolescentes vítimas da violência no Rio de Janeiro entre os anos 2017 e 2020 para pensar a atuação da mídia e do sistema judicial na investigação e representação dos casos. O espaço-tempo da violência nos discursos produzidos por estas duas instituições é desafiado pela autorrepresentação elaborada por moradores de favelas, vítimas dos confrontos armados que levam à realidade de violência nas imediações das escolas públicas localizadas nesses territórios.
(Des)identificação e diferença em Martírio (Vincent Carelli, 2016)
Carlos Eduardo da Silva Ribeiro (UFRGS)
Como identidades e diferenças são negociadas no interior de Martírio? O documentário aborda o conflito entre ruralistas e Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Analisamos uma cena na Câmara dos Deputados, em discussão acerca da PEC 215, onde indígenas chamam ruralistas de “falsos brasileiros” e os ruralistas respondem acusando-os de “falsos índios”. Propomos uma negociação entre os Estudos Pós-Coloniais e a teoria de Jacques Rancière para pensarmos as relações entre identidades e política.
Afroflix: Instauração de porta-existências como midiativismo
Denise Costa Lopes (PUC-Rio)
Para Souriau, o artista é um advogado de existências, que ao instaurar corpos pela arte torna-se seu porta-existência. A Afroflix, plataforma de exibição de filmes que possuem pelo menos um integrante negro, seria assim um portador de existências, onde a materialidade dos corpos em performance cria entre gesto e mise-en-scéne, presença e sentido, tensão que duplica e amplia a realidade, suscitando novas produções de significações e afetos, como na partilha do sensível, reivindicada por Rancière.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Sessão 5 _ perspectivas da direção de arte na análise filmica 2

28/10 às 9h00
O imaginário e Direção de Arte em “Os Pássaros” de Alfred Hitchcock.
Laís Serra (PUC-Rio)
O imaginário é parte do psiquismo profundo, carregando imagens primordiais ou arquétipos, que emergem de acordo com os códigos expressivos de cada cultura e período histórico. O cinema apresenta elementos que se expressam em formas de acordo com a proposta conceitual ou narrativa de cada filme, estando, ao nosso ver, constantemente em diálogo com o imaginário. A partir da análise do filme Os Pássaros (1963) de Alfred Hitchcock, pretendemos apontar algumas manifestações e expressão do imaginário
O Gigante da América e a direção de arte das contravisualidades
Benedito Ferreira dos Santos Neto (UERJ)
Em O Gigante da América (1978), a direção de arte propõe uma série de contravisualidades que dinamizam os elementos em cena, quer sejam os figurinos coloridos ou os cenários pintados à mão pela dupla de diretores de arte. A adesão a tais práticas contribui de modo substancial para a efetivação de um autoquestionamento, bem como convoca um espectador que envereda entre empobrecer ou enriquecer as imagens, conferindo a elas uma desconfiança partilhada ou uma sinceridade latente.
A figura da ruína no cinema brasileiro contemporâneo.
TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD (UFF / UNILA)
Este trabalho propõe um olhar para o espaço cênico do cinema brasileiro contemporâneo a partir da ruína. Em “Açúcar”, “Ilha” e “Todos os Mortos” se examinará a ressonância de ciclos extrativistas coloniais. Já “O Prefeito” e “Mormaço” serão analisados sob a chave do arruinamento como modus operandi da pós-modernidade globalizada. A ênfase na materialidade do pró-fílmico busca de resgatar a concretude dos espaços que compõem o nível primeiro de estruturação da imagem.

SPC Políticas Públicas e Cinema

28/10 às 9h00
Políticas públicas para o Cinema: Comparabilidades
Leandro José Luz Riodades de Mendonça (UFF)
Os cinemas periféricos são profundamente dos instrumentos de apoio a produção e circulação. Uma tal situação nos coloca diante de conceitos que devem ser analisados para que se possa comparar a efetividade das ações de governança que visem o desenvolvimento do setor e que também relacione aspectos jurídicos de aperfeiçoamento da legislação vigente. A presente comunicação tentará relacionar esses três campos, quais sejam o Direito, Governança e Desenvolvimento.
Políticas públicas para o Cinema em Portugal (1971-2021)
Paulo Cunha (UBI)
O objetivo desta comunicação será analisar a evolução do sector cinematográfico em Portugal nos últimos 50 anos, concretamente a partir do paradigma de política pública criado em 1971, com a lei 7/71, e reforçado sucessivamente ao longo das últimas décadas. Interessa sobretudo reflectir sobre o papel do Estado português na regulação da criação e circulação cinematográfica enquanto ferramentas de política cultural pública.
Impacto das políticas públicas na cadeia produtiva: Portugal e Brasil
Claudio Roberto de Araujo Bezerra (UNICAP)
Esta comunicação tem por objetivo avaliar os impactos das políticas públicas na cadeia produtiva do cinema e do audiovisual português e brasileiro, a partir de dados estatísticos oficiais e estudos de outras instituições. Interessa aqui comparar o impacto das políticas públicas dos dois países no intuito de refletir sobre o que deu certo e o que precisa melhorar, com vistas a pensar os rumos das políticas para o setor em um contexto de enormes desafios gerados pela pandemia da covid-19.

CI Fabulação, testemunho e memória: documentário e leitura documentarizante

28/10 às 9h00
Sete Anos em Maio: fabular o irrepresentável
Ricardo Tsutomu Matsuzawa (UAM)
A comunicação pretende discutir a obra Sete Anos em Maio (2019) de Affonso Uchoa, que se filia as práticas contemporâneas que navegam em um território complexo na relação da contaminação do documentário e ficção e vice-versa. Se a ficção carrega a “suspensão da descrença” em seu mundo próprio e o documentário a noção de “documento” ou “monumento”, no filme, elas se entrançam entre o fato do mundo histórico e vida, que são revisitados e reconfigurados pela fabulação.
Rememorando imagens do passado – Um Casamento (2016), de Mônica Simões
Francisco Alves dos Santos Junior (UFBA)
Em Um Casamento (2016), Mônica Simões convidou a mãe, a atriz Maria Moniz, para juntas, reverem uma série de imagens que vão desde as filmagens do matrimônio dos pais da diretora até fotografias de momentos específicos da vida de ambas. A nossa proposta é entender como as imagens são responsáveis pelo processo de rememoração do passado e de revelação da condição de classe da protagonista.
Leitura documentarizante no SciFi – testando um tensionamento
Raquel Valadares de Campos (UFJF)
Introduzindo os conceitos parelhos de “leitura documentarizante” (ODIN) e “consciência documentária” (SOBCHACK), refletiremos sobre a hibridez do longa-metragem ficcional “Além do Azul Selvagem” (The Wild Blue Yonder, 2005), de Werner Herzog, e em como a factualidade potencial do testemunho, ainda que ficcional, é estratégica para que o espectador reaja emocionalmente e reconheça a total impossibilidade de compreender acontecimentos catastróficos, dentro de qualquer estrutura preestabelecida de

CI Crise do corpo e da existência: cinema de gênero em contatos e contágios

28/10 às 9h00
Dario Argento e Bong Joon-ho: uma leitura existencialista
Gabriel Costa Correia (UNICAMP)
Esta apresentação tecerá alguns comentários sobre a obra de dois realizadores, Bong Joon-ho e Dario Argento, que abordam o cinema de gênero de formas distintas, porém igualmente complexas e reflexivas em sua representação do homem e suas angústias e conflitos com o mundo que o cerca em uma perspectiva que pode ser lida como existencial.
Zumbis, pixels e pandemia: o derretimento do corpo em Guli Silberstein
Nicholas Andueza Sineiro (UFRJ)
Em “O diabo tinha outros planos (Ato I)”, de 2020, primeiro curta de uma trilogia experimental, Guli Silberstein retoma o clássico “A noite dos mortos vivos” (1968), de George A. Romero, em uma reação visceral à pandemia de COVID-19. O trabalho formal de desfiguração digital do filme antigo leva o curta a algo muito além da mera associação entre o zumbi e o contágio massificado. Essa violência high-tech contra o arquivo viabiliza refletir sobre a crise do corpo em tempos pandêmicos.
As doenças da mídia: contágio infodêmico no cinema de horror
Klaus Berg Nippes Bragança (UFES / UERJ)
Crises epidêmicas atravessam a história e inspiram “cronistas da peste” a retratarem a enfermidade de suas épocas, expondo a degradação dos doentes em “danças macabras”. De forma similar, o cinema de horror representa os males capazes de infectar o corpo e a mente do indivíduo. Alguns filmes apresentam epidemias causadas por tecnologias de comunicação, como um “vírus informacional”, difundido através da mídia. Este trabalho investiga as doenças infodêmicas contraídas pelo cinema de horror.

CI Pode a imagem matar? Imagens da violência e realismo intensificado

28/10 às 9h00
Violência, o Corpo e os Sentidos no filme “A Divisão”
Ketlyn Mara Rosa (TCD)
O filme brasileiro “A Divisão” (Vicente Amorim, 2020) representa imagens de violência corporal em um ambiente de conflitos urbanos na geografia das favelas do Rio de Janeiro. Eu proponho analisar os retratos do corpo violado em busca de um entendimento maior sobre as construções de identidade nacional brasileira e temas de subordinação e abuso de poder. O uso de métodos de tortura na narrativa traz à tona um enfoque sensorial e complexo da relação entre a polícia e os moradores da favela.
TECNOLOGIAS DA VIOLÊNCIA NO CINEMA DE STANLEY KUBRICK.
João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
Esta comunicação é o relato de um experimento que vai revisitar A Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) de Stanley Kubrick, para uma reflexão sobre a violência no cinema e o cinema da violência, observando marcas de elaborações estéticas e narrativas que caracterizam tipologias tecnológicas na expressão cinemática do ato de violência, com relações de espaço-tempo que se alteram. Uma abordagem que tangencia o agendamento cultural de Innis e o temor da estetização da política de Benjamin
Cinema incômodo: Cafarnaum, realismo intensificado e emoções críveis
Gabriel Perrone Vianna (UAM)
O estudo trata da análise fílmica de Cafernaum (Capharnaüm, 2018) da diretora libanesa Nadine Labaki, através da elaboração narrativa em articulação às abordagens sobre o realismo de Lúcia Nagib em World cinema and the ethics of realism (2011). Explorando a construção e a intensificação de uma realidade fictícia credível, a investigação intende examinar as relações táticas de contato com o espectador para a construção de um cinema amargo e fortemente propenso ao incômodo.

PAINEL Seguimos não usando black-tie: a luta de classes no cinema brasileiro – Coordenação: Fran Rebelatto

28/10 às 9h00
A produção audiovisual do MST como sujeito coletivo do fazer fílmico.
luara dal chiavon (ECA- USP)
O MST tem como linha política ocupar as terras e as telas, compreende que a tomada dos meios de produção também se dá no campo da cultura. Assim, quando falamos em cinema documentário, a questão de quem filma é crucial para compreendermos a linguagem abordada e os objetivos do filme, quem faz não está separado da obra feita. E quando o sujeito coletivo organizado passa a fazer cinema, o que muda? Que tipo de narrativa é produzida? Esteticamente como se articula o discurso com a forma fílmica?
O trabalho no cinema brasileiro contemporâneo: prismas conceituais
Pedro Félix Pereira Moura (UFRJ)
A presente proposta revisita produção acadêmica recente sobre o tema do trabalho e do operariado em textos publicados em periódicos de cinema e comunicação. A intenção é analisar a bibliografia de maneira comparativa para perceber consonâncias e divergências no que tange o tema do labor e, a partir dessa análise, observar possibilidades de trabalhar a temática aplicando-se conceitos tais como trabalho imaterial e capitalismo cognitivo
Identidade atomizada em Cabra e Peões: o passado ilumina o presente
Marco Antonio Visconte Escrivão (ECA – USP)
Esta proposta busca traçar um percurso histórico de classes trabalhadores brasileiras, camponeses e operários, através de aproximações e distanciamentos entre os filmes do documentarista Eduardo Coutinho Cabra Marcado para Morrer, 1984 e Peões, 2004. Enfocando os personagens Cícero Anastácio em Cabra, e Januário em Peões, refletiremos a partir dos aspectos fílmicos, a atomização do trabalhador na trilha da modernização conservadora empreendida pelo capitalismo no Brasil.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Trânsitos, diálogos e intercâmbios culturais nos cinemas latino-americanos

28/10 às 10h45
Resistência cultural em documentários musicais da América Latina
MARCUS VINICIUS BARCELOS LIMA LOSANOFF (UFF)
Analisamos como os documentários musicais No Gargalo do samba (2018, Brasil), e Hasta el fín de Delfín (2018, Equador) exibem os músicos populares Nereu Gargalo e Delfín Quishpe como representantes dos subgêneros samba rock e tecno-folclore andino, respectivamente. Para tanto, estudamos comparativamente os referidos produtos audiovisuais guiados por três categorias: memória social, resistência cultural e integração na América Latina.
A passagem do grupo do Instituto de Cinematografia pelo Brasil
Letícia Gomes de Assis (UFSCar)
Este trabalho tem como objetivo reconstituir, a partir de documentação como correspondências e publicações em jornais do período, a passagem dos cineastas argentinos integrantes do Instituto de Cinematografia da Universidad Nacional del Litoral (UNL), pelo Brasil, entre 1963 e 1964. Procurarei também levantar e refletir sobre os tipos de intercâmbios de ideias e práticas cinematográficas, decorrentes deste trânsito.
Buñuel e Torre Nilsson na contramão do “Neorrealismo latino-americano”
Estevão de Pinho Garcia (IFG)
Los olvidados (Luís Buñuel, México, 1950) e El secuestrador (Leopoldo Torre Nilsson, Argentina, 1958) são dois filmes que estabelecem um diálogo incomum com o Neorrealismo italiano. A intensa crueldade e o tom pessimista de suas imagens se distanciam do humanismo esperançoso e da mensagem positiva dos filmes dos realizadores tidos como pioneiros do Nuevo Cine Latinoamericano. O nosso objetivo é examinar de que forma esses filmes estabeleceram uma linha expressiva que não foi continuada pelo NCL.

ST Cinema Comparado – Sessão 6: Fios de memória: arqueologias, genealogias

28/10 às 10h45
Heil Darling: uma Hollywood que esqueceu de acontecer
Pablo Gonçalo Pires de Campos Martins (UnB)
Heil Darling é o nome de um roteiro de 1938, de autoria Billy Wilder e Jacques Therry, que nunca foi filmado. Sua estória salienta temas e estilos caros a esse período histórico, mas que não migraram para os filmes produzidos no seu tempo. Proponho uma arqueologia especulativa, que compara outros roteiros não filmados desse período, escritos por Herman Mankiewicz e Ben Hecht. Em comum, todos abordavam diretamente os temas do antissemitismo, que ainda era um tabu para a Hollywood daqueles dias.
Elaborações da história alemã em Harun Farocki e Straub-Huillet
LUÍS FELIPE DUARTE FLORES (UFMG)
Danièle Huillet e Jean-Marie Straub, junto a Harun Farocki, estão entre os cineastas mais combativos e metódicos da segunda metade do século XX. Em diversas ocasiões, eles teceram elaborações críticas pungentes de aspectos da realidade social alemã e elementos históricos a ela latentes. Dessas duas matrizes de cinema, cotejaremos três filmes que lidam com o período nazista: Machorka-Muff (1962) e Não-reconciliados (1965), de Straub-Huillet, e Entre duas guerras (1978), de Farocki.
Romper a superfície da imagem: Brecht e o cinema
Maria Alzuguir Gutierrez (USP)
A proposta da comunicação é realizar uma análise de ”O processo dos três vinténs”, mais consistente ensaio sobre cinema do homem de teatro Bertolt Brecht. Trata-se da reflexão elaborada a partir do processo movido contra a produtora que comprara os direitos de adaptação cinematográfica de ”A ópera dos três vinténs”. A proposta aqui é a observação do ensaio no contexto mais amplo das ideias de Brecht e dos debates a respeito do cinema que mobilizaram a intelligentsia literária alemã de então.

ST Cinema e Educação – Sessão 5 – Universidades, escolas e práticas audiovisuais

28/10 às 10h45
Nice: formação, criação audiovisual e cineclubismo em Sergipe
Maria Beatriz Colucci (UFS)
Esta proposta reflete sobre as relações entre cinema e educação a partir das experiências realizadas, desde 2018, pelo Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação (Nice). Vinculado ao Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Cinema (PPGCine/UFS), o Nice articula cursos de graduação e pós-graduação e escolas públicas da rede básica de ensino de Sergipe em projetos de pesquisa e extensão que envolvem formação de professores, oficinas e atividades de criação audiovisual e cineclubismo.
Taxonomia lúdica das imagens e políticas de uma pedagogia do cinema
Álvaro Renan José de Brito Alves (UFPE)
A partir da experiência da disciplina eletiva “Currículo, Cinema e Educação”, ministrada de forma remota para o curso de Pedagogia em 2020, durante a pandemia, procuramos elaborar, inspirados na taxonomia deleuziana, o inventário lúdico e provisório dos tipos de imagens e suas formas de aparição nos filmes produzidos ao final da disciplina. Além disso, elaborar as premissas e horizontes político-pedagógicos de uma pedagogia do cinema, a partir do exercício de montagem em filmes ensaísticos.
Cinema, educação e universidade
Ana Paula Nunes (UFRB)
Cinema e educação tem uma larga tradição de reflexão teórica e metodológica voltada para a escola ou projetos formativos de muitas naturezas diferentes, porém, pouco se discute sobre o ensino universitário de cinema. Quando defendemos a relação cinema e educação na universidade, geralmente, é no curso de pedagogia. Mas qual é o papel de C&E nos cursos de Cinema e Audiovisual? Neste sentido, este artigo abordará a atuação da FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual.

ST Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas – Sessão 6

28/10 às 10h45
Reflexões sobre a patrimonialização do filme experimental
Liciane Timoteo de Mamede (Unicamp)
Propomos uma reflexão sobre o percurso de patrimonialização dos filmes ditos marginais, independentes e/ou experimentais, tendo ainda como foco uma análise da trajetória de arquivos que se propõem a abrigá-los.
Recepção do New American Cinema e do cinema underground no Brasil
Theo Costa Duarte (Unicamp)
Pretende-se discutir a recepção do New American Cinema e do chamado cinema underground no Brasil nos anos 1960 e 1970. Para essa discussão partimos das matérias, ensaios e críticas publicadas em jornais e revistas brasileiras, relacionadas ou não às parcas exibições dessas tendências cinematográficas realizadas no período. Distinguimos quatro modos predominantes dessa recepção a serem apresentados em detalhes.
Comentários introdutórios sobre a abolição da arte de Alain Jouffroy
Leonardo Esteves (UFMT)
Alain Jouffroy figura como um dos pensadores que atuaram na tentativa de definir perspectivas para o cinema de vanguarda nos entornos do Maio de 68. Escreve no ano anterior o livro L’abolition de l’art e dirige um curta-metragem homônimo já contaminado pela efervescência do período, mas nitidamente fora dos direcionamentos valorizados pela militância política. Esta comunicação visa apresentar e contextualizar o pensamento de Jouffroy em relação ao cinema desenvolvido à época.

ST Cinema no Brasil: a história, a escrita da história e as estratégias de sobrevivência – Encerramento

28/10 às 10h45
As políticas da diversidade: o coletivo no audiovisual brasileiro
Thiago Siqueira Venanzoni (USP/FIAM-FAAM)
O trabalho resume a tese que desenvolveu-se em torno dos novos arranjos de produção em coletivos no audiovisual brasileiro recente, na década de 2010, por meio de suas práticas discursivas e de um circuito acionado por meio de políticas culturais. A hipótese da pesquisa afirmou, ao tematizar as identidades a partir dos territórios, raça, classe e gênero, a ideia de diversidade social presente nesse circuito resultou em formas renovadas de organização da produção, distribuição e circulação.
O cinema de baixo orçamento no Brasil como urgência do tempo
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)
Partindo de filmes gaúchos de baixo orçamento, produzidos pós-2010 e em diferentes formatos, a apresentação pretende problematizar a produção de baixo orçamento nacional, como um projeto político-estético mais ligada à urgência do tempo e à crescente exclusão e desigualdade social, do que a uma vontade de experimentação de linguagem audiovisual. Ao mesmo tempo, essa urgência capta os rastros de um passado cinematográfico, atualizado em novos sujeitos representados e nas temáticas abordadas.
Patrocínio e marketing no financiamento da produção contemporânea
Sheila Schvarzman (UAM)
Observamos como patrocínios e merchandising modulam temáticas, roteiros e participam na concepção de imaginários de sucesso no Brasil na atualidade. Tomamos por objeto De Pernas para o ar (2010), 2 (2012) e 3 (2019), onde empreendedorismo neoliberal se mescla à realização sexual. Nos filmes dirigidos por Roberto Santucci, e em 2019 por Júlia Rezende, Ingrid Guimarães a protagonista, não por acaso, é também produtora e roteirista, cuja preocupação central é o elogio à mulher empreendedora.

ST Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva – Sessão 6

28/10 às 10h45
Emergências fílmicas das mulheres sem-terra como sujeitas políticas
Cláudia Cardoso Mesquita (UFMG)
A memória das lutas populares pela terra agrícola, tal como inscritas nas imagens do cinema brasileiro, esboça – com limites, mas também com potências e nuances – o protagonismo das mulheres. Partimos do desejo de inventariar algumas dessas imagens, ensaiando com elas em torno das aparições das mulheres, dos sentidos atribuídos à experiência feminina e dos efeitos subjetivos e políticos da organização das sem-terra, tal como elaborados pelo documentário brasileiro.
Mujeres en el cine del Perú: (in)existencias entre 1910 y 1960
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
El trabajo discute cómo la inexistencia/existencia de registros historiográficos, síntomas de una superestructura de encubrimientos y jerarquías, resultó en la interdicción e invisibilidad de mujeres en el cine peruano durante la primera mitad del siglo XX. Desde el cine silente hasta los inicios del cine sonoro (1910-1960), nos compete problematizar de manera desintegradora cómo se escribieron sus historias y quiénes fueron estas mujeres.
O coletivo mexicano Cine Mujer e a sua importância socio-política
MAÍRA TRISTÃO NOGUEIRA (HU)
A partir de uma análise estética e social dos filmes Cosas de mujeres (1978) e Rompiendo el silencio (1979), dirigidos pela diretora mexicana Rosa Martha Fernandez e produzidos pelo Colectivo Cine Mujer, este estudo aborda a importância da formação dos coletivos de cinema de mulheres para elaboração de uma linguaguem feminista no cinema contemporâneo latino-americano na década de 1970. Para tanto, esta comunicação conecta os estudos pós-coloniais, o cinema contemporâneo e os estudos feministas.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – VI – Arqueologia de mídias

28/10 às 10h45
Almas errantes e fibra óptica: terra, tecnologia e imagens escavadas
Ruy Cézar Campos Figueiredo (UERJ)
Propõe-se remixar imagens do filme A Terra das Almas Errantes (1999), de Rithy Panh, para identificar e tecer relações entre infraestrutura das mídias, fantasmagoria, imagem e a memória sedimentada na terra. Situados pela narrativa documental sobre a instalação do primeiro cabo de fibra óptica a cruzar o Camboja, apresentam-se conceitos relevantes para os estudos de infraestruturas das mídias e a relevância do cinema e do audiovisual para os seus meios de pesquisar e apresentar conceitos.
Assombrações (de)coloniais: as ruínas de Fordlândia.
Roberto Robalinho Lima (UFF / Tübingen)
A cidade de Fordlandia, empreendimento extrativista fracassado de Henry Ford na selva amazônica, sempre suscitou um embate entre civilização e barbárie, centro e periferia e natureza e cultura. A proposta desta comunicação é analisar três obras contemporâneas que revisitam as ruínas de Fordlândia e pensar como elas atualizam estes embates, ao mesmo tempo em que produzem uma temporalidade e uma corporalidade complexa e desviante de uma epistemologia moderna.
Tecnologias Impossíveis
Paola Barreto Leblanc (UFBA)
Associando saberes e práticas de campos interdisciplinares, incluindo filosofia da técnica, antropologia e arqueologia de mídias, proponho essa comunicação sobre as condições de possibilidade para o surgimento de tecnologias de registro como a fotografia, o fonógrafo e o cinema, e sua inscrição em um projeto de expansão e domínio colonial. Por fim trago exemplos de reapropriação dessas tecnologias por sujeitos e grupos marginalizados e ou subalternizados no Brasil ao longo dos últimos 40 anos.

ST Estética e teoria da direção de arte audiovisual – Encerramento

28/10 às 10h45
Enquadramentos e encenações do espaço: tecnologias do cenário
Cesar de Siqueira Castanha (UFPE)
Busco compreender as formulações do espaço cênico no audiovisual recuperando as tecnologias que reivindicam esses espaços audiovisuais como cenários, pensando as articulações cênicas do espaço no audiovisual em termos de enquadramentos e encenações desse espaço. Para isso, enfatizo tecnologias como a projeção traseira e a sua atuação na articulação de espaços cênicos, colocando em questão a expectativa pela indexicalidade do audiovisual e discutindo o uso dos conceitos de lugar e paisagem.
Quando você olha para mim para quem eu olho? DA e as dimensões do ver
Elizabeth Motta Jacob (UFRJ)
Este artigo visa a direção de arte do filme O retrato de uma jovem em chamas de Céline Sciamma, que aborda a homoafetividade feminina no séc. XVIII à luz de uma subjetividade própria ao séc. XXI. Entendendo a direção de arte como o campo da mise-en-scène cinematográfica que estrutura o espaço cênico e a caracterização de personagens, analisaremos de que modo seus meios expressivos são empregados nesta construção do olhar promotor de afetos e na revelação e criação de dimensões hápticas da imagem

SPC Prometeu 21: CARA-O-QUÊ? webTVs na gravidade sob controle remoto

28/10 às 10h45
Prometeu 21: CARA-O-QUÊ? webTVs na gravidade sob controle remoto
Caio Victor da Silva Brito (UFC)
O confinamento compulsório deslocou-nos dos encontros físicos para outras virtualidades. Se as tecnologias pertencem aos continentes mais poderosos, como nos apropriarmos destas maquinarias que cotidianamente controlam nossos dados? Esta performance em tempo real visa debater a estética das Lives desde gestos de montagem audiovisual: experimentações sonoro-videográficas a uma transmissão e contágio das fruições artísticas, transformando os espectadores em participa’dores neste quasi-cinema.
Prometeu 21: CARA-O-QUÊ? webTVs na gravidade sob controle remoto
José Wilker Carneiro Paiva (UFC)
O confinamento compulsório deslocou-nos dos encontros físicos para outras virtualidades. Se as tecnologias pertencem aos continentes mais poderosos, como nos apropriarmos destas maquinarias que cotidianamente controlam nossos dados? Esta performance em tempo real visa debater a estética das Lives desde gestos de montagem audiovisual: experimentações sonoro-videográficas a uma transmissão e contágio das fruições artísticas, transformando os espectadores em participa’dores neste quasi-cinema.
Prometeu 21: CARA-O-QUÊ? webTVs na gravidade sob controle remoto
MILENA SZAFIR (UFCE)
O confinamento compulsório deslocou-nos dos encontros físicos para outras virtualidades. Se as tecnologias pertencem aos continentes mais poderosos, como nos apropriarmos destas maquinarias que cotidianamente controlam nossos dados? Esta performance em tempo real visa debater a estética das Lives desde gestos de montagem audiovisual: experimentações sonoro-videográficas a uma transmissão e contágio das fruições artísticas, transformando os espectadores em participa’dores neste quasi-cinema.

CI Paisagens, urbanidade e distopia

28/10 às 10h45
IMAGINAÇÕES E PAISAGENS URBANAS NO CINEMA: UTOPIAS E DISTOPIAS
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Esse trabalho discute e analisa as paisagens utópicas, e os discursos distópicos construídos pelo aparato cinematográfico que concebem o espaço urbano associado à imagem das grandes metrópoles que surgiam nas primeiras décadas do século XX apresentando a paisagem urbana como cenário de complexas relações sociais heterogêneas, onde os diferentes valores culturais se justapõem no espaço e criam uma multiplicidade de expectativas sobre estes.
Da paisagem à imagem-mundo: natureza em “Luz nos trópicos”
Fabio Camarneiro (UFES)
Paisagem e natureza estão entre os temas centrais de Luz nos trópicos, longa-metragem de Paula Gaitán. O filme insere seus personagens em diferentes espaços naturais ao mesmo tempo em que reelabora um vasto repertório iconográfico ligado à paisagem. Mais importante, o filme estabelece entre as paisagens naturais e seus observadores (o binômio Natureza/Cultura) uma relação dialética. Nossa hipótese é que as “imagens-mundo” do filme de Gaitán tentariam elaborar as novas paisagens do antropoceno.
Brasil e Brasília no cinema documentário de Joaquim Pedro de Andrade
MEIRE OLIVEIRA SILVA (nenhuma)
O documentário Brasília, contradições de uma cidade nova (1967) é um curta-metragem de Joaquim Pedro de Andrade realizado mediante solicitação da Olivetti. Contudo, a partir de um resultado contrário ao retrato panegírico esperado acerca da nova capital do Brasil, houve problemas que impediram a exibição do filme na época. A ideia de cidade planejada é desmentida pelas imagens do contraste da realidade das cidades-satélites a deflagrar os desníveis sociais do país.

CI Segregação x afirmação racial: estéticas e políticas nacionais em África e afrodiásporas

28/10 às 10h45
Cinema e segregação racial nos Estados Unidos no período silencioso
Fabio Luciano Francener Pinheiro (UNESPAR)
Esta comunicação aborda a experiência e a memória das sessões segregadas de cinema nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX. Seguindo o conjunto de leis e práticas segregacionistas conhecido como Jim Crow, os afro-americanos foram excluídos de espaços públicos e opções de entretenimento, incluindo as salas de cinemas. Nos estados do Norte, sua presença era permitida em sessões após a meia noite. Em algumas cidades como Chicago, um circuito próprio supria esta demanda.
O zumbi e o negro em D. W. Griffith e George A. Romero
Francisco Etruri Parente (PUC-SP)
Está pesquisa busca traçar paralelos da representação do negro no filme “O nascimento de uma nação” (1915, de D.W. Griffith) e do zumbi em “A noite dos mortos vivos” (1968, de George A. Romero), a partir de iconicidades presentes na obra de Romero que remetem diretamente a sequências e simbolismos do clássico silencioso. Deste modo podemos acompanhar a evolução da figura do negro no cinema norte-americano e do gênero do terror como ferramenta reflexiva de questões sociais.
As crianças e a restauração da humanidade em República di mininus.
Mírian Sumica Carneiro Reis (UNILAB)
Este trabalho pretende discutir sobre memórias, identidade e nação considerando, como objeto de estudo, o filme República di Mininus, de Flora Gomes. O protagonismo de crianças e sua relação com o único velho que sobrevive na República aponta para reflexões sobre os aspectos estéticos, mas também éticos, presentes na obra em estudo e que apontam para uma nação em processo de reconstrução e resistência.

CI Colonialidade, classe, raça e racismo no cinema brasileiro

28/10 às 10h45
Questões de classe, racismo e religiosidade no filme Jubiabá
Maria Neli Costa Neves (UNICAMP)
A partir da trajetória do personagem Antônio Balduíno, do filme Jubiabá (1986), de Nelson Pereira dos Santos, numa história passada nos anos 1930, na Bahia, essa comunicação procura pensar a persistência do racismo na sociedade brasileira, o papel simbólico desempenhado pela religiosidade afro-brasileira como ponto de apoio e de afirmação identitária para seus afiliados, e o impacto que o início da industrialização do país causa na vida dos afrodescendentes.
DESEJOS COLONIAIS: articulações do erótico no cinema brasileiro
Leon Orlanno Lôbo Sampaio (UFPE)
Se em Xica da Silva (1976, Cacá Diegues) o arsenal erótico de Gilberto Freyre é acionado para afirmar a luxúria do período colonial e a via de libertação da negra escravizada, em O Clube dos Canibais (2018, Guto Parente), a articulação do erótico remete ao sadismo das elites brancas e ao aniquilamento dos negros e mestiços. A partir dos escritos de Denise Ferreira da Silva (2006), pretendemos analisar a trajetória do desejo colonial no cinema brasileiro, especialmente na produção contemporânea.
Por uma tríade praiana: modos de existir-resistir no espaço e tempo
Ana Luisa de Castro Coimbra (UFRB)
Ao aproximar Entre o Mar e o Tendal (1953), Por exemplo: Caxundé (1977) e Imagens do Xaréu (2007), trilhando pela análise comparatista, o objetivo deste trabalho é perceber, com os filmes, como a herança social e econômica pode ter legado para os moradores de uma determinada região litorânea de Salvador – historicamente reconhecida como um dos maiores pontos de desembarque de negros escravizados trazidos da África – desigualdades e fragilidades que ultrapassam o tempo presente.

PAINEL Histórias de fantasmas para gente grande – Coordenação: Lucas Procópio Caetano

28/10 às 10h45
O fantasma palpável no cinema de Kiyoshi Kurosawa
Natália Mendes Maia (UFC)
Essa comunicação investiga o conceito ambíguo de “fantasma palpável” (KUROSAWA, 2008, p. 25, tradução nossa) na obra do realizador japonês Kiyoshi Kurosawa. Analisamos as presenças espectrais nos filmes Loft (2005) e Retribution (2006) para compreender como esse conceito elucida suas abordagens de encenação, que se inscrevem no chamado realismo fantasmagórico. Esse trabalho integra a pesquisa de mestrado “Tocar os Mortos: aparições de fantasmas no cinema de Kiyoshi Kurosawa”.
Recursos do horror: o gênero sob o olhar da descontinuidade
João Antonio Ribeiro Neto (UNESP)
Este artigo tem como finalidade analisar os artifícios presentes no cinema de horror, partindo
do apontamento feito por Steve Rose em seu artigo, utilizando da ótica da genealogia,
arqueologia e descontinuidade proposta por Foucault. Para tal, propomos lançar um breve
olhar sobre o cinema, o cinema de horror e sua manifestação no público, o horror artístico,
conceito proposto por Carröll pensando nas reações do público diante dos filmes de horror.
As visualidades do conceito de Sense of Place na série Them (2021-)
Anna Carolina Mendes Ramos (UFG)
Este estudo busca analisar, de modo comparativo, o conceito de Sense of Place, tal como pesquisado pelo sociólogo David Hummon (1986), por meio das suas visualidades na série Them. Por tratar da sensação de pertencimento com um local físico, o conceito molda a forma como os grupos sociais se identificam e transitam pelos espaços. Nosso intuito é de perceber as visualidades sobre pertencimento e o horror de não pertencer que formam o senso de identificação de grupos afro-americanos no subúrbio.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 05 – “Gêneros” nos Cinemas Africanos

28/10 às 14h30
Entre gêneros cinematográficos: uma análise dos musicais africanos
Jusciele Conceição Almeida de Oliveira (CIAC/UAGL-PT)
A apresentação propõe discutir algumas exigências surgidas no reconhecimento da classificação do gênero musical dos filmes africanos por produtoras e em sites da área de cinema. E a partir da visualização destes musicais africanos (West Indies, La Vie est Belle, Karmen Geï, Nha fala, U-Carmen eKhayelitsha e Un Transport en Commun) perceber como as características podem estar associadas a indicações genéricas; bem como compreender como são utilizados e negociados pelos cineastas.
Mossane e o Mulherismo Africana
mariana angelito bessa de souza (UFF)
A partir da análise do filme Mossane (Safi Faye, Senegal, 1996) e sua estrutura narrativa, pretende-se apontar, neste artigo, certas aproximações da obra com o arcabouço conceitual do mulherismo africana, termo cunhado por Clenora Hudson-Weems em 1982. A intenção é trazer para análise as confluências entre o corpo fílmico de Mossane e o corpo teórico mulherista, fundamentando um filme africano junto à uma conceituação igualmente afrocentrada.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 5 – A cinematografia e o desgaste (rasura) da imagem

28/10 às 14h30
O utópico e disruptivo nas imagens de Branco Sai, Preto Fica
Cyntia Gomes Calhado (ESPM)
O filme Branco Sai, Preto Fica (Adirley Queirós, 2015) articula uma narrativa contra-hegemônica, por meio da ficção científica, de um crime que aconteceu na Ceilândia, maior cidade-satélite de Brasília, em 1986: a invasão policial do baile black Quarentão que mutilou dois homens negros. O objetivo desta comunicação é analisar os procedimentos audiovisuais e a plasticidade das imagens do filme para pensar o caráter utópico e disruptivo desta produção.
O filme Biutiful e a imagem-cristal
Lorena da Silva Figueiredo (PPG COM)Dandara Ferreira (UNB)
O presente artigo busca trazer uma reflexão filosófica a partir da noção de imagem-cristal desenvolvida por Gilles Deleuze no filme Biutiful de Alejandro Inarritu. Tendo em vista, este conceito como propulsor da análise fílmica, estabelecemos um diálogo entre as teorias do cinema e da imagem nesta produção de sentidos entre o mundo invisível e visível de Uxbal para compreender o uso estético e subversivo da fotografia nesta narrativa.
A película como recurso narrativo em “Era Uma Vez Em… Hollywood”
Thalita Fernandes de Sales (UFPB)
O trabalho busca investigar a articulação dos diferentes tipos de bitola de película cinematográfica no filme “Era Uma Vez Em…Hollywood” (Tarantino, 2019), que se situa na Los Angeles de 1969. A captação da obra em 35mm, 16mm e Super-8 não é motivada apenas devido a uma concordância com o período histórico e com as condições produtivas da indústria do cinema nos anos 60, mas também como ferramenta de produção de efeitos distintos, de acordo com a especificidade de cada bitola escolhida.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 5

28/10 às 14h30
Cinema, acustemologia, cosmoaudição: atravessamentos possíveis
Felippe Schultz Mussel (PUC-Rio)
Partindo dos filmes Pirikuá – Os Guardiões do Rio Apa (2017), Curupira, bicho do mato (2018) e A Febre (2019), o trabalho investiga como, em seu diálogo com saberes populares e ameríndios, as obras investem no som enquanto forma de conhecimento, de existência e de resistência no mundo. Inspirados pela noção de acustemologia (união da acústica com a epistemologia), percebemos como os filmes ensaiam uma cosmoaudição (complementar a cosmovisão) dos povos e dos territórios envolvidos na realização.
As escolas sonoras americana e francesa: origem, tradição e hibridismo
Márcio Câmara (UFPE)
O artigo pretende apresentar uma pesquisa em desenvolvimento que busca refletir sobre o surgimento e constituição de duas “escolas sonoras”: a americana e a francesa. Procura definir seus pontos distintos e também convergentes, explorando as interferências dessas escolas na sonoridade de outras cinematografias.
Questões de estilo no cinema ficcional de som direto brasileiro
Igor Araújo Porto (UFRGS)
O trabalho pretende realizar uma aproximação da noção de estilo em Bordwell (2013) e do uso do som direto em filmes de ficção no cinema brasileiro entre 1964 e 1983, dentro do que Costa (2006) descreve como seu período de inserção. Para tal, realizo abordagem exploratória a partir de uma lista de 20 filmes desta época que possuem som direto em suas fichas técnicas, em busca de elementos estéticos em comum que possam ser definidos como parâmetros de estilo.

ST Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual – Roteiros intermidiáticos

28/10 às 14h30
A escrita audiovisual entre jogo teatral, jogo eletrônico e filme-jogo
Rodrigo dos Santos Estorillio (UNESPAR)
A escrita criativa em mecânicas de jogos e a linguagem audiovisual em narrativas complexas convergem diversas áreas do conhecimento para engajar pessoas na era da cibercultura como princípio formador da mente criativa e fator cultural preponderante de informação. Filmes e jogos baseados em agência, imersão e transformação estão sendo aperfeiçoados tecnologicamente como um simulacro de realidade por técnicas de programação e interface lúdicas, construídas como multimeios híbridos e interativos.
O roteiro audiovisual e as implicações da cena imersiva
Rafael Leal (UFF)
Depois de décadas excluído do espaço diegético e postado diante da cena, o espectador – que prefiro chamar de interator – é levado para dentro da cena, graças à nova geração de tecnologias audiovisuais imersivas. Este trabalho visa a compreender como essa transformação radical no fenômeno da recepção tem implicado mudanças igualmente intensas no campo da escritura audiovisual e da criação e planejamento de narrativas interativas.
O processo intermidiático no roteiro de BabyDoll de Tennessee Williams
Fernanda Sales Rocha Santos (USP)
Almeja-se lançar luz sobre a relação entre literatura, teatro e cinema no roteiro do filme “Baby Doll”, escrito por Tennessee Williams em 1955. Para tanto, se levará em conta os processos intermidiáticos que envolveram a fusão e adaptação de um conto e duas peças curtas do mesmo autor, bem como a relação de tensão e conflito entre o roteiro escrito e a obra filmada pelo diretor Elia Kazan em 1956.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 5

28/10 às 14h30
SALAS DE CINEMA NO VALE DO ITAJAÍ (SC): CULTURA E DESENVOLVIMENTO
Yasmin Lopes Müller (UDESC)Renata Rogowski Pozzo (UDESC)
A pesquisa busca compreender a geografia histórica da rede de exibição cinematográfica no Vale do Itajaí (SC) em associação com o processo de desenvolvimento regional. A região registra a primeira exibição cinematográfica e a rede de salas de rua mais expressiva do estado. Argumenta-se que essa precocidade associa-se a características da imigração e que sua expressividade deve-se às salas constituírem um vetor de investimento do capital inicialmente comercial e posteriormente industrial.
CINEMA OLYMPIA: UMA ETNOGRAFIA DOS DISCURSOS EM REDES SOCIAIS
Maryane de Lima Brito (UFMS)
A apresentação tem como objetivo investigar a relação que estabelece por meio das mídias sociais entre as pessoas e o Cine Olympia, o cinema de rua em funcionamento mais antigo do país. Partindo da percepção desse espaço como memória, nos dias atuais, também pretendo identificar a socialidade entre moradores locais e o Olympia. Com a ajuda de autores como: Pedro Veriano, Maurice Halbwachs, Renato Ortiz, Talitha Ferraz, entre outros que nos ajudam a embasá-lo teoricamente.
Exibições ambulantes de 1897 a 1905 em Campos dos Goytacazes (RJ)
Tiago Bravo Pinheiro de Freitas Quintes (UFF)
Com base em resultados obtidos com o projeto “Exibidores ambulantes no Brasil”, que busca traçar a rota dos primeiros exibidores no país, a pesquisa tem como objetivo estudar as práticas e rotas dos primeiros tempos de exibição, tratando especificamente do caso de Campos dos Goytacazes (RJ). Para tal, soma-se à pesquisa a análise das fontes de periódicos locais relacionadas com as ideias de teóricos da “nova história do cinema” sobre as exibições cinematográficas daqueles primeiros anos.

ST Montagem Audiovisual: Reflexões e Experiências – Montagem e novas telas

28/10 às 14h30
Montagem 360º: os desafios da edição em experiências de cinematic VR
João Cláudio Simões de Oliveira (UFRJ)
Como pensar a edição audiovisual em 360º? Como as regras e os conceitos de montagem clássica se adaptam em uma tela que não possui bordas? A comunicação proposta irá discorrer sobre as escolhas de edição do filme Sintonia Espacial, experiência em 360º realizada em 2020, e sobre os desafios e diferenças em editar conteúdos audiovisuais em realidade virtual cinemática (cinematic VR).
A montagem de stories em Sickhouse
Alex Ferreira Damasceno (UFPA)
O trabalho é uma análise neoformalista da estética de montagem de Sickhouse (2016), um filme de horror found footage construído com stories produzidos no aplicativo Snapchat. Com base na abordagem de Kristin Thompson, entendo que os stories são usados como um dispositivo transtextual que gera desfamiliarizações nos padrões de decupagem. Analiso como os stories impõem sintagmas ao filme, o que constitui uma forma paramétrica de montagem, que segue a tendência formal da pós-continuidade.
Montagem sobreposta: de Movie-Drome (1965) a 3x3D (2013) e 3X3D (2015)
Fabiano Pereira de Souza (UAM)
Filmes experimentais homônimos de três segmentos, 3x3D (2013), dirigido, na ordem da montagem, por Peter Greenaway, Edgar Pêra e Jean-Luc Godard, e 3X3D (2015), todo dirigido por Ken Jacobs, exploram a criação imagética em volumetria pela montagem em sobreposição. Por meio da colagem (AUMONT, 2007) e integrando o “retorno do 3D” (ELSAESSER, 2015), ambos levam a novos patamares efeitos que a montagem da instalação Movie-Drome (1965), de Stan VanDerBeek, alcançava em múltiplas projeções em 360º.

ST Teoria de Cineastas – Sessão 5 – Criações artísticas e processuais na Teoria de Cineastas

28/10 às 14h30
DOCUMENT[AÇÃO] PARATEXTUAL: TEORIA DE CINEASTAS E CRÍTICA GENÉTICA
Cristiane do Rocio Wosniak (Unespar / UFPR)
A partir da Teoria de Cineastas e da Crítica Genética, reflito sobre o diálogo metodológico proposto pelo exame de documentos de processo de criação na elucidação do pensamento teórico do cineasta Evaldo Mocarzel. Por meio de uma carta enviada à crítica de dança Helena Katz e da carta de montagem do filme Lia Rodrigues: Canteiro de Obras (2010), busco reconhecer possíveis traços teóricos coerentes nos atos investigados, que se transformam em teoria colocada em práxis cinematográfica.
Silvio Tendler e a criação artística em contexto pandêmico
Fabiola Bastos Notari (IA)
A comunicação está pautada no estudo das práticas adotadas por Silvio Tendler neste momento de pandemia e isolamento social causados pelo COVID-19. Na continuidade de sua prática enquanto documentarista, Tendler adequou seu pensamento e prática à nova realidade. A pesquisa compartilhada nesta comunicação é composta por entrevistas inéditas com Tendler, nas quais observa-se que seu processo de criação está relacionado ao contexto mundial e ao pandemônio gerado pelo (des)governo de Jair Bolsonaro.
Lotman e a articulação das narrativas fílmicas
Fábio Sadao Nakagawa (UFBA)
Com base nas ideias propostas por Lotman em seu livro Estética e semiótica do cinema, esta comunicação visa compreender como se articulam as narrativas fílmica pelo poliglotismo cultural. Nos processos de modelização gerados pela Semiosfera das narrativas por imagens, as narrativas fílmicas configuram-se pela dominância temporal ou espacial, em decorrência, principalmente, das interfaces entre a linguagem cinematográfica, os códigos verbal e visual, e as artes verbais e figurativas.

SPC A propósito de investigação sobre a produção pandêmica no audiovisual.

28/10 às 14h30
“Amor de Mãe” e a pandemia: remediações narrativas e estilísticas
Álvaro André Zeini Cruz (SENAC; FIB)
Este trabalho propõe uma análise narrativa e estilística dos capítulos finais da novela “Amor de Mãe”, refletindo sobre como os protocolos de produção por conta da pandemia de COVID-19 impuseram demandas, restrições e transformações à obra. Nesse sentido, a apresentação objetiva elencar e discutir recursos recorrentes e soluções criativas propostas pelos autores da novela diante da singularidade da situação.
Experiências de ensino e práticas audiovisuais em âmbito virtual
Deisy Fernanda Feitosa (SENAC, USP e FAPCOM)
A proposta deste trabalho vem do desejo de se fazer uma abordagem de forma sistematizada sobre experiências estéticas e pedagógicas de ensino do audiovisual e suas práticas, bem como de eventos acadêmicos realizados em âmbito virtual, por ocasião da crise sanitária gerada pela Covid-19. Ademais, pretende-se refletir sobre soluções, desafios e sobre o futuro do ensino a partir de tais vivências extraordinárias, como também discutir o papel do professor com vistas à manutenção desse ecossistema.
Questões estéticas sobre a modalidade da produção audiovisual.
Régis Orlando Rasia (SENAC-SP)
Esse estudo investiga as soluções criativas da cadeia produtiva do audiovisual na pandemia, que impactam na adequação do roteiro, na viabilidade da construção da mise-en-scène no set, somando com as escolhas estéticas da montagem. Partimos das questões lançadas pelos diversos protocolos, sobretudo no emprego da atividade produtiva/criativa do audiovisual, ancorados no inventário de obras nas múltiplas telas de exibição e nos festivais.

SPC Dossiê Erotismo, literatura e cinema em “A dama do lotação”

28/10 às 14h30
Passagem para a cidade
Maria Filomena Gregori (Unicamp)
“A dama do lotação”, o filme, traz cenas que inspiram a pensar criticamente sobre uma certa neutralização, nos dias atuais, das utopias transgressoras dos anos 70. Suas imagens, matéria e sons desafiam formas contemporâneas de erotismo e parte das limitações com que elas se expressam, sobretudo, se levarmos em conta a criação, nas últimas décadas, de um mercado erótico politicamente correto atento, sobretudo, à saúde, à segurança e à autoestima.
Passagem para o transe
Eliane Robert Moraes (USP)
À exceção de Solange, todos os personagens de “A dama do lotação” são masculinos: o marido, o sogro, o amante e, sobretudo, a legião de homens que a jovem seduz diariamente nos transportes públicos cariocas dos anos 1950, movida pelo imperativo de realizar suas fantasias sexuais. O fato da heroína contracenar apenas com o sexo oposto, porém, não a impede de atuar como se fosse a única e exclusiva protagonista da trama.
Passagem para o corpo
Esther Hamburger (USP)
Na passagem do conto enxuto, publicado originalmente em janeiro de 1952, no espaço reduzido da provocativa coluna de jornal, que era também reproduzida na Rádio Club, por Procópio Ferreira, de segunda a sexta-feira às 20 hs, para um dos filmes mais populares da história do cinema brasileiro, em 1978, 26 anos depois, a narrativa sai dos espaços privados e burgueses – as residências do casal e do sogro – para ganhar espaços públicos emblemáticos da cidade maravilhosa do Rio de Janeiro.

CI O Brasil nunca existiu: subjetividades e experiências políticas contemporâneas no cinema brasileiro

28/10 às 14h30
A ARTE E O POPULAR: POTÊNCIAS DO CINEMA COMO ATO POLÍTICO
Sandra Fischer (UTP)Aline Vaz (UTP)
O estudo dedica-se a identificar e analisar nos filmes A vida invisível (Karim Aïnouz, 2019) e Bacurau (Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, 2019), as linhas que se entrelaçam entre o cinema de autor e o cinema de gênero. Por meio da análise fílmica e a sistematização de ideias expressamente manifestas pelos cineastas, considera-se que as estratégias utilizadas na construção das mencionadas obras fílmicas potencializam elementos da ordem do sensível como experiência política.
O relato de um operário contemporâneo em “Arábia”
MAURICIO VASSALI (PUCRS)
O trabalho reflete sobre o filme “Arábia” a partir da posição de seu protagonista como narrador-personagem. Pelo relato que o personagem faz de si, nota-se no filme uma atualização da figura do operário no cinema brasileiro. Em seu processo de escrita e narração, o protagonista expressa a memória de um trabalhador contemporâneo, alcançando a potência política através dos registros que faz do seu cotidiano.
A terra e os transes: subjetividades políticas no cinema de Glauber
Vladimir Lacerda Santafé (UERJ)Bruno Fabri Carneiro Valadão (UFRJ)
Em Terra em Transe (1967) de Glauber, o “fascismo à brasileira” se encarna em Porfírio Diaz, um fascismo plural e sincrético, onde o conservadorismo aparece de forma híbrida: carnavalesco e produtivo. Diaz encarna esse enunciado e poder de visibilidade de forma alegórica. O filme está sempre em transe, assim como suas personagens, mas o transe de Diaz e de Paulo Martins é bem diferente do transe assumido no cenário político atual, ou seja, o “transe bolsonarista”.

CI Práticas colaborativas, ética do cuidado e filosofias decoloniais

28/10 às 14h30
Processos de criação com cinemas que inventam comunidades
Deisimer Gorczevski (UFC)
Ao pensar os modos de pesquisar e fazer cinema com comunidades, evidenciam-se desafios presentes, desde a constatação da complexidade das mutações nos modos de conhecer e se relacionar com o cinema e o audiovisual, na contemporaneidade, considerando questões que rompem com as linguagens clássicas, a emergente hibridização de gêneros, na perspectiva de um pensamento transdisciplinar e seus agenciamentos em práticas coletivas e colaborativas.
Das poéticas que irrompem: notas para pensar a educação
Daniela da Silva (UFRGS)
Neste texto, as aproximações entre arte, filosofia e educação movimentam um debate voltado ao processo de criação de cineastas e artistas visuais, como um cuidado e uma escrita de si (FOUCAULT, 2010), capazes de oferecer um olhar poético e afetuoso para a educação, senão para a vida. No compasso do pensamento filosófico, ensaio uma escrita de travessia entre o artístico e o teórico (KILOMBA, 2019; LOPONTE, 2019), em busca de “ideias para adiar o fim do mundo” (KRENAK, 2019).
A filosofia de Ntu na websérie “Cartas de Maio” (2018)
LILIANE PEREIRA BRAGA (CECAFRO)
Esta comunicação se propõe a discutir a websérie “Cartas de Maio” (2018, dir. Joyce Prado) a partir da filosofia de Ntu (MALOMALO, 2019). Na série, Joyce Prado entrevistou dez pessoas negras, que lêem cartas escritas a ancestrais ou a descendentes, dirigindo-se ao passado e ao futuro, em temporalidade que confronta razão instrumental euro-ocidental, ao interligar mundo visível e mundo visível, em uma “ética de cuidado” presente na filosofia proposta pelo referido autor.

CI Cinema brasileiro e estudos de recepção crítica

28/10 às 14h30
A “caixa” do cinema e a sociedade na abordagem jornalística de Bacurau
Gilmar Adolfo Hermes (UFPel)
Problematiza-se os textos do jornalista e crítico de cinema Luiz Carlos Merten sobre o filme Bacurau, em 2019. Observa-se as formas de produção de sentidos sobre a produção. Nota-se o trabalho do jornalista como o compartilhamento de vivências da cultura cinematográfica, tendo em conta a obra “Filosofia da Caixa Preta” de Wilém Flusser (2002). Em decorrência da narrativa contundente, percebe-se a dificuldade para contemplar a potência do filme para a produção de sentidos.
Joaquim e as dimensões do político no cinema brasileiro recente
Eduardo Paschoal de Sousa (ECA/USP)
Este estudo pretende refletir sobre o cinema brasileiro recente em sua dimensão política, por meio de sua temática e sua circulação. Para isso, analisa as repercussões do filme Joaquim (Marcelo Gomes, 2017) a partir das críticas à obra, dos conjuntos de interpretações publicizadas pelos espectadores e da análise de sua situação fílmica. Além disso, discute as iniciativas da própria produção para direcionar o longa-metragem a uma leitura política, por meio de um personagem histórico.
O cinema paulista independente dos anos 1950 na imprensa
Gabriel Henrique de Paula Carneiro (Unicamp)
Uma pesquisa na imprensa da época revela dados que vão além do conceito de cinema independente dos anos 1950 proposto por Maria Rita Galvão (1980), até hoje a principal referência sobre o assunto. Destaco, na comunicação, três pontos que se sobressaem: a revista Fundamentos e a dependência como vinculação ao capital estrangeiro; o independente como aquele feito ‘por conta própria’; a dimensão corriqueira que o termo independente alcança.

PAINEL Margens centrais: corpos que insistem em ocupar as cidades – Coordenação: Carol Almeida

28/10 às 14h30
Se essa rua fosse nossa: o olhar do cinema sobre a mulher na cidade
Carolina Maciel de Arruda (UNISUL)
A imagem da mulher na cidade pelo cinema pode influenciar na construção do imaginário sobre o espaço público e o estar das mulheres nestes locais? Pela pesquisa histórica sobre a construção do imaginário em torno da relação mulher e cidade, apresenta-se o conceito de corpografia da imagem, a partir da definição de Paola Jacques. Analisando os filmes Meu Corpo é Político e Chega de Fiu-fiu, indica-se o documentário como espaço para novas propostas visuais para o corpo da mulher no espaço público.
Cinema e Cidade Armário: a representação da experiência queer.
Tadeu Barbuto Bousada (UFES)
O trabalho em questão volta-se para a compreensão do termo “cidade-armário”, enquanto categoria analítica, pensando não somente o espaço urbano como uma produção discursiva da heternormatividade, mas à sua revelia, as possibilidades de organização social dissidentes produzidas. O cinema transnacional será objeto de análise, em que buscar-se-á investigar, através da seleção de filmes contemporâneos, a experiência ética e estética da cidade pela perspectiva de corpos queer no mundo periférico.
Uma leitura bissexual do filme Les Rendez-Vous D’Anna
Julie de Oliveira (Unisul)
Será a bissexualidade capaz de abalar o binarismo homo x heterossexual, assim como os demais binarismos que dele derivam? Como pensar a bissexualidade em relação ao tempo e ao espaço cinematográfico? Essas são as questões que se pretende responder, levantadas por uma leitura bissexual do filme de 1978 Les Rendez-Vous d’Anna, de Chantal Akerman.

ST Cinemas negros: estéticas, narrativas e políticas audiovisuais na África e nas afrodiásporas. – Sessão 6 – Cinemas Negros, cosmopoéticas e futuridades

28/10 às 16h15
PretEspaço: descorporificação e desaparição no cinema negro
Kênia Cardoso Vilaça de Freitas (Sem Vínculo)
Propomos um exercício especulativo a partir das (im)possibilidades do cinema negro ter como elementos formais fundantes a imaterialidade, a abstração e a descorporificação. Propomos assim imaginá-lo fora da chave representação/representatividade. Em uma interlocução com as ideias de Sensível Negro (Gadelha), das Utopia Negras (Brown) e da fugitividade (Moten, Harney), especulamos sobre o que pode ser uma espacialidade negra (PretEspaço) encarnarda e assombrada nos filmes.
QuilomboCinema : Ficções e encruzilhadas no Cinema Negro Brasileiro C
tatiana a c costa (UNA)
Este trabalho apresenta parte de pesquisa em andamento que busca compreender o Cinema Negro Brasileiro no que ele agencia de possibilidades de testemunho e elaboração fabulatória das negruras. A compreensão dessa a existência das negruras com e nas imagens e sons na contemporaneidade se dá a partir de uma multiplicidade de sujeitos em interação em campos para além da realização dos filmes, um fenômeno que chamo aqui de QuilomboCinema.
Políticas do Olhar, diálogos sobre curadoria e descolonização.
Janaína Oliveira (IFRJ / FICINE)
Nos debates sobre curadoria em cinema é frequente se retornar a origem latina da palavra (curare) para reafirmar o propósito do trabalho do curador, sem levar em conta, por vezes, sua dimensão de exercício de poder. A apresentação pretende refletir sobre as práticas curatoriais contemporâneas a partir das experiências do Políticas do Olhar, série de debates com curadores da África e das diásporas, realizadas no Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, nos anos de 2019 e 2020, respectivamente.

ST Estética e plasticidade da direção de fotografia – Sessão 6 – A cinematografia contra os apagamentos

28/10 às 16h15
As construções e apagamentos do olhar em O nascimento de uma nação
Felipe Corrêa Bomfim (UNICAMP)
Este estudo tem o objetivo de investigar as relações étnico-raciais no campo da cinematografia. Lançaremos mão das construções e dos apagamentos presentes em O Nascimento de uma nação (1915), de D. W. Griffith, com enfoque particular em sua narrativa e visualidades, como forma de acionar o contexto histórico da obra e investigar fotografias e retratos da Guerra da Secessão que descortinam a discussão sobre o ‘direito de ver’ e de ser visto.
Direção de fotografia como estratégia no cinema “Beyond Nollywood”
Ana Camila de Souza Esteves (UFBA)Marina Cavalcanti Tedesco (UFF)
Considerando o contexto do audiovisual nigeriano e o que se entende por “Nollywood” (cinema massivo) e “Beyond Nollywood” (não industrial), esta comunicação busca mapear e discutir as disputas em torno de um novo cinema nigeriano a partir das estratégias da direção de fotografia. Tomamos como ponto de partida o filme “Eiymofe”, cuja análise revela uma distinção no que tange aos enquadramentos, movimentos de câmera, luzes, cores, etc. configurando um espaço de dissenso no audiovisual nigeriano.
Reichenbach fotografa Garrett: intercâmbios na Boca do Lixo
Bruno Vieira Lottelli (USP / CEUNSP)
Em 1979, Carlos Reichenbach fotografou “A Mulher Que Inventou o Amor”, dando continuidade à parceria com o diretor Jean Garrett, iniciada em “Excitação” (1976), sua primeira participação na Boca do Lixo. Buscaremos, neste trabalho, cotejar as obras realizadas por Reichenbach como diretor de fotografia na Boca entre 1978 e 1981, destacando duas que o próprio dirigiu (A Ilha dos Prazeres Proibidos e O Império do Desejo) para então compará-las a outro par dirigido por Garrett (Mulher, Mulher e A Mu

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 6

28/10 às 16h15
O intemporal nas músicas experimentais de Pátio, de Glauber Rocha
Damyler Ferreira Cunha (UFS)
Nesta proposta nos detemos sobre a análise do uso de músicas experimentais na trilha sonora do filme Pátio, realizado por Glauber Rocha entre 1957 e 1959. No mesmo período, nos artigos De Cinestética (1958) e, posteriormente, em Filme Experimental: um tempo fora do tempo (1959) Glauber Rocha se debruçou diante da polêmica entre forma e conteúdo, identificando um subproblema temporal que aponta em direção as relações que o filme experimental deve estabelecer com as outras artes e, com a música.
Música “nacional” em adaptações de livros brasileiros no Cinema Novo
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ (grupo CNPq))
Analisamos o uso de música clássica preexistente em “Menino de Engenho” (Walter Lima Jr, 1965) e “Capitu” (Paulo César Saraceni, 1968), ambos adaptações de obras literárias brasileiras, como uma prática estilística do que Claudia Gorbman chamou de “música de autor”. Há nesses filmes do Cinema Novo uma característica nacional quanto ao uso da música, com presença marcante de Villa-Lobos em “Menino de Engenho”, e, em “Capitu”, constrói-se um panorama de diversos compositores brasileiros.
Criação de trilhas por Inteligência Artificial e bibliotecas digitais
GEÓRGIA CYNARA COELHO DE SOUZA (UEG)
Implicações estéticas e profissionais do uso de Inteligência Artificial (IA) e bibliotecas na composição musical para audiovisual. Amparado em pesquisas bibliográficas sobre som e música no audiovisual, reportagens e entrevistas com compositores que lidam com IA e/ou bibliotecas em seu cotidiano (Pierrobom, 2021; Ludwig, 2018; Domene, 2018), refletimos sobre a composição musical menos como resultado de um “ímpeto criativo de autor” e mais como uma complexa curadoria de sonoridades disponíveis.

CI Estranhos estrangeiros: análise fílmica, representação e imaginário social masculino

28/10 às 16h15
O Palácio dos Anjos: Mercado financeiro e meretrício de luxo
Geraldo Blay Roizman (USP)
Este filme de Walter Hugo Khouri, de 1970, parece captar a lógica imposta pelo neoliberalismo nascente. O filme aborda uma mulher que trabalha em uma empresa de crédito cujo diretor orienta como arregimentar, através de um banco de dados, o patrimônio de grandes empresários brasileiros, estratégia que será copiada por ela quando resolver conquistar sua independência ás custas dolorosas tanto de sua própria subjetividade e efetividade como a de suas colegas.
Matando em série: os assassinatos em Memórias de um Estrangulador de L
Albert Elduque (UPF)
Realizado durante o exílio londrino, ‘Memórias de um Estrangulador de Loiras’ condensa elementos dos filmes anteriores de Júlio Bressane com a paródia de recursos estéticos do thriller hollywoodiano. Nesta comunicação quero analisar a representação dos crimes para estudar como essa dialética entre o próprio e o estrangeiro permete sugerir reflexões sobre a expressão estética da condição do exílio.
Leituras bachelardianas em Me Chame Pelo Seu Nome
Wendell Marcel Alves da Costa (USP)
Neste trabalho analiso a potência poética e imaginária da água e do fogo no filme Me Chame Pelo Seu Nome. A partir do olhar bachelardiano dos elementos naturais que falo acerca da trama cinematográfica e como eles servem como signos alegóricos de sentimentos, como os desejos de Elio e o medo de Oliver. Repleto de símbolos e alegorias sobre os sentimentos/pensamentos dos personagens, o filme representa ideias e vontades, utilizando-se de imagens poéticas para remeter ao imaginário social.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 6

28/10 às 16h15
PRÁTICAS CULTURAIS DE PÚBLICOS EM FESTIVAIS DE CINEMA
Tetê Mattos [Maria Teresa Mattos de Moraes] (UFF)
A comunicação refletirá acerca da experiência de participação dos frequentadores de festivais de cinema no que tange às suas práticas culturais, aos comportamentos, à recepção das obras e experiências de espectatorialidade, tendo como objeto dois eventos de natureza distinta. Um de caráter generalista e histórico – o XII Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (1979) e o outro de caráter especializado – o CineFoot, (anos 2010). As fontes para estes estudos são de matéria fílmica.
Mostra Clássicos & Raros: um modelo para salvaguarda e valorização?
Vivian Malusá (Paris 8)
O trabalho aborda a segunda edição da mostra Clássicos & Raros do Nosso Cinema (total de quatro edições, 2007 a 2016), produzida pela Cinemateca Brasileira com patrocínio do Banco do Brasil. Tal edição poderia se configurar um modelo para mostras de filmes de patrimônio, ao investir recursos financeiros, técnicos e humanos tanto na salvaguarda quanto na valorização das obras exibidas, além de basear sua estratégia de comunicação na importância da preservação para o retorno dos filmes às telas.
O circuito de Darwin pelos cineteatros do Rio de Janeiro (1914-1932)
Sancler Ebert (UFF)
A comunicação investiga o circuito realizado por Darwin, o imitador do belo sexo, pelos cineteatros cariocas entre os anos de 1914 e 1932. O transformista era famoso por imitar mulheres, apresentar números musicais e desfilar figurinos de luxo. A partir de dados coletados no periódico Correio da Manhã, vamos reconstituir o circuito realizado pelo artista, refletindo sobre o seu trajeto que passava pelo Centro e por bairros da Zona Sul e Zona Norte cariocas.

CI Revisitando documentos, re-escrevendo a história de personalidades do cinema mundial

28/10 às 16h15
“Dina do cavalo branco”, de Paulo Emílio Salles Gomes (1962)
Victor Santos Vigneron de La Jousselandière (USP)
O objetivo da apresentação é discutir a produção do roteiro cinematográfico “Dina do cavalo branco” (1962), por Paulo Emílio Salles Gomes. Nesse momento, observa-se um deslocamento do autor em direção ao contexto baiano, fato que daria origem a um conjunto documental que compreende ainda críticas e correspondências. A análise de “Dina” tem por objetivo relacionar as opções temáticas e formais ao posicionamento do autor diante de questões atinentes ao campo cinematográfico da época.
“Ribeirinho”: ator, diretor, argumentista, dialoguista e revisteiro
Afrânio Mendes Catani (USP; UFF)
Francisco Carlos Lopes Ribeiro (1911-1984), ator, diretor, argumentista e administrador teatral, fez seu début profissional aos 19 anos em “A Maluquinha de Arroios”, de André Brum (1929), no teatro da Companhia de Chaby Pinheiro. Nos 50 anos subsequentes integrou várias companhias teatrais, atuou, escreveu e dirigiu dezenas de revistas. No cinema atuou em 12 filmes, vários na idade de ouro da comédia portuguesa (anos 1940-1950) e dirigiu o clássico “O Pátio das Cantigas” (1941).
“IT’S ALL TRUE” REVISITADO – ANÁLISE DO MEMORANDO DE MAIO DE 1942
Josafá Marcelino Veloso (PPGMPA – ECA – USP)
Propomos uma análise imanente do Memorando de maio de 1942, enviado por Welles do Brasil ao estúdio RKO nos EUA. Angariado junto à Lily Library de Bloomington, Indiana, nos EUA, este Memorando de 172 páginas datilografadas vem dividido em quatro segmentos: “Introdução”, “Carnaval – Treatment For The Film Itself”, “Apêndice” e “Notas de filmagem”. Destacaremos como este documento se apresenta como uma espécie de pitching, em que Welles justificará a integridade de seus esforços até ali.

ST Teoria de Cineastas – Sessão 6 – Teoria de Cineastas: escutas e conversações poéticas

28/10 às 16h15
A atenção poética no hiper-realismo de Chantal Akerman
Beatriz Avila Vasconcelos (Unespar)
Esta comunicação integra o projeto de pesquisa “Imagem e Poesia em Pensamentos de Cineastas”, em que busco explicitar e articular pensamentos de cineastas acerca da imagem, a partir de sua produção verbal e fílmica, percebendo modos de ver, tipos de atenção e de experiência que instauram regimes de imagem de cinemas de poesia. Aqui a atenção volta-se ao pensamento de Chantal Akerman acerca da imagem, expresso em declarações verbais da cineasta e em seu filme Jeanne Dielman (1975).
A imersão na escuta e a deformação do real em Lucrecia Martel
Vicente Nunes Moreno (UNISINOS)
A partir dos filmes e das falas de Lucrecia Martel, a comunicação ensaia um entendimento do que seria o olhar teórico da cineasta para o cinema e sua relação com o real. Com uma definição particular sobre a noção de ponto de vista, Lucrecia refuta a vocação ilusionista do cinema e propõe em sua obra uma espécie de realismo impressionista, onde a visão é submissa à escuta, numa tentativa de desestruturação e distorção subjetiva da realidade.
Da ideia de conversação nos filmes de Júlio Bressane
Lennon Pereira Macedo (UFRGS)
Propõe-se um estudo semiótico da obra de Júlio Bressane com vistas a descrever uma ideia singular em cinema que inscreve a conversação cinematográfica como uma espécie de continuum erótico-político da voz. Identificou-se nos atos de fala dos filmes O gigante da América (1978), Filme de amor (2003) e Cleópatra (2007) dois tipos de operações: (1) um deslocamento da significação verbal em direção à sua materialidade fônica; (2) uma dissolução dos sujeitos da conversa num mesmo monólogo variável.

SPC O ensino de direção audiovisual nas universidades brasileiras

28/10 às 16h15
Estratégias para o ensino de direção presencial e remoto
Katia Augusta Maciel (UFRJ)
A disciplina de Direção nos cursos de cinema e audiovisual marca as primeiras experiências autorais dos estudantes. Pretende-se analisar as estratégias que professores de IES de diferentes regiões do país, integrantes da Rede de Direção do FORCINE, estão adotando para o ensino dessa disciplina, comparando estratégias para o ensino de Direção nos cenários presencial e remoto para contribuir ao debate do ensino de Direção em IES brasileiras, apontando as estratégias e suas potencialidades.
Comparando conteúdos de disciplinas de Direção
Carlos Gerbase (PUCRS)
A partir de uma análise de planos de ensino de disciplinas de direção cinematográfica em universidades brasileiras (ementas, objetivos, conteúdos programáticos e atividades), será apresentada uma cartografia inicial da área. Como a pesquisa ainda está em seus primeiros passos, o objetivo da fala é dialogar com os colegas e buscar novos aportes metodológicos, de modo a fortalecer uma dinâmica colaborativa com os professores de direção cinematográfica de todo o Brasil.

CI O corpo e a agência das mulheres no cinema brasileiro

28/10 às 16h15
AS SOMBRAS, O CORPO FEMININO E O VOYEUR EM JULIO BRESSANE
Raquel Cristina Ribeiro Pedroso (UNESP)
Para este trabalho, será evidenciado imagens-chave do longa “A erva do rato”, de 2008, no que diz respeito ao processo de tradução de dois contos de Machado de Assis (“Um esqueleto, 1875” e “A causa secreta, 1896”) que culminam na composição de sombras, de duplos e do corpo feminino como objeto de prazer, por meio do olhar da câmera fotográfica nas mãos do protagonista do filme.
Helena Ignez: guerreira nômade hipersensível
Samantha Ribeiro de Oliveira (PUC Rio)
A comunicação foca na agência co criativa entre a atriz-autora Helena Ignez e os cineastas Rogério Sganzerla e Julio Bressane que, ao constituírem-se como máquinas de guerra em disputa narrativa exatamente no período do pré e pós AI-5, entre 1968 e 1970, operam revides éticos, estéticos e políticos em um contexto de estrangulamento das liberdades civis e artísticas, que se aproxima, em alguns aspectos, da gravidade da atual conjuntura do cinema e do audiovisual no Brasil, evocada nesta chamada.

CI O popular, a chanchada e o cinema de gênero brasileiro: revisões teórico-históricas

28/10 às 16h15
O melodrama no cinema brasileiro e o paradigma do popular
David Ken Gomes Terao (Unicamp)
Como etapa anterior a uma análise de uma filmografia contemporânea brasileira a partir de matrizes melodramáticas, essa comunicação irá problematizar a noção de popular vinculada a ele pelas teorias já existentes, propondo uma abordagem que leva em conta a especificidade da cultura de consumo e a realidade social brasileiras, ao mesmo tempo em que reconhece a força da sua permanência cultural e sua possibilidade de atuar enquanto terreno de disputa narrativa de povos, comunidades e identidades.
Garota de Ipanema, o mercado e a modernização da comédia musical
Pedro Vaz Perez (UFF / PUC Minas)
Buscaremos compreender “Garota de Ipanema” para além da chave autorista comum em suas revisões. Porque o marxista Hirszman filmou em cores, na Zona Sul, o mito da bossa nova? Apresentaremos a obra como uma das propostas comerciais da Saga Filmes, alinhadas à disputa do mercado de distribuição, pelos cinemanovistas, com a criação da Difilm. Ao mesmo tempo, veremos como a fita compartilha a tendência de atualização da comédia musical, e de amplo trânsito entre o cinema e a música popular no Brasil
Revisitando a chanchada na historiografia recente do cinema brasileiro
NEZI HEVERTON CAMPOS DE OLIVEIRA (UFF)
A partir de uma perspectiva historiográfica, esse trabalho se propõe a refletir sobre a onda de valorização e ressignificação das chanchadas, tendo como objeto de análise um conjunto de trabalhos acadêmicos publicados a partir dos anos 1980. O objetivo é depurar o processo revisionista por meio da análise de elementos sintáticos e semânticos dos filmes e de aspectos afeitos à sua produção, recepção e consumo que acabaram por consagrar a chanchada como principal gênero cinematográfico brasileiro.

CI Excesso, transgressão e transcendência

28/10 às 16h15
Além dos excessos: poéticas da transgressão e o cinema de arte
Júlia Machado de Carvalho (UFRJ)
Transgressão e excesso figuram em uma relação aparentemente inseparável. Enquanto alguns estudiosos apontam para uma qualidade inerentemente subversiva nos excessos dessa poética, alguns críticos e teóricos destacam sua condição convencional e conservadora no cinema e nas artes contemporâneas. Embora não se possa simplesmente divorciar os termos, neste artigo argumentarei que o excesso não é um parâmetro crítico apropriado para pensar os valores criativos e reflexivos das transgressões no cinema
Fora de ordem, fora da ordem: fuga do real e desejo de transcendência
Lyana Peck (UFRJ)
A partir de uma análise crítica do filme Gambling, Gods and LSD (2002), do diretor suíço-canadense Peter Mettler, procura-se refletir sobre o desejo de fuga do real via estados dissociativos por meio do divino, das drogas, do entretenimento, do prazer. A hipótese é de que o próprio cinema é colocado pelo diretor como uma forma de transcendência, que se encontra não na ordem da alucinação, mas de uma consciência da percepção e uma superação da normatividade e do automatismo.
Ponto de vista distorcido em histórias desconfortáveis: Fábulas Ruins
Gabriela Kvacek Betella (UNESP)
Analisamos a construção do ponto de vista no segundo filme dos irmãos D’Innocenzo por meio de incongruências entre voz narrativa e diegese. Observamos as histórias cruzadas de famílias de subúrbio romano de classe média em pelo menos três níveis narrativos. A voz masculina recompõe notas de um diário de menina enquanto o espectador assiste às incômodas sequências dispostas numa organização cíclica capaz de distorcer princípios estéticos da fábula para incorporar conteúdos macabros das situações.

CI Conceitos e mediações emergentes em TV

28/10 às 16h15
Culinária e gastronomia, afeto e distinção: discursos negociados na TV
Nara Lya Cabral Scabin (UAM)
Na contemporaneidade, a TV constitui espaço privilegiado de inscrição de mediações emergentes em torno da comida, do comer e do cozinhar na cultura audiovisual. Diante disso, este trabalho analisa, em dois programas do canal por assinatura GNT (Que Marravilha! e Tempero de Família), negociações discursivas entre regimes representacionais da gastronomia e da culinária, apontando sentidos de afeto e distinção como elementos fundamentais de mediação das representações engendradas.
Telenovela infantojuvenil: à procura de um conceito
João Paulo Lopes de Meira Hergesel (PUC-Campinas)
Como definir o que é telenovela infantojuvenil? Estudos contemporâneos trazem algumas confusões a esse respeito. Neste trabalho, objetivamos avançar na construção de um conceito para o formato, explorando seu histórico e suas características. Para isso, realizamos uma revisão teórica, histórica e empírica. Consideramos, por fim, que se trata de uma narrativa de ficção seriada, pensada para exibição televisiva diária, que enfoca características interessantes a jovens na fase da pré-adolescência.

PAINEL Paisagens afetivas do cinema brasileiro contemporâneo – Coordenação: Roberta Filgueiras Mathias

28/10 às 16h15
A paisagem é um mapa: André Novais Oliveira e as operações do olhar
Samuel Alves Moreira Brasileiro (UFC)
Com a abordagem metodológica de construção de três filmes-ensaios, estruturados a partir de comparações entre os filmes Fantasmas (2010), Domingo (2011), Pouco mais de um mês (2013) Ela Volta na Quinta (2014), Quintal (2015) e Temporada (2018) – do diretor mineiro André Novais Oliveira, a comunicação investiga como a aproximação entre o cinema e a paisagem proporciona uma discussão sobre a construção do olhar em relação ao espaço cinematográfico.
As paisagens culturais de No Coração do Mundo (2019)
Lea Monteiro Oliveira Pinho (UFMG)
Ao comparar as teorias de Ismail Xavier e Denilson Lopes, mostro como No Coração do Mundo (2019), ao mesmo tempo, opera uma continuidade e uma ruptura com as visões de ambos. Na linha de um cinema calcado no cotidiano, com pessoas comuns, parece fazer um retorno à historiografia do cinema brasileiro para buscar saídas de um cotidiano que, em vez de integrar os sujeitos no cosmopolitismo defendido por Denilson, os faz sonhar com o Sertão-Mar de Ismail Xavier, mesmo que fora de esquemas alegóricos
Retratos e esquemas em filmes brasileiros com vários protagonistas
Pedro Oliveira G. de Arruda (Unesp)
Este trabalho investiga a recorrência de sequências de “retratos” em quatro filmes brasileiros: A Vizinhança do Tigre (2016); Amarelo Manga (2002); Era o Hotel Cambridge (2016); No Coração do Mundo (2019). Propomos examiná-las como uma espécie de esquema, considerando as funções, os efeitos e significados delas no contexto de cada filme. Nosso objetivo é entender como esse esquema está relacionado com o desafio enfrentado por esses filmes: entretecer uma narrativa com vários protagonistas.

 
 

29/10


SPC Viver nas ruínas

29/10 às 9h00
Viver nas ruínas
yuri firmeza (UFC)
O grupo de pesquisa LEEA-UFC propõe uma conversa com Anna Lowenhautpt Tsing, professora de antropologia na Universidade da Califórnia. Nessa entrevista coletiva, elaboramos questões em torno das possibilidades de um “Viver nas Ruínas”, refletindo com a autora sobre modos de criação artística que se movimentem junto com os destroços, interrogando nosso tempo. A proposta dá prosseguimento ao projeto “Ações de Erodir”, realizado desde agosto de 2020.
Viver nas ruínas
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
O grupo de pesquisa LEEA-UFC propõe uma conversa com Anna Lowenhautpt Tsing, professora de antropologia na Universidade da Califórnia. Nessa entrevista coletiva, elaboramos questões em torno das possibilidades de um “Viver nas Ruínas”, refletindo com a autora sobre modos de criação artística que se movimentem junto com os destroços, interrogando nosso tempo. A proposta dá prosseguimento ao projeto “Ações de Erodir”, realizado desde agosto de 2020.
Viver nas ruínas
ANA PAULA VERAS CAMURÇA VIEIRA (UFC)
O grupo de pesquisa LEEA-UFC propõe uma conversa com Anna Lowenhautpt Tsing, professora de antropologia na Universidade da Califórnia. Nessa entrevista coletiva, elaboramos questões em torno das possibilidades de um “Viver nas Ruínas”, refletindo com a autora sobre modos de criação artística que se movimentem junto com os destroços, interrogando nosso tempo. A proposta dá prosseguimento ao projeto “Ações de Erodir”, realizado desde agosto de 2020.
Viver nas ruínas
Maria Ines Dieuzeide Santos Souza (UFC)
O grupo de pesquisa LEEA-UFC propõe uma conversa com Anna Lowenhautpt Tsing, professora de antropologia na Universidade da Califórnia. Nessa entrevista coletiva, elaboramos questões em torno das possibilidades de um “Viver nas Ruínas”, refletindo com a autora sobre modos de criação artística que se movimentem junto com os destroços, interrogando nosso tempo. A proposta dá prosseguimento ao projeto “Ações de Erodir”, realizado desde agosto de 2020.
Viver nas ruínas
Janaina Braga de Paula (UFC)
O grupo de pesquisa LEEA-UFC propõe uma conversa com Anna Lowenhautpt Tsing, professora de antropologia na Universidade da Califórnia. Nessa entrevista coletiva, elaboramos questões em torno das possibilidades de um “Viver nas Ruínas”, refletindo com a autora sobre modos de criação artística que se movimentem junto com os destroços, interrogando nosso tempo. A proposta dá prosseguimento ao projeto “Ações de Erodir”, realizado desde agosto de 2020.
Viver nas ruínas
Rúbia Mércia de O.Medeiros (UFC)
O grupo de pesquisa LEEA-UFC propõe uma conversa com Anna Lowenhautpt Tsing, professora de antropologia na Universidade da Califórnia. Nessa entrevista coletiva, elaboramos questões em torno das possibilidades de um “Viver nas Ruínas”, refletindo com a autora sobre modos de criação artística que se movimentem junto com os destroços, interrogando nosso tempo. A proposta dá prosseguimento ao projeto “Ações de Erodir”, realizado desde agosto de 2020.

SPC Hibridismos e formas impuras: temporalidades e estéticas da imagem

29/10 às 9h00
Hopper e Wenders: temporalidade das imagens em “Duas ou três coisas”
NINA VELASCO E CRUZ (UFPE)
O curta-metragem em 3D “Duas ou três coisas que eu sei sobre Hopper”, dirigido por Wim Wenders e exibido como uma instalação, servirá aqui como ponto de partida para discutirmos a questão da temporalidade na pintura de Hopper e sua relação com o tempo cinematográfico de Wenders. O dispositivo do tableau vivant será a chave para essa discussão, bem como os conceitos de instante pregnante e gesto.
Entre o jogo e a experimentação: o lúdico na fotografia contemporânea
osmar gonçalves dos reis filho (UFC)
Nos últimos anos, a fotografia conquistou uma autonomia inimaginável em termos de linguagem e expressão. Ela estendeu-se em novas direções, teceu relações renovadas com as artes e com outros campos culturais, redefinindo radicalmente nossa maneira de entender e lidar com o meio. Boa parte dessa renovação, a um só tempo estética e politica, se deve ao lugar que o conceito de lúdico tem ocupado nas obras de fotógrafxs contemporâneos. Gostaríamos de problematizar aqui algumas dessas questões.

CI Poéticas e territórios de criação de cineastas

29/10 às 9h00
O diálogo paródico na produção criativa de Woody Allen.
Alexandre Silva Wolf (UTP/FAE)
O cinema contemporâneo utiliza a paródia como uma forma de expressão. Uma obra extensa como a do cineasta americano Woody Allen pode apresentar um modo, uma forma que, em alguns momentos se repete, gerando produtos únicos e criativos. Ele diversas vezes utiliza a paródia como elemento chave dessas construções textuais. Este trabalho busca analisar as relações e diálogos paródicos propostos pelo cineasta, caracterizando esta como uma de suas formas de construção narrativa fílmica.
Edgard Navarro, cineasta em queda livre
Marise Berta de Souza (UFBA)
Essa comunicação tem como proposta discutir elementos da cinematografia de Edgard Navarro, tomando como partida uma trilogia representativa para pontuar a sua trajetória constituída pelos filmes: O rei da cagaço (1977), O superoutro (1989) e Abaixo a gravidade (2017). Esses filmes, sem deixar de levar em conta o todo de sua obra, ajudam a colocar em perspectiva e demarcar o território de criação em que o cineasta propõe uma estética antigravitacional.
A poética do sagrado no cinema de Walter Hugo Khouri
Ivone Gomes de Brito (UTP)
O propósito deste trabalho é investigar relações entre imagens fílmicas e a construção do sagrado nos filmes As deusas (1972), O anjo da noite (1974), O desejo (1975) e As filhas do fogo (1978), de Walter Hugo Khouri. A hipótese é que as narrativas khourianas exploram as complexas mediações entre o homem cultural e o homem natural, o que implica a mobilização de instrumental teórico que discute as problemáticas da imagem cinematográfica e os conceitos relacionados ao espaço e tempo sagrados.

CI Som, trilha sonora e audiodescrição: entre práxis e análise fílmica

29/10 às 9h00
Análise fílmica e intermidialidade: considerações sobre Bróder (2011)
Caio Túlio Padula Lamas (USP)
Partindo de observações a respeito da intermidialidade como ferramenta de pesquisa na análise de produções audiovisuais, o trabalho traça uma análise do longa-metragem Bróder (2011) com o objetivo de evidenciar como a trilha sonora e o rap em especial são apropriados na narrativa fílmica de maneira a consolidar os laços de afeto entre os personagens e a desconstruir o estigma do jovem criminalizado.
O som ao redor de Bacurau: conflitos e estranhamentos sonoros
Andreson Silva de Carvalho (ESPM Rio)
A pesquisa pretende analisar o desenho sonoro do filme Bacurau (2019), com o objetivo de averiguar as estruturas sonoras elaboradas para contribuir com os conflitos da narrativa e gerar um estranhamento no espectador, mesmo que este se deixe levar pela percepção mais naturalista possível, através de sons que não são percebidos atentamente, mas que parecem transcorrer de forma natural, assim como defendido por Michel Chion, em sua definição de valor acrescentado (2008, p.12).
A audiodescrição como parte inerente ao processo de produção no cinema
Flávia Affonso Mayer (UFPB)
O presente estudo tem por objetivo discutir a consolidação de práticas cinematográficas acessíveis ao público com deficiência visual. Ancorando-se nos conceitos de inclusão e Design Universal, na legislação, normativas da Ancie e nas diretrizes práticas da audiodescricão, problematiza aspectos a serem considerados na estrutura dos produtos cinematográficos. Conclui-se que, para ser efetiva, a audiodescrição deve ser considerada desde a pré-produção.

CI Experimentações, trânsitos e desvios entre regimes de imagens e sons

29/10 às 9h00
OUTROS VIDEODANÇARES: EXPERIMENTAÇÕES ENTRE O FÍLMICO E O COREOGRÁFICO
JOUBERT DE ALBUQUERQUE ARRAIS (UFCA)
Diante do legado do cinema experimental e do pré-cinema, artistas contemporâneos da dança vem configurando relevantes experimentações entre o fílmico e o coreográfico. Perguntamo-nos: de que videodançares podemos falar com dizeres outros sobre os corpos em crise e o curto-circuito das representações? Que pistas e ocorrências estéticas podem ser visibilizadas como estratégias de politização e de interseccionalidade do corpo artista com a criação e curadoria contemporâneas de vídeo e dança?
Uma breve história local entre as imagens fixas e em movimento
Annádia Leite Brito (PPGCOM-ECO/UFRJ)
Investigam-se os trânsitos entre o fixo e o movimento no audiovisual de Fortaleza a partir da chegada das imagens técnicas no fim do século XIX; com o movimento de Super-8 nos anos de 1960 e 1970; e por meio da difusão dos meios digitais aliada ao aos espaços institucionais de educação em audiovisual no início do século XXI. Analisa-se como essas passagens se deram gradativamente pelo modo de exibição, pelo emprego misto das tecnologias e, finalmente, pelo pensamento e pela prática híbridos.
DESVIOS NA IMAGEM: A INSCRIÇÃO GRÁFICA NO FILME A PAIXÃO DE JL (2015)
Giulianna Nogueira Ronna (PUCRS)
Neste trabalho busco refletir a instância gráfica no cinema enquanto escrita-desvio, aproximando os conceitos de desvio em Deligny (2015) com reflexões acerca da palavra e da imagem. Realizo uma análise da instância gráfica no filme A Paixão De JL (2015) de Carlos Nader, expondo como a narrativa constituída a partir desta escrita sugere aquilo que não está visível, mas permanece latente na visualidade, funcionando como um ponto de fuga, um desvio na imagem.

PAINEL A palavra cantada é a grande culpada da transformação: trilhas e as imagens em (des)compasso – Coordenação: Marina Mapurunga de Miranda Ferreira

29/10 às 9h00
Guitar Days e Time Will Burn: uma análise sobre os documentários sobre
Eliza Dias Möller (UFJF)
Este artigo busca analisar os documentários Time Will Burn: o Rock Underground Brasileiro do Começo dos Anos 90 (2016) e Guitar Days: An Unlikely Story of Brazilian Music (2018), que abordam a cena precursora do indie rock brasileiro na década de 1990. Para tal, busca-se compreender através do discurso, da imagem e do som como essa cena foi representada pelos filmes e como dialogam com os documentários de indie rock produzidos em outros países conforme a pesquisa de Jamie Sexton (2015).
O repertório musical pós-golpe em “Bethânia bem de perto: A Propósito
Rafael Saar da Costa (UFF)
Analisamos a trilha sonora no documentário média-metragem brasileiro Bethânia bem de perto: A propósito de um show, de Júlio Bressane e Eduardo Escorel, de 1966. O filme registra o recital na boate Cangaceiro no Rio de Janeiro e reproduz o cenário cultural pós-golpe civil-militar de 1964, conjuntura de incertezas e trânsito para o regime autoritário que pode ser analisada através das canções.
O ENCONTRO INTERMIDIÁTICO NO VIDEOCLIPE DE RAP “BLUESMAN”
Monyse Rayne Damasceno da Silva (UFSCar)
Considerando a construção de outras narrativas possíveis para o sujeito negro, este estudo analisa, através da intermidialidade (RAJEWSKY, 2012), o efeito do encontro entre aspectos formais e plásticos do videoclipe, do cinema e da música rap para a produção de sentidos em “Bluesman” (Douglas Bernardt, 2018). A produção acompanha o trabalho fonográfico do rapper baiano Baco Exu do Blues.

PAINEL “Botânica do asfalto”: as cidades cinemáticas de ontem e de sempre – Coordenação: Luciane Carvalho

29/10 às 9h00
Nostalgia e Ruínas: a UNB em 3 filmes nacionais.
Pablo Rossi Barreira (PPGCine UFF)
A partir da crítica cultural de Frederic Jameson sobre as fragmentações narrativas da pós-modernidade e dos elementos nostálgicos mobilizados pelas ruínas no contexto da modernidade descritos por Andreas Huyssen, analisaremos 3 documentários brasileiros que tiveram como tema a cidade de Brasília e especificamente a sua universidade como marcador do projeto modernizador democrático brasileiro, interrompido pelo Golpe Civil Militar de 1964.
A construção de Brasília no cinema de Vladimir Carvalho
André Lima Monfrini (ECA USP)
Este trabalho investiga como o documentário Conterrâneos Velhos de Guerra (Vladimir Carvalho, 1991) representa e se posiciona diante da história de Brasília ao escolher trabalhar o contexto de construção da cidade durante o governo Juscelino Kubitscheck. Proponho que a postura estética de Carvalho retrabalha, em chave crítica, a memória social sobre a Nova Capital, deslocando para o centro da narrativa histórica a experiência dos candangos pioneiros.
Da Sinfonia ao Réquiem: atualizações das imagens de um gênero urbano
Thaís Itaboraí Vasconcelos (UFJF)
O gênero das sinfonias urbanas é emblemático ao se pensar a relação cidade e cinema. Se nos anos de 1920 as Sinfonias Urbanas representavam a cidade moderna pulsante e orquestrada, ao ritmo de máquinas e relógios, questiona-se quais as atualizações da imagem da cidade poderiam ser notadas em reverberações contemporâneas do gênero. Dentre outros caminhos possíveis, observa-se neste trabalho a representação da cidade em escombros, como no filme U: réquiem para uma cidade em ruínas (2016).

PAINEL “Cinetoras” ou mulheres pioneiras do cinema experimental – Coordenação: Barbara Bergamaschi

29/10 às 9h00
A Representação da identidade na filmografia de Abigial Child
CAMILLA MARGARIDA MARIA SOARES DE SOUSA PARRODE (UNICAMP)
A filmografia da diretora norte americana Abigial Child, esconde inúmero elementos responsáveis pela construção de uma identidade própria. Os filmes experimentais da diretora se diversificam entre trabalhos com imagens de arquivos, captações de imagens, sons, ruídos, edição, montagem, entre outros elementos que juntos compõem uma forma capazes de ressignificar contextos e criar um mundo particular. Aqui, aponto elementos e os relaciono com o processo de construção da identidade em sua obra.
REDES DE CRIAÇÃO E CONVERGÊNCIAS NO PROCESSO DE CRIAÇÃO DE AGNÈS VARDA
Silvane Maltaca (PPG/CINEAV UNESPAR)
Ao identificar fragmentos de declarações da cineasta franco-belga Agnès Varda em suas duas obras de caráter autobiográfico “Varda por Agnès (2019) e “As Praias de Agnès” (2008), podem ser evidenciados percursos de convergências do processo de criação e registros de uma manifestação artística em ação, onde se observa a tessitura de uma rede de ações onde a artista deixa transparecer recorrências significativas que possibilitam o estabelecimento de generalizações sobre o seu fazer criativo.
Helena Ignez e o gesto arqueológico
Daniela Pereira Strack (UFRGS)
Este trabalho se propõe a investigar a ressurgência de imagens da Belair Filmes nos filmes dirigidos por Helena Ignez, em particular nos longas-metragens Ralé (2016) e A Moça do Calendário (2018). Desta forma, a pesquisa vislumbra Helena Ignez enquanto uma cineasta-arqueóloga, que recorre às imagens que protagonizou em 1970 para construir suas narrativas contemporâneas.

PAINEL Cinema pernambucano e as máquinas do tempo – Coordenação: Leon Sampaio

29/10 às 9h00
Cinema pernambucano de ficção científica: uma análise de Carro Rei
Inana Maria Sabino Fernandes da Silva (UFPE)
O trabalho busca realizar uma análise do filme de ficção científica pernambucano Carro Rei (2020) de Renata Pinheiro. O filme se apropria do lixo como tecnologia e do cyberpunk. A insurgência contra o sistema dominante acontece através de ciborgues manipuláveis e de obediência cega, numa crítica a sociedade brasileira contemporânea. O filme subverte mitos culturais brasileiros (GINWAY, 2005) que associam a mulher à terra e à natureza, ao mostrar o poder da natureza contra o sistema.
Caboclo de lança sônico: Processos de criação do som em Azougue Nazaré
Bruno Alves da Silva Pereira (UFPE)
Este trabalho pretende analisar os processos de criação do som do longa-metragem Azougue Nazaré (2018, Tiago Melo), relacionando as escolhas estéticas com os fluxos de trabalho e as influências da equipe de som dando sentido sonoro ao filme. Considerando as singularidades dos mercados regionais do audiovisual brasileiro, o objetivo deste trabalho é compreender como as equipes de som no cinema pernambucano atuam no cenário, aplicam suas influências estéticas e refletem sua própria cinematografia.
O Corpo Nordestino: O Nordestern, Bacurau e o Cinema Háptico.
Matheus de Arruda Morais (UFPE)
O foco é na exploração da cultura, da fisicalidade e do próprio corpo Nordestino a partir da teoria do Cinema Háptico e do cinema como experiência fisiológica, como codificado por teóricos como Jennifer Barker, Linda Williams, Thomas Elsaesser e Malte Hagener. A análise será feita pelo recorte de um gênero identitário nordestino: O “Nordestern” ou “Western Macaxeira”, westerns ambientados no sertão Nordestino, com particular foco em Bacurau (2019, Kleber Mendonça Filho).

CI Tradução e adaptação: abordagens comparatistas

29/10 às 9h00
A cena da tradução em Uma vez entrei num jardim, Kurdish Lover, Stolat
Ana Luiza Rocha de Siqueira (UFMG)
O que acontece – ou pode acontecer – quando o cinema abriga o encontro entre pessoas de mundos e línguas distintos, sustentando e acolhendo as diferenças que, em cena, se apresentam? A partir de três documentários – Uma vez entrei num jardim, Kurdish Lover e Stolat – pensamos comparativamente como a relação entre diferentes idiomas (e a tradução, não necessariamente verbal, que ele provoca) são abrigados no interior de suas escrituras.
Antigone (Sophie Deraspe, 2019): tragédia moderna ou drama social?
Vitor Zan (UFMS)
As escolhas efetuadas por Sophie Deraspe no filme Antigone (2019) são destrinchadas a partir do legado formal, temático e teórico da tragédia grega. Elementos típicos do espetáculo trágico encontram contornos específicos no filme, tais como a figura do coro, do oráculo, o estatuto ambíguo do herói e a imbricação entre a esfera pública e privada. Sem deixar de evidenciar contrastes, imensos, refletimos sobre a possibilidade da expressão do trágico em nossos tempos, por meio do cinema.
Mito e cinema em “Antígona – a resistência está no sangue” (2019)
Alex Beigui de Paiva Cavalcante (UFOP)
Este trabalho é parte da pesquisa intitulada “Antígona para além do horizonte de gênero: a reescritura cênica do mito”, em desenvolvimento na UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto. Pretende-se apresentar, a partir da Comparação Diferencial (Ute Heidmann), uma leitura do longa canadense Antígona – A resistência está no sangue (2028), da roteirista e diretora Sophie Deraspe. A apropriação e atualização fílmica do mito de Antígona abre espaço para a discussão acerca do não lugar dos imigrantes.

CI Processos criativos em cinema e audiovisual

29/10 às 9h00
Criatividade na direção de audiovisual
Mauro Giuntini Viana (UnB)
Enquanto estão aprendendo técnicas de direção, muitas vezes os estudantes tem dificuldades de relacionar este conhecimento com suas motivações expressivas e sofrem bloqueios criativos. Este estudo pretende investigar formas de se fomentar a criatividade visando facilitar a conexão entre teoria e prática durante a transformação de ideias em filmes. Para tanto, serão examinados jogos criativos e a utilização da escrita e da fotografia no desenvolvimento da imaginação.
Oficina Os óculos do vovô: aprendendo com infância, velhice e cinema
ALINE VERISSIMO MONTEIRO (UFRJ)
O filme Os óculos do vovô, o filme de ficção mais antigo restaurado do cinema brasileiro, data de 1913. Em seus pouco mais de quatro minutos restaurados, têm a potência de reunir em sua longevidade dados tanto da infância do cinema, quanto da infância no cinema. Reconhecendo essa potência, este artigo analisa como uma oficina de invenção de filmes com esse fragmento pôde abrir a possibilidade de que, mobilizados por gestos de fazer, ver, rever e transver cinema, e também inventar infâncias.
O cinema no processo de criação dos roteiros de Giancarlo Berardi
Maria Ignês carlos Magno (UAM)
Esse artigo é parte de um estudo sobre as influências cinematográficas, literárias e históricas no processo de criação de roteiros nas histórias em quadrinhos. Para essa comunicação o objeto de estudo é o HQ Julia Kendall: As aventuras de uma criminóloga, do roteirista Giancarlo Berardi. A ideia é mostrar a presença do cinema e da história no processo de criação e construção da narrativa nas HQs de Giancarlo Berardi.

Cinema, Histórias em Quadrinhos, Roteiro, Giancarlo Berardi, Julia Kendall.


CI Memórias de cineastas: documentos póstumos, diários e testamentos escritos em cinema

29/10 às 9h00
A memória póstuma e o uso de arquivos: “José Louzeiro: depois da luta”
MARIA THEREZA GOMES DE FIGUEIREDO SOARES (uerj)
O objetivo deste artigo se propõe a estabelecer relações entre o uso de arquivos como documentos históricos e a potência latente do produto fílmico a partir de imprevistos, sobretudo quando a obra se torna um documento póstumo. Para tanto, busca-se analisar o curta-metragem biográfico José Louzeiro: depois da luta como estudo de caso de filme que teve seu percurso alterado enquanto instrumento de arquivo cinematográfico quando da morte de seu protagonista ao término da etapa de pós-produção.
A MORTE NÃO É O FIM, AGNÈS VARDA CINESCREVE SEU TESTAMENTO ARTÍSTICO
Tatiana Levin Lopes da Silva (-)
Propomos fazer aproximações entre a cinescrita de Agnès Varda e o filme-ensaio para falar de temáticas recorrentes em seus últimos documentários. A cineasta adotou a ideia da câmera que escreve como uma convicção teórica e prática sobre a potência da documentação do real. Pressupomos a existência de uma espécie de “testamento artístico” que impacta e funda no espectador reflexões sobre envelhecimento e morte. Analisamos aqui os documentários As Praias de Agnès e Varda por Agnès.
Pensar o cinema a partir dos diários íntimos dos cineastas
RAFAEL ROSINATO VALLES (——————–)
Este trabalho pretende analisar de que forma os diários íntimos escritos por cineastas contribuem para pensar o cinema e a condição do cineasta frente ao seu ofício. Serão analisados fragmentos dos livros “A conquista do inútil”, de Werner Herzog e “Diários, 1970-1986”, de Andrei Tarkovski. Em ambos livros será analisado como o contexto determina o processo de escrita do diário e como eles lidam com a condição de serem cineastas e enfrentarem as especificidades da realização cinematográfica.

CI Cinema brasileiro: difusão, exibição e recepção

29/10 às 9h00
Circulação internacional de filmes brasileiros – presença brasileira n
Hadija Chalupe da Silva (ESPM Rio / UFF)
A cada crise vemos o contínuo esforço de realizadores na busca por alternativas que resultem em uma pretensa autossutentabilidade. Os desafios para atrair espectadores estão ligados às mudanças dos hábitos e à falta de continuidade de políticas de incentivo ao setor. A difusão de filmes em telas internacionais mostra-se como uma possibilidade para ininterrupção das atividades. Assim, objetiva-se dar continuidade a pesquisa sobre circulação e alcance de filmes brasileiros em telas estrangeiras.
Agenda da Secretaria do Audiovisual, de 2003 a 2014
Caio Duarte Kelly (AUTONOMO)
Este artigo aborda o trabalho realizada pela Secretaria do Audiovisual entre os anos de 2003 a 2014. Partimos da divisão institucional originária da Medida Provisória 2.228-2011 que criou a Agência Nacional de Cinema e investigamos a divisão entre as políticas para o “cinema cultural” e para o “cinema industrial”. Realizamos uma análise crítica deste binômio e a partir de uma análise da agenda da Secretaria do Audiovisual procuramos novos conceitos para expressá-la.
Comentários sobre o cinema brasileiro no Facebook
Dafne Reis Pedroso da Silva (Unochapecó)
A pesquisa analisa sentidos que circulam sobre o cinema brasileiro em 1.060 comentários a respeito da campanha de valorização do audiovisual publicada na fanpage da Ancine no Facebook, em 2018. Os resultados foram organizados em 30 categorias preliminares, que revelam um posicionamento opositor dos usuários em relação ao cinema brasileiro e explicitam críticas sobre sexualização, violência, narrativas dramáticas, diálogos obscenos e comparações entre cinema brasileiro e Hollywoodiano.

SPC Festivais audiovisuais e (como) políticas públicas

29/10 às 10h45
Entrevista: Festivais audiovisuais e/como políticas públicas
Eduardo Novelli Valente (UFF)
A mesa propõe a realização de um debate em forma de entrevista conduzida pela pesquisadora Juliana Muylaert Mager (autora da proposta), com dois pesquisadores com ampla trajetória prática no campo dos festivais audiovisuais, Eduardo Valente e Amaranta Cesar. Como eixo central da discussão proposta para os festivais, estão as relações entre esses eventos audiovisuais e as políticas culturais.
Entrevista: Festivais audiovisuais e/como políticas públicas
Amaranta Cesar (UFRB)
A mesa propõe a realização de um debate em forma de entrevista conduzida pela pesquisadora Juliana Muylaert Mager (autora da proposta), com dois pesquisadores com ampla trajetória prática no campo dos festivais audiovisuais, Eduardo Valente e Amaranta Cesar. Como eixo central da discussão proposta para os festivais, estão as relações entre esses eventos audiovisuais e as políticas culturais.
Entrevista: Festivais audiovisuais e/como políticas públicas
Juliana Muylaert Mager (LABHOI/UFF)
A mesa propõe a realização de um debate em forma de entrevista conduzida pela pesquisadora Juliana Muylaert Mager (autora da proposta), com dois pesquisadores com ampla trajetória prática no campo dos festivais audiovisuais, Eduardo Valente e Amaranta Cesar. Como eixo central da discussão proposta para os festivais, estão as relações entre esses eventos audiovisuais e as políticas culturais.

SPC SONS E AURAS DO ESTRANHO: ALIENS, MULHERES E ANJOS

29/10 às 10h45
O ANJO EXTERMINADOR NO MUNDO DE 2020: DE UM FILME A OUTRO
Érica Faleiro Rodriguess (ULHT Lisboa)
A presente proposta de mesa temática congrega três filmes do gênero fantástico realizados na última década. Nestes filmes, certos temas caros aos filmes de ficção-científica e horror passam por uma releitura que reflete as diversas tensões civilizacionais que explodiram recentemente, em 2020, na maior crise jamais vista na história da humanidade. Três pesquisadores do som no cinema – os três de língua portuguesa, sediados em países distintos (Brasil e Portugal) – analisam estes filmes.
O ANJO EXTERMINADOR NO MUNDO DE 2020: DE UM FILME A OUTRO
Carlos Ruiz Carmona (UCP Porto)
A presente proposta de mesa temática congrega três filmes do gênero fantástico realizados na última década. Nestes filmes, certos temas caros aos filmes de ficção-científica e horror passam por uma releitura que reflete as diversas tensões civilizacionais que explodiram recentemente, em 2020, na maior crise jamais vista na história da humanidade. Três pesquisadores do som no cinema – os três de língua portuguesa, sediados em países distintos (Brasil e Portugal) – analisam estes filmes.
O ANJO EXTERMINADOR NO MUNDO DE 2020: DE UM FILME A OUTRO
Ivan Capeller (UFRJ)
A presente proposta de mesa temática congrega três filmes do gênero fantástico realizados na última década. Nestes filmes, certos temas caros aos filmes de ficção-científica e horror passam por uma releitura que reflete as diversas tensões civilizacionais que explodiram recentemente, em 2020, na maior crise jamais vista na história da humanidade. Três pesquisadores do som no cinema – os três de língua portuguesa, sediados em países distintos (Brasil e Portugal) – analisam estes filmes.

CI Produção, direção e adaptação entre mulheres

29/10 às 10h45
A PRODUÇÃO DE INCONFIDÊNCIA MINEIRA NOS PERIÓDICOS BRASILEIROS.
Lívia Maria Gonçalves Cabrera (UFF)
A apresentação consiste em uma apresentação e reflexão do mapeamento dos acontecimentos durante os doze anos de produção de Inconfidência Mineira (Carmen Santos 1936-1948). A partir da construção de uma linha do tempo feita com notícias publicadas nos jornais da imprensa carioca, procuraremos acompanhar as realizações e as dificuldades do longa-metragem, procurando entender onde estavam os principais pontos de dificuldade e os motivos para a demora da apresentação do filme.
Quem gritar “ação”: a direção cinematografia no Rio Grande do Sul
Daniela Carvalhal Israel (Feevale)
Sensível a problemática da equiparidade no audiovisual, este estudo aborda às particularidades do perfil do profissional da direção cinematográfica no Rio Grande do Sul. Para tal, realiza uma pesquisa quantitativa e analisa dez anos de produção de longas-metragens gaúchos com vistas a identificar qual é o perfil deste profissional no estado. Além de identificar traços e características dos profissionais da direção, o estudo revela que, no RS, homens dirigem oito vezes mais filmes que mulheres.
“Fiel e verdadeira”? Adaptação literária num filme de Margarida Gil
Ana Isabel Soares (UAlg)
Em 1987, Margarida Gil realizou RELAÇÃO FIEL E VERDADEIRA, adaptação da autobiografia seiscentista de Soror Clara do Santíssimo Sacramento. A realizadora trabalhou a partir do texto original com a escritora portuguesa Luiza Neto Jorge e teve a colaboração de João César Monteiro na escrita do argumento. Analisarei o filme pelo prisma da adaptação efetuada, sublinhado o seu caráter literário.

CI Hipertextualidades, intermedialidades e historiografias: abordagens comparatistas

29/10 às 10h45
Comparando “La Jetée” e derivados, “Interestelar” e “Organismo”
Lueluí Aparecida de Andrade (Unesp – Bauru)
Apresentamos breve análise comparada das obras “La Jetée” (1962, dir. Chris Marker, fotomontagem), “Twelve Monkeys” (1996, dir. Terry Gilliam), série televisiva “12 Macacos” (2015-2018, canal Syfy), “Interestelar” (2014, dir. Christopher Nolan) e a peça de tradução intersemiótica (a partir do livro-poema de Décio Pignatari “Organismo”), em fotografia estática, no filme “Cinema Falado” (1986, dir. Caetano Veloso), com base em categorias teóricas formuladas para o audiovisual e para a imagem fixa.
As hipertextualidades políticas de Glauber Rocha e Jean-Luc Godard
Hudson Moura (RU)
Glauber Rocha e Jean-Luc Godard compartilham várias afinidades. Pertencem à mesma geração e criaram dois dos movimentos mais célebres do cinema moderno, Cinema Novo e a Nouvelle Vague. Eles compartilharam as mesmas preocupações políticas e filosóficas sobre o trabalho do diretor e o papel do cinema na sociedade. Meu objetivo nesta apresentação é comparar suas abordagens histórico-políticas e examinar como se tornaram dois dos maiores montadores e intelectuais do cinema moderno.
Histórias cinematográficas nacionais: Eisner, Kracauer e Wollenberg
Rafael Morato Zanatto (ECA- USP)
Comparando os livros De Caligari a Hitler (1947), de Siedfried Kracauer, Cinquenta anos de cinema alemão (1948), de Hans Wollenberg e A tela demoníaca (1952), de Lotte H. Eisner, demonstraremos a partir dos sensos e dissensos entre critérios, teorias, fontes, perspectivas e biografias dos autores a significação de suas contribuições para a formação das pesquisas históricas de cinema: a identificação/ invenção das fisionomias cinematográficas nacionais.

CI História e teoria do cinema da perspectiva das mulheres

29/10 às 10h45
Norma Bengell, o colocar-se na História e a construção de si
Andressa Gordya Lopes dos Santos (UNICAMP)
Este trabalho baseia-se nos estudos de história e memória de mulheres partindo da análise da obra da artista, Norma Bengell. Seguindo esta perspectiva, buscamos discutir a influência que as experiências de vida tiveram sobre a construção de sua subjetividade, como estas experiências nortearam seu caminho, sua militância, suas relações pessoais e sua arte. Ou seja, como os fatos históricos a construíram, como foram por ela construídos e como ela constrói a si mesma.
Tata Amaral: feminilidades e subjetividades políticas em dramas urbano
Luiza Cristina Lusvarghi (Unicamp)
Tata Amaral estreia com o longa-metragem Um Céu de Estrelas (1997), que narra o cotidiano da vida nos subúrbios de São Paulo na década de 1980, dentro da Retomada do Cinema Brasileiro. O objetivo desta comunicação é compreender qual o impacto da formação política e da questão da identidade sexual da cineasta com a sua obra e de que forma essa obra contribui para o desenvolvimento do drama no cinema e na televisão brasileiros contemporâneos, classificados geralmente como filmes de crítica social.
Pioneiras e Rebeldes: as Mulheres Cineastas do Cinema Francês
Fernanda Aguiar Carneiro Martins (UFRB)
Há uma década o historiador e ensaísta britânico Mark Cousins nos fizera admitir que muito do que supomos sobre o cinema está errado. Urge redesenhar a sua história, racista e machista por omissão. A presente comunicação se propõe a efetuar uma abordagem histórica, atendo-se às mulheres cineastas do cinema francês Alice Guy-Blaché, Germaine Dulac, Agnès Varda, Céline Sciamma – referências incontornáveis, cuja produção nos permite uma travessia desde o cinema silencioso até a atualidade.

PAINEL Reminiscências de Claudia Gorbman: usos da música e do som direto – Coordenação: Joice Scavone

29/10 às 10h45
A música e a estética barroca: uma análise de Lady Vingança (2005)
Ana Maria Antunes Monteiro (UFSCar)
Esta comunicação tem como objetivo analisar as citações e alusões musicais e pensar a função da música no longa metragem Lady Vingança (2005) do diretor sul-coreano Park Chan Wook. A partir da análise fílmica baseada nas teorias de música no cinema de Gorbman (1987) e Kassabian (2001) pretende-se explicar como as escolhas de trilha musical são determinantes para reforçar sentimentos das personagens, temporalidade e compor uma estética barroca e religiosa proposta no longa-metragem.
Música e imagem, da ascensão à queda: Sarabande em Barry Lyndon
Filipe Jhonata Schettini Azevedo (UFMG)
Objetiva-se na presente proposta de apresentação no Seminários Temáticos, expor a pesquisa sobre a relação entre imagem e música no filme Barry Lyndon (1975), de Stanley Kubrick. Mais especificamente, tal pesquisa apresentará uma profunda análise das variações da obra “Sarabande in D minor”, composta por George Frideric Handel. Durante a exibição do filme, este tema sofre grandes variações e diferentes interações com as imagens, acompanhando o protagonista desde sua ascensão à sua queda.
O ambiente sonoro em Luz nos Trópicos
Guilherme Farkas (UFF)
Muitas práticas artísticas e científicas se utilizam do registro sonoro como sua base fundamental. A partir de uma abordagem interdisciplinar o interesse dessa comunicação é problematizar a construção do som ambiente no cinema considerando contexto, causa e manipulação. A construção do som ambiente em Luz nos Trópicos (2020) de Paula Gaitán propõe um exercício de escuta em que os sons ambientes não mais ocupam o pano de fundo de uma narrativa mas são eles próprios a matéria do sensível.

PAINEL Cinema e educação: estratégias metodológicas – Coordenação: Sancler Ebert

29/10 às 10h45
O VÍDEO-ENSAIO COMO INSTRUMENTO ACADÊMICO
Murilo Nogueira dos Anjos (UFBA)
Esta pesquisa visa tratar o vídeo-ensaio como componente a ser utilizado nos estudos fílmicos acadêmicos. Com o surgimento de publicações e revistas que abrangem o formato, emergem-se discussões a respeito de sua adequação ou distanciamento dos requisitos preexistentes na escrita acadêmica. Deste modo, serão descritas as proposições de Van den Berg e Kiss (2016) sobre a funcionalidade dos ensaios audiovisuais enquanto instrumentos de pesquisa acadêmica.
Panóptico Invertido: democratizar o audiovisual pela narrativa de rede
Filippo Pitanga Goytacaz Cavalheiro (AIC)
Desde a pandemia global, as lives e dispositivos ligados à internet se tornaram a principal libertação de comunicação e de acesso e criação de narrativas nas redes – democratizando origens e destinos de olhares plurais no audiovisual. Propomos analisar como pode ser aplicado didaticamente no fazer fílmico, a inverter a opressão conceituada por Foucault em seu panóptico, a partir do projeto “Homemade” da Netflix, com diversos cineastas do mundo inteiro desafiados a filmar em suas próprias casas.
Inventar mundos: uma análise crítica do Programa Imagens em Movimento
Gisella Cardoso Franco (UFF)
O que o fazer cinema nas escolas públicas apontam sobre mundos inventados e desejados? A partir da pesquisa sobre o programa “Imagens em Movimento”, buscamos uma reflexão que contribua para o debate sobre cinema e educação. Novas subjetividades e possibilidades que surgem do movimento de realização desse projeto e desses filmes; evocando a experiência sensível do cinema em sua capacidade de ocupar e ressignificar espaços; a expressão da representatividade, da alteridade e da territorialidade.
POSSIBILIDADES FÍLMICAS DO CORPO COM DEFICIÊNCIA NO ESPAÇO ESCOLAR
Odair Rodrigues dos Santos Junior (Unespar)
Neste trabalho pretendo abordar as possibilidades fílmicas dos corpos com deficiência no espaço escolar. A partir das leituras de FREIRE (2016, 2019), KASTRUP (2001) e VIEIRA (2013) objetivo discutir a práxis pedagógica como professor-pesquisador-artista, a problematização do processo ensino/aprendizagem da arte e o corpo como elemento de formação do sujeito cognoscente. Os escritos de ALBUQUERQUE (2008) norteiam a representação dos corpos com deficiência no cinema, em particular o brasileiro.

PAINEL Dois pra lá, dois pra cá: cinemas que dançam – Coordenação: Camila Macedo

29/10 às 10h45
O conceito de realidade criativa nas obras da cineasta Maya Deren
Fernanda Ianoski Ferro (UNESPAR)
A pesquisa busca trazer o conceito de realidade criativa presente no pensamento da cineasta experimental Maya Deren. Para a análise de seus filmes e textos faço uso da Teoria de Cineastas, que pretende trazer o pensamento dos cineastas ao centro dos debates sobre cinema, e, como Deren apresenta um extenso material teórico sobre conceitos cinematográficos e seu próprio processo criativo – além de seus filmes – a Teoria de Cineastas faz-se pertinente nessa abordagem.
A Câmera-corpo e a Edição Coreográfica nas Videodanças de CI
Kamyla Matias (UFF)
A composição corpo, tempo e espaço para a tela gera ao longo da história do cinema e do audiovisual um fluxo interdisciplinar com a dança muito explorado, entre outros, pela cineasta ucraniana Maya Deren. Nos anos de 1940 e 1950, Deren inaugurou o chamado Choreocinema, junto com uma extensa produção teórica sobre o cinema experimental. Através da sua escrita vamos discutir a câmera-corpo e a edição coreográfica na produção de videodanças de Contato Improvisação (CI).
Intermidialidade na videodança: a singularidade inicial
Samuel Leandro de Almeida (UFOP)
Este trabalho é parte da pesquisa intitulada “intermidialidade entre corpo e vídeo: a criação poética e dramatúrgica na videodança”, em desenvolvimento no PPGAC/UFOP. Ele objetiva apresentar o contexto histórico no qual surgem as relações intermidiáticas entre corpo e câmera no cinema, acredita-se que tal relação contribuiu para a intermidialidade na videodança. Assim, propõe-se a reflexão a partir das características intermidiáticas identificadas no filme Intolerance (1916) de D.W. Griffith.

PAINEL Retratos e contratos do corpo: os porn-tratos fílmicos gozam – Coordenação: Érica Sarmet

29/10 às 10h45
Golden Shower no Carnaval: formas de olhar para um escândalo digital.
Fábio de Carvalho Penido (UFMG)
A partir da noção de Grab, como teorizado por Susanna Paasonen na lida com materias de pornografia online, o presente trabalho propõe um diálogo crítico entre as teorias do Dispostivo, como estruturas da espectatorialidade cinematográfica, e as dinâmicas visuais implicadas na experiência com as mídias digitais. Como objeto, a apresentação se debruçará sobre o escândalo do Golden Shower no Carnaval de 2019, que ocorre no contexto de uma esfera pública que se comunica por via das redes digitais.
Autenticidade e intimidade: categorias feministas no pornô Bed Party
Julia Dias Alimonda (UFF)
Esta comunicação tem como objetivo analisar a série de filmes pornográficos Bed Party (2014), dirigida por Shine Louise Houston, investigando que recursos são utilizados para se distanciar das produções mainstream e assim, ocupar o campo feminista. Os artifícios e efeitos de autenticidade são usados para legitimar e sustentar a produção, entendida como uma pornografia ética. O real é construído como estratégia estética, política e de mercado.
Orgasmos musicais e revolução cultural em América do Sexo
Francisco José Pereira da Costa Júnior (UFF)
América do Sexo, filme de 1969, foi censurado pela Ditadura Militar por longos anos e
depois de sua liberação não teve um lançamento oficial, permanecendo obscuro na cinematografia brasileira. Nosso trabalho pretende fazer uma revisão da sua trilha musical apontando aspectos culturais, sociais, políticos, ideológicos, organizados por vezes de forma intertextual e que corroboram com uma determinada faceta antropofágica do cinema moderno brasileiro.

CI Perspectivas metodológicas em estudos de cinema e audiovisual

29/10 às 10h45
A cinematografia brasileira híbrida: metodologias e constelações
Cristiane Moreira Ventura (IFG)
O texto consiste em demonstrar a eleição dos filmes que compõem o corpus da pesquisa, sua organização a partir da metodologia comparatista das constelações fílmicas e, como a fenomenologia de identificação cinematográfica orienta a constelação imaginada. Abordo ainda, como as entrevistas realizadas com cineastas, técnicos e atores-personagens auxiliam na identificação de elementos comuns nas estratégias de realização híbrida que é marcada por uma afetividade emancipatória.
Da Arqueologia das Mídias à Arqueologia dos Filmes
Marcio Telles da Silveira (FACASPER/UFPB)
O texto, parte da porção metodológica de uma pesquisa ainda em andamento, apresenta perspectivas materialistas e pós-hermenêuticas a partir da Arqueologia como uma possibilidade de pensar outros objetos para uma arqueologia dos filmes, descentrada das questões tecnológicas nas quais, até agora, esta perspectiva tem se baseado.
Teoria do cinema e métodos para pesquisa de vídeo nas redes sociais
Adil Giovanni Lepri (UFF)
Nesta comunicação pretende-se realizar uma reflexão teórico-metodológica que aponte para caminhos de investigação do vídeo nos Sites de Redes Sociais (SRS) como objeto a partir dos estudos do cinema. Propõe-se conjugar as ideias de “pesquisa de nível-médio” e de poética do cinema (BORDWELL, 2005; 2012), com o conceito de affordances (DAVIS & CHOUINARD, 2017) e técnicas de visualização de dados imagéticos massivos (MANOVICH, 2017).

CI Mulheres no cinema: entre fantasmas e ameaças, corpos que se rebelam

29/10 às 10h45
Corpos que ameaçam: as mulheres no filme O jardim das espumas (1970)
Carolina de Oliveira Silva (UNICAMP)
Este trabalho propõe uma análise das figuras femininas em O jardim das espumas (1970) de Luiz Rosemberg Filho, conjugando aspectos da história das mulheres no período da ditadura brasileira, seus desdobramentos estéticos no filme e como a utilização dos corpos de mulheres pode auxiliar em um entendimento do corpo como discurso. A hipótese é de que essas personagens podem ser inscritas em relações complexas de poder, refutando uma ideia dicotômica que passeia por termos de agência e vitimismo.
O fantástico no longa-metragem “Vida de Menina” de Helena Solberg
Juliana Soares Mendes (PPGCine/UFF)
Como o gênero audiovisual fantástico (englobando o fantasmático, a fantasia e o maravilhoso) gera representações para a transformação social? Respondemos a partir da análise do longa de Helena Solberg: “Vida de menina” (102 min, 2003) e de algumas obras de diretoras latino-americanas que iniciaram sua carreira em 1960 e 1970. Para isso, pontuamos, em seus filmes, elementos que rompem com a realidade: uma alma que se separa do corpo, metáforas de crucificação de mulheres e o riso de uma bruxa.
REBELDIA E EXPERIMENTAÇÃO: ANA ROMPENDO FRONTEIRAS LATINOAMERICANAS
Antonio Carlos Tunico Amancio da Silva (UFF)
Lucia Murat investiga em seu híbrido documentário Ana. Sem título, a trajetória de uma personagem negra e artista que circula por alguns países da conturbada América Latina nos anos 70. Em cada um deles, Ana é lembrada por várias ações, evidenciando seu caráter quase mitológico de mulher atuante face à repressão política, social, ao patriarcalismo e machismo. O filme traz um rico mosaico de obras e depoimentos que nos fazem reavaliar nosso sentido da História, suas omissões e deslocamentos.

CI Cinema e audiovisual queer: corpos desviantes e sensibilidades dissidentes

29/10 às 10h45
Mulher Trans* Tornada: o documentário como narrador do corpo desviante
Aline Rebouças Azevedo Soares (UFC)
Nessa pesquisa analiso narrativas biográficas de pessoas trans* no documentário brasileiro contemporâneo. Exploro o gênero como lugar de fala do sujeito com o estudo de três filmes em que há envolvimento de pessoas trans* nas produções. Penso ainda o documentário como “profanador de dispositivos”; o aspecto social do termo “enquadramento” e possíveis articulações com o uso desse termo no campo técnico do audiovisual. A metodologia articula análise fílmica e análise imanente do discurso.
Em busca dos espaços outros
Luiz Fernando Wlian (UNESP)
Imagens e sons podem nos conduzir a sentir e performar “novos mundos”. O trabalho busca observar esses “novos mundos” de um ponto de vista dissidente no audiovisual queer contemporâneo no Brasil. Por meio da análise dos curtas Negrum3 e Vando Vulgo Vedita, baseada nas ideias de pedagogias do desejo, heterotopia, afeto e estratégias sensíveis, buscamos observar como esse audiovisual tem numa “pedagogia dos espaços outros” uma possível estratégia comunicativa dissidente balizada pelo sensível.
A frescura de Oscarito em Aviso aos Navegantes (Watson Macedo, 1951)
JOCIMAR SOARES DIAS JUNIOR (UFF)
Este trabalho propõe uma releitura queer da chanchada Aviso aos Navegantes (1951), tendo como foco a trama do personagem Frederico, interpretado por Oscarito, e a figura do ator cômico enquanto “afeminado profissional”. Levando em conta a homossexualidade do diretor Watson Macedo, os números musicais protagonizados por Oscarito também são analisados como expressões de uma possível sensibilidade “bicha” do cineasta (a qual denominamos “frescura”) e como metáforas da experiência do “armário”.

CI Cinema indígena, cosmopolíticas e xamanismo

29/10 às 10h45
As imagens nunca morrem: cinema Kaiowá e cosmopolítica no MS
Iulik Lomba de Farias (PPGCINE/UFF)
Este trabalho apresenta a pesquisa de doutoramento recém-iniciada por mim no PPGCINE da UFF, que visa analisar a filmografia Kaiowá da ASCURI (Associação Cultural de Realizadores Indígenas de MS), a fim de investigar as relações cosmopolíticas entre as imagens cinematográficas e certa ecologia de práticas xamânicas, que forneceriam um mosaico multinaturalista da experiência pragmática das imagens e sua relacionalidade com alteridades cosmológicas, visto sob as lentes do perspectivismo ameríndio.
Cantar para curar a terra
Cristiane da Silveira Lima (UFSB)
Propomos algumas reflexões a partir do documentário Urihi Haromatimapë (2014), que reúne imagens e sons de dois grandes rituais de cura da terra, realizado ao longo de 2011 e 2012, reunindo xamãs de diversas aldeias yanomami, em Roraima, a convite de Davi Kopenawa. A análise do filme, cotejada com fragmentos do livro A queda do Céu (2015), buscará demonstrar a inegável sabedoria dos povos originários no enfrentamento de doenças e males trazidos pelos não-indígenas para os povos da floresta.
Luta e sonho yanomami. Davi Kopenawa em 6 documentários brasileiros
Gustavo Soranz (Ceuni Fametro)
Apresentaremos uma leitura de seis documentários brasileiros em que o líder e xamã Davi Kopenawa aparece com destaque, buscando identificar como a dimensão política e a dimensão cosmológica dos yanomami são representadas no cinema em paralelo aos eventos históricos enfrentados por seu povo.

SPC Figurações e fulgurações lésbicas no cinema

29/10 às 14h30
Figurações e fulgurações lésbicas no cinema
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Aproveitando-se da riqueza semântica das expressões figuração (produzir uma figura, desempenho de papel pouco importante) e fulguração (clarão súbito, manifestação de uma ideia, ferida provocada por eletricidade), esta mesa propõe trabalhos que exploram o des/aparecimento da lésbica no cinema e as potências e vibrações que provocam. Exploramos políticas do desejo lésbico e mobilizamos perspectivas teóricas que permitam escapar às limitações do policiamento da imagem e da imaginação.
Figurações e fulgurações lésbicas no cinema
Alessandra Soares Brandão (UFSC)
Aproveitando-se da riqueza semântica das expressões figuração (produzir uma figura, desempenho de papel pouco importante) e fulguração (clarão súbito, manifestação de uma ideia, ferida provocada por eletricidade), esta mesa propõe trabalhos que exploram o des/aparecimento da lésbica no cinema e as potências e vibrações que provocam. Exploramos políticas do desejo lésbico e mobilizamos perspectivas teóricas que permitam escapar às limitações do policiamento da imagem e da imaginação.
Figurações e fulgurações lésbicas no cinema
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL)
Aproveitando-se da riqueza semântica das expressões figuração (produzir uma figura, desempenho de papel pouco importante) e fulguração (clarão súbito, manifestação de uma ideia, ferida provocada por eletricidade), esta mesa propõe trabalhos que exploram o des/aparecimento da lésbica no cinema e as potências e vibrações que provocam. Exploramos políticas do desejo lésbico e mobilizamos perspectivas teóricas que permitam escapar às limitações do policiamento da imagem e da imaginação.

CI Corpo, presença e temporalidade: abordagens comparatistas

29/10 às 14h30
A imagem entre os corpos: do outro filmado ao corpo do espectador
João Vitor Resende Leal (Unicamp)
Este trabalho propõe uma reflexão teórica sobre o corpo no meio audiovisual a partir do conceito de presença. Argumentaremos que, se a conversão em imagem atenua o impacto sensível e imediato do corpo, o corpo-imagem resultante engendra outras formas de presença. Em diálogo com os campos da literatura, da performance e da arte digital, abordaremos essa paradoxal “presença mediada” com que o corpo-imagem interpela o corpo do próprio espectador.
A somatização da subjetividade no cinema clássico e contemporâneo
Isadora Meneses Rodrigues (UFPE)
No cinema contemporâneo mainstream, as narrativas psicológicas têm adotado uma economia figurativa que faz do cérebro o órgão que engendra a mente e define a pessoalidade. Tendo em vista que esse modo de visibilidade do corpo aparece em meio a crescente somatização da subjetividade, este trabalho pretende investigar as condições de emergência desse cinema cerebral por meio de uma análise comparativa dos filmes La Glace à Trois Faces (1928, Jean Epstein) e Possessor (2020, Brandon Cronenberg).
O tempo vaza: a mancha em Inverno de sangue em Veneza
Wellington Gilmar Sari (UNESPAR)
A partir do conceito de mancha, proposto por Didi-Huberman (2015), a comunicação investiga os segmentos de Inverno de sangue em Veneza (Don’t look now, 1973).
Por meio de questões levantadas pelo filme, refletimos sobre de que maneira a mancha se configura não só como aspecto que concerne ao visível, mas como, também, um elemento temporal. Se a mancha, na pintura, transborda imagem, no cinema poderia, também, transbordar tempo, no sentido de a cronologia ser inundada por espécie de tempo visual

CI Cinema e Educação: viagens entre e para dentro das imagens e sons e novos rumos epistemológicos

29/10 às 14h30
Metalinguagem: proposta para uma abordagem na educação audiovisual.
Ricardo Jose de Barros Cavalcanti (ESPM Rio)
Essa pesquisa se interessa por filmes, em especial brasileiros, que trabalham com metalinguagem e a utilização destes para uma pedagogia do audiovisual. Este trabalho pretende relatar a experiência do uso dos filmes Saneamento Básico, 2002, e O Sanduíche, 2000, de Jorge Furtado e propor uma trilha para utilização destes como ferramenta de ensino-aprendizagem aplicada à iniciação nos conceitos básicos nos campos da linguagem e da produção audiovisual.
O giro colonial no Cinema e no Audiovisual rumo à Educação
Eliany Salvatierra Machado (UFF)
Ao pensar o papel social da universidade pública a partir do giro colonial, ampliamos o debate para o campo do cinema, audiovisual e educação. A pergunta que surge é: como descolonizar o olhar no cinema e no audiovisual do ponto de vista de quem produz e de quem vê a imagem rumo à educação descolonizadora? O presente texto pretende realizar um diálogo interepistêmico com os vários saberes, imagens e visualidades produzidas por movimentos, grupos e culturas subalternas.
Vídeo Cartas: imagens e sons que viajam entre o Brasil e o Uruguai
Solange Straube Stecz (UNESPAR)
Apresenta a produção de vídeo-cartas dentro do projeto de cooperação “Educação audiovisual na formação de professores: uma área de inovação educativa”,acordo de cooperação internacional Uruguai/Brasil. Realizadas em seis escolas do Uruguai, Niterói e Curitiba.Parte da ideia de que o audiovisual na educação, é peça-chave para a expressão dos sujeitos e de atender a demanda crescente de crianças e adolescentes pela produção audiovisual.

Co – autora – María Gladys Marquisio Cilintano


CI Cinema em resistência: lutas indígenas

29/10 às 14h30
Cidade Invisível: novos rumos em busca de representatividade indígena
Ana Paula Bragaglia (UFF)
Em 2021 foi lançada na Netflix, a série brasileira Cidade Invisível, que alcançou amplo sucesso em cerca de 40 países. Personagens como o Homem-Boto; Iara; Curupira; Saci-Pererê; Tutu-Marambá aparecem na trama, sem destaque para a sua origem indígena. Busca-se aqui estudar como se dá o regime de (in)visibilidade de povos originários nesta produção, levantar implicações éticas deste formato e sinalizar novos rumos em busca de uma efetiva representatividade indígena no cinema.
Povos indígenas isolados e sua imagem no documentário nacional.
Janaina Welle (Unicamp)
A presente comunicação visa suscitar a mesa uma reflexão sobre o lugar das imagens dos indígenas isolados na cinematografia documental nacional e o papel do cineasta em seu exercício dentro deste contexto.
Coletivo Audiovisual Munduruku nas redes de resistência e autonomia
Camila Dutervil (Unespar)
A presente comunicação trata da gênese do coletivo audiovisual Munduruku e da atuação das mulheres realizadoras indígenas na luta por autodeterminação e direito à terra e na defesa da floresta amazônica. O trabalho se aprofunda na análise de suas redes de resistência – onde o audiovisual se revela como um importante instrumento de afirmação da autonomia ameríndia – e no percurso que levou suas vozes e imagens a ocuparem espaços políticos e culturais hegemônicos no Brasil e no mundo.

CI Cor e mise-en-scène: percepção em perspectiva

29/10 às 14h30
ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA COR NA FOTOGRAFIA CINEMATOGRÁFICA
TIAGO MENDES ALVAREZ (UFPR)
Dentre os diversos caminhos possibilitados pela cinematografia de uma obra audiovisual, a cor pode se tornar um elemento para além do espaço diegético. Este artigo propõe ampliar o espectro de análise da fotografia cinematográfica, buscando uma relação mais aprofundada dos estudos perceptivos, especificamente no que se refere aos aspectos fisiológicos da percepção cromática, evidenciando as intrínsecas relações entre direção, direção de fotografia e direção de arte.
A mise-en-scène perspectica: de Bazin a Tarkovski
David Thyago Luiz Silva (UFPE)
Este trabalho pretende explorar o método de construção de mise-en-scène no cinema do diretor russo Andrei Tarkovski. Em princípio, por um ontologia da imagem, como definiu André Bazin, que está presente nas obras aqui estudadas. E por uma abordagem dos antigos ícones bizantinos e da perspectiva inversa, que muito influenciou a formação intelectual e espiritual do cineasta.

PAINEL “Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje”: cinema e tempo espiralar – Coordenação: Natália Lopes Wanderley

29/10 às 14h30
Diálogos trágicos em Dias de Nietzsche em Turim (2001)
Thaís Teixeira Folgosi (USP)
A comunicação centra-se na abordagem das inserções, na pista sonora do filme Dias de Nietzsche em Turim (2001, Júlio Bressane), de diálogos provenientes de Édipo Rei (1967, Pier Paolo Pasolini) e de Otelo (1952, Orson Welles), examinando o diálogo cinematográfico que se estabelece a partir do som e, com base no pensamento nietzscheano, conjectura-se a presença de tais tragédias às quais os filmes apropriados se referem como sinal da tragédia que se avizinha ao filósofo em sua passagem por Turim
Filmar os quilombos, ontem e hoje: rememoração em Aruanda e Nove Águas
Alessandra Pereira Brito (UFMG)
Este trabalho se debruça sobre as imagens feitas nos contextos das lutas e dos territórios quilombolas para observar os procedimentos de rememoração articulados nos filmes de ontem e de hoje. Para tanto, identificamos por meio da análise fílmica os procedimentos de mise-en-scène e os recursos expressivos empregados no filme Aruanda (Linduarte Noronha, 1960) e Nove Águas (Gabriel Martins e Quilombo dos Marques, 2019) para compreender como se dá o gesto rememorativo em cada momento histórico.
Um Rasgo na Imagem: A constelação Macunaíma
Fabio Rodrigues da Silva Filho (UFMG)
Através de uma constelação fílmica movida por Grande Otelo, assumido esse ator como força motriz para leitura dos filmes, analisam-se “Macunaíma” (Joaquim Pedro de Andrade, 1969) e “Exu-Piá, coração de Macunaíma (Paulo Veríssimo, 1983), duas transfigurações do livro modernista Macunaíma – O herói sem nenhum caráter (1928), de Mário de Andrade. Pretende-se demonstrar a partir desse cotejo das obras a emergência de um rasgo no tecido narrativo e no papel (personagem/função) precipitado por Otelo.

PAINEL Autores de vanguarda do cinema francófono: atritos e encontros – Coordenação: Eduardo Valente

29/10 às 14h30
“Eu, um negro” e “Acossado”: uma análise comparativa
Maurício Miotti (FCLAr/UNESP)
Este trabalho busca apontar aproximações e diálogos entre o cinema produzido por Jean Rouch, um antropólogo-cineasta, e as obras desenvolvidas por Jean-Luc Godard durante o período da Nouvelle Vague, analisando comparativamente Eu, um negro (1958) e Acossado (1960), filmes que acabariam por gerar uma revolução nos modos de se fazer cinema; um partindo de filmes etnográficos realizados na África, e o outro de filmes de cinéfilos, realizados na França.
VANGUARDA REALISTA: PRIMEIRAS DIVERGÊNCIAS DA CAHIERS DU CINÈMA
Gabriel Linhares Falcão (UFF)
Na edição nº 10 da revista Cahiers du Cinèma, foi apresentado um pequeno dossiê intitulado “Opinions sur l’avant-garde”. O termo vanguarda foi colidido, limitada e prolificamente, com a teoria realista que vinha sendo elaborada pelos franceses naquele momento. Analisaremos textos das primeiras edições escritos por realizadores experimentais e vanguardistas e apontar paradoxos, interesses e limitações que contribuíam de alguma forma para consolidação de uma sonhada “vanguarda realista”.
Os filmes didáticos de Éric Rohmer: rascunhos do porvir
Giovanni Alencar Comodo (UNESPAR)
Situada no âmbito da Teoria de Cineastas, esta pesquisa aborda os filmes realizados para a televisão educativa nos anos 1960 por Éric Rohmer e os compara com o seu ciclo dos “Contos das Quatro Estações” (anos 1990). Seus filmes televisivos podem ser vistos como rascunhos e pontos iniciais do seu trabalho posterior, dentro da perspectiva proposta ao comparar temas, meios e procedimentos os quais buscam revelar uma progressão e adensamento da poética do cineasta.

PAINEL O que se aproxima na distância: remontar cinemas em ensinos remotos – Coordenação: Alvaro Renan

29/10 às 14h30
Ensino remoto emergencial: uma experiência promissora no IFB
Roberval de Jesus Leone dos Santos (UFBA)
Este painel discute algumas soluções de contorno adotadas a respeito do ensino técnico no audiovisual, a partir da experiência encontrada no Instituto Federal de Brasília, diante do estado pandêmico germinado, no Brasil, com a ascensão de Jair Bolsonaro, e agravado sob seu Governo, no âmbito da severa restrição orçamentária e financeira pela qual passam as instituições federais de ensino superior.
O cinema no ensino de artes remoto na Educação Básica
Luciano Dantas Bugarin (UFF)
Em meio a pandemia da COVID-19, o cinema surge como uma adequada e efetiva prática artística para o ensino de artes remoto. Levando em consideração a falta de recursos dos alunos e o uso de smartphones como plataforma de ensino, a prática audiovisual apresenta-se como fundamental na busca por processos educativos que possibilitem reflexões a partir das percepções dos alunos em meio a pandemia. A prática audiovisual de forma remota estimula a vivência do aluno como parte de seu aprendizado.
Tutoria de “Documentários contemporâneos’: imagens em liberdade
Fátima Luiza da Silva Santos (UFF)
Este trabalho com teor ensaístico apresenta os encontros de Tutoria de “Documentários contemporâneos” da Licenciatura em Cinema e Audiovisual da UFF como uma proposta de transgressão dos limites das imagens impostas por um cânone excludente. A discussão circula ao redor das bases teóricas, da práxis pedagógica e das implicações práticas dos debates estendidos a uma disciplina obrigatória de documentário. Em um momento de ensino remoto os desafios das imagens se tornam ainda mais pertinentes.

CI Mulheres no cinema brasileiro: entre estereótipos e atuações de resistência

29/10 às 14h30
O Estereótipo da cigana femme fatale no cinema brasileiro (1908-1989)
Mariana Sabino-Salazar (UT Austin)
Neste trabalho apresento a genealogia do estereótipo da cigana no cinema brasileiro entre 1908 e 1990. Primeiro, comparo o estereótipo com arquétipos na literatura europeia (Miguel de Cervantes, Prosper Merimée, Júlio Dantas, Victor Hugo). Depois, analiso a representação da cigana nas narrativas audiovisuais focando-me em questões de raça, gênero e nacionalismo. Trabalho com um corpus de 20 filmes que abrangem da comédia ao pornô.
Pode a subalterna cantar? A empregada doméstica nas chanchadas
Daniel Augusto de Matos Assunção (UFMG)
O universo ficcional das chanchadas é povoado por sujeitos subalternizados (SPIVAK, 2010, CATANI; AFONSO, 1983). A empregada doméstica é uma dessas personagens. Para o presente trabalho escolhemos três filmes da filmografia de Dercy Gonçalves, reconhecida por interpretar inúmeras empregadas domésticas. Partindo destes filmes este trabalho pretende compreender quais são as imagens que as chanchadas brasileiras produziram das empregadas domésticas.
As encenações das atrizes em Limite (Mario Peixoto, 1931)
Ana Daniela de Souza Gillone (ECA-USP)
O caráter ensaístico do filme Limite se constrói não apenas pela forma da montagem, mas nas próprias atuações de Carmen Santos, Olga Breno e Taciana Reis. O enfoque é sobre as encenações das atrizes, – a partir da forma como são construídas, considerando a perspectiva da mise-en-scène pensada pelo diretor, e a própria gestualidade delas – questionadas em uma perspectiva crítica às suas condições simbólicas de resistência ao discurso conservador e patriarcal.
TOTAL: 191 SESSÕES