Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Daniel Soares Abib (UFRJ)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense, atualmente cursa o mestrado na linha Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aprofunda-se no estudo da narratividade e da temporalidade no cinema contemporâneo e sua relação com o niilismo e o pessimismo.

Ficha do Trabalho

Título

    A catástrofe e o “tempo do depois” em Béla Tarr

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    O trabalho busca refletir sobre as figuras da catástrofe que se revelam nos filmes do cineasta húngaro Béla Tarr. Pelos trabalho de Déborah Danowski, Eduardo Viveiros de Castro, Giorgio Agambem e Peter Pál Pelbart tenta estabelecer uma relação entre as perpectivas cada vez mais estreitas do contemporâneo com o que Jacques Rancière denominou como o “tempo do depois”, no cinema de Tarr. Perguntam finalmente, como tornar sensível essa catástrofe ambiental e “existencial” e como habitá-la.

Resumo expandido

    Para Déborah Danowski e Viveiros de Castro a catástrofe já está dada. Pane generalizada dos sistemas ambientais, econômicos, sociais. A questão não é, portanto, como evitá-la, mas o que fazer dela, ou melhor, como habitá-la. Essa catástrofe se desenrola no Antropoceno, a época geológica do homem. Como espécie, atingimos um nível de modificação do ambiente que se tornou irreversível e que deixará marcas suficientemente duradouras para figurar nessa escala do tempo geológico, dos milhões e dos bilhões de anos: muito pouco humana. E nessa mudança de natureza do homem, de espécie para força, muda também a natureza do tempo que habitamos. Confrontada a possibilidade da catástrofe, inapreensível e ininteligível, desmorona a possibilidade de um futuro, ou, sequer, de se pensar um futuro. Assistimos ao destrilhamento do tempo, à uma “instabilidade metatemporal”: “Essa instabilidade metatemporal se conjuga com sua súbita insuficiência de mundo gerando em todos nós algo como a experiência de uma decomposição do tempo (fim) e do espaço (mundo) (…)” (DANOWSKI E VIVEIROS DE CASTRO, pp. 19-20).

    É também o momento de transição de um poder soberano para um poder biopolítico, aquele cuja instauração se exerce pela transformação da “bíos”, ou seja, a forma de vida própria de um indivíduo ou de um grupo, em “zoé”, potência biológica pura (AGAMBEM, 2010). Ou, como coloca Peter Pál Pelbart, a transformação da vida em “vida besta”: “tal rebaixamento global da existência, essa depreciação da vida, sua redução à vida nua, à sobrevida, estágio último do niilismo contemporâneo” (PELBART, p. 29).

    Como tornar visível essa catástrofe “invisível” e torna-la mais apreensível? Não é através da representação (mimética), que pretendemos analisar a questão. Não buscamos histórias sobre a catástrofe, mas uma certa “linguagem” da catástrofe, que nos parece estar articulada em um certo cinema contemporâneo, a uma determinada forma narrativa e um certo uso do tempo. Uma busca que poderíamos resumir com o “captar as forças” deleuziano (DELEUZE, 2012), ou com a fórmula de Paul Klee: “não apresentar o visível, mas tornar visível”.

    Jacques Rancière divide de Béla Tarr em duas fases: a da juventude e a da maturidade. E resume o seu cinema na frase de um personagem de um de seus filmes: “nosso tempo passou”. Filmes cada vez mais negros, que passam de uma altivez de juventude, com câmeras agitadas e próximas aos personagens em combate, para um formalismo cada vez mais distante e frio. Porém, coloca Rancière: “Não há, na sua obra, um tempo dos filmes sociais e um tempo das obras metafísicas e formalistas. (…) Do primeiro ao último filme, é sempre a história de uma promessa falhada” (p. 11). A promessa da emancipação do homem pelo homem que se esfacela e revela um horizonte cada vez mais esmagador e impossível. Personagens destituídos de sua “bíos” e transformados em “zoé”. Parece haver em Tarr o crescente uso de uma narrativa e de uma temporalidade que espelham, ou condensam, esse horizonte da catástrofe em formas sensíveis. Se revela um tempo onde as perspectivas possíveis se esgotam e os movimentos parecem não levar a lugar algum; onde mais nos resta, se não o fim. É o tempo que Rancière vai denominar como o “tempo do depois”.

    O que fazer depois da catástrofe? Como habitar esse tempo do depois? Como resistir ou (existir) a esse aniquilamento do tempo e à inversão das utopias em apocalipses? A reposta de Béla Tarr parece ser como Rancière define: “O tempo do depois não é o da razão reencontrada nem o do desastre esperado. É o tempo do depois das histórias, o tempo em que o interesse recai diretamente sobre a malha sensível na qual elas talham os seus caminhos entre um fim projetado e um fim advindo. Não é o tempo em que se fazem belas frases ou bonitos planos para compensar o vazio de toda a espera. É o tempo em que o interesse recai sobre a própria expectativa” (RANCIÈRE, p. 96).

Bibliografia

    DANOWSKI, Déborah; VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Há mundo por vir?: Ensaio sobre os medos e os fins. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2014
    DELEUZE, Gilles. A Imagem-Tempo: Cinema 2. Lisboa: Assírio & Alvim, 2006.
    DELEUZE, Gilles. Francis Bacon: lógica da sensação. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
    PELBART, Peter Pál. O tempo não-reconciliado. São Paulo: Perspectiva, 2010.
    RANCIÈRE, Jacques. Béla Tarr: o tempo do depois. Lisboa: Orfeu Negro, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM