17/11 – Terça-feira – 17h

Duplo em Dostoiévski: A questão da identidade nos filmes de Ayoade e Villeneuve     

Fabíola Paes De Almeida Tarapanoff

“Doppelgänger”. Originário da mitologia germânica, o termo significa “duplo ambulante” e refere-se a uma criatura capaz de escolher uma vítima e “copiar” suas características. No romance “”O duplo””, Fiódor Dostoiévski traz a história de Yakov Petrovich Golyadkin e o encontro com seu sósia, que deseja ter sua vida. Instigante, o tema já foi abordado no cinema por várias vezes e em duas obras recentes: “”O homem duplicado”” (2014), de Denis Villeneuve e “”O duplo”” (2015), de Richard Ayoade. A proposta é apresentar uma palestra e abrir espaço para discutir a questão do duplo no romance e como se traduz no cinema. A metodologia inclui: levantamento bibliográfico e análise semiótica e dialógica das obras. A fundamentação teórica inclui autores como José Saramago, Dostoiévski, Mikhail Bakhtin, Irene Machado, Bella Jozef, Zygmunt Bauman e Stuart Hall.

Link da live: https://youtu.be/bJESQyy5WD4

 

18/11 – Quarta-feira – 19h

Cinema no Mundo em Colapso: formando outros desejos          

Kênia Freitas / Tatiana Carvalho Costa / Janaína Oliveira / Carol Almeida

Vinculada a proposta “Cinema no Mundo em Colapso: horizontes possíveis na cultura fílmica”, questionamos as (im)possibilidades de se pensar e fazer cinema em um mundo em processo de dissolução. A constatação de que as formações tradicionais em Cinema são insuficientes para dar conta de perspectivas fora dos centramentos branco, masculino, cis e hétero normativos nos parece evidente. Interessa-nos, então, mais do que reformar ausências e invisibilidades incontornáveis, o desafio de imaginar e desejar outros paradigmas para o ensino, a pesquisa e o pensamento sobre o Cinema. No debate chamamos para a conversa as ideias de Poética Negra Feminista de Denise Ferreira da Silva, de Nova Cultura Fílmica do Girish Shambu, da Fabulação Crítica com Saidiya Hartman, do Tempo Espiralar ao lado de Leda Maria Martins e de um Cinema-Quilombo a partir de Beatriz Nascimento. Tentando imaginar com essa constelação formas mais implicadas e opacas de ensinar e aprender na relação/ralação cinema e mundo.

Link da live: https://youtu.be/j8qmf-H80Ss

 

19/11 – Quinta-feira – 19h

Cinema no Mundo em Colapso: horizontes possíveis na cultura fílmica em conversa com Girish Shambu               

Janaína Oliveira / Carol Almeida / Kênia Freitas / Tatiana Carvalho Costa / Girish Shambu 

Com tradução de Carla Maia

Vinculada à proposta “Cinema no Mundo em Colapso: formando outros desejos”, a atividade consiste em estabelecer uma conversa sobre como o repertório discursivo em torno do conceito de tradicional de cinefilia não mais consegue dar conta de tensionar pontos centrais de nossa relação afetiva com o cinema. Se de um lado temos a cinefilia tal como ela foi estabelecida a partir de uma fortuna crítica muito sedimentada por noções de autorismo e os rituais em torno da figura do “autor”, do outro, temos a provocação do crítico Girish Shambu que nos lança o termo “cultura fílmica” e, com ele, nos permite pensar em outros paradigmas fundantes do cinema. Nossa proposta consiste, realizar o debate com o crítico Girish Shambu em torno da ideia de “cultura fílmica” e o que ele tem a nos dizer sobre a imanência e transcendência das imagens, sobre o direito à opacidade nas expressões audiovisuais e sobre práticas críticas e curatoriais que se desdobram quando nos deslocamos epistemologicamente de algumas chaves de análises fílmicas.

Link da live: https://youtu.be/op_QqnL5Vk0

10/11 – Terça-feira – 19h

História e Memória Em Documentários Feministas: Realismo, Pós-Modernismo e Psicanálise

Mariana Nicotera de Souza

Proponho uma análise de documentários feministas lançados nas últimas duas décadas dentro do quadro teórico da teoria feminista de documentário sob 3 lentes: dos debates realistas/antirrealistas dos anos 1970,da historiografia, e da psicanálise. Contextualizo as abordagens desses documentários feministas em relação aos debates realistas/antirrealistas dos anos 1970 onde aponto para uma teoria que faça uma reapropriação da abordagem dualista e simplista encontrada na maioria dos trabalhos sobre documentários. Também investigo possíveis funções ideológicas das narrativas históricas, e aponto como os projetos de reconstrução do passado podem implicar desejos políticos feministas do presente. Identifico a intersecção psicológica de eventos passados e presentes mediados pela memória e outros processos psicológicos, mediado pelo próprio texto do documentário. No encontro entre o diretor e o(s) objeto(s) do filme, pretendo explorar simultaneamente a natureza concreta e abstrata do passado recuperado.

Link da live: https://youtu.be/bIBgCEVr9j4

 

11/11 – Quarta-feira – 19h

Política pública de produção audiovisual para criança e adolescente: o papel da tevê brasileira

Marcus Tavares / Regina de Assis/ Marcos Ozorio

Nos últimos 20 anos, observa-se um declínio da produção de audiovisual voltada para crianças e adolescentes no Brasil. A área é marcada, com raras exceções, por iniciativas e ações pontuais tanto das tevês comerciais quanto das educativas, públicas e estatais. Há várias explicações para este cenário que vão da falta de comprometimento do Estado e do mercado ao não reconhecimento dos direitos das crianças e dos adolescentes de terem acesso a uma mídia de qualidade. O debate não é antigo, mas ainda requer visibilidade, conscientização e garantias práticas para além dos discursos políticos, empresariais e acadêmicos. A conversa proposta visa, portanto, ampliar o diálogo e estabelecer novas reflexões, iniciativas e parcerias. Participam da discussão a consultora em Educação e Mídia, professora Dra. Regina de Assis, o professor e Me. Marcos Ozorio e o jornalista e professor Dr. Marcus Tavares.

Link da live: https://youtu.be/BLmyrmAfp_I

 

12/11 – Quinta-feira – 19h

Cineastas e imagens dos povos – de Cabra Marcado para morrer a Martírio

Leandro Saraiva

A proposta comparativa pretende analisar Martírio (Vincent Carelli, 2017)  à luz de questões suscitadas por  Cabra Marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984). O foco principal é o cotejo entre as formas de objetivação, na forma do filme, da posição do realizador frente ao processo documentado: Cabra se faz a partir da fragmentação das trajetórias, e do isolamento profissional do realizador, enquanto Martírio tem como base o projeto coletivo, histórico-profético, dos Guarani Kaiowá.

Link da live:  https://youtu.be/8ywCt22D4TE

 

13/11 – Sexta-feira – 19h

O Rosto do ator e a máscara teatral – dialogo entre YAMPOLSY e os teóricos do teatro

Guryva Cordeiro Portela

Com efeitos despersonalizantes a máscara ignora o eu do ator, ignora a vaidade e exige que ele se dissipe de seus falsetes, debruçando-se na expressividade da técnica e abandonando falácias realistas. Para o ator do teatro esta perspectiva é muito clara, manifestando-se em técnicas de várias escolas de atuação e culturas. Já para a construção do ator no cinema, a forma que foi solidificada nos estilos de filmes do eixo Europa-Hollywood não permite, ou não aparenta permitir, a existência dessa técnica do jogo da máscara teatral.

Nesse sentido, esta comunicação pretende discutir e evidenciar a necessidade de uma compreensão mais apurada sobre as técnicas de atuação cinematográficas em relação as técnicas teatrais. Para ampliar esse debate, proponho o pensamento de Mikhail Yampolsky em seu livro Mask face and machine face (1988), em paralelo às técnicas do eixo asiático Kabuki e Noh, e os autores teatrais basilares, entre eles, Meyerhold, Dario Fo.

Link da live: https://youtu.be/ySnig2WexRo

Prezados (as),

Durante o primeiro semestre de 2020, a Socine solicitou a participação dos associados em uma pesquisa para compilar pela primeira vez os dados de quem compõe a Sociedade. Informações como gênero, raça, faixa etária, titulação, localização, vinculação acadêmica, entre outras, foram respondidas por 510 associados entre 03 de fevereiro e 21 de julho. A pesquisa intitulada Censo Socine 2020 está disponível em nosso site, no Menu, em Quem Somos, para consulta dos associados e da sociedade em geral. Compreendendo a importância de discutir os dados e pensar ações a partir deles, a Socine realizará uma Assembleia Extraordinária no primeiro semestre de 2021. Mais informações sobre essa assembleia serão divulgadas oportunamente no futuro. Agradecemos a todos os associados que participaram da pesquisa. Quaisquer dúvidas ou sugestões podem ser enviadas à nossa Secretaria pelo email socine@socine.org.br

Atenciosamente,

Diretoria SOCINE

03/11 – Terça-feira – 19h

Sylvio Lanna –  o cinema de invenção preservado ou deteriorado se reinventando no mundo digital

Francisco José Pereira da Costa Júnior

Entrevista com o cineasta Sylvio Lanna para percorrer sua carreira que se inicia junto ao núcleo mineiro do Cinema Marginal que se baseava no Rio de Janeiro, no final dos anos sessenta, passando pelo lançamento em 2019 do DVD de seu longa-metragem censurado pela Ditadura Militar, e finalizando com seus projetos digitais de cineclube, videoteca e filmes de celular. Versaremos sobre sua primeira produção, o curta-metragem “”O Roteiro do Gravador””, perdido na Cinemateca do MAM e refilmado no documentário “”IN MEMORIAM – O Roteiro do Gravador””, rodado em digital no ano 2019; a amizade com o cineasta paulista Andrea Tonacci que proporcionou a filmagem do longa “”Sagrada Família””; seu filme rodado no continente africano que se deteriorou e foi recuperado em parte; os anos 1980 e o retorno ao Brasil produzindo curtas em cores. Finalizaremos com a sua volta ao universo cinematográfico agora dentro da esfera digital e suas recentes parcerias, entre elas a com o cineasta e produtor Cavi Borges.

Link da live:  https://youtu.be/24g_3hDygFI

 

04/11 – Quarta-feira – 19h

De O Cangaceiro a Bacurau: quatro Nordestes e quatro Cangaços

Leandro Afonso

A proposta a seguir busca realizar uma breve análise de quatro filmes: O Cangaceiro (1953, Lima Barreto), Lampião, o Rei do Cangaço (1963, Carlos Coimbra), O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969, Glauber Rocha) e Bacurau (2019, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles). Até que ponto podemos defender que referências além do cangaço (Dioguinho em SP, Jesuíno Brilhante no NE) chegam nos filmes? Como dialogam o professor de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro com o de Bacurau? Em que o pernambucano Lunga, habitante de um futuro distópico, se aproxima do Lampião do paulista Coimbra? Como o mito imaginário da abertura de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, do baiano Glauber filmando no seu estado, conversa com os outros longas? De que mais podemos falar do cangaço de Galdino Ferreira, interpretado pelo mineiro Milton Ribeiro, com seu rival na pele de Alberto Ruschel, um gaúcho – na dupla que consolidou o primeiro imaginário cinematográfico de cangaço?

Link da live: https://youtu.be/VWABrvP8PU0

 

05/11 – Quinta-feira – 19h

Dramaturgias da Memória – Da matéria bruta da experiência às simulações de si em documentários autobiográficos

Márcio Henrique Melo de Andrade

Esta palestra apresenta uma pesquisa de doutorado em torno dos atos narrativos autobiográficos nos documentários A imagem que falta (2014, Rithy Pahn), Isto não é um filme (2011, Jafar Panahi) e Elena (2013, Petra Costa). Tomando como objeto as operações entre narrativa e imagem desenvolvidas pelos cineastas, parte-se dos gêneros narrativos em sua concepção mais clássica – épico, dramático e lírico – para  pensar como os processos de criação de narrativas de si no documentário autobiográfico (SHERMAN, 1998; LANE, 2002; MACDONALD, 2013) podem levantar questões em torno dos processos, poéticas e autorias na escrita cinematográfica (SAYAD, 2008; MARAS, 2009; JOHANN, 2015). Partimos das distinções entre os modos de narrar desses três filmes para entender como os cineastas cristalizam um desejo de, ao invés de representar ‘objetivamente’ uma imagem de si, imaginar a própria interioridade. Assim, eles nos permitem pensar em como, ao nos narrar, não nos representamos, mas nos simulamos.

Link da live:  https://youtu.be/hKt-8OCE3b8

 

06/11 – Sexta-feira – 19h

Olga Preobrazhenskaya, As mulheres de Ryazan e a censura soviética

Camila Cattai de Moraes

Nossa proposta é a de apresentar o filme mais famoso da cineasta Olga Preobrazhenskaya (1881 – 1971), As mulheres de Ryazan, 1927, encomendado pelo Comitê Estadual de Cinematografia da URSS, a Sovkino em comemoração aos 10 anos da Revolução Russa. A URSS, sob o comando de Stalin, encomendou seis filmes de diferentes cineastas para que fossem exaltados o Estado soviético e a Revolução. Das seis obras, Preobrazhenskaya foi a única cineasta que encontrou problemas no lançamento de seu filme que foi censurado e lançado meses mais tarde, com alterações na montagem. O motivo da censura foi o de que a obra não exaltava da maneira esperada o papel do Estado na vida da mulher camponesa. Preobrazhenskaya em 1927 já havia dirigido seis filmes e pelo menos um deles já havia sofrido censura em seu lançamento. A cineasta até o lançamento da obra de 1927 era considerada uma cineasta de filmes infantis e a obra em questão foi a primeira oportunidade de Olga para lançar filmes para o público geral.

Link da live: https://youtu.be/QZb6f9PUjuQ

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

27/10 – Terça-feira – 19h

Enigmas da direção de arte: Um filme sem diretor de arte possui uma direção de arte?

Elizabeth Motta Jacob

A Direção de Arte é exercida há muito tempo no cinema brasileiro, no entanto, sua historiografia é constantemente atualizada. Neste encontro entre os pesquisadores Elizabeth Jacob (UFRJ) e Benedito Ferreira (UERJ) se discutirá as origens da função no Brasil, sua especificidade e diálogos com outras cinematografias. Durante muito tempo profissionais assinaram como cenógrafos e figurinistas em um mesmo filme. O crédito como diretor de arte vai aparecer mais tarde. Nos interessa debater os limites das atribuições que nos permitem considerar trabalhos não creditados como de direção de arte, o momento em que tal função passa a ser desta forma nomeada e as implicações no campo profissional a partir do momento em que se passou a abordar no Brasil a direção de arte como campo fundamental para a estruturação da visualidade fílmica. A presente proposta resulta de iniciativa individual mas dialoga com outras ações no âmbito do recém-formado ST Estética e Teoria da direção de arte audiovisual.

Link da Live: https://youtu.be/7Ou7zCkL3HI

 

28/10 – Quarta-feira – 19h

Labirintos do Excesso

Mariana Baltar / Erly Vieira Jr / Erica Sarmet

Excesso é um conceito dúbio e no senso comum se confunde com exagero, o que, de acordo com a moral da assepsia burguesa, deve ser contido e drenado. Esta live pretende pensar sobre o excesso para além do exagero, como estratégia estética fundamental para analisar a experiência fílmica. Inscrevendo-se no e através do corpo, ele funciona tanto como elemento disruptivo quanto de adesão, mobilizando o espectador com base numa lógica de reiteração/ saturação que ambivalentemente serviram, na história do audiovisual, a discursos moralizantes mas também a forças desestabilizadoras desse mesmo discurso.  Ao endereçar-se ao sensório e sentimental de seu público, o excesso convida a um engajamento afetivo cada vez mais desejado pelo espectador que habita o contemporâneo, marcado pela centralidade das sensações e do corpo e pela moral do espetáculo. Pensar sobre o excesso, propor-se a refletir sobre suas materializações no corpo fílmico e convocações no corpo espectador é entrar um labirinto.

Link da Live: https://youtu.be/mqx8-AV9m3s

 

29/10 – Quinta-feira – 19h

Enigmas da direção de arte: Pode a direção de arte gritar?

Iomana Rocha / Benedito Ferreira / André Antônio / Tavinho Teixeira

A proposta é uma conversa com os realizadores André Antônio e Tavinho Teixeira, envolvendo o projeto de arte dos filmes “A seita” (André Antônio, 2015) e “Sol Alegria” (Tavinho Teixeira, 2018). Ligados a uma produção brasileira que se destaca pela inovação estética, estes filmes constroem sentido por meio de elementos visuais que se configuram como potentes alegorias. Destaca-se na construção dos espaços a presença de elementos marcados por certa “artesanalização” imagética,  adentrando a esfera da estética do artifício. Diante disso, enfocando aspectos que seriam próprios da direção de arte (objetos, cores, figurinos, adereços, etc) busca-se, nesta conversa, observar como se deu a concepção das ideias e referências para a direção de arte, problematizando a função expressiva e catártica dos espaços cênicos e a utilização de elementos visuais simples, naturalistas, “gambiarrísticos”, com forte poder alegórico e simbólico.

Link da Live: https://youtu.be/SsdYTPiQ7m4

 

30/10 – Sexta-feira – 19h

Enigmas da direção de arte: Direção de arte é coisa de mulher?

Tainá Xavier / Maíra Mesquita

“Partindo da pergunta “Direção de Arte é coisa de mulher?” a pesquisadora Tainá Xavier irá dialogar com a diretora de arte Maíra Mesquita sobre os atravessamentos deste campo de criação por questões de gênero, tanto no exercício da prática profissional, enquanto mulher responsável pela cocriação da imagem, quanto nos processos de construção de representações implicados na criação dos universos diegéticos das obras em que atua. O trabalho de Maíra em Boi Neon (Gabriel Mascaro, 2015), Corpo Elétrico (Marcelo Caetano, 2015), dentre outros, dá forma a personagens e espaços que tencionam códigos preestabelecidos de lugares fixos para homens e mulheres na sociedade, ao mesmo tempo em que apresenta a direção de arte como espaço de invenção e contribuição ativa com a estética e significação dos projetos em que atua. A presente proposta resulta de iniciativa individual mas dialoga com outras ações no âmbito do recém formado ST Estética e Teoria da direção de arte audiovisual.

Link da Live: https://youtu.be/O2J-Zy2L1ws

 

31/10 – Sábado – 17h

Inventários [queer] para mundos impossíveis

 Tenda Cuir

O inventário é uma fabulação metodológica através da qual procuramos investigar a relação entre audiovisual e desejos dissidentes. Não se trata apenas de inventariar imagens prontas, mas de reagrupar essas imagens como parte de uma intervenção no mundo tal qual nos foi dado a ver/viver, a partir de uma mobilização de desejos latentes que nos levou a um deslocamento de olhar/sentir. O gesto é de uma possível (ou impossível) poética da falha que se inscreve na fabulação de um inventário queer (sapatão, bicha, não-binárie, afeminado, masculina, butch, fancha, boiola…) audiovisual: a interrupção da narrativa, a aparição repentina do defeito (sexo-estético-político), a falha que se instaura na superfície do filme como algo produzido por um terremoto, um abalo sísmico entre o corpo de quem olha/sente e o corpo do filme/audiovisual. Diante das im/possibilidades gestadas pela pandemia, Inventários para Mundos Impossíveis ocorrerá de forma plural, multitelas, espalhado, em curto-circuito; sobreposições de telas e imagens, de gestos, falas e silêncios; um anti-filme, pós-vídeo, um sonho.

 

Link da Live: https://youtu.be/LcW0dDPDGoc

21/10 – Quarta-feira – 19h

Educação e Cinema no Brasil

Diogo José Bezerra dos Santos / Ana Karla Tzortzato Almeida

Apresentaremos dados da produção acadêmica brasileira sobre cinema realizada em Programas de Pós-Graduação em Educação nos últimos 40 anos. Em um segundo momento, conversaremos sobre aspectos da relação entre a educação brasileira e o cinema. Estreitaremos a discussão percorrendo recortes históricos, tomando por base os momentos em que a utilização do cinema, pela educação, foi objeto de política pública oficial, como a Reforma Fernando de Azevedo, no Distrito Federal, em 1927; a criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), em 1937; e a Lei 13.006 de 2014, que ficou conhecida como a Lei do Cinema.

