Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Telmo Medici Sillos Fadul (UnB)

Minicurrículo

    Telmo Fadul é aluno do Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Literatura (PosLIT) da Universidade de Brasilia (UnB). Pesquisa os condicionamentos da literatura na internet. Graduado em Jornalismo, também pela UnB, atua como assessor de comunicação da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Ocupou cargo de assessor técnico na Comissão de Ciência de Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados e trabalhou como repórter dos jornais O Tempo e Hoje em Dia.

Ficha do Trabalho

Título

    Dubshashs de “Ela quer pau”: recepção, discurso e autobiografia

Resumo

    Entre abril e maio de 2015 popularizou-se no Brasil o uso do aplicativo Dubsmash, que permite ao usuário filmar a si mesmo dublando um trecho de áudio. O vídeo resultante é compartilhado nas redes sociais. Este trabalho analisa cinco dubsmashs da música “Ela quer pau”, de Mc Pikachu, e constata que possuem uma natureza ambígua: ao mesmo tempo em que materializam distintas recepções do texto, vinculadas sempre a formações discursivas, funcionam como registro autobiográfico de seus autores.

Resumo expandido

    Criado em novembro de 2014 na Alemanha pelos programadores Daniel Taschik, Jonas Druppel e Roland Grenke, o aplicativo de smartphone Dubsmash difundiu-se no Brasil no ano seguinte, entre abril e maio. A prática de filmar a si mesmo na encenação de um áudio famoso se tornou febre e os dubsmashs invadiram as redes sociais – Facebook, Twitter e Instagran – os serviços de mensagens instantâneas, como o WatsApp.

    Este artigo analisa cinco dubsmashs da mesma música – Ela quer pau – do cantor de funk Mc Pikachu. O corpus foi selecionado em meio a centenas de vídeos resultantes de busca no YouTube e no portal Xvideos (conteúdo adulto) com os termos “dubsmash” e “tava no fluxo” – o primeiro verso da letra. O recorte foi delimitado por ser representativo da gama de diferentes sentidos atribuídos à música por meio dos dubsmashs.

    Vejamos a letra (o enfoque deste trabalho será exclusivamente o texto, já que, em um dos dubsmashs do escopo, os versos chegam a ser entoados à capela): “Tava no fluxo / Avistei a novinha no grau / Sabe o que ela quer? / Pau, pau, pau / Ela quer pau / Pau, pau, pau / Ela quer pau”.

    Para um leitor comum e não familiarizado com as músicas de funk, apenas as informações constantes do texto não estabelecem, com segurança, o significado de expressões como “no fluxo”, “no grau” e “pau” – esta, levando-se em conta seus múltiplos sentidos metafóricos. Os dubsmashs de Ela quer pau têm, em média, onze segundos, e retratam apenas o trecho da letra transcrito acima. Todos eles procuram definir a natureza do desejo da “novinha” e preencher as lacunas de significado que emanam dos versos.

    As perguntas motivadoras desta pesquisa são: que tipo de relação os dubsmashs mantêm com o texto de Mc Pikachu? O que dizem que a “novinha” quer? Como se dá a recepção desses videoclipes?

    Veremos que os dubsmashs representam, antes de qualquer coisa, diferentes leituras que seus autores fizeram da música. Os vídeos não se propõem como produtos autônomos, com os quais a canção deva dialogar em pé de igualdade. O intuito de cada dubsmash é dar materialidade a uma leitura possível para a letra do funk. Os videoclipes dão corporeidade ao que até então figurava apenas como palavra.

    Essas atribuições de sentido, porém, estão sempre atreladas a discursos pré-existentes sobre a mulher (novinha): ora ela quer apanhar, ora quer ser estuprada, ora quer ter um pênis (o signo do poder masculino), ora quer ter o domínio do coito. Tais discursos dialogam entre si e chegam até mesmo a provocar eventos extratextuais.

    Isso acontece porque os dubsmashs são recebidos como confissões autobiográficas pelo público projetado – os contatos das redes sociais dos usuários do aplicativo. Por meio dos dubsmashs, os leitores/ouvintes/espectadores compreendem duas coisas: primeiro, que o emissário compartilha de determinado ponto de vista (é partidário desta ou daquela opinião); segundo, que aderiu a um movimento contemporâneo, uma moda, uma tendência da internet – o próprio ato de se fazer dubsmashs.

    A princípio, serão apresentados e descritos os cinco dubsmashs objetos deste estudo. A abordagem focará os discursos por trás de cada dubsmash – definidos como uma exegese da letra de Mc Pikachu substancializada audiovisualmente. Em seguida, a recepção dos dubsmashs entra em foco, com o reexame do último dos videoclipes, tomado, inevitavelmente e com consequências, como confissão autobiográfica.

Bibliografia

    BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Trad. de Maria João da Costa Pereira. 1. ed. Lisboa: Relógio d´Água, 1991.
    FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Trad. de Laura Sampaio. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
    JAUSS, Hans Robert. O prazer estético e as experiências fundamentais da poiesis, aisthesis e katharsis. In: LIMA, Luiz Costa (Coord. e Trad.). A Literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
    LEJEUNE, Philippe. O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet. Org. de Jovita Maria Noronha. Trad. de Jovita Maria Noronha e Maria Inês Guedes. 2. ed. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2014. 459.
    STIERLE, Karlheinz. In: LIMA, Luiz Costa (Coord. e Trad.). A Literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
    THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Trad. de Wagner de Oliveira Brandão. Rev. de tradução de Leonardo Avritzer. 15. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM