Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Pedro Henrique Ghoneim (Unicamp)

Minicurrículo

    Mestrando em Música (IA/UNICAMP) na área de trilhas sonoras e graduando em Composição (IA/UNICAMP). Possui graduação em Música Popular (2015) pela mesma instituição.

Ficha do Trabalho

Título

    A orquestração como componente da teoria de gêneros cinematográficos

Resumo

    Com base na teoria de estilo musical de Leonard Meyer e nas teorias de gênero cinematográfico de Rick Altman e Steve Neale, discutirei as relações entre estilos orquestrais de trilha musical específicos com certos gêneros cinematográficos. Para tanto, será utilizado o referencial metodológico de Mark Brownrigg, que faz a ligação entre música e gênero, acrescentando uma abordagem analítica orquestral de partituras, além de discussões histórico-culturais.

Resumo expandido

    Em meio à extensa produção acadêmica no campo das teorias de gênero, podemos constatar que, apesar da história milenar, teóricos ainda não alcançaram um consenso. Contudo, permeia, de forma abrangente, os argumentos dos principais autores a ideia de que o gênero é marcado por “restrições” (“convenções”, “regras”). No campo da literatura, o filósofo Horácio já afirmava, na Roma Antiga, que cada gênero literário possuía suas próprias regras e procedimentos pré-estabelecidos. Para o pensador, formas de verso trágico não deveriam ser utilizadas em situações cômicas (ALTMAN, 1999, p. 3). A respeito do cinema de Hollywood, Steve Neale, ao conceituar o termo “verossimilhança” (elementos que permitem o reconhecimento dos gêneros por parte do pùblico), infere que existem “regimes de verosimilhança”; tais regimes possuiriam “regras, normas e leis” (NEALE, 2000, p. 32). No âmbito da música, Leonard B. Meyer, apesar de chamar de “estilo” aquilo que comumente é tratado como “gênero” nos estudos de cinema e literatura, reafirma a tendência das teorias de gênero ao apontar que o estilo depende de determinadas “restrições” para ser reconhecido. Em sequência, Meyer expande sua teoria e estabelece que as restrições estão estreitamente relacionadas a escolhas dos autores (MEYER, 1989, p.3-8).
    A definição dada por Meyer diz que o estilo se configura pela replicação de padrões resultante de escolhas tomadas dentro de certas restrições, seja o objeto um comportamento humano ou um produto deste (MEYER, 1989, p. 3). Partindo de uma abordagem cognitivista, o autor afirma que mesmo as ações humanas automatizadas (como levantar da cama, dirigir, tomar banho) envolvem o processo de decisão. Isso ocorre porque, mesmo que estas ações não passem por um processo de escolha consciente das alternativas, elas não são involuntárias.
    Assim como a concepção de uma melodia ou a escolha de um acorde são recursos criativos e poéticos para um compositor, a organização e atribuição destes elementos a certos instrumentos, ou combinações destes, também podem se dispor ao pensamento artístico do autor da obra. A orquestração, portanto, não diz respeito apenas ao estudo técnico das características acústicas e ergonômicas dos instrumentos musicais, mas envolve também as escolhas do compositor, decisões guiadas por parâmetros estéticos conscientes ou inconscientes. Desta forma, partindo do pressuposto de que a música é um elemento paradigmático dos gêneros (BROWNRIGG, 2003), e que a orquestração é um recurso musical amplamente utilizado nas trilhas musicais desde o advento do cinema sonoro (TÁPIA, 2012), pretendo discutir como a configuração de estilos orquestrais, consolidados através de decisões conscientes ou não dos compositores, são parte estrutural da sistematização genérica no cinema.
    Para Mark Brownrigg (2003), o compositor da trilha musical, assim como o roteirista, o fotógrafo ou o figurinista, possui consciência das convenções musicais pertencentes a determinados gêneros fílmicos. Assim, não seria comum que uma música repleta de convenções do gênero western fosse introduzida em um filme de terror (a menos que a intenção fosse de quebra de expectativa). O autor aborda diversos gêneros de cinema, tendo como foco as convenções musicais que permeiam a filmografia de cada um deles, a fim de sistematizar os elementos estruturais destas músicas. Contudo, apesar de abordar em alguns momentos o recurso da orquestração, este é tratado sem profundidade, tendo em vista a abordagem panorâmica do trabalho.
    Apresentarei então um estudo dos estilos orquestrais em relação a determinados gêneros cinematográficos, adotando como base teórica a obra de Meyer no âmbito da música, e as obras de Altman e Neale no âmbito do cinema. Como referencial metodológico, utilizarei a tese de Brownrigg, pela abordagem da relação entre música e cinema. Serão feitas análises orquestrais de partituras e discussões histórico-culturais acerca das relações entre trilha musical e música de concerto.

Bibliografia

    ALTMAN, R. Film//Genre. Londres: British Film Institute. 1999
    BROWNRIGG, M. Film music and film genre. 2003. 308 f. Tese de doutorado –
    University of Stirling. Abr 2003.
    MEYER, L. B. Style and music: theory, history and ideology. Filadélfia: University of Pennsylvania Press. 1989.
    NEALE, S. Genre and Hollywood. Londres: Routledge, 2000.
    TÁPIA, D. A orquestra sinfônica do cinema norte-americano: o exemplo de Bernard
    Hermann. Dissertação de mestrado. Campinas: IA/UNICAMP, 2012

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM