Programação completa de trabalhos 2016

19/10/2016


ST Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais – Sessão 1 – O Rio no cinema

19/10/2016 às 09:00 – Sala 1
Números musicais de Watson Macedo nos filmes dos anos 1940s e 1950s
Flávia Cesarino Costa (UFSCar)
Abordarei números musicais de filmes brasileiros dos anos 1940-1950s dirigidos por Watson Macedo, em seus próprios filmes ou nos de outros diretores. Entendo tais performances em perspectiva intermidiática, considerando que na dança, no canto, na atuação e na encenação destes números para a câmera interagiam elementos de outras mídias (como o teatro de revista e o rádio), de outras práticas culturais (como o carnaval) e de outros cinemas (como o hollywoodiano, o mexicano e o argentino).
NAMORANDO O BRASIL: O CASO DE ROMANCE NO RIO
Arthur Autran Franco de Sá Neto (UFSCar)
Essa comunicação visa discutir Romance no Rio (Caminito de gloria, Luis Cesar Amadori, 1939), película da Argentina Sono Film estrelada por Libertad Lamarque. O filme narra a história de Marta Rinaldi, uma pobre camareira que no Brasil é confundida com sua patroa, uma cantora argentina de destaque.
A apresentação analisará Romance no Rio em dois sentidos: o primeiro liga-se ao modo como a cultura brasileira é representada no filme; já o segundo diz respeito à circulação do película no Brasil.
O Rio Capital imaginado pela crítica cinematográfica
Eliska Altmann (UFRRJ)
O trabalho trata de verificar como o Rio de Janeiro, “cidade-capital”, foi imaginado por críticos cinematográficos brasileiros. Por meio de críticas aos filmes “Rio fantasia” (1957), de Watson Macedo, e “Rio, 40 graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos, pretendemos entender como a então Capital Federal foi descrita e legitimada por agentes que formam julgamentos, quiçá, para a posteridade. Vale notar que os documentos pesquisados referem-se a duas representações antitéticas de urbanidade.

ST Cinema e literatura, palavra e imagem – Sessão 1

19/10/2016 às 09:00 – Sala 2
O “narrador” autoficcional
Julia Scamparini (UERJ)
Propomos o exame de uma gama de filmes autobiográficos numa tentativa de investigar um tipo atual de “narrador”, que chamamos autoficcional, e que participa tanto da forma literária como da cinematográfica. As análises indicam as viradas subjetiva e intermedial como essenciais a este retorno do autor, que problematiza concepções como as de documento e objeto estético, escrita de si e biografia – além da própria noção de narrador, a princípio inadequada como conceito cinematográfico.
Entre o ficcionista de si e o leitor da própria vida
PEDRO PEREIRA DRUMOND (UFF)
Este trabalho propõe pensar a condição ambivalente do não-ator no cinema híbrido contemporâneo, como um lugar que acumularia tanto as operações do autor literário quanto do leitor, segundo a teoria do efeito estético de Wolfgang Iser. O trabalho utilizará conceitos como os de “Atos de fingir” e do “Jogo do texto como ato performativo” como processos vigentes na experiência estética do fazer fílmico deste cinema contemporâneo, ampliando a teoria Iseriana para outros modos de encenação.
LIMITES DO EU: AUTOBIOGRAFIA E AUTOFICÇÃO NO CINEMA DE JEAN EUSTACHE
Romero Fidelis de Souza Maciel (UFOP)
Análise do gesto autobiográfico dos filmes de Jean Eustache. Categorizado nas narrativas autobiográficas, o autor em questão parece romper com a configuração clássica da representação do eu pulverizando-o em filmes de dicção variada e embaralhando gêneros. Por mais que isso seja um atestado de caos pela falta de unidade em sua obra, é interessante perceber como seu cinema aponta para uma configuração que converte sua própria fragmentação numa estrutura autobiográfica consciente.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil – Sessão 1 – Abertura

19/10/2016 às 09:00 – Sala 3
Cinemas do Recife – morfologia de edifícios e salas de exibição
KATE VIVIANNE ALCANTARA SARAIVA (UFPE)
O Recife tem uma importância na historiografia cinematográfica brasileira, tanto na atualidade como já teve em outros ciclos do cinema na cidade. A intensa produção e a aceitação do público contribuíram com o processo de multiplicação dos espaços para exibição na cidade, até as décadas de 60 e 70 do século XX. A partir da década de 80, entretanto, o número de cinemas no meio urbano sofre um decréscimo, edifícios de cinema são demolidos ou adaptados para novos usos e os cinemas ressurgem nos shoppings centers, seguindo o modelo de padronização do sistema multiplex. As transformações do tipo levaram ao interesse pela investigação, estudando cerca de 60 casos de cinemas, morfologicamente, estabelecendo tipos e construindo um panorama das transformações urbanas e arquitetônicas que giram em torno dos cinemas.
Memórias e ativismo no caso da reativação do cine-teatro belga De Roma
Talitha Gomes Ferraz (ESPM-Rio)
Investigamos o caso do histórico De Roma, cine-teatro localizado na Antuérpia, Bélgica, que ressurgiu em 2003 após 20 anos de completo abandono. Com forte ativismo da comunidade local, a reativação e a manutenção do equipamento englobam aspectos ligados a determinadas gestões da memória. Nosso objetivo é examinar as camadas socioculturais e sociopolíticas, a rede de narrativas ligadas às experiências de frequentadores e o campo de forças por onde se produzem as versões sobre o passado do local.
Se esse cinema (de rua) fosse meu…
Márcia Bessa (Márcia C. S. Sousa) (FBN/RJ)
Vivemos um momento em que ainda existem alguns exemplares dos tradicionais cinemas de rua para serem reconhecidos na paisagem urbana carioca. O presente trabalho apresenta um estudo sistemático das salas de exibição cinematográfica que ainda operam comercialmente em calçadas do Rio de Janeiro e tenta problematizar os impactos dessa sobrevida no circuito exibidor, na frequentação e na (re)ocupação do espaço público compartilhado.

ST O comum e o cinema – Sessão 1

19/10/2016 às 09:00 – Sala 4
Entre dois, entre muitos: as cenas do comum em Avi Mograbi
César Geraldo Guimarães (UFMG)
Esta apresentação caracteriza três figuras fílmicas na obra de Avi Mograbi – a indistinção, a agonística e a conversação – que demonstram como o cinema pode se empenhar na criação do comum, sabendo-o marcado pela pluralidade das existências – paradoxalmente – desprovidas de medida comum. Nesta intervenção vamos nos deter na figura da conversação, tal como configurada pela escritura de Uma vez entrei num jardim (2012).
O mundo num grão: desejo de comunidade nos diários de Jonas Mekas
Carla Alice Apolinário Italiano (UFMG)
Esta comunicação pretende abordar o cinema diarístico de Jonas Mekas a partir de seu longa-metragem “Ao caminhar entrevi lampejos de beleza” (2000), tomando-o como retrospecto da estilística do realizador. Nossa intenção é circunscrever os modos de engajamento político que perpassam o filme, apontando, assim, para o desejo de comunidade que impulsiona esta proposta cinematográfica.
Pasolini, uma estética do desespero.
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Pasolini, de “Accattone à “Saló”, passa por diferentes experimentações que partem do cinema do neorealismo, Rossellini em especial. No entanto, em seus filmes, não há o plano-sequência, nem uma montagem de dois planos gerais seguidos um do outro. Não há para Pasolini uma estética da esperança – nesse caso, a esperança no tempo, no que ele é capaz de fazer acontecer- mas uma estética do desespero, que ocorre no embate com a matéria do mundo – a luz, o movimento, o rosto, a a miséria dos corpos.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 1

19/10/2016 às 09:00 – Sala 5
Esboços de uma teoria do documentário em Aloysio Raulino
Victor Ribeiro Guimarães (UFMG)
O trabalho pretende extrair reflexões de natureza teórica sobre o cinema documentário a partir da análise imanente de O Tigre e a Gazela (1976), filme em que Aloysio Raulino investiga, de forma metacinematográfica, as relações entre o artista e o povo. Aproximando-o de alguns ensaios canônicos sobre o documentário brasileiro, pretendemos tratar o filme como um ato teórico singular, que tem o potencial de oferecer insights sobre a tradição e contribuições para o pensamento contemporâneo.
Soler: Aportes do Documentarismo Migrante à Teoria dos Cineastas
RAFAEL TASSI TEIXEIRA (UTP)
O trabalho incursiona pela reflexão teórico-analítica das composições fílmicas e bibliográficas de um dos pioneiros do cinema migratório documental, buscando aproximações entre os discursos fílmicos e a análise da obra teórica do cineasta valenciano Llorenç Soler. A proposta de comunicação se concentra em traçar alinhamentos perspectivos sobre a sistemática fílmica\bibliográfica\reflexiva de Soler através de seus livros, ensaios, cadernos de reflexões e manuais de documentarismo.
O webdocumentário a partir de Vertov
Manuela Penafria (UBI/Labcom.IFP)
Pretendo discutir o webdocumentário a partir dos escritos de Vertov assim como do filme O Homem da câmara de filmar. É claro que Vertov nunca se referiu ao webdocumentário, o que aqui se pretende é discutir as atuais obras que assumem a designação de webdocumentário enquanto possibilidade de expansão do documentário pela via defendida por Vertov: registar a realidade e “manipular” essa realidade com efeitos cinematográficos.

ST Cinemas em português: aproximações – relações – Sessão 1

19/10/2016 às 09:00 – Sala 6
Manoel de Oliveira entre fantasmas e antimatéria
Edimara Lisboa (USP)
A comunicação pretende discutir reflexões teóricas que Manoel de Oliveira deixou formuladas em entrevistas e palestras por meio da análise de um de seus últimos títulos, O estranho caso de Angélica, cujo roteiro remonta à década de 1950, mas que só veio a se concretizar em texto fílmico em 2010. A defasagem temporal entre roteiro e filme não apenas resulta num interessante entrecruzar de duas épocas distintas, como problematiza a noção oliveiriana de cinema como arte da fantasmagoria. Será que o cinema captura o real? E se não o captura, qual é afinal a matéria que compõe os filmes? Haverá limites para a permanência dela? A partir da fábula curiosa de uma jovem morta que volta à vida por meio de uma câmera fotográfica analógica, esse filme de Manoel de Oliveira discute os meandros da película fílmica na era da imagem digital, sobrepondo num mesmo discurso multissemiótico questionamentos religiosos, metafísicos e científicos, de versos de Antero de Quental à hipótese da antimatéria.
Cinema, pintura e literatura: diálogos na obra de Manoel de Oliveira
Mariana Veiga Copertino Ferreira da Silva (UNESP)
A história do cinema de Manoel de Oliveira se mistura à história do cinema mundial. O realizador inicia sua produção em 1931 e avança pelo século XX, adentrando o século XXI. Oliveira sempre deixou claro que teve como matéria-prima de sua produção os textos literários e teatrais que transformou através de arrojadas releituras, incorporando à adaptação a sua própria interpretação dos textos além de inúmeras referências a outras formas artísticas. Esta comunicação se propõe a analisar as relações estabelecidas entre o cinema de Manoel de Oliveira e as outras artes com as quais ele dialoga. Para tanto, será feita a análise do filme “As pinturas do meu irmão Julio” que faz coexistir, em uma mesma produção, pintura, literatura e cinema.
Paródia do herói no cinema épico de Manoel de Oliveira e Glauber Rocha
Renata Soares Junqueira (UNESP)
Visando a uma comparação do cinema de Manoel de Oliveira com o de Glauber Rocha a partir da hipótese de que ambos adotam um método de articulação diegética que os aproxima do teatro de Brecht – por produzir um efeito de distanciamento que dificulta a identificação do espectador com o que na tela se vê –, este trabalho pretende lançar luz sobre procedimentos formais que contribuem para a desconstrução da figura do herói de modo a anular a capacidade que este tem de captar adesão emocional.

MESA Cinema e subjetividade

19/10/2016 às 09:00 – Sala 7
Subjetividade no modelo teórico cinematográfico de Pier Paolo Pasolini
Erika Savernini (UFJF)
As reflexões teóricas de Pasolini sobre o cinema continuam instigantes e polêmicas. Nessa comunicação, abordamos os fundamentos de seu modelo teórico cinematográfico que permite que Pasolini afirme que o cinema é uma “língua de poesia”. subjetiva. Para tal, discutimos sua definição do que é cinema em relação a “certo realismo”, ao plano-sequência e ao filme. Essa discussão integra a pesquisa “Cinema e a língua escrita da realidade: diálogos contemporâneos com Pier Paolo Pasolini” (CNPq).
SÃO APENAS MANCHAS: problemáticas da interpretação fílmica.
Igor Alexandre Capelatto (UNICAMP)
Este trabalho analisa a subjetividade no cinema, através do conceito de cultura de Benjamin, Flusser e Agamben, de subjetividade de Sartre e Hegel, e de interpretação de Eco. Para elucidar tal pesquisa, analisaremos o filme Blow Up (1966), o qual consideramos um tratado sobre a subjetividade. Em Blow up, Bill descreve seus quadros à Thomas: “Não significam nada quando os pinto. São apenas manchas. Depois consigo achar algo interessante. Então tudo começa a se encaixar, a fazer sentido”.
Um anjo benjaminiano sobre bicicleta e cartografias afetivas
Alice Fátima Marins (UFG, CNPq, FAPEG)
Neste texto são propostas algumas reflexões sobre o trabalho do seu Ozorinho, que filma histórias, caminhos, paisagens, as gentes com quem convive. Filma as árvores que serão derrubadas pela agricultura intensiva, os animais ameaçados de extinção, as cachoeiras cujas águas estão poluídas. Seu Ozorinho usa uma câmera desgastada pelo tempo e pelo uso. O equipamento, obsoleto, poderia provocar risos entre vídeo makers afeitos às novidades tecnológicas. Mas, em suas mãos, configura ferramenta de primeira grandeza, indispensável ao projeto que lhe é mais caro. Ele pretende que, no futuro, os que haverão de vir possam ter uma ideia de como era tudo por ali. A potência de seu trabalho não está na qualidade técnica da produção, mas na intensidade da experiência que transpira nas imagens e sons organizados em narrativas fílmicas, montando um processo cartográfico de afetos.

Cinema brasileiro: história I

19/10/2016 às 09:00 – Sala 8
Dimensões existenciais e políticas em São Paulo S.A (Person, 1965)
Juliano Rodrigues Pimentel (UFRGS)Guilherme Fumeo Almeida (UFRGS)
Partindo do filme São Paulo S/A (Person, 1965), esta proposta de apresentação analisa o impacto das noções de “trabalho” e “vazio” como implicações narrativas e de contexto histórico. Para tanto, constrói-se uma reflexão sobre narrativa e política tendo como fundamentação questões existencialistas (Sartre) e político-sintomáticas (Sennett). Concluiu-se que, neste filme, havia uma brecha não explorada sobre a costura entre narrativa e política amparada pelo pensamento existencialista.
Andrea Tonacci: 1966 – 1971
Priscyla Bettim (Unicamp)
A presente comunicação pretende abordar os três primeiros filmes de Andrea Tonacci, e tecer relações com os momentos da história política do país em que foram realizados.
Terror da Vermelha (1972): Corpo e subversão poética em Torquato Neto.
Geraldo Blay Roizman (ECA-USP)
Nos anos de maior repressão, durante o regime militar, o superoitismo se tornou um meio alternativo de expressão, particularmente para artistas e poetas no Brasil, instituindo festivais e micro circuitos marginais de exibição de filmes experimentais. Esta proposta investiga as relações entre corpo e gesto, contracultura e formas de destutelamento, que se exprimem na bitola superoitista particularmente em Torquato Neto (1944-1972), e no que poderíamos chamar de sua auto imolação poética, realizada em Terror da Vermelha (1972-73), seu único filme.

Teoria e análise de composição fílmica

19/10/2016 às 09:00 – Sala 9
Três dimensões da composição fílmica
Lucas Bastos Guimarães Baptista (USP)
É proposto aqui um estudo da composição fílmica através do cruzamento de duas tradições críticas, e do foco em suas concepções do que seriam as categorias fundamentais para a criação no cinema: de um lado, os críticos franceses que gravitaram em torno dos Cahiers du Cinema e que definiram o cinema como uma arte essencialmente espacial; de outro, críticos americanos e ingleses que trataram do cinema experimental, defendendo uma arte essencialmente temporal.
O México e o Mundo de Alejandro G. Iñárritu
Mauro Giuntini Viana (UnB)
O artigo pretende investigar conexões da obra de Alejandro G. Iñárritu com modos narrativos do cinema clássico, moderno e contemporâneo, que ajudem a entender como ele foi capaz de desenvolver uma filmografia com unidade estética, manter sua identidade artística e cultural, mesmo produzindo em diferentes continentes, e, ao mesmo tempo, alcançar audiências em todo planeta. A narrativa cinematográfica será abordada como processo, conforme concepção cognitivista proposta por David Bordwell.
O “cinema de fluxo” de Seguindo em frente, de Hirokazu Koreeda
Mari Sugai (UFPB)
O termo ”cinema de fluxo” tem sido utilizado para caracterizar alguns filmes de distintas nacionalidades que possuem pontos em comum. Fazendo uso das teorias de Shuichi Kato, Gastón Bachelard, Emiliano F. Cunha e Luiz C. G. de O. Júnior, a respeito do “cinema de fluxo” e das modalidades de espaço e cotidiano; pretendemos verificar no presente trabalho, como o filme Seguindo em frente, apesar de não se enquadrar integralmente nessa tendência, apresenta aspectos pertencentes à estética do fluxo.

Cinema de animação

19/10/2016 às 09:00 – Sala 10
A presença do humor-crítico em Corpse Bride
Carla Lima Massolla Aragão da Cruz (UAM)
A magia do mundo das animações cinematográficas, que atrai principalmente o público infantil, agora também conquista jovens e adultos, pelas especificidades do humor e da atmosfera que desenvolvem. Os processos interativos, presentes nas diversas esferas da animação, contribuíram para a formação de novos gêneros discursivos, como o de horror nas animações. Para análise escolhemos uma obra de Tim Burton, Corpse Bride (2005), traduzida para o português como “A Noiva Cadáver”.
Até a China e a produção de documentários animados no Brasil
Jennifer Jane Serra (UNICAMP)
Nossa proposta tem como objetivo examinar como elementos do documentário, da animação e do humor estão combinados no curta-metragem “Até a China” (Marcelo Marão, 2015) e quais relações este filme estabelece com o atual cenário da animação no Brasil. Partiremos da análise fílmica e contextual de Até a China para traçar uma reflexão do atual momento do documentário animado brasileiro e quais são as perspectivas para o desenvolvimento desse tipo de produção no país.
Gestão de pessoas em estúdios de animação brasileiros
MARTA CORREA MACHADO (UFSC)
Este estudo contribui para o entendimento dos processos de gestão de pessoas em estúdios de animação enquanto ambientes da indústria criativa brasileira. Foram conduzidos estudos de caso em quatro produtoras nacionais. Os dados encontrados apontam que ainda é incipiente a gestão de pessoas nesses ambientes, embora esteja presente a noção de que elas são os recursos principais que movem essas empresas. Observou-se ainda que a retenção dos colaboradores se dá muito mais pela identificação com a at

Processos de sonorização

19/10/2016 às 09:00 – Sala 11
Encontros e desencontros entre linguagem e tecnologia na sonorização.
Andreson Silva de Carvalho (UFF / ESPM-RJ)
Questões entre tecnologia e linguagem não são novas no cinema. No entanto, nas últimas décadas, os avanços tecnológicos têm sido cada vez maiores e num ritmo mais acelerado. Manter-se atualizado e preparado para as demandas do mercado, e, ainda assim, conseguir associar todos esses avanços ao grande número de estruturas de artísticas possíveis, tem sido um árduo trabalho. Seria suficiente para a narrativa sonora de um filme ter um som de alta qualidade técnica sem se preocupar com a linguagem? E o contrário, também seria possível?
Aspectos inovadores da Construção Narrativa de Som em Interestelar
Fabrizio Di Sarno (FATEC-TATUÍ/CEUNSP)
Esta pesquisa aborda alguns aspectos da construção narrativa que o som promove no filme Interestelar (Christopher Nolan, 2014). A película apresenta propostas inovadoras de mixagem e edição de som (ambas concorrentes ao Oscar) que desconstroem os paradigmas sonoros usuais do cinema vococêntrico e verbocêntrico. O objetivo deste trabalho é expor as razões estéticas e tecno-expressivas que levaram o diretor e a equipe de som a produzir tais inovações que renderam, ao mesmo tempo, tanto críticas quanto elogios.
A convergência de imagem e som no videoclipe digital
Claudio Henrique Brant Campos (PUC SP)
Este artigo aborda a convergência de imagem e som no videoclipe computacional, já nascidos na mesma ‘fonte’: a sequenciação de dados. Pretende-se fazer uma análise de um audiovisual situado na internet, de autoria de um VJ (videojockey), o qual remixa dados sonoros e imagéticos, na confecção de texturas e atmosferas sob um ritmo ininterrupto. Argumenta-se, por isso, que imagem e som compõem uma peça artística, com características estéticas típicas da arte da música.

Cinema, cultura e tecnologia

19/10/2016 às 09:00 – Sala 12
A EVOLUÇÃO DO HOMEM FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS – UMA INTRODUÇÃO
giselle gubernikoff (ECA USP)
Uma análise histórica das diferentes abordagens teóricas sobre a interseção entre Cinema e Arte, Cinema como Arte, define a arte como uma imersão sensorial. As transformações ocasionadas pela revolução industrial com a introdução de novas tecnologias na obra de arte modificam a percepção e a recepção estética a partir de uma nova forma de olhar. Nos anos de 1990, as mutações por que passaram a cultura de massas e a indústria cultural com o surgimento da cultura de mídias ocasionam novas relações de percepção com o meio ambiente.
A infraestrutura de circulação determina diferentes culturas de cinema. Entre 1910 a 1930, se desenvolve um circuito de cinema como forma de arte, que se delineia a partir de artistas da avant-guard europeia. A imposição do filme narrativo como uma forma basilar do cinema comercial provoca uma divisão formal separando o cinema em dois polos: o cinema narrativo versus o cinema experimental. Mas, o que se vê são apropriações de ambos os lados.
O DESPERTAR DA MAGIA TECNOLÓGICA: O CAMPO DO MAKING OF NA CULTURA POP
Patricia de Oliveira Iuva (UFSC)
Essa proposta discute as marcas de constituição do campo do making of em diálogo convergente com os modos de produção e de fruição no contexto da cultura pop. A fim de elucidar este fenômeno, opera empiricamente sobre as relações de (res)significação e consumo/circulação do making of documentário Secrets of the Force Awakens: A Cinematic Journey (2016), apontando possibilidades de apreensão analítica em 3 níveis: memória do filme, cinéfilo colecionador e agentes/processos produtivos.
POR UM PUNHADO DE DÓLARES(?): POP E MAINSTREAM NA MÚSICA E NO CINEMA
José Cláudio Siqueira Castanheira (UFSC)
A Cultura Pop é usualmente identificada como elemento inseparável da produção cultural mainstream. Mais do que reavaliar as separações entre obra de arte legítima e produtos massivos ou entre alta e baixa cultura, a Cultura Pop traz um novo modo de apropriação de objetos culturais e de sua circulação em nível global, reterritorializando questões locais, afetos e pertencimentos. Este trabalho busca na relação entre o cinema e a música Pop elementos para melhor entender essas dinâmicas.

Documentário e interatividade

19/10/2016 às 09:00 – Sala 13
Ensaios, interações e imersões epistémicas no documentário complexo.
Alberto Greciano Merino (UAB)
Na rede tecnológica e visual da comunicação atual a imagem assume uma configuração híbrida e reflexiva que exercita a imaginação de um sujeito agente através de uma enunciação multidimensional. Essa disposição articula as bases para a criação de um tipo de documentário com potencial para dirimir a complexidade do real e capaz de acometer os desafios socioculturais que a realidade propõe. Partimos da argumentação que J.M. Català desenvolve através dos conceitos ensaio, imagem complexa e interfaz.
Analisando webdocumentários: navegação, interação, orientação
Tatiana Levin Lopes da Silva (UFBA)
Nosso objetivo nesta comunicação é apresentar a análise de alguns webdocumentários, por meio da classificação do tipo de estrutura narrativa, modo de navegação e estratégias de orientação a nortear a experiência de acesso e sentido narrativo. Consideramos o webdocumentário como um tipo de documentário interativo produzido e consumido na web 2.0, que segue ainda os modos de interação hipertextual e participativo.
Entre a retórica e a base de dados: o material de arquivo no i-doc
Gianna Gobbo Larocca (UERJ)
Na delimitação do campo de estudos do documentário interativo, frequentemente a tônica é colocada nas implicações da tecnologia digital para o gênero. Alguns autores, contudo, apontam que é preciso observar a permanência de recorrências estético-discursivas do documentário tradicional para se situar em relação ao i-doc, contemplando o hibridismo do gênero. A partir dessa perspectiva, propomos pensar o tratamento do material de arquivo no i-doc A Short History of Highrise (Katerina Cizek, 2009).

PAINEL Figuras traçadas na luz – Coordenação: Lucas de Castro Murari

19/10/2016 às 09:00 – Sala 14
A luz e a escuridão em “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa
Marcelo Miranda da Silva (UFMG)
No filme português “Cavalo Dinheiro” (Pedro Costa, 2014), articula-se a relação das luzes e sombras às vivências pessoais e históricas dos personagens em cena. Ventura e Vitalina, exilados de Cabo Verde e vítimas das consequências de revoluções políticas em Portugal, são filmados como espectros a caminhar pelos espaços apresentados no filme e acumulam em seus corpos e rostos as afetações de um tempo que permanece impregnado neles e que se dá a ver no trabalho de iluminação e enquadramento.
A simbologia da natureza humana em A árvore da vida
Guilherme Augusto Bonini (UFSCar)
Nessa comunicação pretende-se analisar a narrativa de A árvore da vida (2011), de Terrence Malick, sob dois pontos de vista: primeiro, o do protagonista, em sua trajetória de vida, tomando-se por base a metáfora da árvore que, enquanto enterra suas raízes no solo, fortalece sua haste crescente em direção à luz; e, segundo, o da construção fotográfica que busca expressar especialmente os caminhos da Natureza e da Graça propostos pelo filme.
Narratividade e plano-sequência no cinema brasileiro comtemporâneo
GIAN FILIPE RODRIGUES ORSINI (UFF)
O presente trabalho se debruça sobre um recorte de quatro curtas-metragens brasileiros contemporâneos realizados em único plano contínuo: Disparos, 2000; Outros 2000; A História da Eternidade, 2003; A última fábrica, 2005. Esta escolha não se dá apenas pela singularidade dos casos, mas pelo desejo de investigar a utilização do plano-sequência como estratégia narrativa, estilística e suas inevitáveis implicações na construção da relação entre o tempo e o espaço fílmico.
Constelações de “Terra em transe”: reflexões sobre a imagem dialética
Bruno Fabri Carneiro Valadão (UFRJ)
Em 2016, passados quase cinco décadas do lançamento de Terra em transe, a distância histórica parece nos dar o mote ideal para propormos o cinema – em especial a obra de Glauber Rocha – como um “medium criador de imagens” (BENJAMIN, 2006) que tem na montagem o instrumento perfeito para nos revelar as imagens dialéticas, que faz a tarefa do cineasta se confundir com a tarefa do historiador, tanto em 1967 quanto hoje. É sobre esta re-atualização permanente que nossa comunicação versará.

PAINEL Corpo e encenação – Coordenação: Pedro Butcher

19/10/2016 às 09:00 – Sala 15
A presença do figurante como estremecimento da imagem no Cinema Novo
Pedro Figueiredo Veras (UFMG)
Este trabalho pretende explorar a presença dos figurantes, dos povos locais filmados em sua condição real, em filmes de ficção do início do Cinema Novo. Tais obras procuraram mesclar a atuação de atrizes e atores profissionais a imagens de habitantes apreendidos em sua realidade cotidiana, em registros que beiram o documental. O objetivo é analisar o potencial crítico dos corpos, gestos e olhares desses “sem-nome” que surgem de maneira disruptiva na materialidade fílmica.
Errol Morris: análise da encenação em Gates of Heaven e The Fog of war
Dayane de Andrade (UNICAMP)
Propomos analisar a questão da encenação documentária em dois filmes do cineasta Errol Morris. Tendo em vista que a encenação documentária parte da relação entre personagem e sujeito da câmera, fazemos uma breve análise do corpo do personagem no documentário, verificando como sua movimentação corporal configura-se na cena, diante do sujeito-da-câmera e de seu aparato fílmico. E como a presença do aparato fílmico deste cineasta, chamado por ele de Interrotron, pode interferir na questão corporal.
ESPAÇO-FORA-DA-TELA E O (DES)APARECER DO ROSTO EM LES YEUX SANS VISAGE
ISABEL PAZ SALES XIMENES CARMO (UFC)
O rosto é a principal parte do corpo pela qual interagimos com o ambiente e com os outros que nos rodeiam (COUTINE E HAROCHE, 1995). Pensando nas rupturas que a ausência do rosto provoca, discutiremos três sequências do filme Os Olhos Sem Rosto (Georges Franju, 1960) a partir do conceito de espaço-fora-da-tela imaginário proposto por Burch (2008), e como as operações fílmicas constroem e fortalecem essa ausência num jogo dialético permanente entre esconder e mostrar.
Inventar os jogos: o ator no Cinema Marginal e no Grupo de los Cinco
Fernanda Andrade Fava (UNICAMP)
O artigo propõe uma abordagem comparativa do trabalho dos atores do Cinema Marginal brasileiro e do Grupo de los Cinco argentino, tomando como base para isso os filmes Bang Bang (1971, Andrea Tonacci), no Brasil; e The Players versus Ángeles Caídos (1968, Alberto Fischerman), na Argentina. A análise fílmica busca investigar as relações entre eles em questão de autoria do ator, improvisação e corporalidade, levando em consideração registro e estilo de atuação, jogo gestual e o rosto no cinema.
O corpo como lugar de experimentação nos filmes de Leos Carax
Isabel Veiga (UFRJ)
Vamos partir de uma análise do corpo nos filmes Os Amantes da Pont-Neuf (1991), Pola X (1999) e Holy Motors (2012) dirigidos pelo cineasta francês Leos Carax, buscando investigar de que maneira os princípios de deformação, metamorfose e transfiguração são trabalhados nesses filmes. Cabe aqui refletir sobre como essas noções aparecem na obra do diretor, fazendo emergir o corpo como lugar de experimentação.

ST Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais – Sessão 2 – O cômico sob um olhar político

19/10/2016 às 11:00 – Sala 1
O humor político nos filmes do Grupo Cine de la Base
Cristina Alvares Beskow (ECA-USP)
O Grupo Cine de la Base surgiu com a proposta de utilizar o cinema como arma de contra-informação por meio da produção, exibição e distribuição de filmes militantes na Argentina. Um dos recursos utilizados em seus filmes era o humor político, que será analisado no longa-metragem de ficção “Los traidores” (1973) e no documentário em curta-metragem “Me matan si no trabajo y si trabajan me matan” (1974), que utilizam a sátira para explicitar contradições sociais e ridicularizar figuras do poder.
La Dama de las Camelias, Carnaval Atlântida e a ilusão industrialista
Luís Alberto Rocha Melo (UFJF)
Esta comunicação propõe uma análise comparativa entre “La Dama de las Camelias” (Chile, dir.: José Bohr/prod.: Chile Films, 1947) e “Carnaval Atlântida” (Brasil, José Carlos Burle/prod.: Atlântida, 1953). Nossa hipótese é a de que esses dois filmes, embora pertencentes a contextos muito diversos, representaram em seus respectivos países esforços semelhantes de participação no debate cinematográfico dos anos 1940-50. À luz da análise comparada, é nítida a percepção de que na chanchada carnavalesca de José Carlos Burle, os conflitos se dão quase que exclusivamente no plano das ideias. Os personagens discutem propostas de linguagem, fórmulas de entretenimento: o debate gira em torno da modernização de antigas e superadas concepções de espetáculo cinematográfico. Em “La Dama de las Camelias”, as principais dificuldades enfrentadas são de ordem econômico-profissional: o que está em jogo é a ameaça concreta da estagnação de um modelo de produção.
O ‘roto’ na tela: o tipo popular urbano no cinema clássico chileno
Fabián Rodrigo Magioli Núñez (UFF)
A produção cinematográfica chilena em seu período clássico não é muito diferente de outras cinematografias latino-americanas. Podemos encontrar uma forte interrelação entre a imprensa, o teatro de revista e as estrelas do rádio com a produção cinematográfica chilena. Também é semelhante a forte rejeição, por parte da elite intelectual e social, às produções locais de êxito comercial. O nosso objetivo é estabelecer uma análise de dois filmes protagonizados pelo comediante Eugenio Retes, egresso do teatro de revista dos anos 1930, célebre por encarnar a figura do ‘roto’ no cinema chileno: “Uno que ha sido marino” (1951) e “El Gran Circo Chamorro” (1955), ambos de José Bohr. Nosso propósito é refletir como o personagem popular urbano é encarado nessas comédias dos anos 1950, a partir do entendimento de que a figura do ‘roto’ chileno pode ser interpretada como uma voz dissonante e contestadora ao processo de modernização conservadora sofrido pela sociedade chilena no século XX

ST Cinema e literatura, palavra e imagem – Sessão 2

19/10/2016 às 11:00 – Sala 2
Gêneros e fronteiras em Caro diario (Nanni Moretti, 1993)
Gabriela Kvacek Betella (UNESP)
O sétimo longa de Moretti é analisado como gênero híbrido dotado de aparente autenticidade da autobiografia e da desenvoltura ficcional por meio de um rompimento com a objetividade e conservação de um ponto de vista narcísico. Reflexões políticas e éticas resultam da autoexposição como mecanismo estético, crítico e autocrítico. Verificamos a hibridização e a escrita autobiográfica articuladas no resultado tomado a partir da estabilidade dos gêneros dissolvida graças à afirmação da instabilidade.
PENSAR O CONFINAMENTO DA PALAVRA NA OBRA DE JONAS MEKAS
RAFAEL ROSINATO VALLES (PUCRS)
Este trabalho pretende analisar como a questão da palavra se insere na obra de Jonas Mekas. O estudo buscará assumir um recorte conceitual sobre a ideia de “confinamento da palavra”, que ocorre basicamente em três dos seus trabalhos: o diário de exílio, os filmes “The Brig” e “As I Was Moving Ahead”. Partindo do pressuposto de que nestes trabalhos se constroem diferentes perspectivas sobre uma ideia de reclusão, acaba-se estabelecendo assim um paradoxo: diante do confinamento, a palavra liberta.
Na terra prometida, o entendimento era apenas uma promessa
Ilana Feldman (Unicamp)
Filiando-se ao gênero da “palestra performática”, que visa aproximar a pesquisa acadêmica da performance, por meio da inscrição no discurso de uma marca autobiográfica, a comunicação proposta pretende refletir sobre diferentes possibilidades de transmissão do saber acadêmico, indissociável da vivência do pesquisador, mesmo que esse saber seja marcado pela opacidade, pelo não entendimento e pelo fracasso, na fronteira sempre delicada e problemática entre o pessoal e o político.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil – Sessão 2

19/10/2016 às 11:00 – Sala 3
Staffa e a exibição cinematográfica no Rio de Janeiro nos anos 10-20
Igor Andrade Pontes (UFF)
Esta comunicação aborda a acidentada trajetória do italiano Jácomo Rosário Staffa (1869-1927) no meio exibidor carioca, desde a abertura do Cinematógrafo Parisiense na antiga Avenida Central em 1907, até a falência de sua empresa cinematográfica em 1921. Para tanto, nos valemos de estudos sobre o cinema no Rio de Janeiro engendrados por Alice Gonzaga (1996) e José Inácio de Melo Souza (2004), adicionando novas informações sobre Staffa, coletadas em periódicos cariocas contemporâneos.
A MGM em São Paulo: atrações de palco e tela no Teatro Santa Helena
Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
Esta comunicação irá abordar as estratégias de exibição empreendidas ao longo de 1927 pelo consórcio firmado em São Paulo entre a Metro-Goldwyn-Mayer e a empresa exibidora Reunidas. Será analisado especialmente o caso do Teatro Santa Helena e seus programas mistos, com atrações de palco e tela, procurando compreender a sala de cinema enquanto espaço privilegiado na articulação de relações intermidiáticas, envolvendo cinema, teatro, música e outras práticas artísticas e culturais.
Guerra nas telas: o widescreen chega a São Paulo (1959-60)
João Luiz Vieira (UFF)
A comunicação investiga a chegada de dois sistemas widescreen no Brasil do ponto de vista da recepção, abordando pressupostos teóricos e aspectos técnicos, econômicos e estéticos que envolvem a relação do espectador com a plateia e o filme nos diferentes espaços de exibição. Serão abordadas a configuração institucionalizada da posição da tela e dos espectadores; as dimensões das telas; a arquitetura interna e externa das salas; a iluminação e a publicidade na venda de novas tecnologias.

ST O comum e o cinema – Sessão 2

19/10/2016 às 11:00 – Sala 4
Formas de devolução e comunidades por vir
Érico Oliveira de Araújo Lima (UFF)
Poderíamos perguntar assim: que mundos o cinema devolve ao mundo? Nossa preocupação com essa comunicação tem por base o filme A vizinhança do tigre (2014), de Affonso Uchoa, pensado em uma rede conectiva entre a escritura, os engajamentos do espectador e os processos fundados na comparição dos filmados na cena. Nas bases dessa proposta, há certa reflexividade voltada para a própria análise das imagens, confrontada com a necessidade de um atravessamento com um excesso e uma experiência do Fora.
A vizinhança do tigre : empatia e interterritorialidade
Vitor Zan (Paris 3)
A interterritorialidade marca a trajetória de cineastas cujos filmes inauguraram um novo cinema da periferia, como Adirley Queirós, Affonso Uchoa e André Novais. Embora habitem em zonas periféricas, lograram acessar instituições culturais e de ensino dos centros urbanos, cultivando seu olhar no compasso dessas idas e vindas. Ao se debruçarem sobre seu contexto de origem a partir dessa perspectiva híbrida, fundam novas poéticas, dentre as quais a que se pauta pela empatia em A vizinhança do tigre
A Vizinhança do Tigre ou a Expressão de um Infame Qualquer
felipe maciel xavier diniz (UFRGS)
Este artigo propõe uma reflexão sobre os personagens do filme A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa, 2014, a partir da teoria sobre os homens infames de Foucault e das ideias contemporâneas de Agamben sobre a comunidade e sobre o qualquer. Produz-se, assim, um pensamento que coloca o personagem ordinário e comum em um campo de indeterminação não fincado às representações identitárias, mas absorvido pela singularidade qualquer. Modela-se então um personagem infame-qualquer.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 2

19/10/2016 às 11:00 – Sala 5
A poética cinematográfica de Eugène Green
Pedro de Andrade Lima Faissol (ECA/USP)
Em “Poétique du cinématographe”, o cineasta Eugène Green expõe um conjunto de ideias que caracterizaria a gênese e a natureza do cinema. O cinematógrafo, segundo sua cosmovisão, teria como vocação dar visibilidade ao Verbo, reconciliando o presente da obra de arte (reformada pelo espírito no ato da criação) com o elo divino perdido no passado. A comunicação consiste em confrontar seus postulados estéticos com as operações descritas para resolver problemas concretos ligados à práxis do cinema.
ÉRIC ROHMER: FILMES E TEORIA
Alexandre Rafael Garcia (FAE)
Antes de se firmar como cineasta, o francês Éric Rohmer (1920-2010) foi crítico de cinema na revista Cahiers du cinéma, nas décadas de 1950 e 1960. Rohmer se afastou da revista em 1963 e dedicou-se profissionalmente à produção cinematográfica até o ano de sua morte, mas sem nunca abandonar a reflexão teórica sobre o cinema, evidenciada por meio de entrevistas e textos próprios. Este trabalho propõe uma análise das teorias do pensador Éric Rohmer em paralelo com uma análise dos seus filmes.
Emoção, subjetividade e experiência: percursos entre o espectador e a
Beatriz Avila Vasconcelos (UNESPAR)
Com o objetivo de evidenciar a centralidade do espectador para as reflexões teórico-poéticas de Andrei Tarkovski em Esculpir o Tempo, este trabalho explora noções como emoção, subjetividade e experiência para o delineamento de um espectador-criador, que está apto a, mais que compreender intelectualmente a obra, receber o seu impacto emocional e, a partir daí, conectar-se à mesma “energia espiritual com que o artista impregnou a obra”.

ST Cinemas em português: aproximações – relações – Sessão 2

19/10/2016 às 11:00 – Sala 6
‘Toda felicidade é memória e projeto’ – o tempo em Aquarius e Horas de verão
Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
Esta comunicação discutirá os diálogos entre Coisa ruim e O estranho caso de Angélica a partir do conceito de Estranho, que para Freud é produto da inserção de um elemento amedrontador num contexto familiar. A hipótese é a de que haja um tipo de narrativa que se restringe aos efeitos superficiais do uso do Estranho e outro que privilegia seu emprego para conduzir o espectador à reflexão quanto à solidez dos valores nos quais sua segurança se baseia, a começar pela noção do que seja o real.
Terror de autor: cinema de gênero e metalinguagem no longa “O Barão”
Tiago José Lemos Monteiro (IFRJ)
Este artigo se insere no contexto de uma investigação sobre as condições de ocorrência de um cinema de horror em Portugal, e que tem por pressuposto a inexistência, no país, de uma tradição expressiva em termos de narrativas cinematográficas de gênero. Aqui, procuro discutir tais questões a partir do longa-metragem O Barão (2011), de Edgar Pêra, que ocupa um lugar fronteiriço entre a evocação de um imaginário de gênero associado ao universo dos filmes B e o questionamento destes mesmos códigos.
A religiosidade ultrajada: o cinema crítico de João Cesar Monteiro
Sérgio Eduardo Alpendre de Oliveira (UAM)
A presente proposta visa investigar o cinema de João César Monteiro e o porquê desse cineasta ser chamado de anticlerical. Procuraremos entender o percurso desse cineasta português, se é justa a qualificação de anticlerical, ou se o questionamento à religiosidade está dentro de um contexto mais amplo de crítica ao mundo e à sociedade.

MESA Movimentos de câmera: teorias e análises sobre um recurso fotográfico

19/10/2016 às 11:00 – Sala 7
Tangerine: os movimentos de câmera de um filme “brutalmente real”
Marina Cavalcanti Tedesco (UFF)
Tangerine é um filme que se diferencia das produções que estrearam recentemente por vários aspectos. Destacamos aqui: 1) a singularidade da história que é narrada; 2) as duas personagens mais importantes da obra serem mulheres trans interpretadas por mulheres trans; e 3) sua fotografia, desde a paleta de cores escolhida até os movimentos de câmera, passando pela exposição.
Filmado com três iPhones 5Ss equipados com adaptadores anamórficos que permitiram que o resultado final fosse 2.40:1, e não o nativo 6:9, com o aplicativo Filmic Pro, fundamental para a fotometria, a colorimetria e o foco, e um Steadicam Smoothee o efeito obtido é uma visualidade “brutalmente real.
A partir de uma análise fílmica, cujos resultados serão postos em diálogo com o material produzido sobre Tangerine por periódicos especializados em cinematografia, pretendemos contribuir para a compreensão da lógica de utilização de seus movimentos de câmera e dos sentidos que eles ajudaram a construir.
A DF e a sutilização da câmera num processo sócio-histórico
Rogério Luiz Silva de Oliveira (UESB)
Valendo-se de modelo analítico sociológico, a presente comunicação objetiva uma apresentação acerca de um específico período sócio-histórico, revelador do modo como a câmera cinematográfica – dirigida e/ou operada pelo diretor de fotografia -, ganhou contornos de sutilização ao longo do tempo. Para tanto, tomamos os trabalhos de cinematografia realizados por Edgar Brazil, Dib Lutfi e Walter Carvalho – respectivamente nos filmes Limite (1930), Os Deuses e os Mortos (1970) e Lavoura Arcaica (2001) -, como fontes de planos a serem depurados e analisados segundo a movimentação da câmera.
A câmera na mão de Dib Lutfi no Desafio de Saraceni
Miguel Freire (UFF)
O resultado fotográfico impresso por Dib Lutfi em O Desafio de Paulo Cesar Saraceni materializa, constrói e traduz a frase fundante do movimento cinemanovista brasileiro: “Uma câmera na mão e um idéia na cabeça,” dita por Paulo e adotada por Glauber Rocha. A idéia de Paulo Cesar Saraceni para a realização de seu longa político – O Desafio – estava calcada no baixo custo de produção e na agilidade das filmagens (40 sequências em 13 dias).

Cinema brasileiro contemporâneo I

19/10/2016 às 11:00 – Sala 8
O ESTRANHO NO COTIDIANO: LUGAR E DESLOCAMENTO NO CINEMA DE MUYLAERT
Sandra Fischer (UTP)
A comunicação ocupa-se do cinema da diretora brasileira Anna Muylaert, focando prioritariamente dois de seus filmes: “Durval discos” (2002) e “Que horas ela volta?” (2015). O objetivo é propor uma reflexão a respeito da potência subversiva – essa é nossa hipótese – que se aloja nas imagens do estranho que, subitamente, emerge em meio à banalidade cotidiana e instala-se no ambiente fílmico – redefinindo rumos diegéticos e determinando arranjos estéticos.
Rastros de desaparecimento no cinema contemporâneo brasileiro
Camila Vieira da Silva (UFRJ)
Novas produções audiovisuais brasileiras no início do século XXI apontam para a invenção de uma imagem que não se reduz apenas à evidência do visível, mas é também tocada por perdas, vazios, intermitências. É um tipo de cinema que produz uma dialética entre presença e ausência, capaz de superar tais dicotomias ao colocá-las em movimento no ato do olhar. Não se trata mais de responder a uma imagem de Brasil tal como a tradição do nosso cinema desde sempre reivindicou.
Quando o filme nos olha: O uso do portrait em A Vizinhança do Tigre
Bruno Saphira Ferreira Andrade (UFBA)
O presente trabalho lança um olhar sobre a utilização dos portraits em filmes da atualidade que são compostos através dos elos entre o documental e o ficcional. O pressuposto da análise é de que a presença desse recurso – planos de enquadramento médio em que personagens em silencio olham diretamente para a câmera – não se restringe à uma ancoragem documental da experiência, mas paradoxalmente, reforça as dimensões entre a realidade que nutre a obra e a obra enquanto própria realidade.

Cinema e outras artes

19/10/2016 às 11:00 – Sala 9
Edward Hopper e o cinema
Marcos Fabris (FFLCH USP)
O pintor norte-americano Edward Hopper (1882 – 1967) forjou uma imagística reconhecidamente complexa em sua aparente simplicidade, não raro identificada como icônica do Zeitgeist nos Estados Unidos da primeira metade do século XX. O cinema deste país fez igualmente amplo uso do conjunto de imagens produzidas pelo artista. Esta comunicação almeja não apenas descrever tal imagística mas identificar alguns dos usos mais produtivos que a produção cinematográfica norte-americana fez da “estética Hopper”, considerando com particular atenção o filme Carol (Todd Haynes, 2016).
Direção de fotografia: Impressionismo e Barroco em Lavoura Arcaica
Ana Carolina Roure Malta de Sá (UnB)Susana Madeira Dobal Jordan (UnB)
O filme Lavoura Arcaica (2001), de Luís Fernando Carvalho, baseou-se no romance homônimo de Raduan Nassar. A direção de fotografia de Walter Carvalho desenvolve uma estética relacionada a dois momentos da história da arte e do cinema: o Impressionismo e o Barroco. O artigo investiga, a partir da fotografia, como se configuram as relações entre a obra cinematográfica e o uso da luz nesses dois momentos, e de que modo esse diálogo atua na construção da narrativa.
Exit Through the Gift Shop: o documentário-spray
Gustavo Russo Estevão (UFSCar)
A proposta discute alguns mecanismos de criação e produção do artista britânico Banksy, principal expoente do movimento que ficou conhecido como arte de rua no início dos anos 2000. Parte-se do filme Exit Through the Gift Shop (2010), para discutir as relações entre o artista de rua e o documentarista Banksy. Através da observação do filme nota-se espelhamentos com os processos encetados pelo artista: apropriação e subversão de textos culturais, parodização, crítica social. Propõe-se o início de uma análise do filme, embasada principalmente nas ideias de Roger Odin, Bill Nichols; e a relação entre arte e filme a partir das propostas de Tradução Intersemiótica, formuladas por Julio Plaza.
Palavras-chave: Teorias do Documentário, Arte de rua, Banksy, Exit Through the Gift Shop, Tradução Intersemiótica.

Educação e cinema I

19/10/2016 às 11:00 – Sala 10
Filmes paraibanos em ambientes educativos
VIRGÍNIA DE OLIVEIRA SILVA (UFPB – UFF)
No debate sobre a obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais nas escolas da educação básica, trazida pela Lei 13.006/2014 que modifica a LDB 9.394/96, situamos ações de formação cinematográfica na Paraíba, analisamos o Projeto Cinestésico e o Laboratório de Roteiro para Jovens do Interior da Paraíba – JABRE, e apresentamos alguns frutos dessas ações que podem vir a ser referência em escolas paraibanas no processo de cumprimento da obrigatoriedade apontada pela referida Lei.
O uso cinema na escola: uma mediação através da didática
José Leite dos Santos Neto (USP)
O presente trabalho tem como objetivo discutir teoricamente a apropriação do uso cinematográfico e midiático nas escolas. Entende-se que tais instrumentos possuem caráter educativo e formativo com grande repercussão social e que participam do complexo processo de construção de significados e representações sociais. Consideramos que tanto o cinema quanto a mídia compõem a cultura da população de modo geral, e atribui-se a eles um papel formador, que atua enquanto instrumento educativo gerando tendências, moldando costumes e ensinando modos de comportamentos. Isso nos leva a entender que a escola é o lugar ideal para aprender uma leitura crítica e consciente de tais meios, porém, um dos grandes problemas se dá na questão de como operacionalizar o seu uso no interior da escola. Portanto, conclui-se que o cinema e a mídia, enquanto instrumentos de alto potencial educativo e que facilitam o aprendizado, demandam uma intervenção didática nas escolas.
Formação audiovisual e políticas públicas: um caso não resolvido
Lia Bahia Cesário (UFF)
Pensar políticas públicas para a formação e educação audiovisual no contemporâneo demanda rever toda uma prática de formulação e atuação política e simbólica voltada para o espaço audiovisual brasileiro. Este trabalho busca fazer um histórico (da ausência) das políticas públicas no país para a dimensão formativa audiovisual e entendê-la tanto como ativo da cadeia produtiva, quanto como dispositivo de crítica e reinvenção de imaginários, ressaltando a centralidade audiovisual no contemporâneo.

Corporeidades

19/10/2016 às 11:00 – Sala 11
Campo, tradição e propriedade. Paisagens de Thomas Hardy no cinema.
Angela Freire Prysthon (UFPE)
Os romances de Thomas Hardy descrevem as complexidades das transformações trazidas à tona pela revolução industrial e as novas estruturas decorrentes das trocas entre campo e cidade. Discutiremos como algumas adaptações empreenderam o espectro da ruralidade em Hardy, além dos modos como os filmes traçam as relações entre paisagem e poder. Investigar-se- -á a figuração da paisagem a partir da comparação entre os diversos recortes e enquadramentos propostos neste conjunto de filmes.
Apontamentos sobre as relações entre corpo e repertório
Fabio Allan Mendes Ramalho (UNILA)
Nesta comunicação, propomos uma abordagem dos repertórios audiovisuais e midiáticos que se insere no marco das discussões sobre o corpo no cinema, nas artes e na cultura visual contemporânea. Para tanto, buscamos delinear uma noção de repertório que permita compreendê-lo não apenas como quadro de informações que sustentam um processo comunicacional, mas sobretudo como aspecto relevante da experiência da espectatorialidade, entendida como relação material com as obras.
Eventos de Afeto: a expressão pós-colonial em Paradise: Love
Thalita Cruz Bastos (UFF)
A possibilidade da expressão pós-colonial no cinema europeu contemporâneo através da relação entre os corpos e sua capacidade de produção de afetos se configura como um instrumento privilegiado para fazer sentir as contradições do momento pós-colonial. A análise do filme Paradise:Love, do diretor austríaco Ulrich Seidl será realizada a fim de compreender como a instauração de eventos afetivos expressivos no interior da narrativa propõe uma visão crítica à postura europeia perante o outro.

Transmidialidades

19/10/2016 às 11:00 – Sala 12
Animação, motion graphics e interfaces transmídia
João Paulo Amaral Schlittler (USP)
O universo transmídia prescinde da criação de universos expandidos. Para que isto seja possível, dependem de interfaces que permitam a interação com estes conteúdos em múltiplas mídias e plataformas. Com o objetivo de articular uma proposta de construção de interfaces de conteúdos transmidiáticos, pretende-se estudar as relações entre áreas que interagem entre si, mas são classificadas em campos distintos do conhecimento: animação nas artes audiovisuais e motion graphics no design.
Experiências com vídeos transmídia na TV e no cinema
Carlos Gerbase (PUCRS)Paula Jung Rocha (PUCRS)
Esta comunicação descreve o processo de criação de peças audiovisuais transmídia ligadas ao longa-metragem “BIO” (em montagem) e à série de Tv “Buraco de minhoca” (desenvolvida em 2015, com três teasers gravados) . O conceito de transmídia e suas aplicações foram estudados pelos autores desde 2013. Em 2016, com o apoio de bolsistas de iniciação científica, serão realizados cinco vídeos que misturam ficção e documentário, que serão veiculados na internet e em dispositivos móveis. Assim, teoria e prática se fundem, com reflexos positivos nas duas dimensões da pesquisa.
Narrativas Criminais e Convergência na TV da América Latina
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
O objetivo desta comunicação é analisar as recentes tendências da produção audiovisual ficcional televisiva em um contexto de convergência que assinala o surgimento de novas formas de circulação e distribuição dessas obras na América Latina. A emergência de plataformas como Netflix contribui para o acirramento do processo de transmidiação gerando obras interculturais e transnacionais que visam conquistar o mercado regional e mundial.

O narrativo e o social no cinema americano

19/10/2016 às 11:00 – Sala 13
Doze homens e uma sentença: Uma obra dois olhares
Débora Chabes dos Santos (Estácio)
O presente trabalho propõe analisar e comparar o filme Twelve Angry Men, filmado em dois momentos, dirigidos pelos cineastas Sidney Lumet e William Friedkin, cujos trabalhos foram realizados para meios de veiculação distintos. O artigo promove um comparativo acerca dos movimentos sociais que influenciaram a sociedade estadunidense, ao longo dos quarenta anos que separam a obra realizada para o Cinema e seu Remake para a televisão, que permitiram dois olhares diante a mesma narrativa.
Narrativa e retórica na ficção científica: o caso de Gattaca (1997)
Cristiano Figueira Canguçu (UESB)
Este paper se propõe a analisar a estrutura narrativa presente em filmes-mesagem do gênero ficção científica, tomando como estudo de caso a obra Gattaca (1997), a qual demonstra como os principais elementos retóricos e argumentativos são transformados em técnicas da narrativa clássica hollyoowdiana dedicadas a materializar problemas sociais em personagens individuais, orientando e incentivando hipóteses interpretativas do seu espectador.
A Arte da Tecnologia no filme Gravidade, de Alfonso Cuarón
PAULO ROBERTO MUNHOZ (UTP)
Este estudo busca verificar em que medida a tecnologia pode ser considerada como elemento artístico principal num filme de longa-metragem. Tomamos como corpus de análise o filme Gravidade, do diretor Alfonso Cuarón, e o estudamos no sentido de compreender o que poderia ser tratado como fundamental ou acessório na sua realização estética. Outro mister desse trabalho é contribuir na visão da tecnologia como elemento fundante do humano, em consonância com o pensamento do professor Álvaro Pinto.

PAINEL Imagem e tempo – Coordenação: Juliano Gomes

19/10/2016 às 11:00 – Sala 14
Interstício e forma meditativa no cinema de Yasujiro Ozu
Thiago Rodrigues Lima (UFMG)
Este trabalho busca derivar uma teoria sobre o cinema de Yasujiro Ozu a partir de duas noções tradicionais japonesas: ma e mu. Os filmes do diretor são atravessados pela singularidade da experiência nipônica ao se valerem de um espaço-tempo lacunar (ma) em que uma atmosfera emerge a partir de uma afirmação formal do vazio (mu). Observamos, portanto, uma placidez e um ritmo meditativo que emanam das relações intersticiais diegéticas e espaciais e de uma temporalidade planificada.
Para ver de perto: o tempo que escorre no cinema de Naomi Kawase
Eduardo dos Santos Oliveira (UFC)
Ao apontarmos a ideia de que algumas produções do cinema contemporâneo e das artes visuais tensionam o nosso modo de estar diante de imagens ao trabalharem com a noção de uma estética do fluxo, tentamos nos aproximar do filme “Carta de Uma Cerejeira Amarela em Flor” (Tsuioku no Dansu, 2003), da realizadora japonesa Naomi Kawase, a fim de perceber na constituição de seus planos alguns caminhos para a experiência do espectador com a obra.
Tempo e Memória no documentário de tendência slow cinema
Mariana Sibele Fernandes (UFJF)
O fascínio pela dimensão temporal, evidenciado na forma e ou na temática de algumas obras, marca uma das principais características encontradas em parte do documentário brasileiro contemporâneo. A ênfase na passagem do tempo ganha maior relevo quando, na busca incessante pela experiência singular do outro, os filmes abordam a memória pessoal como possibilidade de relacionar o ordinário a um modo particular de ser e de estar num mundo em devir – tendências estilísticas do chamado slow cinema.
Tiempo ambiguo y tiempo mítico en el cine.
Fabián Arocena Narbondo (FIC-UdelaR)
En un primer nivel la ponencia analiza las formas en que los filmes establecen lo que se define como tiempo ambiguo para el caso de “The Wild Bunch”, y como tiempo mítico para “Apocalipsis Now”.
En un segundo nivel, se analizan las posibles intenciones que estuvieron detrás de los directores de estos filmes para establecer y trabajar sobre estas categorías temporales, señalando los elementos simbólicos cinematográficos utilizados y arriesgando algunas interpretaciones concretas.
TOM TOM, THE PIPER’S SON (1969-1971): ENTRE TEMPOS E MOVIMENTOS
Arthur Ribeiro Frazão (PPGCOM ECO UFRJ)
Em Tom Tom The Piper’s Son (EUA, 1969-1971) Ken Jacobs trabalha em cima de imagens de um filme homônimo que data do Primeiro Cinema. Este trabalho propõe a análise das potencialidades que o método de remontagem praticado por Jacobs abre para discutir a natureza, as definições convencionais do cinema e suas possibilidades narrativas a partir do conceito de interstício e das relações com o tempo.

ST Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos – Sessão 1

19/10/2016 às 14:00 – Sala 1
Antropologia e Cinema: análise fílmica e memória narrativa do Super8
Lara Santos de Amorim (UFPB)
Pretende-se debater a experiência de fazer pesquisa na interface entre antropologia e cinema. Propor uma discussão que analise um corpus de filmes produzidos em Super8 na década de 1980 na Paraíba e que representam formas inovadoras de abordar temáticas políticas e sociais. Refletir sobre como estes filmes podem ser lidos como “artefatos culturais” capazes de revelar intuições e valores de uma época. A partir desta memória narrativa, pensar a filmografia de realizadores contemporâneos na Paraíba
A estrada como alegoria da identidade cultural em filmes de estrada
Gheysa Lemes Gonçalves Gama (UFJF)
Este artigo pretende observar as mudanças ocorridas na identidade cultural brasileira a partir das modificações alegóricas assumidas pela estrada em road movies nacionais. Para cumprir tal objetivo pretende-se realizar um estudo comparativo entre os road movies Iracema, uma transa amazônica (BODANZKY; SENNA, 1974) e Dromedário no asfalto (VARGAS, 2014), sendo que no primeiro filme a estrada é apresentada como uma alegoria da nação e no segundo como alegoria da transformação pessoal, caracterizando um rito de passagem.

ST Cinema Queer e Feminista – Sessão de abertura

19/10/2016 às 14:00 – Sala 2

ST Cinema e educação – Sessão 1

19/10/2016 às 14:00 – Sala 3
Por uma pedagogia das imagens com os Mbya Guarani
Clarisse Maria Castro de Alvarenga (UFMG)
Neste trabalho abordo os filmes Desterro Guarani (2011), Duas aldeias, uma caminhada (2008) e Bicicletas de Nhanderú (2011), realizados dentro do contexto do projeto Vídeo nas Aldeias. Acredito que no conjunto esses três filmes, tanto do ponto de vista dos seus procedimentos constitutivos quanto da forma fílmica, indicam a possibilidade de uma singular pedagogia das imagens que questiona a maneira como a sociedade ocidental produz conhecimentos e representações.
Exercícios para um filme-ensaio: a experiência da Escola de Cinema
Theresa Christina Barbosa de Medeiros (PUC-Rio)
Quando o exercício de “colecionar coisas” começou na Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu (ELC), os alunos tiveram que se dividir em dois grupos e sair pelas ruas do bairro, observando o local e anotando onde poderiam encontrar as imagens para sua coleção. No final da observação a pequena lista de “locais possíveis” era percorrida e eles revezavam-se entre as filmagens. Ao coletar essas imagens eles estavam na verdade, fazendo o primeiro esboço do filme previsto para o final do semestre. No entanto, ele [o filme] em si não era o mais importante, mas um meio para uma experiência de criação, um canal em que processos subjetivos, individuais e coletivos se desenvolveram. Dessa forma, este texto questiona se podemos então pensar que esse processo de produção (ou de escrita) se desenvolve como a escrita de um filme-ensaio, uma vez que, um ensaio também parte da observação subjetiva do mundo e das singularidade, num contato direto com o risco da rasura.
Divergências de escutas do cinema com estudantes de educação básica
Glauber Resende Domingues (UFRJ)
A escuta dos sons do cinema com estudantes de educação básica é algo que vem sendo recentemente estudada (RESENDE, 2013). Porém, tenho perguntado como que estudantes que não atendem a certa lógica de normalidade constroem suas escutas, como estudantes cegos e surdos, por exemplo. Esta comunicação de pesquisa pretende apresentar algumas apostas de pesquisa e algumas pistas de como estas escutas tem se construído a partir da pesquisa empírica que vem sendo realizada em três escolas públicas. O que tenho percebido é que, ao produzirem, os estudantes cegos e surdos tendem a dar outro sentido de eleição, disposição e de ataque (BERGALA, 2008) aos elementos escolhidos do que os estudantes que ouvem e veem. Na análise que tenho feito dos Minutos Lumière produzidos pelos alunos, tenho notado que os estudantes surdos e cegos, talvez por não terem a dimensão de tempo tão arraigada como os ouvintes e videntes, tendem a suspender o tempo do tempo cronológico.

ST Corpo, gesto, performance e mise en scène – Sessão 1 – Atrações e performances

19/10/2016 às 14:00 – Sala 4
Atrações dos Corpos e a reapropriação dos gêneros
Mariana Baltar (UFF)
A proposta desta comunicação é pensar os corpos em cena a partir do diálogo entre o regime de atrações e as matrizes de gêneros narrativos. Focaremos a análise na produção de curta metragem contemporâneo que insere referências aos gêneros do corpo e também à lógica das atrações como forma central de apresentação das personagens, incluindo inserts de dança e/ou performances musicais e estabelecendo um diálogo direto com o espectador que se sustenta no engajamento afetivo.
A perambulação em Irreversível: subversão lírico-poética de Gaspar Noé
Josette maria alves de souza monzani (UFSCar)Mario Sergio Righetti (UFSCar)
Essa comunicação visa refletir sobre as características estilísticas da perambulação no filme Irreversível do cineasta franco-argentino Gaspar Noé, de 2002, que se configuram através da montagem e dos movimentos de câmera (travellings, giros, rotações, close-ups) pontuando o gesto lírico-poético do narrador e o estado emocional dos personagens, e desvelando a representação dos deslocamentos temporal e espacial na diegese, em uma forma labiríntica e incômoda de discurso instigadora de posterior reflexão pelo espectador.
Boi Neon e os corpos híbridos
Douglas Deó Ribeiro (UFPE)
Este trabalho analisa o filme “Boi Neon” (MASCARO, 2015) a partir da presença transversal no filme de corpos que condensam em si elementos encarados como antiéticos numa concepção tradicional não apenas do corpo, mas também das performances e funções desempenhadas por ele. Nesse sentido, tanto a ‘anatomia’ quanto a ‘fisiologia’ dos corpos se apresentam esculpidas de modo a problematizar estados convencionais e normativos, criando, numa narrativa realista, um universo visualmente híbrido.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 1

19/10/2016 às 14:00 – Sala 5
Imagens amadoras de guerras e conflitos – usos na arte contemporânea
Wagner Perez Morales Junior (ED 267)
Através da análise da produção de artistas como Coco Fusco, Rabih Mroué, Thomas Hirschhorn, Clarisse Hahn entre outros, pretende-se traçar como as imagens amadoras de guerras e conflitos passam a ser matéria-prima em uma certa produção visual da arte contemporânea e analisar como o estatuto dessas imagens muda, principalmente após os ataques de 11 de setembro de 2001, em New York.
Explodindo a Ficção: invasões iconográficas em filmes de Lars v. Trier
Patrícia Kruger (FFLCH- USP)
Muito tem sido discutido a respeito das alusões às artes plásticas e das fantásticas recriações que o cineasta Lars von Trier faz, em sua cinematografia, de pinturas. Pouca atenção, contudo, tem sido dada a demais elementos iconográficos que parecem “invadir” seus filmes. Pretendemos, assim, averiguar a motivação da inserção de fotos, xilogravuras, gravuras e demais referência iconográficas em alguns de seus filmes e quais as consequências políticas e estéticas dessas inusitadas “invasões”.
Lágrima Pantera (Fragmento): entre cinema e quase-cinema
Theo Costa Duarte (USP)
Pretende-se apresentar os resultados da análise do filme Lágrima Pantera, a míssil, de Júlio Bressane, filmado em 1971 na cidade de Nova York e remontado pelo diretor em 2006. O foco da análise, que faz parte de uma investigação mais ampla sobre a aproximação entre os parâmetros das artes visuais e dos cinemas experimentais ao fim dos anos 1960 e início dos 1970, estará nos modos como o realizador buscou transcriar elementos dos primeiros filmes em Super-8 de Hélio Oiticica.

ST Teoria e Estética do Som no Audiovisual – Sessão 1 – CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA VOZ: DA TEORIA À ANÁLISE

19/10/2016 às 14:00 – Sala 6
A constituição do estilo da voz falada no cinema de ficção comercial
debora regina opolski (UTP)
O trabalho pretende demonstrar de que forma o estilo da voz falada no cinema se constituiu como uma voz distintiva a partir do verossímil cinematográfico. O estabelecimento de uma norma padrão para a fala foi o início do percurso. Com o passar dos anos, a diversidade da voz falada foi representada seguindo o que Davis (2008) denomina de naturalismo estilizado. Hoje, a voz falada no cinema de ficção comercial é coloquial com características naturalistas como sobreposição de voz e/ou improviso.
Vozes, ambientes, mil e uma noites
Fernando Morais da Costa (UFF)
A partir dos três longa-metragens do diretor português Miguel Gomes sobre As mil e uma noites (2015), propomos analisar a multiplicidade de vozes presentes na adaptação cinematográfica da coletânea célebre de contos. Propomos ainda estabelecer relações não apenas entre vozes e imagens mas também entre vozes, imagens e os sons ambientes, estes responsáveis pelo envelope sonoro da representação do Portugal contemporâneo sobre a matriz literária árabe.
A relativização da fala no filme surdo ucraniano A Gangue
Fabiana Paula Bubniak (Unisul)
Este trabalho analisa o filme surdo ucraniano A Gangue dirigido por Myroslav Slaboshpytskiy a partir de conceitos cunhados por Michel Chion como valor agregado e relativização da fala. A Gangue foi lançado em 2014 e conta em seu elenco com atores surdos. Os personagens se expressam na língua ucraniana de sinais e, por escolha do diretor, o filme não possui dublagens ou legendas. Ele não é silencioso, porém a trilha sonora é formada apenas pelos sons do ambiente. Não existe contraponto sonoro nem música que proveja pistas sobre a narrativa. Essa escolha acaba desconstruindo a forma de assistir cinema, transcendendo a linguagem verbal, descentralizando a voz e apresentando uma nova relação com a linguagem.

MESA Atualidades de Paulo Emílio

19/10/2016 às 14:00 – Sala 7
Trajetória no subdesenvolvimento: ponto de chegada ou eterno retorno?
Leandro Rocha Saraiva (SESI-PR)
Que aspectos de do texto clássico de Paulo Emílio ajudam a iluminar as contradições do audiovisual nacional hoje? E quais estão ultrapassadas por fatos novos? A atual configuração do audiovisual, ampliada em seu escopo, no contexto da digitalização, e modificada em seus mecanismos, sob a regulação da Ancine, tem novas formas de relação entre os produtores independentes nacionais e os atuais distribuidores internacionais. Vivemos mais um ciclo ou este trajetória foi finalmente superada?
Percursos do subdesenvolvimento : uma leitura de Paulo Emilio S. Gomes
Mauricio Cardoso (FFLCH-USP)
A comunicação se propõe a analisar o debate em torno do conceito de subdesenvolvimento no cinema brasileiro, formulado por Paulo Emilio Salles Gomes, em 1973, apontando as estratégias e apropriações deste crítico, em relação à “teoria do subdesenvolvimento”. Pretende-se também apontar a atualidade desse debate tendo em vista as reflexões contemporâneas sobre a permanência ou superação do subdesenvolvimento a partir das últimas duas décadas.

Ficção Televisual Brasileira

19/10/2016 às 14:00 – Sala 8
Da Crítica e da Crônica em Artur da Távola e Helena Silveira.
Maria Ignês carlos Magno (UAM)
O texto propõe um estudo da crítica sobre a telenovela brasileira. O recorte do estudo é a produção dos críticos Artur da Távola e Helena Silveira sobre a telenovela nos anos 1970 veiculadas nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo. O foco da reflexão nesse texto recai sobre as aproximações teóricas e o específico da crônica e da crítica na produção dos referidos autores.
Nos cursos visuais do Velho Chico: direção de arte e imagem mítica
Milena Leite Paiva (UNICAMP)Dorotea Souza Bastos (UFRB)
Este trabalho apresenta uma análise da visualidade construída na novela Velho Chico (2016), escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Com base nas teorias de Aumont (1993; 2004) e de Flusser (2011) acerca da imagem e nas escolhas estéticas do aspecto visual da obra, busca-se apontar as interferências da arte na estruturação dos planos e definir uma relação simbólica entre visualidade e narrativa alinhada a um imaginário nacional acerca do Nordeste e da baianidade.
Humor e riso na TV brasileira: análise da qualidade nas sitcoms
Gabriela Borges (UFJF)
O trabalho discute as formas em que o humor e o riso se apresentam nas sitcoms da TV brasileira sob a perspectiva dos estudos da qualidade, uma abordagem pouco explorada pelos estudos televisivos. Serão analisadas as sitcoms A diarista (2001), Sob nova direção (2004), Tapas e beijos (2011) e As canalhas (2013) a partir de dois parâmetros: os modos de representação presentes na criação das personagens femininas e a experimentação da linguagem audiovisual.

Adaptações I

19/10/2016 às 14:00 – Sala 9
Literatura e cinema: uma metodologia de análise “infiel” da adaptação
ADRIANE ROBERTA RIBEIRO DE MACEDO (UTP)
Esse texto , baseado nas teorias de Stam (2000) e MacFarlane (1996), questiona a metodologia utilizada por alguns pesquisadores e críticos em análises da adaptação de uma obra literária para o cinema. Estruturam-se numa relação de comparação, medindo o grau de fidelidade entre elas. Essa metodologia é simplista, pois caracteriza a literatura como suprema. Não se utilizando assim, de uma metodologia que favoreça a intertextualidade ou ainda um dialogismo interxtual entre as obras.
Diálogos entre cinema e literatura no Japão: o caso de Kanae Minato
Janete da Silva Oliveira (Uerj)
Pretendemos analisar o filme adaptado da obra da escritora japonesa Kanae Minato, cujos livros têm passado para as telas de cinema com relativa frequência e sucesso. Essas obras apresentam uma arquitetura de medo que revela aspectos interessantes sobre a organização social japonesa contemporânea, principalmente em relação aos jovens. Para isso, planejamos analisar a produção japonesa de 2014, intitulada Shirayuki hime satsujin jiken (The Snow White Murder Case) dirigido por Yoshihiro Nakamura e baseado em livro homônimo. Discute, ao mesmo tempo, a influência do status social no relacionamento entre as pessoas e a questão da sociedade japonesa entre essência e aparência, questões essas que colocam em cheque, como outras produções do Japão e do ocidente, o quanto aparência e status podem mascarar uma identidade construída e pautada pela sociedade de consumo moderna na qual o “ser” parece ter cedido bastante do seu lugar para o “ter”.
Construção do suspense em Sueurs Froides e em Vertigo
Maria do Socorro Aguiar Pontes Giove (UnB)
Trata-se de um estudo comparado entre o romance Sueurs Froides (d’entre les morts) (1954), de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, e a obra cinematográfica Vertigo (1958), de Alfred Hitchcock, a partir do conceito Dobra, desenvolvido pelo filósofo francês Gilles Deleuze. Num primeiro momento, mostraremos exemplos de duplicação de situações, lugares, objetos e personagens, encontrados em ambas as obras. Em seguida, passaremos a analisar como tais desdobramentos convergem para a construção do suspense no romance e na obra cinematográfica. Para tal, recorremos, ainda, ao estudo do gênero suspense, empreendido por Noël Carroll na obra The Philosophy of Horror or Paradoxes of the Heart.
Palavras-Chave: Sueurs Froides (d’entre les morts). Vertigo. Dobra. Desdobra. Mônada. Suspense.

Poéticas do documentário I

19/10/2016 às 14:00 – Sala 10
A paixão de JL ou a alegoria documentada
José Umbelino de Sousa Pinheiro Brasil (UFBA)
A paixão de JL é um derivado empírico da obra do artista Leonilson, filme que se destaca na trajetória do documentário brasileiro. Representando obra, vida e a morte, de forma estertorante, extraídos dos vestígios do cotidiano e da intimidade de “Leo”; é um relato que compõe um tempo de existência poética gravado analogicamente de forma intimista e reprocessado digitalmente; aonde são recriados os macrocosmos inventando outra atmosfera numa permutação das transposições permitidas ao cinema.
Confissões, afetos e as marcas da diferença no documentário
Gilberto Alexandre Sobrinho (UNICAMP)
O ato da confissão permeia produtos audiovisuais. Trata-se de um falar de si para dispositivos de gravação de imagem e som, numa relação dúbia de espelho e janela. Nos documentários, há infinitas formas de ativação e atualização desses recursos, voltadas para as construções de identidades e subjetividades, ensejadas por relações de conhecimento e de poder. Interessa observar o confessional em documentários de Helena Solberg, Vincent Carelli, Joel Zito Araújo, Dácio Pinheiro e Carlos Nader.
Representações negociadas: documentário e performance dos personagens
Mariana Duccini Junqueira da Silva (ECA-USP)
A comunicação analisa os documentários “Laura” e “Jonas e o circo sem lona”, em que o gesto documental modula-se por acolher as performances dos personagens, acentuando as formas de engajamento deles quanto ao dispositivo, visto que suas atuações remetem explicitamente a uma negociação pelos modos de autorrepresentação. Nesse exercício, o que foi vivido como contingência recobre-se por uma elaboração dramática que transforma experiências banais em um estatuto extraordinário: o do próprio filme.

Indústria e História

19/10/2016 às 14:00 – Sala 11
Distribuição de cinema: formação de uma hegemonia e abalos históricos
PEDRO BUTCHER (UFF)
A ideia desse trabalho é delinear a formação do setor da distribuição na indústria do cinema estadunidense e esquadrinhar seu papel na formação de um império econômico e cultural que permaneceu hegemônico por décadas. Ainda que esse modelo tenha sofrido abalos importantes, com a expansão da televisão, essa estrutura não chegou a se desfazer. O quadro só começa a se modificar recentemente, quando a rápida penetração de tecnologias digitais coloca em xeque a cadeia audiovisual.
Spcine e o fomento audiovisual no ambito do município de São Paulo
André Piero Gatti (FAAP)
A comunicação tem como objetivo descrever o processo de criação da Spcine , empresa de Cinema e Audiovisual do Munícipio de São Paulo, e as suas primeiras ações. Originalmente, a Spcine teve seu ideário construído nos anos 1990,mas o projeto somente se tornou realidade com a vinda do ex-ministro da cultura, Juca Ferreira, para a Secretaria Municipal de Cultura (SP),que na gestão do prefeito Fernando Haddad conseguiu dar materialidade a esta antiga reivindicação do setor audiovisual paulistano.
Alemanha-Brasil: Uma historiografia do cinema transnacional
Wolfgang Fuhrmann (ECA-USP)
A palestra vai discutir a possibilidade de uma historiografia do cinema transnacional tendo como pano de fundo um conflito político-cultural entre o Brasil e a Alemanha. Apesar de diferenças estruturais entre os dois cinemas (p. ex. cronologia ou força econômica) a palestra vai argumentar que escrever uma historiografia de uma perspectiva transnacional permite abrir não só novas áreas da pesquisa históricas do cinema como também entender melhor acontecimentos do cinema e da história nacional.

Biografias cinematográficas

19/10/2016 às 14:00 – Sala 12
Documentário e narrativa biográfica: análise de Fabricando Tom Zé
Marcia Regina Carvalho da Silva (FAPCOM)
Esta comunicação pretende investigar as possibilidades do gênero biográfico na narrativa audiovisual com a análise do documentário Fabricando Tom Zé (2007), de Décio Matos Júnior. Esta análise integra minha pesquisa de Pós-doutorado, desenvolvida na ECA-USP (2015), sobre as práticas narrativas contemporâneas dos documentários biográficos sobre personagens da MPB.
O cinema de câmara de Edgardo Cozarinsky
Andre Piazera Zacchi (UFSC)
Os três últimos filmes de Edgardo Cozarinsky – Apuntes para una biografía imaginaria(2010), Nocturnos(2011) e Carta a un padre(2013), compõem aquilo que o cineasta denominou “cinema de câmara”, menor, intimista, como uma música de câmara, em oposição à forma sinfônica, espetacular. Proponho que o íntimo e o afetivo já estão nas imagens (sonoras inclusive) e na sua articulação, na relação com a narração que os filmes empreendem, a despeito dos elementos biográficos postos em cena.
O biopic (biografia cinematográfica): o clássico e a desconstrução
Fabio Luciano Francener Pinheiro (UNESPAR)
Biopics, ou biografias cinematográficas, são parte importante da produção contemporânea, porém a reflexão sobre o gênero é limitada. Custen (1992) aborda “grande homem” no biopic clássico dos estúdios. Bingham (2010) descreve as mudanças no perfil de biopics sobre homens e mulheres. A partir destas perspectivas, propomos uma reflexão sobre as estratégias de representação em Lincoln (2012), um biopic clássico melodramático e American Splendor (2003), uma desconstrução da ideia de biografia.

Recepção no cinema brasileiro I

19/10/2016 às 14:00 – Sala 13
Cinema Brasileiro de Grande Bilheteria. Um período que se fecha?
Sheila Schvarzman (UAM)
Pensar o cinema brasileiro de grande bilheteria (2000-2015) a partir 2016, com a crise que se instalou no país, conduz a pensar essa produção, e sua forte relação com a TV, como expressão de um período que se encerra, no qual buscava-se consolidar um cinema de grande público, o que, em muitos sentidos, se efetivou. Gostaríamos de analisar filmes e gêneros de maior expressão onde, entre outros, a temática do consumo foi relevante.
O cinema brasileiro e sua recepção no Reino Unido a partir da Retomada
Alexandre Figueirôa Ferreira (Unicap)
O trabalho traz um estudo da recepção dos filmes brasileiros exibidos comercialmente no Reino Unido a partir da retomada, usando como base a análise de artigos de jornais como o The Guardian e The Independent, da revista especializada Sight & Sound e publicações acadêmicas. Nele, busca-se demonstrar que o interesse pelos filmes deve-se ao fato deles se inserirem no campo conceitual do world cinema ao abordarem a realidade social e cultural com narrativas conectadas a um contexto globalizado.
Hollywood para América Latina: versões em espanhol no início do sonoro
Isabella Regina Oliveira Goulart (USP)
Analisaremos, a partir de pesquisa historiográfica realizada nas revistas Cinearte e Cena Muda, a recepção de versões em língua espanhola de filmes em inglês produzidas em Hollywood no início do sonoro. Entre 1930 e 1935, essas publicações citaram várias versões em espanhol de filmes originais em inglês, que consideraram inferiores a esses. Avaliaremos como viu-se nas versões uma esperança para o cinema brasileiro, ao mesmo tempos em que eram criticadas como ofensivas a uma identidade nacional.

PAINEL Música, pop e convergências – Coordenação: Ana Maria Acker

19/10/2016 às 14:00 – Sala 14
A música pop não original nos longas-metragens de David Lynch
Fabiano Pereira de Souza (UAM)
A partir de Veludo azul (Blue Velvet, 1986), David Lynch passou a usar canções pop e de gêneros adjacentes dos anos 50 e 60 em gravações originais, regravações contemporâneas aos filmes ou interpretações filmadas dos atores na trilha musical de seus filmes. Isso reiterou o efeito de contraponto sonoro, que o sound design de Alan Splet já havia alcançado por meio de efeitos sonoros na filmografia de Lynch até Veludo azul, e ecoa aspectos das teorias do contemporâneo e da cultura pop.
A orquestração como componente da teoria de gêneros cinematográficos
Pedro Henrique Ghoneim (Unicamp)
Com base na teoria de estilo musical de Leonard Meyer e nas teorias de gênero cinematográfico de Rick Altman e Steve Neale, discutirei as relações entre estilos orquestrais de trilha musical específicos com certos gêneros cinematográficos. Para tanto, será utilizado o referencial metodológico de Mark Brownrigg, que faz a ligação entre música e gênero, acrescentando uma abordagem analítica orquestral de partituras, além de discussões histórico-culturais.
O filme Cidade Mulher (1936) e o Samba de Noel Rosa
AFONSO FELIPE GALDINO LEITE ROMAGNA (UAM)
Propomos efetuar um resgate de partes do filme Cidade Mulher (1936), desaparecido em um incêndio, através de seu repertório musical, valorizando seus aspectos sonoros e sua relação com as possíveis imagens, o enredo, a cultura e a sociedade no qual está imerso. O filme foi dirigido por Humberto Mauro e possui trilha sonora original composta em quase sua totalidade pelo sambista Noel Rosa – sendo o único filme musicado por este compositor.
Dubshashs de “Ela quer pau”: recepção, discurso e autobiografia
Telmo Medici Sillos Fadul (UnB)
Entre abril e maio de 2015 popularizou-se no Brasil o uso do aplicativo Dubsmash, que permite ao usuário filmar a si mesmo dublando um trecho de áudio. O vídeo resultante é compartilhado nas redes sociais. Este trabalho analisa cinco dubsmashs da música “Ela quer pau”, de Mc Pikachu, e constata que possuem uma natureza ambígua: ao mesmo tempo em que materializam distintas recepções do texto, vinculadas sempre a formações discursivas, funcionam como registro autobiográfico de seus autores.
The X-Files na social TV: uma análise do perfil @thexfiles
Daiana Maria Veiga Sigiliano (UFJF)
A social TV é caracterizada pelo compartilhamento de conteúdos nas redes sociais e nos aplicativos de segunda tela de maneira síncrona ao fluxo televisivo. Desde a sua popularização, o fenômeno vem sendo adotado pelas emissoras estadunidenses para estimular o appointment television e engajar os telespectadores interagentes. Neste contexto, este artigo tem o objetivo de refletir sobre as ações de social TV adotadas pelo canal Fox durante a exibição da décima temporada da série The X-Files (2016).

ST Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos – Sessão 2

19/10/2016 às 16:00 – Sala 1
História e Cinema: memórias do Trabalho em ditaduras ibero-americanas
valeria marques lobo (UFJF)
Analisam-se filmes protagonizados por trabalhadores e contextualizados em ditaduras. A singularidade do argumento orientou a seleção dos filmes, que compartilham o objetivo de revelar histórias de indivíduos ou coletivos de trabalhadores sob o autoritarismo. Também pesou na triagem a trajetória particular de cada obra, tendo em vista o objetivo suplementar de analisar o papel dos profissionais do cinema e da fonte fílmica no resgate da memória de períodos marcados pela subtração de informações.
O cinema como objeto da sociologia
MARIA JOSÉ GENUINO BARROS (UNICAMP)
Ao longo da história da sociologia, alguns autores têm tomado o cinema como objeto de pesquisa. No entanto, tal tarefa não tem sido fácil, dado o status que o cinema possui no meio acadêmico. A sociologia do cinema, nesse sentido, vem adquirindo espaço em pesquisas sociológicas, buscando se fundar enquanto um campo na disciplina. O presente trabalho pretende realizar um estudo sobre como a sociologia tem tomado o cinema como objeto, analizando as principais abordagens e metodologias.
“CINEMA BRASILEIRO” ENTRE POSSIBILIDADES DE INTERPRETAÇÃO
Roberta Nabuco de Oliveira (UFPR)
Esta comunicação examina duas obras, de dois diferentes autores, acerca do cinema feito no Brasil: Alegorias do Subdesenvolvimento (2012) de Ismail Xavier e A Utopia no Cinema Brasileiro (2006) de Lúcia Nagib. O objetivo é identificar as abordagens sociológicas que interferiram nas analises fílmicas produzidas nestas pesquisas e entender os efeitos teóricos produzidos por estas análises para o entendimento do chamado “cinema brasileiro”.

ST Cinema Queer e Feminista – Sessão 2 – Uma estranha política

19/10/2016 às 16:00 – Sala 2
Sensorialidades queer: câmera-corpo, háptico e produção de intimidade
Erly Milton Vieira Junior (UFES)
É possível falar de uma sensibilidade queer traduzida na própria materialidade da experiência fílmica? De que formas alguns filmes queer apropriam-se de estratégias sensórias (como a visualidade e a escuta hápticas) para engajar sensivelmente o espectador, através de uma câmera-corpo? Neles, estabelece-se um contrato espectatorial imersivo, com ênfase numa relação de intimidade com os corpos e objetos filmados, e com o próprio filme, concebido também como um corpo capaz de afetar e ser afetado.
A emergência de uma estético-política queer em Freaks de Tod Browning.
Diego Paleólogo (UFRJ)
O objetivo desse trabalho é reivindicar, na atualidade, o filme Freaks (1932), de Tod Browning, para uma possível (re)leitura queer, mapeando as sexualidades interditas, estranhadas, as identidades fronteiriças e borradas, constituindo uma estético-política das imagens e dos corpos Freaks. Multidões queer como um reflexo ressexualizado de Freaks; a morte e o renascimento queer. É possível revisitar Freaks em tempos de crise como uma narrativa que flerta com a disruptividade da potência queer?
Cutopia – aterrorizando o cinema narrativo
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL)
Para além da discussão sobre a representação de atos sexuais não-normativos e antirreprodutivos (índices de sexualidades desviantes e sua política), esta proposta busca entender o sexo anal como instância de desestabilização do significado e da subjetividade soberana no cinema. Entendida como prática que atravessa uma diversa gama de corpos e desejos, a sodomia apresenta-se como chave de leitura com uma potência (nem sempre atualizada) de aterrorizar a organização da narrativa e da visualidade

ST Cinema e educação – Sessão 2

19/10/2016 às 16:00 – Sala 3
Uma ética da imagem: cinema e educação
Cezar Migliorin (UFF)
O que significa pensar uma ética da imagem em ambientes educacionais? A pergunta que não pode ser resolvida por respostas consensuais nos demanda, inicialmente, três operadores para tal reflexão: relação, devolução e máquina. Com esses operadores imagino poder pensar algumas produções audiovisuais feitas em ambientes educacionais.
Da tela à câmera: educação do olhar, subjetivação e política
Daniela Giovana Siqueira (ECA/USP)
Esta proposta parte da análise da vivência de duas práticas cinematográficas: cineclubismo e crítica cinematográfica que amalgamaram jovens das décadas de 1950 a 1970, na cidade de Belo Horizonte, resultando nas primeiras experiências de realização cinematográfica de uma geração. Acreditamos que este exemplo nos permite pensar a presença do cinema na sociedade como prática educadora de um olhar político e estético para a vida, conformadora de uma cena que enuncia a subjetivação do sujeito.
Film Literacy – O Filme-educação e o fator-experiência
Pâmela de Bortoli Machado (UNICAMP)
O Filme-educação vem com a ideia de “ler” e “escrever” um filme, na medida em que a leitura e escrita são a base de uma compreensão acerca da linguagem cinematográfica. Trata-se de colocar em prática aquilo que foi assimilado e “lido”, a partir de uma produção criativa do próprio aluno, numa imersão de conhecimento que não se dá em uma atividade isolada, ou seja, propicia o estímulo de outras habilidades e conceitos a partir da experiência pelo/ a partir/ com/ o filme.

ST Corpo, gesto, performance e mise en scène – Sessão 2 – Gêneros e a política dos corpos

19/10/2016 às 16:00 – Sala 4
Horror, Excesso e a Violenta Conformação dos Corpos Femininos
Mariana Ramos Vieira de Sousa (UFF)
O trabalho se propõe a explorar como o excesso aparece no gênero do horror, fissurando a lógica narrativa e criando espaços de contestação de padrões e normas de gênero que ditam a conformação violenta de corpos e sexualidades femininas. Para isso, utilizarei os filmes Possessão (1981), de Andrzje Zulawski, e “Em Minha Pele” (2002), de Marina de Van, nos quais o excesso é materializado em corpos femininos monstruosos em performances de autodestruição para a câmera.
O cinema meramente interessante de Hong Sang-Soo
Vitor Gurgel de Medeiros (UFF)
Uma análise da mise-en-scène e estruturas narrativas dos filmes dirigidos pelo cineasta sul coreano Hong Sang-Soo, relacionando-os à categoria estética “meramente interessante” proposta por Sianne Ngai no livro Our Aesthetic Categories: “a cintilação de afeto, leve e difícil de perceber, que acompanha nosso reconhecimento de pequenas diferenças de uma norma.”
A adultização dos corpos infantis em Baby Burlesks
Beatriz Saldanha (UAM)
Baby Burlesks é uma série de oito curtas-metragens produzidos por Jack Hays e Charles Lamont para a Educational Pictures nos anos de 1932 e 1933. Os filmes faziam paródias de longas-metragens famosos, dos bastidores de Hollywood, dos esportes e da política. O destaque desses filmes eram os atores, crianças de cerca de três anos de idade, ainda em fraldas, interpretando gângsteres, dançarinas de cabaré. Investigo neste trabalho o processo de adultização ao qual eram submetidos os jovens atores.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 2

19/10/2016 às 16:00 – Sala 5
A Astúcia da Matéria: Notas sobre a Animação do Inorgânico
Erick Felinto de Oliveira (UERJ)
Seria possível falar em uma tradição de “animação do inorgânico” no cinema experimental e nas intercessões entre cinema e arte? Em outras palavras, existiriam, na história do cinema, exemplos suficientes de vivificação de objetos inanimados de modo a podermos ali identificar um dado expressivo das estéticas modernas? Parte-se da hipótese de um progressivo declínio do tradicional ponto de vista antropocêntrico e do modelo de subjetividade humanista como motores da ascensão dos objetos no cinema.
O cinema bruto de Birgit e Wilhelm Hein: rumo ao Paracinema
Rodrigo Faustini dos Santos (ECA/USP)
A partir de uma análise do filme “Rohfilm” de Wilhelm e Birgit Hein, será discutida certa prática de cinema materialista da década de 1970 que projeta-se rumo ao Paracinema e à performance, apontada por Jonathan Walley. O filme será discutido como um filme de atrito entre superfícies, de um cinema reflexivo sobre novos estatutos de produção e consumo de imagens sob a emergência do vídeo, a partir de discussões trazidas por Le Grice e os próprios cineastas sobre a materialidade cinematográfica.
Plasticidades espaciais da imagem: estudos em Abril Despedaçado
Cyntia Gomes Calhado (PUC-SP/FIAM-FAAM)
Esta comunicação visa realizar uma leitura das plasticidades espaciais da imagem cinematográfica a partir da perspectiva da experiência estética. “Imagem-espaço” aqui é compreendida segundo a definição de Philippe Dubois, como uma articulação entre, de um lado, o “espaço na imagem” (espaço representado, figurado, diegético – que é um espaço objetivo) e, de outro, o “espaço da imagem” (espaço literal, figural, da imagem ela própria, o qual é um espaço vivido, espaço do qual o espectador, fenomenologicamente, tem experiência durante a projeção). Utilizaremos como objeto desta análise figural cenas de Abril Despedaçado (Walter Salles, 2002), filme que tem sido pensado primordialmente no campo representacional. Por meio de diálogos com autores como Gilles Deleuze, Philippe Dubois, Arlindo Machado e Christine Mello, o presente estudo objetiva verificar de que modo procedimentos audiovisuais associados à perda da tridimensionalidade e à desfiguração produzem acontecimentos de imagem.

ST Teoria e Estética do Som no Audiovisual – Sessão 2 – MÚSICA DE FILME: MODOS DE ABORDAGEM, MÉTODOS DE PESQUISA

19/10/2016 às 16:00 – Sala 6
“Mulher” (1977): A nova trilha sonora de “Mulher” à moda antiga.
Joice Scavone Costa (UFF)
Em 1977, o filme “Mulher” de 1931, sofreu uma intervenção que se pretendia ser a restauração do filme. Entretanto, o procedimento realizado foi a reedição da imagem e a inclusão de uma nova trilha sonora (em som ótico) com onze composições da pianista Carolina Cardoso de Menezes especialmente para o filme. Sem qualquer ligação com a trilha sonora original, são músicas apenas ao piano com características da época anterior ao início da padronização de trilha sonora.
Do Bando da Lua para o cinema: músicos filmados e intermidialidade
Suzana Reck Miranda (UFSCar)
Esta comunicação apresentará resultados parciais da pesquisa desenvolvida junto ao projeto “Toward an Intermedial History of Brazilian Cinema: Exploring Intermediality as a Historiographic Method” que, como sugere o título, toma a intermidialidade como um método historiográfico. O recorte centra-se em dois músicos do Bando da Lua (Aloysio de Oliveira e Nestor Amaral) e suas relações com o cinema brasileiro, o rádio, a indústria fonográfica e com musicais hollywoodiano das décadas de 1940 e 1950.
Ecos musicais no começo e no fim do filme: 03 casos do Cinema Moderno
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Pretendemos analisar uma característica comum a três filmes dos cinemas modernos francês e brasileiro dos anos 1967-1969: a reutilização da mesma música no começo e no final do filme, geralmente durante ou em continuidade com os créditos. Além da unidade formal, essa repetição implica variações reconsiderações do filme como um todo. São analisados: “Mouchette” (Robert Bresson, 1967), “Terra em transe” (Glauber Rocha, 1967) e “A besta deve morrer” (“Que la bête meure”, Claude Chabrol, 1969).

Cinema noir

19/10/2016 às 16:00 – Sala 7
Cinema noir e neonoir italianos: o hedonismo e a femme fatale
Alexandre Rossato Augusti (UNIPAMPA)
É a partir da contextualização do cinema noir clássico e do que se convencionou chamar de cinema neonoir, que se pretende responder com essa pesquisa como pode ser caracterizado o cinema noir italiano, compreendido a partir de suas especificidades, e que também merece ser analisado em sua atualização como neonoir. A perspectiva de análise tem por base o hedonismo, sustentado pela figura da femme fatale, para direcionar o olhar sobre filmes representativos das duas fases citadas.
Neonoir, novos homens?: Masculinidades em Drive, eXistenZ e Twin Peaks
Fernando Mascarello (Unisinos)
O trabalho propõe uma análise da representação da masculinidade nos filmes Drive e eXistenZ e na série Twin Peaks. Tendo como base teórica os estudos do noir, os estudos de gênero e queer e os estudos sobre os homens, os dois filmes e a série são aproximados como exemplos de uma possível vertente minoritária do neonoir, cujos protagonistas encenam novas possibilidades de uma masculinidade heterossexual em reconfiguração, as quais são vistas como desviantes ou não-preferenciais pelo patriarcado.
Sem Lembranças: O Revisionismo da Narrativa Policial em Amnésia
Lucas Ravazzano de Mattos Batista (UFBA)
Neste trabalho analisaremos o filme Amnésia (2001), dirigido por Christopher Nolan, de modo a demonstrar como o filme questiona elementos tradicionais da narrativa policial, em especial a ideia de objetividade que é constantemente atribuída a este tipo de produto. Primeiramente tentaremos compreender como a narrativa policial tem como elemento central a construção de sentidos que reafirmam o poder da lógica e da racionalidade na resolução de crimes, em seguida partiremos para tratar os modos através dos quais Amnésia questiona esses elementos, em especial a partir da negação da objetividade de evidências físicas.

Vozes periféricas no cinema

19/10/2016 às 16:00 – Sala 8
OLHARES SOBRE A DIVERSIDADE PERIFÉRICA
Nizia Villaça (UFRJ)
O texto pretende focar a temática da periferia pop tão em voga na Idade midiática por meio de rápida análise de características exemplares presentes no filme “Sonhos roubados”, de Sandra Werneck.
Grande parte dos relatos da mídia contemporânea sob a influência do imaginário do capitalismo flexível não apresenta um grau de processualidade que permita refletir sobre as interações entre a sociedade e as instituições estatais e/ou privadas que se dedicam a estas áreas.
O menor no documentário: influências da televisão e do Vídeo Popular
Letizia Osorio Nicoli (UNICAMP)
A comunicação propõe uma análise da representação da figura do menor no documentário brasileiro contemporâneo, identificando sua inserção em uma tradição do audiovisual de não-ficção no país voltada a essa temática. Centramos nosso estudo em títulos de longa-metragem lançados na última década e, para esta comunicação, focaremo-nos em dois exemplos: Falcão, meninos do tráfico (2006), de MV Bill e Celso Athayde, e Juízo (2008), de Maria Augusta Ramos.
A voz das “Mulheres xavantes sem nome”: empoderamento e reivindicação
Felipe Corrêa Bomfim (UNICAMP)
Estudamos o documentário Pi’onhitsi,Mulheres xavantes sem nome (2009), de Divino Tserewahú e Tiago Campos Tôrres. Os atravessamentos no âmbito geracional e de gênero são problematizados no filme diante da impossibilidade de registro de um ritual. Norteados por expedientes na imagem,nos debruçamos sobre as dinâmicas que constituíram a atualização dos símbolos e códigos do ritual Pi’onhitsi, considerando os embates entre manutenção e empoderamento, figurado nas vozes femininas implícitas no filme.

Adaptações II

19/10/2016 às 16:00 – Sala 9
O fantasma de Lessing: a literatura e o cinema segundo Borges
Palmireno Couto Moreira Neto (UFRJ)
Alinhada aos estudos de estética comparada, a apresentação abordará o corpus de referências de Borges ao cinematógrafo para delinear os principais aspectos da aproximação entre a literatura e o cinema realizada pelo escritor argentino, ressaltando as suas considerações sobre as especificidades da imagem e da palavra.
Mar Adentro: literatura e jornalismo como matéria-prima do cinema
Gisele Krodel Rech (Unesp)
Literatura e jornalismo estão intimamente ligados ao cinema, especialmente no que concerne ao ponto de partida para concepção dos roteiros. Mar Adentro, de Amenábar, abarca em sua narrativa referências tanto do jornalismo, que noticia a luta de Ramon Sampedro pela eutanásia, quanto da literatura, cujas referências provêm do livro escrito pelo próprio Sampedro. Neste estudo busca-se identificar em Mar Adentro as apropriações de elementos jornalísticos e literários no ato de escrever com luz.
LETRAMENTO CINEMATOGRÁFICO: UMA NOVA PERSPECTIVA
MARIBEL BARBOSA DA CUNHA (UTP)
Este estudo propõe uma reflexão acerca do letramento cinematográfico, embasando-se nos estudos de Soares (2002), a qual afirma que a tela é um espaço de escrita e de leitura e traz não apenas novas formas de acesso a informações, mas também novas maneiras de ler e escrever. Assim, em uma sociedade em que o audiovisual ganhou espaço, saber ler um filme pode ser tão fundamental quanto ler um texto escrito.
Palavras-chave: Cinema. Letramento cinematográfico. Adaptação literária cinematográfica.

Poéticas do documentário II

19/10/2016 às 16:00 – Sala 10
A ausência e a presença: notas sobre o documentário Histórias Cruzadas
Francisco Alves dos Santos Junior (UFBA)
Integrante do projeto de restauração das obras do cineasta brasileiro Joaquim Pedro de Andrade e encartado como extra no DVD do clássico Garrincha, a Alegria do povo, o documentário Histórias Cruzadas (2008), realizado por Alice de Andrade, resgata a vida pública e privada de Joaquim Pedro, pai da realizadora. A nossa intenção nessa comunicação é entender como a diretora, a partir do entrecruzamento entre a memória intima e a memória coletiva, do uso de arquivos públicos e caseiros e de entrevis
Epistolaridade audiovisual em I for India: uma análise etnobiográfica
Sandra Straccialano Coelho (UFBA)
Inserida no âmbito de uma pesquisa que tem como um de seus objetivos cartografar a produção documental contemporânea na qual têm sido encenadas diferentes experiências migratórias, a presente comunicação se dedica a uma análise etnobiográfica (GONÇALVES, 2012) de “I for India” (2005), primeiro longa documentário de Sandhya Sury. Composto a partir dos arquivos familiares de uma prática epistolar audiovisual que foi estabelecida pelo pai da diretora a partir dos anos 1960, momento em que este migrou com a família para a Inglaterra, o filme apresenta um relato simultaneamente íntimo e universal da experiência migratória. Da análise das particularidades desse dispositivo central utilizado no filme, assim como das principais estratégias que foram utilizadas pela diretora na articulação dos sons e imagens desse “diário” migratório familiar, se tem como objetivo depreender as diferentes dinâmicas de alteridade presentes no filme.
O documentário etnográfico de Fernando Spencer: primeiras impressões
Claudio Roberto de Araujo Bezerra (UNICAP)
Esta comunicação discute a etnografia fílmica do jornalista, crítico e cineasta pernambucano, Fernando Spencer. Parte-se do pressuposto de que mesmo não sendo um etnógrafo no sentido stricto do termo, o diretor praticava uma espécie de etnografia intuitiva, atravessada por afetos. Mesmo apresentando certo rigor da pesquisa historiográfica, tão comum ao documentário tradicional do tipo sociológico, os filmes de Spencer apresentam uma abordagem mais poética e em alguns casos até experimental.

Espacialidade no cinema brasileiro

19/10/2016 às 16:00 – Sala 11
A ESPACIALIDADE EM ÓRFÃOS DO ELDORADO
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
O objetivo deste trabalho é abordar a espacialidade no longa-metragem Órfãos do Eldorado (2015), dirigido por Guilherme Coelho. A análise se concentrará na forma como o espaço é construído, qual o significado de que se reveste, levando-se em conta suas dimensões visuais e sonoras, bem como a relação espaço/tempo. Será abordada a maneira como a dimensão espacial concorre para compor o perfil do protagonista, para expressar suas vivências e estado interior.
CINEMA E ERRÂNCIA: NOTAS SOBRE UM ENCONTRO COM CRIS
Raquel do Monte Silva (FJN)
A proposta do trabalho é esboçar, a partir de uma perspectiva afetiva, um caminho revelado no meu contato com o filme Eles voltam (20011). A ideia é trazer à tona como o cinema pode encenar a experiência da errância, tendo como referência o espaço, o tempo e o corpo evidenciados narrativamente. Deste modo, mergulhada em uma atmosfera singular formou-se uma sistematicidade conduzida por um olhar fenomenológico que incorpora a própria fluidez do trânsito como forma.
A “quebra” do quadro e o corpo abstrato em O Pátio (1959)
Juliana Froehlich (UA/CAPES)
O Pátio (1959), de Glauber Rocha, explora dois corpos, um masculino e um feminino, que se movem sobre um piso de formas geométricas (quadrados) ao mesmo tempo em que interagem entre si e com elementos que os envolvem, como plantas e a linha do horizonte. Assim, a partir das relações entre corpo e elementos da paisagem trabalhados pelo (des)enquadramento e pela montagem do curta, pretende-se fazer uma análise à luz das proposições do Grupo Frente e do movimento Neoconcreto, ambos de raiz abstrata, de modo que se possa estabelecer convergências entre o filme e as obras de arte visuais.

Estéticas da intimidade

19/10/2016 às 16:00 – Sala 12
A intimidade nos filmes Estado de Sítio e Ela volta na quinta
Scheilla Franca de Souza (UFBA)
O objetivo deste trabalho é discutir a questão da representação a partir da intimidade nos filmes Estado de Sítio (2010) e Ela volta na quinta (2014), ambos os filmes realizados dentro do cenário recente de cinema independente brasileiro.
A encenação performativa em Ela Volta na Quinta
Susana Amaral (UFRJ)
A partir dos estudos da performance, este trabalho busca apontar as diferentes maneiras pelas quais o desinvestimento na dicotomia real/ficção presente na encenação de Ela volta na quinta, de André Novais, tensiona certa reivindicação contemporânea de realidade, ao mesmo tempo em que colabora para o redimensionamento do corpo em cena como principal vetor de intensidade e presença, dando forma à uma complexa relação de intimidade entre câmera e personagem e entre espectador e filme.
Rua de mão múltipla: notas sobre “Fantasmas”(2010), de André Novais
Juliano Gomes (ECO-UFRJ)
Desejo analisar a maneira com que o curtametragem “Fantasmas”(2010) cria um curtocircuito de formas, construindo através de sua mise-en-scene uma aguda reflexão sobre o estatuto ontológico das imagens hoje. A partir de uma ficção apartentemente banal, o filme se reconfigura e evoca repertórios variados. O encaramos como uma espécie de fábula sobre o dispositivo cinematográfico, onde o dentro e o fora, direto e indireto, a atividade e a passividade, se colocam em intercâmbio permanente.

O cinema de Adirley Queirós

19/10/2016 às 16:00 – Sala 13
Afrofuturismo e a diáspora negra: uma viagem temporal por imagens
Kênia Cardoso Vilaça de Freitas (UCB)
O trabalho pretende analisar filmes que lidam com a experiência da diáspora negra explorando o universo da ficção especulativa e dos curto-circuitos temporais. As reflexões serão traçadas a partir dos filmes: “Space is the place” (John Coney, EUA, 1974), “Last angel of history” (John Akomfrah, Reino Unido, 1996) e “Branco sai, Preto Fica”, (Adirley Queirós, Brasil, 2014). Nesses filmes, os personagens negros vivenciam processos diaspóricos diversos (geográfica e culturalmente), porém em todos o amalgama entre passado, presente e futuro é um um elemento central da história e da sua potência estética e política. Assim, nós tentaremos entender que perspectiva é essa nesses filmes afrofuturistas: utópica ou distópica? Como eles imaginam e fabulam o passado? Como especulam e alucinam o futuro? Nosso objetivo será o de explorar as especulações e as interseções das temporalidades em cada uma dessas narrativas nas suas respectivas construções das viagens temporais dos seus personagens.
Fábulas fílmicas do povo: A cidade é uma só? e Branco sai, preto fica
Júlio César Alves da Luz (UNISUL)
Procuramos analisar, neste trabalho, o gesto crítico com que Adirley Queirós, em A cidade é uma só? (2011) e em Branco sai, preto fica (2014), ao tensionar documento e ficção na tessitura de suas tramas, investe na fabulação fílmica como potência reveladora a fim de questionar a fratura que divide a cidade e o povo, marcando o reverso de exclusão que cinde a comunidade política e revolvendo um história silenciada, ou mal contada, de modo a recuperá-la e reescrevê-la a partir de baixo.
O futuro em curto-circuito: Branco Sai, Preto Fica
Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia (UNICAMP)
Branco Sai, Preto Fica (2015), de Adirley Queirós, mescla documentário e ficção científica para discutir a cidadania e os direitos civis sob a alça de mira do estado. Este trabalho pretende analisar o referido filme à luz dos conceitos contemporâneos de circuit bending, borderlands science fiction e lo-fi sci-fi.

PAINEL Políticas de produção e distribuição do cinema – Coordenação: Teresa Noll Trindade

19/10/2016 às 16:00 – Sala 14
Central do Brasil: A retomada das coproduções com a França
Belisa Brião Figueiró (UFSCar)
Esta comunicação analisa como o filme “Central do Brasil” (1998), dirigido por Walter Salles e produzido pela Videofilmes, reabriu o caminho das coproduções cinematográficas entre o Brasil e a França a partir da Retomada. O longa-metragem é o principal estudo de caso desta pesquisa, a qual investiga as políticas de internacionalização dos dois países, além de desenvolver um levantamento das coproduções, dos avanços para a cooperação e dos resultados obtidos entre 1998 e 2014.
Entre fatos e boatos: as aventuras de um mitômano no cinema silencioso
Ingrid Hannah Salame da Silva (Unicamp)
Esta proposta busca resgatar a biografia de Eugênio Pignone, um mitômano que, chegando a São Paulo em 1921, vira assunto na imprensa local após engabelar uma família de imigrantes italianos, para logo em seguida divulgar nesses mesmos jornais histórias de sua vida aventurosa. A partir de 1923, Pignone se apresenta como E. C. Kerrigan, e com esse pseudônimo assina a direção de cinco melodramas (quatro longas e um curta metragem) e pelo menos quatro cinejornais e dois naturais, todos silenciosos.
O trailer de cinema no Brasil: assimilação e articulação do formato
Fernanda Jaber (UFSCAR)
Esta comunicação apresenta os dados já coletados e os apontamentos iniciais resultantes de estudo em andamento sobre o trailer de cinema no Brasil. Dentro de uma perspectiva histórica, a pesquisa articula como se deu a relação entre trailer brasileiro e importado ao longo do tempo, com foco entre 1930 e 1950, período em que o trailer importado surge e se insere de forma maciça no contexto nacional.
Produção de bens culturais no Brasil: Pólo Cinematográfico de Paulínia
Cleber Fernando Gomes (UNIFESP)
O Pólo Cinematográfico está localizado na cidade de Paulínia, no interior do Estado de São Paulo/Brasil. Foi inaugurado oficialmente no ano de 2008 e desde então já foi responsável pela produção de mais de 40 filmes brasileiros com repercussão nacional e internacional. Esse complexo cinematográfico brasileiro também sinaliza como uma potente área de criação, profissionalização e educação em bens culturais por que possui duas escolas de formação no campo do cinema, além de conter fenômenos políticos intermitentes.
Relação entre diferentes formatos de produção no mercado exibidor
Cristiane Scheffer Reque (PUCRS)
A proposta é analisar o lançamento nos cinemas dos filmes Flores Raras (2013) de Bruno Barreto, e Castanha (2014) de Davi Pretto. O estudo refere-se às questões extrínsecas que circundam as obras, sob a perspectiva do fato cinematográfico (Metz, 1980). Pretende-se observar o contexto do circuito exibidor nas estreias e as estratégias de comercialização. Quanto à recepção, serão considerados dados da ANCINE e do Instituto Datafolha sobre hábitos de consumo no mercado de entretenimento no Brasil.

20/10/2016


ST Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais – Sessão 3 – Cinema moderno: engajamento, estilos e historiografias

20/10/2016 às 09:00 – Sala 1
As imagens e sons de Leon Hirszman: analisando abordagens da crítica
Pedro Vaz Perez (UFF)
A comunicação busca revisar e sintetizar a esparsa fortuna crítica produzida a partir de filmes isolados e da filmografia de Leon Hirszman com o intuito de investigar de que maneira as escolhas formais e estilísticas do diretor foram objetos da crítica e da academia ao longo das décadas, considerando que são justamente as imagens e sons por ele construídas que fundam sua política e sua visão de mundo.
Actas de Marusia, da palavra à audiovisão
Maria Alzuguir Gutierrez (UfSCar)
A proposta desta apresentação é uma análise do filme Actas de Marusia. A abordagem do filme será feita a partir de uma comparação com o romance que lhe deu origem. Não se trata de uma comparação com juízo de valor, impensável em se tratando de distintos meios. Mas as diferenças entre filme e romance permitem uma reflexão sobre a obra cinematográfica, a partir das opções do diretor na passagem da literatura ao cinema. Alguns aspectos do enredo são transformados, bem como o caráter de algumas das principais personagens. Com isto, há uma mudança de enfoque: do didatismo do relato literário ao caráter épico do filme.

ST Cinema e literatura, palavra e imagem – Sessão 3

20/10/2016 às 09:00 – Sala 2
Escrever para a câmera: a videografia de Marilá Dardot
Carla Miguelote (UNIRIO)
Trata-se de compreender a produção videográfica da artista brasileira Marilá Dardot como uma homenagem aos diversos gestos de escrita, prestes a desaparecer, ou a se tornarem arcaicos, diante da primazia de novos códigos. A partir dos vídeos da artista, são levantadas questões acerca da temporalidade da escrita e da leitura quando inseridas no meio audiovisual, da plasticidade dos signos verbais para além da função de representação, e das diversas modalidades de inscrição e apagamento.
Zaumdata: videoperformance entre escrita e imagem
Fernando Gerheim (UFRJ)
A videoperformace Zaumdata (2015) foi criada contra o fundo de uma reflexão sobre os limites entre imagem e escrita. Entrecruzando videoarte, cinema e imagem numérica, a obra incorpora a própria tela à imagem, e torna a imagem, por sua vez, objeto. Além de apontar para esta dualidade, característica da arte do vídeo, Zaumdata incorpora a multiplicidade de telas da mídia contemporânea e o cinema como linguagem. Opõe a montagem eisensteniana a uma montagem benjaminiana, e amplia as possibilidades da montagem sequencial cinematográfica pela espacializacão, característica da montagem entre múltiplas janelas ou telas do vídeo. Com tablets presos ao rosto por toucas ninja e meias-calça, como máscaras, Zaumdata confronta Big-Data e poesia Zaum. No cruzamento entre videoarte, cinema e imagem numérica, o som pré-linguístico de um bebê permite refletir sobre o limiar entre imagem e linguagem e a concepção de escrita icônica de Anne-Marie Christin.
Projet’ares Audiovisuais v.5 [montagem, sci-fi & motion graphics]
MILENA SZAFIR (UFCE)
Visamos dialogar junto a esse novo seminário temático, pesquisas que temos desenvolvido ao longo dos últimos quinze anos: “cinema e literatura” pensados desde obras no gênero da fantasia e ficção científica, “palavra e imagem” analisadas e trabalhadas também na prática [entre a teoria e a experiência estética] em realizações de videoarte, videoinstalação, performances audiovisuais, filme-ensaio e vídeo-remix na transdiciplinaridade com os estudos de motion graphics [design em movimento].

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil – Sessão 3

20/10/2016 às 09:00 – Sala 3
A história dos fabricantes de projetores cinematográficos no Brasil
Rafael de Luna Freire (UFF)
Esta comunicação investiga um aspecto talvez nunca discutido em profundidade pelos historiadores do cinema brasileiro: a história das empresas brasileiras fabricantes e montadoras de projetores cinematográficos. A lacuna desse tema em nossa historiografia pode ser explicada por dois motivos: a escassez de estudos sobre a história da exibição e dos exibidores cinematográficos no Brasil e o igualmente parco interesse por estudos econômicos e tecnológicos do passado do cinema brasileiro. Assim, essa comunicação visa abordar a história de uma das mais importantes indústrias do setor cinematográfico no Brasil, mas que se desenvolveu prestando serviços e oferecendo produtos ao setor da exibição. Apontaremos como foi com o advento do som que suscitou o desenvolvimento inicial de um conjunto de empresas brasileiras de fabricação de projetores cinematográficos, entre as quais destacaremos as três pioneiras: Cinephon (RJ, 1930), Phonocinex (SP, 1931) e Cinetom (RJ, 1932).
Afeto, comunico: experimentando Emile Reynaud
Gilberto Caserta (Uniso)
Relato do processo de experimentação ao recriar um modelo de zootrópio, brinquedo ótico do século XIX. A investigação procura aproximar-se do artista Emile Reynaud, que impulsiona sua trajetória criativa ao perceber que poderia desenvolver uma versão mais eficiente do aparelho.
O performer-espectador entre a imagem e o som do projetor de Frampton
Wilson Oliveira da Silva Filho (UNESA)
A partir do trabalho experimental performance/conferencia de Hollis Frampton sobre a poética da projeção “Uma conferencia” (A lecture) de 1968 tentamos pensar nesse trabalho duas questões a seguir: uma análise da obra em seu contexto estruturalista e uma atualização em curso em nossa pesquisa sobre projeções em tempo real ou live cinema. Retornar ao conceito de performance, as relações ou trocas num sentido mcluhaniano entre som (na narração de Michael Snow no experimento de Frampton) e imagem na obra em análise e propor através dos estudos de cinema ao vivo uma nova forma de se projetar e performar o projeto constituem nossos objetivos desse fundamental estudo sobre o projetor, o performer e o participador. De certa forma nossa hipótese parte de um pensamento e de um gesto ou poética das projeções live. O performer-espectador e as trocas entre o olho e ouvido em uma re(leitura) de “Uma conferencia” de Hollis Frampton pode nos ajudar a compreender o live cinema.

ST O comum e o cinema – Sessão 3

20/10/2016 às 09:00 – Sala 4
Permanência, luto e elaboração em Orestes: uma proposição histórica
Cláudia Cardoso Mesquita (UFMG)
Se o Brasil “nunca foi um país”, mas uma “fenda”, na expressão de Vladimir Safatle (2016), como elaborar, no cinema, uma narrativa comum a respeito de nossa história recente? Essa comunicação se destina, de forma mais geral, à reflexão sobre o modo como o filme Orestes (2015), de Rodrigo Siqueira, concebe e propõe uma forma histórica, ao colocar em relação crimes da ditadura militar (1964-1985), a violência policial hoje no Brasil e o mito grego de Orestes.
Na experiência do limite, o ser, tal qual importa: The Act of Killing
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
No documentário de Joshua Oppenheimer, “The Act of Killing” (2012), a presença de um estado de coisas subverte e se torna espetáculo de sua própria reflexão crítica. Em cena, confundido a própria história com a história de suas fantasias, personagens de um passado tão recente quanto nebuloso da Indonésia, apontam para o sentido do limiar como experiência do limite, palco de tensões e possíveis dobras sobre o tempo.
A catástrofe e o “tempo do depois” em Béla Tarr
Daniel Soares Abib (UFRJ)
O trabalho busca refletir sobre as figuras da catástrofe que se revelam nos filmes do cineasta húngaro Béla Tarr. Pelos trabalho de Déborah Danowski, Eduardo Viveiros de Castro, Giorgio Agambem e Peter Pál Pelbart tenta estabelecer uma relação entre as perpectivas cada vez mais estreitas do contemporâneo com o que Jacques Rancière denominou como o “tempo do depois”, no cinema de Tarr. Perguntam finalmente, como tornar sensível essa catástrofe ambiental e “existencial” e como habitá-la.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 3

20/10/2016 às 09:00 – Sala 5
Cristologias heterodoxas em Luis Buñuel e Glauber Rocha
Mateus Araujo Silva (ECA-USP)
A comunicação discute o lugar de Luis Buñuel na gênese da cristologia de Glauber Rocha. Esta foi se delineando aos poucos nos textos e nos filmes de Glauber, do ensaio “A moral de um novo Cristo” (1966) ao célebre depoimento “O Cristo-Édipo” (1981) sobre Pasolini, da iconografia de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) até a dramaturgia de A Idade da Terra (1980), fundada na concepção de um cristianismo do terceiro mundo.
O diálogo crítico de Glauber Rocha e Walter da Silveira
Claudio Leal (USP)
Este trabalho propõe uma revisão do diálogo entre o crítico Walter da Silveira, fundador do Clube de Cinema da Bahia, e o cineasta Glauber Rocha, nos anos 50 e 60 em Salvador (BA). Silveira era apontado pelo discípulo como um dos três teóricos decisivos para o Cinema Novo, ao lado de Alex Viany e Paulo Emílio Salles Gomes. Os impactos da formação cinéfila são sentidos na maturação teórica do cineasta.
Imagem, palavra e neonaturalismo em Cláudio Assis
Bruno Leites (UFRGS)
Este trabalho investiga certa dimensão teórica em entrevistas e filmes de Cláudio Assis. Vemos nas imagens um gosto pelas deformações, pelos pedaços e pelos resíduos de corpos, que podemos chamar de plasmaticidade do retorno ao inorgânico, aproveitando conceito de S. Eisenstein. Contudo, há também em Cláudio Assis um recorrente apelo à palavra especulativa, que atribui sentido à imagem e dá testemunho da dimensão irrepresentável que o realizador insiste em ver como fundamento da doença.

ST Cinemas em português: aproximações – relações – Sessão 3

20/10/2016 às 09:00 – Sala 6
Contribuição para a história do cinema em Cabo Verde
Jorge Luiz Cruz (UERJ)
Com a principal intenção de contribuir para a elaboração de uma história do cinema em Cabo Verde, neste trabalho, analisamos alguns documentos oficiais que tratam do audiovisual no país e discutimos questões relativas ao processo de constituição desta cinematografia e da sua circulação nos dias de hoje.
Quem filma hoje o Estado-nação na Guiné-Bissau?
Catarina Laranjeiro (CES-FEUC)
“O Regresso de Cabral” foi filmado por Sana N’Hada em 1978, podendo ser considerado um filme de propaganda do I Governo da Guiné-Bissau. “A Lei da Tabanca” é um filme amador realizado por Bigna Tona, sem qualquer apoio financeiro. Se o primeiro é um filme que ativa mecanismos para a construção da Guiné-Bissau enquanto Estado-Nação, partilhando repercussões ideológicas com o governo-partido da época, o segundo procura denunciar o papel regulador e opressor do Estado que se mantém até hoje.
Cinefilia e cultura cinematográfica na Guiné-Bissau
Paulo Cunha (CEIS20-UC)
Na situação actual de cinema informal e alternativo em relação aos meios mais convencionais, a experiência cinematográfica na Guiné-Bissau tem-se vindo a reconfigurar. Influenciado pelas práticas produtivas de países africanos com iguais limitações técnicas e financeiros, a produção e exibição guineense tem evoluído numa lógica de autodidatismo e empreendedorismo. Neste trabalho pretendo analisar e reflectir sobre a situação cinematográfica da Guine-Bissau desde o colonialismo até à actualidade.

MESA Experimentações estéticas: entre cinema, pintura e videoinstalação

20/10/2016 às 09:00 – Sala 7
A iconografia do sofrimento na pintura e no cinema: Goya e Godard
Gabriela Machado Ramos de Almeida (ULBRA)
Este trabalho se propõe a compreender a apropriação da obra do pintor espanhol Francisco de Goya feita por Jean-Luc Godard na série História(s) do cinema, a partir dos conceitos de legibilidade e visibilidade segundo Georges Didi-Huberman. Parte-se da premissa de que há uma iconografia do sofrimento em Goya que interessa a Godard, convocada especialmente nos momentos da série em que o cineasta questiona a ausência do cinema na representação de catástrofes do século XX.
Entre a paisagem e a natureza – o cinema de Rose Lowder
Lucas de Castro Murari (UFRJ)
Este trabalho busca analisar como os filmes da cineasta Rose Lowder friccionam elementos pictóricos e vice-versa. Os parâmetros de investigação delineados são os procedimentos cinematográficos que ressaltam as qualidades estéticas e visuais. O estudo sobre paisagem e cinema experimental será recorrido como forma de estudar a obra da cineasta em questão.
Diálogos entre o cinema e a videoinstalação na obra de Harun Farocki
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Este trabalho apresenta uma análise das videoinstalações “Serious Games” (2010) e “Parallel” (2014), do artista alemão Harun Farocki, obras que exploram a produção e distribuição de imagens originadas por tecnologias digitais. O objetivo é investigar a possibilidade de criação de imagens capazes de superar os modelos de representação da realidade instituídos pela pintura, pela fotografia e pelo cinema e o uso de tecnologias de projeção para além do dispositivo cinematográfico.

Cinema brasileiro: história II

20/10/2016 às 09:00 – Sala 8
As “Proezas de Satanás” e os “efeitos de magia” no cinema brasileiro
Simplicio Neto Ramos de Sousa (ESPM)
Na representação do fantástico no nosso cinema destaca-se “Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz” (1968) de Paulo Gil Soares, sobre a chegada do Demônio ao Sertão. Filmagem em locação, luz natural, e procedimentos “realistas”, se unem a jump-cuts “anti-ilusionistas”, explorando, contraditoriamente, mundos imaginários. Levantamos a questão de como “faux raccords” podem ser usados mais como os “special effects” do cinema de gênero, “efeitos de magia” e imersão, a partir de uma análise fílmica
A presença da ética modesta no cinema direto paraibano dos anos 1980
Bertrand de Souza Lira (UFPB)
No início da década de 1980, a estilística do cinema direto ganha força na Paraíba com a instalação dos ateliês Varan em João Pessoa e a vinda de documentaristas franceses para a formação de jovens realizadores. Nossa proposta é analisar o curta Sagrada Família (Everaldo Vasconcelos, 1981), que inaugura a ética modesta no cinema documental paraibano ao apontar sua câmera não para um Outro distante, mas para a intimidade do próprio realizador, numa imersão dolorosa no seu universo familiar.
O ESTATUTO DO ROTEIRO EM MARÇAL AQUINO E LUIZ FERNANDO CARVALHO
Cristiane Passafaro Guzzi (UNESP/FCLAr)
Pretendemos cotejar o movimento apreendido pela poética do cineasta Luiz Fernando Carvalho, com o trabalho realizado pelo escritor e roteirista Marçal Aquino em suas parcerias fílmicas com diversos diretores. Nossa proposta busca estabelecer, entre ambos, relações quase antagônicas: Carvalho, cineasta, concebe o roteiro com características próximas ao texto literário, enquanto que Aquino, escritor, concebe o roteiro mais parecido com uma partitura cinematográfica.

Corpo, mise-en-scène e gênero

20/10/2016 às 09:00 – Sala 9
Compromisso e vulnerabilidade no díptico gay-hétero de Andrew Haigh
RODRIGO RIBEIRO BARRETO (UFSB)
O trabalho aborda questões de estilo e autoria na trajetória do diretor, roteirista, editor e produtor Andrew Haigh. É proposta uma análise conjunta dos longas-metragens Weekend (2011) e 45 Anos (2015), pressupondo-se complementaridade, temática e estrutural, entre as duas obras. A abordagem busca ainda relacionar conteúdos e aspectos estéticos com as posições galgadas pelo realizador no campo audiovisual e com novas vertentes do cinema LGBT, das quais Haigh é um representante de destaque.
A mise-en-scène como construção de metáforas em Fresa y Chocolate
Marina de Morais Faria Novais (UFMG)
A proposta da pesquisa é investigar de que forma os cenários, personagens e objetos de cena constroem metáforas audiovisuais no filme Fresa y Chocolate (1994), dirigido por Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío. O filme, que conta a história de um jovem do Partido Comunista em Cuba, utiliza construções através da mise-en-scène como forma de provocar conflitos entre o comunismo e sua intolerância homossexual e religiosa, além de trazer à tona críticas à sociedade cubana.
Corpo, deslocamento e memória em Chocolat e Venus Negra
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Este artigo analisa os possíveis desdobramentos discursivos em torno da representação do corpo feminino no cinema a partir de Chocolat, Claire Denis, e Vênus Negra, Abdellatif Kechiche. Buscaremos entender de que forma o cinema intercultural se faz dispositivo de representação de uma história cultural e memória, precisamente por meio do papel que o corpo (objeto de desejo, lugar de resistência, fronteira cultural e étnica, vestígio de história e memória) dos personagens femininos desempenha.

Ficção seriada

20/10/2016 às 09:00 – Sala 10
Love: quando a comédia romântica encontra a ficção seriada
CAROLINA OLIVEIRA DO AMARAL (UFF)
Este artigo pretende entrelaçar os estudos sobre o gênero comédia romântica e a produção de ficção seriada, através da análise da série de comédia Love. Produzida por Netflix, Love se distancia do formato sitcom, ao mesmo tempo em que recria típicos passos de uma comédia romântica em temáticas de episódios. Além da análise textual, tal proximidade se complementa pelas particularidades do streaming, a noção de “ciclos de produção” e a chamada “Era de ouro da TV”.
Reflexividade na obra televisual de Charlie Brooker: caso Black Mirror
Letícia X. L. Capanema (FIAMFAAM)
Esta comunicação objetiva analisar a reflexividade presente na obra televisual de Charlie Brooker, escritor, satirista e produtor britânico, especialmente em sua última série de ficção, Black Mirror (2011-2014), exibida pelo Channel 4. A partir desse estudo, pretende-se discutir sobre as relações entre autorreferência e complexidade na ficção televisual, por meio do exame de estratégias narrativas como as construções em abismos.
STAR TREK: 50 ANOS. IMAGEM COMETA E A PARTILHA DA ACEITAÇÃO
Ricardo Tsutomu Matsuzawa (UAM)Ivan Ferrer Maia (UAM)
Esta comunicação tem o objetivo de abordar o modo como a série de televisão Star Trek (1966) e as suas produções derivadas discutem e apresentam temas como preconceito racial e xenofobia, por meio de narrativas estéticas, imagens intermitentes e composições plásticas estruturadas pela Direção de Arte e pela Fotografia. São imagens cometas que atravessam o horizonte, eclodem como bola de fogo, de cunho social que levantam questões sobre discriminação, produzidas em pleno período da Guerra Fria.

Experiências com filme-educativo

20/10/2016 às 09:00 – Sala 11
A Política da Boa Vizinhança e os Filmes Educativos de Julien Bryan (1940-1945)
Darlene J Sadlier (IU Bloomington)
Meu estudo focaliza a obra de Julien Bryan, cineasta contratado por MoMA em 1940 para avançar a política da boa vizinhança, conforme concebida pelo Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (CIAA). Considero os filmes de Bryan no contexto do trabalho do MoMA com o CIAA, para mostrar a importância que foi dada pela agência aos filmes educativos como meio de propaganda. Minha análise examina como os tópicos que Bryan selecionou responderam aos requisitos do CIAA de promover a modernidade da América Latina e as semelhanças entre os povos e as nações de todas as Américas.
Cinema colonial na África Britânica: aspectos positivos e negativos
Tiago de Castro Machado Gomes (UFF)
Na África colonial, os britânicos implementaram unidades cinematográficas (film units) responsáveis por produzir e difundir filmes pensados em termos formais e de conteúdo especialmente para os súditos coloniais. Tendo o Bantu Educational Kinema Experiment (1935-1936) e a Colonial Film Unit (1939-1955) como objetos de estudo, determinaremos alguns dos aspectos positivos e negativos da empreitada cinematográfica colonial britânica no continente africano.
Hanseníase no cinema: deslocamentos políticos em vídeos de um acervo
Luiz Augusto Coimbra de Rezende Filho (UFRJ)Marcia Bastos de Sá (UFRJ)
Este trabalho apresenta resultados finais de uma pesquisa sobre a produção audiovisual científica e educativa brasileira em Hanseníase, em acervos audiovisuais. Apresentamos uma análise de mais cinco vídeos sobre a doença. Como já apontado, o cotejamento dos principais enunciados das obras indica deslocamentos gradativos das políticas, das práticas discursivas e não discursivas em relação à doença. Nesta série de vídeos, enunciam-se questões relacionadas à capacitação dos profissionais de saúde.

Olhar e dispositivo

20/10/2016 às 09:00 – Sala 12
Ambiências das imagens técnicas nos filmes de horror found footage
Ana Maria Acker (UFRGS / ULBRA)
A proposta discute processos teóricos e metodológicos da tese O dipositivo do olhar no cinema de horror found footage, que está em finalização. Entre os objetivos, a pesquisa cruza concepções acerca da experiência estética, imagem técnica e ambiência, em uma perspectiva do conceito de Stimmung, de Hans Ulrich Gumbrecht (2014). O realismo dessas obras tangencia uma ontologia pós-fotográfica (ELSAESSER, 2015), na qual percepções espaciais, de tempo, do mundo e seus objetos são ainda mais difusas.
A jornada dos heróis-cineastas em “A visita”
Álvaro André Zeini Cruz (UNICAMP)
Este trabalho irá analisar as figuras dos dois personagens-cineastas protagonistas do filme “A Visita” e, a partir deles, investigar os olhares que se opõem – o que vê e o que mira –, bem como as formas como eles interagem, interferem e transformam um ao outro. A metalinguagem, vital ao filme, propiciará, portanto, discussões sobre mise en scène, estilo e sobre o próprio estatuto da imagem.
Convergências com a Psicanálise no foco narrativo de Beleza Americana
Antonio Marcos Aleixo (FFLCH-USP)
Em uma convergência entre a psicanálise e as técnicas analíticas oriundas da crítica de cinema, efetuamos, na presente comunicação, a análise do foco narrativo de Beleza Americana (Sam Mendes, 1999), o qual interpretamos como o resultado formal de um “olhar melancólico”. Nosso objetivo é expor alguns passos dessa análise, de modo a ressaltar um “saber” depositado no ponto de vista que o filme constrói.

PAINEL Voz, silêncio, música e ruído: problemas sonoros – Coordenação: Glauber Resende Domingues

20/10/2016 às 09:00 – Sala 13
A ESTÉTICA DO SOM FÍLMICO:ANÁLISES DO RUÍDO NA OBRA DE LUCRECIA MARTEL
ROBERTA AMBROZIO DE AZEREDO COUTINHO (UFPE)
Este artigo propõe uma reflexão sobre a dimensão sônica da experiência estética fílmica sob a luz do conceito de “Hiper-realismo sonoro”, o qual será aplicado à análise metodológica da exploração peculiar do ruído no cinema de Lucrecia Martel. Parte-se da hipótese de que tal uso expressivo deste elemento subverta a lógica da linguagem cinematográfica atual, a qual ao priorizar a imagem acaba por subjugar a potência expressiva sonora a um papel passivo na produção do sentido fílmico.
A voz como objeto sonoro: flutuações vocais em Família Rodante
Debora Regina Taño (UFSCar)
Partindo do filme Família Rodante (Pablo Trapero, 2004), analisaremos quais formas e espaços a voz ocupa no cinema. Observando-a como um elemento sonoro e com diferentes bases teóricas, podemos encontrar flutuações da fala, que alterna entre “relevante” e “periférica” a cada momento, criando, assim, diferentes relações entre ela e a construção dos personagens, o desenvolvimento narrativo e a polifonia de sonoridades e significações.
O som e o silêncio como recursos narrativos no documentário Sopro
Raphaela Benetello (UFJF)
O trabalho pretende apresentar uma análise do longa-metragem Sopro (2013, 35mm) de Marcos Pimentel e como o som e o silêncio presentes constituem elementos relevantes na construção narrativa.
Silêncio e Sinestesia na Narrativa Cinematográfica
Yasmin Pires Ferreira (UFPA)
A presente pesquisa tem como objetivo investigar o potencial sonoro das imagens tidas como silenciosas do cinema “mudo” e contemporâneo. Assim, através de uma abordagem da sinestesia, o trabalho sugere por meio da análise de exemplos que enquanto os filmes silenciosos lançavam mão de recursos imagéticos para representar o som, os contemporâneos o fazem através de elementos audiovisuais para representar o silêncio.
Som off e imagem no filme Viajo porque preciso, volto porque te amo
Sabrina Barros Ximenes (UFC)
Esse trabalho visa explorar a questão da voz off presente no universo do filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz, categorizando-o como um filme-carta. O filme é todo composto por uma narrativa pessoal, ensaística, constituído por várias cartas e anotações pessoais do personagem José Renato. Pensando a relação da voz off e dos filmes-cartas e de uma perspectiva um tanto experimental nesse filme em questão, que passeia por diversos dispositivos do cinema como referências.

PAINEL Gêneros em desconstrução – Coordenação: Scheilla Franca de Souza

20/10/2016 às 09:00 – Sala 14
A gravidez no filme Olmo e a Gaivota: cinema híbrido e intimidade
Bárbara de Pina Cabral (UnB)
Os estudos de gênero no cinema vem se consolidando desde as décadas de 1960 e 1970. Deste modo, a representação da mulher na cinematografia é compreendida como uma possibilidade dos estudos de gênero, pois permite a compreensão de imaginários em relação ao que foi identificado como feminino. Diante deste contexto, o filme Olmo e a gaivota (2015), de Petra Costa e Lea Glob aparece como elucidação a problemática da representação da gravidez como experiência complexa e subjetiva.
Mad Max: Masculinidades em crise e nuances homoeróticas em Wasteland
Andressa Gordya Lopes dos Santos (UNICAMP)
Uma ode à masculinidade e, ao mesmo tempo, uma crítica, a saga Mad Max de George Miller é a obra do clássico herói que simultaneamente mostra-se anti-herói. Sua relação com os carros, com a potência quase erótica do ronco dos motores ovaciona a imprudência masculina. Como um ícone da modernidade convincente, o carro encapsula a impaciência e a irracionalidade da masculinidade contemporânea. Porém, ao mesmo tempo em que a virilidade se afirma, sutilmente há elementos que a desconstroem.
Napoleã do Crime: Implicações da Mudança de Gênero em Moriarty
Larissa Bougleux (UFSC)Maria Eduarda Rodrigues (UFSC)Fabio Coura de Faria (UFSC)
Este estudo abordará a subversão ecoada pela adaptação do personagem Moriarty da literatura do séc. 19 para a televisão do séc. 21. Através da análise, no âmbito literário, de James Moriarty, em O Problema Final (1893) de Conan Doyle, e, no âmbito televisual na série Elementary (2012-), da versão feminina do personagem, Jamie Moriarty, investigaremos implicações políticas trazidas por essa mudança de gênero.

ST Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais – Sessão 4 – Experimentalismos e política

20/10/2016 às 11:00 – Sala 1
Suspensões do tempo: o super8 no Brasil e México na década de 1970
Marina da Costa Campos (USP)
Esta exposição visa apresentar as aproximações entre a produção superoitista do Brasil e do México na década de 1970, a partir da articulação entre pesquisa histórica e análise fílmica. Aqui, focaremos na discussão de dois filmes: Exposed (Edgard Navarro, 1978) e La segunda primera matriz (Alfredo Gurrola, 1972). O intuito é refletir de que maneira esses filmes utilizam o experimentalismo para abordar questões latentes de sua época, no caso a repressão e a ditadura.
“O TERCEIRO MUNDO VAI EXPLODIR!”: O CINEMA DE SGANZERLA À LUZ DE FANON
ANNA KARINNE MARTINS BALLALAI (UFJF)
O objetivo deste trabalho é investigar a influência do pensamento do psiquiatra, filósofo e ativista Frantz Fanon no cinema de Rogério Sganzerla. A hipótese é a de que podemos compreender o longa-metragem Copacabana Mon Amour (Sganzerla, 1970) como uma adaptação à realidade brasileira do livro derradeiro de Fanon, “Os condenados da terra”. A influência do pensamento de Fanon também se encontra nos demais filmes da Belair, e em filmes anteriores, como O Bandido da Luz Vermelha (Sganzerla, 1968).
Frantz Fanon e o cinema latino-americano moderno pós-1968
Estevão de Pinho Garcia (USP / IFG)
Quando se destaca a contribuição do pensamento de Frantz Fanon e, principalmente, de sua obra Os condenados da terra, ao cinema latino-americano moderno, logo pensamos nos cineastas envolvidos pela esfera do Nuevo Cine Latinoamericano. De fato, é bem nítida a influência de Fanon nos manifestos A estética da fome, de Glauber Rocha e Hacia un tercer cine, de Fernando Solanas e Octávio Getino. Assim como é clara a sintonia ao autor antilhano nos filmes desses realizadores diretamente vinculados a e

ST Cinema e literatura, palavra e imagem – Sessão 4

20/10/2016 às 11:00 – Sala 2
As cinzas das letras: o cinema e os escritores europeus do pós-guerra
Pablo Gonçalo Pires de Campos Martins (UNILA)
Apresentaremos as inquietações comuns das obras cinematográficas de Peter Weiss, Samuel Beckett, Marguerite Duras, Robbe-Grillet, Pier Paolo Pasolini, Georges Pérec e Peter Handke. Influenciados pelo mesmo contexto histórico, esses escritores passaram a elaborar roteiros, reflexões teóricas sobre o cinema, além de atuarem como diretores em diversas obras. Nesse recorte nos guiaremos pelos seguintes eixos de análise: escrita e mídia; ekphrasis e locações e o surgimento do escritor performático. No decorrer da apresentação focaremos tanto na trajetória desses autores como a análise mais detalhada de trechos dos filmes que foram por eles dirigidos. Em foco, os trânsitos e as relações intermediais entre palavra e imagem que esses escritores criaram dentro dos seus próprios filmes.
Aloysio Raulino, leitor de Borges
Glaura Cardoso Vale (UFMG)
Conhecidamente, um dos traços de Jorge Luís Borges é o de criar espelhamentos, o eu e o outro imbricados numa trama labiríntica na qual o ler e o escrever são processos marcados pela reversibilidade. Igualmente labiríntico, Inventário da Rapina (1986), de Aloysio Raulino, coloca em movimento esses dois gestos, presentificados na tela pela grafia, pelo livro, pela leitura em voice over, friccionando cinema e literatura. É sobre esse movimento que esta apresentação versará.
Tensões/torções entre corpo, palavra e imagem em obras contemporâneas
Gabriela Semensato Ferreira (UFRGS)
Neste trabalho discute-se a tensão e a torção geradas por possíveis relações entre corpo, palavra e imagem em duas obras: Jogo Duplo, (2007), de Sophie Calle, e Elena (2012), filme dirigido por Petra Costa. Investigam-se as duplicidades, ou multiplicidades, propostas nesses textos, a partir do uso de nomes próprios, da presença/ausência de personagens, e dos traços autobiográficos, mas potencialmente autoficcionais, que esses jogos artísticos engendram.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil – Sessão 4 – Palestrante convidado: Luiz Gonzaga Assis De Luca (Cinepolis Brasil/FENEEC)

20/10/2016 às 11:00 – Sala 3

ST O comum e o cinema – Sessão 4

20/10/2016 às 11:00 – Sala 4
Eduardo Coutinho, os camponeses e os rastros de histórias esquecidas.
Patricia Furtado Mendes Machado (UFRJ)
Propomos uma análise estética e histórica das imagens realizadas por Eduardo Coutinho em 1962 e retomada em Cabra Marcado para Morrer (1984). Analisaremos a tomada, o que se produz da relação entre o cineasta e os camponeses, assim como o que se produz desse gestos: inscrições na película de gestos, expressões e olhares de quem foi filmado. Cruzaremos os arquivos visuais a documentos da polícia política a fim de reescrever histórias de homens e mulheres comuns que foram sufocadas pela ditadura.
A política e a partilha do comum em O fundo do ar é vermelho
Julia Gonçalves Declié Fagioli (UFMG)
Nesse trabalho, propomos analisar alguns trechos de O fundo do ar é vermelho, a partir de uma perspectiva que leva em consideração a possibilidade de construção de uma nova visibilidade através da montagem e, ainda, do gesto político implicado na escolha de ponto de vista do cineasta militante. O filme escolhido é exemplar por permitir a ampliação da concepção de um contexto político através das imagens e a reconfiguração de uma experiência por meio da montagem dos arquivos.
O método investigativo de Henry-François Imbert
Mili Bursztyn de Oliveira Santos (PPGCOM ECO UFRJ)
Em No passaràn, Album Souvenir (França, 2003), Henri-Fraçois Imbert investiga, a partir da descoberta de uma série de postais, a entrada na França, em 1939, de 500 mil refugiados espanhóis fugidos de Franco. Para extrair das imagens pistas que revelem a natureza dos eventos e o destino das pessoas nelas retratadas, Imbert apresenta um método investigativo que prioriza a análise minuciosa dos postais, evidenciando a relação entre memória e história, entre a vida comum e o evento histórico.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 4

20/10/2016 às 11:00 – Sala 5
Decisão-tomada: um conceito para pensar a prática do documentarista
Jair Giacomini (Unisc)
Decisão-tomada é um conceito teórico que proponho para pensar o documentário a partir da experiência do diretor. O conceito foi formulado durante a produção de minha tese de doutorado, cuja metodologia incluiu a realização de um documentário dirigido por mim. À experiência vivenciada foram articuladas perspectivas de Fernão Pessoa Ramos, para quem a tomada é o cerne da reflexão documentária, e de David Bordwell, que estuda o ofício do diretor a partir das decisões que este toma.
Visionários: cinema como convergência de estudos práticos e cinefilia
Luis Fernando Severo (UTP)
Reflexão sobre os processos criativos empregados na realização do documentário experimental Visionários (2002), evocando as diversas influências que nele convergiram a partir do contato com filmes, realizadores, teóricos e pesquisadores, ocorrido na Cinemateca de Curitiba durante seus primeiros anos de existência. A busca de uma estética do sensível e de uma poética cinematográfica no campo do documentário. Revisão desse processo à luz da obra de teóricos e críticos contemporâneos.
Traços teóricos na obra documental de Joaquim Pedro de Andrade
Eduardo Tulio Baggio (Unespar)
Em continuidade ao estudo da obra documental de Joaquim Pedro de Andrade apresentado no encontro da Socine de 2015, o objetivo da comunicação é apontar e analisar os traços teóricos presentes nos filmes documentários do cineasta. O método proposto é o que considera objetos da investigação tanto os filmes do diretor quanto as manifestações das ideias deste. A apresentação da comunicação será um ensaio audiovisual, reforçando a proposta de trabalhar o potencial teórico que surge desta linguagem.

ST Cinemas em português: aproximações – relações – Sessão 4

20/10/2016 às 11:00 – Sala 6
O homem que desafiou o facínora: o assassinato do “general sem medo”
Aparecida de Fátima Bueno (USP)
Dando sequência a minha pesquisa sobre a produção filmográfica portuguesa de revisitação do salazarismo, minha proposta é analisar dois filmes: o documentário Humberto Delgado: obviamente assassinaram-no, de 1995, de Teresa Olga e Diana Andringa, e o thriller Operação Outono, de Bruno de Almeida, de 2012. Ambos trazem ao primeiro plano a história do assassinato pela PIDE do principal opositor de Salazar que, entre as décadas de 1950 e 1960, desafiou publicamente o ditador português.
A desconstrução do oásis de paz português na perspectiva do forasteiro
Márcio Aurélio Recchia (FFLCH – USP)
Pretendo apresentar algumas reflexões levantadas em minha pesquisa de mestrado a partir dos seguintes objetos de estudo: o filme Fantasia Lusitana (2010), de João Canijo, e o romance O ano da morte de Ricardo Reis (1984), de José Saramago. Tanto o filme quanto o romance desconstroem a imagem de um Portugal perfeito e harmônico divulgado pela propaganda salazarista através da percepção externa, seja do lusitano ausente por 16 anos, seja do estrangeiro que usa Lisboa como rota de fuga do nazismo.
O social, o histórico e o estético nas paisagens do cinema português
Filipa Raposo do Amaral Ribeiro do Rosário (CEC-FLUL)
Nesta comunicação, procurarei apresentar três hipóteses de relação entre personagem e paisagem no cinema português dos últimos 50 anos: a personagem (I) desconhece e descobre a paisagem, (II) habita a paisagem sem lhe pertencer, (III) pertence à paisagem, sem dela conseguir escapar. Serão referidos filmes de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Pedro Costa, entre outros. Deste modo, compreender-se-á de que forma o social e o histórico são tornados estéticos por via da paisagem no cinema português.

MESA As pesquisas em direção de arte no cinema contemporâneo

20/10/2016 às 11:00 – Sala 7
A paisagem potencializando a atmosfera filmica no cinema brasileiro
India Mara Martins (UFF)
O objetivo deste artigo é refletir sobre a representação da paisagem no cinema contemporâneo brasileiro e sua capacidade de potencializar determinadas atmosferas. O cinema contemporâneo brasileiro, de ficção e/ou não ficção, tem apostado na representação de paisagens muito diversas, do sertão nordestino às grandes cidade. O que estes filmes têm em comum é a representação da paisagem como expressão de uma reivindicação política através das opções estéticas que valorizam e refletem sobre o espaço.
A estética da gambiarra no cinema brasileiro contemporâneo
Iomana Rocha de Araújo Silva (UFPA)
Analisando aspectos que seriam próprios da direção de arte, busca-se observar como se dá, nos filmes brasileiros contemporâneos, a utilização inventiva e poética de elementos visuais criados plasticamente por meio de gambiarras e dotados de forte poder alegórico. Para exemplificar essa proposta estética, serão observados os filmes Branco sai, preto fica (Adirley Queirós, 2014) e Animal Político (Tião, 2016), nos quais utiliza-se do recurso da gambiarra para produzir seus universos ficcionais
Presença da direção de arte nos cursos de cinema e audiovisual latina
TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD (UNILA)
Este artigo apresenta uma proposta de mapeamento do ensino de direção de arte nos cursos superiores de cinema e/ou audiovisual da América Latina. Partimos do reconhecimento dos avanços da pesquisa acadêmica nesse campo para questionar se é verificável alguma repercussão de tais discussões junto ao pensamento-criação audiovisual no âmbito dos espaços de formação superior em cinema e/ou audiovisual latino-americanos.

Cinema brasileiro contemporâneo II

20/10/2016 às 11:00 – Sala 8
A construção da atuação no filme “Tatuagem”, do diretor Hilton Lacerda
maria alice lucena de gouveia (PUC-SP)
Nesse artigo iremos analisar a atuação do filme “Tatuagem”, 2013, do diretor Hilton Lacerda. Levaremos em consideração três diferentes formas de mise-en-scène construídas no filme e sua relação com os atores. O filme se estrutura a partir de três vetores. Um teatro de revista, “Chão de Estrelas”, uma camada narrativa encenada de forma codificada com protocolos de atuação do cinema clássico e um vetor experimental que reencena curtas-metragens produzidos em Super-8 nos anos 1970.
Imagem, cultura e diversidade no filme “Febre do rato”
Wilton Garcia (Fatec/Uniso)
Este artigo relaciona imagem, cultura e diversidade destacados o filme “Febre do rato” (Cláudio Assis, 2011). Estrategicamente, as categorias críticas experiência e subjetividade foram eleitas, ao enunciar os estudos contemporâneos do cinema e do audiovisual. No enfoque dessa discussão, o coveiro Pazinho (Matheus Nachtergaele) vive uma relação amorosa, impetuosa e intempestiva com Vanessa (Tânia Granussi), uma travesti. Nesse caso, a diversidade cultural/sexual aponta para a exemplificação do protagonismo do universo Trans no cinema nacional contemporâneo. Das (re)dimensões teóricas e políticas como produção de conhecimento, os resultados problematizam corpo, gênero, identidade e performance inseridos na discussão do cinema nacional atual.
Pequeno Dicionário Amoroso 2 :recasamento com o mesmo ou com o outro?
Ney Costa Santos Filho (PUC-Rio)
O trabalho mostra como o filme Pequeno Dicionário Amoroso2, dirigido por Sandra Werneck e Mauro Farias em 2015, se vincula à tradição paródica do Cinema Brasileiro quando expressa suas dúvidas diante das relações afetivas, do conhecimento do Outro e da conclusão de Stanley Cavell de que nas “remarriage comedy” de Hollywood, produzidas entre 1934 e 1949, fica demonstrada a possibilidade de superação do ceticismo pela realização nelas do recasamento com o mundo.

Música e cinema brasileiro

20/10/2016 às 11:00 – Sala 9
A Mulher de Todos – Canção e Invenção
Marcos Pierry (UFMG)
A Mulher de Todos (1969), segundo longa-metragem de Rogério Sganzerla (1946-2004), ao retrabalhar elementos do cinema clássico e do filme experimental, apresenta uma banda sonora plurissemântica e metalinguística que adensa seu potencial expressivo. Como se articula a canção popular extradiegética – de Noel Rosa, Ray Charles etc. – com diálogos, offs radiofônicos, ruídos e performances de canto improvisado para narrar a saga de uma mulher casada irreverente e insaciável?
Depois da Chuva e Califórnia: Visões dos Anos 1980
Fabiano Grendene de Souza (PUCRS)
A comunicação procura apresentar uma análise comparativa dos filmes Depois da Chuva (Cláudio Marques e Marília Hughes, 2013) e Califórnia (Marina Person, 2015), levando em conta a maneira como os filmes abordam seus protagonistas jovens. Na análise, destaca-se como estes personagens vivenciam o contexto político e cultural dos anos 1980, ressaltando o papel da música nesta relação.
O compositor-personagem no cinema brasileiro: André Abujamra
GEÓRGIA CYNARA COELHO DE SOUZA (USP)
Reflexão sobre o compositor no processo de realização cinematográfica: sua inserção na equipe; a interação com outros profissionais; as principais etapas de seu trabalho; a integração de sua trilha musical ao conjunto de procedimentos sonoros e visuais do cinema, até a finalização do filme. Como estudo de caso, abordaremos o percurso André Abujamra, um dos compositores mais recorrentes nos créditos de longas-metragens de ficção produzidos no país a partir da Retomada do cinema brasileiro.

Educação e cinema II

20/10/2016 às 11:00 – Sala 10
Cinema e Educação. Experiências sensíveis e territorialidades
Tatiane Mendes Pinto (UERJ)
O presente trabalho se destina a pensar a experiência sensível com o cinema em sua capacidade de ocupar e ressignificar espaços e na educação como processo de estruturação ética de uma formação social. O corpus envolve o cinema em hospitais, praças, cineclubes como ação política, que tem a intenção de refletir sobre a realidade e transformar em alguma medida os espaços do “comum”. Utilizando um enfoque multimetodológico, o artigo associará a perspectiva cartográfica à revisão bibliográfica.
Vídeo Dó-Ré-Mi : português na sala de aula na terra da Noviça
Antonio Carlos Tunico Amancio da Silva (UFF)
Em 9 de maio de 2016, a brasileira Eloide Kilp, professora de língua e cultura lusófona no Departamento de Estudos Românicos da Universidade de Salzburg soube que tinha sido agraciada na primeira edição do prêmio Itamaraty de Diplomacia Cultural, um justo reconhecimento pelo seu trabalho incansável na divulgação da cultura brasileira na Áustria. Entre outras atividades Eloide realiza anualmente, desde 2005, uma Mostra de cinema brasileiro -o Fórum Brasil – em Salzburg, composto de conferencias e palestras, exibição de filmes e, mais importante, a realização de um vídeo por seus alunos. É nesta experiência que pretendemos mergulhar para verificar o método e os resultados obtidos, através de uma performance lúdica e pedagógica, realizada a princípio a partir de adaptações literárias. O resultado desse esforço tem demonstrado um crescente interesse dos alunos pela língua e autorizado reflexões pertinentes sobre o uso do audiovisual em sala de aula.
O QUE PODE AS PRODUÇÕES INFANTIS IMAGÉTICAS?
BIANCA SANTOS CHISTE (UNIR)
O texto se apresenta como possibilidade de pensar com infância, com criança, com imagens produzidas por crianças de uma instituição pública de educação infantil, em uma pesquisa que chamamos pesquisa como experiência. As produções imagéticas provocaram encontros com Larrosa (2010) e Leite (2011) nos levando a pensar na potência do corpo, a experimentar outros tempos e espaços, a perder as certezas dos caminhos seguros, sendo convocadas pela força daquilo que passava, trans-formava e de-formava.

Procedimentos e práticas documentais

20/10/2016 às 11:00 – Sala 11
Pela reabilitação da entrevista na prática documentária – parte 2
Laécio Ricardo de Aquino Rodrigues (UFPE)
A presente proposta dialoga com a apresentação feita pelo proponente no último encontro da Socine: trata-se de uma reflexão de fôlego que visa contextualizar o lugar da entrevista na prática documentária contemporânea. Se, a partir de um recorte histórico, a comunicação anterior mensurava o esvaziamento deste expediente, esta segunda parte dá início a outro movimento: o de mapear algumas obras recentes que investem em novas possibilidades de emprego da entrevista
Eduardo Coutinho, o singular e o comum
Josué da Silva Bochi (UFF)
Ao trazer ao centro o sujeito comum a partir de uma escuta desejosa do diretor e de uma estética minimalista, o documentário recente de Eduardo Coutinho superou limites do individualismo e de representações generalizantes da sociedade. A relação da obra de Coutinho com os temas do singular e do comum é sugerida através das teorias do reconhecimento e do sofrimento social, da experiência de assistir à presença do outro e do levantamento pontual de variações do método na filmografia do cineasta.
Fotografia cinematográfica: as tramas do cinema documentário
Matheus José Pessoa de Andrade (UFPB)
Nossa proposta aponta para o trabalho de fotografia cinematográfica no filme documentário. Para lidar como o mundo real, o documentarista cria estratégias de filmagem a fim de abordar determinados assuntos. Contudo, diante de mecanismos censores, o trabalho de gravação está submetido a um jogo político de negociação e controle, pois nem tudo pode ser filmado. Destacamos, assim, o método de filmagem de dois filmes brasileiros capazes de oportunizar o acesso a informações reguladas.

Linguagens de Videoclipe

20/10/2016 às 11:00 – Sala 12
Paisagens e Passagens Transcineclípicas em Mommy, de Xavier Dolan
Rodrigo Oliva (UNIPAR)
Este trabalho apresenta um estudo sobre as inter-conexões entre a linguagem do videoclipe e a do cinema. Por meio do entendimento da existência de um trânsito entre as linguagens, define-se o conceito de transcineclipe, compreendido como blocos musicais inseridos na narrativa de filmes cinematográficos. A análise destaca cenas do filme Mommy (2014), do cineasta canadense Xavier Dolan. Evidencia-se o desdobramento de dois subconceitos: o de passagem transcineclípica e o de paisagem transcineclípica.
Rubber Johnny: hibridismo de corpos e linguagens
Sueli Chaves Andrade (PUC-SP)
Rubber Johnny (2005) é um dos trabalhos mais autorais do diretor Chris Cunningham, conhecido por inaugurar o videoclipe de autor nos anos 1990. O objetivo desta apresentação é situar tal obra dentro do contexto de discussão que marca os encontros e desencontros entre as linguagem cinematográfica e videografica sob a perspectiva da representacao do corpo freak. Corpo este responsavel por uma vivencia de estranhamento estético e sensorial, o qual pode ser lida a partir do unheimlich freudiano.
Os vídeos musicais como condutores de narrativa na telenovela do SBT
João Paulo Lopes de Meira Hergesel (UAM)
Com o objetivo de examinar o videoclipe enquanto condutor de ficção seriada, propõe-se a análise de vídeos musicais da telenovela “Chiquititas” (SBT, 2013-2015). Num primeiro momento, pretende-se entender o que é material intradiegético, conteúdo de dupla funcionalidade, produção paralela, elemento inorgânico e outra forma de motivação artística. Em seguida, almeja-se oferecer um estudo estilístico, a fim de observar os traços audiovisuais e o enlace entre palavra e imagem.

Hibridações: animação e quadrinhos

20/10/2016 às 11:00 – Sala 13
Superman (1978): Marco do Gênero de Super-Herói
Vilson André Moreira Gonçalves (UTP)
Nos quadrinhos, o gênero super-herói teve início com as histórias do Superman, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938. Personagens semelhantes foram criados na esteira de seu sucesso, mas, até a década de 1970, o gênero manteve-se restrito à sua mídia de origem, os quadrinhos, e adaptações de orçamento relativamente baixo para o rádio, o cinema e a televisão. Este cenário começaria a mudar, com o lançamento de Superman (1978), de Richard Donner, uma superprodução, concebida para atingir um grande público. Após o sucesso comercial de Superman, o número de produções cinematográficas envolvendo super-heróis oriundos das narrativas em quadrinhos tornou-se progressivamente maior, somando mais de setenta filmes até o presente ano. Buscamos retornar ao filme que iniciou a tendência, de modo a analisar suas estruturas estéticas e narrativas, a partir de um viés teórico neoformalista, avaliando a extensão de seu impacto na formação de um gênero super-herói no cinema hollywoodiano.
HQs & Cinema: a sinergia das interações recíprocas e convergentes
Denise Azevedo Duarte Guimarães (UTP)
Em tempos de convergência, no momento em que dividem a tela os dois grandes heróis das HQs, no filme Batman vs Superman: A origem da justiça (Zack Snyder, 2016), a linguagem audiovisual vem demonstrar como tem privilegiado as interfaces entre a Nona Arte e o Cinema, de forma sensorialmente rica e híbrida. Este artigo analisa os expressivos diálogos e as marcas desta sinergia dialética entre as narrativas gráficas e cinematográficas, com ênfase nos processos tradutórios e nas intermidialidades.
É hora de cinema: a narrativa cinematográfica em “Hora de Aventura”
Janiclei Aparecida Mendonça (UTP)
Em exibição na Cartoon Network desde 2010, “Hora de Aventura”, de Pendleton Ward, caracteriza-se por uma narrativa rizomática, incitando no que denomina Baitello Jr. na “devoração” entre imagens que, por conseguinte, indicia uma nova forma de leitura audiovisual. O presente artigo propõe a análise da estrutura para apontar a presença de elementos do cinema na estruturação da narrativa, apontando para uma linguagem que exige do espectador uma nova leitura cinematográfica.

PAINEL A mulher no cinema – Coordenação: Camila Vieira da Silva

20/10/2016 às 11:00 – Sala 14
A mulher experiente: um amadurecimento do blaxploitation a Jackie Brow
Carolina de Oliveira Silva (UAM)
Partindo da representação feminina no ciclo de filmes blaxploitation, estabelece-se uma relação de amadurecimento das personagens nos filmes “Coffy”(1973), “Foxy Brown”(1974) de Jack Hill e “Jackie Brown”(1997) de Quentin Tarantino. O objetivo é mostrar que a exploração do corpo feminino não é gratuita e o estilo em Tarantino prevê mudanças: o resgate da violência de forma desencantada, reflexo das personagens que evocam a juventude aceitando suas limitações.
A representação da mulher prostituta em Iracema uma transamazônica
Lívia Perez de Paula (UNICAMP)
Esta proposta de seminário relaciona as questões de subjetividade, ensaio, apropriação e encenação com a representação da mulher em ‘Iracema – uma transa amazônica’ (1974) de Jorge Bodansky e Orlando Senna. O objetivo geral é discutir a forma e a linguagem do filme sob a perspectiva histórica e estética, analisando os possíveis pontos onde se estabelece a imagem da mulher.
Representação da mulher e cinema: entre a realidade e a ficção
Fabiana de Lima Leite (UEMG)
Pesquisa de mestrado com objetivo de estudar a percepção de adolescentes quanto à forma de representação da mulher em filmes acessados dentro e fora da escola. Considerando a presença do cinema no cotidiano escolar, principalmente a partir da Lei 13.006/14, que determina a exibição de cinema nas escolas públicas, busco destacar os olhares adolescentes a partir do cinema e se este pode se traduzir como um meio de promoção de uma educação pautada no respeito às diversidades e equidade de gênero.
Uma mulher sob influência: a histeria feminina no cinema
Fernanda Sayuri Gutiyama (IA – UNICAMP)
Pretende-se analisar o filme Uma mulher sob influência (1974) de John Cassavetes através da perspectiva das teorias feministas do cinema, para tratar do gênero, os efeitos da diferenciação sexual e as instituições sociais que a cercam com base na representação historicamente demarcada da histeria feminina, afim de discorrer sobre as singularidades da obra e a contribuição do cinema como forma política para discutir questões de gênero.
Western vs. Wuxia: Um Possível Ponto de Convergência para o Feminismo?
Matheus Batista Massias (UFSC)
O Western e o wuxia são dois gêneros onde a presença feminina é algo notável: no Western, geralmente, o papel da mulher é relegado, meramente ilustrado como dona do lar, mãe, ou esposa; em contrapartida, no wuxia, as mulheres parecem ter agência e aparentam ser motivadas para além de desejos maternais ou matrimoniais. Intrigado pela ausência de estudos sobre o cinema asiático na SOCINE, filmes de ambos os gêneros são escolhidos a fim de analisar se é pertinente estudá-los como filmes feministas.

PAINEL O queer no cinema – Coordenação: Tetê Mattos [Maria Teresa Mattos de Moraes]

20/10/2016 às 11:00 – Sala 15
Desejo e nacionalismo em Tabu, de Nagisa Oshima
Pedro de Araujo Nogueira Tinen (Unicamp)
Tabu (1999), do diretor japonês Nagisa Oshima, aborda o desejo homoerótico enquanto temática e estética. Inserido no gênero jidaigeki (drama de época), Tabu se volta para o momento anterior à criação do estado moderno japonês para inferir sobre como o imaginário nacionalista emergente é articulador da produção de desejo. Este trabalho busca, a partir da problemática queer e feminista, analisar o potencial crítico das estratégias cinematográficas de Oshima ao elo entre corpo, desejo e nação.
A metáfora do zumbi gay em Bruce LaBruce
Thales Figueiredo da Silva (UFSCAR)
Em Otto; or Up With dead people o cineasta queer Bruce LaBruce trabalha com o personagem do zumbi gay. Fazendo uso de uma série de referências e trabalhando sob o pastiche e da ironia, o diretor busca construir uma crítica à posição marginal do homossexual na sociedade. A partir da análise de como o cineasta se utiliza desses elementos pode-se observar as características autorais desse diretor e as representações que ele procura dar ao zumbi.
As potências do fútil em “A Seita”
Ricardo José Gonçalves Duarte Filho (UFRJ)
A presente comunicação tem como questionamento a possibilidade da utilização do artifício e do fútil no cinema queer como elementos subversivos, tendo como exemplo central o filme “A Seita” (2015), mas também discutindo outras produções queers brasileiras contemporâneas onde julgo encontrar possíveis ressonâncias estéticas, como “Doce Amianto” (Guto Parente, 2013) e “Como era Gostoso meu Cafuçu” (Rodrigo Almeida, 2015). Parto assim da discussão levantada por Rosalind Galt ao afirmar que “cor, opulência, excesso e estilo são armas estéticas para corpos queer” (GALT, 2015: 60) e da hipótese que esses filmes, ao entregarem-se deliberadamente a “futilidade”, podem ser possíveis ponto de implosões e problematizações de interdições que privilegiam uma estética cinematográfica sóbria e realista, valorização historicamente calcada em discursos que subjugam corpos que saiam do instituído como “normal”.

ST Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos – Sessão 3

20/10/2016 às 14:00 – Sala 1
Etnoficção e representação na narrativa oral andina de “La escuela de Cuzco”
Carlos Francisco Pérez Reyna (UFJF)
A produção fílmica desenvolvida pela chamada “Escuela de Cuzco” dos anos cinquenta está baseada fundamentalmente pela realização de curtas de filmes etnográficos. Contudo, Kukuli (1961) é um ponto de inflexão cinematográfico no Peru andino, pois ao propor dar “autenticidade” à representação feita no filme, os diretores decidem amalgamar o filme de ficção e o filme etnográfico. Nesse sentido, esta proposta procura entender quais são esses diálogos estéticos e culturais presentes no filme mencionado.
Notas sobre o tempo e o esquecimento em dois filmes de Alain Resnais
Mauro Luiz Rovai (Unifesp)
Pretende-se discutir, por meio de uma particular aproximação sociológica, noções como as de tempo, memória e esquecimento a partir de dois filmes de Alain Resnais: Hiroshima meu amor (Hiroshima mon amour, França e Japão, 1959) e A guerra acabou (La guerre est finie, França e Suécia, 1966). A abordagem incidirá sobre a forma como estão construídas duas personagens nas obras citadas, aquelas vividas por Emmanuelle Riva (no filme de 1959) e Yves Montand (no de 1966), destacando as dimensões de passado, futuro e presente na relação entre os aspectos subjetivos e os acontecimentos sociais e históricos marcantes vividos por ambas (particularmente, a Segunda Guerra mundial, caso da personagem de Riva, e A Guerra Civil Espanhola, caso da de Montand).

ST Cinema Queer e Feminista – Sessão 3 – Corpos indóceis

20/10/2016 às 14:00 – Sala 2
Cinema lésbico experimental – permanências e atualizações
Érica Ramos Sarmet dos Santos (UFF)
Buscarei, neste artigo, investigar a existência de uma estética lésbica experimental que é fundamentalmente erótica e política, e, a partir de uma análise comparativa entre as produções de Barbara Hammer, Su Friedrich e os videoclipes da cantora francesa Soko, refletir sobre as permanências e atualizações dessa estética no audiovisual contemporâneo.
Corpos abjetos que habitam a imagem: um trans-documentário?
Alessandro José de oliveira (UTP)
Este trabalho analisa o filme documentário “De gravatas e unhas vermelhas” de Miriam Chnaiderman (2014). Destaca-se aqui como a exibição de imagens e desejos de pessoas que se apresentam como sujeitos que se reconhecem e/ou querem permanecer no trânsito entre o masculino e o feminino aparecem como a forma mais viável de fazer referencia ao mundo queer. Observa-se assim como a cineasta revela a necessidade de por em circulação imagens de referência a respeito da confusão de gênero.
Everlyn e Tabu: Belas, Recatadas e do Lar
vinicios kabral ribeiro (UFRJ)
Nas companhias das personagens Tabu (Madame Satã, Aïnouz, 2002) e Everlyn (Sérgio Borges, 2010) atravessarei um território ético e político que o cinema nos possibilita, para discutir questões de corpo, gênero e sexualidades. O diálogo entre as duas personagens se dará pelos desejos e projetos de felicidades de ambas. Tenho como objetivo pensar nas possibilidades de futuros, sonhos e pequenas utopias das vidas consideradas “precárias”, nos filmes em questão.

ST Cinema e educação – Sessão 3

20/10/2016 às 14:00 – Sala 3
Mais alhures que o cinema: o extracampo das imagens feitas na escola
Isaac Pipano Alcantarilla (UFF)
Na teoria clássica dos estudos do cinema o extracampo vem sendo empregado como um dos conceitos fundamentais para entendermos as relações entre o visível e o sensível. Se, por um lado, ele pode ser entendido como aquilo que excede o quadro e lhe dá consistência, gostaríamos de convocar aqui a persistência de um extracampo ainda mais radical: para lá da imagem, onde o processo inalienável da experiência do cinema na escola, não-visível, inscreve sua presença.
Educação e Cinema no/do hospital: experimentações e deslocamentos
Fernanda Omelczuk Walter (UFRJ)
A Educação e o Cinema no/do hospital deslocam o que entendemos de antemão sobre essas duas experiências e sobre essa aproximação. Com o presente texto desejamos compartilhar três reflexões: o tipo específico de experimentações com o cinema que emergem nessa situação; a relevância de experimentações cinematográficas no horário escolar de crianças hospitalizadas; e as ressonâncias desse encontro para o fazer cinema e educação dentro e fora da escola, e em especial no âmbito da lei 13.006 .
O sentido do transdiciplinar: entre cinemas e ciências.
Gustavo Jardim (UFMG)
O trabalho examina o percurso de formação transdisciplinar realizado com professores de escola básica que cursam o mestrado profissional, na PUC-MG. O curso “Cinema e Ciências da Natureza” foi desenvolvido no Observatório da Educação (OBEDUC), a partir de questões concernentes ao cinema e às ciências, observando os estudos sobre a inter, pluri e multidisciplinaridade. Aborda a metodologia e resultados das atividades, procura explorar limites e colaborações da dinâmica na formação de professores.

ST Corpo, gesto, performance e mise en scène – Sessão 3 – Modos de aparição atoral

20/10/2016 às 14:00 – Sala 4
Corpo dândi: Bryan Ferry em Painted Smile
Denilson Lopes Silva (UFRJ)
O dandismo remete mais a um modo de vida, ou mais precisamente, a fazer de si uma obra de arte no horizonte de um estética do artifício. Emergente na Inglaterra e na França, na passagem do século XVIII para o século XIX, esta constituição de si como obra de arte se atualiza na cultura midiática e se sustenta, no clip “Painted Smile” de Bryan Ferry, na valorização de um corpo que é sobretudo superfície, definido mais pela roupa do que pela pele, mais pela pose do que pelo gesto.
Máximo Serrano: um typo queer no cinema silencioso.
Mateus Nagime (UFSCar)
Máximo Serrano é um ator brasileiro que se especializou no fim dos anos 1920 nos papeis do “tipo sentimental” ou “sensível”, que podemos considerar como um protótipo da sensibilidade queer. Especialmente nos filmes dirigidos por Humberto Mauro, Serrano dava a luz à personagens solitários e reprimidos, que se contentavam em assistir aos finais felizes dos parceiros de cena. A comunicação defenderá que esta representação do queer vem em grande parte do próprio ator, constituindo uma “atoria queer”
Imagem, persona, personagem: o ator experimental na Belair Filmes
Sandro de Oliveira (UEG)
Este trabalho pretende analisar a figura gráfica do ator no cinema segundo o módulo experimental de atuação. Neste módulo, e especialmente no filme Cuidado, Madame!, produção da Belair Filmes de 1970, o ator que surge na tela é produto de uma sobreposição de instâncias gráficas que Patrice Pavis analisa como embreativa, ou seja, lê-se o ator como um processo de montagem, produto de uma instância tripla e transversal de aparição: imagem, persona e personagem.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 3

20/10/2016 às 14:00 – Sala 5
As reterritorializações no cinema de Adirley Queirós
Eduardo Antonio de Jesus (PUC Minas)
Vamos tomar os filmes de Adirley Queirós para mostrar a potência da imagem em movimento ao abandonar a montagem que pacifica e oculta as intensas disputas simbólicas e econômicas do espaço, devolvendo com isso vigor político e social às formas de representação que trazem as tensões típicas dos espaços urbanos do Brasil, especialmente de Brasília, com toda sua carga simbólica. Para a análise vamos recorrer a geografia, especialmente Henri Lefebvre e David Harvey.
A Cabana de James Benning
Hermano Arraes Callou (UFRJ)
Esta proposta versa sobre o projeto Two Cabins de James Benning, grande nome do cinema experimental contemporâneo. Pretendo analisar o modo como a obra resgata as figuras de H.D. Thoreau e Ted Kaczynscki, de modo a analisar trajetória de Benning nas artes e no cinema. Os procedimentos do artista serão analisados a partir dos ideais libertários reivindicados por esses dois ícones da história americana, em particular o seu método de observação da paisagem no tempo.
Filmando frame a frame: Rose Lowder e seus buquês imagéticos
NINA VELASCO E CRUZ (UFPE)
Dentre as técnicas cinema criadas pelo experimental para desconstruir o dispositivo cinematográfico, se encontra o flicker, ou a filmagem frame a frame. Rompendo com a linearidade ilusória do movimento, o flicker teve seu auge na década de 60 e seu maior expoente foi Paul Sharitis. Rose Lowder, no entanto, continua renovando essa experiência. Os filmes da série Bouquet (1994-2005) se diferenciam por formarem composições semelhantes à música em que o conjunto de imagens captadas do real rompem com a narrativa e criam algo como um ‘motivo’ (nos termos de Phillipe-Allan Michaud).

ST Teoria e Estética do Som no Audiovisual – Sessão 3 – CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO DESIGN DE SOM: DA TEORIA À ANÁLISE

20/10/2016 às 14:00 – Sala 6
Amadorismo como estética sonora e modo de produção
Rodrigo Carreiro (UFPE)
Nas últimas décadas, dois ciclos de produção cinematográfica têm valorizado, em nome de um realismo estreitamente vinculado à noção de produção audiovisual amadora, filmes com som percebido como ruim. Falsos found footage parecem valorizar o amadorismo como estética; os filmes mumblecore, como modo de produção. Através da análise de cenas de obras importantes para os dois movimentos, pretendemos discutir a pertinência da noção de “som ruim”.
Depuração e exageração: Escritura sonora nos filmes de sabre japoneses
Demian Albuquerque Garcia (UPJV)
Esta proposta tem por objetivo analisar e refletir sobre o realismo sonoro – a depuração e a exageração -, examinando as transformações da escrita sonora através da história. O objeto principal é o som das cenas de combate nos filmes de sabre do cinema japonês – o chanbara. Faremos uma comparação entre os filmes dos anos 1950 à 1970 e os filmes dos anos 2000, analisando a passagem de uma construção sonora trabalhada em função dos aspectos estéticos e narrativos da obra, para uma espetacularização do desenho sonoro no cinema de grande público. Se, no som do cinema de ação a “atração” pode, as vezes, coabitar com a “narração” [HIGGINS, 2008], em uma grande parte dos casos ela pode desviar a atenção da narração para um espetáculo de “fogos de artifício” sonoro. As questões analisadas são: como os japoneses trabalharam o som das cenas de duelo nos chanbaras, quais as variações entre esses dois períodos, e como a construção sonora dessas cenas pode contribuir com a expressão dos cineastas.
A natureza selvagem: o processo criativo sonoro no filme Anticristo
Filipe Barros Beltrão (UFPB)
O artigo se propõe a investigar o processo criativo no âmbito sonoro do filme Anticristo (Lars von Trier, 2009). A obra apresenta uma abordagem da criação do mundo a partir das forças da natureza e exprime essa relação no âmbito sonoro e imagético. A partir de entrevistas com o designer de som (Kristian Andersen) e o foley artist (Julien Naudin) procuraremos aprofundar o processo criativo para a criação de uma identidade sonora que contemple a relação orgânica com os sons.

Cinema e cidade

20/10/2016 às 14:00 – Sala 7
Matriz Estética: Imagens da Metrópole no Cinema Brasileiro
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Este artigo resulta de pesquisa financiada pelo CNPq que objetivou investigar e identificar as matrizes estéticas determinantes para a representação imagética e fílmica da metrópole contemporânea produzida pelo cinema brasileiro no período conhecido como da “pós-retomada” da produção cinematográfica brasileira.
FESTIVAL DO RIO E O IMAGINÁRIO DA CIDADE
Tetê Mattos [Maria Teresa Mattos de Moraes] (UFF/UERJ)
Buscaremos analisar o imaginário da cidade do Rio de Janeiro através dos discursos fílmicos e oficial do Festival do Rio, nos anos de 2014 e 2015. A visão de cidade produzida no discurso oficial se pauta na construção de um imaginário baseado no clichê da “cidade maravilhosa”. Porém, não podemos afirmar o mesmo em relação aos filmes exibidos no Festival. A nossa hipótese é a de que há uma eventual diferença na representação do Rio de Janeiro entre estes dois discursos.
O espaço como operação de montagem no projeto Meu Bairro Vale um Filme
Marcio Blanco (UERJ)
Os aspectos presentes na confecção de mapas também se encontram em larga medida nas imagens produzidas por dispositivos técnicos tais como máquinas fotográficas, câmeras de vídeo, etc. Este artigo se propõe a pensar a relação entre espaço e imagem no contemporâneo como um problema estético, apoiando-se na análise do “Meu Bairro Vale um Filme”, um projeto que estimula moradores da Zona Norte do Rio de Janeiro a produzirem vídeos de curta duração disponibilizados em uma plataforma digital.

Cinema de autor I

20/10/2016 às 14:00 – Sala 8
A Significação dos Lugares e das Coisas no “Gattopardo”
Pascoal Farinaccio (UFF)
Em 1963 o cineasta Luchino Visconti realizaria a sua adaptação cinematográfica do romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, “Il Gattopardo”. A intencionalidade inicial do diretor, em diálogo com intelectuais de esquerda, muitos deles ligados ao Partido Comunista Italiano, era o de “corrigir” ideologicamente o romance, superando sua visão conservadora da História e realçando a participação popular no movimento de Unificação do país. Este trabalho procura mostrar como Visconti modificou seus objetivos iniciais ao se sentir seduzido pelo universo material da aristocracia siciliana que trouxe à cena, com destaque para os lugares e as coisas. Um universo que lhe era caro e, em determinado sentido, familiar, pois ele próprio era descendente de uma aristocrática família milanesa.
A crítica à mercantilização do dissenso em Stanley Kubrick
Marcos César de Paula Soares (USP)
Qual foi o papel da contracultura na consolidação de sua própria derrota? Qual foi o processo que fez com que os valores rebeldes dos anos 60 fossem o celeiro da nova cultura corporativa que passou a imperar a partir dos anos 80? Essas são algumas das perguntas que o cineasta Stanley Kubrick faz em filmes como Laranja Mecânica (1971) e o Iluminado (1980). Esta apresentação pretende discutir tais filmes a partir dessa perspectiva.
Cinemas entre o vivo e a morte
Saulo de Araujo Lemos (UECE)
Este trabalho pretende confrontar imagens imóveis, ou quase, nos filmes 2001, uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, e Cavalo dinheiro, de Pedro Costa, conforme o pensamento de Maurice Blanchot e outros pensadores; a lenta passagem de uma imagem a outra registra ritmos peculiares de tempo e movimento, entremeando ficção e realidade no limiar potencial que atrai e contamina mutuamente as diversas artes, abolindo a representação convencional e intensificando as complexidades da percepção.

Ensaio e Cinema I

20/10/2016 às 14:00 – Sala 9
Rogério Sganzerla vídeo-ensaios.
Régis Orlando Rasia (UNICAMP)
Esta comunicação tem como proposta analisar os ensaios fílmicos do cineasta Rogério Sganzerla realizados após a década de 1990 em vídeo e digital: Anônimo e incomum (1990); América, o grande acerto de Vespúcio (1992); Deuses no Juruá (1997); H. J. Koellreutter (2003). As relação com as tecnologias e as bases técnicas são formas de dar a ver o mundo e construir seus filmes como um fluxo do pensamento na mesa de edição. Como modulação e trânsito é que pensamos as passagens de diversas ordens: tecn
A propósito de uma arqueologia do ensaio no cinema brasileiro
Francisco Elinaldo Teixeira (UNICAMP)
Uma trajetória arqueológica (o presente como ponto de partida) do cine-ensaio/filme-ensaio no Brasil ainda não foi construída. Com o relevo do ensaístico na cultura audiovisual contemporânea tal preocupação para os estudos de cinema cada vez mais se impõe, num quadro de referências ainda muito rarefeitas e parciais. O propósito da comunicação é traçar um percurso, levando em conta relações entre tradição e ruptura nesse domínio, com foco nas trocas/contaminações do ensaístico com o experimental e o documentário, aspecto hoje crucial na formação do ensaio como um quarto domínio/território (e não “gênero”) das imagens.
Análise fílmica, crítica imanente e tradições do ensaio.
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (ECA-USP)
Para discutir procedimentos da análise fílmica como a descrição, o comentário e a interpretação, a partir de considerações esboçadas em diferentes tradições do ensaísmo interessadas na crítica imanente, como em Siegfried Kracauer, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Antonio Candido, Susan Sontag, Jean-Louis Leutrat e Jacques Aumont, estudaremos passagens de textos de Paulo Emílio Salles Gomes e Jean-Claude Bernardet.

Cinema indígena

20/10/2016 às 14:00 – Sala 10
Caminhos de convergência: política e resistência no cinema Huni Kuin
Karliane Macedo Nunes (UFBA / UFAM)
O objetivo desta comunicação é discutir as estratégias enunciativas que enfatizam o caráter de encontro e os hibridismos a partir dos filmes “Os cantos do cipó” (2006) e “Já me transformei em imagem” (2008) que, ao dedicarem-se ao tema da produção de imagens e de sons, articulam questões proeminentes do cinema na atualidade, celebrando a potência dos encontros, o cinema indígena como catalisador da cultura e como espaço de resistência, ação e transformação.
O documentário autoetnográfico do projeto Vídeo nas Aldeias
Juliano José de Araújo (UNIR)
A comunicação apresenta os resultados de nossa pesquisa de doutorado em que 28 documentários da série “Cineastas indígenas” do projeto Vídeo nas Aldeias são analisados. Essa produção audiovisual de não-ficção é considerada como uma prática de autoetnografia no documentário. A partir da análise fílmica, em uma perspectiva textual e contextual, discutimos em nosso estudo, respectivamente, as dimensões ética, estética e política desse conjunto de documentários.
Vídeo nas Aldeias e a fabulação indígena
Ana Carolina Cernicchiaro (PPGCL/Unisul)
Além de colocar em questão o recorte cultural e linguístico do cinema brasileiro, o projeto Vídeo nas Aldeias evidencia problemáticas caras à teoria do documentário na atualidade, como o esboroamento da autoria, a ética da alteridade envolvida na relação documentarista-documentado, a performatividade, a fabulação, a construção do real, a invenção de um povo, enfim, a nebulosidade das fronteiras entre real e ficção, entre sujeito e objeto do conhecimento, entre eu e outro, mesmidade e alteridade.

Outros formatos

20/10/2016 às 14:00 – Sala 11
Ciné-tract e o paradoxo do anonimato
Leonardo Esteves (PUC-Rio)
Os ciné-tracts são filmes anônimos de curta duração (aprox. 3 minutos) em 16mm, sem som, embalados pela verve militante reintroduzida na França pelo Maio de 68. Uma “paternidade” dos filmetes, se é apropriado atribuir o termo, é convencionalmente atribuída a Chris Marker. Por outro lado, é Godard quem vai dilatar o procedimento de tornar tão improvável a questão do anonimado nos ciné-tracts, os renomeando film-tracts. Propõe-se analisar a questão paradoxal do anonimato nessa breve filmografia.
Dot e Framed:Processos criativos em realização audiovisual via celular
aline lisboa da silva (UFS)
A proposta tem como objetivo analisar dois curtas realizados via celular, Dot (2010) e Framed (2011), observando a constituição de processos criativos possibilitados pela flexibilidade do aparelho móvel. Em Dot a análise se depara com a hibridação entre produção e captura das imagens; já em Framed, a discussão gira em torno da qualidade técnica apresentada pela câmera de um modelo iPhone 4s, desmistificando a ideia de que produções com celular não apresentam resultados tão qualitativos.
Mobz, Inteligência Coletiva e Mobilizações de Sessões de Cinema.
Jose Maria Mendes Pereira Junior (UFPE)
Ao instituir o critério de mobilização, o Mobz pensou no poder da inteligência coletiva em fazer escolhas. Esta pesquisa, através de uma observação participante (2008-2011), avaliou essa tentativa de promover sessões de filmes “fora de circuito”, na cidade de João Pessoa-PB. O Mobz viabilizaria a exibição, saindo da mentalidade pré-filtro para uma dinâmica pós-filtro, porém, com baixo sucesso, devido ao próprio objetivo da ferramenta e à centralização, incompatível com um projeto mobilizador.

Catástrofe e guerra no cinema americano

20/10/2016 às 14:00 – Sala 12
Imagem e memória acerca dos atentados de 11 de setembro de 2001
Marília Régio (PUCRS)
O presente trabalho propõe refletir sobre a construção da imagem e memória dos atentados de 11 de setembro no cinema. Como a “cultura da memória” (HUYSSEN, 2000) prolifera seus discursos nas obras cinematográficas escolhidas, sendo o cinema um “lugar de memória” (NORA, 1989). Como aporte, utilizaremos os filmes As torres gêmeas (Olivier Stone, 2006) e Voo United 93 (Paul Greengrass, 2006), pois ambos contam com uma narrativa datada no dia dos ataques.
11/9 e os filmes-catástrofe a partir do Unheimliche de Freud
Tiago Sarmento (UFRJ)
Ancorado nos termos originais em alemão do texto O Estranho de Sigmund Freud (1919), propomos uma discussão acerca da tradução em português do conceito e suas eventuais falhas para com o restante da teoria freudiana junto aos filmes-catástrofe para refletir sobre o que, de fato, estaria em jogo tanto na questão do Unheimliche não estar relacionado apenas ao horror, quanto na vida inconsciente do americano, onde desejo, fantasia e recalque entram em xeque junto aos atentados de 11 de setembro
Batman, terrorismo e tortura: ressonâncias da Guerra ao Terror
Nicholas Andueza Sineiro (PUC-Rio)
A trilogia cinematográfica de Batman (2005, 2008 e 2012), dirigida por Christopher Nolan, traz uma série de ressonâncias visuais com a iconologia da Guerra ao Terror: fotos de Abu Ghraib, figuras sem rosto, especulares, múltiplas. Ecos imagéticos que aprofundam o realismo da trilogia ao mesmo tempo em que contribuem para naturalizar determinados dispositivos de poder – como a tortura. Assim, a coerção dos corpos por Batman se conecta à coerção da imagem: é pela força que o herói se legitima.

Recepção no cinema brasileiro II

20/10/2016 às 14:00 – Sala 13
Dona Flor e seus dois maridos e a recepção histórica da crítica
Regina Lucia Gomes Souza e Silva (UFBA)
O trabalho tem como objetivo analisar textos da crítica ao filme Dona flor seus dois maridos publicados na seção Dossiês Críticos da revista brasileira Filme Cultura em 1979. O filme, campeão de bilheteria, dividiu opiniões e gerou uma série de comentários sobre quais os rumos que o cinema brasileiro deveria tomar a partir dali.
O exame dos textos leva em consideração a crítica como instância de recepção da obra cinematográfica e o crítico como leitor particular de seu tempo.
Convergências entre crítica e cineasta na recepção de O Som ao Redor
Wanderley de Mattos Teixeira Neto (UFBA)
A partir dos diálogos entre os discursos da crítica e do diretor Kleber Mendonça Filho ao longo da cobertura midiática de O Som ao Redor, o intuito é discutir como ambos valoraram a obra fílmica e os modelos de produção cujo debate ela incita. O discurso dos agentes dá ênfase ao apreço deles pelo uso aplicado da linguagem audiovisual, mas também evidencia preocupações do setor com a homogeneização do mercado no país ao considerar a obra em oposição às produções Globo Filmes.
A Mostra de Tiradentes e o cinema brasileiro: rastros de uma recepção
Rafael Oliveira Carvalho (UFBA)
Com a consolidação da Mostra de Cinema de Tiradentes no cenário de mostras e festivais de cinema que se espalharam pelo Brasil, buscamos realizar um estudo localizado da recepção crítica dos filmes exibidos na 19ª edição da Mostra. Concentraremo-nos na cobertura realizada pela Revista Cinética e pelo Adoro Cinema, ambos veículos online dedicados à produção de conteúdo sobre cinema, com ênfase na crítica das obras.

PAINEL Poéticas do real – Coordenação: Victor Ribeiro Guimarães

20/10/2016 às 14:00 – Sala 14
(Des)Caminhos na realidade: subjetividade e espaço coletivo
Raul Lemos Arthuso (USP)
A partir dos filmes Sábado à Noite (Ivo Lopes Araújo), Notas Flanantes (Clarissa Campolina), e Ainda Orangotangos (Gustavo Spolidoro), o presente trabalho visa analisar as relações entre a subjetividade olhar do autor e o espaço coletivo que pretende retratar, tomando como base as construções da instância narrativa em cada uma das obras. A análise desse encontro espera revelar questões sobre a relação do cinema brasileiro independente no quadro das transformações sociais ocorridas nos anos 2000.
As proximidades do ensaio em “Diego Velázquez ou le réalisme sauvage”
Eduardo Paschoal de Sousa (ECA/USP)
O presente artigo busca analisar como a obra “Diego Velázquez ou le réalisme sauvage” (Karim Aïnouz, 2015) se aproxima de um território do filme-ensaio, mais que das características clássicas do filme documentário. Para isso, recupera alguns conceitos acerca do documentário e também do documental como filme de arte, do próprio filme-ensaio e de um cinema híbrido que fundamenta sua composição narrativa em um discurso mais subjetivo, próximo da construção poética.
Documentário radical ou a ficção como colaboração: da crise ao engajam
Philipi Emmanuel Lustosa Bandeira (UFPE)
O presente ensaio busca debater o documentário brasileiro contemporâneo partindo de apontamentos da historiografia do gênero clássico, partindo das experiências de três filmes recentes (As Hipermulheres, A cidade é uma só? e A vizinhança do Tigre) para uma reflexão sobre seus modos de produção coletivistas e processos de criação compartilhados . São obras que ressaltam artifícios de ficção e fabulação ao passo que reafirmam seus engajamentos de base, reafirmando-se documentários e híbridos.
Reinventando a precariedade: apontamentos sobre o cinema de frangagem
Txai de Almeida Ferraz (UFMG)
O presente trabalho busca analisar valores estéticos e políticos nos curtas-metragens Casa Forte (Rodrigo Almeida, 2014) e Virgindade (Chico Lacerda, 2015), produzidos pelo coletivo pernambucano Surto & Deslumbramento. Nosso objetivo é compreender que operações se articulam no coração dessas obras e possibilitam o surgimento de uma produção que se desloca do modelo industrial em seu modo de organização e nas construções fílmicas.
O filme-dispositivo enquanto pesquisa experimental em artes
Thalita Gonçalves da Rocha (UFJF)
A presente comunicação pretende expor um excerto de nosso projeto que tem como objetivo produzir um filme-dispositivo à luz da conceituação e metodologias propostas pela pesquisa experimental em artes, para, a partir desta produção, pensar em questões de linguagem, discurso e enunciação nesse tipo de filme. Para este painel especificamente, trazemos a elucidação dos principais conceitos trabalhados e uma análise da enunciação no documentário Rua de Mão dupla (2002).

ST Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos – Sessão 4

20/10/2016 às 16:00 – Sala 1
Documentário e guerra fria. Chris Marker e a série “On vous parle de”
Marcius Freire (UNICAMP)
Pioneiro do filme-ensaio, militante engajado nos movimentos sociais e revolucionários no auge da guerra fria, Chris Marker coordenou, logo após os eventos de 1968, a realização de uma série de documentários de contrainformação intitulada “On vous parle de”. Dois deles se debruçaram sobre a ditadura militar brasileira: “On vous parle du Brésil: tortures” e “On vous parle du Brésil: Marighella”.A partir desses filmes examinaremos o papel do documentário nos anos de chumbo de nossa história recente
Revisitando o horror: S21 – A máquina de matar do Khmer Vermelho
Paulo Menezes (USP)
Esta comunicação visa analisar o filme S21- A máquina de matar do Khmer Vermelho, de Rithy Panh, Cambodja (2004), realizado a partir de entrevistas cm prisioneiros e guardas da prisão buscando entender como se exterminou mais de 2 milhões de pessoas num dos maiores genocídios da segunda metade do século XX, em comparação com o filme Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer (2012), outro momento de horror do final do século XX. A proposta é discutir as relações entre cinema e produção de conhecimento nas Ciências Sociais, de modo a destacar os problemas de fundo epistemológico e os cuidados metodológicos concorrentes ao uso do filme como material privilegiado de pesquisa. Certamente cada pesquisador em Ciências Sociais confere ao mundo um sentido a partir dos recortes valorativos que dele faz. Entretanto, ao assim proceder, ele deve estar ciente de que não existe, como apontava Weber, algo valioso e digno “em si mesmo” de ser investigado, um sentido inerente ou único das coisas.

ST Cinema Queer e Feminista – Sessão 4 – Queer ao sul

20/10/2016 às 16:00 – Sala 2
Por um gênero narrativo queer no cinema brasileiro
Dieison Marconi (UFRGS)
Este trabalho reflete sobre a cultura queer no cinema nacional. Sabe-se que o Brasil possui experiências de filmes queer, no entanto, o que ainda persiste é a necessidade de investigar se estas experiências permitem afirmar que há, de fato, um gênero narrativo queer no cinema brasileiro da pós-retomada. Para problematizar este cenário, apresentamos uma cartografia de cineastas LGBT que demonstram, desde o início deste século, uma produção contínua de filmes que tratam das diferenças de gênero, c
Do Melodrama ao New Queer Cinema Brasileiro: As fronteiras subversivas
Juliana Ribeiro Pinto Bravo (UFF)
Este trabalho tem o objetivo de compreender como o New Queer Cinema brasileiro se reapropriou de elementos do melodrama e do Neon-Realismo da década de 1980, principalmente, a partir do conceito de excesso e pela transgressão estética e técnica neon-realista. Portanto, identificar e analisar as influências, as principais estratégias textuais e audiovisuais adotada pelo New Queer Cinema no Brasil, além de suas formas de produção, exibição e distribuição em âmbito nacional e internacional.
Soy aloka por ti, America: visibilidades kuir ao sul do Equador
Alessandra Soares Brandão (UFSC)
Esta proposta tem como principal objetivo traçar uma cartografia das formas de visibilidade kuir no cinema latino-americano do século XXI, com ênfase nas produções ao sul do Equador. Para tanto, apresenta uma perspectiva critica das políticas que mobilizam as subjetividades kuir em trânsito pelas ruas e estradas que atravessam as fronteiras do continente, buscando mapear os contornos estéticos e afetivos que constroem a experiência kuir nas telas latino-americanas do presente.

ST Cinema e educação – Sessão 4

20/10/2016 às 16:00 – Sala 3
“ACABOU A PAZ: ISTO AQUI VAI VIRAR UM FILME!”
ANA LUCIA DE ALMEIDA SOUTTO MAYOR (EPSJV/FIUOCRUZ)Maria Cristina Miranda da Silva (UFRJ)
O objetivo central deste trabalho é o de pensar as relações entre cinema e educação, tomando o documentário “Acabou a paz: isto aqui vai virar o Chile” (2016), dirigido por Carlos Pronzato. Partindo das reflexões de Jean-Louis Comolli acerca do cinema documentário, pretende-se analisar a educação do olhar como gesto ético, estético e político, apontando algumas possibilidades exploratórias desta narrativa no contexto das salas de aula de educação básica
Convergências e dissonâncias: a educação brasileira na tela do cinema
Aristóteles de Paula Berino (UFRRJ)
O cinema brasileiro nunca se interessou muito pela produção de filmes que discutissem o tema da educação. No entanto, nos últimos anos alguns filmes foram feitos abordando a questão. Este trabalho examina três documentários nacionais que dialogam com a educação brasileira: Pro Dia Nascer Feliz, Carregadoras de Sonhos e Últimas Conversas. O pretendido é discutir os elementos dessa convergência mais recente e analisar seus sentidos e suas contribuições para o debate educacional no país.
Formação estética em salas universitárias de cinema
Cíntia Langie Araujo (UFPel)
O trabalho investiga as relações entre formação estética e política de programação em salas universitárias de cinema. O objetivo é pensar sobre a potência do cinema de arte para operar processos de subjetivação mais singularizados na contemporaneidade. Para tanto, traz como lócus de pesquisa o Cine UFPel, sala da Universidade Federal de Pelotas, cuja curadoria prioriza filmes brasileiros de autor, com temáticas relevantes, sociais ou artísticas, e que se caracterizem por inovação de linguagem.

ST Corpo, gesto, performance e mise en scène – Sessão 4 – Trânsito de corpos

20/10/2016 às 16:00 – Sala 4
Corpos em transe: estudo sobre a lógica do fluido de Jean Epstein
Cristian Borges (USP)
Se as imagens, como os sons, produzem ecos, estes revelam corpos espectrais cujos rastros nos acompanham mesmo após a projeção. Esses corpos que se multiplicam, se atravessam e se espalham pelo fluxo espaço-temporal respondem a um transe provocado não por uma intervenção psíquica ou espiritual, mas puramente imagética, dentro do que Epstein denominou lógica do fluido. Exploraremos essa noção à luz das pesquisas de Marey sobre os fluidos e do curta Retorno à rua Éolo (2013), de Maria Kourkouta.
Corpos acolhidos, retocados e revelados: os gestos da câmera e o ator
Andrea C. Scansani (ECA/USP – PPGMPAV)
Os gestos da câmera cinematográfica são estabelecidos pelas possibilidades de criação disponíveis em seu mecanismo e em sua operação. As combinações são infindas e a cada configuração diferentes estímulos são arquitetados. Por sua vez, cada corpo filmado expressa sua singularidade, seu modo único de estar em cena – e para a cena. O fio-condutor deste estudo é a intercorporalidade da câmera e do ator no ato cinematográfico – onde o gesto de um fomenta e traz visibilidade e relevância ao outro.
O personagem cinematográfico: do corpo filmado ao corpo do filme
João Vitor Resende Leal (USP)
Provocada por filmes que implicam vários atores na composição de um mesmo personagem ou, ao contrário, um único ator na composição de vários personagens, esta comunicação pretende investigar as relações estabelecidas entre personagem e corpo no cinema. Para tanto, recorreremos à noção de “efeito de personagem” (PAVIS, 1997) e proporemos uma reflexão acerca de três grandes modos de apreensão do personagem cinematográfico: a percepção, a sensação e a compreensão.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 4

20/10/2016 às 16:00 – Sala 5
A escuta e o sensível: a crônica de “Happy Birthday to John”.
Laís Ferreira Oliveira (UFF)
As formas como som, imagem e palavra apresentam determinado conceito afetam de maneiras distintas o espectador. Enquanto a visão se vincula a um sentido sensato e racional, a escuta se constitui como sentido sensível. Em “Happy Birthday to John” (1972), Jonas Mekas apresenta fragmentos do cotidiano de John Lennon, a convivência do músico com outros artistas e apresentações do cantor. Nossa análise investiga como o filme tensiona os sentidos sensível e sensato ao registrar a vida do músico, debruçando-se sobre o esforço da montagem de organizar trocas sensíveis entre os artistas da época.
A imagem e as figurações do sensível na obra de Miguel Rio Branco
Marco Túlio de Sousa Ulhôa (UFF)
O trabalho analisa o curta-metragem Nada Levarei Quando Morrer, Aqueles que a mim Deve Cobrarei no Inferno (1985), do fotógrafo e artista plástico, Miguel Rio Branco. Ao retratar a dimensão simbólica do espaço público e dos aspectos da vida social da comunidade situada no bairro do Maciel, na região do Pelourinho, em Salvador, a obra de Miguel Rio Branco realiza, através da construção de um regime de visibilidade condicionado pela imagem fotográfica e cinematográfica, uma penetração nas questões ontológicas que caracterizam a relação entre a dinâmica histórica, como exercício de escrita da memória e manutenção do discurso religioso, e a inscrição de uma ordem profana produzida por meio dos excessos evidentes na ação e na figuração dos corpos, da violência e do erotismo. Para isso, aborda-se a opção estética do artista pelos elementos da arte barroca, como traço histórico e mitológico de uma genealogia cultural e de um discurso de resistência próprios à comunidade retratada.
Vida sensível na Trilogia da solidão, de Cao Guimarães.
Consuelo Lins (UFRJ)
Nossa proposta é analisar os filmes que integram a Trilogia da solidão, que consolida de vez a importância do artista mineiro Cao Guimarães no cenário audiovisual contemporâneo. A trilogia se compõe dos documentários A alma do osso (2004) e Andarilho (2006) e da ficção O homem das multidões (2013), dirigida em parceria com o cineasta pernambucano Marcelo Gomes. Trata-se de identificar em cada uma das obras características singulares e, ao mesmo tempo, pontos em comum na construção fílmica de mod

ST Teoria e Estética do Som no Audiovisual – Sessão 4 – DIMENSÕES DA CRIAÇÃO SONORA: DOS PROCEDIMENTOS ÀS TÉCNICAS

20/10/2016 às 16:00 – Sala 6
Cinema “pós-industrial”: fluxos de trabalho e esteticas sonoras
Kira Santos Pereira (Unila – Unicamp)
Os modos de produção surgidos a partir do cinema digital trazem consigo novos fluxos de trabalho e também novas estéticas audiovisuais. A democratização dos meios de produção possibilitam um novo olhar e uma nova escuta, vindos de agentes tradicionalmente excluídos da criação audiovisual. Além disso estes modos de produção podem ser aproximados a outros momentos de nosso cinema, nos quais a “ação entre amigos” fez parte do modo de produção, gerando igualmente uma maior experimentação estética.
O SOM AO VIVO NO CINEMA BRASILEIRO ATUAL
Marina Mapurunga de Miranda Ferreira (UFRB)
Este trabalho visa entender como ocorrem as construções e planejamentos sonoros para execução do som ao vivo nas obras: Medo do Escuro (Ivo Lopes Araújo, 2014), Cine-Concerto (O Grivo e Cao Guimarães, 2009-2015) e Carioca era um rio Live Remix (Simplício Neto e os Nefelibatas, 2015). Assim como nos interessa o posicionamento espacial, a intenção dos compositores-intérpretes e como estas construções sonoras ao vivo contribuem para o pensamento sonoro no cinema brasileiro.
O SOM DIRETO NO CINEMA BRASILEIRO: ENTRE A CRIATIVIDADE E A TÉCNICA
Márcio Câmara (UFF)
Com base nos dados da minha pesquisa de mestrado com Técnicos de Som Direto, os quais são responsáveis pela captação de diálogos, ambientes e efeitos no processo de realização audiovisual, o artigo pretende refletir sobre a participação criativa desse profissional no cinema contemporâneo brasileiro, em contraponto com o tecnicismo ao qual ele é delimitado. Será abordado como as mudanças do território sonoro e das tecnologias influenciaram e influenciam no trabalho de captação de som.

Espaço, som e memória

20/10/2016 às 16:00 – Sala 7
SIMULAÇÕES DE UMA PERFORMANCE.
Ândrea Cristina Sulzbach (UTP)
Este trabalho pretende investigar a encenação tendo como recorte a performance e suas características artísticas, mais precisamente no período pós-moderno, o qual trouxe alterações na relação entre espectador versus público e ocupação de espaço. Através de uma intertextualidade a performance se estabelece como nova linguagem e gera um cenário artístico diversificado. A presente pesquisa pretende verificar quais desses elementos foram absorvidos pela linguagem cinematográfica.
A voz do pagão: Ramon Novarro, masculinidade e cinema sonoro
Natasha Hernandez Almeida Zapata (UFF)
Dentro do contexto do star system hollywoodiano dos anos 1920, como representante do estereótipo do latin lover, surgiu Ramon Novarro, um ator mexicano de grande prestígio durante a fase de transição para o cinema sonoro. No Brasil, sua voz foi a primeira a ser ouvida em salas de cinema de diversas cidades. O objetivo desse artigo, portanto, é estabelecer e entender as relações entre star system, masculinidade e a transição para o cinema sonoro, tendo como fio condutor a trajetória de Novarro.
Cinema e literatura: a adaptação literária enquanto espaço de memória
Marcela Dutra de Oliveira Soalheiro Cruz (UNISUAM)
Este artigo tem como objetivo se debruçar sobre a relação entre literatura e cinema – leitura e espectatorialidade – buscando compreender quais dinâmicas de memória são geradas a partir da experiência subjetiva do espectador/leitor. Pretendemos propor, ainda, uma análise sobre as interações entre o repertório do leitor/espectador e a memória cultural circulada de um cânone, sob a perspectiva de uma espiral de referências e citações presentes em adaptações audiovisuais contemporâneas de J. Austen

Cinema de autor II

20/10/2016 às 16:00 – Sala 8
Instabilidade e equilíbrio na Trilogia do Pós-Guerra de Fassbinder
Roberto Ribeiro Miranda Cotta (UFMG)
Esta pesquisa analisa as concepções estilísticas promovidas pelos filmes que compõem a Trilogia do Pós-Guerra de R. W. Fassbinder. Partindo da hipótese de que tais obras agregam formas estéticas, narrativas e dramatúrgicas esquadrinhadas no limiar entre a harmonia e o descontrole, a hierarquia e a entropia, o arranjo e a desordem, o objetivo deste estudo é investigar as maneiras como a convivência e o atrito entre polaridades tão distintas demarcam as bases estruturais dessas películas.
A ALEGORIA DO SAGRADO EM BERGMAN
Fabiana Rodrigues (PUCPR)
O presente artigo tem como objetivo analisar como se articulam as relações entre o Sagrado e o Profano em três obras do cineasta sueco ““A fonte da donzela – 1960”; “Através do espelho – 1961”e “Luz de Inverno – 1962”. Pretende-se pensar o “sagrado”, em Bergman, como algo da ordem do alegórico/simbólico. Portanto, analisaremos o conceito de sagrado na obra de Bergman de forma ampla, vasta, não nos limitaremos a uma única definição, ou melhor, a definição mais marcada a qual aproxima o “sagrado” do contexto religioso, pois o sagrado será visto, aqui, como uma perturbação dos sentidos, ou, ainda, como algo que venha a dar sentido à construção cênica no cinema de Bergman. Como suporte teórico serão utilizados Mircea Elíade, Umberto Eco, Soren Kierkegaard e Peter Berger para a questão da angústia e do processo de secularização nas religiões, respectivamente; e para o contexto do cinematográfico e do fílmico trabalharemos com as análises de Jacques Aumont e Ismail Xavier
O CINEMA DE AMBIÊNCIAS DE ALEKSANDR SOKUROV
Alex Sandro Martoni (UFF)
Este trabalho tem como objetivo refletir, a partir de alguns aspectos da obra do realizador russo Aleksandr Sokurov, sobre o processo de construção de ambiências no cinema, o que nos convida à reflexão sobre os processos de conceituação, classificação e produção de paisagens visuais, sonoras; seus desdobramentos na dimensão afetiva da experiência espectatorial e sobre as condições técnicas, históricas e políticas em que o perceptível é produzido.

Ensaio e Cinema II

20/10/2016 às 16:00 – Sala 9
A luta do representativo e do predicativo em Lavra-dor (1968)
Naara Fontinele dos Santos (Université Paris 3)
Através de uma metodologia que aposta na força de deslocamento de iniciativas estéticas e operações formais, propomos analisar o curta-metragem Lavra-dor, de Paulo Rufino e Ana Carolina (1968). Como uma imagem fixa ou móvel, um corpo ou um grafismo na tela, extratos de um poema ou recortes de um discurso político, torna-se matéria de representação ? Buscamos identificar as soluções formais adotadas pelos cineastas na elaboração desse ensaio poético de intervenção social.
A vida na|da imagem: o ‘espaço cinematográfico’ no ensaio audiovisual
Arthur Fernandes Andrade Lins (UFPB)
Propomos uma aproximação teórica-filosófica entre os estudos literários e audiovisuais, tendo como pressuposto o conceito de ‘espaço literário’ tal como pensado pelo escritor francês Maurice Blanchot. Analisaremos os procedimentos estéticos-narrativos em três documentários ensaísticos: Visita ou Memórias e confissões, de Manoel de Oliveira (1982), Outros Amarão as coisas que eu amei, de Manuel Mozos (2014) e As I Was moving ahead occasionally I saw Brief glimpses of Beaty, de Jonas Mekas (2000).
Do espectador pensativo à imagem pensativa: fotografia e filme-ensaio
Rafael de Almeida (UEG)
Partimos do pressuposto que a presença da foto na tela de cinema propicia que o espectador se desvencilhe, ao menos em parte, do fluxo narrativo e permita-se pensar no cinema. Por tal perspectiva, pretendemos realizar uma análise fílmica do curta-metragem A festa e os cães (Leonardo Mouramateus, 2015) para, enfim, propor que o uso da imagem fixa no filme-ensaio, em particular, para além de reforçar a convocação de um “espectador pensativo”, é capaz de gerar uma “imagem pensativa”.

Arquivo e História

20/10/2016 às 16:00 – Sala 10
Corpo erótico e invenção: as ruínas da História em “Cinema inocente”
Fabio Camarneiro (UFES)
O média-metragem “Cinema inocente” (1980) apresenta o subúrbio do Rio de Janeiro e imagens de arquivo de Nova York; trechos de filmes de Thomas A. Edison e uma evocação a Marcel L’Herbier e à vanguarda francesa dos anos 1920. Radar (Leovigildo Cordeiro) aparece como a personificação do cinema de montagem de Júlio Bressane e sua reorganização das “ruínas” da história do cinema. O Rio surge como um “El Dorado” tropical, lugar privilegiado do erotismo e da invenção cinematográfica mais relevante.
O cinema de John Akomfrah e os devires da memórias diaspórica
rodrigo sombra sales campos (UFRJ)
Este trabalho pretende investigar a obra de John Akomfrah, enfocando os modos pelos quais, ao reanimar imagens de arquivo, seus filmes conformariam uma história da diáspora na Inglaterra do pós-guerra. Recorremos a Walter Benjamin a fim de compreender como a imagem se apresentaria como um modelo de pensamento sobre a história. Interessa-nos aqui analisar como o recuo à memória em Akomfrah produziria figurações do devir das comunidades diaspóricas, ensejando a espera de uma comunidade por vir.
Cinema, história e compilation films
Eduardo Victorio Morettin (USP)
A comunicação abordará as relações entre cinema e história a partir do exame de Land of Liberty (1939), de Cecil B. DeMille. Ao contrário dos compilation films feitos com fragmentos retirados de cinejornais e documentários, é composto predominantemente por material retirado da ficção, estratégia de autenticação do discurso fílmico até então inédita. Land of Liberty representa verdadeiro monumento cinematográfico erigido em prol da história dos Estados Unidos e da indústria hollywoodiana.

Ficção e realidade: atravessamentos

20/10/2016 às 16:00 – Sala 11
Ficção e rastros documentais na obra de Miguel Gomes.
DANIELA ZANETTI (UFES)
O artigo traz resultados de uma pesquisa que buscou estabelecer um modo de análise fílmica que problematizasse a representação de espaços e territórios culturais no cinema, a partir da identificação de dimensões documentais em narrativas audiovisuais de ficção, tendo como corpus a obra do cineasta português Miguel Gomes, em especial sua trilogia As Mil e Uma Noites (2015). O trabalho de análise se ancora nos conceitos de cotidiano e espaço, numa perspectiva antropológica.
Intervenção divina ou a reinvenção pelo cinema
Maria Ines Dieuzeide Santos Souza (UFMG)
Nossa proposta parte da análise do filme Intervenção divina (Elia Suleiman, 2002) para compreender as formas como o cotidiano palestino sob a ocupação israelense é colocado em cena. A partir da identificação de três características principais – o controle rigoroso da mise-en-scène, a estrutura de esquetes e a repetição dos eventos –, estabelecemos um diálogo do filme com o cinema burlesco para pensar como essa posta em cena passa pelo deslocamento e pela reinvenção possibilitadas pela ficção.
A Personagem e a Cidade: Ficção e realidade em Rosetta
Alexandre Silva Guerreiro (UFF)
No cinema dos irmãos Dardenne, encontramos com frequência um imbricamento da ficção com o real. Este trabalho propõe uma reflexão sobre o que torna personagens fictícias como Rosetta possíveis e verossímeis, e de que modo a cidade na qual a personagem circula marca a convergência do real e do universo ficcional, coroada pela mise-en-scène dos irmãos Dardenne. Para tal, utilizamos os conceitos de Left-over spaces (DILLET, PURI, 2013) e de Constructo social (MOSLEY, 2002; LEGOFF, 1990).

MESA François Ozon – Narrativas mutantes para um espectador indiscreto

20/10/2016 às 16:00 – Sala 12
A ação como desestabilizador. Crime e vertigem em Les amants criminels
Junia Barreto (UnB)
Excitar e tirar o espectador da indiferença é a arte de François Ozon, que não o poupa em suas temáticas e tratamento; sem hesitar em incorporar, em sua estética, diferentes gêneros e artes. Mestre da desestabilização e da incitação da perda de referências no espectador, ele realiza, fazendo agir os personagens na trama. Através do filme Les amants criminels, sórdido conto de amor, interessa-nos investigar como o uso da vertigem do grotesco e a arte do crime provocam desordem e prazer.
Os níveis de narração no filme Dentro da Casa, de François Ozon
Marília Xavier de Lima (UFJF)
Procura-se analisar no filme Dentro da Casa, de François Ozon, a construção de dois espaços narrativos: o universo mostrado pelo narrador-principal e outro pelos narradores-personagens. Tais níveis narrativos engendram o espectador em uma indiscernibilidade daquilo que é do universo ficcional do filme e aquilo que foi inventado pelos próprios personagens, provocando um questionamento acerca da construção narrativa do filme.
As duas ficções de Rick e os regimes da fábula cinematográfica
Nilson Assunção Alvarenga (UFJF)
Encontramos em Ricky uma história dentro de outra: a de uma personagem que ficionaliza sua própria vida; e a história que o narrador está contando. Pensando que cada uma dessas histórias pode ser referida a um modelo – a narrativa clássica da personagem e a realista do narrador – e de que a esses modelos podemos associar regimes da arte que J. Ranciere chama de representacional e estético, busca-se indagar como o filme aponta para uma mistura potente entre modelos da arte cinematográfica.

PAINEL Imagem e técnica – Coordenação: Jennifer Jane Serra

20/10/2016 às 16:00 – Sala 13
CORPOS E SUBJETIVIDADES ANIMADAS: A ESTÉTICA DE MONIQUE RENAULT
Fernanda Resende Serradourada (Unicamp)
Experimentações quanto à linguagem e representações de corpos eram o mote de Monique Renault e outras animadoras do cinema de animação independente dos anos 70. Filha do Maio de 68 e desejosa de uma estética guiada pelas questões de gêneros, ela resistia ao “Betty Boopismo” e às representações de mulheres com enormes curvas e cílios. O corpo representado era chave nesse processo. Mas no que as singularidades da representação animada contribuíam para a construção desses corpos?
ESTRUTURAS NARRATIVAS NAS ANIMAÇÕES DE SYLVAIN CHOMET
Mariana Aymee Sacchetto (UNICAMP)
Este trabalho consiste na análise da aplicabilidade da metodologia de Field (1996) na estrutura narrativa das animações As bicicletas de Belleville (2003) e O Mágico (2010) de Sylvain Chomet. Por meio desse estudo, pretende-se refletir sobre as características básicas utilizadas na construção de uma narrativa cinematográfica. A proposta é ressaltar as formas e as possibilidades narrativas próprias do cinema ficcional.
A Imagem Analógica: Entre Desejo de Presença e de Memória
BARBARA BERGAMASCHI NOVAES (UFRJ)
Segundo Renato Cohen (p. 45, 2013) a performance é um trabalho humanista, visando libertar o homem de suas amarras condicionantes, e a arte, dos lugares comuns impostos pelo sistema. Os praticantes da performance, numa linha direta com os artistas da contra cultura, fazem parte de um último reduto que Susan Sontag (apud Cohen, 2013) chama de “heróis da vontade radical’. A presente pesquisa teórica se volta para artistas e cineastas que, na contramão da hegemonia da tecnologia digital, retomam práticas e estéticas da imagem analógica em suas obras. A partir dessa premissa, levanta-se as questões: de que modo a imagem analógica pode suscitar debates no campo teórico da arte quanto no campo político? Em que sentido seu movimento é potencializador de forças de resistência e experiências dissensuais que transparecem problemáticas do contemporâneo? Como a pratica analógica pode ser vista como um gesto e ato performático e uma superfície que produz novos territórios no sensível?
A MISE EN SCÈNE DOS FILMES EM 3D ANAGLIFO COMPARADO AOS POLARIZADOS
Priscilla Barbosa Durand (UFPE)
O objetivo deste trabalho é analisar a mise-en-scène do filme em 3D anaglifo Disque m para matar realizado na década de 50 – anos dourados do cinema em 3D – comparando com a mis-en-scène do filme em 3D polarizado Adeus à linguagem, a partir disso, defende-se o pressuposto de que essa tecnologia tem o potencial de formar um campo de experimentações cinematográficas, contribuindo para a criação de novas linguagens e experiências estéticas discutindo suas características e sua potencialidade de se tornar uma nova linguagem avaliando o impacto da encenação.
Uma reflexão sobre desenhos animados e suas possibilidades na educação
ÉRIKA LOURENÇO DE MENEZES (Unirio)
Este trabalho tem como proposta refletir sobre mudanças temáticas e estruturais apresentadas nos enredos dos desenhos animados de alta circulação, e ainda, possíveis reflexos em crianças e jovens em contextos escolares.

PAINEL Montagem, memória e imagem – Coordenação: Érico Oliveira de Araújo Lima

20/10/2016 às 16:00 – Sala 14
A Cidade é uma Só?: A montagem cinematográfica partir do conflito
Hector Rocha Isaias (UFC)
O filme “A Cidade é uma Só?” desenvolve um enredo épico inicialmente a partir do resgate e ficcionalização de arquivos da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), mobilização orquestrada pelo Governo Federal com o intuito de expulsar e realocar moradores dos arredores da Capital Federal. Partimos do pressuposto que a sucessão de planos apresentados pelo filme são justapostos com a intenção de criar conflito e colisões que possibilitem a ressignificação das narrativas oficiais.
A fotografia de família no documentário “Diário de uma busca”
Patricia Cunegundes Guimaraes (UnB)
O trabalho analisa a importância do uso de fotografias de família como gatilho acionador de memória em “documentários de busca”. No filme “Diário de uma busca”, a cineasta Flávia Castro apoia-se em seu diário, documentos, fotografias de família e cartas para apresentar a vida de seu pai, Celso Afonso Gay de Castro, militante de esquerda morto em 1984. A partir da soma de todas as memórias afetivas, Flávia Castro tenta reconstruir muito mais do que a identidade do pai, mas a sua própria história.
A fuga como um caminho
Virgínia Paula Pinho Freitas (UFC)
Em “A saída dos operários da fábrica” (1995) Harun Farocki produz crítica da economia das imagens que transborda na crítica da própria história do cinema. O trabalho fabril é observado pela câmera de segurança e ocultado pela imagem do cinema. A saída da fábrica é a fronteira contraditória entre essência e aparência. Contradição expressa nos corpos em tensa coreografia, através da qual a imagem da classe ora se faz, ora se desfaz. Pensamos aqui conectando categorias de Marx, Rancière e Lepecki.
A poética de Waly Salomão em Pan-cinema permanente
João Paulo Rabelo de Farias (UFMG)
Buscando uma forma mais orgânica de se relacionar com seu retratado, por meio de um contato próximo com sua obra e sua performance, o documentário Pan-cinema permanente (Carlos Nader, 2008) que focaliza o poeta Waly Salomão parece procurar na articulação com seus motivos poéticos uma chave de construção para o edifício fílmico. Entendendo-os como uma “procura viva” que (re)alimenta a obra de Salomão, pretende-se investigar no filme três motivos da sua poética: máscara, teatro e fronteira.
“Blokada”: ruínas, imagens e espaço sonoro
João Lanari Bo (Unb)
A Segunda Guerra Mundial levou ao paroxismo situações de violência. O cinema e os demais suportes audiovisuais tem se encarregado de expor as possibilidades dramáticas desse grande trauma histórico. “Blokada” é um exercício de 52 minutos sobre o bloqueio de Leningrado durante a 2ª Guerra, feito exclusivamente com material de arquivo, sem narração e/ou entrevistas, com pista de ruídos construída de modo artificial, em estúdio. A relação som-imagem que se instaura produz uma inédita e inquietante familiaridade.

21/10/2016


ST Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais – Sessão 5 – A marginalidade na tela

21/10/2016 às 09:00 – Sala 1
Figurações da justiça no “cine de la marginalidad”
Dinaldo Sepúlveda Almendra Filho (UNILA)
Este texto analisa as figurações da justiça no cinema dos anos 1990 e 2000, relacionando a ficção produzida no regime estético definido por Christian León como “el cine de la marginalidad” com o conceito de “justiça como lealdade ampliada” no discurso político de Richard Rorty. Como resultado, reconhece as oscilações dos sensos do justo nas ações e na moralidade dos personagens típicos da “estética do desencanto” ou da “dramaturgia do desamparo” associadas aos espaços urbanos latino-americanos.
Magnífica 70, a censura e o cinema da Boca do Lixo
Marina Soler Jorge (UNIFESP)
Passados 30 anos do final da Ditadura Militar instalada no Brasil em 1985, surge um produto audiovisual que tem como objetivo explorar temática e esteticamente dois elementos da cultura brasileira que tiveram seu apogeu na década de 1970: a produção cinematográfica da Boca do Lixo e o Departamento de Censura do regime militar, responsável por zelar pela adequação moral, mas sobretudo política, dos produtos culturais nacionais ou estrangeiros. Trata-se de Magnífica 70, série televisiva brasileira que mergulha no universo do cinema comercial paulistano conhecido, na falta de termo mais preciso, como pornochanchada, bem como em suas relações com os censores responsáveis por vetos e cortes nas obras. O objetivo desta apresentação é discutir Magnífica 70 a partir dos seguintes elementos: 1) a organização narrativa da série; 2) a apropriação temática do cinema da Boca do Lixo e da censura militar; 3) as opções estéticas utilizadas para se representar estes dois universos.
Escobar, o patrão da mídia – tensões no audiovisual na escobarmania
Maurício de Bragança (UFF)Hadija Chalupe da Silva (UFF/ESPM)
A partir de Narcos, da Netflix, coprodução inserida no fenômeno da escobarmania, vamos analisar de que forma a figura de Pablo Escobar encaminha uma discussão que passa pelos formatos narrativos e de produção, a inserção de estratégias em torno de uma identidade continental em termos globalizados, e as tensões geradas pela perspectiva da coprodução ao tratar de forma globalizada narrativas situadas na América Latina.

ST Cinema e literatura, palavra e imagem – Sessão 5

21/10/2016 às 09:00 – Sala 2
Godard-Górgias: materialização da palavra em imagem no corpo feminino
Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho (UFMG)
A relação de Godard com a literatura grega é conhecida. Lembremos Le Mépris, releitura da Odisseia, via o romance de Moravia, apesar da «deflação épica» (Stam, 2008), ou Hélas pour moi, sobre o mito de Alcemna. Proponho, aqui, analisar Une Femme Mariée à luz do Elogio de Helena, no qual Górgias mostra o poder do discurso explorando os sentidos do termo corpo, e indicar estratégias retóricas de Godard ao construir a mulher pela visibilidade de seu corpo como imagem poético-discursiva do desejo.
A “cativa” no cinema e na literatura argentina
Maria Celina Ibazeta (PUC-RIO)
Este trabalho compara a construção e a transformação da figura da “cativa” nas obras literárias: La Cautiva (1837) de Esteban Echeverría, Historia del guerrero y la cautiva (1949) de Jorge L. Borges e Ema, la cautiva (1981) de César Aira e no filme Gerónima (1986) de Raúl Tosso. Esta revisão histórica pretende explicar porque se perpetuou na literatura a figura da mulher branca prisioneira dos índios, e de que forma o cinema traz o reverso deste patrão, a mulher índia em poder dos brancos.
Os diálogos entre Nina e Ana em A casa assassinada, de Saraceni
Livia Azevedo Lima (ECA-USP)
Esta comunicação propõe uma análise do filme A casa assassinada, de Paulo César Saraceni, a partir da relação que ele estabelece com a prosa de Lúcio Cardoso. Para tal, se concentrará nas diferenças entre os efeitos dramáticos provocados pelos diálogos entre as personagens femininas Nina e Ana no filme A casa assassinada e no romance Crônica da casa assassinada.

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil – Sessão 5

21/10/2016 às 09:00 – Sala 3
A Jornada de Cinema e o mercado paralelo de exibição (1972-1985)
Marise Berta de Souza (UFBA)
Esta proposta tem o objetivo de apresentar um panorama da primeira fase da Jornada de Cinema da Bahia a partir da sua programação paralela, entendida como uma alternativa de difusão de produções audiovisuais independentes. A Jornada deixou marcas pelo forte engajamento e militância em prol de um circuito alternativo contribuindo de modo fundamental para o estabelecimento do filme curto no Brasil.
O mercado exibidor no Brasil e na Bahia
Filipe Brito Gama (UESB)
Dentre os elos da cadeia produtiva do audiovisual, a exibição é o que faz a mediação com o público consumidor. Compreendendo o mercado exibidor de salas de cinema no Brasil, observa-se nas últimas décadas uma série de transformações em sua estrutura. Tendo como referência o estado da Bahia, nota-se um parque exibidor em crescimento, mas concentrado nas grandes cidades, especialmente com os complexos no sistema Multiplex e localizados em shoppings. Mas como este mercado se constitui no interior?
A experiência coletiva do audiovisual no Programa Cinema Para Todos
Adil Giovanni Lepri (UFF)
Este artigo pretende realizar uma reflexão sobre a experiência coletiva do audiovisual no Programa Cinema Para Todos, iniciativa da Secretaria Estadual de Cultural do Rio de Janeiro. O programa é realizado em parceria com a Secretaria Estadual de Educação e possui como principal linha de atuação a distribuição de vale ingresso para alunos e comunidade escolar da rede pública fluminense. A partir da análise do parque exibidor do estado pode-se pensar na experiência coletiva da exibição cinematográfica como um elemento distante de boa parte da sociedade no estado do Rio. O programa em questão, então, é ao mesmo tempo um fator no que tange o acesso a esta experiência e um importante mecanismo econômico para os grupos exibidores presentes no estado.

ST O comum e o cinema – Sessão 5

21/10/2016 às 09:00 – Sala 4
Caçando capivara: com o cinema-morcego dos Tikmu’un (Maxakali)
André Guimarães Brasil (UFMG)
Na comunicação, abordo o filme Caçando capivara (2009), realizado pela comunidade tikmu’un (maxakali) da Aldeia Vila Nova, em Minas Gerais, atentando-me ao modo como traços do xamanismo tikmu’un inscrevem-se concretamente nas imagens. O filme acompanha um grupo de caçadores (cineastas-caçadores, caçadores-cineastas) que, junto aos yãmiyxop (povos-espíritos com os quais mantêm aliança), saem em busca da capivara, animal tornado raro na região, outrora rica em diversidade. Para que a quase impossibilidade da caçada se transforme em possibilidade, é preciso que a dimensão fenomenológica do cinema se altere, seja habitada, por uma dimensão cosmológica; que a paisagem desertificada seja povoada por afetos, agências e seres existentes e extintos, visíveis e invisíveis. Tomando emprestada sua dinâmica aos cantos xamânicos dos Tikmu’un, Caçando capivara sugere a possibilidade de um “cinema-morcego”, que aciona, quem sabe, uma outra modalidade de visão.
Comum com os bichos: conversa com idiotas em As quatro voltas
Luís Fernando Lira Barros Correia de Moura (UFMG)
Diante da reivindicação de um cinema vocacionado a, como diz Jean-Louis Comolli, fazer “sentir aquilo que, no mundo, ainda nos ultrapassa”, perguntamos como um gesto de ficção poderia vislumbrar um comum perturbado por agências de animais não humanos. Atentamos à escritura do filme As quatro voltas (Michelangelo Frammartino, 2010) para especular como uma pragmática da audição, mediante a encenação da voz, produz efeitos de surdez positivos a outros laços, de envergadura cosmopolítica.
Cemitério do Esplendor: o despertar para a mediunidade pela partilha
Luciano Viegas da Silveira (UFMG)
Este artigo investiga certa tensão que se opera entre o visível e o invisível mediada pela palavra em Cemitério do Esplendor, do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul. Nossa hipótese é que o filme apresenta a questão do despertar para a mediunidade sob o emblema da partilha e, igualmente, a espiritualidade pela invenção do comum.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 5

21/10/2016 às 09:00 – Sala 5
História do olho: a teoria rosselliniana do conhecimento
Luiz Carlos Oliveira Junior (USP)
Discutirei o modo como os filmes de Roberto Rossellini dramatizam as potências do cinema como ferramenta do conhecimento e constituem um ato de teoria e de descoberta intelectual do mundo. Será feito um trajeto que vai do olhar identificado a um sujeito, a um corpo (como em Stromboli e Viagem à Itália), ao olhar aéreo, incorpóreo, à pura visão empenhada numa odisseia visual de conhecimento (Índia, Beaubourg).
Roberto Rossellini – depurações da visão
Nikola Matevski (USP)
Em India Matri Bhumi (1959), Roberto Rossellini redefine seu olhar, encontrando uma visão inocente que registra a “criação do mundo”. Estabelecem-se assim as bases para a eclosão de um projeto pedagógico-histórico marcado pela procura por uma “visão direta”. Em seu último filme, Beaubourg, centre d’art et culture Georges Pompidou (1977), Rossellini atinge um ponto extremo neste percurso que chamamos de depuração da visão e que será tema de nossa contribuição.
Entre a imagem e a técnica: o cinema segundo Harun Farocki
LUÍS FELIPE DUARTE FLORES (UFMG)
A obra audiovisual do cineasta tcheco-alemão Harun Farocki é marcada por reflexões sobre a imagem cinematográfica em suas interseções com outras formas de visibilidade técnica. Esse esforço teórico presente nos filmes é acompanhado por vasta produção textual (artigos, entrevistas, livros), oferecendo um pensamento consistente sobre o cinema na era da visão tecno-midiática. Esta intervenção pretende demonstrar, a partir dos escritos e filmes do cineasta, como esse sistema filosófico é concebido.

ST Cinemas em português: aproximações – relações – Sessão 5

21/10/2016 às 09:00 – Sala 6
Coproduções Cinematográficas em Português: uma arqueologia do conceito
Helyenay Souza Araujo (UERJ)
A complexidade e o aumento progressivo das coproduções torna necessário lançar luz sobre esse fenômeno para uma maior compreensão de suas dinâmicas. Propomos traçar uma arqueologia do conceito de coprodução e sua evolução ao longo da história do cinema, tentando ampliar também a compreensão do fenômeno das coproduções entre Brasil e Portugal no âmbito do Programa Ibermedia. A proposta compreende ainda uma análise e reflexão do corpus de coproduções luso-brasileiras financiadas pelo Programa.
PERSPECTIVAS DA EXIBIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL E PORTUGAL
Renata Faria dos Santos (CEFET/UFRJ)
O crescimento da indústria cinematográfica é marcado por transformações constantes, em um processo de produção cada vez mais complexo que necessita de maior entendimento sobre a forma de organização de seus arranjos, bem como as principais estratégias desenvolvidas para o setor. Percebe-se que desenvolver estes arranjos, independentemente de sua situação econômica, pode favorecer uma maior interação entre os atores envolvidos, estimulando assim, a troca de conhecimento entre as empresas do setor, e influenciando diretamente o desenvolvimento econômico.
Cinemas em português: cinema nacional e transnacional
Leandro José Luz Riodades de Mendonça (UFF)
A proposta de estudar os conceitos de cinema nacional e transnacional na sua relação com cinemas periféricos apoia-se na suposição que a estruturação de um campo teórico onde se trabalha uma definição estética e classificatória influencia diretamente os espaços de circulação dos filmes. A premissa é que existe uma categoria dentro do conceito de modo de produção descrita no segundo nível do conceito onde está o espaço de recepção e os sistemas de divulgação e distribuição.
Os conceitos de nacional e transnacional podem servir para criar barreiras estruturais e ideológicas. Estas têm necessidade de serem interpretadas para elucidar o modo de circulação de produtos audiovisuais consumidos atravessados pelos limites postos pelos conceitos em tela. Fatores como a escala de distribuição e a legitimação crítica acabam não só por criar mecanismos que subordinam as identidades e a difusão da cultura dentro e fora de espaços nacionais.

MESA Exemplaridade e Devoção nos Filmes Hagiográficos

21/10/2016 às 09:00 – Sala 7
Chico Xavier, o filme. Um santo do nosso tempo.
Luiz Vadico (UAM)
Analisaremos o filme Chico Xavier, de Daniel Filho (2010), verificando como o médium é retratado, defendendo a idéia de que não é uma cinebiografia como anunciado, mas uma hagiografia fílmica (filme de vida de santo). E, neste sentido está localizado entre outras produções espíritas no Campo do Filme Religioso (VADICO, 2015). Mesmo o Espiritismo não admitindo santos, pretendemos responder à questão relativa a cinebiografia de personagens religiosos, elas obedecem os parâmetros da hagiografia?
St. Vincent, Um Santo Vizinho: uma narrativa exemplar
Angeluccia Bernardes Habert (PUC-Rio)
Esta comunicação retoma a questão da hagiografia representada no cinema. Continua a discussão em torno de filmes que enfeixam ações cotidianas, gestos e experiências de vida de personagens contemporâneas e, no momento, detêm-se no filme St. Vincent (2014), Um Santo Vizinho, de Theodore Melfi.
Peregrinos e devoção em CamminaCammina, de Emmano Olmi
Miguel Serpa Pereira (PUC-RIO)
Devoção é uma palavra que denota praticas religiosas, difundidas por todos os Continentes. Sua origem, no entanto, é bem antiga. Antes dos Padres da Igreja, o conceito já existia entre os gregos. São Paulo, em suas cartas, se refere a essas práticas, assim como Santo Agostinho e mais tarde Tomás de Aquino, o teólogo que sistematizou os princípios da crença cristã. O termo deriva da raiz latina voveo, devoveo. CamminaCammina, de Emanno Olmi, aborda essas práticas em suas origens e atualizações.

Cinema brasileiro: poesia

21/10/2016 às 09:00 – Sala 8
Imaginação e Realidade: O País de São Saruê e O Fabliaux de Cocagne
Mauricio Monteiro (UAM)
Essa proposta procura observar e compreender o filme de Valdimir e carvalho, “O Pais de São Saruê” através da temática do poema de Manuel Camilo dos Santos, cujas similaridades com o poema Fabliaux de Cocagne reforçam a permanencia dos resquicios medievais na região nordeste do Brasil. Trata-se de um estudo entre a utopia – inspiradora dos trovadores medievais e do cordelista e violeiro Manuel Camilo – e a realidade, descritas na sua mais pura dor e melancolia na obra de Vladimir de Carvalho.
Adaptação Neobarroca: Catatau de Leminski e ExIsto de Cao Guimarães
Maria Cristina Mendes (UEPG)
ExIsto (Cao Guimarães, 2010) é uma adaptação cinematográfica de Catatau ( Paulo Leminski, 1975). Analiso nos trechos do filme, Dança da chuva, Brasília e Mãe Preta, a presença do Barroco que Haroldo de Campos identifica no livro e aponto mudanças socioculturais no período que separa as obras. Se tradução criativa e infidelidade ao texto fonte fundamentam a qualidade da nova obra, destaco singularidades do estilo que, para Deleuze, representa novo modelo de mundo.
O encontro da palavra em Carolina Maria de Jesus e João Candido
Tallyssa Izabella Machado Sirino Rezende (UNIOESTE)
Este estudo se propõe a refletir sobre as diferentes nuances assumidas pela palavra em O papel e o mar (2010), curta-metragem, de Luiz Antonio Pilar, que ficcionaliza um encontro entre a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus e João Candido, o almirante negro, o líder da revolta da chibata. Para tanto, busca-se respaldo teórico em Hutcheon (2011), Deleuze (1989), Derrida (2009) e Bakhtin (2002).

Corpo e limiar

21/10/2016 às 09:00 – Sala 9
A bela e a boa morte na TV, transmutações do corpo
Cristina Teixeira Vieira de Melo (PPGCOM/UFPE)
Time of death (2013) é uma série documental de seis episódios do Showtime. Câmeras registram os últimos dias de vida e a hora da morte de oito doentes terminais. Analisamos como os procedimentos narrativos utilizados pelo programa demonstram/justificam a sua missão “humanista” e simultaneamente/concorrentemente correspondem às expectativas do espetáculo midiático que necessariamente o é. Para tanto, tensionamos a figura da “boa morte”, ideário da medicina paliativa que está na base conceitual de Time of death, com outras “figuras da morte”, seja a da “bela morte” personificada pelo herói grego ou a morte do herói romântico. Interessa-nos verificar até que ponto o programa convoca cenas típicas do que é considerado uma “bela morte” – “a luta e a morte no campo de batalha”, “a morte junto aos familiares”, “a morte nos “braços da amada”, “a verdade das últimas palavras”, etc. – fazendo-as coincidir com os gestos, as performances, as mise en scène dos personagens.
Representações de violência na minissérie de guerra Band of Brothers
Ketlyn Mara Rosa (UFSC)
A proposta desta comunicação é de trazer uma discussão sobre a minissérie de Segunda Guerra Mundial Band of Brothers e suas representações de violência explícita, e como os retratos gráficos de mutilações, machucados e mortes adicionam camadas de significação na narrativa através da exploração dos temas de companheirismo, sacrifício e trauma. Por meio da análise cinematográfica de uma cena será possível perceber o desenrolamento dos temas através da transformação do retrato grotesco da violência em um significado mais complexo e simbólico que vai além da estrutura física do corpo.
Imagem e transgressão: o monstro como limite em Freaks
João Victor de Sousa Cavalcante (UFC)
O trabalho elabora questionamentos sobre as relações entre monstro, imagem e alteridade encontradas no filme Freaks (Tod Browning, 1932). A partir do conceito de transgressão de Georges Bataille, e em diálogo com autores do cinema e da antropologia, discutimos a imagem do corpo monstruoso como um elemento de intersecção sígnica, que desestabiliza a representação e põe em questão as fronteiras da identidade, em um processo de fabricação do outro, evidenciando o caráter limítrofe do sujeito.

Fotografia e Cinema

21/10/2016 às 09:00 – Sala 10
(Re)Descobrindo László Moholy-Nagy, Teoria e Prática
Fernanda Aguiar Carneiro Martins (UFRB)
De autoria de um dos maiores artistas do século XX, a obra de László Moholy-Nagy é considerada visionária e atual. A presente comunicação se propõe a traçar um paralelo entre o “roteiro manifesto” das sinfonias urbanas, “Dinâmica da Metrópole”, e os escritos de Moholy-Nagy, tendo como base uma aproximação entre a fotografia e o cinema, cujo esforço de compreensão apresenta enquanto resultado fílmico o curta “Cachoeira, Sinfonia de uma Cidade” (3’36”, 2015), uma realização do LACIS.
A fotografia como instrução documentarizante em Diários de motocicleta
Sancler Ebert (UFSCar)
Neste trabalho analisaremos como o filme Diários de motocicleta (Walter Salles, 2004) usa a fotografia still para instruir leituras documentarizantes (Odin, 2012). Utilizaremos a intermidialidade como metodologia, para pensarmos a relação entre fotografia e cinema e a partir das reflexões de Barthes (1984), Dubois (1994), Sontag (2007), Belour (1997), Aumont (2009) e Campany (2008) discutiremos as diferenciações entre as duas mídias, como nas questões do olhar, do tempo e da indicialidade.
Fotografia – do estático para o movimento. Aproximações e resistências
Cristiano Franco Burmester (PUC-SP)
Esta pesquisa investiga as transformações do campo midiático da fotografia em função das interações no campo das mídias audiovisuais. Atualmente, aparatos fotográficos registram imagens estáticas, bem como, em movimento. Agora, não somente na pós-produção, mas também na captação de imagens, ocorrem interações entre a fotografia e o audovisual. A questão da pesquisa assim se coloca: o que estas transformações podem significar nos termos da renovação das narrativas fotográficas e audiovisual ?

Hibridações: tevê e mídias

21/10/2016 às 09:00 – Sala 11
Reflexividade: diálogos entre Pop Art e televisão no Brasil
Carla Simone Doyle Torres (UFRGS)
Na transição entre a Arte Moderna e a Contemporânea, destaca-se Andy Warhol – que leva a Pop Art à televisão – temos os maiores avanços técnicos para a produção audiovisual. Em comum entre Pop Art e televisão no entorno dos anos 1980, a ênfase à reflexividade. Esta pesquisa objetiva verificar como, a propósito da reflexividade, Pop Art e televisão se encontram em meio à produção televisiva brasileira dos últimos 30 anos.
Palavras-chave: Televisão, Pop Art, Reflexividade
“O medo é a mensagem”: o horror da mídia no cinema contemporâneo
Klaus Berg Nippes Bragança (UFES)
O cinema de horror foi desenvolvido em consonância ao desenvolvimento midiático que originou sua história. A partir da virada do século XX o gênero passa a incorporar em seus códigos narrativos a preponderância que as tecnologias de mídia assumiram no cotidiano, especialmente o meio digital. Este trabalho investiga como o horror contemporâneo materializa em suas formas certos padrões de uso da mídia, sua produção, preservação, transmissão e distribuição midiática, bem como suas fobias.
O figurino em Os 10 Mandamentos: a moda como estratégia de consumo
Agda Patrícia Pontes de Aquino (UFPB)
Este trabalho analisa como o figurino do filme “Os 10 Mandamentos”, da Rede Record, é usado para aproximar o público da trama, ao o atualizar para as tendências de moda atuais e optar por uma produção com afinco histórico relativizado e verossimilhança questionável. Além de multimidializar o produto em plataformas como televisão, cinema e internet, a emissora também criou coleções de moda inspiradas na trama para comercialização junto ao público, levando-o das telas para a vida das pessoas.

Fetiche e Perversão

21/10/2016 às 09:00 – Sala 12
Quem tem medo do escuro?
Michel Carvalho Soares da Silva (UFRJ)
“Quem tem medo do escuro?” visa pensar e perceber o lugar do negro dentro do mercado de produção de filmes pornográficos brasileiros – a exotização e valoração do corpo da mulata e suas formas sinuosas, a extrema atenção dada ao órgão sexual do homem negro, “bem dotado” e de forte apetite sexual, o sexo inter-racial, praticado defronte às câmeras por atrizes brancas e atores negros… Em suma, pretende-se investigar os meandros, bastidores e idiossincrasias do corpo negro na produção pornô nacional.
Corpo, desejo e perversão no cinema de Larry Clark.
Henrique Codato (UFC)
Por meio de um diálogo com diversos autores do campo do cinema, dos estudos da imagem e da psicanálise, e a partir da ideia de perversão tal qual defendida por Deleuze (2009, p.28), como uma “intrínseca transformação de energia” que tem o mérito de “trazer o corpo para o campo do pensamento”, propomos analisar três sequências de três filmes de Larry Clark – “Kids” (1995); “Ken Park” (2002) e “O Cheiro da Gente” (2015), buscando demonstrar como essa perversidade do olhar, traço estilístico do cinema de Clark, se constitui na relação estabelecida entre o olho mecânico de sua câmera e o corpo adolescente, obsessão do cineasta.
Sergio Bianchi e a perversão
César Takemoto Quitério (FFLCH)
A partir de uma cena chave de ‘A causa secreta’ (1994), tentaremos uma aproximação do cinema de Sergio Bianchi, mais especificamente de algumas de suas molduras formais, a partir da categoria psicanalítica da perversão. Trata-se de tentar começar a compreender não apenas um tema pouco explorado pela crítica existente sobre o cineasta, mas a sua (em geral ignorada) pertinência e incisividade na análise de procedimentos e talvez da própria regra de composição de alguns de seus filmes.

Cinema e engajamento

21/10/2016 às 09:00 – Sala 13
Fronteiras entre meios e formas em Cabra marcado para morrer
Esther Hamburger (USP)
Esse artigo retoma Cabra marcado para morrer no intuito de analisar as relações entre o cinema engajado do CPC, a televisão presente como referência negativa, mas também como sugestiva de formas de filmar, as diferentes vozes narrativas incluindo a voz de Coutinho em primeira pessoa. O artigo se beneficia da bibliografia recente em cultura visual, (ou audiovisual), cinemáticas, e/ou outros nomes de um campo que ao mesmo tempo se amplia e fortalece um núcleo conceitual.
“É preciso atrever-se a pensar”: montagem e engajamento em Contestação
Luiz Garcia Vieira Junior (UFF)
A comunicação revê a trajetória de Contestação (1969), curta de João Silvério Trevisan, caso raro de reemprego de imagens fílmicas em sua época. O “filme de guerrilha” ainda pouco conhecido, foi construído a partir de imagens de telejornais. Urgência e condições precárias refletem o pior momento da ditadura militar estabelecida com o golpe de 1964. Apresentaremos os elementos constitutivos trabalhados por Trevisan na montagem como proposta disponibilizada ao engajamento do espectador.
Rio em Chamas: Cinema de Conflito.
Gabriel Neiva (PPGCOM (UERJ).)
A comunicação procura analisar o documentário Rio em chamas, filme-manifestação que fala da crise social por que passa a cidade do Rio de Janeiro e dos protestos públicos que se tornaram constantes desde meados de 2013. O Rio de Chamas se enuncia como um cinema de engajamento, atestado firme de um discurso de visibilidade contra hegemônica em que as imagens de violência revelam a posição crítica dos seus realizadores às instituições policiais.

PAINEL Fronteiras do gênero e questões de autoria – Coordenação: Cyntia Gomes Calhado

21/10/2016 às 09:00 – Sala 14
A construção do insólito ficcional em Trabalhar Cansa
Fabrício Basílio Pacheco da Silva (PPGCOM/UFF)
O presente trabalho parte do filme brasileiro Trabalhar Cansa (2011) e objetiva investigar os aspectos insólitos empregados no filme. Para isso, ambiciona-se conectar estudos literários e cinematográficos, partindo da teoria de terror incidental proposta Laura Cánepa, da evidenciação de códigos do horror e da proposta temática social da obra, que se somaram aos estudos de Tzvetan Todorov e David Roas acerca do fantástico.
Atmosferas do medo em filmes brasileiros e argentinos contemporâneos
Fernanda Sales Rocha Santos (USP)
Este trabalho busca pontuar uma tendência estilística semelhante nas cinematografias brasileira e argentina contemporâneas, que é a combinação de elementos de uma estética realista de cunho baziniano com elementos característicos do cinema de gênero horror. Partindo disso, se realizará uma análise de seqüências dos filmes O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, 2013) e Bem perto de Buenos Aires (História del Miedo, Benjamín Naishtat, 2014), focando na questão da tensão narrativa inconclusa.
ÉTICA CAÓTICA: proposições sobre o cinema marginal de Júlio Bressane.
Ana Beatriz Buoso Marcelino (UNESP)
Este estudo pretende investigar os sentidos lançados pelo cineasta brasileiro Júlio Bressane em seu escopo marginal (1967-1973), cujos filmes foram concebidos dentro de uma estética considerada tosca, rudimentar, abjeta, disjuntiva e heterogênea, produtora de um efeito aparentemente caótico ao olhar de um público marcado pela hegemonia, à luz de ideários que poderiam contribuir com seus pressupostos na tentativa de elucidar os efeitos eliciados por tal linguagem adotada.
Verdade, Engano e Ética no cinema de Brian De Palma
Matheus Cartaxo Domingues (UFPE)
Ao longo da filmografia de Brian De Palma nota-se como recorrente a abordagem da tríade verdade, engano e ética. Esta pesquisa se propõe a realizar um estudo da obra deste cineasta considerando a importância desses temas na construção e desenvolvimento da mise en scène dos seus filmes. Para isso, será realizado um estudo que aprofunde, com base na filosofia, o conhecimento em torno desses assuntos a fim de identificar a relação deles com os aspectos narrativos e estilísticos dos filmes.
Violência Gratuita: espectador-personagem, desprazer e reflexão
Thiago Henrique Ramari (UEL)
O painel busca explicar como Violência Gratuita (1997), de Michael Haneke, atualiza a experiência do neorrealismo italiano, com a transformação do público em espectador-personagem, a fim de refletir sobre o consumo de imagens de violência como entretenimento. Com base nos conceitos cinematográficos de Deleuze (1983; 1990), nota-se que, ao implicar a audiência na diegese através de apartes, o filme a submete a situações óticas e sonoras puras que abrem espaço ao desprazer e à reflexão.

ST Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais – Sessão 6 – Gênero, poesia e outros vieses

21/10/2016 às 11:00 – Sala 1
Personagem feminina no documentário brasileiro
Karla Holanda (UFJF)
Investigação da personagem feminina nos documentários brasileiros entre as décadas de 1960 e 1980. Se na primeira década é bastante reduzido o número de diretoras e a personagem feminina está quase ausente nos documentários, salvo raras exceções, nas décadas seguintes a presença das mulheres será bem mais marcante. Motivadas pelas agenda feminista da segunda onda, muitas cineastas vão tratar de temáticas caras ao movimento e as personagens femininas terão maior relevância – como serão abordadas?
Na trilha da poesia, leituras luminares: Heddy e Gabriela fabulam cine
denise tavares da silva (UFF)
Traduzir ou “transcriar” a plasticidade engendrada pela poesia tem sido um veio fértil para o doc latino-americano. Aqui, a proposta é discutir as trilhas escolhidas por Heddy Honigmann em O amor natural (1995), e a que percorre Gabriela Yepes em Vivir es una obra maestra (2008), considerando suas escolhas distintas em diversos aspectos – formais, narrativos, estilísticos – que desenham um território atravessado por sombras que rodopiam em torno do fabular cinema a partir do real.
Narrativas que viajam – Elyza Linch: Queen of Paraguay
Anelise Reich Corseuil (UFSC)
Elyza Lynch: Queen of Paraguay (dirigido por Alan Gilsenan, 2013), docudrama sobre a relação de Elyza Lynch e Francisco Solano Lopez e a Guerra do Paraguai, pode ser definido como um docudrama sobre o deslocamento, imigração e as narrativas de viagem durante o século XIX. O trabalho pretende analisar Elyza Lynch: Queen of Paraguay e as formas como o filme problematiza as interrelações entre o público e o privado, o nacional e o transnacional encarnados na narrativa de Eliza Lynch, companheira de Francisco Solano Lopez. O filme também nos permite refletir sobre as relações entre a história e o cinema e as marcas narrativas da viagem.

ST Cinema e literatura, palavra e imagem – Encerramento com Prof. Dr. Adalberto Müller

21/10/2016 às 11:00 – Sala 2

ST Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil – Sessão 6 – Encerramento

21/10/2016 às 11:00 – Sala 3
Cinema de atração e Publicidade – a experiência do espectador
Guilherme Bento de Faria Lima (UFF)
O discurso publicitário como parte da experiência vivenciada pelo espectador no cinema de atração. As imagens projetadas pelas lanternas mágicas, os posters fixados nas paredes e, principalmente, os filmes produzidos pelos célebres cineastas deste primeiro período do cinema como estratégias de construção narrativa para direcionar o comportamento dos espectadores diante de uma lógica capitalista.
O despertar do fã: o papel da sala de cinema no fandom de Star Wars
Pedro Peixoto Curi (ESPM Rio)
Prestes a completar quarenta anos, Guerra nas Estrelas encontra nas salas de cinema o ambiente ideal para conquistar novos espectadores, promover o encontro e renovar a fidelidade e o engajamento de gerações de fãs. A partir do lançamento de O Despertar da Força, último filme da saga, este trabalho lança um olhar sobre as práticas de ida ao cinema de fãs brasileiros do universo criado por George Lucas e as estratégias do circuito exibidor, na criação de uma experiência de entretenimento única.

ST O comum e o cinema – Sessão 6

21/10/2016 às 11:00 – Sala 4
A privatização da imagem: do youtube ao cinema, o desvio do politico
Roberta Veiga (UFMG)
A partir da experiência de um filme feito com vídeos do youtube (de uma mesma personagem) que se situam entre o tutorial e o confessional, discutimos a privatização da imagem, que ao oprimir o comum como potência da alteridade, promove o desvio da política. Indaga-se ainda se na passagem dessas imagens de si para o dispositivo cinematográfico, o encontro com um segundo olhar – não de seguidores, mas de espectadores – possibilitaria, pela negatividade, o gesto crítico que reenviará ao político.
O antecampo militante na disputa do visível
Paula Kimo (UFMG)
Para discutir o “antecampo militante” nas imagens de manifestações partimos da noção de antecampo formulada por André Brasil e encontramos nela algumas provocações. Para o autor a exposição do antecampo é movida por duas demandas: o dialogismo e a reflexividade crítica. Entretanto, nas imagens de manifestações, essas demandas podem ser reposicionadas. Ademais, nos propomos a pensar a exposição do “antecampo militante” como um traço do ser-em-comum no cinema.

ST Teoria dos Cineastas – Sessão 6

21/10/2016 às 11:00 – Sala 5
A violência em Tarantino: uma abordagem pela Teoria dos Cineastas
LUIZ GUSTAVO VILELA TEIXEIRA (UTP)
O cinema de Quentin Tarantino é marcado pela exploração estética da violência. Seus personagens não apenas vivem em um mundo violento, como a praticam para resolver seus problemas. A violência é em si uma forma de expressão. Mas o que ele próprio vê de violência em seus filmes? A proposta deste painel é explorar o uso da violência de Tarantino partindo de sua própria visão sobre o assunto. A Teoria dos Cineastas, de Jacques Aumont, servirá como fio condutor teórico para as considerações.
Subjetivações perambulantes: uma teoria dos filmes de Karim Aïnouz
Marcelo Carvalho da Silva (UFRJ)
Esta proposta de comunicação visa discutir a presença da ideia de “perambulação” em filmes de Karim Aïnouz. Nossa hipótese é a de que o cineasta construiria processos de subjetivação colocando em cena personagens em deslocamentos espaciais perambulantes a partir de incidentes desarticuladores. A poética de Aïnouz ensejaria todo um discurso teórico subjacente acerca do binômio “mobilidade espacial / processo de subjetivação” enquanto concepção e práxis cinematográficas.
A LÓGICA DAS IMAGENS DOCUMENTAIS DE WIM WENDERS COMO ATOS TEÓRICOS
Cristiane do Rocio Wosniak (UNESPAR)
Neste trabalho me proponho a rever reflexões teóricas do cineasta Wim Wenders, colocando-as em diálogo com sua produção documental. Ao examinar seu processo criativo à luz de documentários de homenagem como O Filme de Nick (1980) e Tokyo-Ga (1985), tenho por objetivo traçar alguns pontos recorrentes em sua filmografia. Como metodologia analítica, reporto-me a fragmentos do pensamento estético do cineasta, expostos em A Lógica das Imagens (1990), como uma possibilidade de verificar na particular format(ação) wendersiana de imagens e sons, os atos de um possível pensamento autoral.

ST Cinemas em português: aproximações – relações – Sessão 6

21/10/2016 às 11:00 – Sala 6
Jasmim de Matos e a construção estética no cinema português
Nívea Faria de Souza (UERJ)
A pesquisa cinematográfica tanto em Portugal, como no Brasil, se mantém, ainda hoje, com uma lacuna da área da direção de arte, cenografia e figurino. Este trabalho pretende destacar a importância do diretor de arte, cenógrafo e figurinista, peça crucial para a construção estética da imagem audiovisual, e para isso, elege-se um dos mais conhecidos artistas da área no Cinema Português, o multi-artista Jasmim de Matos.
Vasco Santana: ator, roteirista e comediante português
Afrânio Mendes Catani (USP)
Vasco Santana (1898-1958), ator e roteirista português, fez teatro, rádio, tv e cinema, sendo o comediante mais popular do país. Filho de Henrique Santana, diretor e cenógrafo e sobrinho de L. Galhardo, dono de teatros, reinou em sua época: escreveu cerca de 100 obras, dezenas de revistas e atuou em mais de 200 farsas, comédias, revistas e operetas, além de filmes de grande sucesso, como A Canção de Lisboa (1933), O Pai Tirano (1941), O Pátio das Cantigas (1942) e O Costa de África (1954).
“Temos !!! ” – A autoficção do cinema na Baixada Fluminense.
Liliane Leroux (UERJ)
A possibilidade do digital (que permite a “qualquer um” fazer um filme) faz emergir uma nova cena na Baixada: uma juventude que responde cinematograficamente ao que vê. Surge, uma contra-cultura, de amadores (aqueles que amam) construída em torno do cinema, do olhar e da cidade. O grito de guerra “Temos !”, entoado pelos cineastas da Baixada a cada nova conquista, expressa esse movimento que vai se autoautoficcionando ao mesmo tempo em que anuncia sua reivindicação na partilha do sensível.

ST Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos – Sessão 5

21/10/2016 às 11:00 – Sala 7
A reflexividade e os dilemas éticos nos filmes de linguagem híbrida
Camilla Vidal Shinoda (UnB)
O artigo investiga os conceitos de documentário e ficção, para então se debruçar sobre a linguagem híbrida, que utiliza elementos dos dois gêneros. A reflexividade, conceito antropológico que busca o constante questionamento dos métodos utilizados para a produção de conhecimento, é aplicado ao cinema. Os dilemas éticos que surgem disso são discutidos. O cinema é tido como ferramenta de tomada de consciência, mas destaca-se que esse processo é diferente para equipe e personagens/colaboradores.
Dos cacos às migalhas: alternativas para a narrativa cinematográfica
Luiz Otávio Vieira Pereira (UFJF)Carlos Pernisa Júnior (UFJF)
O objetivo do estudo é o de realizar uma análise sobre as transformações da narrativa cinematográfica, sobretudo a partir da chegada da tecnologia digital, resultando em um hibridismo que democratiza o sistema de produção ao mesmo tempo em que valoriza novas formas de significação. O ensaio tem como recorte o movimento mumblecore nos EUA.
Star Wars: O Universo Retrô-Imagético Despertado à Força
Renan Claudino Villalon (UAM)
O estudo trata da observação do retrô-gênero enquanto análise para a forma da produção cinematográfica do filme Star Wars – Episode VII: The Force Awakens. A justificativa é a observação deste retrô sendo inserido pelas atuais produções hollywoodianas. O objetivo é verificar como que a forma imagética deste filme aparece ligada à trilogia dos anos 1970-80. A hipótese é a possível conexão de certas obras pós-clássicas em “resgates” às antigas formas de produção, dentro de universos próprios.

ST Cinema Queer e Feminista – Sessão 5 – Feminismos transnacionais

21/10/2016 às 11:00 – Sala 8
As mulheres hindus no cinema de diáspora indiano de Deepa Mehta
Juily Jyotsna Seixas Manghirmalani (UFSCAR)
Com os filmes ambientados entre os períodos de 1938 e início dos anos 1990, a “Trilogia dos Elementos” de Deepa Mehta discute os fenômenos pertencentes aos processos de modernização na Índia através da subjetividade feminina. A diretora particulariza, através de três momentos da história da Índia, tensões de gênero em meios a estruturas patriarcais e religiosas advindas do pensamento nacionalista hindu.
Subjetividades femininas negras em devir em Kbela, de Yasmin Thainá
Geisa Rodrigues (UFF)
Partindo da perspectiva da teórica feminista Rosi Braidotti, em sua abordagem da diferença sexual como prática política e da potência do nomadismo de corpo (inspirada no pensamento Deleuziano), o curta Kbela, de Yasmin Thainá, 2015, será analisado, com o objetivo de desvendar estratégias políticas contemporâneas produtivas de empoderamento de mulheres negras.
Políticas de representação:Pratibha Parmar e feminismo negro no cinema
Ana Paula Silva Oliveira (UEL)
O objetivo desta comunicação é refletir sobre o feminismo negro no cinema a partir da obra da cineasta, escritora e militante feminista Pratibha Parmar. Para tal, serão analisados os textos e fragmentos de alguns filmes escritos e realizados por ela. Para ela, pensar o cinema em articulação com as políticas de representação implica, de forma inevitável, refletir sobre questões de raça, gênero e sexualidade.

ST Cinema e educação – Sessão 5

21/10/2016 às 11:00 – Sala 9
Cinema na escola entre a lei 13006/14, a BNCC e as escolas ocupadas.
Adriana Mabel Fresquet (CINEAD/LECAV/FE/UFRJ)
O cinema habita timidamente a escola desde os primórdios e atualmente ele se faz presente com maior força e frequência misturando-se com outras artes e suportes. A concomitancia da regulamentação da lei 13006/14 e da definição da Base Nacional Curricular Comum por um lado, com os processos de ocupação das escolas pelos secundaristas, por outro, coloca o “cinema na escola” num lugar de disputa e projeção como forma de produção compartilhada de conhecimento e sensibilidade.
De quadro a quadro – uma abordagem metodológica de análise fílmica
Ana Paula Nunes (UFRB/ UFBA)
Esta comunicação dará ênfase a uma abordagem metodológica de análise fílmica para contextos escolares, sistematizada em doutoramento, que configura o “entre-lugar” do cinema e audiovisual entrelaçado à educação, como uma ponte de quadro a quadro, entre as idéias e a memória, entre os fragmentos e os filmes. Educar é tecer uma rede entre o passado e o presente. E a experiência com o cinema pode contribuir muito neste processo de mediação cultural.
Cinema Brasileiro na Escola: formação de professores
Salete Paulina Machado Sirino (UNESPAR/FAP)
Este estudo aborda sobre o Projeto de Extensão Cinema Brasileiro na Escola, realizado entre 2013 e 2014, vinculado ao Programa de Extensão Universidade Sem Fronteiras da SETI/PR, realizado numa parceria entre UNESPAR/FAP e SEED-NRE-Curitiba, que teve por finalidade a capacitação de professores para o uso do Cinema Brasileiro no Ensino Fundamental e Médio. Este projeto teve entre seus resultados a publicação do livro Cinema Brasileiro na Escola: pra começo de conversa, com coordenação editorial realizada pela autora deste texto, com prefácio e revisão de José Carlos Avellar. No contexto da Lei 13006/2014, o mencionado projeto de extensão e o livro dele resultante se apresentam como uma possibilidade – dentre as diversas – da prática desta Lei, que, no contexto escolar, carece de investimento contínuo em formação de professores.

ST Corpo, gesto, performance e mise en scène – Sessão 5 – O corpo-criador

21/10/2016 às 11:00 – Sala 10
Arqueologia do gesto : proposta de estudo “atoral”
Pedro Maciel Guimaraes Junior (Unicamp)
Essa comunicação parte de uma investigação do gesto do ator como lugar de significados e ideologias. O corpo do ator, e principalmente seu programa gestual, sempre foi encarado como o local de manifestação do trabalho estético do intérprete, seja ele no teatro, no cinema ou na televisão. O gesto, assim como o corpo, é portanto instrumento e produto da estética “atoral”. Partindo de um texto de Christophe Damour, propomos o termo “arqueologia do gesto” como uma maneira de situar a atuação gestual dentro da perspectiva da cultura e da relação com os meios de representação pictóricos e teatrais. Busca-se investigar como um gesto “sobrevive” ao tempo e aos diferentes meios de representação e chega ao cinema carregado de significados e matrizes formais estabelecidos anteriormente.
Do corpo filmado ao corpo que filma Rowlands/Cassavetes Ogier/Rivette
Maria Leite Chiaretti (USP)
O presente trabalho faz parte de uma pesquisa de doutorado mais abrangente que pretende investigar as práticas de improvisação próprias ao cinema delineando suas potências expressivas. Nesta comunicação pretendo analisar comparativamente realizações de Cassavetes e Rivette, sob o prisma da colaboração entre os cineastas e duas atrizes: Rowlands e Ogier. Aproximaremos os filmes chamando a atenção para a liberdade conferida aos corpos e para a invenção dos gestos resultantes da improvisação.
O “corpo puro” no cinema de Andy Warhol
Calac Nogueira Salgado Neves (ECA-USP)
Os filmes de Andy Warhol têm como uma de suas principais marcas a pregnância do corpo. Radicalmente anti-narrativos, eles parecem movidos sobretudo por um impulso obsessivo de contemplar a figura humana, aqui reduzida a seus atributos físicos (corpo e pele). Nesta comunicação, iremos atentar os procedimentos que estão na origem da sensação de pregnância corpórea no cinema de Warhol, notando como eles resultam na constituição um corpo literal, que gostaríamos de qualificar de “corpo puro”.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 5

21/10/2016 às 11:00 – Sala 11
Poéticas do código: materialidades da imagem digital
Cesar Baio (UFC)
Do processo de passagem do analógico ao digital nos anos até a atual proliferação de aplicativos para produção de imagens em aparelhos móveis, a apresentação aborda um conjunto de trabalhos que assume a condição digital da imagem como campo de exploração poética. Trabalhos de artistas como Mark Napier, Giselle Beiguelman e Andreas Müller-Pohle, são analisados assumindo como instrumental metodológico a filosofia do aparato de Vilém Flusser e as discussões sobre emulação de Michael Foucault.
A estética do GIF: ímpeto de movimento e repetição
Manuela de Mattos Salazar (UFPE)
Este trabalho investiga a retomada do GIF na cultura digital da atual década, questionando a recuperação do fascínio pelo movimento repetitivo existente no momento pré-cinema pelo uso de aparelhos e técnicas de registro do tempo e da duração, como fenascitoscópio e a cronofotografia. Com isso, através da análise do site GIF Artists Collective, questiona a existência ou não de uma estética específica do GIF, que se diferencie das estéticas específicas da forma cinema e da forma fotografia.
Doug Aitken, narrativas multiplataformas, performance e audiovisual
Christine Pires Nelson de Mello (PUC-SP)
Com o objetivo de promover aproximações críticas com as práticas pós-mídia que relacionam narrativas multiplataformas, performance e audiovisual, a presente comunicação busca refletir o trabalho Black Mirror (2010) de Doug Aitken. Estas novas estruturas narrativas organizam-se a partir de processos coletivos, permitindo a ativação de comunidades ligadas em rede.

ST Teoria e Estética do Som no Audiovisual – Sessão 5 – O SOM E A ESCUTA DO DOCUMENTÁRIO

21/10/2016 às 11:00 – Sala 12
Antoine Bonfanti e a escuta do mundo em documentários não controlados
Sérgio Puccini Soares (UFJF)
A comunicação pretende fazer uma apresentação de resultados de pesquisa, financiada pela FAPEMIG, no qual estudamos o trabalho de Antoine Bonfanti na captação de som direto no documentário. Um dos mais renomados técnicos de som franceses, Bonfanti foi um nome chave na introdução do som direto na França a partir da realização de Le joli mai (Chris Marker, Pierre Lhomme, 1962). Tendo como base a coleta de um extenso material de entrevistas e depoimentos, pretendemos traçar alguns pontos centrais dentro daquilo que iremos chamar de a escuta do mundo em situação de filmagem. Mais do que uma simples escuta isolada, iremos dar ênfase à relação estabelecida entre a captação de som e o trabalho de captação de imagens, câmera-som.
A voz e a tomada sonora no cinema direto
Renan Paiva Chaves (Unicamp)
Abordarei uma parcela do leque de configurações de tomada sonora da voz do cinema direto dos anos 1960. As produções dos irmãos Mayles, Allan King, Pennebaker, Wiseman, Drew, Leacock e Wolf Koenig foram as principais fontes fílmicas. Desenvolvo os argumentos a partir de quatros eixos: (a) protagonismo da voz; (b) controle e não controle da emissão da voz; (c) separação da voz e da imagem; (d) voz no evento e voz no cotidiano. Busco, assim, fazer avanços no debate sobre som no documentário.
Abril del Viet Nam en el año del gato: a trilha de Alvarez e Labrada
Glauber Brito Matos Lacerda (Uesb)
O Instituto Cubano de Arte y Indústria Cinematográfica (ICAIC) convergiu grandes nomes da cultura comprometidos com os ideais da Revolução de 1959. Neste ambiente fecundo, o engenheiro de som Jerónimo Labrada passou a trabalhar com o diretor Santiago Alvarez. A parceria gerou mais de 20 de filmes, entre curtas e longas. Esta comunicação versa sobre o processo criativo dos dois artistas na articulação entre som e imagem no filme “Abril del Viet Nam en el año del gato” (1975).

ST Cinema Queer e Feminista – Sessão 6 – … fazer é que são elas

21/10/2016 às 14:00 – Sala 1
O UNIVERSO FEMININO E RELAÇÕES DE GÊNERO EM MI AMIGA DEL PARQUE (2015)
Carla Conceição da Silva Paiva (UNEB)
Ao longo do filme Mi amiga del parque (2015) conhecemos um mundo de emoções presentes no cotidiano feminino e relações de gênero e classe. Nossa proposta é investigar como o cinema argentino está projetando um universo nitidamente feminino em suas produções com suas circunstâncias, tensões, problemas, saídas e emoções, a partir do discurso do conceito da maternidade e as “lutas” em torno das regras estabelecidas sobre o que “deve” ser uma mulher nessa narrativa.
Helena Solberg: Da militância feminista ao documentário contemporâneo
Mariana Ribeiro da Silva Tavares (UFMG)
Este trabalho percorre a filmografia da cineasta brasileira Helena Solberg, que compreende doze documentários realizados no Brasil e nos Estados Unidos nos últimos 50 anos e duas ficções. Identificamos as diferentes fases da cineasta: Cinema Novo; Trilogia da Mulher; fase política; e arte brasileira em sua fase atual. O objetivo é demonstrar que Helena Solberg tem trajetória singular e coerente no contexto da produção documental brasileira e que se mantém fiel ao seu universo autoral.
Destruir, dizem elas: uma revisita a Daisies, de Vera Chytilová
Carla Maia (UNA)
Propomos voltar a “Daisies” (Vera Chytilová, 1966), filme emblemático para os estudos feministas, buscando identificar como a obra trabalha formalmente o conceito de destruição que ampara sua narrativa. O objetivo é tirar consequências desse trabalho, em que forma e conteúdo afetam-se mutuamente, para atualizar a força provocadora do filme, que apesar das quatro décadas passadas desde sua realização, permanece rara e urgente.

ST Corpo, gesto, performance e mise en scène – Sessão 6 – Corpos de atores e genres

21/10/2016 às 14:00 – Sala 2
Da história ao mito: os biopics de Henry Fonda e Daniel Day Lewis
Daiane Freitas Guimarães Gonçalves (Unicamp)
Pretende-se neste estudo fazer uma breve apresentação de análise atoral em filmes considerados biopics. O objeto de estudo será os trabalhos de atuação desenvolvidos por Henry Fonda em “Young Mr. Lincoln” (1939), com direção de John Ford, e Daniel Day-Lewis, em “Lincoln” (2012) de Steven Spilberg, ambos como Abraham Lincoln. Usando como parâmetro os conceitos abordados por Christophe Damour na análise do jogo atoral, irá se analisar a criação de um Lincoln histórico contrário ao mito Lincoln.
Aki Kaurismäki: corpos melodramáticos que engolem as próprias lágrimas
Caio Neves de Castro (UFF)
O presente estudo se dedica à análise das dissidências praticadas por Aki Kaurismäki em relação às convenções estéticas do melodrama. O universo retratado por esse cineasta é composto por seres automatizados, contidos e lacônicos que, em alguma medida, apresentam-se desumanizados pelas adversidades da atual fase do sistema capitalista. Nesse sentido, Kaurismäki utiliza os corpos de seus personagens e outros elementos da mise-en-scène cinematográfica para tensionar elementos do melodrama convencional, onde gestual e encenação são bastante efusivos.
As teorias de Pudovkin sobre o trabalho do ator no cinema
Sabrina Tozatti Greve (USP)
Essa apresentação pretende resgatar algumas reflexões do cineasta V. Pudovkin em relação ao trabalho e a função do ator no cinema. Partindo da apropriação de elementos da pesquisa desenvolvida no teatro por K. Stanislavski, Pudovkin cria um método próprio em prol de um estilo de interpretação mais verdadeiro e na defesa do ator consciente do processo cinematográfico.

ST Interseções Cinema e Arte – Sessão 6

21/10/2016 às 14:00 – Sala 3
Análise da cineinstalação multitelas Rheo: 5 horizons, de R. Kurokawa.
Pablo Villavicencio (PUC-SP)
A obra Rheo: 5 horizons (2010-2015), de Ryoichi Kurokawa, é uma instalação audiovisual formada por cinco telas de plasma dispostas verticalmente, com cinco canais de som, exibida em um loop de oito minutos de duração. Analisamos a obra em sua forma instalativa, pois, anteriormente, foi exibida como performance audiovisual. Trata-se de um ambiente que remete à videoarte, em que a construção espacial vertical das telas relaciona-se com a horizontalidade das imagens no interior dos quadros.
Do périplo e seus encontros
Annádia Leite Brito (UFC)
A exposição “A conversa infinita” (MAC-CE), de Alexandre Veras, estabeleceu o encontro como elemento indispensável para sua concretização, desde a fase de montagem até o contato com o público. Objetiva-se delinear como as sete obras instalativas, em suas especificidades, compuseram o todo da exposição em uma experiência de encontro, seja através da priorização da escala humana nos materiais e nas projeções dos corpos; no uso da voz em diálogo veiculada em objetos que revelam um vínculo de intimidade; ou em sua relação com as pessoas em um fluxo constante de reinvenção mútua.
Videoinstalação: corpo, imagem e significação em deslocamento
Greice Cohn (CPII)
Esse texto propõe uma reflexão sobre os modos espectatoriais implicados nas videoinstalações, obras temporais nas quais o cinema converge com as artes plásticas, e onde verificamos alguns deslocamentos – na postura do espectador, nas imagens, e nos sentidos ali engendrados. Analisamos a videoinstalação Funk Staden (2007), de Dias & Riedweg, onde a espacialização das imagens, a montagem e a convocação dos corpos abrem espaço para pensarmos modalidades diversas de ver, perceber e fazer arte.

ST Teoria e Estética do Som no Audiovisual – Sessão 6 – A MÚSICA EM CENA

21/10/2016 às 14:00 – Sala 4
Os sons da encenação em Sur, uma película político-tanguera.
Guilherme Maia de Jesus (UFBA)Leandro Afonso Guimarães (UFBA)
Como mais um passo na jornada investigativa sobre o cinema musical latino-americano, realizada no âmbito do Laboratório de Análise Fílmica, propomos trazer a este Seminário um número musical do filme Sur (Fernando Solanas, 1988), uma película político-tanguera, com o objetivo de discutir os resultados de uma análise de mise en scène que, ao contrário do que usualmente acontece no campo dos estudos fílmicos, inclui os elementos sonoros no jogo da encenação.
Jards: reverberações entre som e imagem
Cristiane da Silveira Lima (UEM)
Propomos uma breve análise das reverberações mútuas entre os procedimentos de montagem, mixagem e desenho de som do documentário Jards (Eryk Rocha, 2012), que acompanha as gravações do álbum homônimo do compositor e intérprete Jards Macalé. A nossa hipótese é de que Jards é um ensaio-poético-musical que possui forte afinidade plástica com o fenômeno abordado, proporcionando uma experiência rica (em ritmos, dinâmicas e intensidades) ao espectador.
Wise/Robbins, Angelopoulos, Jancsó: agenciamentos sonoros, ritornelos
JOCIMAR SOARES DIAS JUNIOR (UFF)
Que relações podemos estabelecer entre filmes tão distintos quanto Amor Sublime Amor (Robert Wise e Jerome Robbins, 1961), A Viagem dos Comediantes (Theo Angelopoulos, 1975) ou O Confronto (Miklós Jancsó, 1969)? O conceito de ritornelo elaborado por Deleuze e Guattari aparece como ferramenta teórica pra pensar os números ou momentos musicais nestes filmes, no sentido dos agenciamentos sonoros que dominam as territorializações, reterritorializações e desterritorializações dos personagens.

MESA Confluências Pasolinianas

21/10/2016 às 14:00 – Sala 5
À sombra de Pierpà
Mariarosaria Fabris (USP)
Análise da matriz comum de Accattone (1961), de Pier Paolo Pasolini, La notte brava (1959), de Mauro Bolognini, e La commare secca (1961), de Bernardo Bertolucci, e sua relação com Ragazzi di vita (1955) e Una vita violenta (1959), primeiros romances publicados por Pasolini. O objetivo da comunicação é verificar até que ponto o experiente Bolognini e o estreante Bertolucci se deixaram contaminar pelo universo pasoliniano.
Expectativa e figuração de Pasolini no debate de Dahl com Paulo Emilio
Pedro Plaza Pinto (UFPR)
Estudo da origem e do seguimento do debate entre Gustavo Dahl e Paulo Emilio Salles Gomes durante a emergência do cinema novo. Percebe-se o desajuste de expectativas sobre as tarefas urgentes e o em relação ao movimento da juventude, mas também a confluência de ideias sobre o papel da literatura e da crítica na estratégia de difusão e definição estética dos movimentos. É central a referência a Pasolini como intelectual revolucionário na troca de missivas entre mestre e discípulo, onde Gustavo Dahl elabora suas ideias a partir das suas perambulações pela Europa, .
Caro Pier Paolo, espero que compreenda suficientemente o português.
Flavio Kactuz (Flávio C. P. de Brito) (PUC-Rio)
Análise de uma carta da jornalista Oriana Fallaci enviada em março de 1970 à Pier Paolo Pasolini com um anexo em português descrevendo detalhadamente as práticas de torturas no Brasil, logo após a breve passagem do poeta em nosso país. Essa análise se propõe a pensar o quanto essas informações podem ter, direta ou indiretamente, influenciado a pesquisa, a escrita ou mesmo a encenação de Salò.

Hibridações literárias

21/10/2016 às 14:00 – Sala 6
O expressivo e o sutil como vias poéticas no cinema
Elcio Silva Nunes Basilio (AM)
Buscar o poético no cinema tem sido a meta de diversos cineastas, porém, o conceito ganha formulações díspares quando aplicado ao audiovisual. Partindo dos escritos de Pier Paolo Pasolini e Andrei Tarkovski a respeito do tema, propomos uma análise de dois modos de encarar o poético no cinema. De um lado uma linha metafórica/expressiva (Pasolini) que privilegia a produção de sentido, de outro uma via metonímica/sutil (Tarkovski) que acredita que a representa do tempo é a chave para a poesia.
Notas sobre ensaio e poesia em “Nostalgia da Luz”
Laila Melchior Pimentel Francisco (UFRJ)
Em “Nostalgia da Luz” (2010) Patrício Guzmán realiza um intenso trabalho de escavação e arqueologia, convoca a pensar sobre um tipo específico de possibilidade poética audiovisual. Esta apresentação busca apontar e comentar algumas perspectivas de enunciação que podem contribuir para pensar certas relações entre o verbal e o visual, contemplando a tomada subjetiva que caracteriza o filme na tentativa de uma revisão de certas formas do ensaio e da poesia como seus princípios determinantes.
Uma análise do tempo na narrativa do romance e do filme São Bernardo.
Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz (UFS)
Este artigo tem como objetivo uma análise comparativa entre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, e sua adaptação homônima para o cinema, realizada pelo diretor Leon Hirszman, elegendo como recorte investigativo um estudo acerca da configuração do tempo na estrutura narrativa das duas obras. O artigo visa analisar a estrutura temporal do romance, para, assim, contemplar a adaptação para o cinema, no sentido de uma conclusão acerca do projeto de adaptação adotado pelo diretor-roteirista.

Devir-cinema

21/10/2016 às 14:00 – Sala 7
BIOPODER E CINEMA: DEVIR-ANIMAL, BIOPOLÍTICA E ALIANÇA DEMONÍACA
Vladimir Lacerda Santafé (UFRJ)
Em nossa comunicação, analisaremos a potência dos pobres e seu devir-animal e minoritário em “Pocilga”, de Pier Paolo Pasolini e “O Dragão da Maldade”, de Glauber Rocha e, para isso, recorreremos às metafísicas canibais de Eduardo Viveiros de Castro , no sentido de contrapor às “filiações celestiais” do aparato estatal e seu sujeito normativo a “aliança demoníaca” que os autores expressam. Com isso, pretendemos aprofundar a relação entre a animalidade e a humanidade do homem em relação ao ser vivente seguindo as pegadas de Agamben em “O aberto – O animal e o homem” , a partir das tensões produzidas pela máquina antropológica, relacionando-a à hipótese bergsoniana de uma evolução criativa e ao conceito deleuzo-guattariano de devir, questões que ecoam na nova ontologia social que surge com o trabalho imaterial no capitalismo pós-fordista, base da produção de subjetividade na contemporaneidade, e da realização de um poder constituinte na figura paradigmática da pobreza.
HOMENS E WALKERS: RESTOS E DEVIRES NA SÉRIE THE WALKING DEAD
Juliene da Silva Marques (UNISUL)
Este estudo analisa a visibilidade homem/walker a partir de recortes das seis primeiras temporadas da série televisiva The Walking Dead. O seriado apresenta uma dualidade de sobrevivências que, no entanto, tornam-se próximas de acordo com a perspectiva rizomática de Deleuze e Guattari. Desse modo, foi perscrutada a relação homem/walker, considerando o devir-walker do homem, e os restos humanos do walker, como elementos que potencializam e conectam as formas de existência apocalíptica.
O universo de coisas de Apichatpong
Julio Bezerra (UFRJ)
O universo do cinema de Apichatpong Weerasethakul é uma zona espectral onde tudo é passageiro, fugaz e mutante, em que as histórias se metamorfoseiam, mudam de rumo, ou começam de novo, do fato à ficção, da fantasia ao documentário, onde mitos, personagens, fatos históricos, imagens inefáveis, e toda sorte de animais e objetos convivem em igualdade. Apichatpong parece filmar o mundo num momento que antecede a separação e a organização diferencial de seus objetos. Ele não identifica o “ser” com um dos seres (Deus, o homem ou a Natureza), rejeita um modo de pensar baseado nesta clivagem entre Deus, o homem, e as criaturas. O nosso objetivo é mergulhar nas últimas obras de Merleau-Ponty e propor um diálogo com Alfred North Whitehead, numa conjugação entre a fenomenologia e o que se veio chamar de realismo especulativo, para melhor sublinhar o papel dos objetos em seus filmes, apontando para uma análise diversa que se baseia na aposta ontológica que marca a sétima arte.

Cinema Comparado

21/10/2016 às 14:00 – Sala 8
Por um cinema comparado
Mariana Souto (UFMG/UNA)
Buscando inspiração na literatura comparada, este trabalho procura explorar as potencialidades do “cinema comparado” enquanto perspectiva teórico-metodológica no campo dos estudos cinematográficos. Muitos são os estudos que cotejam filmes, mas raras são as reflexões sobre o gesto da comparação em si. Discutiremos algumas possibilidades desse método, dentre eles a composição de séries históricas.
‘O HOMEM DO CADERNINHO’, OU COUTINHO PERSONAGEM DE GLAUBER EM ‘CÂNCER’
Fernão Pessoa Ramos (UNICAMP)
O que a sensibilidade de Glauber-profeta, traz para cena de Câncer, nos apresentando o personagem Eduardo Coutinho como ‘homem do caderninho’? É estranho vê-lo aqui na voz passiva, dirigido em procedimento de entrelaçamento na tomada pela personalidade. Escreve o tempo todo, sempre com seu ‘caderninho’ à mão. Coutinho figurado como aquele que pensa e escreve (em oposição ao que age, ou encena) é a extrema ironia de Glauber. Na bifurcação com o pensamento está o dilema da expressão sem mediação.
Brasil em Tempo de Cinema como método da crítica de cinema engajada
Margarida Maria Adamatti (ECA/USP)
Lançado em 1967, Brasil em Tempo de Cinema tornou-se a primeira obra de peso a analisar o Cinema Novo. Escrito sem recuo histórico, o livro de Jean-Claude Bernardet teve um papel pioneiro na crítica à cultura do nacional popular. Se muitos cineastas nos anos setenta ainda respondiam às indagações da obra em suas entrevistas, nossa proposta é avaliar em que medida Brasil em Tempo de Cinema mantinha-se como referência de análise do cinema brasileiro entre os críticos engajados.

Documentário Político

21/10/2016 às 14:00 – Sala 9
Documentários políticos contemporâneos: estéticas para a história
Alexandre Curtiss Alvarenga (UFES)
Estudo de documentários políticos contemporâneos – brasileiros e portugueses – com o objetivo de analisar modos como a memória e fatos históricos são arranjados em termos fílmicos. Do confronto entre estruturas de conhecimento histórico e as das memórias subjetivas, pretendemos assinalar recursos estéticos documentais de legitimação das narrativas fílmicas. Filmes sob estudo: “70” (BRA/2014), “Retratos de Identificação” (BRA/2015), “48” (PORT/2010) e “Duas histórias de prisão” (PORT/2004).
O autoritarismo e o filme político no Brasil contemporâneo
Cristiane Freitas Gutfreind (PUCRS)
Em meio ao momento de crise política por que passamos no Brasil na atualidade, em que somos, segundo Alain Badiou “dominados por um historicismo melancólico, em que existe um puro efeito de passado”, propomos um questionamento do autoritarismo no país em diferentes momentos fundamentais da história, anos 30 e 60, através da análise de dois documentários Imagens do Estado Novo (Eduardo Escorel, 2016) e O dia que durou 21 anos (Camilo Tavares, 2012) com o objetivo de pensar sobre o filme político.
Os Onze de Curitiba Todos Nós (1995): Se ele não tivesse lembrado …
Regina Celia da Cruz (UTP)
Esta pesquisa refere-se a um documentário intitulado Os Onze de Curitiba Todos Nós (1995), produzido pelo cineasta Valêncio Xavier que retoma um episódio de 1978 que trata da prisão de onze professores acusados de ‘doutrinar crianças de uma a seis anos no marxismo’. Nosso foco se ocupa da montagem e da dimensão da tomada como um olhar para a história e revelar o estilo de Xavier na produção cinematográfica apoiando-se na pesquisa teórica de Ismail Xavier e Fernão Pessoa Ramos.

Inflexões autobiográficas

21/10/2016 às 14:00 – Sala 10
A Encenação-Direta em Documentários Autobiográficos
Gabriel Kitofi Tonelo (UNICAMP)
A apresentação tratará de particularidades do conceito de encenação-direta em documentários autobiográficos. Apontamos que neste tipo de filme os laços afetivos que regem o trato entre cineasta e personagem (como familiares ou amigos), no momento da captação da tomada, transbordam e flexionam a encenação a partir de nuances distintas. Vínculos emocionais, câmera, realizador e personagem constituem uma atmosfera particular que se torna a matéria-prima dos filmes que serão apresentados.
Autobiografia e autorretrato em As Praias de Agnès, de Agnès Varda
Tainah Negreiros Oliveira de Souza (USP)
A proposta do trabalho é analisar As Praias de Agnès, de Agnès Varda, observando de que forma o filme comporta elementos que poderiam caracterizá-lo tanto como uma autobiografia ou como um autorretrato. A partir dessa afirmação, seria a questão de defender a convivência desses modos de invenção de si se tratando de uma obra cinematográfica que articula a narrativa de vida e o esforço da artista em demonstrar sua trajetória através de uma evocação de sua própria obra.
O encontro basilar – identidade e afeto no documentário autobiográfico
Coraci Bartman Ruiz (UNICAMP)
Os documentários Os dias com ele (Maria Clara Escobar, 2013) e Tarachime (Naomi Kawase, 2006) partem de um mesmo ponto: a viagem de uma cineasta que, munida de uma câmera, parte sozinha para um encontro transformador (visitar o pai, no caso do primeiro, e a mãe adotiva, no caso do segundo). Atravessados por relações de afeto conflituosas, os filmes constroem identidades e articulam suas narrativas de modo a tensionar presença e ausência, gênero e geração, particular e universal.

Cinema, tecnologia e preservação

21/10/2016 às 14:00 – Sala 11
O legado do cinema como meio de instrução nos tutoriais na internet
Roberto Tietzmann (PUCRS)
Tutoriais em vídeo são um dos três gêneros de conteúdo audiovisual mais assistidos na internet, segundo um relatório da Pew Internet Research (2013). Nesta comunicação questionamos o quanto estes conteúdos são tributários da produção de filmes informativos de não-ficção nas primeiras décadas do cinema, apontando rupturas tecnológicas e temáticas no contemporâneo e sublinhando uma continuidade de registro, racionalização e retórica na construção destes pequenos filmes.
Narrativas Imaginárias da Pós-Produção Cinematográfica
Mauricio Gomes da Silva Fonteles (UnB)
Pós-produção é um processo construtivo que, hoje consolidado no meio digital inerente às novas mídias, se tornou uma etapa essencial na realização dos filmes. O que enxergamos é uma transformação nos modos construir narrativas, reflexo direto da cultura hipermoderna em que o cinema se insere. A pós-produção aparece como um elo entre os diferentes meios de criação e recepção do cinema, conectando universos distintos. Buscamos compreender quais seus efeitos e transformações na realização de cinema
Em busca de um conceito de restauração audiovisual
Débora Lúcia Vieira Butruce (USP)
O campo da preservação audiovisual no Brasil vem passando, nos últimos anos, por um processo de amadurecimento que pode ser observado, entre outros fatores, pelo aumento dos estudos sobre a área. No entanto, a restauração audiovisual ainda é tema pouco explorado. Neste trabalho, pretendemos debater o conceito de restauração audiovisual a partir das definições existentes na tentativa de conferir-lhe maior precisão, visto que o primeiro entrave para seu estudo é o impasse conceitual acerca da área

Políticas de Distribuição e Mercado

21/10/2016 às 14:00 – Sala 12
ANCINE E CNC: AS POLÍTICAS DO SETOR CINEMATOGRÁFICO BRASIL-FRANÇA
Teresa Noll Trindade (UNICAMP)
Propomos uma análise crítica e reflexiva sobre as políticas dos mercados cinematográficos brasileiro e francês do ponto de vista de seus órgãos de regulação do setor: no caso francês o Centre National du Cinéma et de l’image Animée (CNC) e no caso brasileiro a Agência Nacional do Cinema (Ancine). Buscaremos dessa forma analisar como estes dois órgãos atuam no mercado audiovisual, suas diferenças e semelhanças, a fim de vislumbrar como esses dois países trabalham as suas políticas para o setor.
Uma Plataforma Piloto para o Audiovisual Regional
João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
Relato dos resultados finais do Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Consumo em Rede- Distribuição de Conteúdos Audiovisuais em Plataformas Digitais, iniciado em 2013, através de convênio entre a Secretaria de Inovação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul e a PUCRS. Em 2016, o projeto desenvolveu o piloto de uma plataforma no formato VOD, com o objetivo de fazer circular a produção já existente no Rio Grande do Sul, fortalecendo a cadeia produtiva local.
Ranchera e tango: México e Argentina na Segunda Guerra Mundial
Rafael Fermino Beverari (Unifesp)
O presente trabalho pretende discutir as relações audiovisuais estabelecidas entre Estados Unidos e México (Aliados); Espanha e Argentina (Eixo). Assim, a Segunda Guerra Mundial ganha ressonância em um entrave audiovisual estabelecido no território latino-americano, cujas turbulentas ondas do Pacífico trazem consigo um embate entre as nações beligerantes na disputa de disseminação ideológica neste continente por meio da dominação da produção, distribuição e exibição cinematográfica.

O cinema de Woody Allen

21/10/2016 às 14:00 – Sala 13
O mosaico de contradições em Annie Hall
Ana Paula Bianconcini Anjos (USP)
Há quase quarenta anos, “Annie Hall” vem sendo discutido sem que se saliente a centralidade da crítica às primárias norte-americanas do Partido Democrata em 1960. No filme, o protagonista Alvy Singer trabalha como comediante stand-up na campanha de Adlai Stevenson. À luz dos arquivos de Woody Allen, esta pesquisa revela a semelhança entre o personagem interpretado por Allen e o comediante Mort Sahl. Ademais, propõe a interpretação da obra de Allen a partir da ideia do mosaico de contradições.
Woody Allen e o espaço do escritor no cinema
Maria Castanho Caú (UFRJ)
O processo criativo do escritor e suas relações sociais e íntimas são temas cruciais do cinema de Woody Allen, cujas narrativas traçam os limites fugidios que delimitam o espaço de criação do escritor. Recorrendo a exemplos de filmes como “A outra”, “Interiores” e “Meia-noite em Paris”, disponho-me a investigar a forma como a narrativa fílmica pode dar conta desse complexo processo e retratar o dilema fundamental do trabalho do escritor, esse indivíduo que carrega em si a marca do deslocamento.
Woody Allen: o teatro em seus filmes, o cinema em suas peças
Myriam Pessoa Nogueira (IFG)
Procuramos analisar nos filmes e peças teatrais de Woody Allen, cineasta e ator, também dramaturgo e contista, uma influência recíproca do cinema em seu teatro e do teatro em seu cinema, desde citações intertextuais até autoadaptações de suas obras para outras mídias, suas paródias e a presença da linguagem fílmica na sua escritura de peças teatrais e do papel desempenhado pela linguagem dramatúrgica na sua narrativa cinematográfica.

PAINEL Intermidialidades: cinema e outras mídias – Coordenação: Gabriela Semensato Ferreira

21/10/2016 às 14:00 – Sala 14
O resíduo do humor entre épocas: Monty Python e Porta dos Fundos
Eutália Silva Ramos (UFPB)
Este artigo apresenta o estudo dos esquetes dos grupos humorísticos Monty Python (1969) e Porta dos Fundos (2012), tendo como referência a influência de um em outro no atual cenário cultural de ambientes virtuais. Nos canais oficiais dos grupos no Youtube, verificamos os processos de convergência da linguagem, estilo e formato da TV e internet trabalhando com conceitos referentes à intermidialidade, remediação e práticas residuais que, resgatam e renovam relíquias do audiovisual.
Considerações sobre o Trágico – O papel do amor patológico em Vertigo
Daniel Lukan Schimith Silva (UnB)
Por meio da comparação entre cinema e literatura, essa análise pretende estabelecer as relações entre o amor e a tragédia no filme “Vertigo”, de Alfred Hitchcock, e o romance que lhe deu origem, “Sueurs Froides”, de Boileau-Narcejac. Partindo de uma ponderação sobre as definições de amor patológico, buscaremos estudar como a ‘psicopatia’ desses personagens serve como base para estabelecer uma estrutura trágica em suas narrativas, além de definir seus destinos.
Cinema e pintura em “Um Pombo…” (2014), de Roy Andersson
Raquel Assunção Oliveira (UFPE)
Este trabalho tem como proposta explorar as relações entre cinema e pintura a partir do filme Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência (2014), terceira produção da Trilogia do Ser Humano, dirigida pelo sueco Roy Andersson. Estudaremos de que forma as duas manifestações estéticas, com suas distintas temporalidades, dialogam entre si, especialmente através do conceito trabalhado por Jacques Aumont de instante pregnante e do embaçamento das noções de moldura e máscara, trazidas por BAZIN (1991).
O olhar pictórico de Van Gogh pela lente poética de Resnais
Gilmara Martins Feliciano (UFSCAR)
O documentário biográfico Van Gogh (1948), de Alain Resnais, não é um desfile cronológico das pinturas de Vincent Van Gogh, mas um trabalho crítico e intelectual do diretor que penetra no universo artístico-existencial do pintor holandês. Resnais ‘pensa’ Van Gogh por meio da linguagem cinematográfica e ao buscar refazer o percurso do olhar e do ‘estar no mundo’ do pintor, constrói o seu. Temos ali a representação pensando a construção da representação.
Vir/Ver/Ou/Vir: O cinema superoitista em Torquato Neto
moema pascoini (UFSCar)
Este painel tem o intuito de apontar relações entre os escritos jornalísticos do artista Torquato Neto e os filmes Terror na Vermelha (Dir. Torquato Neto, 1972) e Nosferato no Brasil (Dir. Ivan Cardoso, 1971), levando em consideração – além dos filmes citados – o seu trabalho na coluna Geléia Geral, veiculada entre os meses de agosto de 1971 e março de 1972, no jornal A Última Hora.
TOTAL: 154 SESSÕES