Ficha do Proponente

Proponente

    Wagner Perez Morales Junior (ED 267)

Minicurrículo

    Wagner Morales é artista visual, pesquisador e documentarista. Possui mestrado em Comunicação Social na ECA-USP (com orientação professor Rubens Machado Jr.). Atualmente, é doutorando da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 no departamento de Arts & Medias (com orientação do professor Philippe Dubois) e co-dirige o espaço de arte independente La Maudite, em Paris.

Ficha do Trabalho

Título

    Imagens amadoras de guerras e conflitos – usos na arte contemporânea

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Através da análise da produção de artistas como Coco Fusco, Rabih Mroué, Thomas Hirschhorn, Clarisse Hahn entre outros, pretende-se traçar como as imagens amadoras de guerras e conflitos passam a ser matéria-prima em uma certa produção visual da arte contemporânea e analisar como o estatuto dessas imagens muda, principalmente após os ataques de 11 de setembro de 2001, em New York.

Resumo expandido

    Neste momento, quando há tantos conflitos armados em curso que nem conseguimos enumerá-los, circulam pela rede horas e horas de imagens mostrando combates, tropas avançando, rebeldes atirando, cidades destruídas, destroços de explosões, corpos desfigurados, cadáveres. É um material bruto disponível para quem quiser ver; os tais rushes, como dizemos no jargão cinematográfico. São registros de guerra, representações do conflito, documentos da violência.
    Nessa oferta visual, há uma mudança de estatuto da imagem de guerra. Se antes elas eram produzidas por órgãos oficiais e governamentais ou equipes especializadas, hoje elas são fruto do trabalho amador. Desde o início do século XX, tínhamos um registro visual daquilo que se passava nos campos de batalha e em locais de conflito através das “atualidades cinematográficas” originadas pelo trabalho de cineastas credenciados. A partir dos anos 1990, com a popularização das câmeras de vídeos e do formato mini-DV, consolida-se uma outra economia de imagens, a do videografista amador. Testemunhas, passantes, soldados, agentes de segurança, policiais, enfermeiros. São essas pessoas que, munidas de câmeras não profissionais, registram as guerras e os conflitos atuais. São elas que distribuem e difundem, gratuitamente ou não, nas redes digitais e nos canais de televisão, tais imagens. Do estatuto de coisa rara e secreta, estas imagens tornaram-se onipresentes e familiares. Estes registros, em sua ambivalência e desmaterialização são, paradoxalmente, os documentos da guerra contemporânea. Ao mesmo tempo, o estatuto da imagem amadora também ganha novos contornos: de registro caseiro feito por aquele que não tem experiência profissional ao único registro possível dos conflitos armados, já que lá, na zona de tiro, raramente há repórteres dos canas de TV. As imagens amadoras se converteram no único regime visual da destruição terrestre, deixando aos drones, o papel aéreo das imagens oficiais.
    A possibilidade caseira de produção digital de imagens e a sua consequente troca e distribuição através da internet converteram tais imagens em registros errantes, que circulam e se movimentam em várias direções. Registros caracterizados pela baixa resolução, pelo fato de serem captados nos mais diferentes formatos (mov, mpeg, gif) e por diferentes dispositivos (celulares, câmeras fotográficas, câmeras de vídeo amadoras, tablets, etc.). São imagens sem autoria, distribuídas pela rede, imagens que são de todos e de ninguém que, ao circularem, radicalizam o caráter não original do registro, assim como a potencialização ao infinito da sua possibilidade de cópia. São “imagens pobres”, as poor images, como as denomina Hito Steyerl.
    Dentro de um universo amplo de artistas (dentro do qual podemos destacar Pier Paolo Pasolini, Harun Farocki, Jean-Luc Godard, além de outros mais jovens como a americana Coco Fusco, os libaneses Rabih Mroué, Akram Zaatari e Walid Raad, o israelense Omer Fast, a francesa Clarisse Hahn, o suíço Thomas Hirschhorn, entre outros), o presente trabalho pretende, analisar o uso que alguns artistas contemporâneos fazem destas imagens em seus processos criativos.
    A partir de conceitos empregados por Hito Steyerl, Jacques Rancière, Georges-Didi-Huberman e valendo-se do modo pelo qual os artistas de nosso “corpus” de pesquisa reempregam essas imagens, nossa análise visa redimensionar alguns termos correntes na crítica das artes visuais contemporânea tais como “imagens amadoras”, “arte política”, “remploi d’image/found footage” e “arquivo”, além de refletir sobre algumas questões: seria possível ainda falarmos de imagens amadoras de guerra? Não estaríamos, ao invés disso, diante da produção de uma nova categoria de imagens, as “imagens não-oficiais dos conflitos”? É possível pensarmos na oposição entre imagens de conflitos versus imagens conflituosas? Haveria um gesto político do artista quando este decide se valer de tais imagens em seus trabalhos e propostas estéticas?

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. “O autor como produtor” (1934), in Magia e técnica, arte e política, Obras escolhidas, v. 1, org. E trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo : Brasiliense, 1987.

    COMOLLI, Jean-Louis. Cinéma contre spectacle. Paris: Éditions Verdier, 2009.

    DIDI-HUBERMAN, Georges. Quand les images prennent position. Paris : Les Éditions de Minuit, 2009.

    FUSCO, Coco. A field guide for female interrogators. New York: Seven Stories Press, 2008.

    GODARD, Jean-Luc. Jean-Luc Godard: Documents. Paris: Éditions du Centre Pompidou, 2006.

    HIRSCHHORN, Thomas. “Pourquoi est-il important, aujourd’hui, de montrer et regarder des images de corps humains détruits ?”, in Que peut une image ?. Paris: Éditions Textuel, 2014.

    RANCIÈRE, Jacques. “Les paradoxes de l’art politiue”. In: Le spectateur émancipé. Paris: La Fabrique, 2008.

    STEYERL, Hito. “In defense of the poor image”. In: The wretched of the screen. Berlin: Sternberg Press, 2012.

    SONTAG, Susan. Regarnding de pain of others. New York, 2003.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE