Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Juliano Gomes (ECO-UFRJ)

Minicurrículo

    Crítico e professor. Formado em Cinema, Doutorando (ECO-UFRJ). Lecionou na Pós Grad. em Audiovisual na UNOCHAPECO, além do curso de audiovisual da Vila das Artes (Fortaleza -2014), Academia Internacional de Cinema, e no Festival Fronteira (Goiânia). Redator na Revista Cinética. Faz a concepção audiovisual de espetáculos de teatro e dança desde 2010. É performer em “Help! I need somebody”. Dirigiu o curta “…”(2007) e está finalizando o curta “As Ondas”. Programou a Sessão Cinética no IMS-RJ.

Ficha do Trabalho

Título

    Rua de mão múltipla: notas sobre “Fantasmas”(2010), de André Novais

Resumo

    Desejo analisar a maneira com que o curtametragem “Fantasmas”(2010) cria um curtocircuito de formas, construindo através de sua mise-en-scene uma aguda reflexão sobre o estatuto ontológico das imagens hoje. A partir de uma ficção apartentemente banal, o filme se reconfigura e evoca repertórios variados. O encaramos como uma espécie de fábula sobre o dispositivo cinematográfico, onde o dentro e o fora, direto e indireto, a atividade e a passividade, se colocam em intercâmbio permanente.

Resumo expandido

    “Fantasmas”, curtametragem dirigido por André Novais, narra em plano único, fixo, um momento banal entre dois amigos, jogando conversa fora, até um desenlace inusitado. O mote de uma desilusão amorosa leva a uma construção em abismo onde a câmera também se torna um personagem, em sua aparente passividade. O que vemos é filmado por um dos personagens. Isto é: descobriremos, na sua segunda metade, que a câmera foi colocada por ele. Gabriel e Maurílio estão fora do quadro, nunca aparecem para nós, diretamente. Sua construção, seu “tomar forma” se dá de maneira indireta.

    Desdobraremos este pequeno grande filme analisando a maneira de como sua construção se torna lugar de uma reflexão sobre as possibilidades de uma imagem na reconfiguração das partes do sensível. Sendo assim, torna-se uma espécie de investigação sobre o próprio estatuto da imagem hoje, atravessada por situações de visibilidade e de reprodução das mais variadas formas.

    Em grande parte do filme não se sabe o que estamos vendo. O foco está no som. Não há figura, só uma escura paisagem urbana qualquer, um posto, um não lugar.
    O filme se localiza num lugar de passagem, de passagens. Na rua, passam ônibus e carros. O quadro parece não privilegiar nada exatamente. Toda armação ficcional aponta para uma certa insignificância de suas matérias. A conversa, as pessoas, o momento, nada parece ser espacialmente relevante (parte de sua dramaturgia passa por questionarmos o porquê de estarmos a assistir o próprio filme já que ele insiste em boa parte de seu primeiro ato em não nos “mostrar nada”), o que dá relevo a uma consciência do filme como forma, matéria.

    Tal superfície radicalmente superficial já é uma marca ética de sua perspectiva. Seus aparentes parcos meios (um filme de plano único, fixo, com câmera amadora, sem atores profissionais, imagens escuras, indefinidas) e enredo pra lá de pueril à princípio (reencontro de dois amigos, e conversa acerca de uma desventura amorosa de um deles) são ferramentas de uma ação aguda na composição dramatúrgica e numa investigação sobre o estatuto da imagem simultaneamente.

    Vista Lumière, vídeo amador, câmera de vigilância por outro, “Fantasmas” (assim como outros trabalhos de André Novais) cria um jogo discreto e ativo entre forças dentro e fora do filme permanentemente ,que transcende e reconfigura sua cartografia ficcional. A relação do filme com o espectador já se coloca em terreno indecidido: o que estamos vendo afinal?

    O que é um fantasma? Um defeito? A presença de alguém que morreu? Um signo visual sem a presença de um corpo? Um corpo só imagem: Alguém fora de seu próprio tempo? “Fantasmas” coloca sob uma investigação ficional o problema do real numa construção em abismo, onde os personagens (que assistem) parecem não diferir em nada de nós. O protagonista, homônimo do ator Gabriel Martins, diz: “eu vejo para esquecer. Eu só queria ter certeza”. Pra quê vemos um filme? Que situação é essa que se coloca na experiência cinematográfica e que tipo de saber ela produz?

    O enredo do filme fala de uma imagem cujo objetivo era de comprovação de um fato. Porém, ao final, uma imagem, em si, nada diz. “Fantasmas” vai falar justamente desta mudez ativa, desta espécie de morte dos enunciados que a experiência opera. Na medida em que são personagens-espectadores, estamos nós, do lado de fora do filme, agora dentro e metaforizados. Por quê querer ver? Para que serve ver? O que um som e uma imagem podem comprovar? Não há nada para ver. Mas é preciso ver. Fantasmas, entre os vários encontros que narra, fala do encontro da inteligência humana e da inteligência da máquina. Uma atividade e uma passividade combinadas.

    Partindo destas observações, este trabalho pretende observar a maneira com que o filme se reconfigura e evoca repertórios variados, encara-lo como uma espécie de fábula sobre o dispositivo cinematográfico, onde o dentro e o fora, direto e indireto, a atividade e a passividade, se colocam em intercâmbio permanente

Bibliografia

    EPSTEIN, Jean. Buenos Dias, cine. Espanha, Intermedio, 2015
    DELEUZE, Gilles. A Imagem-tempo, Cinema vol.2. São Paulo, Editora Brasiliense, 2005
    RANCIERE, Jacques. A fábula cinematográfica . Campinas, Papirus, 2013
    RANCIERE, Jacques. A partilha do sensível. São Paulo, Editora 34, 2009
    XAVIER, Ismail (org.). A Experiência do Cinema. São Paulo, Graal, 1983

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM