Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Rafael Fermino Beverari (Unifesp)

Minicurrículo

    Mestre em Ciências Sociais pela UNIFESP, realizou os cursos Literatura e História no Cinema Latino-Americano na Fundação Memorial da América Latina em 2011 e o Seminário Cinema Documental na Cinemateca Brasileira em 2012. Destaca-se a publicação do artigo intitulado Comunicação e seus Aspectos Ideológicos, lançado pela revista Filosofia Ciência & Vida no ano de 2012 e a apresentação do artigo No-Do: imágenes del fascismo en España no IV Congresso da AsAECA em 2014.

Ficha do Trabalho

Título

    Ranchera e tango: México e Argentina na Segunda Guerra Mundial

Resumo

    O presente trabalho pretende discutir as relações audiovisuais estabelecidas entre Estados Unidos e México (Aliados); Espanha e Argentina (Eixo). Assim, a Segunda Guerra Mundial ganha ressonância em um entrave audiovisual estabelecido no território latino-americano, cujas turbulentas ondas do Pacífico trazem consigo um embate entre as nações beligerantes na disputa de disseminação ideológica neste continente por meio da dominação da produção, distribuição e exibição cinematográfica.

Resumo expandido

    A disputa envolvendo os países do Eixo e dos Aliados se inicia ainda no final dos anos 1930, quando o cinema se coloca como um dos principais meios de comunicação. Para além do acirramento dos conflitos nos fronts de batalha, o embate ideológico se expande para distintos territórios que rivalizam um embate de influências de ambos os lados da contenda.
    Se por um lado a influência estadunidense se estabelece principalmente na indústria cinematográfica mexicana, por outro, países fascistas como a Espanha e a Alemanha buscam ampliar o espaço de divulgação de seu ideário em outros locais, como por exemplo na Argentina e Brasil. Assim, o entrelaçamento da Guerra Mundial que se desenvolve na Europa ganha novas dimensões cujo fluxo de balas das metralhadoras é substituído pela contínua produção e distribuição de material audiovisual na América Latina.
    Pautado por uma política de alianças em distintos lugares, os Estados Unidos busca uma tênue aproximação com o México em diversas frentes da indústria cinematográfica. Reconhecido como um destacado estúdios cinematográficos da América Latina durante a 22ª edição do Festival Internacional de Cinema de Amiens, França, a história dos Estudios Churubusco Azteca de México começa em 1942 com uma conversa entre o empresário mexicano radicado nos Estados Unidos, Emilio Azcárraga Vidaurreta, e a produtora norte-americana RKO. Inaugurado em 1945, passa a ser controlado pelo governo mexicano a partir de 1958 depois de ter realizado 39 longa metragens. Apesar do controle estatal, o marco inicial que viabiliza a instauração deste estúdio em solo mexicano parte de um conjunto de iniciativas estadunidenses visando a aproximação do país vizinho com os interesses defendidos pelos Aliados. No mesmo ano de lançamento deste espaço destinado ao audiovisual, cria-se a Pelmex (Peliculas Mexicanas), responsável por grande parte da distribuição da produção audiovisual pela América Latina.
    Enquanto a América do Norte se envolve, no começo da década de 1940, entorno da disseminação de ideia dos Aliados, alguns acordos também são estabelecidos entre o Eixo e países latino-americanos, como é o caso da Espanha e Argentina. A América Latina, este vasto território banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico, se agita diante da aproximação entre Franco e Perón. Contrariando a ruptura diplomática proposta pelo Conselho de Segurança da ONU à Espanha, este último dirigente firma um acordo comercial, em outubro de 1946. A partir daí, um noticiário chamado No-Do (Noticiarios y Documentales), controlado pelos gestores fascistas através da Vicesecretaria de Educación Popular, inicia uma intensa campanha a favor da Argentina. Um documentário intitulado “La primera dama argentina en España” é realizado e lançado em janeiro de 1947 com uma hora e quarenta e sete minutos de duração. Durante o primeiro semestre deste ano, um cinejornal também produzido pelo No-Do exibe durante 15 vezes alguma menção à Argentina que varia de partidas amistosas de futebol, até visitas oficiais de Eva Perón e do embaixador argentino Pedro J. M. Radío. Responsável pela distribuição do material deste noticiário para a América Latina, a produtora e distribuidora espanhola Cifesa (Compañía Industrial de Film Español) exerce um importante papel na divulgação das notícias vinculadas ao governo franquista ao redor do mundo. Com 1.504 números deste cinejornal enviados para a América Hispânica e 566 destinadas ao Brasil, sua tentativa de disseminação da ideologia fascista além de seus limites territoriais é algo notório em um contexto de intenso embate.
    Diante de um cenário pautado pelas disputas em conflito, a guinada dos interesses mundiais também perpassa os cinemas dos países latino-americanos em suas múltiplas dimensões. Assim, México e Argentina e Brasil encontram-se diante de uma complexa rede de produção e distribuição que vai além de seus territórios, participando de embates estratégicos acerca da disseminação de audiovisual ora do Eixo, ora Aliado.

Bibliografia

    AMANCIO, Tunico; TEDESCO, Marina (Org). Brasil-México: aproximações cinematográficas. Niterói: EdUFF, 2011.

    BERNARDO, João. Labirintos do fascismo. 1998. 443 f. Tese (Doutorado). Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação.

    COMPANY, Juan Miguel. Cifesa como sintoma. Archivos de la Filmoteca. Espanha: Filmoteca Española, 1990.

    DÍEZ, Emeterio. Los acuerdos cinematográficos entre el franquismo y el Tercer Reich (1936 – 1945). Archivos de la Filmoteca. Espanha: Filmoteca Española, 1999.

    PEREDO CASTRO, Francisco. La batalla por los Estudios Churubusco. Archivos de la Filmoteca. Espanha: Filmoteca Española, 2004.

    SORLIN, Pierre. Sociología del Cine. Mexico: Fondo de Cultura Económica, 1992.

    TRANCHE, Rafael R. & SÁNCHEZ-BIOSCA, Vicente. NO-DO. El tiempo y la memoria. 7a. Edição. Madrid: Filmoteca Española / Ediciones Cátedra, 2005.

    VIRILIO, Paul. Guerra e Cinema. São Paulo: Boitempo, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM