Programação completa de trabalhos 2019

 
 

8/10


Palestra de abertura

8/10 às 19h00 – Teatro Unisinos

 
 

9/10


ST Cinema Negro africano e diaspórico – Narrativas e representações – Sessão 1

9/10 às 9h30 – Sala 615
Por uma estética opositiva: cinema negro e o conceito de Blackness
Janaína Oliveira (IFRJ)
Historicamente as definições sobre o que é cinema negro não são uníssonas. No centro das discussões está o conceito de Blackness, traduzido por vezes por negritude ou experiência negra. O presente trabalho é continuação de pesquisa que se propõe a ir além das análises contextuais que tradicionalmente abordam o tema e refletir sobre as cinematografias negras em um diálogo interno com as manifestações culturais negras e a afirmação de uma estética própria e opositiva.
Cinema negro brasileiro hoje e a insistência do “acordo transparente”
Juliano Gomes (UFRJ)
O objetivo aqui é descrever uma tendência histórica deste campo que tende a ver as imagens não como produção de imaginário mas como “espelho da realidade” da vida social negra. A esta tendência dou o nome de “acordo transparente”. Após sugerir as bases deste “acordo”, analisarei exemplos que corroboram com esta tendência. Em seguida, o trabalho apresenta sugestões de abordagem que enfatizem a dimensão artística, portanto especulativa, desta produção, realçando seu potencial político-imaginativo.
Negruras e suas encruzilhadas no cinema negro contemporâneo
tatiana a c costa (UNA)Breno Henrique de Almeida Rocha (UFMG)
Este trabalho apresenta um levantamento realizado a partir dos 185 curtas dirigidos por pessoas negras e inscritos ou convidados para seleção na edição de 2019 da Mostra de Cinema de Tiradentes. O levantamento foi feito com dados gerados pela organização e curadoria e na categorização em temáticas e estratégias percebidas nos filmes. O resultado revela algumas tendências de representação das negruras que dialogam com demandas histórias e apontam caminhos no cinema brasileiro contemporâneo.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Sessão 1: Subjetividades mexicanas

9/10 às 9h30 – Sala 616
Mulheres em Narcos México e El Chapo (3ª temporada)
Marina Soler Jorge (Unifesp)
Este trabalho procura analisar as representações femininas em Narcos México e na terceira temporada de El Chapo, séries co-produzidas pela Netflix que tematizam o narcotráfico na América Latina. As temporadas escolhidas para a análise diferem consideravelmente das temporadas anteriores das duas séries, não apenas pela mudança histórica e geográfica de Narcos México, mas porque, sobretudo em El Chapo, personagens femininos passam a ter maior importância narrativa.
Mãos à obra: o trabalhador mexicano nos EUA em dois filmes
Maurício de Bragança (UFF)
Através de uma análise comparada entre Espaldas mojadas, dirigido por Alejandro Galindo (México, 1955) e O sal da Terra, dirigido por Herbert J. Biberman (EUA, 1954), pretendemos apontar duas perspectivas políticas a respeito da representação do trabalho mexicano nos Estados Unidos. Produzidos na mesma época, quando estava vigente o Programa Braceros (1942 – 1964), os filmes apresentam diferentes perspectivas sobre o tema.
A comédia mexicana no cinema de Luís Buñuel
YANET AGUILERA VIRUEZ FRANKLIN DE MATOS (Unifesp)
Em Simón del desierto (1965), o embate performático e discursivo dos atores Silvia Pinal e Claudio Brook, muito engraçado, insere a ironia surrealista numa comédia debochada. De modo que se pode sustentar que o filme é o resultado de um diálogo importante do cinema de Luís Buñuel com a comédia mexicana. Esta aliança vai abrir caminhos novos para entender a comédia da América Latina e perceber a característica específica do riso e seus desdobramentos políticos provocados por ela.

ST Cinema brasileiro contemporâneo: política, estética, invenção – Sessão 1

9/10 às 9h30 – Sala 804
Por um cinema opositivo
Carla Maia (UNA)
A partir da análise comparada dos filmes Noir Blue: deslocamentos de uma dança (Ana Pi, 2018), Maré (Amaranta Cesar, 2018) e A rainha Nzinga chegou (Isabel Casimiro, Junia Torres, 2018), propomos pensar modos de representação e estratégias de criação da mulher negra no cinema brasileiro, numa perspectiva amparada no feminismo interseccional. Inspiradas por hooks, elaboramos um pensamento sobre um “cinema opositivo”, em que o olhar da mulher negra pode agenciar formas de resistência.
Duplo gesto: o corpo na redistribuição da violência colonial
Leon Orlanno Lôbo Sampaio (UFPE)
Partindo da obra de Jota Mombaça ,”Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência!” (2017), a comunicação pretende analisar um duplo gesto que constitui três curtas-metragens de realizadoras negras, Kbela (2015), de Yasmin Thayná, Experimentando o vermelho em dilúvio II (2017), de Michele Matiuzzi, e Travessia (2017), de Safira Moreira. Esse duplo gesto busca, sobretudo, figurar uma nova representação e existência negra.
PERFORMATIVIDADE POLÍTICA NO CINEMA DE MULHERES TRABALHADORAS
Juslaine de Fátima Abreu Nogueira (Unespar)Laís Melo Dlugosz (Unespar)
Este trabalho debruça-se sobre a produção fílmica de jovens realizadoras curta-metragistas brasileiras, em suas existências corporificadas na classe trabalhadora, interseccionadas pelas relações de raça/gênero. Para tanto, vitalizamos o conceito da performatividade política em Judith Butler, a fim de problematizarmos as escolhas que estas cineastas fazem para representar as vidas precárias, as marcas de inteligilidade de seus corpos e suas possibilidades de subversão e resistência.

ST Teorias e análises da direção de fotografia – Sessão 1

9/10 às 9h30 – Sala 805
O realismo cinematográfico no contexto do digital: Tensões e conflitos
Alexandre Gomes do Nascimento (ECA/USP)
O digital é capaz de aumentar o realismo das obras audiovisuais? De um lado, os defensores da tecnologia acreditam que os aperfeiçoamentos técnicos aproximam, cada vez mais, a experiência cinematográfica do real. Porém, pela semiótica de Charles Sanders Peirce, pode-se inferir que a codificação digital afasta o signo imagético da essência realista. Através da cinematografia de Emmanuel Lubezki em “O Regresso”, pretendemos explorar as tensões, conflitos e contradições acerca do referido tema.
Câmeras de vigilância e um novo regime de visualidades
Paulo Souza dos Santos Junior (UFPE)
O presente estudo se propõe a investigar a câmera de vigilância como dispositivo fotográfico. Buscamos lançar olhar sobre uma nova forma de experimentar a relação com a imagem, mediada pelas particularidades que a cinematografia de vigilância oferece. Estilo visual e rupturas narrativas serão discutidos a partir da presença desse dispositivo fotográfico. Analisaremos a presença dos dispositivos em duas obras onde a vigilância surge de forma bastante distinta, Caché e Atividade Paranormal 2.

animação e efeitos visuais: questões de teoria e prática

9/10 às 9h30 – Sala 601
Efeitos visuais e animação: uma relação de aproximações e afastamentos
Roberto Tietzmann (PUCRS)
Imagens técnicas são a base do cinema e audiovisual e, desde seu príncipio, têm uma duplicidade funcional entre registrar o movimento que já existe ou produzir sob demanda. Menos estudados, animações e efeitos visuais partem da mesma necessidade: representar aquilo que a câmera não consegue captar sozinha. Esta comunicação problematiza a relação de aproximação e afastamento entre animação e efeitos visuais questionando técnicas, usos e verossimilhança da imagem em diferentes momentos.
Animação e memória: as subjetividades políticas no filme “Torre”
Jennifer Jane Serra (CAV/USP)
Este trabalho apresenta uma análise da relação entre animação e memória no curta-metragem brasileiro “Torre” (Nádia Mangoline, 2017). Neste filme, a animação é usada para representar as lembranças traumáticas dos filhos de Ilda Martins e Virgílio Gomes da Silva, militantes políticos durante a ditadura brasileira. Partindo dessa análise, examinaremos também como o recurso à animação como meio de visualizar o passado pode estar associado à valorização da subjetividade no cinema contemporâneo.
Arqueologia na produção das imagens de três longas-metragens animados
Carla Schneider (UFPel)
Fundamentando-se em conceitos desenvolvidos por Vilém Flusser (caixa preta, aparelho, imagens técnicas), Lev Manovich (animação como lógica processual do cinema), Lucia Santaella (paradigmas evolutivos da imagem) e Richard Sennett (o dilema entre o artífice-artesão e as máquinas) esta pesquisa apresenta dados de três longas-metragens brasileiros realizados entre 1990 e 2013 (Otto Desenhos Animados) que derivam de modos de produção que alteram o estatuto das imagens do cinema de animação.

enunciação e temporalidade no documentário moderno e contemporâneo

9/10 às 9h30 – Sala 602
Enunciação personalizada, focalização local e ramificações históricas
Henri Arraes de Alencar Gervaiseau (USP)
A partir da discussão de obras de Jonas Mekas, Carmem Castillo, Georges Perec e Robert Bober diversamente relacionados à experiência do exílio, irei discutir diferenciações nos modos enunciativos e de construção narrativa em documentários em primeira pessoa. Particular atenção será dada, neste quadro, a problematização da busca da articulação entre enunciação personalizada, focalização local e ramificações históricas de relatos de experiências envolvendo trajetórias existenciais.
Temporalidades narrativas: o presente autobiográfico
Gabriel Kitofi Tonelo (ECA-USP)
Esta apresentação abordará a noção de um “presente documentário autobiográfico” a partir de três pontos principais: a) a cotidianidade como matéria-prima do conhecimento fílmico autobiográfico; b) a cronologia como estrutura de referência e de apoio da fruição do presente fenomenal da experiência vivida; c) a “autobiografia como interação” como possibilidade de emergência de laços afetivos entre cineasta e pessoas próximas de si no espaço-tempo delimitado pela circunstância da tomada.
Melancolia, memória e autobiografia : em torno de Lehman e Farocki
Marcius Freire (Unicamp)
Harum Farocki dizia que “O cinema é um belo objeto de perda”; “A foto é parte morta do ser”, afirma Boris Lehman. Contemporâneos, ambos os cineastas se serviram de fotografias para construir alguns de seus filmes. O primeiro recuperava clichés e filmes de arquivo para exumar momentos pregnantes da história; o segundo tomou a si mesmo como tema e vem construindo uma obra que é ao mesmo tempo o registro de sua própria vida. Verificaremos como o vetor da melancolia perpassa os dois autores.

desafios políticos e metodológicos da preservação audiovisual

9/10 às 9h30 – Sala 809
Desafios para a permanência da Preservação Audiovisual no Brasil
Carlos Roberto de Souza (UFSCar)
A comunicação fará uma periodização da atividade de Preservação audiovisual no Brasil levantando as características e os desafios de cada fase. Da década de 1930 a meados da década de 1970: o surgimento dos movimentos de cultura cinematográfica e a criação dos primeiros organismos voltados à preservação. A segunda fase, até o final da primeira década do século XXI, caracterizada como de Expansão e consolidação da área. A fase atual, marcada pela crise que atinge a área de cultura e educação.
Um crioulo em três versões: método e desdobramentos para a memória
Daniela Giovana Siqueira (Sem vínculo)
Esta proposta se dedica ao estudo da obra Crioulo Doido (1970), de Carlos Alberto Prates Correia buscando apresentar um ponto de vista metodológico sobre o fato de existirem três versões da mesma obra. A reflexão também se propõe trabalhar as implicações desse fato sobre o campo da memória.
Restauração audiovisual hoje: estado da arte ou adequação ao mercado?
Débora Lúcia Vieira Butruce (USP)
O campo da restauração audiovisual foi enormemente impactado pela incorporação da tecnologia digital, que possibilitou intervenções inimagináveis até então. Atualmente, as ferramentas digitais se tornaram imprescindíveis para o exercício da atividade. Passado o período de euforia inicial, quais as implicações éticas e estéticas do uso (e abuso) de determinados procedimentos no contexto atual? Chegamos ao “estado da arte” ou estamos simplesmente nos adequando a uma visualidade contemporânea?

ficção televisiva brasileira: narrativa, estilo e crítica

9/10 às 9h30 – Sala 603
Nuances poéticas na ficção televisiva infantojuvenil
João Paulo Lopes de Meira Hergesel (Uniso)
Ao observarmos a produção televisiva para crianças e adolescentes, indagamos: de que maneira as nuances poéticas são manifestadas pelo audiovisual? Com o objetivo de compreender como certos elementos da poesia são despertados durante a criação de uma obra de ficção seriada, analisamos um recorte da telenovela As Aventuras de Poliana (SBT). Realizamos, para isso, uma análise narrativa e estilística, ancorada em David Bordwell e Jeremy G. Butler, entre outros autores.
A questão síria na ficção seriada e no documentário jornalístico
José Augusto Mendes Lobato (USJT)
Este trabalho discute a representação da crise humanitária síria na cultura audiovisual brasileira, com foco em dois eixos de produção: o jornalístico, na forma do documentário em vídeo, e o de ficção seriada, por meio da telenovela. Ancorados nos estudos culturais e pós-coloniais, bem como em conceitos da semiótica sensível, propomos o exame de duas produções a fim de examinar suas estratégias de narração dos conflitos e da transgressão material e simbólica de fronteiras na contemporaneidade.
Telenovela: do espelho ao retrato, do reflexo à memória
Álvaro André Zeini Cruz (SENAC)
Este trabalho parte do conhecimento de que a telenovela realiza a construção de uma identidade nacional para, a partir disso, refleti-la enquanto memória. Emprestando a divisão de Motter (2000) entre memória documental e memória coletiva, propomos um desdobramento que reflete sobre as zonas de transição dessa dicotomia, apontando títulos conhecidos em que essa memória, predominantemente afetiva, se assenta sobre questões narrativas, estilísticas, temáticas, contextuais ou para-textuais.

ST Cinema e Educação – Sessão 1

9/10 às 9h30 – Sala 806
A preservação do cinema: a CINEMATECA, a ESCOLA e a UNIVERSIDADE
Adriana Mabel Fresquet (CINEAD/FE/UFRJ)
Imagine uma cinemateca que atualiza a preservação do seu acervo fazendo 5 cópias em 4k de cada fotograma dos seus filmes. Imagine agora um governo que recebe de mãos de cineastas e preservadores um Plano Nacional de Preservação Audiovisual e não da nenhum tipo de retorno durante quatro anos. Que países são esses? Que políticas públicas fazem isso possível? Como fazer para que o património audiovisual nacional preservado circule pelo país começando pelas escolas públicas? Um estudo México-Brasil
Experiência e memória cinematográficas na partilha de uma curadoria
Ana Paula Nunes (UFRB)
Sob a perspectiva da pesquisa e extensão universitária, a interface cinema e educação atua como importante mobilizador de uma atuação ética frente aos desafios de uma reconquista do espaço público e da histórica dificuldade de preservação da memória, que enfrentamos também no campo cinematográfico. Neste sentido, esta comunicação visa refletir sobre a experiência do Programa de Educação Tutorial – PET Cinema UFRB: pesquisa e curadoria; Mostra de Cinema Infantojuvenil de Cachoeira – ManduCA.
Exibir cinema brasileiro na universidade: uma devolução?
Cíntia Langie Araujo (UFPel)
O objetivo do texto é pensar a universidade enquanto dispositivo para fazer circular – e restituir de algum modo para a comunidade – os filmes brasileiros aos quais o público normalmente não tem acesso, com aprofundamento conceitual na noção de devolução (DIDI-HUBERMAN, 2015). A trama de pensamento envolve um estudo de caso, o Cine Arte UFF, sala universitária de cinema, cuja curadoria prioriza filmes de relevância artística, resguardando espaço considerável à produção brasileira contemporânea.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 1 – Histórias de circuitos e estratégias de exibição

9/10 às 9h30 – Sala 807
Mais popular que o “popular”: PelMex, Cine Azteca, circuito periférico
João Luiz Vieira (UFF)
O que pode significar um “simples” anúncio semanal de lançamento cinematográfico, presente na imprensa desde o início do cinema e durante quase todo o século XX? As respostas estariam em análises detalhadas de como os anúncios publicitários dos lançamentos semanais, ajudando-nos a pensar e ampliar questões a respeito de como um “público popular” foi adquirindo determinado capital cultural enquanto conjunto de conhecimentos e habilidades que lhe permitiu apreciar o o que era oferecido.
“Bravo, Sr. Baez!”: o Brasil em The United Artists Around the World
PEDRO BUTCHER (ESPM-RJ)
O objetivo dessa apresentação é analisar a revista The United Artists Around the World, publicação interna criada em 1932 para ser distribuída nas filiais da United Artists ao redor do mundo. O foco será nas notas que destacam as ações publicitárias realizadas no Brasil, sob o comando do gerente Enrique Baez. Essas ações refletem a importância dada à publicidade pelas companhias de cinema americanas em atividade no país – sobretudo as ações que extrapolavam a propaganda convencional.
O circuito exibidor de Inconfidência Mineira (1948) no Rio de Janeiro
Lívia Maria Gonçalves Cabrera (UFF)
A comunicação partirá do lançamento do filme Inconfidência Mineira, de Carmen Santos, em 22 de abril de 1948, para investigar o circuito escolhido pela realizadora para exibir sua tão aguardada obra histórica: as salas de cinema do Circuito Vital Ramos de Castro na cidade do Rio de Janeiro nos anos 1940. O trabalho também analisará as relações de poder entre os grandes nomes do comércio cinematográfico no período e como esses conflitos impactaram na recepção da obra.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 1 – Do parafílmico ao fílmico

9/10 às 9h30 – Sala 808
As potencialidades dos paratextos para a Teoria dos Cineastas
Patricia de Oliveira Iuva (UFSC)
A proposta deste trabalho discute a potencialidade dos paratextos, especificamente os making of documentaries (MDoc), partindo de uma articulação do pensamento do gênio do sistema de Bazin, com o tensionamento da originalidade na criação artística de Bakhtin e a função-autor proposta por Foucault; com intuito de contribuir com possíveis desdobramentos para a Teoria dos Cineastas no que diz respeito a dois aspectos: a natureza do fazer cinematográfico e a reposicionamentos da noção de autoria.
Ouvir o(a) autor(a): a entrevista ao vivo na Teoria dos Cineastas
Marcelo Carvalho da Silva (UTP)
Esta proposta tem como objetivo investigar algumas questões acerca da prática da entrevista ao vivo no âmbito da Teoria dos Cineastas, prioritariamente quanto aos processos de subjetivação envolvidos, às performances do desafiador (o entrevistador) e do desafiado (o entrevistado) e à composição a posteriori de um pensamento do cineasta sobre sua própria obra. A comunicação se insere no esforço de pensar o papel do pesquisador na Teoria dos Cineastas.
Harun Farocki entre a estética dos games e a experiência do cinema
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Em Parallel (2014), Harun Farocki explora os aspectos visuais das novas tecnologias e as condições de representação e perspectiva da imagem digital e convida o espectador a seguir um processo de análise comparativa com foco especulativo entre as imagens dos games e do cinema. Este trabalho pretende examinar o método analítico e arqueológico de Farocki, buscando discutir as relações teóricas apontadas pelo cineasta entre a estética dos games e a experiência estética do cinema.

montagem permitida: Eisenstein e intermidialidade no cinema brasileiro

9/10 às 9h30 – Sala 604
Entre Cinema e Videoclipe, Montagem de Atrações e Conflitos
Samuel Paiva (UFSCar)
“Políticas de impureza” (Nagib), “montagem de atrações” (Eisenstein) e “passagens” (Benjamin) são conceitos implicados nesta investigação sobre relações intermidiáticas, a partir da produção de diretores que exploram uma dimensão musical em seus filmes, assim como um efeito cinematográfico em seus videoclipes. É o caso de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, cujos trabalhos serão considerados como objetos de estudo, entre outros, ‘Cartola: música para os olhos’ (2006), codirigido por ambos.
Cinema e intermidialidade: os ecos narrativos da música do Manguebeat
Amanda Mansur Custódio Nogueira (UFPE)
A produção cinematográfica em Pernambuco esboça uma dramaturgia que convive com a efervescência musical, desde a sua retomada na década de 90. O cinema apropria-se da música do Manguebeat, como experiência sinestésica e experiência transmidiática. Com base na metodologia de análise da intermidialidade associada à teoria da montagem de Eisenstein, o objetivo desta comunicação é investigar a relação entre música e cinema na construção narrativa dos filmes, “Era uma Vez eu, Verônica” e “Tatuagem”.
Contraponto e atrações em A visita do velho senhor (1976), de Candeias
Fábio Raddi Uchoa (UTP)
“A visita do velho senhor” (1976) de Ozualdo Candeias é a transposição de um conto gráfico de Poty Lazzarotto, no qual uma prostituta é assassinada por seu cliente. Em sua narrativa destaca-se a atmosfera onírica, pautada pelas assincronias entre imagens e voz over, bem como a violência expositiva dos corpos. Tomando-o como objeto intermidiático, a proposta é analisá-lo, articulando os debates acerca do contraponto audiovisual (Eisenstein; Chion) e da montagem de atrações (Eisenstein; Gunning).

sonoridades: tempo real, tecnologia, nuvem

9/10 às 9h30 – Sala 605
Cruzamentos entre práticas sonoras em tempo real e em tempo diferido
Marina Mapurunga de Miranda Ferreira (USP/UFRB)
As práticas sonoras em tempo real têm-se constituído uma escolha de produção sonora aberta em obras audiovisuais contemporâneas. Essas produções distinguem-se da produção sonora fechada, em tempo diferido, em relação à constituição das equipes de som, à estética sonora, ao workflow e ao seu lugar sócio-cultural. Neste trabalho, pretendo buscar em que ponto essas práticas se cruzam e como elas podem se complementar em relação a estética sonora dos filmes e formação dos realizadores sonoros.
Trilhas “na nuvem”: música disponível para licenciamento audiovisual
GEÓRGIA CYNARA COELHO DE SOUZA (UEG)
Investigam-se as características das músicas disponíveis na internet para o uso, via plataformas de licenciamento, em produções audiovisuais. Por meio de entrevistas com compositores de trilhas musicais para audiovisual com experiência em licenciamento, Julian Ludwig (2018) e Maurício Domene (2018), e pesquisa bibliográfica sobre som e música no cinema, buscamos elencar os atributos que fazem uma “música genérica” ser mais atraente aos ouvidos de um supervisor musical e suas implicações.

artes. pintura, teatro, cinema

9/10 às 9h30 – Sala 606
Quando o Cinema (re) visita a Arte
Denize Correa Araujo (UTP)
Este estudo analisa imagens de três filmes que vivenciam um diálogo intenso com a arte: “Sonhos” (Kurosawa 1990), no episódio “Corvos”, “Elena” (Petra Costa 2012), em suas imagens intertexto-flutuantes, e “Meia Noite em Paris” (W. Allen 2011), no encontro com Salvador Dali. O referencial teórico inclui Bakhtin, Kristeva, Deleuze-Guattari, Halbwachs e Le Goff. Considero “Corvos” uma interseção-homenagem, “Elena” uma interseção-intertextonexistencial, e “Meia-noite em Paris” uma interseção-rizoma.
Da pintura ao vídeo: a composição da imagem a partir de Kandinsky
ALINE DE CALDAS COSTA DOS SANTOS (UFOB)
O trabalho apresenta uma leitura da direção de fotografia da obra audiovisual Cena Aberta (2003), episódio A hora da estrela, a partir das teorias da forma e da cor de Wassily Kandinsky. Através de um análise fílmica, o estudo identifica elementos visuais oriundos da reflexão sobre a criação na pintura que, de maneira similar, porém, ampliada, comparecem no vídeo revelando a personalidade da protagonista, Macabea.
Entre olhares: o fílmico, o teatral e performático em Jean Genet
Alex Beigui de Paiva Cavalcante (UFOP)
O trabalho apresenta uma leitura acerca dos recursos fílmicos, teatrais e performáticos na obra “Un chant d’amour”. A ideia de gênero no filme, apesar de mais evidente, muitas vezes esconde a maturidade com que a manipulação da câmera e dos recursos aponta para uma mistura entre o voyeurismo teatral e o voyeurismo cinematográfico, cujo ponto de contato é a relação que o espectador assume na trama fílmica.

biografias e memória

9/10 às 9h30 – Sala 607
Biografias no cinema: resgate da memória individual e coletiva
Graziela Aparecida da Cruz (FAJE)
O cenário cinematográfico tem registrado uma crescente produção de documentários biográficos e cinebiografias. Este trabalho destaca a importância desses documentos biográficos para o resgate e preservação da memória da cultura brasileira e apresenta perspectivas de análise da construção biográfica na linguagem cinematográfica. Trechos do filme “Cartola: música para os olhos” são apresentados como referência para identificar recursos da linguagem do cinema utilizados na construção biográfica.
El documental autobiográfico y la preservación de la memoria histórica
María Marcela Parada (PUCCH)
Este trabajo interroga la escena del documental contemporáneo en relación con el movimiento de reconstrucción de memoria histórica que reside en la representación autodocumental. Revisamos los filmes chilenos Mi vida con Carlos (2009), El edificio de los chilenos (2010) y El color del camaleón (2017), documentales de búsqueda que operan con el lenguaje de la falta. El déficit en la memoria familiar se desplaza desde lo individual a lo colectivo actuando reflexivamente en la memoria social.
Haruo Ohara no Cinema: Uma Reflexão sobre Imagens e Memória
Pascoal Farinaccio (UFF)
Analisa-se aqui o curta-metragem de ficção “Haruo Ohara” (Rodrigo Grota, 2010). O curta aborda a vida do imigrante japonês Haruo Ohara, que trabalhou em lavoura de café na região de Londrina e ao mesmo tempo produziu, de forma amadora, porém com grande consciência formal e senso poético, um conjunto de fotos de importância histórica em torno da vida cotidiana no campo. O objetivo é pensar a questão da memória a partir dos diálogos entre fotografia e cinema, registro documental e ficção.

luz e escuridão. refugiados, modos de vida, revelação

9/10 às 9h30 – Sala 608
Entre espectros e escuridão: notas sobre os refugiados em Border
Ricardo Lessa Filho (UFPE)
O trabalho se propõe pensar, através das imagens de Border, a questão dos refugiados na região francesa de Sangatte. Nestas imagens buscamos aproximar os refugiados com a questão dos espectros – estes seres de outra parte que o mundo ocidental busca excluir de todas as maneiras –, assim como o problema da hospitalidade historicamente negada a estas vidas já tão dilaceradas pelas fugas da morte, da guerra, e que não desejam outra coisa senão uma nova possibilidade para poder recomeçar suas vidas.
O céu e a areia de Copacabacana: onde residem a luz e a escuridão
Leonardo Guimarães Rabelo do Amaral (UFMG)
Sob a luz dos conceitos de origem e imagem dialética de Walter Benjamin e dos de anacronismo propostos por Jacques Rancière, Georges Didi-Huberman e Giorgio Agamben, ensaia-se aqui proposições sobre os modos de vida, de trabalho e de lazer no filme Fábula ou Meu Lar é Copacabana (1965), de Arne Sucksdorff.
Por um cinema líquido – interrogar a história e experimentar o cinema
Cristiana Miranda Soares de Moura (PPGARTES/UERJ)
Apresentar o cinema como uma experiência líquida que se realiza a partir de uma imersão no ambiente de escuridão onde se dá a revelação da imagem. O uso livre e criativo do antigo maquinário do cinema analógico dentro de uma proposta “digitópica”. A experiência líquida da revelação e a recuperação dos processos imaginativos associados aos experimentos visionários. Interessa não apenas o que está visível na imagem, mas também o processo de criação dessa visibilidade.

ST Cinema Negro africano e diaspórico – Narrativas e representações – Sessão 2

9/10 às 11h30 – Sala 615
A música no filme “No ritmo do Antonov” (2014) de Hajooj Kuka
Jusciele Conceição Almeida de Oliveira (CIAC/UALG)
A música é de fundamental importância na cultura africana porque são formas de celebrar, festejar, comemorar que fazem parte da realidade diária temporal e espiritual, o que em África pode ser percebido como indissociável e inseparável do cotidiano. Por esta razão, o presente resumo pensa a música, o ritmo, o som e a dança como tendo um papel central na trama e a música como protagonista cultural, tradicional, crítica e rítmica, como no filme No ritmo do Antonov (Sudão/África do Sul,
Coabitações e coexistências plurais no cinema de Sissako
Hannah Serrat de Souza Santos (UFMG)
As dificuldades de comunicação e de reciprocidade entre os sujeitos mobilizam o cinema de A. Sissako, interessado nos movimentos migratórios, nas diásporas e na colonização nos territórios do Mali e da Mauritânia, experiências que atravessam a própria biografia do realizador. A partir disso, este trabalho pretende apresentar uma abordagem teórico-metodológica de investigação do cinema de Sissako, considerando as formas de escuta e de apreensão do visível convocados e elaborados em seus filmes.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Sessão 2: Temporalidades comparadas: entre o passado presente, o futuro passado e a contemporaneidade

9/10 às 11h30 – Sala 616
Nos anos 80, com jovens de punhos cerrados e erguidos: Alfaro Vive…
denise tavares da silva (UFF)
“Nos anos 80, com jovens de punhos cerrados e erguidos: Alfaro Vive Carajo e Democracia em Preto e Branco” tem como proposta discutir um possível retorno do foco documental em ativismos coletivos em função de um novo cenário político na América Latina. A hipótese é a de que tal foco expressa uma leitura do passado embalada na “revolta e melancolia”, friccionada pela aposta na força juvenil como ainda capaz de mobilizar um contrafluxo à versão da história veiculada pelos “vencedores”.
Cidade e distopia: filmes brasileiros comparados (anos 1950-60 e 2019)
Eliska Altmann (UFRJ)
A ideia de distopia é o objeto do trabalho que tem como tarefa identificar imaginários sobre o Rio de Janeiro em análise comparada da recepção de quatro filmes brasileiros realizados nas décadas de 1950 e 1960. Por meio de práticas “crítico-cinematográficas”, que engendram uma leitura sociocrítica, será enfatizada uma lente distópica, própria aos nossos dias, a verificar elos espaço-temporais de uma cidade (e do próprio País) que reprisam certo passado em nova roupagem.
Estratégias de convocação dos personagens no documentário argentino
Natacha Muriel Lopez Gallucci (UFCA)
O documentário argentino contemporâneo articulado a recursos criativos da cultura popular tem expandido as estratégias de convocação de personagens. Nesse processo de alargamento das políticas do visível e do audível, artistas populares entram em cena testemunhas da crise latino-americana propondo novos questionamentos não hegemônicos de leitura da realidade. Analisaremos El último aplauso de G. Kral, Tango um giro extraño de Garcia Guevara e Que será que me han hecho tus ojos de Muños e Wolf

ST Cinema brasileiro contemporâneo: política, estética, invenção – Sessão 2

9/10 às 11h30 – Sala 804
A figura do inimigo na produção audiovisual do Ocupe Estelita
Cristina Teixeira Vieira de Melo (UFPE)
A ideia é voltar à produção audiovisual do Movimento Ocupe Estelita a fim de investigar como foi ali construída a figura do inimigo político. De que forma foi tratada essa alteridade? Como o discurso adversário foi inscrito no interior dos registros audiovisuais? Esses registros foram capazes de criar um espaço de diálogo com o discurso opositor ou serviram apenas ao seu aniquilamento? Enfim, em contextos de confronto político dessa natureza é possível resguardar ao inimigo um tratamento ético?
Vozerio e a confluência de revoltas
Pedro Augusto Beiler de Siqueira Garcia (UFF)
Em Vozerio (Vladimir Seixas, 2015) há contágios entre os tempos próprios das lutas e aqueles agenciados pelo documentário. A proposta é traçar linhas que ajudem a pensar como o filme faz confluir diferentes lutas ao redor das mobilizações de 2013, no Rio de Janeiro. A montagem do filme não impõe a essas lutas relações de causa e efeito ou de igualdade, mas ao aproximar suas imagens aponta para um campo de resistência que as atravessa.
Discursos sobre jovens em conflito com a lei: considerações críticas
Caio Túlio Padula Lamas (ECA/USP)
A presente comunicação visa delinear algumas das políticas de representação do cinema brasileiro contemporâneo, bem como de outros setores da produção audiovisual, que busquem fissuras no processo de estigmatização de jovens em conflito com a lei. Para tanto, foram escolhidos o longa-metragem De Menor (2013), o curta-metragem Arteiro (2018) e a websérie O Filho dos Outros (2017) como articuladores de discursos pautados pela desigualdade racial e pela cultura juvenil.

ST Teorias e análises da direção de fotografia – Sessão 2

9/10 às 11h30 – Sala 805
Manoel Clemente: memórias da direção de fotografia na Paraíba
Matheus José Pessoa de Andrade (UFPB)Fernando Trevas Falcone (UFPB)
A história da direção de fotografia no Brasil está em construção, principalmente pela diversidade de práticas cinematográficas que ocorreram no país. Na Paraíba, a produção de referência é o ciclo de documentários da década 1960. Nesse contexto, Manoel Clemente estreou como diretor de fotografia, tendo trabalhado em obras importantes do cinema nacional. Nossa proposta, portanto, consiste em resgatar as memórias da trajetória do fotógrafo, sobretudo analisando as especificidades do seu trabalho.
Maternidade: uma possibilidade para diretoras de fotografia no Brasil?
Marina Cavalcanti Tedesco (UFF)
Nesta comunicação, articularemos trechos de entrevistas que realizamos com diretoras de fotografia de diferentes idades e regiões do país entre 2017 e 2019 com estudos sobre mulheres e mercado de trabalho para refletirmos sobre um aspecto do machismo na direção de fotografia que tem sido pouco estudado e discutido: a maternidade. É possível ser fotógrafa de cinema e mãe no Brasil?

painel 12. paisagens, gestos e alegorias fílmicas – Coordenação: Nicholas Andueza Sineiro

9/10 às 11h30 – Sala 601
Hiroshima Mon Amour : alegoria do esquecimento
Thaís Itaboraí Vasconcelos (UFJF)
O presente estudo é dedicado à análise do espaço em Hiroshima Mon Amour. O filme retrata um breve romance em Hiroshima, entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês, os personagens não possuem nome, somente na última cena eles se autonomeiam. Ela diz: Hiroshima é o teu nome. Ele responde: Teu nome é Nevers. A partir de discussões que tangenciam o espaço e a paisagem, propõe-se pensar a paisagem fílmica nas suas possibilidades psicológicas e alegóricas.
Pistas de som feitas à mão: Sintetização sonora de Norman McLaren
Maria Kauffmann (ECA-USP)
Nesta comunicação, vou discutir a sintetização sonora por intervenção direta em película na obra de Norman McLaren partindo dos curtas-metragem “Blinkty Blank” (1955) e “Mosaic” (1965). Pretendo expor os princípios gerais dos procedimentos adotados, a partir das notas técnicas do realizador, e propor algumas interpretações da relação som-imagem nos filmes tratados.
O GESTUAL DO MALANDRO DE HUGO CARVANA NA PORNOCHANCHADA
Giovanna Durski Dal Pozzo (UTP)
O presente artigo se propõe a analisar o gestual do malandro incorporado por Hugo Carvana sob a ótica de uma plasticidade semiótica. Tendo como corpus os filmes Vai Trabalhar, Vagabundo (Hugo Carvana, 1973) e Se Segura, Malandro (Hugo Carvana, 1978), cria-se um diálogo com o arquétipo do trickster junguiano, objetivando conceituar a linguagem corporal dessa figura marota que se fez presente no cinema brasileiro de comédias eróticas nos anos de repressão militar.
O DRAMA DE VERGÈS E BARBET SCHROEDER: A MÚSICA EM O ADVOGADO DO TERROR
Vilma carla martins silva (UFBA)
Analisar a música nos documentários e seus efeitos elenca debates estéticos, como a problemática histórica entre “real” e ficção, e éticos, como a criação de sentimento de empatia por um personagem. No presente trabalho, destaca-se o uso da música de concerto na construção narrativa do documentário O Advogado do Terror (2007) de Barbet Schroeder, buscando, certificar como está corrobora com a dramatização da biografia de um protagonista controverso, e como esse efeito complexifica relações ética

painel 2. feminino no cinema e suas representações – Coordenação: Andressa Gordya Lopes dos Santos

9/10 às 11h30 – Sala 602
A casa claustrofóbica de Chantal Akerman: Estilo e feminismo
Natália Marchiori da Silva (UFSCAR)
A partir do recorte de Saute ma Ville (1968) e Jeanne Dielman,23 Quai du Commerce, 1080, Bruxelles (1975), ambos filmes de Chantal Akerman, é investigada a presença da casa e das sensações de claustrofobia doméstica como aspectos autorais da cineasta. A análise é encaminhada de acordo com a perspectiva de David Bordwell (2008), na qual os contextos culturais e, portanto, as críticas feministas do período, atravessam o estilo de Akerman e a forma como a diretora filma o corpo das mulheres.
O corpo da cineasta: auto-inscrição no cinema feminista de vanguarda
Luana Mendonça Cabral (UFF)
Mapearemos, neste trabalho, as relações entre a teoria feminista dos anos 1960-1970 e o cinema de vanguarda realizado por mulheres durante esse período, identificando, a partir do conceito de “autoria performática”, a auto-inscrição da realizadora no filme como um denominador comum a algumas dessas obras. Faremos, por fim, um breve estudo comparado entre as políticas de auto-inscrição do corpo e da sexualidade observadas nos filmes “Fuses” (Schneemann, 1965) e “Eu, tu, ele, ela” (Akerman,1974).
O ressentimento da mulher caipira em Amélia (2000), de Ana Carolina
Erika Amaral (ECA-USP)
No cinema brasileiro contemporâneo, a presença de ressentimentos e as evocações do passado no tempo presente são temáticas recorrentes, que podem ser interpretadas como críticas a questões que extrapolam a dimensão diegética, como, por exemplo, problemáticas sociopolíticas. Por meio do filme Amélia (2000), dirigido por Ana Carolina, objetiva-se analisar o delineamento de críticas à condição colonial nas atitudes e discursos das protagonistas, caipiras ressentidas, diante da figura estrangeira.
A Criada: um estudo sobre a representação feminina no cinema hanryu
Ana Maria Antunes Monteiro (UFSCar)
Essa comunicação visa analisar a representação e sexualidade femininas no filme A Criada (2016) dirigido por Park Chan Wook. Partindo do pressuposto da objetificação feminina como algo impregnado no cinema, busca-se compreender o olhar masculino durante a trama e a representação da mulher nas condições da sociedade patriarcal do cinema contemporâneo hanryu. Além disso, questiona-se a tentativa de romper com as expectativas de satisfação do expectador masculino através da narrativa.

história e preservação do curta-metragem brasileiro

9/10 às 11h30 – Sala 809
Festival de Cinema Amador JB/Mesbla: história e preservação
Lila Silva Foster (UnB)
Lançado em 1965, o Festival de Cinema Amador JB/Mesbla foi uma das primeiras competições de curtas-metragens de alcance nacional. Aceitando filmes nas bitolas 8mm e 16mm, o festival criou um ambiente de interlocução entre o campo profissional e jovens cineastas que iniciavam a sua carreira. A presente comunicação pretende traçar as origens históricas do festival, além de fornecer informações sobre a preservação de filmes participantes depositados em arquivos públicos e particulares.
Cinema amador e universitário fluminense: a experiência do LUPA-UFF
Rafael de Luna Freire (UFF)
A presente comunicação irá abordar a experiência da atuação do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (LUPA-UFF), entre 2017 e 2019, com o objetivo de refletir sobre os desafios e possibilidades do desenvolvimento de um arquivo de filmes em uma universidade pública federal, dotado de um foco tanto regional quanto temático, e nos processos de difusão e preservação de curtas-metragens em bitolas estreitas (9.5mm, 8mm, S8mm, 16mm).
A Corcina e a Lei do Curta: auge e crise do curta-metragem brasileiro?
Lucas Gadelha Parente (UFRJ)
Fundada no Rio de Janeiro em 1978, a CORCINA – Cooperativa dos Realizadores Cinematográficos Autônomos – realizou cinquenta curtas-metragens em cinco anos, distribuindo cerca de cem filmes em salas de cinema durante o período de implementação da Lei do Curta. Uma das maiores representantes do curta-metragismo brasileiro, a CORCINA se caracteriza pela afirmação político-econômica do curta-metragem e por seu caráter experimentador, realizando uma verdadeira antropologia poética da cidade.

narrativa: realismo, ambiguidade, incômodo

9/10 às 11h30 – Sala 603
A arte de narrar e o ato de fingir em Cópia Fiel
Cristiane Moreira Ventura (IFG)
O presente trabalho tem como objetivo analisar as ambiguidades narrativas do filme Cópia fiel (2010) de Abbas Kiarostami e o espelhamento narrativo com o filme Viagem à Itália (1954) de Roberto Rossellini. Para tanto, iremos utilizar os pressupostos de Wolfgang Iser e André Bazin no embasamento deste ensaio, com a finalidade de compreender a dinâmica entre narrativa aberta de Kiarostami e o processo receptivo do espectador, pontuando as composições dos “atos de fingir”.
A casa que Jack construiu em decomposição: entre agressão e crueldade
Gabriel Perrone Vianna (UAM)
O estudo trata da análise fílmica sobre A casa que Jack construiu (The house that Jack built, 2018), do diretor dinamarquês Lars von Trier, através da sua elaboração narrativa em articulação aos conceitos das estruturas de agressão de Noel Burch e do Teatro da crueldade de Antonin Artaud. A investigação intende explorar as relações táticas de contato com o espectador no uso de estratégias do incômodo e desenvolver uma reflexão sobre os estados da espectatorialização da violência.
Uma concepção de “realismo” a partir de Vinterberg
Fernando Artur de Souza (UTP)
Esta pesquisa visa contrapor algumas das concepções mais usuais do termo “realismo” dentro do campo dos estudos de cinema à teoria elaborada pelo professor e pesquisador dinamarquês Birger Langkjaer que, após os efeitos do Dogma 95, passou a compreender o realismo como uma terceira prática cinematográfica posicionada entre os filmes de arte e os filmes de gênero. Finalmente, utilizaremos sua teoria como baliza para a análise de dois dos mais recentes filmes do diretor Thomas Vinterberg.

ST Cinema e Educação – Sessão 2

9/10 às 11h30 – Sala 806
As autoritárias ondas na educação e a possiblidade de transformação
ANA LUCIA DE ALMEIDA SOUTTO MAYOR (EPSJV/FIUOCRUZ)Isabela Cabral Félix de Sousa (Fiocruz)
Este trabalho tem por objetivo discutir o filme “A onda” como promissor para debater as autoritárias ondas no campo da educação, à luz das contribuições de Paulo Freire, dialogando também com as reflexões de Gaston Bachelard acerca do espírito científico, de Deleuze e Guattari a respeito da arte como potência do pensamento e de Alain Bergala sobre a “pedagogia do fragmento” para a leitura de imagens cinematográficas.
O que se aprende quando se faz cinema com mulheres?
Maíra Norton (PPGE UFRJ)
O presente trabalho irá apresentar as experiências pedagógicas da oficina Cinema com Mulheres realizada com as alunas do curso técnico de formação de professores do colégio Estadual CEMBRA em Paraty. Intercalando a exibição de filmes dirigidos por mulheres com realizações de exercícios práticos, dentre eles o Minuto Alice Guy, a oficina se propôs a refletir e construir com as participantes uma poética feminista do cinema.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 2 – Usos da sala de cinema e atrações

9/10 às 11h30 – Sala 807
Darwin na programação: Entre heroínas, cômicos, atualidades e seriados
Sancler Ebert (PPGcine-UFF / FIAM-FAAM / Unicep)
Nesta comunicação analisaremos os filmes programados nas sessões nas quais Darwin, imitador do belo sexo, estava inserido. Buscamos, a partir da trajetória do transformista, pensar as relações entre palco e tela nos cineteatros cariocas. Analisaremos os gêneros dos filmes, a quantidade de atos de cada película, os artistas envolvidos nas produções, o ano de lançamento das obras, as produtoras responsáveis e como eram pensadas as programações, considerando também a localização das salas.
“Civilizações” em conflito: cinema no Rio de Janeiro da Belle Époque
Pedro Vinicius Asterito Lapera (UFF/FBN)
Inserindo-se em uma perspectiva que transita entre a história e a etnografia, esta comunicação analisará um fait divers ocorrido em fevereiro de 1916 em um cinema do Rio de Janeiro: uma discussão entre espectadores finalizada com um tiro. A questão principal que irá nortear nossa discussão é: de que modo estes sujeitos pertencentes à classe média e à elite projetaram algumas tensões sociais no consumo cinematográfico por ocasião do fait divers a ser analisado?
DESTINOS DA MEMÓRIA: SALAS DE CINEMA DE RUA DE SANTA CATARINA
Renata Rogowski Pozzo (UDESC)
A proposta de comunicação apresenta os resultados do estudo desenvolvido por pesquisadores do Laboratório “ARTEMIS – Teorias, Memórias e Histórias da Udesc” intitulado “O corpo espacial do cinema” em diálogo com a temática do encontro: “Preservação e memória hoje”. Aprofundamos os questionamentos sobre os descaminhos da memória em relação às salas de cinema de rua de Santa Catarina e seus valores materiais e imateriais, apresentando as 164 salas identificadas, seu histórico e usos atuais.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 2 – A palavra e a conversação

9/10 às 11h30 – Sala 808
A duração da palavra filmada em três livros de Rithy Panh
Tomyo Costa Ito (PPGCOM-UFMG)
Abordamos três livros do cineasta cambojano Rithy Panh na relação com seu trabalho cinematográfico e de memória. Eles enfatizam um elemento decisivo em sua obra: a relação que ele estabelece com os filmados, fornecendo-lhes um espaço de palavra que dura no tempo, respeitando suas respirações com intuito de lhes dar dignidade. Os livros evidenciam o minucioso trabalho de escuta do cineasta, ao mesmo tempo, permite a ele refletir sobre suas escolhas éticas e estéticas na elaboração do passado.
Hong Sang-soo e a volta do parafuso nos filmes de conversação
Alexandre Rafael Garcia (Unespar / UFPR)
Esta análise de “A Câmera de Claire” (2017) apresenta a ideia de que os filmes de Hong Sang-soo evidenciam um gesto criador e reflexivo sobre o conceito de “filmes de conversação”, cunhado a partir da teoria do cineasta Éric Rohmer. No filme sul-coreano, uma foto tirada pela personagem é ao mesmo motivadora de intriga e de reflexão conceitual: o que os personagens veem não é a mesma coisa que nós espectadores percebemos. Essa dicotomia é base da filmografia atual de Sang-soo.

videoclipe, corpo, gesto

9/10 às 11h30 – Sala 604
COREOPOLÍTICAS AUDIOVISUAIS: VIDEOCLIPES ENQUANTO MANIFESTOS
JOUBERT DE ALBUQUERQUE ARRAIS (UFCA)
Propomos uma leitura coreopolítica de duas performances audiovisuais enquanto corposmídia da estética expandida do videoclipe: Boca de Lobo (Brasil, 2018), do rapper brasileiro Criolo, e This is America (EUA, 2018), do rapper estadunidense Childish Gambino (Donald Glover). Em suas distintas videografias comunicacionais, seriam obras artísticas consideradas videoclipes-manifestos que aprisionam nossa fruição no meramente expressivo ou, de fato, deles podem emergir coreopoliticidades dissidentes?
Cena, corpo e gestos em “Trabalho N.1”
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
O texto proposto trata sobre a realização de uma video-instalação, que tem por título “Trabalho N.1”, na qual construo uma partitura de gestos para colocar em cena o trabalho de lavar do mar. A obra se faz como um método de pesquisa sobre o corpo e as gestualidades do trabalho em que busco esvaziar nos corpos os sentidos de um trabalho sem êxito. Esse texto se faz com os estudos sobre a Cena, em Beckett e Artaud; com Deleuze e o cinema-corpo, e os gestos nos corpos em Didi-Huberman.
Diversidade Videoclipe em Paraíso Perdido: anotações e memórias
Wilton Garcia (FATEC / UNISO)
Este texto expõe uma leitura a respeito do tema Diversidade Videoclipe (DV), por diferentes facetas no filme brasileiro “Paraíso Perdido” (2017), com direção de Monique Gadenberg. A trama aborda passagens singulares ilustradas por um conjunto especial de canções brasileiras, ao explorar afeto, corpo, erótica, performance e fetiche como categorias estratégicas. Os resultados dessa escrita ensaística sobre a DV privilegiam a produção de conhecimento e subjetividade no campo do cinema atual.

política 1

9/10 às 11h30 – Sala 605
SIM, TEVE DITADURA. A OUSADIA DE ROBERTO FARIAS EM PRA FRENTE BRASIL
Flávia Seligman (Unisinos)
Trabalho sobre o filme Pra Frente Brasil, de Roberto Farias, 1982, que conta a história de Jofre, um cidadão comum confundido com um militante, que acaba preso pela polícia, numa ação de repressão, em plena euforia da Copa do Mundo de 1970. Analisa a narrativa e os personagens, apontando como a situação é representada no filme em comparação com a realidade. Mais que isto, a forma como a situação do país é reconstruída dentro da possibilidade de apresenta-la no período em que foi rodado.
Não vi e não gostei: disputas de memória a partir de “Marighella”
Mônica Mourão Pereira (ESPM Rio)
Este trabalho vai articular o caso do filme “Marighella” (sua derrubada do site do IMDb devido a ataques de direita para baixar sua nota na plataforma) às disputas por memória da ditadura (1964-1985). Considerando o atual momento de ascensão de ideias fascistas, vamos observar como a recepção a um filme sobre um personagem histórico de oposição à ditadura prescinde da audiência, visto que a reação a “Marighella” aconteceu antes mesmo da sua estreia.
A direita vai ao cinema: uma análise de 1964: entre Armas e Livros
Fabio Silvestre Cardoso (UAM)
Lançado em 2019, o documentário “1964: entre armas e livros” lança um olhar revisionista sobre a história brasileira, com ênfase para o período da ditadura militar, que esteve em vigor entre 1964 e 1985. A obra foi produzida pelo site Brasil Paralelo e conta com depoimentos e entrevistas de jornalistas, historiadores e escritores. O objetivo do trabalho é analisar em que medida essa obra se encaixa numa perspectiva narrativa maior, de contestação do consenso sobre a História brasileira.

afetos. pathos, minimalismo, não-lugar

9/10 às 11h30 – Sala 606
Intermedialidade, performance e afeto em Tinta Bruta
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)
A produção audiovisual contemporânea tem buscado formas diferentes de tratar do visível e do enunciável, mudando as relações com o representável e consequentemente suas formas de percepção. Através da análise do filme Tinta Bruta (2018), de Márcio Reolon e Felipe Matzembacher é possível compreender as relações entre intermedialidade, corpo e afeto. A partir das reflexões sobre “políticas da impureza” (Lúcia Nagib), o conceito de dissenso (Jacques Rancière), e intermedialidade (Ágnes Pethö).
O afeto fantasma
Andre Piazera Zacchi (UFSC)
Nesta apresentação quero debruçar-me sobre quatro fragmentos de “Apuntes para una biografía imaginária” de Edgardo Cozarinsky (2010). Neles, rostos estão entregues a seus pensamentos e vivem uma crescente intensidade de pathos. Seus olhares são vagos ou titubeantes , sugerindo que a emoção é causada por um extracampo imaginário, inacessível ao espectador, vivido apenas na memória. Um afeto fantasma que assombra o filme e investe de possíveis todo texto biográfico.
O não-lugar reconquistado nos espaços mínimos de Jia Zhangke
Camilo Soares (UFPE)
O acelerado desenvolvimento econômico chinês nas últimas décadas provocaram enormes transformações na paisagem rural e urbana. A obra de Jia Zhangke busca constantemente testemunhar o atual impacto paisagístico sobre as pessoas, sobretudo as que foram jogadas à margem desse processo de modernização. No entanto, seus filmes não são apenas registros dessas mudanças rápidas e dramáticas. Há neles uma sutil, mas sistemática, reapropriação desses espaços por parte de seus atores sociais.

teatro, aproximações com o cinema

9/10 às 11h30 – Sala 607
O teatro como subversão nos filmes de Mariano Llinás e Jacques Rivette
Milton do Prado Franco Neto (Unisinos)
A apresentação propõe uma análise comparativa entre os filmes La Flor (Mariano Llinás, 2018), Céline et Julie vont en bateu e Out 1- Noli me Tangere (Jacques Rivette, 1971 e 1974, respectivamente). A partir da presença do teatro e do trabalho de longa duração nestes filmes, defenderemos a existência de uma linhagem subversiva que põe em cheque a noção de autor, problematiza os formatos de comercialização e exige um novo tipo de espectador.
Espaços híbridos entre o musical e o teatro no Ébrio de Gilda de Abreu
Margarida Maria Adamatti (UFSCar)
O Ébrio (1946) de Gilda de Abreu incorpora na forma fílmica a presença das duas mídias que deram origem ao projeto, a música e a peça de teatro, criando um intercâmbio difuso com o espaço cinematográfico. A partir da noção de intermidialidade enquanto espaço transitório, analiso como o final do filme retoma um tipo de duração atrelada ao in between. Essa alusão às duas mídias precedentes gera reverberações na configuração espacial, na composição dos planos, na montagem e no tipo de encenação.
Harun Farocki e Bertolt Brecht: aproximações
Arlindo Rebechi Junior (UNESP)
Esta comunicação investiga as relações entre a obra de Harun Farocki (1944-2014) e as formulações teóricas do teatro épico de Bertolt Brecht (1892-1940). Na leitura da obra do cineasta – notadamente seus filmes de juventude, em especial e como foco central Fogo inextinguível (Nicht löschbares Feuer, 1969) –, será propósito analítico extrair as estratégias narrativas implementadas pelo cineasta-crítico em sua aproximação com a estética didática brechtiana.

memória, patrimônio, preservação

9/10 às 11h30 – Sala 608
CINEMA, PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E TECNOLOGIA. SOBRE ORIGENS E DESCOBERTAS
João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
Relato de um novo experimento da pesquisa Interseções tecnológicas, espaço e tempo. O bias do audiovisual, voltado para observações sobre as origens dos processos que possibilitaram a organização de padrões para a permanência da obra audiovisual no espaço-tempo inaugurado pelo cinema. A proposta é de revisitar o período inicial, de 1894-1905, em busca de evidências que demonstram a busca pelo controle do master como forma de assegurar a produção de cópias.
História e Nova História do Cinema Brasileiro: uma análise comparativa
NEZI HEVERTON CAMPOS DE OLIVEIRA (UFF)
Tendo como recorte temporal o período do chamado Cinema Silencioso (primórdios até o advento do som), esse trabalho propõe-se a realizar uma análise historiográfica comparativa das obras História do Cinema Brasileiro (1987) e Nova História do Cinema Brasileiro (2018). À luz dos respectivos quadros históricos, o intuito é identificar nos capítulos relativos ao período em foco convergências e divergências no que tange aos objetos, métodos e documentação mobilizados pelo trabalho historiográfico.
O amargo obituário do cinema pernambucano
Rodrigo Almeida Ferreira (UFRN)
Realizada inteiramente a partir de pesquisas em jornais na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, essa investigação histórica, de ordem menos teórica e mais pragmática, resgata seis acontecimentos esquecidos, descartados, desconhecidos da história do cinema pernambucano, desde o final do século XIX até a metade do século XX. A proposta revela-se como forma de refletir sobre a situação da preservação da memória audiovisual local a partir do “esquecimento” enquanto uma condição histórica.

ST Estilo e som no audiovisual – Abertura

9/10 às 14h30 – Sala 615

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – Abertura

9/10 às 14h30 – Sala 616
Cinemas pós-coloniais e decoloniais em contextos de crise
Michelle Sales (UFRJ/CEIS20)Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
A partir de uma perspectiva teórica que põe em causa e em discussão os contextos em que surgem um pensamento e uma prática artística pós-colonial em Portugal (ligada à tradição anglo-saxã) e decolonial latina, esta comunicação pretende explorar e discutir de que forma a programação do Festival Janela Internacional de Cinema do Recife e do Afrotela de Lisboa trazem uma filmografia cuja forma e conteúdo é capaz de agenciar novas dinâmicas de produção do cinema e novas relações com a imagem.
Ressignificando Imagens de Fundação
Cid Vasconcelos de Carvalho (UFPE)
Proponho uma análise comparativa do documentário “Sobre a Violência” (Om Vald, 2014), de Göran Olsson com as produções igualmente documentárias “Kuxa Kanema – O Nascimento do Cinema”, (2003), de Margarida Cardoso e “As Duas Faces da Guerra” (2007), de Flora Gomes e Diana Andringa. Os três documentários possuem, em comum, lidarem em maior ou menor grau com “imagens de fundação” de ex-colônias portuguesas, porém o uso delas terá uma moldura interpretativa distinta em cada caso.
Colonialismo e capitalismo no mercado cinematográfico português (1961-
Paulo Cunha (UBI)
Esta proposta pretende mapear e analisar a organização do mercado cinematográfico em Angola e Moçambique durante o período final de vigência do Estado Novo (1961-74), procurando conhecer os mecanismos de produção, distribuição e exibição de cinema nesses territórios “periféricos” do Império colonial português, nomeadamente nas suas relações com a “metrópole”, com a administração colonial local e com os espaços económicos vizinhos.

ST Cinema comparado – Abertura (Constelações I)

9/10 às 14h30 – Sala 804
Programação como exercício de cinema comparado: A saída da fábrica
Mariana Souto (USP)
Esta comunicação propõe pensar a curadoria como exercício de cinema comparado na aposta de que o desenho de programação de determinados filmes num ciclo ou numa mesma sessão pode fazê-los dialogar, destacando elementos latentes de um ou outro, produzir itinerários afetivos e narrativas imprevistas. Após algumas considerações teóricas, trago como exposição a experiência com a mostra “A saída da fábrica”, do Cineclube Comum, composta de curtas e médias.
Testemunho, legibilidade e sobrevivência das imagens
Ilana Feldman (USP)
A comunicação “Testemunho, legibilidade e sobrevivência das imagens: a escrita como mortalha, o cinema como lápide” pretende, face à opacidade do testemunho e à violência de Estado, investigar, por meio de uma perspectiva comparatista, as formas pelas quais a escrita e o cinema podem produzir condições de legibilidade da história a partir da criação de visibilidades, mesmo quando é difícil sustentar o olhar.
O mal do mal de arquivo: entropia e negentropia no found footage
Rodrigo Faustini dos Santos (USP)
Apontarei alguns modos com os quais o cinema de found footage contemporâneo tem lidado com o arquivo fílmico, frente a multiplicação dos discursos de memória e “arqueologia dos arquivos” nas artes, identificando, para esse fim, um eixo melancólico, ligado a um senso entrópico e catastrófico da história, e um eixo “pós-melancólico” (adaptado de Christine Buci-Glucksmann) na qual o efêmero toma um caráter positivo, antientrópico. Serão tensionados filmes de re-uso de arquivos degradados para tal.

ST Corpo, gesto e atuação – Sessão 1

9/10 às 14h30 – Sala 805
Do grotesco ao antropofágico: corpos e rostos sganzerlianos
ISABEL PAZ SALES XIMENES CARMO (UPVM3/Unicamp)
Nos filmes de Rogério Sganzerla, os corpos estão em constante movimento, muitas vezes de forma frenética e caótica; o rosto, por sua vez, serve como enquadramento para a boca, que assume um caráter escatológico. Pretendemos aqui analisar três filmes, A mulher de todos, Sem essa, aranha e Copacabana mon amour, a partir dos conceitos de grotesco e antropofágico, segundo Mikhail Bakhtin e Oswald de Andrade, e assim contribuir para a reflexão sobre a representação do corpo na obra sganzerliana.
Edgard Navarro e o Corpo do escracho
Geraldo Blay Roizman (USP)
Se fossemos localizar O Rei do Cagaço, 1977, dentro do universo cinematográfico de Edgard Navarro, ele faria parte, de forma mais geral, do chamado surto superoitista no Brasil, e do grande ciclo de filmes realizados em Super-8 na década de 70 que participaram de festivais da época, especificamente das chamadas Jornadas de Cinema da Bahia, e que possuíam, em geral, um forte teor provocativo ao mesmo tempo poético e político, e principalmente um sentido muito preciso de despojamento.

painel 3. as dobras da memória e do exílio – Coordenação: Guilherme Gonçalves da Luz

9/10 às 14h30 – Sala 601
Cinema experimental brasileiro e a experiência do exílio: Cartografias
Natália Alves dos Reis Silva (UFJF)
O trabalho se propõe como investigação das práticas experimentais no exílio de realizadores brasileiros durante o período da ditadura militar. A partir de obras como: Lágrima Pantera, a Míssil (1972) de Júlio Bressane, Forofina (1973) de Sylvio Lanna e O Demiurgo (1972) de Jorge Mautner, pensar o exílio enquanto experiência permeadora da criação artística.
Fantasmas, rastros e memórias. 10 anos do filme de André Novais.
richard dos anjos tavares (PUCRS)
Fantasmas, curta-metragem realizado por André Novais Oliveira está prestes a completar uma década. Desde a sua primeira exibição na Mostra de Tiradentes em 2010, o filme gera debates em torno de sua forma e sobre sua maneira concisa de discutir um tema através da linguagem audiovisual. Uma história simples e direta que funde realizador e personagem, propondo ao espectador a um diálogo denso e ao mesmo tempo irônico sobre rastros e memória.
Vereda da Salvação: Estética e Política no Brasil da década de 1960
Lucas dos Reis Tiago Pereira (UFF)
A comunicação proposta visa analisar estética e politicamente o filme Vereda da Salvação (1965), dirigido por Anselmo Duarte. O objetivo principal é compreender como os processos culturais brasileiros na década de 1960 influenciaram a concepção e a recepção do filme. Objetiva-se ainda examinar o porquê de Vereda da Salvação ser obliterado na historiografia do cinema brasileiro, pois as análises a respeito do filme são escassas em grande parte da bibliografia a respeito do cinema nacional.

painel 4. acervos, arquivos e preservação – Coordenação: Débora Lúcia Vieira Butruce

9/10 às 14h30 – Sala 602
Acervos digitais na web e políticas de memória
Douglas Ostruca (UFRGS)
Esse texto apresenta uma tentativa de reposicionar algumas reflexões de Derrida sobre as políticas de memória e o acesso aos acervos audiovisuais em relação aos movimentos contemporâneos de digitalização e à possibilidade de disponibilização do material na web. Nesse sentido, entende-se que para além de um olhar sobre as práticas institucionais, observar as dinâmicas de constituição de acervo de plataformas de distribuição online seja um caminho possível para identificar novas possiblidades.
Jonas Mekas, cineasta e colecionador de memórias
Natália Lago Adams (PPGCom/UTP)
O estudo contribui para a compreensão do legado de Jonas Mekas à sétima arte ao examinar seu trabalho não apenas como realizador, mas também como fundador do Anthology Film Archives — centro de preservação, restauração, estudo e exibição de filmes experimentais e vanguardistas, cujo objetivo é manter viva a história de um cinema independente e marginalizado. Tal mirada verifica o pressuposto de que suas realizações são atravessadas, simultaneamente, pela experiência e preservação de memórias.
Reflexões sobre performance e sobrevivências à partir de ‘Arara’
Miguel Antunes Ramos (USP)
Em 2013 foi encontrado no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, 4 rolos de película intitulados ‘Arara’. Filmados em fevereiro de 1970, o material é um registro da formatura do primeiro e único batalhão da Guarda Rural Indígena. Nossa pesquisa pretende se debruçar sobre esse material encontrado, se questionando sobre o desejo branco, militarista e disciplinador que o ensejou, bem como a forma com que os corpos indígenas performaram, responderam e resistiram a esse desejo.
Fome, peste, guerra e morte: o cinema em Manaus durante a I Guerra
Alan Gomes Freitas (UFF)
A cidade de Manaus, no início do século XX, vivia o fim da opulência proporcionada pelo ciclo econômico da borracha. Em um período de cerca de 40 anos, passou da aceleração propiciada por símbolos da modernidade europeia – indústria automobilística, abertura dos portos ao comércio estrangeiro, intensa urbanização – para uma grave estagnação econômica. O cinema se estabelece como principal entretenimento da metrópole e a eclosão da Primeira Guerra Mundial reflete-se no consumo de cinema da cidade

horror

9/10 às 14h30 – Sala 809
Jaulas pequenas, monstros gigantes: modos do horror cinematográfico
Lucas Procópio Caetano (UNICAMP)
Seguindo os resultados da pesquisa realizada no mestrado, na qual foram analisadas as diferentes nuances do horror no cinema brasileiro contemporâneo, este trabalho visa discutir o horror através de uma perspectiva ampliada, menos como um gênero delimitado por aspectos bem definidos e estanques e mais como um modo de representação que perpassa pelas mais variadas narrativas.
O SLASHER NO SÉCULO XXI E AS NOVAS REPRESENTAÇÕES DE MORTE
Filipe Tavares Falcão Maciel (AESO)
Subgênero dos filmes de terror, o slasher é marcado pela existência de um assassino capaz de matar parte dos personagens. Nas décadas de 1970 e 1980, estas mortes incluíam perseguições ou o olhar subjetivo do assassino observando a vítima. Para os remakes contemporâneos, os assassinatos são mais rápidos e diretos. Esta pesquisa pretende, por meio dos conceitos de Bordwell sobre continuidade intensificada, identificar os elementos responsáveis por esta aceleração e seus impactos para o subgênero.
As boas maneiras e os gêneros cinematográficos no cinema brasileiro
Rodrigo Cazes Costa (UFF)
Por meio da análise do longa metragem As boas maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, investigamos como as referências aos gêneros cinematográficos (terror, musical) podem servir tanto para abordar questões da sociedade brasileira contemporânea, como o racismo e a desigualdade social, quanto para buscar um uso dessas referências que não esteja nem na chave da paródia nem do pastiche, fazendo uma operação que, ao final, também dilui as fronteiras entre cinema de autor-cinema de gênero.

adaptação 1. teoria, renovação, memória

9/10 às 14h30 – Sala 603
Robert Stam leitor de Machado de Assis
Luiz Antonio Mousinho Magalhães (UFPB)
Pretendemos investigar aspectos da leitura que Robert Stam fez da adaptação do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, realizada pelo cineasta André Klotzel. Nos apoiaremos em categorias narratológicas como narrador, focalizador e personagem, levando em conta ainda o conceito de dialogismo. Buscaremos fazer ainda contraponto da adaptação de Dom Casmurro na microssérie Capitu, onde alguns aspectos debatidos por Stam estão, a nosso ver, contemplados.
Não é feitiçaria, é sinergia: a eterna juventude de Sabrina
Pedro Peixoto Curi (ESPM)Marcela Dutra de Oliveira Soalheiro Cruz (PUC-Rio)
Protagonista de mais de cem HQs, três filmes e cinco séries em quase sessenta anos, Sabrina, a bruxa adolescente, é um exemplo de sinergia do mercado de entretenimento para o público jovem e, a cada nova aparição, atualiza e complexifica sua narrativa. A partir de “O mundo sombrio de Sabrina”, produzida pela Netflix, este trabalho lança um olhar sobre o universo da personagem, a relação entre suas múltiplas manifestações e o diálogo que estabelece com a cultura pop, seu público e a realidade.
Capitu: memória, desejo e espectatorialidade
Carolina Soares Pires (USP)
O presente trabalho explora os territórios da memória, do desejo e da espectatorialidade em Capitu (2008), com base em um modelo de análise figural, proposto por Jean-François Lyotard e posteriormente adaptado e expandido para o campo específico da análise fílmica por autores como Philippe Duboi. A análise busca compreender as relações dos espaços sensoriais com os corpos, o movimento e a transparência e como a composição das imagens se faz correlata a uma composição pictórica.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 1 Cinema e Arte Contemporânea

9/10 às 14h30 – Sala 806
Potências heterotópicas da imagem em movimento
Eduardo Antonio de Jesus (UFMG)
A imagem em movimento está presente em inúmeras propostas artísticas .Nesse contexto de múltiplas formulações, estratégias e processos de inserção da imagem em movimento na arte contemporânea que tomamos a exposição MitoMotim (São Paulo, 2017) para refletir sobre como os discursos curatoriais podem produzir espaços expositivos que em suas formulações reafirmam e enfatizam questões conceituais renovando as práticas expositivas em novos desdobramentos, ativando uma potência heterotópica.
Mangue Bangue, filme-limite
Theo Costa Duarte (UNICAMP)
Busca-se analisar o filme Mangue Bangue (1971), de Neville D’Almeida, tendo em vista a sua proximidade com propostas contemporâneas do parceiro do cineasta, o artista Hélio Oiticica, ressaltando a convergência de ambos na experimentação com a forma cinema em interface com distintas mídias visuais e audiovisuais. Releva-se o contexto de parcerias artísticas em torno da experimentação formal, de busca de ampliação das sensibilidades, catalisada pela precariedade dos meios à disposição.
Joan Jonas, do espelho ao vídeo
Paula Nogueira Ramos (USP)
A estadunidense Joan Jonas usa o espelho como primeiro suporte de suas peças no final da década de 1960. Passa a operar com dispositivos de vídeo e projeção de imagens em suas performances. A comunicação analisa o processo de Jonas a partir da relação entre a espacialidade especular e suas reverberações nos espaços do vídeo, com o intuito de compreender as transformações e traduções de meios nas quais atua, assim como mapear as funções simbólicas, estéticas e políticas sugeridas em suas obras.

ST Montagem Audiovisual: reflexões e experiências – Variações da Montagem (mesa1)

9/10 às 14h30 – Sala 807
Animação eletrônica brasileira dos anos 1980: uma memória esvaecente
João Paulo Amaral Schlittler (ECA USP)
Nos anos 1980 e 90, artistas, videomakers, e animadores tiveram acesso a ferramentas de edição eletrônica e os primeiros softwares de computação gráfica, produzindo animações eletrônicas e vinhetas, explorando as fronteiras da montagem com a animação. Tomando como ponto de partida vídeos exibidos no festival Videobrasil, a pesquisa apresenta um levantamento de obras representativas deste recorte, resgatando uma produção que transita nas intersecções da animação, motion-graphics e videoclipe.
O que a tela autoriza a dança: do cine-dança em direção ao Passinho
Luciana Ponso (PPGCINE)
Tomando o movimento como a principal interface entre dança e cinema, busca-se investigar como a relação corpo-câmera vai fixar-se em produções cinematográficas relevantes, atravessar o século XX fazendo surgir a linguagem da videodança, para chegar ao século XXI extremando essa relação com a imagem digital, como o fenômeno Passinho. A expressão “dançar o impossível” é aqui usada para designar o que o espaço da tela e a montagem autorizam a dança: lugares de reinvenção.
A montagem do cinema screenlife
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)Alex Ferreira Damasceno (UFPA)
Esta proposta tem como objetivo refletir acerca da montagem característica da tendência do cinema conhecida como Screenlife, formato em que a narrativa é ambientada totalmente em uma tela de computador. Abordaremos os filmes que obtiveram maior sucesso comercial: Amizade desfeita (2015) e Buscando… (2018). Baseados em Manovich (2000) e Dubois (2004), analisaremos as composições temporais e espaciais da montagem, resultantes do encontro das lógicas do cinema e da interface gráfica do usuário.

ST Mulheres no cinema e audiovisual – Sessão 1

9/10 às 14h30 – Sala 808
Desejo feminino e política da imagem em Baise moi e As Filhas do Fogo
Gabriela Machado Ramos de Almeida (ULBRA)
O trabalho aborda a política da imagem colocada em jogo em dois filmes dirigidos por mulheres que apontam uma recusa à feminilidade homogeneizada: Baise moi (Virginie Despentes) e As Filhas do Fogo (Albertina Carri). A partir de chaves distintas – de um lado a violência e do outro uma vivência lésbica orgiástica – são obras capazes de produzir rupturas nos modos enunciar o desejo feminino e, assim, devolver o dissenso, especialmente em seus modos de produzir representações audiovisuais do sexo.
Bodylands: o entre-lugar da lésbica no cinema
Alessandra Soares Brandão (UFSC)
O trabalho busca situar a figura da lésbica nos mapas dos feminismos em estudos de cinema. À heterossexualidade compulsória reconhecida desde os primeiros passos da teoria feminista do cinema, contraponho a ideia da lésbica como um ato político. Para além do problema de sua in/visibilidade, assumo o gesto de peregrinar pelas imagens do cinema para traçar as formas como a presença da lésbica resiste às estruturas de poder ativadas no corpo do filme, habitando um espaço que chamarei de bodylands.
Formas do sexo lésbico no cinema narrativo
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL)
Sem apostar em uma teleologia a respeito do “progresso” na visibilidade lésbica no cinema e no audiovisual nas três últimas décadas, propõe-se a análise do sexo lésbico em filmes narrativos, buscando entender seus enquadramentos (estético e políticos). Explorando as várias formas de filmar o encontro sexual entre duas mulheres, desafiamos proposições que enfatizam o privilégio do olhar masculino e avançamos uma crítica feminista que problematiza a própria legibilidade da imagem da lésbica.

cinema, território e subjetivação 1

9/10 às 14h30 – Sala 604
Do ver juntos ao montar juntos
Douglas Resende (UFF)
A partir da vivência de um grupo de professores-cineastas, experimentamos modos singulares de nos relacionar com a prática do cinema, tendo o dispositivo e sua tensão entre limite e liberdade como uma força que mantém o grupo reunido. Nessa relação com o cinema, os momentos de ver juntos as imagens produzidas por cada um passaram a ser momentos de montar juntos, constituindo uma teia de conexões entre pessoas, territórios e trajetos pela cidade, numa singular forma de montagem compartilhada.
Do outro lado: pequena etnografia sobre viagem, imagem e comunidade
Samuel Leal Barquete (IMS)
Entre os Xavante hoje é comum a articulação com não-indígenas, onde o cinema é prática importante de mobilização. Observa-se nesta comunicação uma dessas redes, uma viagem onde as imagens foram disparadores centrais de relação. Na busca por resolução de problemas que produção, arquivo e circulação de imagens implicam, relações se atualizam tendo o fazer-cinema como horizonte contínuo. Nesse processo, as imagens se tornam um rastro das contaminações mútuas entre cinema, indivíduos e comunidade.
O barro, o jenipapo, o giz e o cinema no território Xakriabá
Clarisse Maria Castro de Alvarenga (UFMG)
Neste trabalho pretendo abordar processo pedagógico intercultural envolvendo o cinema em território Xakriabá. Trata-se de uma experiência transcorrida no âmbito do Curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas (UFMG), entre 2016 e 2018. Procuro aproximar a reflexão acerca desse processo das categorias criadas por Célia Xakriabá (2018) em sua defesa da educação territorializada: o barro, o jenipapo e o giz.

políticas públicas, cadeia produtiva

9/10 às 14h30 – Sala 605
Sob pressão: Instabilidades institucionais do audiovisual brasileiro
Lia Bahia Cesário (ESPM/UFF)
A historiografia da institucionalidade do audiovisual brasileiro está inserida nas negociações com os diferentes projetos políticos do país. Destes derivam modelos de políticas públicas que acionam imaginários, estéticas e éticas. As disputas que modulam o audiovisual nacional são tecidas na transversalidade entre teoria, políticas públicas e práticas imagéticas. Entender o processo histórico de forma orgânica parece importante para enfrentar a atual instabilidade institucional do setor.
Articulações Locais na Política Pública de Fomento ao Audiovisual
Raphael Brito Faustino (F. Cásper Líbero)
Este trabalho busca analisar os impactos institucionais e econômicos das políticas de fomento desenvolvidas pelo Governo Federal. Considera-se que o estimulo promovido pelas políticas federais também foi responsável pela expansão de ações locais, promovendo articulação entre os entes da federação, como forma de complementar ou ampliar os impactos do investimento realizado no setor audiovisual. Tal análise será baseada com base na atuação da SPCINE no Município de São Paulo.
A inovação na cadeia produtiva do audiovisual brasileiro contemporâneo
Gustavo Padovani (UNICAMP)
O trabalho pretende discutir a noção de inovação aplicada a cadeia produtiva do audiovisual contemporâneo no Brasil. O estudo utilizará a Propriedade Intelectual (PI) como ponto de partida para uma investigação cartográfica das produções audiovisuais contemporâneas para auxiliar na discussão e no desenvolvimento de parâmetros para o conceito de inovação.

youtube, facebook, live

9/10 às 14h30 – Sala 606
Audiovisualidades críticas: Discursos sobre o cinema no YouTube Brasil
Wanderley de Mattos Teixeira Neto (UFBA)
O intuito da comunicação é discutir o atual estágio da produção de críticas de cinema audiovisual no Brasil a partir dos canais de vídeo Isabela Boscov e Entre Planos, ambos presentes no YouTube. A partir de três demandas (de linguagem, da plataforma e de sociabilidade) pretendemos compreender da maneira como a retórica audiovisual da crítica online tem sido exercitada.
Performance pornocultural no Facebook: as SuicideGirls
Marjulie Angonese (UFRGS)
Este trabalho dispõe parte da pesquisa realizada para a Dissertação de Mestrado da autora, de título Pornocultura e feminismo: as SuicideGirls ao vivo no Facebook. Foi realizada a análise de discurso de quatro transmissões ao vivo de modelos, que também responderam a entrevistas semiestruturadas. O estudo apontou para o desejo conflitante das modelos de não terem seus corpos considerados mercadorias pornificadas e o anseio de obtenção de capital social para serem influenciadoras digitais.
Ao vivo como dispositivo em “Aos Vivos” (2018) de Nuno Ramos
Juliana Garzillo Cavalcanti (USP)
O presente texto tem como objeto de análise um vídeo da série “Aos Vivos” (2018), de Nuno Ramos. Apesar de composta por treze vídeos, “Aos Vivos” será discutida com foco na transmissão ao vivo na internet no dia 28 de outubro de 2018, a saber: “Aos Vivos – Debate nº 3 (Terra em Transe)”. Considerando as múltiplas referências contidas na peça analisada, foca-se no procedimento ao vivo como dispositivo artístico que abre caminho para outros dispositivos performáticos na construção poética da obra.

identidade, raça, resistência

9/10 às 14h30 – Sala 607
GÊNERO, RACISMO E EDUCAÇÃO EM DIÁRIOS DE CLASSE (2017)
Carla Conceição da Silva Paiva (UNEB)
Diários de classe (2017), de Maria Carolina e Igor Souza, é um documentário que acompanha o cotidiano de alunas de centros de alfabetização para adultos em Salvador. Nosso trabalho, parte de uma investigação sobre os tipos de representações sociais construídas das mulheres negras no cinema contemporâneo brasileiro, realizará uma análise fílmica acerca das questões atribuídas ao ser mulher negra, a partir das desigualdades sociais, resultantes das relações de gênero, classe e raça.
IDENTIDADE DE RESISTÊNCIA NO CINEMA DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS
Maria Neli Costa Neves (UNICAMP)
Em muitos dos filmes de Nelson Pereira dos Santos, há ênfase em temas como etnicidade e mestiçagem. A partir do cinema desse diretor, tendo como objeto de estudo a fita Tenda dos Milagres (1977), este trabalho propõe uma refexão sobre as disputas identitárias, religiosidade afro-brasileira e as estratégias dos afrodescendentes na luta contra a desumanização. Para isso, utilizaremos o conceito de “identidade de resistência” (NASCIMENTO, 2003) e o embasamento teórico de Nascimento e Schwarcz.
Os race films e a resistência afro-americana no período silencioso
Fabio Luciano Francener Pinheiro (Unespar)
Ignorados pela historiografia do cinema nos Estados Unidos, os race films integram uma categoria de produções criadas e produzidas e estreladas por afro-americanos e exibidas em um circuito alternativo para plateias negras. Dos cerca de 500 títulos produzidos entre 1915 e 1955, pouco mais de cem foram preservados. Circulando à margem dos estúdios, estes filmes foram um espaço de resistência aos estereótipos do cinema mainstream e de afirmação de uma identidade afro-americana.

autoria 2. excesso, metáfora, dialogismo

9/10 às 14h30 – Sala 608
Excesso e mobilização cognitiva-corpórea em “Ossos”, de Helena Ignez.
GABRIELA RUFINO MARUNO (USP)
No campo das políticas da visualidade, tudo que é acessado audiovisualmente tem uma dimensão política capaz de causar resposta cognitiva-corpórea. Neste prisma, analisaremos o curta “Ossos”, de Helena Ignez, happening cinematográfico inspirado na obra de Tadeusz Kantor. O filme é construído sob a centralidade do excesso, mas não pelo regime da obviedade e da reiteração, e sim pelos regimes do êxtase e das atrações, levando a uma mobilização dos corpos envolvidos na experiência fílmica.
Representações/metáforas da água na filmografia de Kim Ki-duk
Josmar de Oliveira Reyes (Unisinos)
Pretende-se abordar a água, como elemento que encontra diversas representações na filmografia do realizador coreano Kim ki-duk: o rio em Crocodilo, o mar em Birdcage inn. , a ilha em A Ilha, o aquário em Birdcage inn e em Pietà, o lago em Primavera, verão, outono, inverno…Primavera, o banho em Samaria. Estas representações aquáticas ao longo da filmografia do cineasta propõem uma leitura simbólica e metafórica que se constrói no interior da narrativa e/ou no diálogo entre os diversos filmes.
Diálogos Vitais: o ato comunicacional nos filmes de Jan Švankmajer.
RODRIGO ANDRE DA COSTA GRACA (UTP)
Este trabalho se propõe a compreender as relações dialogais presentes nos filmes do diretor tcheco Jan Švankmajer, assim como como esses diálogos se articulam entre os filmes. Para isto são utilizados conceitos de dialogismo, heteroglossia, refração e reflexão de Bakhtin; rasgadura, paradoxismo, passagem e antropomorfismo de Didi-Huberman; potência e contemporâneo de Agamben. Seus filmes dão materialidade a uma filosofia particular sobre questões humanas, sobre comunicação e sobre cinema.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 1

9/10 às 16h30 – Sala 615
À ESCUTA DE TELEFONE SEM FIO, VIDEO-ARTE BRASILEIRA DE 1976.
CLOTILDE BORGES GUIMARÃRS (ECA/USP)
Este trabalho quer discutir experimentações sonoras dentro da produção audiovisual brasileira na sua intersecção com as artes visuais e por isso escolhemos pesquisar a produção videográfica. Nos interessou a liberdade que os videoartistas possuem para explorar temas como a escuta, a sonoridade, o comportamento do som no ambiente e nas mídias e que de alguma maneira definem nossa condição geográfica, cultural e social.
Dispositivos Sonoros: o design de som e a arte sonora no filme A Balsa
Filipe Barros Beltrão (UFPE)
No presente artigo vamos desenvolver uma reflexão sobre as aproximações e simbioses entre os campos da arte sonora e o design de som no cinema. Partiremos do estudo de caso do trabalho do artista sonoro e sound designer Thelmo Cristovam no média-metragem A Balsa (Marcelo Pedroso, 2009). O som deste filme evoca ligações diretas com o campo da arte sonora, o conceito de instalação e objetos sonoros e da balsa como dispositivo sonoro.
Sobre os processos de criação e o estilo do som em curta metragens
debora regina opolski (UFPR)Luis Bourscheidt (IFPR)
Este trabalho traça um paralelo entre a criação e o estilo do som em curta metragens brasileiros. Através de análises, pretendemos discutir sobre o estilo sonoro dos curta metragens com o objetivo de entender como o processo de criação da trilha sonora se concretiza no audiovisual. Tal objetivo se justifica pela necessidade de compreensão da relação entre os processos e os resultados tanto por parte dos profissionais do som quanto dos docentes que ministram conteúdos sobre o som no audiovisual.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – Sessão 1

9/10 às 16h30 – Sala 616
Poéticas e práticas de recusa no cinema periférico feito por mulheres
Liliane Leroux (UERJ)
Este trabalho nasce de uma busca por, não apenas uma metodologia, mas uma prática que permita pensar o cinema em uma perspectiva anti-colonial. Nele, apresento os impasses que encontrei pesquisando o cinema produzido nas favelas e periferias do Rio de Janeiro, o encontro recente com o trabalho – acadêmico e artístico – da filósofa Denise Ferreira da Silva, e os desdobramentos que venho experimentando a partir daí em processos e práticas de pesquisa com mulheres que fazem cinema nas periferias.
O giro decolonial no cinema de realizadoras latino-americanas
Julia Vilhena Rodrigues (PUC-Rio)
A partir da análise de algumas obras da autoria de realizadoras latino-americanas, pretende-se refletir sobre o engajamento que elas propõem com a imagem, assim como os gestos de sua autoinscrição nos filmes, em diálogo com o pensamento decolonial e com o projeto estético-político do Terceiro Cinema.
Um traçado sobre personagens periféricos em movimento e interrupção.
juliana serfaty (PPGCINE)
Este trabalho tem como eixo principal investigar como o cinema contemporâneo tem tratado de mostrar imagens de circulação e interrupção de personagens periféricos, seja no circuito centro-periferia ou mesmo no território periférico onde vivem. Para esta análise, utilizaremos a noção de “movimento” de Bergson e “geometria do poder” de Doreen Massey junto ao um corpus heterogêneo de filmes, que inclui tanto filmes com propostas estéticas realista, como filmes de ficção científica.

ST Cinema comparado – Sessão 1 (Confrontos cine-plásticos)

9/10 às 16h30 – Sala 804
A capoeira-dança nos desenhos de Carybé e no filme Vadiação
Cyntia Araújo Nogueira (UFRB)
Análise das relações entre cinema, artes e cultura na série Jogo da Capoeira (1951), de Carybé, e no filme Vadiação (1954), de Alexandre Robatto, baseado em storyboard do artista plástico argentino. Dos desenhos ao filme, das imagens pictóricas ao registro dos corpos-capoeira em movimento, o filme constrói-se a partir de um roteiro de atitudes, posturas e gestos da capoeira, atualizados pela câmera, a serviço dos corpos de sujeitos históricos afrodescendentes em jogo, luta, dança.
A imagem de Cristo no cinema: um caso de idolatria
Pedro de Andrade Lima Faissol (Unespar)
Marie-José Mondzain, em sua pesquisa acerca da economia icônica bizantina, faz um recuo à segunda crise do iconoclasmo para refletir sobre a produção de imagens contemporâneas. Partiremos desse debate, sintetizado na oposição eikon/eidolon, para comparar a imagem de Cristo em duas paixões dos EUA. Supõe-se que, no filme de DeMille (1927), a representação de Cristo tenha sido concebida para evitar os riscos da idolatria; já no filme de Ray (1961), para refletir a imagem de uma sociedade idólatra.
Tampouco um filme: implicações da negação fílmica na obra de Panahi
Breno Almeida Brito Reis (UFC)
Este estudo toma a gravura Les deux mystères (1966), de Magritte, em seu caráter de metaimagem, como dispositivo epistêmico para analisar o modo de realização de Isto não é um filme (2011), do realizador iraniano Jafar Panahi, cujo título referencia o enunciado interno da gravura (Isto não é um cachimbo). Tal conexão viabiliza analisar, para além da categoria do não-filme, o processo fílmico de Panahi e as estratégias mobilizadas sob as condições da interdição à qual o realizador foi sentenciado

ST Corpo, gesto e atuação – Sessão 2

9/10 às 16h30 – Sala 805
Coreografias dos prazeres femininos – gestos e atrações pornô em As fi
Mariana Baltar (PPGCine/UFF)Érica Ramos Sarmet dos Santos (ECA-USP)
Esta comunicação pretende analisar o papel específico das coreografias sexuais em As Filhas do Fogo, de Albertina Carri (2018). No filme, gestos dos corpos na tela e do corpo fílmico colocam em cena questionamentos sobre a visibilidade dos desejos e prazeres das feminilidades. Propomos pensar como uma análise focada nas dimensões do corpo (seus gestos e volumes expressivos) presentificam, não apenas as tensões da política de gêneros, mas os próprios deslizamentos das tradições do pornográfico.
Loucura e insurreição do corpo feminino em Rivette e Cassavetes
Maria Leite Chiaretti (ECA / USP)
A comunicação examina, em perspectiva comparatista, o modo pelo qual os longas L’Amour fou (Rivette, 1968) e A Woman Under the Influence (Cassavetes, 1974) figuram a experiência da loucura de suas protagonistas. Cada um a seu modo, os filmes inventam um estilo capaz de enfrentar o material dramatúrgico da instabilidade psíquica feminina. Trata-se então de discutir em ambos o nexo entre tal estilo e a revolta do corpo feminino contra o cerceamento do espaço reservado às mulheres até então.
O corpo como um lugar de memória em Teatro de Guerra, de Lola Arias
Carolina Goncalves pinto (ECA – USP)
Ao analisar o filme Teatro de Guerra (2018), Lola Arias, o relacionamos à questão formulada por Mônica Toledo da Silva: “Como lidar com a memória do outro se não for com a imaginação?” (DA SILVA, 2013) No filme, a memória é um campo em disputa, entre os que estiveram em lados opostos nas trincheiras, entre narrativas oficiais e os relatos dos sobreviventes. Dispositivos são criados para convocar estas memórias e o corpo é o vetor no qual se manifestam, através da fala, do gesto, da presença.

painel 7. estudos de gêneros cinematográficos – Coordenação: Arthur Fernandes Andrade Lins

9/10 às 16h30 – Sala 601
Localizando o western contemporâneo
Luiz Felipe Rocha Baute (UNICAMP)
Serão exploradas as intersecções entre o cinema western e as formações sociopolíticas contemporâneas. Com o objetivo de explorar a fundo as categorias do gênero, utilizarei dos conceitos de “tradição seletiva”, de Raymond Williams e de “campo de produção cultural”, de Pierre Bourdieu. A partir de um recorte da cinematografia recente do western, analisarei os modos de articulação de questões atuais materializadas em obras do gênero, bem como seus desdobramentos no cinema e para além dele.
Um gênero em (re)configuração: “melodrama de macho” em Praia do Futuro
EVERALDO ASEVEDO MATTOS (UFBA)
Adotando-se, como objeto de estudo, o filme Praia do Futuro, de Karim Aïnouz, propõe-se, neste trabalho, a análise da (re)configuração das matrizes históricas e elementos caracterizadores do gênero melodrama nesta obra audiovisual (que, conforme afirmado pelo próprio diretor, nortearam a concepção e realização de seu produto), de modo a perceber as estratégias utilizadas pelo cineasta para criar, numa narrativa protagonizada por homens gay, um “melodrama de macho”.
Mutações do gênero faroeste nos anos 1960
Francisco Etruri Parente (PUC-SP)
O trabalho abordará as mutações que o gênero cinematográfico norte americano do faroeste sofreu durante a década de 1960 em três contextos cinematográficos diferentes, com os filme Yojimbo de Akira Kurosawa, 1961; Por Um Punhado de Dólares de Sergio Leone; e Os Deuses e Os Mortos de Ruy Guerra, 1970. Os três filmes foram escolhidos pois possuem a mesma narrativa.
O Fenômeno dos Filoni: Os Ciclos do Cinema de Gênero na Itália.
Gabriel Bueno Lisboa (Unicamp)
Por mais de vinte anos a Itália foi um dos maiores mercados consumidores e exportadores de cinema de gênero do mundo tendo um modo de produção muito particular, em sua maioria, de coproduções internacionais que exploravam a momentânea popularidade de determinado gênero em ciclos chamados de filone. Este cinema popular italiano forneceria ao seu público, filtros difusos sobre o momento social e político do país, assim como a catarse emocional promovida por estímulos constantes.

painel 5. imagens da alteridade – Coordenação: Sophia Pinheiro

9/10 às 16h30 – Sala 602
Corpos marginalizados de Branco sai preto fica e Era uma vez Brasília
Paloma Palacio Marcelino (UFRJ)
Neste trabalho, pretendemos fazer uma análise estética dos dois últimos filmes do cineasta Adirley Queirós, Branco sai, preto fica (2014) e Era uma vez Brasília (2017), tendo por interesse a mise-en-scène dos corpos periféricos. Do conceito de corpo-máquina ao de corpo-arquivo, passando pelo testemunho, vamos defender o processo fílmico das obras de Adirley como um gesto de memória.
Olhar fantasmagórico: a imagem do rosto como experiência de alteridade
Bruno Carboni Gödecke (PUCRS)
No presente trabalho, buscarei caminhos para compreender a distinção das possibilidades de experiência de alteridade do observador ao perceber (1) o rosto presencial e (2) a imagem do rosto em um filme. Para tanto, usarei como objeto de análise um conjunto de imagens do cineasta Robert Bresson, caracterizadas pela exploração do rosto e do olhar e, nas quais, proponho, a questão da alteridade é representada.
Personas Performáticas: Estudos a partir de Gabriel Mascaro.
Katrin Riato (PUC-SP)
Diante da observação do contexto atual da produção do cinema pernambucano, nota-se a interação estética e conceitual deste cinema com elementos da arte contemporânea, como a performance. É neste contexto que se propõe a análise do filme Avenida Brasília Formosa de Gabriel Mascaro, propondo aproximações da obra com o conceito de Personas Performáticas de Ana Goldenstein. Esse estudo evidencia as distintas possibilidades de construção e apresentação do “eu” no cinema, através da performance.
Questões estruturais do Cinema Negro brasileiro contemporâneo
Rodrigo Fagundes Bouillet (CEFET/RJ)
O artigo investiga as questões estruturais do Cinema Negro brasileiro contemporâneo. Observa-se a hiper concentração das forças produtivas no grupo branco da população, um espelhamento da formação social do país no setor audiovisual que impede o Cinema Negro de reunir condições materiais para sua produção em larga escala bem como para a massificação de sua circulação e consumo. As lutas por representatividade, representação e redistribuição confrontam este cenário entre tensões e conquistas

histórias. crítica, carnavalização, hiatos

9/10 às 16h30 – Sala 809
Tentando criticar efetivamente o filme LIMITE (1931), de Mário Peixoto
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (CTR/ECA-USP)
A impressão que partilhamos é a de que LIMITE faria jus às mais elaboradas categorias conceituais em disponibilidade na literatura especializada, ou mesmo exigiria o esboço de algumas novas. Um maior revelar crítico do seu “realismo poético” e do seu “ritmo” estariam a requerer tentativas ainda mais sedimentadas na análise empenhada em campo estético diversificado, talvez com aportes e articulações comparativas que sua extrema singularidade no contexto específico de realização possa ter inibido.
Hiato fílmico e liberação narrativa em Lições de História
Dalila Camargo Martins (ECA/USP)
Lições de História (1972) é uma adaptação d’Os Negócios do Senhor Júlio César, de Bertolt Brecht. O romance narra a investigação frustrada de um jovem biógrafo acerca do imperador. No filme, Danièle Huillet e Jean-Marie Straub focam na experiência de silenciamento do protagonista-narrador e, em consequência, no efeito que ela surte no espectador, mediante duas estratégias eminentemente cinematográficas: o posicionamento extemporâneo do protagonista-narrador e a autonomização da decupagem.
Ladrões de cinema (1977) e a carnavalização do filme histórico.
Míriam Silvestre 78609160106 (UnB)
Proponho a discussão sobre o que caracteriza o gênero do filme histórico e de que maneira se configura todo um ideário a respeito deste conceito através do filme Ladrões de cinema (1977), produção brasileira dirigida por Fernando Coni Campos (1933-1988). O filme ultrapassa a mistura de discussões sobre metalinguagem no cinema, abordando elementos como a divulgação da história para além do texto acadêmico, presente em outros campos (como nos sambas-enredo, por exemplo).

a associação de críticos e a memória do cinema brasileiro

9/10 às 16h30 – Sala 603
Narrativas da crítica: resgate e história na transformação dos meio
Fatimarlei Lunardelli (Unisinos)
A partir do livro “Trajetória da Crítica de Cinema no Brasil”, a comunicação objetiva compreender como a crítica constrói relatos de si no contexto das transformações tecnológicas e culturais dos meios. Ancorados pela criação da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, os profissionais buscam novas formas de legitimidade e assumem a tarefa de contar a própria história. Na interface das pesquisas jornalística e acadêmica, emerge um olhar tensionado pela necessidade de preservar a memória.
Formação e perfil das associações de críticos
Ivonete Pinto (UFPel)
Partindo de dados sobre o movimento associativo da crítica de cinema no Brasil e em uma abordagem que valoriza a história como memória, pretende-se examinar as condições históricas, culturais e tecnológicas que permitiram o surgimento de entidades formais ligadas à crítica. Com ênfase na fundação da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, propõe-se demostrar que um novo perfil de críticos tem surgido e ações como a publicação de livros resultam na construção de uma memória coletiva.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 2 Cinema Experimental

9/10 às 16h30 – Sala 806
Cinema Experimental, Cinema Expandido, Documentário: entre o Arquivo e o Found-footage
Maria Guiomar Pessôa Ramos (ECO/UFRJ)
Tendo a obra inicial do artista multimídia Arthur Omar como baliza, apresentar o Coletivo Anarca Filmes através de 2 curtas-metragens destacando a presença do chamado Cinema Expandido. Estabelecer distâncias e continuidades entre a prática de alguns filmes dos 70’s de Omar e as produções da Anarca, destacando aspectos que salientam a performance e a utilização de um material de arquivo re-significado como found-footage.
H.O. – o estado documental no cinema de invenção de Ivan Cardoso
Rodrigo Corrêa Gontijo (UNICAMP)
H.O. (1979) de Ivan Cardoso, filme que apresenta estados documentais de variadas intensidades em certos momentos da narrativa, foi estruturado a partir de uma colagem de imagens e sons que abordam o processo criativo do artista Hélio Oiticica. Esta pesquisa analisa os conceitos de documentalidade (STEYERL:2003) e leitura documentarizante (ODIN:2012) em H.O., para refletir sobre determinadas características do cinema experimental brasileiro.

ST Montagem Audiovisual: reflexões e experiências – Iniciações na Montagem (mesa2)

9/10 às 16h30 – Sala 807
Hiato 71: transições (in)visíveis na montagem de “Lawrence da Arábia”
VINICIUS AUGUSTO CARVALHO (ESPM-Rio)
O estudo analisa pontuações visíveis (fade ou fusão) e invisíveis (corte) na produção de elipses temporais em “Lawrence da Arábia” (1962). A partir da teoria de Metz, Burch e Martin, foram examinadas as transições da obra, com destaque para a ligação 71, um hiato de tempo concebido por meio de um corte “não planejado”. A investigação revela que a montagem elíptica, no filme estudado, apresenta divergências em relação aos “padrões” formatados para a representação imagética das elipses clássicas.
Hospital Universitário Clementino Fraga Fº: uma construção da memória
Mili Bursztyn de Oliveira Santos (UFF)Arthur Ribeiro Frazão (UFRJ)
A partir do processo de realização de uma série de três documentários sobre o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, apresentamos reflexões teóricas sobre a montagem de arquivo como um espaço possível de organização e elaboração do passado. O trabalho com as fotografias e documentos históricos que registram os 28 anos da construção do hospital, permitiram uma elaboração audiovisual da passagem do tempo e a afirmação da montagem como gesto político e estético.

ST Mulheres no cinema e audiovisual – Sessão 2

9/10 às 16h30 – Sala 808
Rastros de fogo no vento: o cinema político de Marceline Loridan
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
O trabalho lança um olhar sobre a importância das concepções cinematográficas de Marceline Loridan (1928-2018) na consolidação de um dos momentos mais vigorosos da história do documentário.Por meio da parceria com Joris Ivens (1898-1989), Loridan pode ser compreendida como um dos nomes essenciais na cena do documentário político da segunda metade do século XX. Pensar os rastros da diretora nos filmes, suas orientações marcadas pelo afeto e a autobiografia são os objetivos iniciais da pesquisa.
Cineastas mulheres seriam impermeáveis à grandeza?
Karla Holanda (UFF)
Em 1971, Linda Nochlin publica nos Estados Unidos o ensaio “Por que não existiram grandes artistas mulheres?”, cuja provocação se instala desde o título, pela afirmação disfarçada em pergunta. Proponho aqui ajustar algumas questões promovidas pelo texto de Nochlin ao contexto cinematográfico brasileiro em torno dos 1970, quando grandes cineastas brasileiros se canonizavam pela história do cinema, que não incluiu nenhum nome feminino em grandeza similar. Seriam elas impermeáveis à grandeza?
Tão longe é aqui: Autoficção e a desconstrução dos universos femininos
maria henriqueta creidy satt (PUCRS)
Eliza Capai tem uma série de filmes e reportagens com mulheres de diferentes lugares do mundo. Nesta comunicação, o foco de atenção é o ensaio “Tão longe é aqui”, longa-metragem de estreia da diretora, realizado em uma viagem à África. O interesse é perceber a forma como inventa sua persona, sob o conceito da autoficção, para colocar em cena tanto seu estranhamento com as vulnerabilidades das mulheres africanas como o embate com as suas próprias precariedades.

cinema, território e subjetivação 2

9/10 às 16h30 – Sala 604
Cinema, grupo, clínica: notas sobre uma prática
Cezar Migliorin (UFF)
Os desdobramentos das pesquisas na pedagogia dos dispositivos nos levaram a experiências individuais e de grupo em que o fazer-imagem está diretamente ligado a modos de experimentar o território, o outro, os sentidos e a linguagem. Modos de experimentação e cuidado de si e do mundo que se fazem em processos criativos com a realidade. Apresentamos nessa comunicação algumas pistas das relações do cinema com a clínica a partir de trabalhos realizados no Laboratório Kumã, na UFF.
Filmar, parar de filmar: cinema na encruzilhada
André Guimarães Brasil (UFMG)
Pretendo privilegiar um acontecimento intensamente circunscrito, ocorrido em meio a um laboratório de documentário, paralelo à disciplina Catar folhas: saberes e fazeres do povo de axé na UFMG. Trata-se, como se verá, do momento em que o cinema se encontra em uma encruzilhada, situação definidora de sua prática: permanecer filmando o evento ou interromper a imagem? Gostaríamos de repercutir a segunda opção, aquela do corte e da interrupção; suas implicações éticas, políticas e estéticas.

política 3

9/10 às 16h30 – Sala 605
Orestes, a Oréstia e democracia
Josué da Silva Bochi (UFF)
Orestes (dir. Rodrigo Siqueira, 2015) é um intrincado documentário que trata das presenças da ditadura e da violência de Estado no Brasil contemporâneo. Pretendo abordar o filme através de sua relação ambivalente com a trilogia Oréstia, de Ésquilo, que aparece tanto como um “marco civilizatório” quanto como matéria trágica em que a fé democrática se suspende. Para isso, tecerei algumas considerações sobre os lugares da lei arcaica, do tribunal, do coro e do herói trágico.
Luta armada e ditadura em dois documentários ultraconservadores
WALLACE ANDRIOLI GUEDES (UFJF)
“Reparação” e “1964: O Brasil Entre Armas e Livros” se assemelham na visão que têm das esquerdas na ditadura militar. Ultraconservadores, ambos recorrem à história para construir uma releitura de temas consagrados. Há neles um esforço para conectar esse passado ao presente do país, marcando uma continuidade entre a luta armada e os recentes governos do PT. Instrumentalizam a história em prol de lutas políticas atuais da direita e da extrema-direita. O presente trabalho se propõe a analisá-los.
OS FILMES HERITAGE: REACIONÁRIOS OU PROGRESSISTAS?
JOSE AILSON LEMOS DE SOUZA (UFBA)
Os discursos em torno dos filmes heritage dividem-se entre uma perspectiva que os interpreta como produções conservadoras, com base principalmente na ênfase em imagens do patrimônio cultural britânico, e uma outra leitura, que se concentra nas relações de poder entre sexo gênero e classe social enquanto vetores de contestação para diversas identidades contemporâneas. As produções despertam uma salutar reflexão sobre a força dos discursos críticos na elaboração de significados culturais.

coletivos, entrelugar, identidade

9/10 às 16h30 – Sala 606
Cinemas do entrelugar: Filmes de Plástico e Rosza Filmes
Angelita Maria Bogado (UFRB)
Filmes de Plástico e Rosza Filmes, além do reconhecido destaque no cenário nacional, escolheram enquanto lugar de fala, espaços invisibilizados pelos grandes centros: Recôncavo da BA e Contagem. Nossa proposta é pensar como a relação entre os afetos e as territorialidades permite a materialização de um cinema híbrido, capaz de criar modos de passagem entre elementos fronteiriços. Realizadores que expressaram as fraturas do seu tempo e a complexidade deste momento de disputa e dissenso.
Circulação audiovisual e formação de público no interior da Bahia
Cristiane da Silveira Lima (UFSB)
Em atividade desde 2018 na UFSB, o programa de extensão Imagina! Circuito Permanente de Audiovisual tem como objetivo promover os circuitos alternativos de exibição e a formação de público na região do sul da Bahia. Neste trabalho, propomos um relato teórico e crítico acerca desta experiência prática, buscando refletir sobre as potências e os desafios de se atuar com o audiovisual neste território e contribuir para a implementação de uma universidade pública que pretende ser inclusiva e popular.
Padrões de linguagem e identidade no filme Muleque té doido! (2014)
Andréia de Lima Silva (IFMA)
Esta comunicação propõe a caracterização dos padrões de linguagem e identidade maranhense do filme Muleque té doido! (2014) tomando por referencial teórico o imaginário e as representações culturais de um cinema ainda considerado local/regional. O filme em análise foi um fenômeno local de bilheteria e ficou em cartaz por cerca de três meses. Ao inserir o folclore e as lendas locais, o longa mesclou elementos “regionais” maranhenses com elementos “universais” hollywoodiano (em termos estéticos).

cinemas gaúchos

9/10 às 16h30 – Sala 607
Cinema de baixo orçamento no Rio Grande do Sul e a economia da dádiva
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)
Partindo de filmes realizados no RS desde 2010, com valor até 500 mil, a apresentação busca identificar práticas de produção de realizadores que trabalham com o baixo orçamento, e ver a possibilidade de relacionar suas motivações com a Economia da Dádiva. A discussão integra a pesquisa Cinema brasileiro e a economia da dádiva: o baixo orçamento como projeto político-estético, financiada pelo CNPq, com apoio Capes, e realizada pelo Grupo de Pesquisa Processos Audiovisuais, junto ao PPGCOM/UFRGS.
Produção de presença e cinema, em Central, Rifle e Cidades fantasmas.
Guilherme de Souza Castro (UAM)
O estudo é sobre as relações entre o cinema e a produção de presença, conforme teoria desenvolvida por Gumbrecht (2010). Em Central (documentário, Tati Sager, 2017), Rifle (ficção, Davi Pretto, 2017) e Cidades fantasmas (documentário, Tyrell Spencer, 2017), filmes brasileiros realizados no Rio Grande do Sul, os efeitos estéticos de intensidade, tais como os Stimmungen, são potencializados por estratégias cinematográficas que comprometem o espectador com os pontos de vista e a voz da narrativa.
Casa Aurora: onde o cinema amador encontrou sua vitrine
Marilice Amábile Pedrolo Daronco (UFSM)
Nos anos de 1930, a vitrine de um estúdio fotográfico do Rio Grande do Sul, a Casa Aurora, foi transformada em tela de exibição de registros fílmicos. Isso ocorreu graças à apropriação da tecnologia amadora do 16mm para o fazer cinematográfico pelo imigrante Sioma Breitman. Propomos construir memórias sobre as produções que Breitman batizou de Cinejornal Aurora, refletindo como elas constituem mídias da memória e nos convidam a outros olhares sobre o universo da experiência cinematográfica.

vídeo: dança, ensaio, poesia

9/10 às 16h30 – Sala 608
Videodança: o sonho do cinema pulsante
michel mosso schettert (UFRJ)
A partir da definição de Glauber Rocha sobre cinema, “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, a pesquisa apresenta um modo de agenciamento coreográfico para a câmera, envolvendo os conceitos de ritmo sob a perspectiva do corpo.
Vídeo-ensaio: quando a Mise en Scène investiga a si mesma
LUIZ GUSTAVO VILELA TEIXEIRA (UTP)
Os Vídeos-ensaios, rearticulações didático-poéticas do cinema através de ferramentas de edição, apresentam uma possibilidade de usar a montagem para investigar o audiovisual, levando às últimas consequências as noções de que tanto o vídeo quanto o ensaio se apresentam como uma forma de pensamento própria. Partindo dessa premissa, empreendo a investigação de dois Vídeos-ensaios, diferentes em propostas, mas que usam a montagem como ferramenta de investigação do audiovisual.
Vídeo Brossa: relações entre vídeo e poesia experimental
Fernando Gerheim (UFRJ)
A proposta desta comunicação é apresentar a pesquisa sobre as relações entre palavra e imagem em um estudo de caso específico: os vídeos das Suítes de Poesia Visual do poeta e artista catalão Joan Brossa, que realizei no contexto de pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Barcelona.

Lançamento de Livros

9/10 às 18h30 – Foyer da Torre Educacional

IV Fórum de Discentes de Pós-Graduação (SOCINE)

9/10 às 19h00 – Sala 804

 
 

10/10


ST Cinema Negro africano e diaspórico – Narrativas e representações – Sessão 3

10/10 às 9h30 – Sala 615
Café com Canela – Cinema como estrategia de autocuidado e afeto
Edileuza Penha de Souza (UnB)
Em contraponto aos aparatos racistas e estereótipos historicamente impressos no cinema sobre mulheres negras, apresento o filme Café com Canela, produzido Glenda Nicácio e Ari Rosa e destaco como essa obra têm possibilitado reflexões sobre o autocuidado. O objetivo é também apresentar os resultados de um grupo de recepção com o filme e as discussões sobre cinema e autocuidado que foram levantadas.
A alma no olho: o olhar para a câmera em Café com Canela e Temporada
Cleissa Regina de Oliveira Martins (UFF)
O presente trabalho busca discutir o olhar do personagem para a câmera em dois longas-metragens do cinema nacional. A presença desse gesto em obras feitas por diferentes realizadores negros mostra uma questão que deve ser mais bem examinada. O ato de personagens negros olharem para a câmera aqui pode significar uma tomada de lugar no exercício de fazer cinema e uma subversão das representações até então pensadas para pessoas negras na frente, mas também atrás das câmeras.
Mulheres negras e imaginários sobre gênero e raça na recepção fílmica
Ceiça Ferreira [Conceição de Maria Ferreira Silva] (UEG)
Considerando a representação e a recepção como âmbitos interligados no circuito contínuo de produção de sentido, este trabalho analisa a construção de protagonistas negras criadas por participantes de uma pesquisa de recepção fílmica. A partir da caracterização e da trajetória dessa personagem imaginada, busca-se investigar os imaginários sobre gênero e raça, e também identificar se (e quais) outras posições-de-sujeito são oferecidas às mulheres negras.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Sessão 3: Cinematecas, cineclubes e arquivos

10/10 às 9h30 – Sala 616
Cinemateca do MAM e Cinemateca Uruguaia: resistência cultural nos anos
Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)
Nosso propósito é realizarmos uma análise comparativa entre as ações da Cinemateca do Museu de Moderna do Rio de Janeiro e a Cinemateca Uruguaia durante o período da ditadura militar nos respectivos países (Brasil e Uruguai). Desse modo, buscamos estudar o cinema durante regimes autoritários, mas não sob a perspectiva dos cineastas e de sua relação com o Estado. Nosso intuito é estudar as cinematecas e como tais instituições se inseriram no campo cultural nesse período.
Exílio e interrupção: a retomada dos arquivos em Guzmán e Coutinho
Julia Gonçalves Declie Fagioli (UFJF / UFMG)
Pressupondo que a montagem dos arquivos contribui para o entendimento da história, propomos comparar duas obras cinematográficas do contexto das ditaduras latino-americanas: a A batalha do Chile (Patrício Guzmán, 1975-1979) e Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984). Buscamos perceber como se articulam a tomada e a retomada, além de analisar aspectos formais dos filmes que poderiam dar a ver a maneira como são atravessados por seus contextos, pelas condições às quais estão submetidos.
Os últimos desertores do terceiro cinema
Rafael Castanheira Parrode (USP)
O presente projeto de pesquisa pretende situar a experiência do coletivo Cineclube Antônio das Mortes (CAM) e suas experiências com a produção de filmes, a partir de aproximações com experiências coletivas similares na América Latina entre os anos 1970 e 1980 (Grupo de Cáli na Colômbia e Grupo Chaski no Perú) a partir de toda uma construção de pensamento sobre o que dentre outros termos, se convencionou a chamar de “Terceiro Cinema” na América Latina.

ST Cinema brasileiro contemporâneo: política, estética, invenção – Sessão 3

10/10 às 9h30 – Sala 804
Condensação e ressignificação: a retomada dos arquivos no cinema.
Patricia Furtado Mendes Machado (PUC-Rio)
Nossa proposta é pensar como o cinema brasileiro contemporâneo atualiza o duplo gesto de retomar imagens de arquivo e, no processo de remontagem, construir para elas novos sentidos. Estratégias como condensação ou ressiginificação de sentidos serão pensadas a partir de curtas brasileiros recentes realizados com arquivos audiovisuais: Autopsia (2016), de Mariana Barreiros e O golpe em 50 cortes ou A corte em 50 golpes (2017) de Lucas Campolina e Impeachment (2016, Diego de Jesus).
Invenções e (re)existências em Cuauhtémoc e Mundo Incrível REMIX
Roberto Ribeiro Miranda Cotta (UFPel)
Imagens de arquivo, de câmeras de vigilância, estáticas, dinâmicas e/ou capturadas da tela do computador. Sons de cliques de mouse, da webcam, do hip hop, do grindcore ou de uma ópera brasileira. Cuauhtémoc (Leo Pyrata, 2012) e Mundo Incrível REMIX (Gabriel Martins, 2014) retomam algumas tradições do cinema brasileiro, na mesma proporção que as ressignificam. Este trabalho pretende analisar como esses dois filmes constroem formas políticas de resistência através de suas articulações estéticas.
Perspectivas cruzadas: A poeira não quer sair do esqueleto
Maria Del-Vecchio Bogado (PPGCOM/ECO/UFRJ)
O presente trabalho busca investigar o potencial pedagógico e clínico do cinema a partir de um documentário contemporâneo, A poeira não quer sair do esqueleto, de 2018, realizado por Max Willa de Morais e Daniel Santiso. A partir de entrevistas realizadas com as diretoras e pessoas filmadas, busca-se investigar como o dispositivo que desencadeou o fazer fílmico afetou a produção de saberes e subjetividades entre os atuantes e espectadores.

ST Teorias e análises da direção de fotografia – Sessão 3

10/10 às 9h30 – Sala 805
A direção de fotografia e a poética do espaço
Rogério Luiz Silva de Oliveira (UESB)
A proposta propõe uma reflexão sobre a relação entre a direção de fotografia e o espaço. Toma como objeto de análise o processo criativo das narrativas audiovisuais “Sertão de Acrílico Azul Piscina” (2004) e “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (2009). A ideia é apresentada em diálogo com a poética do espaço de Gaston Bachelard, procurando compreender a forma como um vídeo-roteiro suscita, por meio do registro cinematográfico da espacialidade, ideias para um longa-metragem.
La Pointe Courte: afetações foto-dramatúrgicas no filme de Agnès Varda
Isabella Chianca Bessa Ribeiro do Valle (UFPB)
O objetivo é apresentar uma análise do filme La Pointe-Courte (1955), primeira obra dirigida por Agnès Varda, com ênfase nos elementos plásticos e estéticos que compõem a fotografia do longa-metragem, na compreensão da narrativa dramática proposta pela diretora para os personagens Elle e Lui. Em uma decupagem plano a plano das cenas que envolvem o casal, mergulharemos na produção de sentidos visuais que é construída ao longo da história, na relação atores-quadro, entre movimentos e diálogos.
Paisagens de fronteira e corpos femininos no quadro cinematográfico
Francieli Rebelatto (UNILA/UFF)
As personagens femininas dos filmes Mulher do Pai (2017) e Pela Janela (2018) atravessam distintas fronteiras entre o Uruguai, Brasil e Argentina. Pretende-se uma análise dos dois textos fílmicos na perspectiva da direção de fotografia ampliando as leituras sobre o deslocamento de afetos, corpos e câmera no território. Pretende-se articular a relação entre os conceitos de paisagem e sua expressividade no enquadramento, bem como, papel central no processo de criação dos diretores de fotografia.

painel 9. a presença de mulheres no cinema – Coordenação: Paula Alves de Almeida

10/10 às 9h30 – Sala 601
Cinema feito por mulheres em Alagoas: um panorama da ausência
Maysa Santos da Silva (UFS)
O trabalho investiga a trajetória das cineastas alagoanas, do primeiro filme em super 8 à produção contemporânea de curtas metragens, identificando principais marcos e obstáculos encontrados nos diversos contextos os quais as realizadoras se inserem, tanto politicamente quanto socialmente. Através de levantamento fílmico e pesquisa documental, refletimos sobre a presença feminina no cinema alagoano atual, destacando, por outro lado, uma longa ausência desses registros no período de 1929-1979.
Mulheres na direção: documentários de média-metragem no Brasil em 1980
Hanna Henck Dias Esperança (UFSCar)
Considerando a grande parcela que as mulheres ocupam na direção de documentários de curta e média metragem no Brasil entre 1980-1989, o presente trabalho tem como objeto de estudo dois eixos temáticos relevantes da produção em questão: a relação da mulher com o trabalho e a mulher marginalizada. Para que seja possível discuti-los, selecionamos dois filmes de cada eixo para análise, Sulanca (1986), de Kátia Mesel e Como um olhar sem rosto (1983), de Maria Inês Villares respectivamente.
PROTAGONISMO FEMININO NO CINEMA DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Carina Schroder (PUCRS)
Este relatório tem como objetivo apresentar a pesquisa em andamento sobre o protagonismo feminino no cinema de ficção científica a partir da personagem Ellen Ripley do filme Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, Ridley Scott,1979). Através deste recorte sobre a história do gênero de FC na literatura e no cinema, e da teoria feminista do cinema, será feita uma análise das características de Ellen Ripley e de outras personagens femininas de filmes de FC americanos que surgiram após seu lançamento.

painel 6. cinema e compreensão sócio-histórica da realidade – Coordenação: Márcio Zanetti Negrini

10/10 às 9h30 – Sala 602
Articulações cinematográficas da imagem de Rodney King
Pedro de Alencar Sant’Ana do Nascimento (UFF)
Através de análises de articulações das imagens do espancamento de Rodney King, em 1991, em dois filmes produzidos em dois momentos históricos diferentes (início da década de 1990 e segunda metade da década de 2010), faremos reflexões a respeito das formas através das quais esses filmes fazem uso dessas imagens dentro de seus discursos. Como elas são relacionadas aos momentos históricos que a eles interessam? O que podemos pensar a partir dessas imagens ao lançar sobre elas um olhar diaspórico?
AS DIMENSÕES POLÍTICAS DA LUZ NO ILUMINAI OS TERREIROS (2006)
ANTOINE NICOLAS GONOD D ARTEMARE (ECO-UFRJ)
Nessa apresentação, buscaremos apreender a questão da luz no mundo considerando sua dimensão política. Com esse intuito, nos perguntaremos: a luz não poderia ser encarada como sintoma ou produção discursiva de uma época? Quais relações de forças e poderes estariam, portanto, legíveis na iluminação? Para isso, analisaremos a obra Iluminai os Terreiros (2006). Nela, os artistas registraram expedições noturnas em periferias do Brasil em que lanternas gigantes foram postas performaticamente.
Suzuki e a Trilogia Taisho: Fantasmas na pós-modernidade
Aloísio Corrêa de Araújo (PGCOM-UAM)
Este trabalho busca realizar uma análise dos personagens fantasmagóricos dos três filmes da trilogia “Taisho” de Seijun Suzuki (“Zigeunerweisen”, 1980; “Kagero-za”, 1981; e “Yumeji”, 1991), levando em conta o contexto histórico. O objetivo é pensar o que há de pós-moderno nestes filmes, a partir de seus personagens, com base nas ideias de nostalgia e pós-modernidade, conceituadas por Fredric Jameson.
Uma pequena época de ouro do cinema equatoriano.
Luis Stéfano Murillo Reyes (PPGIS-UfScar)
Durante a década de 1920 a produção cinematográfica no Equador teve grande aumento. O investimento estrangeiro no país cresceu graças às reformas econômicas, o que estimulou a produção cinematográfica realizada por empresas privadas e voltada a propaganda governamental. Nesse cenário formaram-se algumas das produtoras que impulsionaram a produção desse período, que ficou conhecido como pequena época de ouro.
Montagem e espaço nos discursos sobre imigrantes brasileiros
Alexandre Nakahara (USP)
Esta apresentação pretende focar-se nos resultados de pesquisa de mestrado realizado sobre três filmes produzidos desde 2000 na cinematografia nacional japonesa que possuem como tema central a presença de imigrantes brasileiros no Japão. A partir de uma análise da construção espacial desses filmes, que se dá por meio de diferentes formas de montagem, o objetivo desse trabalho é apresentar os discursos em jogo e pensar o que eles apontam em relação às sociedades sugeridas e aos ideais nacionais.

políticas da imagem e imagens da política no neoconservadorismo.BR

10/10 às 9h30 – Sala 809
O Jardim das Afecções: Política Afetiva e Imagem em Olavo de Carvalho
Erick Felinto de Oliveira (UERJ)
De astrólogo obscuro na São Paulo dos anos 1970, Olavo de Carvalho passou a encarnar um agente político e cultural de vital importância na ascensão da extrema direita no Brasil dos anos 2000 (seu canal no Youtube conta com quase 700 mil subscrições). Por meio de uma análise da construção discursivo-imagética de seus vídeos, pretende-se investigar as razões por trás dessa astronômica ascensão, ao mesmo tempo em que se buscará esboçar os mitologemas fundamentais do imaginário neoconservador.
O presidente que fala a língua das (suas) imagens
Giselle Beiguelman (FAU-USP)
O artigo analisa a construção da imagem do presidente Jair Messias Bolsonaro nas redes sociais. Discute a apropriação da estética do precário e suas funções na escrita da história oficial de seu governo. Mostra como sua retórica visual opera como fator compensatório para o que sua oratória não entrega. Conclui que diante das (próprias) câmeras, Bolsonaro não fala com seu eleitor, ele o exprime. E ao exprimi-lo, transforma-o em um herói, convidando o eleitor a eleger-se a si próprio.
As Imagens Gore. Narrativas alternativas e memética na política
Ivana Bentes (UFRJ)
Como caracterizar o regime de imagens e seus efeitos de verdade, efeitos de crença e “narrativas alternativas” que emergiram durante as eleições de 2018? Estamos vendo a emergência de novos regimes de visualidade e de verdade? Que tipo de retórica se produziu nos vídeos que ajudaram a eleger o candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro? Análise de vídeos que circularam nas redes a partir de padrões de anonimato, autoralidade genérica, “imagem pobre” remix de arquivos, streamingns e virais.

a memória cultural do cinema de gênero: um musical de gangsters hoje

10/10 às 9h30 – Sala 603
O FILME MUSICAL DE GANGSTERS CONTEMPORÂNEO E O CINEMA DO SENSÍVEL
Bernadette Lyra (UFES)
Na memória do cinema, o lisível e o visível são diferentes ordens de articulação das experiências de espectadores de um filme. Este trabalho aponta uma terceira via, o sensível, voltado à experiência cinematográfica em um filme musical de gangsters contemporâneo. Para isso, são analisadas as bandas sonora e imagética do filme Baby Driver (2017), de Edgar Wright, à luz de desdobramentos teóricos da produção de presença e noções de ambiência, atmosfera e clima, expostas por Hans Ulrich Gumbrecht.
Estratégias de Produção e Pós-produção de som em Baby Driver
Fabrizio Di Sarno (UAM)
A presente pesquisa aborda as estratégias estéticas contidas na produção e pós-produção de som do filme Baby Driver (Em Ritmo de Fuga, Edgar Wrigth, 2017). A constante alternância de pontos de escuta, a espacialização e a panoramização da mixagem, a abordagem diegética e extra-diegética da trilha musical e a sua relação empática com os impactos emocionais dos acontecimentos na trajetória do protagonista são alguns dos procedimentos tecno-expressivos discutidos no decorrer deste trabalho.
Imersão, games e experiência do espaço sonoro nos fones de Baby Driver
Lucas Correia Meneguette (Fatec Tatuí)
O filme Baby Driver apresenta um aporte peculiar para o engendramento da experiência do espaço sonoro. Conforme o protagonista utiliza fones de ouvido para mascarar um tinnitus decorrente de um acidente de trânsito na infância, o filme propicia uma imersão em seu ponto de escuta subjetivo. Este trabalho propõe que tal fenômeno estabelece uma possível conexão com os conceitos de imersão e de presença conforme abordados pela literatura em realidade virtual e em games.

ST Cinema e Educação – Sessão 3

10/10 às 9h30 – Sala 806
Como Enganar um Míssil Teleguiado – Pedagogia Farockiana
LUÍS FELIPE FLORES (UFMG)
O trabalho de Harun Farocki carrega uma forte dimensão pedagógica, capaz de renovar nosso olhar para as imagens. Apropriando-se de elementos brechtianos, ele elabora um método de montagem que desloca os sentidos e posicionamentos usuais, tornando visível o que antes não era. Pretendemos esboçar, a partir da análise de filmes específicos, os fundamentos de uma pedagogia farockiana das imagens, que possa servir de base para a educação e a politização do olhar.
Uma pedagogia da montagem: a instância pedagógica no Ensaísmo
Álvaro Renan José de Brito Alves (UFPE)
A comunicação pretende esboçar a teoria de uma instância pedagógica da prática ensaística no cinema. Formular o lugar e o campo teórico do que se entende por pedagogia quando se trata de fazer e ver filmes, compreendendo o cinema como um desarticulador da ordem discursiva e do espaço hierárquico presentes na sala de aula e nos espaços socioeducativos. O ensaísmo vem como um dispositivo de ativação da vontade e da disponibilidade dos sujeitos aprendentes em buscar conhecer por meio da imagem.
Imagem-acontecimento / Cinema experimental e educação
Gustavo Jardim (UFMG)
Como uma imagem nos faz pensar? Como se pode dar o aprendizado com os filmes? É a partir da articulação destas duas questões que fazemos imersão em um conjunto de filmes experimentais, buscando encontrar lógicas que lhes são próprias e que nos informem sobre o campo específico que deseja-se pesquisar, visando em última instância, analisar suas dinâmicas e potências em processos formativos. Dedicaremos os esforços ao cinema experimental e nuances de sua relação com a filosofia e o aprendizado.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 3 – Acessos, alteridades e sala de cinema

10/10 às 9h30 – Sala 807
Cisgeneridade e transgeneridade no espaço físico do cinemão
Helder Thiago Cordeiro Maia (FAPESP)
Neste trabalho, a partir de quarenta e quatro textos literários e de vinte e nove estudos antropológicos latino-americanos, analiso as presenças, ausências e hegemonias dos corpos cisgêneros e transgêneros nos cinemas pornográficos. Nesse sentido, estamos interessados em entender como homens cisgêneros, homens transgêneros, mulheres cisgêneras e mulheres transgêneras se relacionam com o espaço físico do cinema pornô.
Acessibilidades em cinemas: entre novas estruturações e experiências.
Andreson Silva de Carvalho (ESPM-RJ)Talitha Gomes Ferraz (ESPM-Rio/PPGCine-UFF)
Analisamos as condições de acesso de pessoas com deficiência à sala de cinema, no que se refere principalmente à inserção da audiodescrição de acordo com demandas trazidas pela Instrução Normativa 128/2016 regulamentada pela ANCINE. Investigamos como as ambiências e as estruturações da sala de cinema podem ser impactadas em vista de alterações que se sobrepõe ao caráter coletivo da experiência de espectatorialidade em prol do atendimento a demandas particulares de deficientes.
Clandestinos: memórias/histórias de uma específica espectatorialidade
Ricardo Jose de Barros Cavalcanti (ESPM)
Este trabalho tem como objetivo investigar a história/memória de espectadores clandestinos do final da década de 1960 à de 1990, passando pela ditadura civil militar até a chegada dos complexos de salas no modelo multiplex.
Esta investigação, inserida no campo denominado “histórias de cinema”, se utiliza de entrevistas semiestruturadas com homens e mulheres de diferentes faixas etárias que narraram as memórias de suas idas clandestinas ao cinema, e dos espaços que abrigaram essas experiências.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 3 – Modos Poéticos

10/10 às 9h30 – Sala 808
Do Teatro ao Cinema de Poesia – Segundo Movimento
Flávio Costa Pinto de Brito (Flávio Kactuz) (PUC.Rio)
Este trabalho se propõe a dar continuidade a uma provável genealogia do conceito de Cinema de Poesia, observando o quanto este conceito esteve de uma certa forma conectado com teorias e práticas teatrais, desde suas origens nas primeiras décadas do século XX, sobretudo na crítica a uma encenação naturalista e na busca por outra noção daquilo que até então se compreendia como interpretação, instigando notáveis desdobramentos na cena instaurada no Teatro e no Cinema entre as décadas de 1940 e 1970
O transe em Glauber Rocha: a pura experiência dos materiais
Guilherme Gonçalves da Luz (ufrgs)
Neste trabalho, investigamos a noção de transe em Glauber Rocha, buscando indícios de uma teoria da percepção. Para tanto, analisamos o vínculo entre o transe e a constituição de imagens que se exprimem por meio de elementos mínimos da matéria fílmica. Seguindo Gilles Deleuze, para quem a percepção no cinema atua como uma forma de zeroidade, supomos que o transe seja capaz de produzir, a partir da deformação dos hábitos, imagens que instauram a percepção de um mundo em processo.
Cinema como modo de atenção: o modus poético em Andrei Tarkovski
Beatriz Avila Vasconcelos (Unespar)
Aproximando as ideias de Tarkovski sobre poesia e sobre o seu cinema à noção de poesia como modo de atenção (Alford 2015; Gumbrecht, 2016), procuro mostrar que, opostamente à ideia de poesia como evasão ou como atividade simbólica, Tarkovski firma uma concepção de poesia e de cinema fundada numa experiência do real, experiência esta que demanda um modo poético de atenção para os fenômenos do mundo.

a direção de arte na narrativa cinematográfica: composição e linguagem

10/10 às 9h30 – Sala 604
Direção de arte: repertório, interpretação e comunicação visual.
Nívea Faria de Souza (FACHA/UNESA)
A partir de uma análise crítica e comparada entre duas obras audiovisuais homônimas, Os maias de Eça de Queirós, uma brasileira e outra portuguesa, deseja-se revelar um recorte das possibilidades que um mesmo texto pode apresentar para sua materialização. O objetivo é deslindar as semelhanças e diferenças da interpretação criativa da arte, enfatizando a composição visual defendida em cada uma das obras, confrontando escolhas visuais e repertórios culturais.
O vestígio no cinema brasileiro contemporâneo. O caso de Árido Movie.
TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD (UFF)
O uso de construções marcadas por vestígios do tempo pode apresentar um novo problema para o estudo da direção de arte no cinema brasileiro contemporâneo. Na medida em que coincidem na construção da diegese espaços modificados por técnicas específicas de adequação ao enredo com matérias marcadas por inscrições do tempo, tencionam-se na imagem procedimentos de significação ficcional e visualidades do real. Este estudo propõe uma aproximação a este problema a partir da análise de Árido Movie.
Muito além da muralha: a composição visual em Game of Thrones
Dorotea Souza Bastos (UFRB)
Game of Thrones estreou como série televisiva em 2011 e contou, inicialmente, com a direção de arte de Gemma Jackson, sendo substituída por Deborah Riley a partir da quarta temporada, lançada em 2014. Nesta proposta aqui apresentada, pretende-se identificar e explorar as escolhas técnicas e estéticas das diretoras de arte em relação ao cenário e caracterização dos personagens, apontando para a importância da visualidade para a construção da narrativa da série.

representações do feminino 1

10/10 às 9h30 – Sala 605
Apontamentos sobre o início do cinema de mulheres em Goiás
Naira Rosana Dias da Silva (UFG)Rosa Maria Berardo (UFG)
O cinema produzido em Goiás encontra-se em processo de amadurecimento e vem emergindo com jovens cineastas. O objetivo é refletir sobre o “Cinema Feito por Mulheres em Goiás” com foco para as diretoras cinematográficas, realizando um panorama do cinema feito por elas, mensurando suas atuações enquanto sujeitos que o protagonizam. Para aqui tratar, fora realizado um recorte sobre as contribuições das precursoras e pioneiras, sendo tal estudo ainda algo novo dentre os trabalhos acadêmicos.
C(elas): claustros femininos e maternagem no ambiente prisional
Gabriela Santos Alves (UFES)
O objetivo desta proposta é tratar do processo de realização do curta-metragem C(elas), documentário que trata da relação entre maternidade e sistema prisional no Brasil a partir da experiência e do encontro entre uma equipe de set constituída exclusivamente por mulheres e mulheres em situação de privação de liberdade na ala materno infantil da Penitenciária Feminina de Cariacica, a fim de abordar uma temática importante para a teoria feminista: a maternidade.
Interpelações arquivísticas no cinema lésbico contemporâneo
Adriana P F Azevedo (PUC-Rio)
A presente comunicação pretende trabalhar as noções de “arquivo” e “memória” a partir das reflexões de Jacques Derrida em seu ensaio Mal de Arquivo: Uma impressão Freudiana (2001) e do conceito de archive of feelings, ou arquivo de sentimentos, proposto por Ann Cvetkovich. O objetivo é reivindicar um lugar às interpelações audiovisuais de mulheres lésbicas ao arquivo. Para tal, escolho como objetos o filme “The Watermelon Woman” de Cheryl Dunye e os home movies da cineasta Barbara Hammer.

adaptação 2. gêneros, intratextualidade, intertextualidade

10/10 às 9h30 – Sala 606
Da adaptação a intratextualidade: o alter-ego de Woody Allen.
Alexandre Silva Wolf (UTP / FAE)
Woody Allen é conhecido por seus trabalhos que realizam diálogos com os mais diferentes objetos. Estes são derivados de adaptações e chegam a construções intertextuais e intratextuais. Em seu filme Bananas (1971), adaptado de Richard Powell, aprimora seu alter-ego que em Desconstruindo Harry (1997) é multi-facetado, sendo encontrado intratextualmente em Meia Noite em Paris (2011). Sua narrativa evolui dialogando com o outro e consigo mesmo, revisionando elementos propostos anteriormente.
De Eddy a Marvin: homossexualidade e caminhos autorais da adaptação
Rodrigo Ribeiro Barreto (UFSB)
Como parte de uma pesquisa sobre a representação de masculinidades no audiovisual, o trabalho aborda a adaptação do romance “O Fim de Eddy” de Édouard Louis no filme “Marvin”, dirigido por Anne Fontaine em 2017. Aproximações e distanciamentos textuais entre a obra original e a obra adaptada são analisadas, em abordagem texto-contextual, tendo em vista o agenciamento artístico e a trajetória de suas instâncias autorais mais proeminentes.
Deuses entre nós: convenções das adaptações fílmicas de super-heróis
Vilson André Moreira Gonçalves (UTP)
O objetivo do presente trabalho é investigar as convenções estéticas e narrativas das adaptações fílmicas de super-heróis produzidas entre 1978 e 2018, atentando para o crescimento no número de produções do tipo ao longo das últimas décadas. Minha hipótese é de que estes filmes elegem tipologias temáticas e narrativas, bem como encaminhamentos estéticos que parecem colaborar para o estabelecimento de um gênero fílmico autônomo.

escritas. diário, versos, roteiro

10/10 às 9h30 – Sala 607
Mário Peixoto, os diários e as amizades
Denilson Lopes Silva (UFRJ)
Nesta comunicação vamos nos deter especificamente nos diários inéditos de Mário Peixoto para compreender a experiência da amizade, como ela se configura, quais seus limites, no espaço de, em grande parte, uma homossociabilidade masculina, cruzando fronteiras da homossexualidade e da heterossexualidade, e ensejando uma configuração não homofóbica, longe do espaço da família, seja na Inglaterra, seja em hotéis ou na praia no Rio de Janeiro, para tentar problematizar o isolamento de Mário Peixoto.
LUGARES QUE SE MOVEM EM VERSOS E EM TELA
Diogo dos Santos Souza (Ifal)
Morte e Vida Severina – Auto de Natal Pernambucano (1954-1955), livro de João Cabral de Melo Neto, discute a representação do espaço nordestino. O objetivo deste trabalho é dialogar essa obra com a sua adaptação fílmica homônima. Partindo de uma metodologia de análise de cunho bibliográfico, intentou-se construir uma interpretação crítica entre as similitudes e as dissonâncias entre o texto fonte e a sua releitura, tendo como foco a representação do espaço poético e cinematográfico.
Estratégias de escrita de roteiro no “Realismo de Confronto”
Marcela de Souza Amaral (UERJ)
O artigo propõe investigar as estratégias empregadas no desenvolvimento dos roteiros dos filmes Boyhood (Richard Linklater, 2014) e Entre os muros da Escola (Laurent Cantet, 2008), que utilizam elementos da realidade pró-fílmica como fonte para a elaboração de suas narrativas e personagens. Essa estratégia estaria no centro do que identificamos como “realismo de confronto”, que contrapõe formas de representação e reprodução da realidade; permitindo a produção de fortes questionamentos ao real.

ST Cinema Negro africano e diaspórico – Narrativas e representações – Sessão 4

10/10 às 11h30 – Sala 615
Memória e nostalgia nas imagens de arquivo de Raoul Peck
Gabriel Filgueira Marinho (ESPM)
O cineasta haitiano Raoul Peek marcou sua trajetória em um constante trânsito entre documentário e ficção. Em mais de trinta anos de carreira, suas histórias trazem temas como racismo, imigração, consciência de classe, memória e identidade. Neste trabalho analisaremos como o uso estético e narrativo das imagens de arquivo em duas de suas, “Lumumba: a morte de um profeta” (França, 1990) e “Eu não sou seu negro” (EUA, 2018), contribuiu para essa agenda política de Peek.
Um pensamento fragmentado da margem em Stuart Hall Project
Reginaldo do Carmo Aguiar (UNICAMP)
O presente trabalho pretende analisar em Stuart Hall Project, como o diretor John Akomfrah por meio da reanimação dos arquivos em “segunda mão” e em uma estrutura de “contra História” cria um cinema de reinvenção e positivação do negro. Além disso, analisar como o discurso de Stuart Hall é montado como uma voz ou pensamento fragmentado pela combinação singular de matrizes audiovisuais por uma potência das comunidades da margem, cuja referência são os Estudos culturais britânicos.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Sessão 4: “Roma” em perspectivas comparadas

10/10 às 11h30 – Sala 616
La Teta Asustada, Roma e o conflito étnico-racial latino-americano
Licia Marta da Silva Pinto (UFF)
A presença da empregada doméstica nos produtos culturais latino-americanos não é algo novo. No entanto, em representações recentes, esta personagem ganhou protagonismo em diversas representações midiáticas que trouxeram à tona discussões a respeito de condições de desigualdade e subalternização comuns na vida destas trabalhadoras. Neste trabalho, iremos nos ater a questão étnico-racial e suas problemáticas presente nos filmes La Teta Asustada (2009) e Roma (2018).
Roma: realismos e imaginário mexicano no cinema de Cuarón
Luiza Cristina Lusvarghi (FMU SP)
O filme Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, vem colecionando polêmicas. Lançado pela Netflix em dezembro de 2018, foi indicado em 10 categorias do Oscar, e ganhou como Melhor Diretor, Melhor Fotografia, nas categorias principais, e Melhor Filme Estrangeiro. Foi premiado no Globo de Ouro 2019, e no Festival de Veneza em 2018. O filme se filia a princípios que nortearam o neo-realismo e vem influenciando a cinematografia latino-americana desde a década de 1950.
De Santiago a Roma: uma mirada patronal no Cinema Latino-Americano
Marcelo Vieira Prioste (PUC-SP)
Análise do filme Roma (México/USA, 2018) na perspectiva de sua busca por um efeito de reparação em relação ao passado, rememorando traumas pessoais do diretor e da história mexicana. Porém, ao trazer para o protagonismo a sua empregada, personagem de sua infância, o que emerge nesta alteridade é um distanciamento intransponível, que guarda similaridades àquele assumido por João Moreira Salles no documentário Santiago (Brasil, 2007), ao tentar retratar o mordomo que serviu sua família.

ST Cinema brasileiro contemporâneo: política, estética, invenção – Sessão 4

10/10 às 11h30 – Sala 804
Constelação de imagens ardentes: um cinema brasileiro ao redor do fogo
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Usando o elemento “fogo” como organizador de uma condição subjetiva do Brasil dos anos 2010, pretende-se reunir sequências do cinema brasileiro contemporâneo em que a materialidade imaterial das chamas convoque processos de transformação ora desejados, ora frustrados. A partir do conceito do fogo como princípio originário em Heráclito, se fará um exercício de colocar em atrito sequências de seis filmes e, dessa fricção, buscar pela faísca de um páthos atravessado nessas imagens que queimam.
O sujeito partido: história, revanche e violência
Raul Lemos Arthuso (USP)
A partir do cotejo entre os dois Tropa de Elite, de José Padilha, e Branco Sai Preto Fica, de Adirley Queirós, a presente comunicação busca discutir questões da realidade política que atravessam os sujeitos comuns presentes nas obras. Retratando personagens fraturados da vida social, da representação política e da apropriação de suas próprias identidades, as obras aqui citadas mostram uma desconexão dos protagonistas com a política institucional que desemboca em ações violentas catárticas.
Sonhar não é reviver algo que é seu: traumatipo documentário
PEDRO PEREIRA DRUMOND (UFF)
Em Era o Hotel Cambridge (Eliane Caffé), Ngandu sonha. Seu sonho aparece como um documentário de cinema, mas não como uma sequência onírica realizada sob a aparência de um registro documentário, mas a reaparição de imagens que tiveram sua gênese em um outro filme, Blood in the mobile (Frank Poulsen). E se Eliane Caffé realiza a encenação cinematográfica de uma importante lição freudiana, de que sonhar não é reviver algo que é seu? Como podemos pensar, a partir disso, a própria conduta do filme?

ST Teorias e análises da direção de fotografia – Sessão 4

10/10 às 11h30 – Sala 805
Cinematografia como tradução
Pedro Urano de Carvalho (UFRJ)
Uma investigação da direção de fotografia no cinema. A partir do trabalho de Vilém Flusser e Michael Polanyi e da experiência do autor como diretor de fotografia, o texto procura revelar a dimensão tácita da realização cinematográfica, articulando a dicotomia texto-imagem proposta por Vilém Flusser com as experiências da arte conceitual e da poesia concreta.
Tendências de um olhar descolonizado: descontrole e tensões da imagem
Felipe Corrêa Bomfim (UNICAMP)
Investigamos os desdobramentos estéticos na configuração da imagem da pele escura no cinema na produção britânica de filmes entre os anos 1985 e 1995 – em particular, os filmes inaugurais de Isaac Julien e John Akomfrah, respectivamente, Territories (1985) e Handsworth (1986) –como detonadores de dois elementos constitutivos no campo da imagem: primeiro, o questionamento sobre a construção da neutralidade forjada da imagem do branco e, segundo lugar,a reconfiguração da imagem do negro no cinema.
2019 | 2049: A DIALÉTICA CROMÁTICA EM BLADE RUNNER
TIAGO MENDES ALVAREZ (UFPR)
Neste artigo, pretende-se analisar a relação dos filmes Blade Runner (1982) e Blade Runner 2049 (2017), traçando um paralelo entre as duas obras. Tendo como base os estudos da teoria das cores na direção de fotografia, destaca-se a importância da presença da cor como elemento narrativo, base pela qual se pode estabelecer uma continuidade entre os filmes.

painel 8. possibilidades narrativas no audiovisual – Coordenação: Carolina Gonçalves Pinto

10/10 às 11h30 – Sala 601
Montagens em soft narrativas: o Eu sou Amazônia, do Google Earth
Madylene Costa Barata (UNISINOS)Gustavo Daudt Fischer (UNISINOS)
O seguinte trabalho propõe uma reflexão sobre como as camadas de montagens temporal e espacial contribuem para a produção de sentido de novos produtos audiovisuais no ambiente do software em uma visada tecnocultural. Para tal perspectiva, observamos atualizações no webdocumentário Eu sou Amazônia, do Google Earth, e como aporte teórico nos fundamentamos em Eiseinsten (2002), Manovich (2001) e Montaño (2015) e Fischer (2013).
“Narrador” em extinção? Uma análise de Estamira e Os Catadores e Eu
Suzana Schulhan Lopes (UNIFESP)
O sofrimento do pós-guerra silenciou os sujeitos e comprometeu uma faculdade que parecia segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências, e o “narrador está em extinção” (diagnóstico de Walter Benjamin). Extinguir também significa descartar: o que se descarta na modernidade, portanto, é o narrar. Comparando dois filmes que se passam ao redor de descartes – “Estamira” e “Os catadores e eu” –, investiga-se a possibilidade de aparecimento deste “narrador benjaminiano” no capitalismo.
Narrativa Interativa na Netflix: a estrutura de “Você Radical”.
Luiz Eduardo Maués Cunha (UFSCar)
Esta proposta de pesquisa tem como objetivo analisar a estrutura da série interativa “Você Radical”, (You vs. Wild em sua língua original) lançada em 10 de abril de 2019, pela plataforma de streaming Netflix. Para tanto, aspectos de games são inseridos em narrativas seriadas, dando ao espectador o poder de criar a narrativa juntamente com o autor. Obras de Janet Murray, George Landow e conceitos estudados pelo professor Dr. João Carlos Massarolo entremearão a bibliografia deste projeto.
Relações maternas dialéticas e o empoderamento feminino
Virgínia Jangrossi (UFSCar)
Apesar da maternidade ser uma das temáticas mais recorrentes nos melodramas familiares canônicos, a existência de fissuras nas representações maternas esboçava ímpetos subversivos. Será, porém, que melodramas contemporâneos, como Grey’s Anatomy, mantiveram e explicitaram este viés? Por meio da análise das relações entre mães e filhas, visa-se verificar se a série tem perpetuado o mito da maternidade, ou se tem ajudado a construir uma forma de arte menos repressiva para as mulheres.

painel 10. linguagens, reinvenções e intersecções – Coordenação: Lucas Gadelha Parente

10/10 às 11h30 – Sala 602
La Parole Vivant – A declamação no cinema de Eugène Green
Rogerio Eduardo Moreira Pereira (UNICAMP)
Esta pesquisa pretende investigar a declamação inscrita no cinema de Eugène Green, no qual a
palavra se faz protagonista em detrimento da dramaticidade, identificando, relacionando e
contrapondo as diversas características distintas da atuação e de seus locais de manifestação em
sua obra. Para tal serão analisados os elementos formais de representação e apresentação em
seus papeis codificadores e corporificadores da palavra declamada.
Interseções entre Cinema e Pintura em Maria Antonieta de Sofia Coppola
Laís Serra (UFRJ)
A cena fílmica de Maria Antonieta de Sofia Coppola se faz em dialética com obras pictóricas, ocorrendo primordialmente em três formas: a pintura clássica dentro do espaço diegético enquanto elemento da cenografia; a pintura enquanto cena, quando o quadro fílmico incorpora a estética pictórica de uma obra canônica; e a reapropriação de uma pintura canônica conforme os moldes estéticos do universo fictício do filme em questão, este disposto, enquanto objeto cênico.
O Aranhaverso. Ruptura e ousadia na burocrática Indústria de Hollywood
Fabiano Leandro Pandolfi (PUCRS)
Este artigo pretende debater as inovações visuais e estéticas do longa-metragem animado “Homem-Aranha no Aranhaverso”, através de um estudo de caso debruçado sobre o processo de produção da obra, com base em pesquisa bibliográfica, documentários e entrevistas com membros da equipe, bem como uma posterior análise fílmica, indicando como e quais seriam essas inovações, através da decupagem frame a frame de trechos selecionados.
Tempo e tecnologia nas telas segundo Tempos Modernos e WiFi Ralph
Larissa Zoratto Lunge (PUCRS)
Esta comunicação aborda como a tecnologia influencia a noção de tempo de diferentes épocas, a partir da análise de suas representações cinematográficas em “Tempos Modernos” (1936) e “WiFi Ralph: Quebrando a Internet” (2018). Os resultados preliminares indicam que “Tempos Modernos”, no contexto da 2ª Revolução Industrial, apresenta o “tempo do relógio” e o “tempo da máquina”, enquanto “WiFi Ralph” apresenta a noção de “tempo real” da cultura digital, baseado na instantaneidade.
Tensões entre amadorismo e profissionalismo em instaséries
Emilly Belarmino (UFPE)
Pretendemos refletir sobre o embate profissional versus amador no contexto das produções audiovisuais encontradas na web, tendo como objeto de análise duas micronarrativas seriadas compartilhadas no Instagram, as instaséries Browmance e Relacionamento Sério. A partir de elementos como estética, técnica e equipamentos utilizados na produção e pós-produção discutimos o que de fato classifica uma obra como amadora ou profissional na web, ambiente onde essa linha tem se tornado cada dia mais tênue.

análise fílmica e teoria do cinema: tempo, realismos

10/10 às 11h30 – Sala 809
“Os estratos do tempo no filme SUDOESTE (2011), de Eduardo Nunes”
Ismail Xavier (ECA-USP)
A comunicação proposta focaliza SUDOESTE a partir da análise da forma como se organiza o tempo da experiência insólita vivida pela protagonista: ela nasce, atinge a sua mocidade e morre num intervalo que, para a comunidade em que tudo se passa, corresponde a um único dia. Vale a análise dos estratos do tempo superpostos na narrativa e a atenção ao teor da interação protagonista-comunidade, um foco de empatias e tensões reveladoras de valores e de um passado que sua presença vem ecoar.
Antifilosofia: Jean Epstein e realismo especulativo
Julio Bezerra (UFMS)
O objetivo desta apresentação é propor um diálogo entre o cinema e a teoria de Jean Epstein e o realismo especulativo. A interação de forças subjetivas e objetivas no cinema é um campo atraente de investigação para um realista especulativo, e a convicção epsteniana de que o cinema nos abre para novos domínios do conhecimento do mundo está absolutamente sintonizada com o movimento filosófico. Ao longo desse diálogo, esboçamos um modo diverso de pensar sobre o cinema: uma “antifilosofia”.
Uma análise dos ensaios de Kracauer para o Die Frankfurter Zeitung
Jéssica Pereira Frazão (USP)
Kracauer começou a delinear as teses que integrarão suas obras posteriores ainda na década de 1920, na condição de crítico e ensaísta no periódico alemão Die Frankfurter Zeitung. Devido a concentração em escritos subsequentes, sobretudo Theory of Film, parte da literatura da área refere-se a ele como portador de uma estética realista e anti-ideológica. Assim, o objetivo desta comunicação é repensar essa questão, reavaliando os ensaios sobre cinema do autor durante seus anos de juventude.

história(s) do horror mundial:estética, tecnologia e convergências

10/10 às 11h30 – Sala 603
Subterrâneos do horror e experiência em Amizade Desfeita 2 – Dark Web
Ana Maria Acker (ULBRA)Juliana Monteiro (UAM)
A proposta investiga características de estilo, peculiaridades narrativas e de experiência com o desconhecido (THACKER, 2011 e 2015) no subgênero desktop horror, filmes por interface de computador ou múltiplas telas. Amizade Desfeita 2 – Dark Web (2018), de Stephen Susco, é a produção para a análise da fruição estética e seus desdobramentos tecnológicos. A abordagem da apropriação criminosa da internet se aproxima das reflexões de Thacker sobre a escuridão no horror e os limites do pensamento.
O plano sequência diegético e o horror em Atividade Paranormal
Rodrigo Terplak (UAM)Rogério Ferraraz (UAM)
A pesquisa geral propõe um estudo da série cinematográfica Atividade paranormal (2009-2015), conjunto de filmes ao estilo found footage, uma hibridização das estruturas narrativas do documentário e da ficção. Observando o found footage de horror, com características que imitam certa estilística amadora, pretende-se analisar os artifícios utilizados na construção dessas obras. Neste paper, será analisado especialmente o uso do plano sequência diegético e suas implicações em relação ao gênero.
Pesadelos, bruxas e películas, oh my! O Gesto dos Mortos, parte 2.
Diego Paleólogo (UERJ)
A presente comunicação tem como projeto dar continuidade – e rupturas – à fala de 2018, ‘O gesto dos mortos’. Permanecer na proposta de que o cinema de horror dos anos 90 é um campo profícuo para se pensar o outro lado da vida, ou seja, corpos e subjetividades dissidentes que habitam os subterrâneos do imaginário; penso a partir de três narrativas que tencionam a intimidade entre imagem, fantasia e o gesto dos mortos: O Novo Pesadelo, 1994; A Bruxa de Blair, 1999 e Cut: cenas de horror, de 2000

ST Cinema e Educação – Sessão 4

10/10 às 11h30 – Sala 806
REVELANDO E INVENTANDO BRASIS: O cinema como dispositivo de invenção
Marcia T Medeiros (PPGCINE-UFF)
Projetos de cinema em conexão com a educação, tem contribuído para a produção de filmes em locais distantes dos grandes centros. Esse trabalho se baseia em duas experiências de realização de curtas em comunidades quilombolas, parte do projeto Revelando os Brasis. Experiências que nos fazem pensar o cinema como dispositivo que produz resultados que vão além do produto final – o filme – que se constituem no processo, que envolve diferentes etapas e diversos atores humanos e não-humanos.
O encontro entre a Educação e o Cinema Novo na realização de O Parque.
Marcio Blanco (UERJ)
Esta é uma pesquisa inédita à respeito do encontro entre o Cinema Novo e alunos de uma escola estadual do RJ por ocasião da produção do curta O Parque (1963). A primeira produção de um filme por alunos de uma rede pública no país irá situar o uso do cinema na escola em um regime de visualidade que não separa a produção de conhecimento do corpo do sujeito cognoscente. O apagamento do filme da História do Cinema e da Educação será analisado a partir da noção de autoria.
Experiências de iniciação ao cinema numa escola de favela carioca
Leonardo Cesar Alves Moreira (UFRJ)
O ensaio apresenta alguns do movimentos para a experiência de iniciação ao cinema com estudantes de uma escola pública municipal de favela, da cidade do Rio de Janeiro. Tratam-se de 6 aulas que foram sendo inventadas e experimentadas ao longo do próprio percurso. E que centradas nos gestos de assistir, fazer e exibir as produções fílmicas, produziram uma experiência criada junto aos estudantes. Pretendemos nesse texto, algumas reflexões em torno desses movimentos.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 4 – Telas, segregações e resistências

10/10 às 11h30 – Sala 807
Cinemas do Sertão do Pajeú
KATE VIVIANNE ALCANTARA SARAIVA (FOCCA)
O presente artigo é parte de uma pesquisa que tem como objeto de estudo os Cinemas de Rua do Sertão do Pajeú, no interior do Estado de Pernambuco, e que procura entender como a arte cinematográfica se difundiu na região e como se relacionou com a cultura e o desenvolvimento local. A quase inexistência e preservação de fontes documentais direcionou o trabalho à uma análise baseada nas memórias dos antigos frequentadores desses cinemas ou envolvidos com a prática da exibição local.
“Eu rezei uma missa bárbara”: filme e culto na Bahia
Paola Barreto Leblanc (IHAC – UFBA)
A maioria das terras da região central da capital baiana é de propriedade da Igreja Católica, e chama a atenção o fato de que um dos primeiros locais a oferecer um programa regular de cinema na cidade tenha sido o Cine Recreio São Jerônimo, inaugurado em 1917 em uma sala na biblioteca dos Jesuítas, dentro da antiga Sé. Que imagens, corpos, discursos e práticas a aliança entre Igreja Católica e Cinema trata de invisibilizar em Salvador? Como pensar, hoje, novas encruzilhadas entre filme e culto?
O Parque exibidor no Interior da Bahia contemporânea
Filipe Brito Gama (UESB)
É significativo o crescimento do número de salas de cinema no Brasil, nos últimos anos, mas são poucas as cidades do interior que as possuem. Este trabalho tem como objetivo analisar o cenário atual do mercado de salas de cinema no interior da Bahia e as características do parque exibidor nos diversos municípios do estado, observando a predominância dos complexos cinematográficos no shoppings centers locais.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 4 – O ato criativo e o ato teórico

10/10 às 11h30 – Sala 808
La Generación del 60 e o legado da obra teórica de Simón Feldman
RAFAEL ROSINATO VALLES (UFPEL)
A trajetória cinematográfica de Simón Feldman foi marcada tanto pelos filmes que realizou, como pela sua obra teórica e atuação acadêmica. Ao publicar o livro “La Generación del 60” (1990), ele conseguiu unir os seus primeiros passos como realizador e a reflexão sobre o legado de uma geração que aportou novos enfoques temáticos, estilísticos e técnicos ao cinema argentino. Neste trabalho, buscaremos analisar como ele procurou relacionar a sua atuação como cineasta, em relação a sua obra teórica.
“Acontecimento-fronteiriço”: a linguagem no cinema de Trinh T. Minh-ha
Julia Fernandes Marques (UFS)
A cineasta Trinh T. Minh-ha desenvolve um método muito peculiar de criação para seus filmes, e esse se dá com base em reflexões teóricas nos campos da arte e da política. Essa cineasta instaura a premissa do cinema como “acontecimento-fronteiriço”, espaço de trocas entre o Eu (observador) e o Outro (objeto) e procura ter em suas obras esse encontro revelado, esse espaço “entre”. Ela recusa-se a desenvolver teses em seus filmes, assim como recusa o uso dos códigos cinematográficos hegemônicos.
Propostas à Teoria dos Cineastas: cineasta-criação vs autor-autoria
Eduardo Tulio Baggio (Unespar)
O primeiro objetivo da comunicação é apresentar um debate entre os conceitos de autor e autoria em paralelo aos conceitos de cineasta e criação em busca de uma delimitação. A partir de tais conceitos, o segundo objetivo é apresentar uma proposta de compreensão dos possíveis papeis do(a) cineasta na criação cinematográfica e na inserção desta em nossa sociedade. Por fim, considera-se como tais papeis podem ser trabalhados por pesquisas que vinculadas à abordagem da Teoria dos Cineastas.

sensorialidade e alegorias na direção de arte

10/10 às 11h30 – Sala 604
A direção de arte de inferninho: a potência estética do artifício.
Iomana Rocha de Araújo Silva (UFPE)
Este trabalho observa o filme Inferninho (Pedro Diógenes e Guto Parente, 2018) por meio da análise da direção de arte. Observa-se a criação de um universo paralelo alegórico, um ambiente artificial, com marcas de precariedade, que colabora diretamente para a criação de uma densidade de significados sensíveis. Esses recursos estéticos trazem para a imagem e para a fruição fílmica uma criatividade estética e ao mesmo tempo um posicionamento político frente a construção das imagens.
Rubem Biáfora, as alegorias e o diretor de arte fantasma
Benedito Ferreira dos Santos Neto (UFG)
O trabalho enfoca os procedimentos alegóricos da direção de arte de A Casa das Tentações, de Rubem Biáfora. Impulsionada pela articulação das cores dos cenários, a visualidade do filme desmantela a noção de que direção de arte serve apenas para situar o espectador em determinado espaço e tempo. Proponho também identificar em sua poética um interesse por cenografia de estúdio, a fantasmagoria em torno do termo direção de arte e o conhecimento dos modelos de produção do departamento de arte.
A direção de arte na construção da visualidade háptica de Naomi Kawase
Elizabeth Motta Jacob (UFRJ)
Este artigo tem como foco a obra de Naomi Kawase, O Sabor da Vida (2015), que aborda a questão da perda e da reconstrução da identidade através de procedimentos de recodificação da memória.
Entendendo a direção de arte como o campo da mise-en-scène cinematográfica que estrutura o espaço cênico e a caracterização das personagens, analisaremos de que modo seus meios expressivos trabalham no sentido de tornar háptica a visualidade cinematográfica capturando sinestesicamente o espectador.

representações do feminino 2

10/10 às 11h30 – Sala 605
Expressão fílmica ou estilo no cinema de Wigna Ribeiro
Veruza de Morais Ferreira (UFRN)Sebastião Guilherme Albano (UFRN)
O trabalho busca sistematizar os elementos lúdicos envolvidos na produção experimental da diretora mossoroense Wigna Ribeiro. Discute-se assim sobre um estilo característico de uma expressão fílmica e/ou a definição de um estilo cinematográfico. Elucida-se a construção das relações existentes entre o cinema e outras artes, associada às crendices, lendas, mitos e símbolos representativos da cultura nordestina nos filmes O Mundo de Ana (2014) e Era Uma Vez Lalo (2017).
Meninas no documentário brasileiro: visibilidade de vozes e corpos
Letizia Osorio Nicoli (UNICAMP)
Proponho aqui o princípio de uma reflexão sobre a representação de meninas adolescentes no documentário brasileiro contemporâneo. O escopo centra-se em dois aspectos: o primeiro diz respeito à possibilidade dessas jovens assumirem o papel de sujeitos-enunciadores, ocupando um status adulto ainda não completado; em segundo, a agência sobre a sexualidade em desenvolvimento de seus corpos, objeto de discussão e tutela da sociedade “adulta”. Para tanto, analisaremos quatro filmes recentes.
O intimismo distante em Wanda e A Mulher Sem Cabeça
Vicente Moreno (UNISINOS)
A comunicação propõe uma análise comparativa entre “Wanda” (Barbara Loden, 1970) e “A Mulher Sem Cabeça” (Lucrecia Martel, 2008), traçando um paralelo entre o estado de desconexão social e íntima das protagonistas femininas. Abordando contextos de classe bastante distantes, e optando por estratégias narrativas e estilísticas contrárias, Lucrecia e Loden se encontram num intimismo distante, que nos mantém próximos a suas personagens, mas por vezes externos à sua cognição e aos seus sentimentos.

silêncio, música, ritmo

10/10 às 11h30 – Sala 606
“Let’s keep going”: o silêncio em Thelma & Louise (Ridley Scott, 1991)
Andressa Gordya Lopes dos Santos (UNICAMP)
O presente trabalho analisa o silêncio das protagonistas no filme de Ridley Scott, de 1991, Thelma & Louise. Violentadas, subjugadas e perseguidas, elas rebelam-se contra um sistema masculino e paternalista que busca, a todo custo, colocá-las sob controle. Dado o conflituoso cenário, isolam-se. A recusa pela comunicação é uma escolha contra tudo que é masculino e exterior a elas. Apenas elas e nós, espectadores, sabemos a verdade. Verdade que carregam consigo até o derradeiro e infame fim
O silêncio em Gravidade
Magda Rosí Ruschel (Unisinos)Cybeli Almeida Moraes (Unisinos)
Ensaia-se sobre a produção do efeito de silêncio no filme Gravidade (2013), de Alfonso Cuarón, problematizando o silêncio como um construto da tecnocultura de aspecto visuauditivo. Entende-se o cinema como um dos espaços nos quais a relação entre tecnologias e imaginários se estreita, e realizam-se dois tipos de análises – a primeira, focada na percepção de simultaneidade e códigos de silêncio; e a segunda, baseada em protocolos infonográficos.
Ofilmemusical atual apósvideoclipe: o caso Baby drive, de Edgar Wright
Gelson Santana (UAM)
O filme Baby driver (2017), de Edgar Wright, estrutura-se como uma canção pop com a forma estendida de um videoclipe. O filme constrói uma ambiguidade de gênero ao fundir a ação da narrativa ao ritmo das músicas do iPod do personagem Baby. Este ponto de vista do personagem principal Baby desenha a narrativa que ao mesmo tempo que parece próxima do espectador aparenta estar distante.

orientalismos. narrativa, atuação, animação

10/10 às 11h30 – Sala 607
Charlie Chan e o whitewashing de detetives asiáticos em Hollywood
Lucas Ravazzano de Mattos Batista (FTC)
O presente trabalho visa analisar as questões de representação que emergem do contato com o ciclo de narrativas policiais produzidas nas décadas de 1930 e 1940 protagonizadas por detetives asiáticos como Charlie Chan, Mr. Wong e Mr. Moto. A pesquisa busca demonstrar como a escalação de atores brancos, que recorriam a próteses e maquiagem para dar uma aparência ocidentalizada, para esses papéis contribuiu para a construção de estereótipos a respeito dessa população
Toshiro Mifune – Análise do registro de atuação em Rashomon
Guryva Cordeiro Portela (unicamp)
O presente resumo constitui uma analise do registro de atuação de Toshiro Mifune em Rashomon, Akira Kurosawa 1954. Colocando em evidencia as diferentes técnicas de atuação de Mifune dentro no mesmo filme, a partir da ótica da Antropologia Teatral de Eugenio Barba (1994). Analisando-se princípios semióticos no jogo do ator e traçando relações entre os códigos teatrais histriônicos e de verossimilhança que prioriza a imitação do comportamento na vida cotidiana, defendidos por Roberta E. Pearson.
O movimento por camadas: animetismos de Miyazaki e Wesley Rodrigues
James Zortéa Gomes (UNISINOS)
As articulações gráficas entre camadas no tempo determinam uma estreita relação com a visualidade fílmica que observamos em animações tradicionais. O célebre Hayao Miyazaki e o animador brasileiro Wesley Rodrigues apresentam filmes onde as visualidades que operam a partir de um animestismo (LAMARRE, 2009) entre camadas gráficas. Thomas Lamarre propõe que esses movimentos gráficos entre as camadas, presentes em animes, criam uma sensação de movimento distinto do cinematismo de EISENSTEIN (1990)

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 2

10/10 às 14h30 – Sala 615
Créditos falados: dos talkies ao cinema moderno
Matheus Strelow Saraiva (UFF)
Os créditos falados, prática pouco analisada nos estudos da forma cinematográfica, se manifestam em diversos filmes ao longo da história do cinema sonoro. Nesta apresentação, defenderemos sua potência estilística a partir de ideias de Doane (2009) e Stam (1981), catalogando-os em três práticas diferentes: créditos narrados pelos realizadores; créditos narrados por vozes anônimas; e créditos cantados.
Enlace onírico: limiares sonoros no filme musical
Letícia X. L. Capanema (UFMT)
Propomos refletir sobre as articulações do som em filmes musicais. Em especial, ressaltamos mecanismos sonoros que operam nas passagens entre a realidade diegética e o nível onírico/subjetivo dos números musicais. Para isso, serão analisadas cenas de “Cantando na Chuva” (G. Kelly e S. Donen, 1951) e “Dançando no Escuro” (L. Von Trier, 2000). Dessa maneira, buscamos observar os limiares sonoros que integram distintos estados narrativos (diegese e metadiegese) e ontológicos (realidade e sonho).
As “condições de estranheza” da voz em Doce Amianto (2013)
Joice Scavone Costa (UFF)
Diante da estranheza no encadeamento entre os elementos do filme Doce Amianto (2013), a voz está sempre próxima ao espectador. O uso das fonações por Guto Parente e Uirá dos Reis é carregada de valor estético e emotivo arranjados pelo timbre, ritmo, entonação e espacialização da voz dos personagens do filme. Pretendemos explicitar as tenções que evidenciam a construção esquizofrênica de vozes que não condizem com os espaços dos demais elementos sonoros ou da tela, nem com os corpos em cena.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – Sessão 2

10/10 às 14h30 – Sala 616
Narrativas audiovisuais e disputas culturais em busca do povo
Wilq Vicente (UFABC)
O objetivo desse texto é compreender as transformações na produção de vídeo ligada às classes populares nas últimas décadas no país, tendo em vista mudanças nas formas organizativas e nas narrativas de expressões diversas dessa produção. Analisa-se sobretudo suas elaborações de categorias como “povo”, “periferia”, “comunidade”, que dialogam com concepções oriundas de outras estruturas sociais e institucionais bem como outras categorias discursivas utilizadas para abordar a desigualdade.
Vídeo comunitário estudantil
Eduardo de Souza de Oliveira (UFSCAR)
A presente pesquisa busca investigar o vídeo comunitário realizado por estudantes universitários acerca de moradias estudantis universitárias. Através da análise de um corpus de videodocumentários, procuro abordar a autorrepresentação dessas comunidades, imagética e sonoramente construídas através da linguagem do documentário. As condições de vivência, convivência, pertencimento, memória afetiva e reivindicação política são temáticas recorrentes presentes nesses vídeos.
Como as imagens vêm ao mundo? Patrimonialização de imagens do Alemão
Jean Carlos Pereira da Costa (EHESS)
Esta comunicação analisa a criação do acervo de imagens do CEPEDOCA – Centro de Estudos, Pesquisa, Documentação e Memória do Complexo do Alemão –, no Rio de Janeiro, sob a coordenação da organização não-governamental Raízes em Movimentos. Em produção desde 2016, esse acervo tem como objetivo o recolhimento, a classificação e a circulação de imagens produzidas pelos moradores desse território em um processo de institucionalização da memória iconográfica e audiovisual dos habitantes do Alemão.

ST Cinema comparado – Sessão 2 (Confrontos fílmicos)

10/10 às 14h30 – Sala 804
Cineastas e imagens dos povos – de Cabra Marcado a Martírio
Leandro Rocha Saraiva (FAAP)
A proposta comparativa pretende analisar Martírio (Vicent Carelli, 2017) à luz de questões suscitadas por Cabra Marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984). O foco principal é o cotejo entre as formas de objetivação, na forma do filme, da posição do realizador frente ao processo documentado: Cabra se faz a partir da fragmentação das trajetórias, e do isolamento profissional do realizador, enquanto Martírio tem como base o projeto coletivo, histórico-profético, dos Guarani-kaiowá.
O casal e as ruínas em Rossellini e Saraceni
Livia Azevedo Lima (ECA-USP)
Nesta comunicação, pretendemos observar como o motivo temático do casal em crise no cenário de ruínas é filmado em Viagem à Itália (1954), de Roberto Rossellini, e em Porto das Caixas (1962) e O desafio (1965), de Paulo César Saraceni. Enquanto Viagem à Itália registra o famoso sítio arqueológico de Pompeia, atração turística mundial, os filmes de Saraceni mostram construções arruinadas com uso semelhante ao de terrenos baldios na periferia do Ocidente.
Paris 1900 e Le Souvenir d’un avenir O presente e o futuro das imagens
Liciane Timoteo de Mamede (Unicamp)
O que este trabalho se propõe a fazer é explorar a suposta influência estilistica do filme de montagem “Paris 1900” (Nicole Vedrès, 1947) sobre Chris Marker, em particular na obra “Le Souvenir d’un avenir” (2001). Investigaremos, além disso, como ambos os filmes ancoram suas estratégias enunciativas no sentido de criar um efeito de sentido de dupla temporalidade das imagens, congregando assim presente e futuro num único bloco de significação.

ST Corpo, gesto e atuação – Sessão 3

10/10 às 14h30 – Sala 805
A encarnação monstruosa: entre ator, personagem e figura
João Vitor Resende Leal (ECA-USP / Fapcom)
Esta comunicação pretende discutir a relação entre ator e personagem a partir do fenômeno da encarnação. Tomando como exemplo figuras monstruosas que atravessam vários personagens/atores no cinema de horror, recorreremos à ideia de encarnação para analisar o personagem como uma entidade paradoxal, incorpórea e invisível em si mesma, mas dependente de um ou de vários corpos capazes de lhe conferir alguma visibilidade.
O duplo registro de jogo de Isabelle Huppert
Pedro Maciel Guimaraes Junior (Unicamp)
Pretende-se analisar o duplo registro atoral de Isabelle Huppert partindo do princípio que a atriz mescla a atuação naturalisto-dramática com o modo épico-distanciado. Com a maturidade da sua carreira e o estreitamento da colaboração com grandes autores do cinema mundial, Huppert constrói um jogo ao mesmo tempo pautado pela construção psicológica e envolvimento afetivo do espectador e pelo comentário do ofício de atuação e referências à sua persona cinematográfica.
A atuação de Jean-Pierre Léaud em “A morte de Luís XIV”
Leonardo Couto da Silva (UFRJ)
Neste trabalho será analisada a atuação de Jean-Pierre Léaud no longa-metragem “A morte de Luís XIV” (2016), dirigido pelo cineasta catalão Albert Serra. No filme, o ator interpreta Luís XIV em seus últimos dias de vida, preso, quase imóvel, ao leito real por conta da gangrena que toma sua perna. Busca-se compreender como o corpo de Léaud – que traz consigo uma determinada história do cinema – se comporta diante das proposições do diretor, indicando quais gestos podem marcar uma autoria do ator.

painel 11. estudos de análise fílmica – Coordenação: Ana Camila de Souza Esteves

10/10 às 14h30 – Sala 601
Vício Frenético e Caminhos Perigosos: Abel Ferrara e a Nova Hollywood
Rafael Dornellas Feltrin (USP)
O atual trabalho tem como objetivo apresentar uma análise formal do filme “Vício Frenético” (“Bad Lieutenant”, 1992, de Abel Ferrara) em comparação ao filme “Caminhos Perigosos” (“Mean Streets”, 1973, de Martin Scorsese). Tendo como mote central a carreira de Ferrara e seu filme de 1992, investigaremos como o cineasta atinge sua maturidade formal e narrativa respondendo e dialogando com o filme de juventude de Scorsese, tão caro a ele. Imagens dos filmes serão essenciais à análise e ao cotejo.
A proliferação de recusas: Suplício de Uma Alma e Paris Nos Pertence
Cauê Oliveira Dias Batista (USP)Felipe Soares Lopes (USP)
Este trabalho pretende efetuar uma comparação entre os filmes Suplício de Uma Alma e Paris Nos Pertence a partir do texto de Jacques Rivette (realizador de Paris Nos Pertence) sobre o filme de Fritz Lang, “La Main”. Nesse texto Rivette elenca uma série de procedimentos de realização que culminariam na recusa a uma verossimilhança de trama e de construções de situações e atmosfera.
Descobrir a cena: a imagem subterrânea em Profondo Rosso
Wellington Gilmar Sari (Unespar)
O objetivo desta comunicação é desvendar, em Profondo Rosso (1975), gestos de criação que refletem práticas iniciadas no Maneirismo pictórico, tendo como referencial o pensamento de Thomas Elsaesser (2018) sobre o papel do cinema como arqueologia das mídias. Para melhor compreender a construção imagética em camadas, prática comum na contemporaneidade, é importante retornar ao período que inaugurou tal prática, bem como ao filme cuja construção se dá em cima de outro filme, Blow Up (1966).
Orfeu de Jean Cocteau: a jornada do Poeta
Isabella Brandão Mendes Martins (UFJF)
A trilogia Órfica, assim chamada pelo próprio Jean Cocteau, foi um dos trabalhos mais longos produzidos no cinema pelo artista. Os três filmes compõem um universo autônomo, livre e compacto, habitado pelo poeta, ou seus duplos e seus anjos. Fazem parte dela: Sangue de um poeta (1930), Orfeu (1950) e O testamento de Orfeu (1960). Este trabalho é centrado em Orfeu, na jornada do poeta, sua morte, sua ressurreição, sua busca pela inspiração poética e como se torna imortal.

painel 13. recepção e crítica de obras audiovisuais – Coordenação: Luiz Gustavo Vilela Teixeira

10/10 às 14h30 – Sala 602
Mostra Aurora (2008-2012): discurso curatorial e recepção crítica
Adriano Ramalho Garrett (UAM)
Partindo de um estudo que pretende mapear ou conceituar o que é hoje a curadoria em cinema no Brasil, a presente apresentação irá analisar o discurso construído pela curadoria da Mostra Aurora em seus anos inaugurais (2008-2012), utilizando para isso textos em catálogos, falas em mesas de debate e entrevistas para a imprensa, etc. O intuito é fazer um cotejo entre as visões da curadoria sobre si mesma e a repercussão crítica/jornalística sobre o evento publicada ao longo do mesmo período.
Sexo e Política – os corpos que falam em O Império do Desejo
RODRIGO AUGUSTO FERREIRA DE MORAES (UFRJ)
Esse trabalho pretende debater a tipologia e a mise-en-scène dos personagens do filme O Império do Desejo (1981). Segunda pornochanchada realizada pelo diretor, esse longa-metragem apresenta uma variada gama de tipos, que acaba por gerar um embate entre os valores libertários propostos pelo diretor, e outros valores conservadores da sociedade, sempre carregado de alegorias que alteram o sentido das cenas de sexo na obra para promover um debate político.
Documentário em primeira pessoa, busca e trânsitos
Laís de Lorenço Teixeira (Unicamp)
As obras documentais contemporâneas tendem, em consonância com os discursos atuais – de reflexão da memória e guinada subjetiva -, a refletir com a construção e expressão da subjetividade de “eus” discursivos, como ocorre em diversos documentários em primeira pessoa. Assim, nos interessa pensar como o espaço se coloca como agente de construção e reflexão de memória. Como este se apresenta e é construído, e pensá-lo para além de uma simples apreensão da realidade, mas como construção constante.
Os limites documentais: ética e montagem em Santiago e Um Lugar ao Sol
Houldine Nascimento e Silva (UFPE)
Além do potencial, os documentários Santiago (2007), de João Moreira Salles, e Um Lugar ao Sol (2009), de Gabriel Mascaro, também chamam atenção pela abordagem adotada no processo de feitura, o que proporciona uma reflexão acerca dos limites do documentarista. A partir dos dois projetos, este trabalho pretender analisar questões essenciais para o gênero audiovisual documentário, levando em conta aspectos éticos e de que forma a montagem atua e interfere neste sentido.

representações indígenas

10/10 às 14h30 – Sala 809
“sentir, pensar e agir”: o fazer cinematográfico de mulheres indígenas
Sophia Pinheiro (UFF)
A pesquisa entende como sua principal questão investigativa as práticas estéticas e de linguagem cinematográfica de algumas mulheres indígenas cineastas, de diferentes etnias no Brasil e na América Latina, com a pergunta: como elas podem debater e confrontar o establishment do cinema no mundo? O que o cinema e o audiovisual feito por mulheres indígenas diz sobre a sociedade não-indígena? Diante desses deslocamentos que elas propõem, por que categorizar o cinema indígena de mulheres?
Kisteha: mídias indígenas e política na aldeia Kalapalo Aiha
Thomaz Marcondes Garcia Pedro (USP)
A comunicação vai olhar para as mídias indígenas tendo como ponto de partida o videoclipe musical do rap Kitseha, uma produção compartilhada gravada na aldeia Kalapalo Aiha. O trabalho foi feito durante o processo eleitoral de 2018 e, acreditamos que, a partir da apropriação de recursos midiáticos os Kalapalo puderam se posicionar publicamente de forma crítica frente a o que consideravam um retrocesso político e uma ameaça aos seus direitos.
Ex-pajé e as modulações no documentário
Gustavo Soranz (Ceuni-Fametro)
Apresentamos uma análise do filme Ex-Pajé, que tem como personagem Pepera Suruí, um antigo pajé que renegou sua cultura e abdicou de sua posição de curador em nome de valores impostos pela evangelização. Pretendemos evidenciar como o filme se constrói na modulação entre dualidades estéticas, como a observação e a encenação, a fotografia panorâmica e o desenho de som, o campo e o extra-campo, para representar a vida de um homem e uma cultura divididos entre dois mundos.

histórias(s) do horror brasileiro: memórias. circuitos e legados

10/10 às 14h30 – Sala 603
Exploração de exportação: o díptico de horror satânico de Fauzi Mansur
Tiago José Lemos Monteiro (IFRJ)
Em 1989, o diretor Fauzi Mansur (associado ao ciclo da Boca do Lixo paulistana) e o produtor J. D’Ávila envolveram-se na realização de dois filmes de horror de exploração endereçados ao mercado externo. Atração satânica e Ritual macabro podem ser apreendidos como “vestígios possíveis” de um cinema brasileiro deslocado para as bordas do cânone, em que temáticas de apelo internacional aparecem articuladas a personagens e ambientações características do universo popular-massivo de gênero nacional.
“Incrível! Fantástico! Extraordinário!” e a intermidialidade no horror
Laura Loguercio Cánepa (UAM)Genio de Paulo Alves Nascimento (UAM)
Este trabalho se propõe a examinar o fenômeno audiovisual e midiático brasileiro constituído pela série “Incrivel! Fantástico! Extraordinário!”, criada originalmente para o rádio em 1947, e logo incorporada pela imprensa escrita, e depois pelo cinema e televisão nacionais. O objetivo é dar início a uma discussão sobre a produção audiovisual de horror brasileira relacionada a outros meios de comunicação e expressões artísticas, como o rádio, a literatura e as histórias em quadrinhos.
Amazônia infernal e o horror tipo exportação
Leandro Cesar Caraça (UNICAMP)
Este trabalho traz breves análises de filmes ambientados na selva amazônica realizados por cineastas estrangeiros no Brasil nos anos 1950. A atual pesquisa discute produções tais como “Mundo Estranho” (Franz Eicchorn, 1950) e “Curuçu, o Terror do Amazonas” (Curt Siodmak, 1956), buscando desvendar como o imaginário exótico do ‘inferno verde’ atribuído à floresta tropical se relaciona com a tradição dos ‘mondo films’ e do cinema de horror.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 3 Presença e Imersão

10/10 às 14h30 – Sala 806
O cinema-caverna de Robert Smithson
Patrícia Mourão (USP)
A comunicação pretende situar os esboços de Robert Smithson para a construção de um cinema em uma caverna subterrânea e a descrição fornecida para o projeto no texto “Uma atopia cinemática” dentro de sua prática artística e textual. Em um segundo momento pretende-se investigar como o cinema insere-se em um projeto mais ambicioso do artista, que consiste em deslocar e repensar os enquadramentos e narrativas convencionados para a história da arte.
Presença e mediação nas instalações Cinema Extrapolado e Demolição
Patricia Moran Fernandes (ECA/USP)
A presença além de associada ao sensível, ao não-sentido e à participação do corpo, reivindica a performatividade e a materialidade do meio. Nesta apresentação discutiremos a instalação do VJ Spetto Cinema Extrapolado e de Luiz Duva Demolição e Preto sobre Preto em sua existência partir de uma ativação corporal do espectador. Elas ativam materialidade de ordem distinta, se fazendo em presença na oscilação entre ritmos, cores e volumes de sons. Do sensível ao excesso de codificação como presença
THE CHALKROOM: sobre tecnologias imersivas de interação audiovisual
CARLOS FEDERICO BUONFIGLIO DOWLING (UFPB/UFRJ)
A presente análise aborda The Chalkroom, instalação dos artistas Laurie Anderson e Hsin-Chien Huang exibida na 42º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O trabalho apresenta alguns conceitos base para pensar a imersão e interação frente a contemporâneos obras e objetos artísticos em matrizes digitais, e aponta para questionamentos sobre modelos de escalabilidade de exibição e respectivas guarda-conservação e acesso que acompanham o recente boom de obras e filmes imersivos de interação.

ST Montagem Audiovisual: reflexões e experiências – Documentações de Montagem (mesa3)

10/10 às 14h30 – Sala 807
MONTAGEM AUDIOVISUAL ENTRE O OLHAR E A IMAGEM
Elianne Ivo Barroso (UFF)
O presente trabalho busca discutir três textos franceses recentes sobre teoria da montagem
diante de um cenário audiovisual complexo pouco afeito às regras consagradas no cinema. A
ideia é verificar como a teoria da montagem se desvincula de certas experiências localizadas
historicamente e ganham um status atemporal e mais abrangente para compreender o que se
passa entre as imagens.
Montagem, documentário e política: uma proposta de método de análise
ana rosa marques (UFRB)
Nosso objetivo é estabelecer princípios e um método para observar o gesto político da montagem e aplicá-lo à análise de um documentário. Se nosso foco principal é a montagem, nos parece importante não estabelecer uma separação das outras etapas de realização fílmica. Assim, pretendemos relacionar a montagem às formas de abordagem e de mise en scène na proposição de uma partilha mais democrática entre realizador, personagens e espectador na construção dos sentidos e significados do filme.
A epifania dos arquivos abandonados e inacabados da Shoah
Marcia Antabi (PUC-Rio)
A importância da reutilização de filmes de arquivo produzidos durante dois períodos específicos da Shoah: na abertura do campo de concentração de Bergen-Belsen (1945) e no gueto de Varsóvia (1942). A partir dos documentários Memória dos Campos (1945) e Um Filme Inacabado (2010), restos de películas encontrados que sobreviveram à destruição atroz da cultura de um povo são revisitados e, durante a montagem, reconstroem uma nova memória cultural.

ST Mulheres no cinema e audiovisual – Sessão 3

10/10 às 14h30 – Sala 808
Nem fetiche, nem escatologia: crítica das imagens de squirting
Carla Miguelote (Unirio)
Trata-se de pensar criticamente as representações audiovisuais da ejaculação feminina. Observa-se que, mesmo fora do pornô, onde em geral o olhar masculino organiza a cena, os raros filmes que retratam a experiência o fazem a partir de uma perspectiva masculina. É o caso de Warm Water Under a Red Bridge (2001), de Shohei Imamura, e Sacred water (2016), de Olivier Jourdain. Em contraposição a esses discursos machistas, proponho um videoensaio a partir de minha experiência pessoal com o squirting.
COMULHER: A experiência do vídeo feminista na redemocratização
Lívia Perez de Paula (ECAUSP)
Entre 1985 e 1998 o COMULHER produziu trinta e seis audiovisuais de diferentes durações, estéticas e autorias. O conjunto de vídeos assume uma estética documental e na maioria das vezes de registro de eventos específicos ou campanhas relacionados às mulheres. O objetivo desta comunicação é apresentar o acervo dos vídeo e aventar possibilidades de analise deste material considerando o panorama político, econômico e social do período.
Mulheres e found footage: aproximações
Clara Bastos Marcondes Machado (USP)
Partimos da constatação da afinidade entre mulheres realizadoras e o found footage, trabalhando-a a partir de dois eixos. Na esfera da produção, o procedimento configura uma forma de produção ideal devido a seu baixo custo e estrutura enxuta. Como estética, quando pensamos o cinema como tecnologia de gênero, a partir da obra de Teresa de Lauretis, o found footage se mostra uma ferramenta capaz de desestabilizar os discursos dominantes acerca de gênero, ao ressignificá-los através da montagem.

memórias da invenção no cinema baiano

10/10 às 14h30 – Sala 604
“SUPEROUTRO” OU MEMÓRIA DE UM CINEMA
Maria do Socorro Sillva Carvalho (UNEB)
Filme fundamental da filmografia de Edgard Navarro, “Superoutro” (1989) é resultado de realizações do cineasta no superoitismo bem como ponto de partida para seus filmes posteriores, em particular, o mais recente longa-metragem, “Abaixo a gravidade” (2017). Nessa perspectiva, ao condensar um conjunto de situações e personagens, “Superoutro” constrói camadas arqueológicas de memórias do cinema de invenção do realizador, que são ainda parte importante da memória do cinema brasileiro contemporâneo.
Fernando Belens: A memória que entra pelos olhos
Marise Berta de Souza (UFBA)
Essa proposta consiste na análise de um conjunto de curtas do cineasta baiano Fernando Belens: Oropa, Luanda, Bahia (1983), Fibra (1986) e A mãe (1998), em coautoria com Umbelino Brasil. Parte-se da premissa que a memória e os acontecimentos vivenciados em determinados grupos sociais, em certos espaços geográficos e temporalidades distintas, instigam o cineasta a (re)visitar o passado com a força da invenção.
Meteorango Kid & Caveira My Friend: memória dos anti-heróis marginais
José Umbelino de Sousa Pinheiro Brasil (UFBA)
A proposta enfoca Meteorango Kid: o herói intergaláctico (Andre Luiz Oliveira, 1969) e Caveira My Friend (Álvaro Guimarães, 1970), filmes siameses nascidos no cenário da contracultura baiana-brasileira, alicerces do cinema de invenção-marginal Soteropolitano. Equidistantes do cinema novo, Meteorango & Caveira são encenados dramaturgicamente por personagens irreverentes e insubmissos, base do ciclo superoitista – anos 1970 – e pais genéticos do Superoutro (Edgar Navarro, 1989).

silencioso

10/10 às 14h30 – Sala 605
“Telas & Fatos”: Recepção e cultura cinematográfica no Recife
Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
A partir do levantamento realizado na série “Telas & Fatos”, publicada por Jota Soares entre 1964 e 1965 no Diário de Pernambuco, esta comunicação se propõe a analisar as atividades cinematográficas no Recife, sob a perspectiva da exibição e da recepção. Ao combinar informação e memória, a série constitui uma fonte importante para se analisar características da cultura cinematográfica que se formou na cidade nas primeiras décadas do século XX.
A Jornada Brasileira de Cinema Silencioso e os festivais italianos.
Vivian Malusá (Paris 8)
Esta comunicação, no campo de festivais de filmes de acervo, discute práticas de programação da Jornada Brasileira de Cinema Silencioso (2007/12), realizada pela Cinemateca Brasileira, sob a luz de modelos italianos de festivais, encabeçados pelo Il Cinema Ritrovato, de Bologna, e as Giornate del Cinema Muto di Pordenone. Ambos foram criados na década de 80 e foram pioneiros em alguns aspectos, como o uso da programação como vitrine dos trabalhos de suas instituições e da preservação de filmes.
Entre versões de O Mistério do Dominó Preto (1931)
Marcella Grecco de Araujo (USP)
O Mistério do Dominó Preto (1931), de Cleo de Verberena, é um filme silencioso considerado perdido. A sinopse publicada na revista Cinearte antes de sua estreia e imagens divulgadas entre 1930 e 1931 em jornais e revistas do período nos davam uma ideia de seu formato e narrativa. Porém, a recente descoberta das versões literárias em que foi baseado traz novas perspectivas de análise. Proponho uma reflexão envolvendo as três versões escritas de Aristides Rabello e a de Cleo de Verberena.

Patrimônio, preservação, digital

10/10 às 14h30 – Sala 606
Memória e identidade nos documentários de Joaquim Pedro de Andrade
MEIRE OLIVEIRA SILVA (nenhum)
A obra de Joaquim Pedro de Andrade sempre teve estreita relação com a cultura nacional. Influência, talvez, de seu pai, Rodrigo M. F. de Andrade, diretor e fundador – junto a Mário de Andrade – do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) -, e da intelectualidade com que conviveu e cresceu. Afilhado de Manuel Bandeira e sobrinho de Afonso Arinos, seu interesse por registrar personalidades e símbolos caros à cultura nacional, atravessa tal filmografia cujo cerne é a memória.
Materialidade mutante do cinema de película para o digital
Dirceu Martins Alves (UESC)
As recentes mudanças dos projetores de películas pelos digitais nos cinemas de rua da Bahia, trouxeram impactos na experiência do projecionista e na fruição do receptor. Os filmes antes vinham em sete ou dez latas. Eram montados nos carretéis pelos projecionistas, que também montavam a ordem dos trailers. Hoje, os filmes digitais vêm em HDs, ou são rodados direto de plataformas digitais, exigindo telas mais planas. Discutiremos a morte física da imagem, películas descartadas pelos cinemas.
O Desafio da Preservação Audiovisual Digital: um estudo comparado
MARIA FERNANDA CURADO COELHO (UPO)
A grande mudança tecnológica que substituiu os processos analógicos por processos digitais atingiu profundamente o universo da produção audiovisual e aos arquivos preocupados com a preservação da memória audiovisual. Os acervos se viram diante de enormes desafios técnicos e metodológicos, em um tempo onde tudo deve acontecer rapidamente. O presente estudo faz uma análise comparativa das escolhas feitas por Arquivos Audiovisuais na Espanha, México e Brasil.

deleuze e cinema

10/10 às 14h30 – Sala 607
Sensório motor como coextensão do corpo personagem-espectador.
Régis Orlando Rasia (UNICAMP)
Qual a relevância da expressão: “sinto a mão do montador-diretor” como parte dos movimentos criativos na timeline (ou na moviola)? Retomando algumas questões levantadas por Deleuze sobre o cinema moderno, buscamos discutir nesta apresentação três dimensões da interrupção ou da suspensão da automatização do sensório motor das personagens como extensivo (e interligado) ao sensório motor do espectador: afetado, colapsado e sob o tempo fora do eixo.
Imagem, percepção e sensação: o cinema experiencial de Peter Mettler
Lyana Guimarães Martins (UFRJ)
A partir do documentário Picture of Light (1994), do cineasta e artista canadense-suíço Peter Mettler, pretende-se discutir e refletir sobre a imagem neste cinema que o próprio Mettler chama de “experiencial”. Para tanto, parte-se do pensamento de Gilles Deleuze e Henri Bergson acerca da percepção, procurando relacioná-lo com provocações de autores contemporâneos. Afinal, como se poderia definir esse cinema “experiencial”? E que imagem é essa que Mettler nos apresenta?
O enigma da imagem-afecção
Cristina Valeria Flausino (ECA/USP)
O pensamento de Gilles Deleuze orienta nossas análises no sentido de compreender o conceito de imagem-afecção. Como um tipo de imagem enigmática, que se refere ao close-up, o objetivo dessa comunicação, como recorte da nossa tese de doutoramento, é recuperar imagens históricas do cinema de D. W. Griffith e de Sergei Eisenstein, cineastas que responderiam pelos polos reflexivo-intensivo da imagem-afecção, ocasião em que podemos refletir sobre o rosto no cinema fora dos muros das significações.

latinidades

10/10 às 14h30 – Sala 608
O Brasil e a negociação da latinidade em “Eran trece”
Isabella Regina Oliveira Goulart (FIAM-FAAM)
Nas versões em espanhol feitas em Hollywood no início dos anos 30, a latinidade foi representada a partir dos valores hegemônicos da identidade normativa estadunidense. Analisamos como, em Eran trece (David Howard, 1931), a inserção de um número musical interpretado pelo brasileiro Raul Roulien, de diálogos em espanhol e de um elenco de latinos visou uma negociação com os públicos latino-americanos, mantendo a ambientação, os cenários, o roteiro base e os personagens do filme original em inglês.
O ônus da parcialidade em Santiago, Italia (Nanni Moretti, 2018)
Gabriela Kvacek Betella (UNESP)
O documentário utiliza um ponto de vista peculiar para o golpe de Estado no Chile: o papel exercido pela embaixada italiana aos perseguidos pelo regime. Examinamos a relativização da experiência coletiva e a promoção da dimensão individual na construção fílmica, nas atitudes políticas envolvidas, no movimento em direção ao passado dos refugiados e exilados, na palavra exclusiva dos que vivenciaram a experiência e na simplicidade e particularização de uma história italiana de acolhimento.
Palito Ortega Matute e as representações do trauma em La Casa Rosada
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
O trabalho tensiona as representações do conflito armado interno vivido no Peru na década de 80 por meio de La Casa Rosada (2017), última obra do cineasta ayacuchano Palito Ortega Matute, falecido em fevereiro de 2018. O filme é uma tentativa de questionamento e reparação sobre demarcações estéticas e uma memória audiovisual estereotipada sobre um período histórico traumático no país.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 3

10/10 às 16h30 – Sala 615
O som em Game of Thrones
Rodrigo Octávio D Azevedo Carreiro (UFPE)
A diferença sonora entre obras cinematográficas e televisivas parece, na atualidade, cada vez menor. Produtos de ambas as indústrias convergem em modo de produção e em padrões de estilo. Esta comunicação pretende verificar o grau de proximidade em que se encontram os modos de produção e as convenções estilísticas do som para cinema e TV, utilizando como estudo de caso o seriado Game of Thrones (2011-2019), um dos mais elogiados, premiados e assistidos desta década.
Do sound-system de reggae ao sistema de som dos cinemas
Leonardo Alvares Vidigal (UFMG)
Os filmes sobre sound-systems de reggae formam um corpus significativo em meio a produções que tratam da música popular. Documentários e filmes de ficção vêm expressando uma abordagem poética sobre tais configurações de equipamentos sonoros, operados por equipes especializadas. Concebido para ser amplificado nesses aparatos sonoros, o reggae se disseminou mundialmente por meio deles. Nesta apresentação, iremos formular algumas das conclusões desta pesquisa sobre o cinema dos sistemas de som.
Sons do passado: relatos nostálgicos em paisagens sonoras fílmicas
Breno Mota Alvarenga (UFPE)
O trabalho tem como intenção investigar a possibilidade de paisagens sonoras fílmicas de instaurarem atmosferas específicas, em especial atmosferas nostálgicas. Para tal, propõe-se a análise da sonoridade de três filmes: Nostalgia (1983), Memórias do Subdesenvolvimento (1967) e Aquarius (2016). Por meio de uma reflexão sobre o uso de ruídos, silêncios, músicas e vozes nos três filmes, almeja-se questionar se o som do cinema faz comparecer a nostalgia de seus personagens.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – Sessão 3

10/10 às 16h30 – Sala 616
A questão do coautor nas legislações do cinema no Brasil e em Portugal
Jorge Luiz Cruz (UERJ)
Mesmo que a questão da autoria já esteja presente nas legislações de cinema, de Portugal e do Brasil, o artigo 16 da Lei 9.610/1998, brasileira, aponta os autores do argumento e da música e o diretor como coautores, nesta ordem, e fique claro que, por não serem citados, sob nesta ótica, outros profissionais que participam do processo audiovisual não são coautores. Com este trabalho, pretendemos contribuir para a discussão sobre esta legislação visando também facilitar a compreensão desta lei.
Autoria e o cinema periférico
Leandro José Luz Riodades de Mendonça (UFF)
O ponto de partida é a historicidade da noção de autor e as relações de apropriação geradas pela proteção à propriedade autoral. O termo periférico serve também como biombo para a visibilidade e a construção de uma ideia de interno/externo na criação de valor seja estético seja econômico.
António Lopes Ribeiro: a câmara do poder do cinema português
Afrânio Mendes Catani (USP)
António Lopes Ribeiro (1908-1995), diretor e produtor português, foi homem de mil instrumentos no cinema, tendo também trabalhado no rádio, na televisão e na crítica, além de escrever, traduzir e desenhar. Dirigiu cerca de uma centena de curtas e 10 longas (documentário e ficção). Notabilizou-se pela produção de documentários oficiais, que enalteciam o Estado Novo. Pioneiro da televisão em Portugal apresentou, de 1957 a 1974, o programa “O Museu do Cinema”, dedicado à difusão do cinema mudo.

ST Cinema comparado – Sessão 3 (Constelações II)

10/10 às 16h30 – Sala 804
Deslocamentos e errâncias: Chantal Akerman sob o olhar comparatista
Larissa Veloso Assunção (UFPE)
O trabalho objetiva refletir sobre os deslocamentos e errâncias na obra da cineasta belga Chantal Akerman. Busca-se articular um olhar sobre seu cinema a partir de uma perspectiva comparatista com as obras de Jonas Mekas, Agnès Varda e Wim Wenders. Tendo Akerman como eixo central de análise, procura-se discorrer sobre a deriva pelo espaço, a sensação de não pertença e a maneira pela qual as obras dos quatro cineastas são atravessadas por essas questões, pensando suas aproximações e diferenças.
O “espaço alegórico” em filmes brasileiros do momento tropicalista.
Adriano Del Duca (PPGCINE/UFF)
A partir da comparação dos “espaços alegóricos” em quatro filmes brasileiros realizados no ‘momento tropicalista’ (1967-1972) – “Terra em Transe” (Glauber Rocha, 1967), “Brasil Ano 2000” (Walter Lima Jr. 1969), “Pindorama” (Arnaldo Jabor, 1970) e “Prata Palomares” (André Faria, 1971) – pretende-se refletir sobre a construção de “contra-narrativas” (STAN, 2006) que representam ‘Brasis’ alegóricos como elaboração de formas de ruptura com o regime de representação do cinema eurocêntrico.
O espectador no cinema indígena: entre a mediação e o antagonismo
Fabio Geovanni Gomes Teixeira Costa Menezes (ECA-USP)
A partir da análise comparativa de um conjunto de seis filmes realizados por cineastas indígenas e não indígenas, no âmbito do projeto Vídeo nas Aldeias, entre os anos 1990 e 2010, propomos uma reflexão sobre os modos que esse cinema indígena tem encontrado para “imaginar” um espectador externo – aquele que não pertence à comunidade ou etnia (a “nação”) da qual o filme se origina.

ST Corpo, gesto e atuação – Sessão 4

10/10 às 16h30 – Sala 805
Afetos, corpos e atmosfera: o medo de classe em Los Decentes
Mariana Dias Miranda (UFF)
A presente comunicação tem como objetivo explorar a inerência política do conceito de afeto, compreendendo-o em suas possibilidades de conexão com a forma fílmica, como proposto por Brinkema (2014). Nesse sentido, a partir do diálogo entre afeto e o conceito de atmosfera desenvolvido por Gil (2005), visa-se explorar, no filme Los Decentes, a dimensão de circulação dos corpos em uma “atmosfera do medo”, reverberando o embate entre diferentes classes sociais no cinema argentino contemporâneo.
Câmera e corpo no audiovisual político nos sites de redes sociais
Adil Giovanni Lepri (UFF)
O trabalho pretende realizar uma reflexão sobre o audiovisual de cunho político nos Sites de Redes Sociais. Os objetos giram em torno de vídeos realizados por movimentos políticos tanto à esquerda quanto à direita no espectro ideológico e são marcados por uma dimensão excessiva e sensacional, articulada a partir do próprio tecido fílmico. Através da noção de “câmera-corpo”, esses aspectos sensacionais do visível parecem se manifestar por meio da afetação de corpo e câmera de maneira conjunta.
Coutinho ator em “Ultimas Conversas”
Luíza Zaidan (UNICAMP)
Apoiando-se na bibliografia dos estudos atorais e na noção de auto-mise-en-scène (sob a perspectiva de Comolli), a comunicação pretende analisar a atuação de Coutinho em “Ultimas Conversas”, investigando o programa gestual que inscreve o corpo do realizador na imagem e na banda sonora do filme.

painel 1. cinema de horror no Brasil – Coordenação: Lucas Procópio Caetano

10/10 às 16h30 – Sala 601
O monstro e os anormais na filmografia de José Mojica Marins
Giancarlo Backes Couto (PUCRS)
Essa apresentação tem como intuito examinar o personagem Zé do Caixão, de José Mojica Marins, a partir da concepção de “monstro”, articulando conceitos de Mary Douglas, Noël Carroll e Michel Foucault. Do mesmo modo, o texto se propõe a investigar as diferentes estruturações de alguns personagens, que se enquadram no conceito de “anormais”, de Michel Foucault, averiguando as reconfigurações dessas representações em diferentes momentos da filmografia do diretor.
Juliana Rojas e Marco Dutra: um lobisomem brasileiro no cinema
Esmejoano Lincol da Silva de França (UFPB)
O presente painel tem como objetivo analisar a ressignificação do mito do lobisomem a partir da inserção simbólica ou presentificada da criatura nos filmes “Trabalhar Cansa” (2007) e “As Boas Maneiras” (2018), de Juliana Rojas e Marco Dutra, bem como o atravessamento de questões sociais nestas obras. Resgataremos através das Estruturas Antropológicas do Imaginário a origem do mito e a confrontaremos com a decomposição/recomposição imagética da criatura realizada pelos cineastas.
Horror cotidiano: O social e político nos filmes brasileiros de horror
Jéssica Patrícia Soares (UFRGS)
Partido de exemplos fílmicos como As Boas Maneiras (2017) e Animal Cordial (2017), esse trabalho propõe uma discussão sobre o cinema de horror produzido atualmente no Brasil, através da contribuição de autores como Carlos Primati e Laura Cánepa. Este trabalho parte da dissertação de mestrado que visa compreender como essas narrativas discutem questões de ordem política e social do país no presente, temáticas latentes nos filmes nacionais do gênero produzidos na última década.

corpo, duração e finitude: Jarman, Tsai Ming-Liang e Black Mirror

10/10 às 16h30 – Sala 602
Volto já (Black mirror): poros da pele e fechamento do corpo sintético
Maria Cristina Franco Ferraz (UFRJ)
Volto já, episódio de Black Mirror, discute o problema da finitude do corpo orgânico e a promessa tecnológica de um corpo sintético capaz de “corrigir” a precariedade da vida. No episódio, o marido da protagonista, morto em um acidente, é substituído por um andróide. Sua pele sintética (pele-teflon) é infensa à passagem do tempo e à finitude. O fechamento da porosidade da pele, se contorna a finitude, gera novos problemas, relacionados ao bloqueio da circulação de afetos e à corrosão de Eros.
Visão em colapso: corpo e finitude entre Jarman e Saramago
Marcia de Noronha Santos Ferran (UFF)
Examina-se o estatuto da visão e da cegueira como deflagrador de limites e potenciais de sociabilidade e criação fílmica em A Cegueira (Meirelles) e Blue (Jarman). O colapso de civilidade impetrado aos corpos no primeiro contrasta-se com a hospitalidade (Lévinas). Já Blue traz o próprio corpo do diretor em colapso. Se A Cegueira traz a discussão da visão como potencial encontro com o rosto do outro, em que reside o limiar entre paz e guerra, na tela azul de Jarman residem limiares do cinema.
Corpo, desaceleração e resistência: Walker Series de Tsai Ming-Liang
Ericson Telles Saint Clair (UFF)
O trabalho investiga as Walker Series do cineasta malaio Tsai Ming-Liang como um potente dispositivo de resistência à cultura de aceleração capitalista. Em exaustão, nossos corpos têm aderido acriticamente à padronização da percepção por operações midiatizadas. Em contraponto, a ênfase de Tsai opera no regime da apreciação do fluir, incorporando a impermanência e a incompletude. Explora o processo como fim, fazendo da corporeidade do espectador a usina de criação do espaço-tempo do “entre”.

política 2

10/10 às 16h30 – Sala 809
Cinema de ficção e memória política durante a Ditadura Civil-Militar
Igor Araújo Porto (UFRGS)Guilherme Fumeo Almeida (UFRGS)
O trabalho propõe pensar como, no contexto da Ditadura Civil-Militar do Brasil, o cinema de ficção funcionou como forma de arquivo da memória nacional (Figueiredo, 2017). A partir de dois filmes produzidos no período, a pornochanchada dramática Os Sete Gatinhos (Neville d´Almeida, 1980) e o drama político Eles Não Usam Black-Tie (Leon Hirszman, 1981), pretende-se problematizar como a ficção exerce o papel de resgate da memória e de registro do cotidiano de um período autoritário.
Atos políticos cinematográficos e o golpe de 2016 no Brasil
bruno saphira ferreira andrade (UniJorge)
O presente trabalho pretende discutir a noção de política da imagem, do filósofo Jacques Rancière, através da análise de dois filmes brasileiros, significativamente diferentes, que abordam/encenam o atual contexto político do país. São eles: Era uma Vez Brasília (2017) , de Adirley Queirós e O Processo (2018) de Maria Augusta Ramos.
A teatralização midiática da política no filme O processo (2018)
Márcio Zanetti Negrini (PUCRS)Helena Stigger (pucrs)Cristiane Freitas Gutfreind (PUCRS)
Analisamos como o documentário O processo (2018) – de Maria Augusta Ramos – cria um ponto de vista sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Para isso, realizamos a desconstrução da montagem, pontuando três categorias de imagens: a defesa político-jurídica; o escândalo de corrupção; a disputa entre grupos conservadores e progressistas. Enquanto documento de uma época, o filme nos revela o processo de impeachment como uma teatralização midiática da política.

experiências cinematográficas do morar

10/10 às 16h30 – Sala 603
A experiência do cinema como forma de habitação
Vitor Zan (Paris 3)
Ao contrário do gesto recorrente de associar a experiência do cinema àquela da viagem, esta comunicação visa a pensá-la sob o prisma da estadia ou mais particularmente da habitação. Trata-se de estabelecer balizas conceituais para este exercício, notadamente a partir das noções de ecúmena, que se refere a lugares habitáveis ou habitados, e de eremos, que designa a terra inabitada ou inabitável. A que corresponderia um cinema da ecúmena ou do eremos ?
Diante das cisões: o cinema e a luta por moradia
Érico Oliveira de Araújo Lima (UFC)
A partir do cotejo entre A cidade é uma só? (2011), de Adirley Queirós, e Na missão, com Kadu (2016), de Pedro Maia de Brito, Aiano Bemfica e Kadu Freitas, esta comunicação busca abordar a ação cinematográfica em parceria com lutas urgentes que a transbordam, particularmente no campo da moradia. Tentamos também contribuir para um debate em torno dos modos de constituir alianças para intervir, com o cinema, diante das fraturas da nossa experiência social e histórica.
Desde Contagem: processo e estética de dois “cineastas moradores”.
Claire Allouche (Université Paris 8)
Através de uma análise da construção do espaço cinematográfico na Vizinhança do Tigre (2014) de Affonso Uchoa e em Temporada (2018) de André Novais Oliveira, queremos elaborar uma definição aberta do que seria um “cineasta morador”. Com isso, propomos problematizar a relação com o espaço vivido que afeta diretamente a forma do filme. Pretendemos também questionar o “lugar de olhar” e o lugar de fala do pesquisador em estudos cinematográficos.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 4 Entre-imagens

10/10 às 16h30 – Sala 806
Ascensão, Vertigem e Queda na Poesia e Cinema de Mário Peixoto.
BARBARA BERGAMASCHI NOVAES (PPGCOM – UFRJ)
Através de uma análise da decupagem de três cenas do filme Limite e da escansão do poema “A grande curva”, publicado no livro Mundéu acreditamos ser possível vislumbrar como a poesia e a mise-en-scène de Mário Peixoto obedecem a uma mesma lógica formal de construção. Em uma via de mão dupla observamos como a poesia se transfigura em cinema e, inversamente, como o cinema “enforma” a poesia. Para tal utilizamos textos de Mário de Andrade, Paulo Henriques Britto, Flora Süssekind e Sergei Eisentein
O registro e a invenção em A festa e os cães e Monstro
Annádia Leite Brito (UFRJ)
Em seguimento à comunicação do ano anterior, passa-se ao caso de mais dois trabalhos cearenses que se situam entre as imagens fixas e em movimento, no espectro do conceito de fotográfico em Bellour (2008): A festa e os cães, de Leonardo Mouramateus, e Monstro, de Breno Baptista. São investigadas suas estruturas formais e diegéticas estabelecendo aproximações e afastamentos com (nostalgia), de Hollis Frampton, A balada da dependência sexual, de Nan Goldin, e seu episódio na série Contatos.
Pausa, espaço e encenação na construção da imagem de dança
Maria Teresa Ferreira Bastos (UFRJ)
O objetivo desta comunicação é refletir sobre questões caras à fotografia contemporânea, a partir do trabalho de produção de imagens – fixas, em movimento, amadoras e profissionais – do grupo de dança paulista Pausa, que desde 2014 vem desenvolvendo o projeto “O que vemos quando olhamos dança?” e que conta com a liderança da bailarina Beth Bastos em parceria com a americana Lisa Nelson. Intenciona-se refletir sobre a imagem no diálogo em que se projeta o olhar do espectador e sua imaginação

ST Montagem Audiovisual: reflexões e experiências – Gesticulações da Montagem (mesa4)

10/10 às 16h30 – Sala 807
Timecodes e frame rates: uma trajetória do pulso cinematográfico
Silvia Okumura Hayashi (FAAP)
Timecode é uma sequência numérica de oito dígitos. O timecode é uma ferramenta chave do audiovisual, ele é o relógio mestre que sincroniza imagens e sons. Ele conta e indica a frequência do tempo, o frame rate. O timecode é um derivado da eletricidade e do vídeo e transita com fluidez pelo âmbito digital: ele pode tomar a forma do som, texto, imagem, metadata. Com a difusão das imagem estereoscópicas, estamos na emergência do surgimento de um novo frame rate e um novo timecode.
O gesto ausente: sobre a mão e o macaco
Andrea França Martins (PUC-Rio)Nicholas Andueza Sineiro (UFRJ)
O prólogo de Natureza Morta (Susana de Sousa Dias), composto pelo movimento de um macaco em direção à mão de um homem, estabelece o motivo visual do filme. Por uma opção de montagem, a cena não se completa: perdem-se de vista a mão e o macaco antes mesmo que terminem seus movimentos. Tal lacuna produz o que chamamos de “gesto ausente”. Pretende-se, assim, expandir a noção de “camadas de ausência” (França e Andueza, 2018) para lidar com esse gesto que marca a mise-en-scène do filme.
Estéticas da Montagem nas Artes Audiovisuais: Movimentos Centrípetos
MILENA SZAFIR (ufce)
Quais as caracteristicas estéticas da memória como banco de dados quando compreendidas através do âmbito da montagem na transdisciplinaridade artística?

Retornaremos, portanto, a alguns pontos de minha tese de doutorado (2011-2015) – continuidade orgânica do TCC “ComunicaCidade […]” (2003) e da dissertação “Retóricas Audiovisuais […]” (2010), pesquisas e realizações desenvolvidas/ defendidas na contramão explícita daqueles (hoje inexistentes) áureos tempos da Universidade de São Paulo (USP)


ST Mulheres no cinema e audiovisual – Sessão 4

10/10 às 16h30 – Sala 808
Formas de insubordinação cinematográfica ao mito do amor materno
Roberta Veiga (UFMG)
Na tentativa de interpelar a equação ser mulher é ser mãe – base da maternidade compulsória para atender ao patriarcalismo -, compomos uma constelação de filmes em dois eixos de análise: a)maternidade vivida no corpo: filmes de 50-60, que lidam com a gravidez e o aborto, No limiar da vida (Ingmar Bergman) e A mulher que pecou (Bryan Forbes); b)maternidade em processo: filmes de 2018, que tocam à impossibilidade da relação mãe-filha, Julia e a Raposa (Inês Barrionuevo) e Meu anjo (Vanessa Filho).
Café, canela e transgressão: descolonizando narrativas feministas
Geisa Rodrigues (UFF)
Esta comunicação visa ensaiar um olhar de aprendizado a partir da estética com perspectiva transgressora afrocentrada de figuração, desvelada nas entrelinhas e na sutileza de Café com Canela. Levanto a hipótese de que diversos elementos elencados pelo filme configuram hoje uma chave para a descolonização das narrativas, que todas as novas produções audiovisuais brasileiras que se pretendem feministas deveriam apreender, no contexto político atual.
Autobiografia e Interseccionalidade em “Privilégio” de Yvonne Rainer
Carla Alice Apolinário Italiano (UFMG)
Tendo como objeto o longa “Privilégio” (1990) da artista estadunidense Yvonne Rainer, a presente proposta é guiada por duas frentes de investigação interconectadas: analisar os modos de inscrição fílmica de um “eu” que é autora e sujeito da própria obra, com as implicações decorrentes dessa dupla incidência; investigar a influência de teorizações do chamado feminismo interseccional no filme, atentando para o complexo tratamento das diferenças e subjetividades em operação na obra.

políticas e mercado do audiovisual contemporâneo: ações e impactos

10/10 às 16h30 – Sala 604
A distribuição de filmes no Brasil ou o eterno trabalho de Sísifo.
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
A despeito da narrativa acerca da difícil sobrevivência das salas de cinema no Brasil e no mundo frente às outras janelas disponíveis; mesmo diante do recuo reiterado de público que enfrentam os exibidores brasileiros há alguns anos; há uma tônica constante na visão da política pública do segmento, evidenciada nos programas, marcos regulatórios e obrigatoriedades aos agentes de mercado, que privilegia essa janela, na contramão dos relatos de produtores. Será possível conciliar essas tendências?
O Mês do Filme Documentário:uma economia para documentários de acervos
Teresa Noll Trindade (UNICAMP)
O Mês do Filme Documentário é um evento anual que ocorre na França e cuja principal função é proporcionar a circulação e exibição de documentários de acervos adquiridos pelas bibliotecas francesas. A programação é realizada pelas próprias bibliotecas, em locais públicos não-comerciais e conta com um conjunto de atividades complementares. Através deste evento, os filmes que já tiveram uma vida comercial pregressa podem novamente circular e ser redescobertos pelo público.
Pra ingles ver: a distribuição de filmes brasileiros no Reino Unido
Hadija Chalupe da Silva (UFF/ESPM)
Ao analisarmos o desempenho comercial de filmes nos diversos segmentos de exibição, vemos que os desafios para atrair novos públicos estão ligados tanto às mudanças dos hábitos de consumo audiovisual, quanto às dificuldades que indústrias emergentes enfrentam, com a falta de continuidade de políticas de incentivo ao setor. Desse modo, este trabalho tem como intenção apresentar os dados iniciais do processo investigatório do desempenho e alcance de filmes brasileiros em territórios estrangeiros.

marginal?

10/10 às 16h30 – Sala 605
A abertura da margem: proposta de análise do cinema de Ozualdo Candeia
Natalia de Oliveira Conte Delboni (Unesp)
A história do cinema brasileiro foi marcada pela influência estrangeira, porém, a busca por identidade audiovisual desenvolveu experimentações narrativas e estéticas. É o caso de “A Margem”, de Ozualdo R. Candeias, que une poética e técnica em uma obra que denominaria uma fase histórica: cinema marginal. Esse artigo analisa a abertura interpretativa e a experiência estética, bem como o conceito de poiésis, aisthésis e katharsis aplicados à obra. Os autores Eco e Jauss foram base desse estudo.
Histórias em quadrinhos de Sganzerla: filme marginal, mídia marginal
CIRO INACIO MARCONDES (UCB)
O filme Histórias em quadrinhos (1969), de Rogério Sganzerla, unia a transgressão do cinema chamado “marginal” com aquela própria da mídia quadrinhos para reivindicar legitimidade para esta forma de expressão, historicamente negada e censurada. Este trabalho procura pensar a maneira que o filme antecipou um processo de reconhecimento dos quadrinhos que levou décadas para ser efetivado, ao mesmo tempo que vai analisar a própria estética dos quadrinhos no cinema de Sganzerla, com suas contradições
Hitler IIIoMundo (1968) e H. Bosch: o imaginário grotesco e da loucura
Juliana Froehlich (ViDi/UA)
Hitler IIIo Mundo (1968), apresenta um aglomerado de unidades narrativas (Moraes, 2011) em que o grotesco e a loucura são recorrentes. É possível identificar este imaginário também em pinturas medievais, como as de Hieronymus Bosch. Portanto, apesar do contexto distinto, pretende-se interpretar o imaginário do grotesco e da loucura presente no filme à luz de quadros de H. Bosch, fundamentando-se nas teorias da estética do grotesco, contribuindo para a reflexão sobre tais representações no Brasil

museus, cinematecas

10/10 às 16h30 – Sala 606
Cinema paranaense em revisão: relações históricas na Cinemateca do Museu Guido
Viaro (Curitiba, 1975-1985)
Luciane Carvalho (UFPR)
Esta pesquisa trata da análise de textos de divulgação de sessões da Cinemateca do
Museu Guido Viaro (atual Cinemateca de Curitiba), entre 1975 e 1985, publicadas na
imprensa diária curitibana, notadamente aquela dedicadas à história do cinema
paranaense. Pretendemos estabelecer uma crítica historiográfica sobre a
representação desse passado e as implicações dentro da proposta da Cinemateca,
enquanto espaço de formação. Questionamos também a periodização da história do cinema paranaense, em comparação a diversas propostas aplicadas ao cinema
brasileiro de modo geral.
Conversas ao pé do ouvido: vamos falar do museu de cinema?
Thais Vanessa Lara (UNICAMP/FLUP)
Esta comunicação apresenta o resultado parcial de um levantamento realizado na base do periódico “Journal of Film Preservation” da Federação Internacional de Arquivos de Filmes sobre “film museum/musée du cinéma”. A partir dessa pesquisa foram selecionados 37 artigos que abordam o tema: cinema, museu e público. Objetiva-se investigar como a FIAF e as próprias instituições afiliadas se classificam com o intuito de aproximar as discussões internacionais do contexto brasileiro.
SUPER-8 E CINEMATECA DO MAM: A IMAGEM COMO CONDENSAÇÃO DE TEMPOS
Marta Cardoso Guedes (UFRJ)
Experiência de pesquisa com preservação de películas super-8 pelo projeto de cinema da escola do Vidigal (CINEAD) em parceria com a Cinemateca do MAM/RJ. Em 2017 encontramos imagens sobre a tentativa de remoção da favela do Vidigal na década de 1970, feitas por uma cineasta amadora em super-8. Em 2018, as imagens restauradas, são exibidas na mesma Cinemateca, visando a construção de uma memória coletiva (BENJAMIN, 2009) e a produção de um documentário como método historiográfico (LEANDRO, 2015).

processos do cinema brasileiro contemporâneo

10/10 às 16h30 – Sala 607
O que resta do Cinema Brasileiro Contemporâneo de Grande Bilheteria
Sheila Schvarzman (UAM)
Refletimos sobre os caminhos atuais do cinema brasileiro de grande bilheteria marcado por forte perda de público, diminuição de produções, mudança nas temáticas e gêneros e a crise nas formas de sustentação. O que resta de uma produção – talvez errática, talvez já por se firmar – que políticas públicas haviam permitido se desenvolver? Por onde caminha esse cinema durante os últimos três anos? A quem se dirige e o que procura dizer? Que país é possível entrever a partir dessas ficções?
Representação e memória cultural em Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca.
Márcia Gomes Marques (UFMS)
Este trabalho discute a relação entre as matrizes culturais e os formatos industriais em filmes que lançam mão de tradições genéricas que aludem à memória cultural do popular global, associadas com uma matéria da representação que introduz matrizes culturais diversas, combinando o tipo com o específico, indigenizando aspectos da narrativa. Desde o modelo das mediações, são analisados os aspectos temáticos e genéricos da transposição que Cabeça a Prêmio faz do romance homônimo, de Marçal Aquino,
Da entrevista à ação: uma tendência do cinema brasileiro contemporâneo
Daniel R. Feix (Sem vínculo)
Realizados em sequência pela produtora Teia, “A falta que me faz”, “O céu sobre os ombros” e “Girimunho” evidenciam uma mudança de procedimento nos filmes nacionais da virada dos anos 2000 para os 2010: a substituição do recurso da entrevista pela observação da ação. Essa mudança permitiu a captura da intriga (KRACAUER, 1997) e reorganizou a relação personagem-espaço (BURCH, 2015), escancarando sintomas (DIDI-HUBERMAN, 2012) marcantes do período, como a opressão contida nessa relação.

Kar Wai, Koreeda: corpos e composição visual

10/10 às 16h30 – Sala 608
A dramaturgia dos corpos na mise-en-scène de Wong Kar Wai
PAULA TELLES DE MENEZES FARO (PUCSP)
Neste trabalho propomos uma reflexão sobre a dramaturgia dos corpos na mise-en-scène do filme O Grande Mestre de Wong Kar Wai. Utilizaremos a Teoria Corpomídia proposta pelas autoras Christine Greiner e Helena Katz para compreender os mecanismos através dos quais isto ocorre. Procuramos entender como esta dramaturgia, aliada a outros recursos da linguagem cinematográfica, narra a transformação histórica de um período nas artes marciais chinesas preservando sua memória.
Diálogos estilísticos entre Barry Jenkins e Wong kar-wai
Ludmila Moreira Macedo de Carvalho (UFRB)
O trabalho pretende apresentar uma análise comparativa dos filmes “Se a rua Beale falasse” (Barry Jenkins, EUA, 2019) e “Amor à flor da pele” (Wong Kar-wai, Hong Kong, 2002), ressaltando o uso de recursos estilísticos da linguagem audiovisual como enquadramentos, cenários, movimentação de câmera, fotografia e montagem. Defende-se a ideia de que, embora sejam filmes com temáticas diversas, há um interessante diálogo travado no âmbito das decisões estilísticas e dos efeitos provocados por elas.
A contribuição dos elementos visuais no espaço fílmico de Seguindo em
Mari Sugai (USP)
A composição visual é constituída de elementos como formas, texturas, volumes, perspectivas, profundidades de campo e outros. Por estar presente na intersecção entre pintura e cinema, verificaremos no presente trabalho, se a organização dos elementos cênicos e escolhas estéticas em Seguindo em frente (Hirokazu Koreeda, 2008), auxiliaram na narrativa. Os estudos de Jacques Aumont sobre imagem e confluência entre artes visuais e cinema, terão destaque e servirão como principal fonte consultada.

Mesa “Preservação e Memória Hoje”

10/10 às 19h00 – Teatro Unisinos

 
 

11/10


ST Cinema Negro africano e diaspórico – Narrativas e representações – Sessão 5

11/10 às 9h30 – Sala 615
Estratégias críticas de fabulação no cinema negro
Kênia Cardoso Vilaça de Freitas (UNESP)
Nesta comunicação iremos nos questionar como podemos pensar as estratégias afro-fabulares que os filmes da produção contemporânea do cinema negro movimentam. Para isso, dialogaremos com os conceitos de afro-fabulação (Tavia Nyong´o) e fabulação crítica (Saidiya Hartman). Levantaremos a hipótese de que as estratégias críticas de fabulação neste cinema abrem um campo de investigação para as expressões artísticas negras para além da representação e da representatividade.
Que “negro” é esse no Cinema Negro brasileiro?
Natasha Roberta dos Santos Rodrigues (Unicamp)
Com esta proposta pretende-se analisar os curtas-metragens Deus (2017, SP) e Liberdade (2018, SP), ambos de Vinícius Silva. A partir da análise fílmica dessas obras, intui-se observar seus elementos narrativos e as construções simbólicas construídas. Tendo em vista a discussão sobre o papel do cinema na constituição de identidades, busca-se compreender as proposições e reformulações das identidades negras que esses filmes apresentam.
Cidades da diáspora africana e a criação de imagens cinematográficas
Aida Rodrigues Feitosa (UFRJ)
Uma estética particular liga o corpo dos personagens ao espaço das cidades aproximando as
imagens dos cineastas Charles Burnett e André Novais. Tanto Watts, em Los Angeles; quanto
Amazonas, em Contagem, grande Belo Horizonte são bairros habitados e filmados pelos diretores
e que carregam a experiência comum da diáspora africana nas Américas. A relação dos
personagens, da casa e do bairro revela imagens de pessoas negras longe dos esteriótipos que a
indústria cinematográfica utiliza até os dias de hoje.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Sessão 5: Internacionalização, produção/recepção e alteridades comparadas

11/10 às 9h30 – Sala 616
Brasil e Argentina nos festivais de Cannes e Berlim (1994 – 2017)
Belisa Brião Figueiró (UFSCar)
Esta comunicação analisa as políticas de internacionalização da Ancine e do INCAA, e em que medida essas ações estimularam a seleção dos filmes brasileiros e argentinos nos festivais de Cannes e Berlim. Dessa forma, pretende-se examinar o papel do Estado na difusão e na circulação internacional das obras. O levantamento inicial aponta para uma proeminência dos cineastas Walter Salles e Lucrecia Martel no período, cujos longas-metragens verificaremos também a partir da recepção francesa.
Da alteridade à alterofobia: o outro no cinema latino-americano
Luiz Fernando Roos Todeschini (UFF)
Partindo do conceito de alteridade e suas implicações, proponho resgatar a presença da alterofobia em filmes latino-americanos contemporâneos. Questionando a capacidade do ser humano de se relacionar com o próximo, a presença do outro se afirma em alguns filmes como figura de ameaça, paranóia ou repulsa e põe em crise a existência de muros e divisões simbólicas. Trato de discutir os mecanismos de negociação da alteridade a partir dos sentidos contemporâneos das proximidades compulsórias.
A produtora Sonofilms em comparação às suas contemporâneas argentinas
Vitor Ferreira Pedrassi (UFSCar)
A produtora Sonofilms, uma das principais empresas do cenário brasileiro na década de 1930 e 1940, torna-se conhecida como uma “pequena revolução dentro do cinema brasileiro” (HEFFNER; RAMOS, 1988, p. 222) graças ao seu modo de produção que a diferenciava de suas contemporâneas nacionais. A presente comunicação tem por objetivo investigar se a produtora teria se assemelhado a alguma outra empresa latino-americana da época, focando a sua análise nas produtoras argentinas de então.

ST Cinema brasileiro contemporâneo: política, estética, invenção – Sessão 5

11/10 às 9h30 – Sala 804
Polarização e performance política no interior do Pernambuco.
Mariana Lucas Setubal (PUCSP)
Interessa-me analisar o documentário Camocim (Quentin Delaroche, 2018), através do conceito de “acontecimento” (MIGLIORIN, 2014) enquanto fagulha desviante, que ainda não propõe uma nova ordem, mas, já aponta para uma bifurcação histórica. Delaroche tece uma análise política, aparentemente local, que, através de um conjunto de opções formais, é capaz de atualizar a condição de leitura em torno das eleições de 2018, sobretudo, naquilo que refere-se a dimensão da performance política.
Silêncios fantasmagóricos: por lugares onde mortos vivam
Luiz Severiano Ribeiro de Paula Baez (PUC-Rio)Gustavo Chataignier (PUC-Rio)
Em uma leitura comparativa do longa-metragem “Los Silencios” (2017), dirigido pela brasileira Beatriz Seigner, com o romance “Pedro Paramo” (1955), escrito pelo mexicano Juan Rulfo, busca-se identificar um resgate benjaminiano da história dos vencidos (BENJAMIN, 1985). Para tanto, apontam-se, nessas (re)criações artísticas, estratégias de visibilização de personagens “fantasmagóricos”, cujas vidas e tradições foram apagadas pelo progresso enquanto necessidade histórica.
Brasil sem escuta: reações do documentário à intolerância conservadora
Reinaldo Cardenuto Filho (UFF)
O objetivo da comunicação é analisar alguns documentários brasileiros contemporâneos, todos em diálogo com heranças do cinema de observação, nos quais percebe-se uma abertura ao saber popular como aprendizado crítico do Brasil. Por meio das ideias que Paulo Freire desenvolve no livro Pedagogia da autonomia, pretende-se defender a hipótese de que tal documentarismo reage, por meio do exercício da escuta, à crescente incapacidade conservadora de lidar com as diferenças culturais e políticas.

ST Teorias e análises da direção de fotografia – Sessão 5

11/10 às 9h30 – Sala 805
Potência do escuro na fotografia: jogo de sombras em Christopher Doyle
Bruno Bortoluz Polidoro (Unisinos)
Este trabalho propõe uma inversão de paradigma do pensar a fotografia cinematográfica: coloca o escuro como centro da formulação dos desenhos de iluminação. Autentica a potência do escuro, apresentando sua força como base da imagem que nasce e permanece em suas bordas (escuro-moldura), e a sombra, que brota resultante do aparecimento da luz. A análise é feita em filmes com fotografia de Christopher Doyle, e aponta nessas imagens jogos de claros e escuros criados por uma luz líquida.
O impacto de procedimentos fotográficos na experiência cinematográfica
Cyntia Gomes Calhado (UNIP)
Esta comunicação visa apresentar os resultados da tese “Intensidades da imagem: experiência estética no cinema”. No exame de trechos de Abril Despedaçado e Linha de Passe, observamos que os procedimentos fotográficos concebidos por Walter Carvalho e Mauro Pinheiro Jr. geram plasticidades na imagem fundamentais para a construção da narrativa visual. Detalharemos esses procedimentos para demonstrar a importância da autoria destes profissionais na experiência estética dos filmes.

narração em voz-over como recurso criativo do roteiro cinematográfico

11/10 às 9h30 – Sala 601
O narrador acousmêtre em Woody Allen
Maria Castanho Caú (UFRJ)
Em A voz no cinema, Michel Chion introduz o conceito de acousmêtre, e define en passant o narrador acousmêtre como “aquele que não se mostra, mas que não tem um envolvimento pessoal com a imagem”. Assim, pretende-se pensar esse narrador extradiegético (ou autoral, na teoria de Stanzel) no cinema de Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona, Você vai conhecer o homem dos seus sonhos e Café Society), analisando a sofisticação através da qual ele estabelece uma fina conexão com o ambiente literário.
A narração em segunda pessoa e “Você”
CAROLINA OLIVEIRA DO AMARAL (UFF)
A série de TV Você (2018-) se utiliza de uma narração em segunda pessoa – quando o narrador é um personagem que se dirige a outro personagem – para colocar os espectadores todo o tempo, em contato direto com o protagonista Joe (Penn Badgley), e sua relação com Beck (Elizabeth Lail) para quem ele narra a história. A narração é o principal elemento de ironia e a forma como a série se demonstra autoconsciente de um gênero que, a princípio, nada teria a ver com um thriller: a comédia romântica.
Vozes na cabeça – possibilidades da narração no realismo imersivo
Rafael Leal (PUC-Rio)
No contexto das narrativas imersivas, em que o espectador (interator) dispõe-se dentro da cena, e não mais diante dela como nas narrativas de tela plana, o recurso do narrador em voz-over adquire um estatuto distinto. Partindo da tensão entre presença e narrativa nos ambientes imersivos, este estudo mapeia as possibilidades do uso da narração em voz-over, relacionando a prática da escritura de roteiros audiovisuais em ambas as modalidades – narrativas planas e imersivas.

ficção científica

11/10 às 9h30 – Sala 602
A chegada: tempo e linguagem no cinema de ficção científica
Fabio Camarneiro (UFES)
A chegada (Denis Villeneuve, 2016) retrata como a comunicação imposta pelas novas tecnologias têm impactado não apenas as instituições democráticas ao redor do mundo, mas a própria percepção da história. A grande tela retangular transparente, que no filme serve de suporte para a comunicação entre humanos e alienígenas, é metáfora das telas de computador e celular que tem pautado as cisões discursivas contemporâneas: espaços de comunicação instantânea e icônica, a marcar um novo tribalismo.
A feminização do masculino hétero em eXistenZ, de Cronenberg
Fernando Mascarello (UNISINOS)
Partindo do debate feminista em torno à obra de David Cronenberg, protagonizado por autoras como B. Creed e L. R. Williams, o trabalho mobiliza teorias psicanalíticas antifalocêntricas recentes, como as de J. André, M. Schneider e G. Birman, a fim de explorar a dinâmica de feminização do masculino hétero tal como encenada em eXistenZ, tomado como filme-clímax desse tema cronenberguiano.
O ESTRANHO UNIVERSO FÍLMICO DE H. P. LOVECRAFT
Yuri Garcia Piedade Kurylo (UNESA)
O presente trabalho introduz um breve levantamento de algumas incursões de H. P. Lovecraft no cinema. Enquanto a utilização de seus elementos costumam render filmes com boas críticas e bilheterias, as transposições das narrativas do autor parecem habitar nichos mais específicos, sobretudo em um âmbito considerado mais trash.. Através do estudo de autores que versam sobre o assunto e exemplos mais emblemáticos, demonstraremos esse estranho paradoxo no cinema e apresentando algumas hipóteses.

representações do feminino 3

11/10 às 9h30 – Sala 809
Cinema noir italiano: a (in)dependência de uma femme fatale clássica
Alexandre Rossato Augusti (Unipampa)
Analisa-se o cinema noir clássico italiano, a partir da perspectiva do hedonismo, alicerçado na figura da femme fatale. Ilustra-se a proposta com o filme O Bandido (Il Bandito – Alberto Lattuada, 1946), apontando-se a singularidade da personagem Lídia (Anna Magnani) como chefe de uma gangue composta por homens. A metodologia tem base na proposta analítica de Diane Rose (Análise de imagens em movimento, 2002) e de Francis Vanoye e Anne Goliot-Lété (Ensaio sobre análise fílmica, 1994).
Muitas glorias e algumas aleluias
Antonio Carlos Tunico Amancio da Silva (UFF)
A partir de representações das “Glorias” nos filmes, tais como a “Gloria” de Cassavetes e a refilmagem de Lumet e aquela de “A Glória e a Graça”, de Tambellini, investigaremos suas recorrências e rupturas. Há mais: a “Gloria” de Lelio e seu remake “Gloria Bell” e ainda a “Gloria, Diva suprema”, de Keller, a de “Praça Paris”, de Murat, e a Verônica, de Maurício Farias, baseada no original americano. Variadas mulheres insubmissas a um destino traçado pelas tradições patriarcais, articuladas
Entre pães e rosas, queremos os dois: revoluções, melancolia e desejo
Mariana Duccini Junqueira da Silva (UNICAMP)
Apresentamos uma análise contrastiva entre os filmes “No intenso agora” (J. M. Salles, 2017) e “Vogliamo anche le rose” (A. Marazzi, 2007). Articuladas a partir de imagens compiladas, as duas obras remetem à convulsão e ao senso de urgência próprios ao contexto do maio de 1968, alcançando efeitos de sentido distintos. Se, em Salles, a melancolia obliterava o teor disruptivo das revoluções, em Marazzi a luta pela emancipação feminina é, ela própria, um dos signos mais potentes dessa disrupção.

dança, performance

11/10 às 9h30 – Sala 603
Historiografia da Dança no Cinema: análise fílmica no século XXI
Maria de Lurdes Barros da Paixão (UFRN)Maria Consuelo Oliveira Santos (KÀWÉ)
Esse trabalho investiga a história da dança no cinema em períodos distintos. O primeiro período corresponde ao cinema não narrativo nos filmes de Thomas Edison; Annabelle’s Butterfly Dance (1894), Serpentine Dance (1895) e Annabelle in Flag Dance (1896). O segundo refere-se ao cinema narrativo nos filmes Intolerance de David Griffith (1916) e Le Ballet Mécanique de Fernand Léger (1924). A pesquisa argui sobre procedimentos, parâmetros e ferramentas de análise fílmica no século XXI.
Construção audiovisual do espaço de criação de Deborah Colker em Start
Sofia Franco Guilherme (USP)
O trabalho pretende analisar o potencial de produções audiovisuais que registram processos estéticos em dança contemporânea para revelar as buscas conceituais da coreógrafa Deborah Colker e sua perspectiva teórica e prática sobre o fazer desta arte. Para isso, escolhemos uma reportagem veiculada na “Série Corpos” do programa televisivo Starte, exibido pela Globo News, a fim de investigar o espaço de criação construído por meio da articulação entre elementos verbais e não-verbais no vídeo.
Cinema e “Performance Art”
Lisandro Nogueira (UFG)wertem nunes faleiro (UFG)
O objetivo da pesquisa é observar a pertinência e as ligações do conceito de “Performance Art” com o cinema narrativo clássico (o melodrama), cinema documentário e o cine-ensaio. Apresentamos a fase da pesquisa em que se elencou as origens, a etimologia e os caminhos teóricos e práticos pelos quais o conceito de performances se desdobrou. Em seguida, realizamos a análise de “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho que demonstra a relação entre cinema e “Performance Art”.

ST Cinema e Educação – Sessão 5

11/10 às 9h30 – Sala 806
A formação audiovisual dos educadores
Rafael Romão Silva (UFF)
Diversas áreas do conhecimento realizaram experiências e acumularam reflexões sobre as possíveis interfaces entre Audiovisual e Educação, dentre elas: Comunicação, Cinema, Arte e Educação. A partir desta diversidade metodológica, identificamos quais delas permeiam as dez melhores graduações de Licenciatura em Pedagogia do Brasil, o que nos dá indícios de como os futuros docentes e gestores enxergam a Escola atravessada pelo Audiovisual.
A formação do educador em cinema, audiovisual e educação
Eliany Salvatierra Machado (UFF)
O presente texto tem como objetivo apresentar reflexões da pesquisa em curso, cujo tema é a formação do educador audiovisual, iniciada em 2018. As proposições apresentadas são inferências parciais. A questão problema da pesquisa é: quais saberes, referências teóricas e práticas que devem compor a formação do ou da educadora audiovisual em cinema e audiovisual? É possível promover espaços de criação e expressão audiovisual sem que o ou a educanda tenha acesso a um conhecimento já produzido?
CINEMA E DIREITOS HUMANOS COMO PERSPECTIVA EDUCACIONAL
Alexandre Silva Guerreiro (UFRJ)
As diversas formas de experimentação do cinema na escola nos convidam a refletir sobre os efeitos das escolhas feitas pelos docentes. A partir do conceito de curadoria educativa (VERGARA, 1996; MARTINS, 2006), este trabalho busca investigar de que maneira filmes como Café com Canela e Infiltrado na Klan promovem uma experiência cinematográfica dentro da perspectiva de uma educação em direitos humanos (CANDAU; SACAVINO, 2013) como norteadora de nossas práticas pedagógicas.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 5 – Dispositivos e arquivos

11/10 às 9h30 – Sala 807
A sobrevivência dos arquivos: materialidades e memória
José Cláudio Siqueira Castanheira (UFSC)
Este trabalho procura discutir a dimensão material da experiência cinematográfica não apenas como condicionadora de práticas e afetos, mas também como perpetuadora de uma memória física do mundo. Propõe-se a memória como um registro nos corpos da existência das coisas. O espaço físico – como a sala de cinema – é o local em que corpos entram em choque e onde se produzem tais marcas. Arquivos físicos se colocam como uma alternativa ao apagamento – acidental ou não – das mídias digitais.
Cor e Tela Panorâmica no Cinema Novo: imersão e distanciamento
Simplicio Neto Ramos de Sousa (ESPM)
A adoção do “filme colorido” e, em alguns casos, de “formatos panorâmicos” por cineastas ligados ao Cinema Novo, decisão vista como garantia de maior público, depois de um período de dificuldades com o circuito exibidor, é o objeto de nossa investigação. Trata-se de um fenômeno que une questões de linguagem, gênero, e recepção do público. Já detectado por outros teóricos num viés “autorista”, mas revisto agora pela chave dos estudos da exibição cinematográfica.
VELO-CINE: UMA FÁBRICA DE PROJETORES NO NORDESTE BRASILEIRO
André Huchi Dib (UFPB)
Entre 1960 e 1980 uma indústria sediada em Pernambuco produziu e reformou mais de uma centena de projetores, equipando e prestando serviços para dezenas de cinemas em capitais e no interior do nordeste, como alternativa ao alto custo de aquisição e manutenção de projetores importados ou originários do sudeste. As relações entre a Indústria Velo-Cine e este circuito de exibição de filmes é o tema desta apresentação, situada no campo da história das mídias e arqueologia do cinema.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 5 – Presença e temporalidade

11/10 às 9h30 – Sala 808
Nem nouvelle, nem nouveau: Alain Resnais em defesa do realismo mental
Isadora Meneses Rodrigues (UFPE)
A partir da análise de um conjunto de entrevistas que o cineasta francês Alain Resnais deu para a Cahiers du Cinema e para a Positif entre as décadas de 1960 e 1980, o objetivo desta comunicação é identificar traços de um pensamento conceitual do diretor que atravessam reflexões estéticas propostas pelos seus filmes desse mesmo período. Defendemos que, em conjunto, esses textos e obras fazem emergir uma teoria do realismo mental cinematográfico.
Presentificação da Ausência e Teoria da Emanação em Face aux Fantômes
RAFAEL TASSI TEIXEIRA (PPGCINEAV)
O trabalho tenta observar a questão da dialética da memória e das imagens em “Face aux Fantômes”, documentário de Sylvie Lindeperg e Jean-Louis Comolli (2009) sobre o filme de Alain Resnais, “Noite e Neblina” (1955). Observando a articulação entre mis-en-scène e memória, problematiza-se a relação prova-contraprova na estrutura diegética de um dos filmes documentários mais relevantes da história do cinema em relação ao tema dos campos de concentração, comentado pela historiadora e pelo teórico.
Tempo e naturalismo em Nada levarei qundo morrer, de Miguel Rio Branco
Bruno Leites (UFRGS)
Esta comunicação problematiza o tratamento do tempo em “Nada levarei qundo morrer: aqueles que mim deve cobrarei no inferno”, de Miguel Rio Branco, em perspectiva comparada com as fotografias da série de mesmo título. Evidentemente, às fotografias não faltam brutalidade, animalização, excessos e intenção narrativa. No entanto, é na matéria audiovisual que Rio Branco encontra a expressão que o aproxima mais das premissas naturalistas, notadamente pelo poder de trabalhar o tempo entrópico

representações urbanas e ambientais

11/10 às 9h30 – Sala 604
Cartografia Cinematográfica e a Identidade em Rio Doce/CDU
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Esse trabalho reflete sobre a representação da experiência urbana e da identidade no documentário pernambucano Rio Doce/CDU (Adelina Pontual, 2013). Parte-se aqui da análise das imagens de duas cidades: Olinda e Recife, considerando-as no âmbito de uma representação através da qual o espaço urbano está envolto em uma moldura cultural de percepção do espaço que possibilita novos entendimentos sobre a identidade e a experiência do viver no espaço urbano como lugar vivido e imaginado.
A representação do conflito socioambiental no documentário rondoniense
Juliano José de Araújo (UNIR)
A comunicação analisa a representação do conflito socioambiental decorrente do garimpo no documentário Os requeiros (1998, Lídio Sohn e Pilar de Zayas Bernanos), de Rondônia. Problematiza a relação entre a ideologia desenvolvimentista do Estado e a degradação ambiental, discutindo as estratégias fílmicas empregadas pelos realizadores, além de se considerar o potencial dos recursos audiovisuais como processos discursivos alternativos à história oficial.
Cinema In(ter)venção com as ruas, praças e o farol, em Fortaleza
Deisimer Gorczevski (UFC)
Ao acompanhar processos inventivos entre o pesquisar e intervir e a experiência estética e política do encontro com moradores, no bairro Serviluz, interessou analisar as ações do Cine Ser Ver Luz e os modos de ocupar as ruas, praças, o Farol do Mucuripe e as associações, cartografando as intervenções audiovisuais que problematizam as relações entre arte e vida cotidiana e as constantes ameaças das políticas de remoção, nessa região de Zona Especial de Interesse Social – ZEIS, em Fortaleza (CE).

realidade virtual, novas tecnologias

11/10 às 9h30 – Sala 605
Primeiras considerações sobre dramaturgia para VR
Eduardo Simões dos Santos Mendes (ECA USP)
A partir de obras ficcionais criadas para VR, reflito sobre a inadequação da atual dramaturgia linear e com um único ponto de direcionamento do olhar e a necessidade de criação de uma nova dramaturgia que considere a circulação do espectador pelo espaço.
Realidade Virtual e Audiovisual – Configurações da imagem no vídeo 360
Lyara Luisa de Oliveira Alvarenga (ECA USP)
As práticas de produção, veiculação e recepção de conteúdos audiovisuais imersivos são o foco de nossa atual pesquisa. Objetivamente, direcionamos a atenção sobre a produção audiovisual que faz uso dos recursos tecnológicos de elaboração do vídeo 360º. Nessa apresentação abordaremos alguns pontos essenciais para compreender as estratégias de configuração da imagem nessa prática de criação audiovisual.
O impacto das novas tecnologias na criação cinematográfica
Ernesto Bezerra Cavalcanti Filho (PUCSP)
Pensar o cinema a partir de tecnologias que desestabilizam as relações entre filmagem/edição e sujeitos/objetos filmados. A hipótese principal é que em determinados contextos tecnológicos, políticos e cognitivos, emerge um cinema-corpo com aptidão para co-evoluir e se reinventar nos ambientes por onde transita em todas as instâncias do seu processo: criação, produção, circulação.

subjetividades e individualidades. autoria, crítica, história social

11/10 às 9h30 – Sala 606
Preservação e memória na atuação do crítico-cineasta Fernando Spencer
Alexandre Figueirôa Ferreira (Unicap)Claudio Roberto de Araujo Bezerra (UNICAP)
A manutenção de acervos cinematográficos é fundamental para a preservação da memória do cinema brasileiro. Em Pernambuco, o cineasta e crítico Fernando Spencer é um nome incontornável, sobretudo pelo papel que desempenhou na preservação do Ciclo do Recife, tanto nas páginas do jornal Diário de Pernambuco, quanto no período em que foi diretor da Cinemateca da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife.
Pedro Segundo Pedro
Joao de Lima Gomes (UFPB)
O maestro Pedro Pereira dos Santos teve ativa participação na trajetória do cinema na Paraíba desde fins dos anos cinquenta a meados dos anos oitenta do século passado. Inicialmente como autor de trilhas de filmes na Paraíba realizados e posteriormente como gestor público na Universidade Federal da Paraíba onde coordenou o NUDOC-UFPB num decisivo movimento de formação de quadros em cinema a partir da cooperação com cineastas franceses e brasileiros que no Núcleo atuaram especialmente ate 1986.
Tão Perto, Tão Longe – Filmes Inocentes em Serra Pelada, Brasil.
Silvia Helena Cardoso (UNIFESSPA)
Dois curtas-metragens produzidos por estudantes de Licenciatura em Artes Visuais na disciplina de Linguagem Audiovisual sobre o universo da Vila de Serra Pelada. A experiência do cinema trouxe ao debate a história social viva presente na maioria das famílias do sudeste do Pará. A tríade – ouro, sonho, garimpo – foi o fio condutor dos filmes. A experiência do cinema – o fazer propriamente – marcou a produção como lugar do conhecimento, do diálogo constante entre diferentes áreas do saber.

contemporâneo. fotogenia, montagem, adaptação

11/10 às 9h30 – Sala 607
Místico-digital: o retorno contemporâneo da fotogenia
André Antônio Barbosa (Unicap)
No começo do século XX, Jean Epstein desenvolveu o conceito de fotogenia: a capacidade que os filmes teriam de revelar algo que não estava acessível ao olho humano nu. Por muito tempo, o caráter quase místico dessa abordagem, bem como os experimentos artificiosos de Epstein, foram relegados às margens por uma análise fílmica centrada no realismo. Este paper analisa quatro filmes contemporâneos que, porém, apontam para uma espécie de ressureição da fotogenia em plena era da imagem digital.
Fantasma, anacronismo e memória na montagem audiovisual contemporânea
Michael Abrantes Kerr (UFPEL)
O cenário contemporâneo motiva a ascensão de um audiovisual que apresenta a característica de estado-fantasma, baseado no contágio. Ao lidar com a memória, os fantasmas são estratégias que fazem uma relação do presente com o passado. As produções aqui discutidas fazem sobreviver imagens e criam outro tempo que é próprio do fantasma, anacrônico. Isso potencializa as discussões sobre o estatuto da montagem audiovisual, à medida que trazem do passado e de diferentes ambientes o seu modo de agir.
Memória e ficção na literatura e cinema espanhóis do século XXI
Flavio Pereira (UNIOESTE)
No século XXI, ganha força na Espanha a representação na literatura e no cinema de dinâmicas de resgate da memória coletiva da guerra civil e da ditadura franquista. As narrativas contemporâneas operam este resgate tenso, num país onde ainda há forças sociais em embate em torno à necessidade de fazer isso e das formas como se leva a cabo tal tarefa. Abordaremos algumas obras literárias e cinematográficas ficcionais para verificar, em sua construção, as possibilidades desta poética da memória.

ST Cinema Negro africano e diaspórico – Narrativas e representações – Sessão 6

11/10 às 11h30 – Sala 615
Bixa Travesty e o queerlombismo: a negritude trans no documentário
Gilberto Alexandre Sobrinho (UNICAMP)
Análise do documentário Bixa Travesty (Kiko Goifman e Claudia Priscilla, 2018), centrado na artista multimídia Linn da Quebrada, com participação de Jup do Bairro, a partir da abordagem do queerlombismo. Essa justaposição gera um termo conceitual para pensar o cinema negro, no campo do documentário, que elabora artisticamente sua expressão visual e sonora por meio da performatividade artística transexual/travesti. Figurações não identitárias como invenção de mundo negras.
30 anos de Línguas Desatadas: autobiografias de bixas pretas no cinema
Bruno Felipe Duarte da Silva (UFRJ)
A partir da análise do documentário autobiográfico Línguas Desatadas (Marlon Riggs, 1989) este ensaio procura refletir sobre o impacto da autoexpressão de corpos e subjetividades de bixas pretas na construção de imagens nos últimos 30 anos, traçando um paralelo em primeiro plano com o longa Moonlight (Barry Jenkins, 2016) e outras obras dos EUA e do Brasil.
O espaço urbano da experiência LGBT em “Rafiki” (Quênia, 2018)
Ana Camila de Souza Esteves (UFBA)
A partir de uma pesquisa cartográfica da experiência urbana nos cinemas africanos, esta comunicação busca avançar as discussões propostas anteriormente para pensar a experiência LGBT na cidade de Nairóbi, no Quênia, a partir de uma análise do filme “Rafiki” (Quênia), de Wanuri Kahiu, lançado em 2018.

ST Audiovisual e América Latina: estudos estético-historiográficos comparados – Sessão 6: Cineastas brasileiros/latino-americanos e suas influências

11/10 às 11h30 – Sala 616
Júlio Bressane, Miguel Bejo e o filme de horror autorreflexivo
Estevão de Pinho Garcia (IFG)
Barão Olavo, o horrível (Júlio Bressane, Brasil, 1970) e La familia unida esperando la llegada de Hallewyn (Miguel Bejo, Argentina, 1971) são dois filmes vanguardistas que estabelecem suas conexões com o gênero horror pela intertextualidade e pela livre apropriação de seus códigos e não pela completa adesão. Neles, por mais que o gênero seja introduzido para dentro de seus interiores, sempre será uma exterioridade. Objetivamos, por meio da análise fílmica, examinar a articulação desse diálogo.
Rasgar os olhos ao meio como Buñuel: Glauber Rocha e a política do NCL
Marco Túlio de Sousa Ulhôa (UFF)
Ao propor que o cinema latino-americano deveria ser inventado, a partir da síntese dos elementos do neorrealismo italiano e do cinema soviético, Glauber Rocha propõe o “neo-sur-realismo”, como o resultado dessa equação. Estilo a ser produzido pelo ato transgressor de “rasgar o olho ao meio como Buñuel”. Logo, é a influência de Buñuel e de Franz Fanon na obra de Glauber, os objetos dessa pesquisa que investiga a produção do cineasta brasileiro e a política do Nuevo Cine Latinoamericano.
O cinema de Leon Hirszman em 1969: entre o popular e o marginal
Pedro Vaz Perez (PPGCine-UFF)
Faremos um estudo comparativo entre os dois curtas realizados por Leon Hirszman em 1969, Nelson Cavaquinho e Sexta-feira da paixão, sábado de aleluia, que apontam para propostas estéticas opostas: um documentário popular e um filme marginal. O fato sugere um dilema estético-político do cineasta em momento de revisão do cinema novo frente ao contexto político nacional e internacional, no momento em que acontecia a ascensão das produções marginais em diálogo com a contracultura.

ST Cinema brasileiro contemporâneo: política, estética, invenção – Sessão 6

11/10 às 11h30 – Sala 804
Em busca da amizade no cinema brasileiro LGBT+
Haroldo Ferreira Lima (USP)
Através da apresentação de uma pesquisa de doutorado iniciada há pouco, lançamos questões caras ao projeto para tensionar suas linhas centrais. O trabalho toma a amizade enquanto categoria relacional potente para se pensar dissidências sexuais ético-políticas e busca em filmes LGBT+ dos últimos anos intermediadores para se pensar modos de vida por meio de estratégias de cuidado, de sobrevivência e de intensificação de prazeres.
O espaço fora do lugar no filme ‘Inferninho’ (2018)
Arthur Fernandes Andrade Lins (UFF/UFPB)
A partir do filme Inferninho (2018), dirigido por Guto Parente e Pedro Diogénes, buscarei refletir sobre a categoria de espaço no que se refere a sua condição material, diegética e fabular, onde a ficção se impõe como um gesto de reinvenção possível do mundo. Esse gesto se insere na fabricação do espaço, mas se estende e se amplia a partir de uma estratégia de deslizamento das identidades, transformando o lugar do imaginário em uma espécie de laboratório das mutações subjetivas.
Filiações monstruosas: corpo e comunidade em As Boas Maneiras
João Victor de Sousa Cavalcante (UFPE)
O trabalho discute relações entre corpo e comunidade no longa-metragem As Boas Maneiras (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017). O objetivo é pensar a figura do lobisomem, central na narrativa do filme, como um disparador de novas formas de sociabilidade que incluem agências não antropocêntricas. Ao juntar elementos heterogêneos como possibilidades de comunidade, o filme de Rojas e Dutra indica certa política dos afetos e do corpo, a partir da fabulação sobre um Brasil desigual e contemporâneo.

escritas, oralidades, representações de si

11/10 às 11h30 – Sala 805
Encenações de si no cinema brasileiro contemporâneo
Marília Xavier de Lima (UAM)
Proponho uma comunicação acerca da encenação de si no cinema brasileiro contemporâneo a fim de compreender a maneira como essas performances de si mesmo se articulam com as práticas de sociabilidade presentes na cultura audiovisual. Esse artifício ocorre em filmes de ficção, documentários e naqueles que operam entre os dois modos. Farei uma apresentação sobre uma pesquisa em percurso a respeito de operações cinematográficas atuais que apontam para outras estratégias de autenticação do real.
Como mensurar a “escrita de si” no documentário?
Laécio Ricardo de Aquino Rodrigues (UFPE)
Neste trabalho, desejamos avaliar três conceitos – autobiografia, autoficção e auto-retrato -, ponderando suas adequações e valor heurístico para entendermos o que está em operação em certa produção documentária marcada pelo triunfo da enunciação em primeira pessoa, operação conduzida majoritariamente pelo diretor, que deixa o antecampo, ocupa a cena e partilha conosco algumas de suas aflições/inquietações, num transbordamento subjetivo por vezes surpreendente.
Localidade, oralidade e acaso: Gede Vizyon e o espírito da memória
Jansen Hinkel Molineti Tavares (UAM)
Gede Vizyon é um documentário haitiano em curta-metragem realizado por um trio de artistas – Steevens Simeon, do Haiti, e os brasileiros, Jefferson Kielwagen e Marcos Serafim – durante a 5ª Bienal do Ghetto. No filme, uma cabra, com uma câmera acoplada, passeia pelo cemitério de Porto Príncipe. Este trabalho pretende discutir os procedimentos estéticos adotados no filme e como tais escolhas servem ao debate sobre preservação e projeção da memória de um local.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 4

11/10 às 11h30 – Sala 601
Bomba de som e música: o discurso distópico de Branco Sai, Preto Fica
Alexandre Camargo Scarpelli (UFSCar)
Este trabalho pretende observar qual é o papel do som e da música na construção do discurso fílmico de Branco Sai, Preto Fica (2014, Adirley Queirós) especificamente naquilo que o configura como narrativa de ficção científica – em termos gerais, quanto à essência do gênero – avaliando, ao mesmo tempo, de que forma som e música cristalizam elementos particulares da mitologia brasileira de ficção científica.
Cantares de Lucrecia: o design musical da trilogia de Salta
Guilherme Maia de Jesus (UFBA)Diego Martin Haase (UFBA)
Nossa proposta é apresentar o resultado de um processo de análise do projeto musical da trilogia salteña de Lucrecia Martel. A partir de um spotting das intervenções de música na banda sonora, e em diálogo com a recepção teórico-crítica da obra de Martel, defendemos que, embora a diretora declare ser inábil na utilização do recurso da música, a análise da trilogia saltenã nos fornece fortes indícios de um modo de fazer sofisticado, de um design musical singular que esculpe um estilo.
Trilha musical do filme The Friends de Shinji Sômai: poética do violão
Carlos Fernando Elias Llanos (FASCS)
A partir da trilha musical do filme The friends (Natsu no niwa), do diretor japonês Shinji Sômai, o trabalho analisa a suite para violões “Summer Garden” por meio dos conceitos de contrato audiovisual, valor agregado e synchresis de Chion (1994), entre outros autores do campo da música no cinema. Discorre-se sobre as nuances culturais que atravessam a peça em interação com o filme, assim como a sua poética desde os estilos programático e leivmotívico na música.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – Sessão 4

11/10 às 11h30 – Sala 602
Brasília no longa-metragem “Branco Sai, Preto Fica” de Adirley Queirós
Carlos Eduardo da Silva Ribeiro (UFRGS)
Adirley Queirós é um diretor de cinema da Ceilândia/DF. A presente análise indaga como o seu penúltimo longa-metragem, Branco Sai, Preto Fica (2014), representa Brasília em suas relações com a citada cidade-satélite. Ao lançar mão de elementos documentais articulados com outros de ficção-científica, o filme tematiza os limites epistemológicos e geográficos do projeto modernista que conduziu a construção da Capital Federal, propondo a sua releitura a partir das vozes e experiências de sujeitos física e simbolicamente violentados a partir desse processo segregacionista: os ceilandenses, o “Outro” de Brasília.
Como dar close na precariedade: o cinema dândi-periférico de Sosha
Pedro Pinheiro Neves (UFRJ)
Com orçamento zero e câmeras de celular, o artista Sosha já realizou sete curtas. Apesar da precariedade da produção, seus filmes transformam áreas degradadas do Recife, Rio ou Brasília em glamorosos cenários de editorial de moda, onde personagens queer não-brancos desfilam ao som de uma trilha internacional. Este trabalho analisa os filmes de Sosha como paradoxais exercícios de elitismo democrático, que reivindicam o luxo, a beleza e um olhar dândi para o mundo como direitos de qualquer pessoa.

ST Cinema comparado – Sessão 4 (Confrontos II)

11/10 às 11h30 – Sala 809
As Olimpíadas de Tóquio: imagens do Japão de 1964 e 2020
Pedro de Araujo Nogueira Tinen (Unicamp)
Um mais importantes documentários esportivos, Olimpíada de Tóquio (1965) de Kon Ichikawa é também uma obra controversa, as duas versões do filme derivam do conflito entre o diretor e o comitê que havia comissionado o projeto. Assim como em 1964, a iminência do evento em 2020 resulta na proliferação de imagens e discursos acerca da cidade e do país. Esta comunicação compara as versões do filme de Ichikawa com a produção audiovisual realizada em virtude da próxima edição dos jogos olímpicos.
Comparando filmes – Siegfried Kracauer e Pierre Sorlin.
Pedro Miguel Camargo (Unifesp)
Propomos apresentar uma discussão sobre o estudo comparado de filmes a partir de escritos de Siegfried Kracauer e Pierre Sorlin. Ambos advogam que a abordagem comparativa das imagens do cinema “faz ver” dimensões da sociedade que, de outro modo, permaneceriam ocultas. Contudo, os diferentes pressupostos epistemológicos que orientam suas investigações as impulsionam em direções divergentes. Pretendemos, assim, lançar uma luz sobre tais pressupostos e suas consequências metodológicas.
Denis, Conrad e Camus: o pessimismo do empreendimento colonial
Juliana Soares Lima (UFPE)
Este trabalho pretende estabelecer um paralelo entre a filmografia de temática africana da cineasta francesa Claire Denis, e um recorte da literatura colonial europeia representada pelos autores Joseph Conrad e Albert Camus. Denis, Conrad e Camus, num intervalo de pouco mais de 100 anos, constroem de maneira diversa um olhar inquieto e descontente sobre o projeto colonial europeu.

ST Corpo, gesto e atuação – Sessão 5

11/10 às 11h30 – Sala 603
Melodrama e sensibilidade gay em Praia do Futuro (2014)
Lucas Hossoe Gomes (Unicamp)
Esta comunicação propõe uma análise do filme Praia do Futuro (2014, dir. Karim Aïnouz) sob a conjectura da sensibilidade gay e do melodrama em suas definições cinematográficas. Busca-se na auto-reflexividade da forma, as aproximações e distanciamentos do pathos melodramático na construção narrativa e as referências visuais da encenação, com especial atenção às gestualidades e corporalidades que compõem códigos melodramáticos e homoeróticos.
O gasto soberano como modo de existir/resistir no cinema queer
Erly Milton Vieira Junior (Ufes)
Como as noções batailleanas de soberania, excesso e gasto/dépense, nos permitem pensar certos modos de existência de sujeitxs LGBTs, como formas de resistência? Para entender isso, buscamos articulá-las a aspectos sensórios e estratégias de encenação presentes em filmes de dois contextos históricos do cinema queer: o da pedagogia sociocultural dos anos 80-90 (Línguas desatadas, The living end) e o da câmera-corpo/ pedagogia dos desejos pós-2000 (Madame Satã, Mal dos trópicos e Na Vertical).
Temporalidade drag em Alegria de Viver (1958) de Watson Macedo
JOCIMAR SOARES DIAS JUNIOR (PPGCine-UFF)
Neste trabalho, buscaremos investigar certos códigos subculturais gays possivelmente articulados pelo cineasta homossexual Watson Macedo em suas chanchadas, particularmente através das “reincarnações” de Carmen Miranda no corpo da mocinha Eliana Macedo. A noção de temporalidade drag (FREEMAN, 2010) será invocada para pensar os interstícios entre performatividade queer, gênero e história, a partir de um curioso (e deslocado) número musical em Alegria de Viver (Watson Macedo, 1958).

ST Cinema e Educação – Sessão 6

11/10 às 11h30 – Sala 806
Devir-cinema: Corpos e imagens infantis.
César Donizetti Pereira Leite (UNESP)
As proposições aqui apresentadas se constituem a partir de trabalhos que desenvolvemos com produção de imagens realizadas por crianças e professoras de Educação Infantil. Estes produtos audiovisuais tem se apresentado como territórios potenciais de discussão acerca de questões em torno da infância, da criança e da educação. Temos chamado estes produtos de experiências educativas com produções de imagens. Aqui vemos emergir a possibilidade de um devir-cinema com imagens e crianças.
Infância e cinema: outra perspectiva para o corpo na escola
Karine Joulie Martins (UFSC)
A dimensão do corpo na escola moderna – modelo que ainda prevalece na escola contemporânea – é fundamental para as discussões de reinvenção da educação. Partindo deste tema, o objetivo da comunicação é pensar as práticas de fruição/produção de cinema na escola como alternativa ao enrijecimento dos corpos na escola. Para tanto, analisaremos algumas imagens produzidas por crianças entre 2016 e 2018 em contextos de pesquisa e extensão em escolas públicas de Florianópolis/SC.
Ed.,psicologia e cinema:reflexões a partir de Jonas e o circo sem lona
FERNANDA OMELCZUK WALTER (UFSJ)
Partindo das proposições em Cinema e educação e de pesquisas sobre o ensino de Psicologia na formação dos professores, queremos pensar a presença do cinema no curso de Psicologia para as licenciaturas. Tendo como referência o filme “Jonas e o circo sem lona” a proposta reflete sobre a escolha, abordagem e desdobramentos pedagógicos do(s) filme(s), com vistas a uma relação política e criadora com o cinema e a uma formação inventiva e estética do futuro professor.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil – Sessão 6 – Salas, cinefilia e festivais

11/10 às 11h30 – Sala 807
‘Atrações’ do cinema (de rua): multiusos, variedades e inovações
Wilson Oliveira da Silva Filho (UNESA)Márcia Bessa (Márcia C. S. Sousa) (ECDR/IBAv)
A partir de conceitos e características dos primórdios da exibição cinematográfica – notadamente o ‘cinema de atrações’ e o ambiente indiferenciado das ‘variedades’ – e de suas relações para com o público da época, esse trabalho tenta pensar novas possibilidades para a expectação e para as salas de ‘cinema de rua’ contemporâneas; ressaltando ainda a permanência desses espaços como suportes de memória, locais de resistência e experimentação audiovisual.
O Cine UFPel e a promoção da cinefilia a partir do cinema brasileiro
MAURICIO VASSALI (PUCRS)
O trabalho examina a difusão da cinefilia nas salas de cinema universitárias. Para tal, a delimitação está na curadoria no Cine UFPel, e nos longas-metragens brasileiros exibidos entre os anos de 2015 e 2018. A pesquisa contempla a perspectiva das estratégias curatoriais, do cineclubismo e da cultura da cinefilia. A diversidade de obras e a reflexão intercontextual são sugeridas como principais potências da promoção de tal cultura.
FESTIVAIS DE CINEMA E CONTINGÊNCIA: O CASO DO FESTIVAL DO RIO
Tetê Mattos [Maria Teresa Mattos de Moraes] (UFF)
Partiremos da análise teórica que aborda a relação dos festivais de cinema e sua temporalidade a partir da noção de contingência desenvolvida por Janet Harbord. Se, por um lado, um festival de cinema é uma temporalidade estruturada, por outro, ele aproveita o tempo de contingência de um evento ao vivo, introduzindo a singularidade da experiência que não pode ser reproduzida/vivida em data ou local posterior. Tomaremos como análise o Festival do Rio para compreender os mecanismos de “atração”.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 6 – Corpo e narrativa

11/10 às 11h30 – Sala 808
EVALDO MOCARZEL E A DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA CONSTRUÍDA NO CORPO DANÇANTE
Cristiane do Rocio Wosniak (UNESPAR)
Esta comunicação tem o objetivo de refletir sobre o sistema estilístico do documentarista Evaldo Mocarzel, presente em seus documentários de/sobre dança. A partir de seus ensaios, entrevistas e cartas de montagem, além dos documentários, busca-se reconhecer os possíveis traços teóricos sistemáticos e coerentes nos atos criativos investigados, contribuindo para a sistematização de argumentos que se transformam em teoria colocada em práxis cinematográfica e vice-versa.
Clémenti autor: sobreimpressão psicodélica, militância e… teoria?
Leonardo Esteves (UFMT)
Pierre Clémenti já é um ator estabelecido quando começa a dirigir curtas experimentais a partir de 1967. Entre os títulos iniciais, destaca-se La révolution n’est qu’un début. Continuouns le combat (1968), filme que combina sobreimpressões psicodélicas e militância. A presente comunicação pretende analisar esta obra tomando como ponto de partida a possibilidade de ver nela a construção de uma teoria em convergência com outras, formuladas ao redor do cinema e na contemporaneidade do Maio de 68.
Uma certa angústia personiana: fundamentos narrativos em SP/SA
Juliano Rodrigues Pimentel (IFRS)
Este estudo investiga a possibilidade de uma teoria narrativa a partir da obra São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Sérgio Person, considerando seu diálogo com a estética de um espírito do tempo pós-segunda guerra e na larga influência de uma crise existencial do indivíduo enquanto matriz narrativa e seus reflexos na construção dos espaços fílmicos simbólicos como caracterização da noção de angústia.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 5 Performance

11/10 às 11h30 – Sala 604
Antecedentes da Performance AV nos Arquivos See this Sound e CVM
Marcus Vinicius Fainer Bastos (PUC-SP)
Amy Alexander afirma que um ponto-de-partida comum nas histórias da performance audiovisual é o órgão de cor. Em diálogo com estas práticas, uma série de experiências foram realizadas. Dieter Daniels contextualiza esta trajetória, que considera errática e recursiva. Baseado nos arquivos See this Sound e Center for Visual Music, este artigo apresenta uma história do diálogo entre cor e som, procurando relacionar os experimentos relevantes e estabelecer uma cronologia de seu desenvolvimento.
Espaço-Além: O filme como um espaço in-between Cinema e Performance
Huli de Paula Balász (UFSCar)
Este trabalho analisará o documentário brasileiro Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil (The Space in Between – Marina Abramović and Brazil, Marco del Fiol, 2016) pelo viés da intermidialidade, na tentativa de compreender as relações entre cinema e performance. Especificamente será verificada a forma que esta relação intermidiática revela a dimensão subjetiva da personagem, a possível remidiação da performance no cinema e seus possíveis diálogos com o documentário performático.
CINE-PERFORMANCE: Montagens espaciais e temporais entre a PERFORMANCE
Roderick Steel (USP)
Esta proposta baseada na prática tem como objetivo discutir a relação entre a arte da performance e os dispositivos audiovisuais experimentais. Pretende delinear como o corpo performativo cria montagens entre espaços e tempos distintos, e como estes arranjos corporais se potencializam na construção de artefatos audiovisuais concebidos para cinema, vídeo-instalação ou vídeo-performance, tendo como base o filme autoral “Cruz Branca Terra Preta”. Link: https://vimeo.com/320749596 (senha/abre)

ST Montagem Audiovisual: reflexões e experiências – Re-Montagens (mesa5)

11/10 às 11h30 – Sala 605
A montagem para (re)construir, (re)encenar e (re)escrever a memória.
Luzileide Silva (IFS)
A proposta consiste em analisar como a montagem emprega as imagens-sons para (re)construir, (re)encenar e (re)escrever a memória de fatos passados no curtas-metragens Você Conhece La Conga? (2007), Caixa D’água Qui Lombo é esse? (2012) e Super Frente Super 8 (2016). Observaremos através de processos conceituais e operacionais como a montagem cria camadas que geram artifícios distintos para recriar e simular o passado a partir da memória.
Memórias do futuro da Metrópolis – retomada-ensaística de Ridley Scott
Guilherme Bento de Faria Lima (UFF / PUC-Rio)
A proposta é recuperar e estabelecer diálogo entre diferentes produções de Ridley Scott através da organização espacial da metrópole. Retomar imagens que foram utilizadas para representar a aceleração e o fluxo de informações próprios das cidades globalizadas. Refletir sobre mudanças ocorridas a partir do digital, sobretudo, transformações na lógica de seleção que passa a ser procedimento essencial para compreender a (re)apropriação da mídia e atualizações nos modos de montagem.
A Câmera Analítica e os rastros da história
Alexandre Kenichi Gouin (UFRJ)
Esta comunicação se propõe em discutir as relações entre montagem e história no cinema de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi. Partiremos da análise do dispositivo da Câmera Analítica, que fundamenta a prática de montagem e os procedimentos desenvolvidos nos filmes do casal de artistas. Em seguida, considerando o arquivo a partir de uma abordagem derridiana, mostraremos como o gênero historiográfico dessa prática se aproxima da micro-história.

ST Mulheres no cinema e audiovisual – Sessão 5

11/10 às 11h30 – Sala 606
Cinema Lésbico e Negro: Raça, Sexualidade e Decolonialidade
Naira Evine Pereira Soares (UFF)
Esta comunicação se propõe discutir sobre o cinema lésbico produzido e pensado no contexto latino-americano e no que ele consiste. Como ferramentas para tal análise, é apresentado um levantamento quantitativo de filmes que protagonizam narrativas lésbicas e bissexuais em países da América Latina e Caribe, somado ao diálogo entre teorias lésbicas, raciais e de decolonialidade sob um pensamento afrodiaspórico.
Luiza Maranhão: A mulher negra no prelúdio cinemanovista
Catarina de Almeida (UFF)
O estudo tem como objetivo pontuar a presença e espaço corporal da mulher negra no Cinema Novo, direcionando olhares para a atuação da atriz Luiza Maranhão. Observaremos a performance autoral da atriz presente em duas obras iniciais de sua breve trajetória pelo cinema brasileiro: A Grande Feira (Roberto Pires, 1961) e Barravento (Glauber Rocha, 1962) a fim de associar sua representação com o conceito de mito da democracia racial.
Cinema de Heroínas: Olhares Críticos sobre Mulher Maravilha e Capitã M
Regina Lucia Gomes Souza e Silva (UFBA)Letícia Moreira de Oliveira (Unicamp)
A proposta do trabalho visa analisar um conjunto de discursos críticos brasileiros sobre os filmes Mulher Maravilha (2017), com direção de Patty Jenkins e Capitã Marvel (2019) realizado por Anna Boden e Ryan Fleck. Partimos da ideia de que esses discursos podem ser considerados como experiências receptivas (Staiger, 2005) que se articulam com os debates atuais sobre a questão da representação (Stacey, 2009), gênero (Lauretis, 1987) e ainda sobre o tema das narrativas culturais das super-heroínas

ecologia, imaginário nuclear, representações visuais e sonoras

11/10 às 11h30 – Sala 607
Motivos visuais do realismo fantasmagórico no cinema de Weerasethakul
Henrique Codato (UFC/UNIFOR)
Ao transformar os elementos primordiais – a água, a terra, o fogo, o ar – e também aqueles etéreos, espectrais – a fumaça, o vento, a neblina, a luz – em motivos visuais para seu cinema, Apichatpong Weerasethakul aproxima seu espectador de uma experiência sensorial e afetiva bastante singular. Propomos refletir acerca da presença dessas forças sutis em alguns de seus curta-metragens, buscando entender como elas operam na construção do realismo fantasmagórico que configura sua arte.
Devir ecológico: corporeidades não-humanas no cinema contemporâneo
Mariana Arruda Carneiro da Cunha (UFPE)
Esta comunicação examina os desdobramentos das imagens da natureza, mais especificamente de florestas e bosques, em “Jin” (2013) e “Mulheres que cantam” (2014), dois filmes do realizador turco Reha Erdem que apresentam um forte engajamento com o não-humano e o meio ambiente. Trata-se de discutir o papel estético e ético da espacialidade em obras que se aproximam de uma abordagem não-antropocêntrica, a partir de uma perspectiva ecológica e de uma discussão sobre a materialidade do cinema.
O imaginário nuclear e a vanguarda cinematográfica
Lucas de Castro Murari (UFRJ)
Este trabalho tem como objetivo analisar como o cinema tem abordado a questão nuclear. Esse imaginário se tornou uma temática recorrente nas reflexões do meio artístico desde as primeiras explosões. Alguns artistas e cineastas em particular serão destacados nessa análise, como é o caso das obras de Bruce Conner, Jacob Kirkegaard e Tomonari Nishikawa, que abordaram respectivamente a segunda guerra mundial, Chernobyl e Fukushima. A ênfase do estudo é a investigação estética.

recepção. espectadores, modernidade, familiaridades

11/10 às 11h30 – Sala 608
RECEPÇÃO E ESPECTATORIALIDADE: aproximações
nilda jacks (UFRGS)
No Brasil, da perspectiva dos estudos de recepção, são poucas pesquisas sobre audiências de cinema. Nos anos 1990 inexistem, de 2000 a 2009 são apenas 7 entre 209 pesquisas na área, de 2010 a 2015 são 9. Para dialogar com essa produção trataremos de dois brasileiros que enfrentaram a análise do campo – Mascarello e Bamba-, os quais transitaram entre os âmbitos da da recepção e da espectatorialidade. O objetivo do texto é avançar no estudo da experiência cinema.
O cinema americano informará: a recepção antropofágica de Hollywood
Anderson Luis Ribeiro Moreira (PPGCine/UFF)
Esse trabalho abordará a relação entre a antropofagia e o cinema hollywoodiano enquanto vernáculo global. Para isso nos valeremos da recepção desse cinema pelo espectador Oswald de Andrade, a partir de textos publicados na Revista de Antropofagia, e do conceito de modernismo vernacular de Miriam Hansen. Por fim, a partir dessas reflexões, faremos também alguns apontamentos rápidos sobre os usos intensivos desse vernáculo global pelo audiovisual brasileiro no contexto contemporâneo.
A imagem-clichê na escrita cinematográfica
Joanise Levy (Jô Levy) (UC; UNB; UEG)
Este trabalho versa sobre o conceito de imagem-clichê no âmbito da criação de imagens fílmicas na escrita cinematográfica. Sistematizamos o conceito de imagem-clichê, identificando os aspectos da funcionalidade, da atratividade e da familiaridade dessas imagens na articulação da narrativa dos filmes e sugerimos o enquadramento metodológico que leva em consideração as imagens-clichê como uma categoria de análise viável nos estudos fílmicos.

super 8, arquivo

11/10 às 14h30 – Sala 615
A apropriação do super-8 por mulheres nordestinas nos anos 70 e 80.
moema pascoini (UFMG)
Esta apresentação deseja lançar luz sobre o cinema superoitista realizado por mulheres no nordeste entre os anos de 1970 e 80. Pretende-se analisar a maneira como essas mulheres se movimentaram em um meio predominantemente masculino e como o super-8 serviu como ferramenta de acesso à criação cinematográfica, possibilitando a expansão da condição de expectadora ou de personagem para a de realizadora. Como estudo de caso, utilizaremos o curta-metragem O Beijo (Dir: Ilma Fontes; Yoya Wurcsh, 1980).
A montagem de filmes de família como construção de lugar de memória
Maíra Magalhães Bosi (n/a)
Tendo como fio condutor a noção de “lugares de memória” (NORA), analisaremos a retomada de filmes de família pela montagem do curta-metragem Supermemórias (2010). Tal curta é composto, exclusivamente, por imagens Super-8 pertencentes a acervos familiares de Fortaleza. Nesta investigação, pesquisa empírica e discussão teórica avançam juntas, evidenciando camadas de memória até então ocultas e apontando para a construção de um possível lugar de memória para a cidade de Fortaleza.
O cinema de arquivo e o conceito de inconsciente ótico de W. Benjamin
Flavio Guirland Vieira (Ulbra)
Pretendemos, através da análise do filme () a.k.a. Parentheses, de Morgan Fischer, estabelecer algumas relações entre o cinema de arquivo e determinados conceitos formulados por Walter Benjamin, especialmente aqueles referentes à leitura dialética da história e ao inconsciente ótico. A partir dessa comparação, lançamos uma hipótese: o corpo teórico de Benjamin revela-se uma ferramenta importante para compreendermos melhor essa prática audiovisual tão difundida no século 21, o found footage.

coletivos, acesso

11/10 às 14h30 – Sala 616
A DIREÇÃO DE ARTE NO CINEMA DE RISCO: O COLETIVO ATOS DA MOOCA
Ivan Ferrer Maia (USJT; FAM)
Pretendemos com esse trabalho, apresentar como a Direção de Arte foi trabalhada nos filmes do coletivo Atos da Mooca – “Ressuscita-me” e “A Luta Vive”, apresentando o processo de criação e como os elementos cenografia, figurino, objetos e maquiagem foram integradas nas imagens poéticas e simbólicas dos filmes, caracterizados como cinema de risco.
Trajeto de cinema em Cataguases: encontros, relações e aprendizados
Andrea Vicente Toledo Abreu (PUC-Rio)Rosalia Duarte (PUC-Rio)
Este estudo busca refletir sobre os fatores sociais, culturais e contextuais que contribuíram para a estruturação do Polo Audiovisual de Cataguases considerando as redes de relações intergeracionais estabelecidas em torno do aprender/ensinar cinema, tendo como como ponto de partida Humberto Mauro e o Ciclo de Cinema de Cataguases. Foi possível relacionar essa história, as continuidades e os processos estabelecidos entre pessoas com interesses em recolocar a cidade no cenário do cinema nacional.
SPCine Play – uma análise de plataforma para arranjos produtivos locai
João Carlos Massarolo (UFSCar)Dario de Souza Mesquita Júnior (UFSCar)
Este trabalho pretende analisar a plataforma SPCine Play, na perspectiva da convergência de mídias, a partir das novas demandas produtivas para o setor audiovisual, procurando discutir a modelagem de negócio da plataforma, bem como o seu papel nos processos de inovação e de articulação da APL Audiovisual (Spcine), na cidade de São Paulo. Busca-se assim, discutir a importância estratégica da plataforma SPCine Play para a distribuição de conteúdos em rede, acessíveis por diferentes dispositivos.

carta, ensaio, Varda

11/10 às 14h30 – Sala 804
AS CABANAS DE VARDA. Ato político e estético que problematiza o exibir
Denise Lopes (PUC-Rio)
Les créatures (1966), fracasso comercial de Agnès Varda, passou 40 anos invisível até seu negativo ser remontado em Ma cabane de l’échec. Ao reciclar a película, denunciando a perversão do circuito de projeção tradicional, promoveu nova engenharia de exibição crítica ao dispositivo do cinema, abrindo uma perspectiva arqueológica das mídias que serviram ao desejo da imagem em movimento desde as cavernas. Ato político e estético, agenciou formas de construção de presenças, significações e afetos.
A INSTÂNCIA GRÁFICA E A EXPERIÊNCIA DO RASTRO EM AGNÈS VARDA
Giulianna Nogueira Ronna (PUCRS)
Neste trabalho, busco refletir a instância gráfica na cinescrita vardiana enquanto um recurso que revela rastros de uma voz. Trago os conceitos de vestígio, rastro e traço em Benjamin (2006) para realizar uma análise da instância gráfica no filme Sem teto nem lei (Sans toit ni loi, 1985), expondo como a narração, constituída a partir desta instância, sugere aquilo que já não está mais visível, mas permanece latente na visualidade, um modo de visibilidade que se organiza na experiência do rastro.
Mauro em Caiena: do filme-carta ao filme-ensaio
Rafael de Almeida (UEG)
Objetiva-se refletir sobre como ocorre a aproximação entre o filme-carta e os filmes de família, à luz de Mauro em Caiena (Mouramateus, 2012). Partimos da hipótese de que o realizador se utiliza da linguagem ensaística para estruturar sua narrativa. Pretende-se analisar a obra com a intenção de comprovar que ela revela-se como filme-ensaio na medida em que parece assumir uma voz pessoal reflexiva por meio dessa investigação subjetiva das imagens domésticas enquanto escreve a carta fílmica.

educação, pesquisa

11/10 às 14h30 – Sala 805
O que pode o cinema? O que pode a educação?: rastros de um CineDebate
MARIA PAULA PINTO DOS SANTOS BELCAVELLO (UFJF)Wescley Dinali (UFJF)
A proposta de trabalho à SOCINE é apresentar rastros de um exercício de experimentação com o cinema, que se deu em um CineDebate – filme Rabbit-Proof Fence (2002); junto à Faculdade de Educação da UFJF. Problematizações como: O que pode o cinema? O que pode a educação? O podem o cinema e a educação em tempos de ataques e retrocessos? O que pode o corpo como resistência? O que pode a micropolítica como campo revolucionário?, moveram as discussões relacionadas à tríade “Cinema-Educação-Filosofia”.
EDUCAÇÃO E CINEMA: TÓPICOS SOBRE A PRODUÇÃO PRESENTE NO CATÁLOGO CAPES
Diogo José Bezerra dos Santos (UFJF)
A proposta de comunicação é um desdobramento da pesquisa Educação e Cinema: aspectos da produção acadêmica em Educação disponibilizada em plataformas digitais de divulgação científica do Brasil (1987-2016), defendida em fevereiro de 2019, no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A proposta ao XXIII Encontro SOCINE é a de apresentação de novos dados e reflexões a partir dos resultados já obtidos pelo referido estudo.
Mitocrítica fílmica: base teórico-metodológica para pesquisa em cinema
Danilo Fantinel (PPGCOM – UFRGS)
Nesse artigo, propomos a mitocrítica fílmica como processo teórico-metodológico adequado à pesquisa em cinema que tenha o imaginário como heurística. Nosso objetivo é clarear a observação e a interpretação dos elementos imaginários que energizam filmes cinematográficos dando sempre atenção ao símbolo e ao sensível, mas também aos componentes estruturantes da linguagem audiovisual que ecoam, refletem ou fazem emergir teores simbólicos e fragmentos míticos dinamizadores dessas obras.

ST Estilo e som no audiovisual – Sessão 5

11/10 às 14h30 – Sala 601
Os silêncios em Ossos (1997)
Luiz Fernando Coutinho de Oliveira (UFSCar)
A comunicação analisa os silêncios que são construídos no interior do filme Ossos (1997), de Pedro Costa. Os personagens demasiado fracos ou doentes pouco falam, e quando o fazem, principalmente por sussurros, mal se comunicam. Além da recusa da voz, também a figuração de determinados recursos visuais, em especial o artifício do quadro dentro do quadro, e a rigidez da encenação, caracterizada pela imobilidade das figuras humanas, auxiliam na constituição desses silêncios.
Relações entre o audível e o visível no cinema: o caso de “Arábia”
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Partimos de estudos sobre defasagens entre o audível e o visível em filmes com voz over para nos deter em Arábia (Affonso Uchoa, João Dumans, 2017). Entendemos tais defasagens como diferenças entre o que se ouve pela voz e o que se vê na imagem, seja por defasagem rítmica entre a edição de imagem e a de som, seja por decisão do que não mostrar. As imagens que faltam podem ser preenchidas com a imaginação, como na Literatura, sendo esse aspecto ativado no filme pela voz over de leitura do diário.

ST Cinemas pós-coloniais e periféricos – Encerramento

11/10 às 14h30 – Sala 602
Falando de amor com Cristiano, Riobaldo, Diadorim e Camilo
vinicios kabral ribeiro (UFRJ)
Esta é uma conversa de amor com Cristiano, Riobaldo, Diadorim e Camilo, endereçada à artista/profetisa Ventura Profana. É com eles e ela que vou falar de sentimentos e da vida. Dos modos e meios que nos colocamos no mundo, nos percebemos nele e nos letramos nas gramáticas afetivas disponíveis.
É um exercício especulativo com as imagens e palavrarias. Um olhar amoroso para o cotidiano e as narrativas que lançamos mão para desenhar o itinerário da nossa travessia.
Descolonização do pensar e das infraestruturas Na Maré Profunda
Ruy Cézar Campos Figueiredo (UERJ)
Doutorando em Tecnologias da Comunicação e Cultura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Artes e Processos de Criação: Poéticas Contemporâneas pela Universidade Federal do Ceará, Bacharel em Audiovisual e Novas Mídias pela Universidade de Fortaleza.
Intervenção divina: exílio, olhar em cena, mediação burlesca
Maria Ines Dieuzeide Santos Souza (UFC)
Nossa proposta de trabalho parte da análise de Intervenção divina (2002), o segundo longa da trilogia palestina de Elia Suleiman, instigadas pelo modo como, no filme, o olhar é posto em cena. Duas características se destacam: a duplicação da mediação (o corpo que olha) e a encenação do olhar, agenciado como arma de resistência. A partir delas, pensamos como o gesto de distanciamento, que atravessa a trilogia, é posto em cena como parte da experiência do exílio palestino.

ST Cinema comparado – Encerramento (Confrontos III: diálogos de Glauber Rocha)

11/10 às 14h30 – Sala 809
Inferno de repetições: Glauber e Sganzerla em comparação
Alexandre Wahrhaftig (ECA-USP)
Separados por uma década, “Copacabana mon amour” (1970) e “A idade da terra” (1980) são dois filmes que fazem da repetição uma forma central de seus discursos. Elaborado em diversos níveis (montagem, mise en scène, performances), o trabalho de repetições, quando em comparação, ajuda a iluminar a complexidade das obras de Rogério Sganzerla e Glauber Rocha, principalmente nos âmbitos de uma reflexividade meta-cinematográfica e de uma figuração do transe religioso e social.
Movimentos do corpo e do pensamento:Glauber Rocha e Roberto Rossellini
Nikola Matevski (ECA-USP)
A comunicação discute a relação entre “Di-Glauber” (Glauber Rocha) e “Centre d’art et culture Georges Pompidou” (Roberto Rossellini). Concluídos em 1977, os dois filmes passam-se nas dependências de museus de arte. Cada um apropria-se de pinturas e gravuras inseridas nos espaços expositivos, com choque e pessoalidade de um corpo agitado no caso de Rocha e um flanar abstrato e ruminante no de Rossellini.
O diálogo com Glauber Rocha em Viagem a Niklashausen, de Fassbinder
Mateus Araujo Silva (ECA-USP)
Apesar de pouco atento ao universo dos países e das cinematografias latinoamericanos, Fassbinder dirigiu em 1970 um filme, Viagem a Niklashausen, que torna patente um diálogo muito revelador com o par de filmes sertanejos de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969). A comunicação explora a apropriação singular, pelo filme de Fassbinder, de alguns dos aspectos mais salientes daquele par de filmes glauberianos.

ST Corpo, gesto e atuação – Sessão 6

11/10 às 14h30 – Sala 603
O humano e o técnico num só corpo: diálogos entre Simondon e Béla Tarr
Andrea C. Scansani (UFSC)
Esta apresentação propõe uma reflexão sobre o ato cinematográfico em Béla Tarr e sua equipe em diálogo com algumas ideias presentes no trabalho de Gilbert Simondon. Através do primeiro plano de seu último filme, O Cavalo de Turim (2011), traçaremos uma série de conexões entre as diversas facetas do pensamento de Simondon presentes em duas de suas obras: sua tese secundária, O modo de existência do objeto técnico (1958), e Imaginação e invenção (1965-66).
Os rostos, os olhos. O trecho
Milena de Lima Travassos (FIBAM – AESO)
Nossa análise está centrada em quatro filmes do diretor russo Andrei Tarkovski: “O espelho”, “Stalker”, “Nostalgia” e “O sacrifício”, especificamente em quatro cenas interpretadas por personagens femininos. As cenas foram escolhidas pela repetição de um gesto: as personagens voltam seus olhares para a câmera. Nas imagens esses olhares convertem-se em “trecho”. Zona perturbadora a durar instantes. Zona intensa que se torna outra coisa: olho-lança, olho-poço, olho-água-rasa e olho-mesa-posta.
Uma longa jornada: a caminhada, do literal ao expressivo
Edson Pereira da Costa Júnior (USP)
A comunicação analisa cenas de filmes contemporâneos a partir de um motivo comum: a caminhada em planos de longa duração. A proposta é discutir o gesto para além de sua aparente literalidade a-significante, tomando-o como expressão da condição do corpo dentro de uma ordem afetiva e política. Para levar adiante a proposição, realizar-se-á um cotejo com a arte contemporânea, tendo como norte obras de Bruce Nauman e de dançarinas (os) do Judson Theatre, como Yvonne Rainer.

roteiro, processos de criação

11/10 às 14h30 – Sala 806
Movimento criador e roteiro – relatos cartográficos
Ana Ângela Farias Gomes (UFS)
Este trabalho faz parte de uma pesquisa que vem construindo uma cartografia sobre os processos de criação de roteiristas latinos em atuação. Busca-se compreender como se dá nos dias de hoje o movimento criador, tal qual proposto por Salles (1998), de modo a levantar os rastros criativos inscritos por estes artistas, em diálogo sobre produção de subjetividade e dinâmicas territoriais (Deleuze e Guattari, 1995 e Guattari, 2012).
Estilo narrativo do cinema brasileiro de 1950 baseado em roteiros
Natasha Romanzoti (UNICAMP)
Este trabalho tem como objetivo destacar algumas características narrativas do cinema brasileiro por meio da análise de quatro roteiros dos anos 1950. Apesar dos esforços em termos de industrialização e padronização do cinema na década, paradigmas clássicos como a estrutura de três atos parecem ser de pouco interesse ou inaplicáveis a essa produção cinematográfica. De modo geral, a influência do teatro e do rádio brasileiros podem ser muito mais relevantes para as narrativas do período.
Genealogia da criação: um estudo focado no processo audiovisual
Fahya Kury Cassins (UNISOCIESC)
O presente estudo visa angariar ferramentas das pesquisas do processo de criação nas artes visuais e na literatura para compreendê-lo na esfera da criação audiovisual. Entendidos como arqueologia ou genealogia da criação, os processos criativos abrem o caminho para uma aproximação com as obras dos artistas. Porém, ainda é pouco explorado no audiovisual, então o trabalho busca compreender o que seria o “caderno do artista” para roteiristas e cineastas.

cinema brasileiro contemporâneo

11/10 às 14h30 – Sala 807
O jogo com a ficção em Arábia, António Um Dois Três e As Boas Maneiras
Leonardo Bomfim Pedrosa (PUCRS)
Nesta comunicação apresentaremos uma análise do jogo com as ficções a partir da fragmentação e dos desdobramentos narrativos de três filmes brasileiros contemporâneos: Arábia (2017), de João Dumans, Affonso Uchoa; António Um Dois Três (2017), de Leonardo Mouramateus, e As Boas Maneiras (2018), de Juliana Rojas e Marco Dutra.
O Pós-Dramático no Novíssimo Cinema Brasileiro
felipe maciel xavier diniz (UNIRITTER)
Acreditamos que há em evidência na filmografia do chamado Novíssimo Cinema Brasileiro a formalização de uma mise-en-scène abalada por desdramatizações. Esta operação é circunscrita por um ambiente hiper-realista, onde a duração apresenta-se como uma figura do excesso, produzida por tintas pós-dramáticas. Nossa intenção é refletir sobre esta teoria lançada por meio de determinadas táticas de encenação e, assim, compreender mais amplamente os movimentos cinematográficos contemporâneos.
Perspectivas do cinema independente brasileiro contemporâneo
Maria Cristina Couto Melo (Unicamp)
A presente comunicação pretende refletir sobre as noções de cinema independente brasileiro contemporâneo, identificando os modos pelos quais articulam estratégias de produção, circulação e exibição. Parte-se da ideia de que a independência cinematográfica contemporânea é conformada principalmente a partir das relações que mantém com o Estado, que delineia sua definição e também interfere nas maneiras pelas quais ela existe, e com o cinema mainstream, ao qual se contrapõe.

Welles, RKO

11/10 às 14h30 – Sala 808
O outro lado do vento: Orson Welles e a montagem da Nova Hollywood
Fabiano Pereira de Souza (UAM)
Após décadas arquivado incompleto, O outro lado do vento, de Orson Welles, é exemplo não apenas de preservação e recuperação de material filmado, como de resgate póstumo da visão de um artista para concluir uma obra. Como outros filmes americanos dos anos 1970 com período de edição acima da média, traz inovações de montagem comparáveis à teoria eisensteiniana e os novos cinemas dos anos 1960 e antecipa tendências como edição de videoclipe e estética documental de câmera na mão.
GLAUBER & WELLES – um estudo comparativo
Josafá Marcelino Veloso (PPGMPA)
Propõem-se um estudo comparado entre Glauber Rocha e o cineasta americano Orson Welles. Barravento de Glauber será comparado frame a frame com a sequência de It´s All True, Four man on Raft, ambos os filmes sobre pescadores/jangadeiros em luta contra as adversidades sociais e climáticas. Terra em transe e Cidadão Kane postos também lado a lado elucidará como formalmente estas duas obras-primas se encontram e se chocam em fino duelo de autores.
O espaço em cena nos filmes de drama da RKO Radio Pictures
Cesar de Siqueira Castanha (UFPE)
Analiso três filmes produzidos pela RKO Radio Pictures – Escravos do Desejo (1934), Fuga do Passado (1947) e Alma em Pânico (1953) – para pensar sua representação dos espaços cênicos. Busco investigar as recorrências e especificidades de suas encenações do espaço levando em conta não apenas as relações entre os filmes, mas também as materialidades do espaço fílmico, também considerando e problematizando o conceito de “lugar” no cinema como trabalhado por Elena Gorfinkel e John David Rhodes.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 6 Estética e Política

11/10 às 14h30 – Sala 604
A imagem como arma no trabalho de Rabih Mroué
Mariana Teixeira Elias (UFRJ)
O presente trabalho tem como objetivo o estudo da imagem como arma de protesto, mecanismo de resistência e prática política. Alicerçado nesse pressuposto, emprega-se como exemplo o artista libanês Rabih Mroué e sua palestra-performance intitulada “Revolução em Pixels” (2012), na qual a imagem torna-se um gesto político. A pesquisa é referenciada em teorias de Marie-José Mondzain, Hito Steyerl, Anita Leandro, dentre outros.
A Fotografia em Tempo de Alta Resolução: contrausos da nitidez
Ian de Vasconcellos Schuler (UERJ)
No ensaio “Em defesa da Imagem Pobre” (2009) Hito Steyerl argumenta em favor das imagens de baixa resolução, convertidas e reconvertidas nas linhas piratas das redes. No entanto, em anos recentes, pequenos produtores assistiram a um crescente barateamento das tecnologias de captação de imagem em alta resolução, o que produziu um ambiente propício para experiências que fazem um uso crítico das condições de captação desses instrumentos. Essa apresentação pretende comentar alguns desses casos.
As cartas em Chantal Akerman: inscrições do cotidiano e singularidade
Daniela Moreira de Faria de Oliveira Rosa (UFRJ)
O gesto de escrever cartas é recorrente na produção de Chantal Akerman. Mesmo quando não está em cena, a carta parece estar no próprio dispositivo de seus filmes. Seu rígido sistema formal descreve um cotidiano em primeira pessoa e, ao mesmo tempo, subverte uma estética realista a partir do próprio olhar aguçado na materialidade. Neste trabalho, procuro apresentar a carta em seus filmes como gesto e dispositivo que comunica cotidiano e singularidade.

ST Montagem Audiovisual: reflexões e experiências – Artes da Montagem (mesa6)

11/10 às 14h30 – Sala 605
Remix: estéticas de montagem e práxis política
José Wilker Carneiro Paiva (UFC)
O presente trabalho busca, através de um debate que passa por política, estética e remix, investigar o estado da arte dos vídeos remix, o potencial político e de transformação social através de sua estética de montagem. As obras que irão conduzir esse debate são: Echolocation (2018), de Marc Lee e 16 Step Social (2015), de Mike Richison. Partindo das análises discutiremos sobre estéticas de montagem, imagem dialética e desvio como formas (estéticas) de combate à sociedade espetacular.
Alinhar a Memória – A Escrita do Tempo em Elegia de uma Viagem
Ana Costa Ribeiro (UERJ)
A função do ato de lembrar não é apenas o oposto de esquecer. Lembrar implica em alinhar. Alinhar a memória se configura como uma forma de trabalhar com sua materialidade – o tempo. A montagem cinematográfica é um recurso privilegiado para se trabalhar com a memória. Não à toa, a dinâmica da montagem tem sido comparada às dinâmicas do sonho. O trabalho pretende analisar o filme Elegia de uma Viagem, de Alexander Sokurov, estabelecendo relações entre memória, sonho e montagem.
Três narrativas mínimas de Brígida Baltar
Fernanda Bastos Braga Marques (ECO-UFRJ)
Este artigo propõe analisar três fotofilmes da artista Brígida Baltar – Abrindo a janela, Os 16 tijolos que moldei, Os mergulhos de – com enfoque no processo de montagem audiovisual, que os constrói atribuindo características cinematográficas, como duração e lógica sequencial a imagens estáticas.
São filmes estruturados em narrativas mínimas, constantemente presentes na obra da artista.

ST Mulheres no cinema e audiovisual – Sessão 6

11/10 às 14h30 – Sala 606
Feminismos na tela: deslizamentos entre narrativa e criação
Karla Bessa (unicamp)
A apresentação traz como questão as relações entre os efeitos das narrativas fílmicas, no que se refere a um conteúdo e forma de cunho feminista, e as acepções de seus criadores que não necessariamente professam o feminismo como um valor político ou estético. Neste sentido, abre-se para análise fílmica a partir de uma perspectiva histórica que coloca em cena a autonomia do objeto fílmico e ao mesmo tempo sua circunscrição tempo-espacial. Propõe tensionar o alcance da noção “cinema de mulheres”.
Trabalho coletivo e reconhecimento mútuo nos filmes de Helena Solberg
Patricia Sequeira Bras (BBK)
Na minha comunicação pretendo analisar os primeiros filmes de Helena Solberg: A Entrevista (1966), A Nova Mulher (1974) e A Dupla Jornada (1975) com o intuito de rebater que a natureza colaborativa dos filmes de Solberg e a forma como essas mulheres testemunham suas experiências produzem um espaço de narração recíproca e reconhecimento mútuo baseado em uma prática feminista.
Gênero e raça nos longas-metragens brasileiros de 1961 a 2017
PAULA ALVES DE ALMEIDA (ENCE/IBGE)
A baixa representatividade de mulheres e negros no cinema é um reflexo e, ao mesmo tempo, reforça as desigualdades de gênero e raciais existentes na sociedade. A partir da elaboração de uma base de dados, da associação de aspectos qualitativos e quantitativos, esta pesquisa aponta para uma distribuição desigual de funções-chave (direção, roteiro, protagonismo, produção, fotografia, etc.) e de recursos públicos por sexo/gênero e cor/raça na produção cinematográfica brasileira de longas-metragens.

autoria. diretores, primeira pessoa

11/10 às 14h30 – Sala 607
O diretor-personagem em “Elegia de um Crime”, de Cristiano Burlan
Marcos Vinicius Yoshisaki (PPGMPA)
O objetivo da apresentação é analisar a figura do diretor(a)-personagem, elemento chave no documentário em primeira-pessoa, no filme “Elegia de um Crime” (Cristiano Burlan, 2018). Busca-se compreender as formas com que esta figura, geralmente múltipla e ambígua, compõe-se por meio das estratégias formais e narrativas da direção, em relação ao desempenho performativo do personagem-diretor.
Afirmação trágica em “A árvore dos frutos selvagens”, de Ceylan
Rogério de Almeida (USP)
Esta comunicação tem por objetivo a questão da afirmação trágica presente no cinema de Nuri B. Ceylan, mais especificamente em “A árvore dos frutos selvagens” (2018), que acompanha o itinerário de (auto)formação de Sinan, cuja trajetória para se tornar escritor se inicia repleta de ideais, passa pela crise dos valores (niilismo) e culmina na afirmação trágica, expressão do “amor fati” nietzscheano. Tal trajetória relaciona-se com a pedagogia da escolha, que põe em questão a afirmação da vida.
A ligação de João César Monteiro com o Novo Cinema português
Sérgio Eduardo Alpendre de Oliveira (UAM)
Como João César Monteiro se insere no Novo Cinema português? Como era sua relação com os colegas de movimento? Em que ponto a recusa à pessoa e ao cineasta António de Macedo diz respeito da individualidade de Monteiro e de sua postura em defesa de um cinema poético e sem concessões? São algumas das perguntas que pretendo responder no encontro. João César Monteiro é o maior cineasta português ao lado de Manoel de Oliveira, mas sua relação com o Novo Cinema português ainda carece de maior estudo.
Uma biografia cinéfila entre a televisão alemã e o Cinema Novo
Wolfgang Fuhrmann (UZH)
A palestra será realizada em portugues

The conversation introduces the work and life of the German journalist, filmmaker, and author Klaus Manfred Eckstein. It investigates how Eckstein got involved in Cinema Novo productions in the sixties and seventies such as MACUNAÍMA (Joaquim Pedro de Andrade, 1969), OS DEUSES E OS MORTOS (RUY GUERRA, 1970) or COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS (Nelson Pereira dos Santos 1971).


Assembleia Geral – Revisão do Estatuto

11/10 às 16h30 – Teatro Unisinos

Assembleia Geral

11/10 às 17h30 – Teatro Unisinos
TOTAL: 178 SESSÕES