Link da live: https://youtu.be/VfTQqojY7NY

 

22/10 – Quinta-feira – 19h

Uma leitura reversa sobre The Silver and the Cross, vídeoinstalação de Harun Farocki para a exposição Princípio Potosí (2010)

Ana Daniela de Souza Gillone / Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos

Harun Farocki recorta e reconstrói admiravelmente o quadro Descripción del Cerro rico e Imperial Villa de Potosí (1758), do boliviano Gaspar Miguel de Berrío, na sua videoinstalação The Silver and the Cross. O artista refaz a superfície da pintura como o território de um novo sistema mundial baseado na lógica da acumulação e do assassinato. Os recortes tornam mais impactantes as imagens pintadas de montanhas, lago, ruas, casas, colonizadores, mitayos e trabalhadores em geral, buscando tecer com a voz off um discurso arqueológico. Apesar de ser um trabalho visual memorável, o texto recria um Farocki “consciente” que denuncia os componentes simbólicos opressores do quadro de Berrío, o pintor americano a soldo dos opressores. De modo que uma visão ainda colonizadora permanece. Propomos uma leitura reversa dessa relação entre o alemão e o boliviano, com o objetivo de fazer uma narrativa que seja um basta a este tipo de imagem que os europeus ainda têm a coragem de criar sobre nós.

Link da live: https://youtu.be/9Y-Fe6n_sgs

 

23/10 – Sexta-feira – 19h

A fisionomia da metrópole no cinema de curta-metragem

Richard dos Anjos Tavares / Camila Alberti Bellaver / Jeferson Silva / Renato de Novaes Oliveira

Trata-se de um debate virtual sobre  cinema e urbanismo. Explorando a imagem das cidades nos filmes brasileiros de curta duração, a fisionomia da metrópole moderna no cinema brasileiro contemporâneo estará em pauta. De que forma os espaços das cidades são descritos e narrados pelas realizadoras e realizadores ao longo dos últimos anos? E como essas abordagens refletem a complexidade política e social dessa época? Serão discutidos temas como: as inserções publicitárias diegéticas que disputam o espaço com o afeto nos filmes de André Novais Oliveira e a identidade do conflito urbano através das discussões familiares no cinema de Nathália Tereza. O fio condutor da discussão será o alinhamento entre os conceitos de fantasmagoria e texto-cidade presentes na obra de W. Benjamin e a ideia de território abordada pelo geógrafo Milton Santos.

Link da live: https://youtu.be/GwMTX7FY2ms

13/10 – Terça-feira – 19h

O Masculino e o Feminino no Noir

Luiza Lusvarghi / Fernando Mascarello

O objetivo desta live é oferecer uma reflexão sobre as representações de masculino e feminino no Noir, o multifacetado ciclo de filmes estadunidenses de começo dos anos 1940 a meados dos anos 1950, e em sua retomada, igualmente heterogênea, no Neonoir internacional contemporâneo. Habitualmente, o protagonista das narrativas noir clássicas é masculino, em crise com o patriarcalismo e com o sistema social, enquanto sua coprotagonista personifica para muitos pesquisadores a femme fatale, que surge como representação metafórica da mulher moderna. Será debatida a contemporaneidade do Noir no que diz respeito a gênero e sexualidade, incluindo as suas diversas e contraditórias modulações ideológicas no Neonoir.

Link da live: https://youtu.be/v-g4f-akCWU

 

14/10 – Quarta-feira – 19h

Cinema testemunhal, cineastas sobreviventes e o diferendo   

Raquel Valadares de Campos / Andressa Caires

Uma conversa sobre cinema e trauma, com base nos filmes e na experiência de vida de Lúcia Murat e Rithy Panh. Trauma catástrofe são conceitos marcados pelo diferendo (LYOTARD, 1988) – aquilo que não se deixa inscrever, aquilo impossível de provar e de apresentar, sinalizado pelo silêncio, pelo não enunciável, pelo não inteligível e pela ausência de referentes. Testemunhar, porém, é esse esforço dos sobreviventes em encontrar “uma palavra por mais defectível ou disjunta que seja em comparação com o real vivido […] e contar apesar de tudo o que é impossível contar totalmente” (DIDI-HUBERMAN, 2012), inscrevendo as invisíveis marcas da violência e performando a identidade de vítima e de sobrevivente. Destarte há prerrogativas e implicações próprias a um cinema realizado por cineastas sobreviventes, tais como Murat e Panh, cujas filmografias são indissociáveis da experiência da prisão e tortura vivida pela brasileira, e dos campos de matança, vivida pelo cambojano.

Link da live: https://youtu.be/choyPAcnt4M

 

16/10 – Sexta-feira – 19h

Bacurau: a emergência de uma nova política     

Vladimir Lacerda Santafé

“Bacurau”, filme singular de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, instaura uma nova percepção da política no cinema e no cenário atual das tramas sociais brasileiras. Não só pelo “uso” de atores e personagens que retratam nosso “Brasil profundo”, a marca e a cara que expressa a pluralidade étnica e racial do nosso povo, e também de suas contradições e divisões hierárquicas, o racismo estrutural baseado em nosso passado escravagista, como no desnudamento do genocídio praticado pelas elites nacionais durante toda a nossa história, e agora, com o governo Bolsonaro e a pandemia, em sua afirmação trágica. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, no entanto, também nos aponta “saídas”, linhas de fuga, novos modos de vida emergentes das subjetividades assoladas pela miséria e pelo medo, a multidão dos pobres que define uma nova política, uma nova percepção do mundo.

Link da live: https://youtu.be/iwLfzqUI1xg

06/10 – Terça-feira – 19h

Homonstros: a (des)construção da homossexualidade negra em produções fílmicas africanas contemporâneas de temática LGBTQIA+       

Alex Santana França

Embora filmes com temática LGBTQIA+ não sejam incomuns nos cinemas de países do Ocidente, tais produções ainda são raras ou inexistentes na maioria dos países africanos, por diversos motivos, incluindo a homofobia legalizada em muitos deles. Em um levantamento inicial para um atual projeto de pesquisa foram identificadas obras produzidas desde o final do século XX à filmes mais recentes, a exemplo de “Inxeba – Os iniciados” (2017), produção sul-africana dirigida por John Trengove, e “Rafiki” (2019), filme queniano dirigido por Wanuri Kahiu, ambos com grande visibilidade e boa repercussão no Brasil. Diante desse cenário e da necessidade de ampliar a discussão deste tema, a partir da experiência africana, a proposta desta palestra é justamente possibilitar um debate sobre essa questão, analisando e contextualizando uma relação de filmes selecionados, em sua maioria da África do Sul, através do estudo e reflexão que vem sendo desenvolvida pelo então professor, pesquisador e proponente.

Link da live: https://youtu.be/vjgrXHT-bzU
07/10 – Quarta-feira – 19h

Pesquisa em audiovisual e afetos: é preciso falar sobre como trabalhamos

Sancler Ebert / Nina Giácomo

Esta proposta pretende abordar dinâmicas afetivas que atravessam a formação de pesquisadores do audiovisual por meio do compartilhamento de experiências e aprendizados. Apesar de a escrita ocupar um lugar central no trabalho de pesquisa acadêmica em ciências humanas, pouco falamos sobre o tema. Não sabemos como nossos colegas, professores e autores escrevem. A instabilidade financeira, os sentimentos de solidão e de incompletude do cotidiano de pesquisa, a cobrança (e autocobrança) por produtividade e outras pressões podem gerar muito sofrimento para os alunos de pós-graduação. Mas não estamos sozinhos e compartilhar esses afetos é fundamental no enfrentamento de nossas dificuldades, que são coletivas.

Link da live: https://youtu.be/YCHoxLI8dUM
08/10 – Quinta-feira – 19h

Abordagens contra-coloniais do audiovisual e da arte

 Andy Marques Real e Felipe Merker Castellani/ Larissa Macedo

A partir de perspectivas diversas, Larissa Macêdo, Felipe Merker e Andy Marques Real refletem sobre abordagens das linguagens da arte e do audiovisual a partir de uma perspectiva contra-colonial. Será abordada, por exemplo, a obra Ponte sobre abismos, uma vídeo-instalação de Aline Motta, a partir do conceito de quilombo, compreendido enquanto processo de auto-inscrição corpórea da memória social e da identidade negra brasileira. Também será proposta uma análise crítica dos silenciamentos estruturais e das poéticas de (re)existência afro-indígenas brasileiras, a partir do trabalho Onde você ancora seus silêncios? #1 e #2, de Charlene Bicalho, estabelecendo conexões com os pensamentos de Audre Lorde e de Grada Kilomba.

Link da live: https://youtu.be/QnKGlV19B38
09/10 – Sexta-feira – 19h

Corpos desterritorializados e espaços pós-coloniais – um debate sobre os sujeitos em crise no cinema de Pedro Costa.

Catarina Andrade / Mariana Cunha / Michelle Sales

A partir dos filmes Cavalo Dinheiro (2014) e Vitalina Varela (2019), propomos um debate sobre como o cinema de Pedro Costa inscreve os corpos e subjetividades racializadas e diaspóricas no espaço do deslocamento, com base nas noções de corporeidade, olhar e gesto, pensando a construção dos espaços enquanto lugares de uma memória do trauma, bem como seus efeitos nesses sujeitos em crise. Denise Ferreira da Silva lembra que a única solução para a subjugação racial oferecida pela sociologia foi o desaparecimento dos “outros” da Europa. O que significam os rostos, os corpos e as vidas desterritorializadas e suspensas de Ventura e Vitalina? Trata-se, assim, de analisar a maneira como os efeitos do colonialismo são postos em cena, mais especificamente, em relação a uma certa imobilidade da câmera, a estaticidade dos corpos em cena e um tempo em suspensão – o que esses aspectos nos dizem sobre as múltiplas espacialidades e temporalidades tanto histórica quanto fílmica, como também política.

Link da live: https://youtu.be/2AB-J3H7m04

30/09 – Quarta-feira – 19h

Experiências Estéticas e Narrativas do Insólito no Audiovisual

Tiago Monteiro / Ana Acker / Filipe Falcão

Com o objetivo de articular questões de ordem política, social, tecnológica, filosófica e estética, o Insólito audiovisual é um conceito de amplo espectro que abrange nuances como o estranho/inquietante, o maravilhoso, o horrífico, o grotesco, o realismo mágico, o fantasismo e a ficção-científica/especulativa. Tais narrativas de subversão das matrizes realistas têm se revelado cada vez mais expressivas nas produções contemporâneas em diversas plataformas. Em 2020, a urgência de reflexão acerca do insólito se faz ainda mais profícua frente às instabilidades cognitivas e sensíveis catalisadas pela pandemia da covid-19 quando, não raro, termos, imagens e percepções associadas ao universo do horror, da ficção científica, e do estranho são acionadas pela imprensa ou mesmo nas conversas cotidianas, em uma tentativa de dar conta do cenário turbulento que atravessamos, evidenciando, assim, a pertinência das discussões acerca do insólito e suas modulações.

Link da live:  https://youtu.be/etRoiOFx_wY

 

01/10 – Quinta-feira – 19h

Diálogos sobre espectatorialidades femininas no audiovisual  

Regina Gomes / Letícia Moreira / Enoe Lopes Pontes

Mediação – Andy Jankowski

Nossa proposta é de uma roda de conversa sobre a espectatorialidade feminina partindo de três eixos que serão conduzidos pelas integrantes da mesa. O primeiro introduzirá reflexões sobre as contribuições das pioneiras a partir de intervenções críticas de teóricas feministas nos anos de 1970 e 1980, cujas teorias convocam a psicanálise e a semiótica como chaves interpretativas para avaliar a experiência feminina no cinema hegemônico, repensando conceitos importantes como o “male gaze”, vouyerismo e “mascarede”. O segundo eixo apresenta as perspectivas críticas que apontam para a interseccionalidade do gênero com outras categorias, tensionando o binarismo que marca as perspectivas anteriores. Já o terceiro aporte busca pensar a atividade espectatorial das fãs, problematizando o papel que as mulheres ocupam quando estão inseridas em fandoms organizados, já que estudos demonstram que as figuras femininas habitam estes grupos em maior quantidade e em número mais forte de participação.

Link da live: https://youtu.be/Z9pa7JYmTcQ

 

02/10 – Sexta-feira – 19h

Mulheres à margem no audiovisual

Hanna Henck Dias Esperança / Virgínia Jangrossi / Susana Aparecida dos Santos

Por meio de três obras audiovisuais brasileiras, o debate tem como intuito analisar criticamente a representação de mulheres que se desviam do padrão imposto pela sociedade patriarcal.

O recorte temporal, entre o final dos anos 1950 até meados dos anos 1980, compreende certos aspectos da sociedade brasileira que se perpetuam como questões relevantes até os dias de hoje.

– “Como um olhar sem rosto (As presidiárias)”, documentário de Maria Inês Villares (1983), registra a situação das mulheres presidiárias.

– “As bellas da Billings”, filme de ficção de Ozualdo Candeias (1987), aborda a temática da prostituição.

– “Coisa Mais Linda” série de Heather Roth, Giuliano Cedroni (2019), trabalha a questão do aborto, realizado após um estupro conjugal.

Link da live: https://youtu.be/I-ABMU6Rjng

 

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