Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Nikola Matevski (USP)

Minicurrículo

    Mestrando em Meios e Processos Audiovisuais (ECA-USP) sob orientação de Mateus Araújo Silva com pesquisa que discute a filmografia de Roberto Rossellini posterior a India Matri Buhmi. Formado em jornalismo, foi setorista da editoria de cultura da Gazeta do Povo entre 2003 e 2007. Atuou como programador de filmes e produtor de eventos relacionados ao cinema no Sesc Paço da Liberdade entre 2009 e 2011. Colaborou como crítico de cinema e tradutor com diversas publicações eletrônicas e impressas.

Ficha do Trabalho

Título

    Roberto Rossellini – depurações da visão

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    Em India Matri Bhumi (1959), Roberto Rossellini redefine seu olhar, encontrando uma visão inocente que registra a “criação do mundo”. Estabelecem-se assim as bases para a eclosão de um projeto pedagógico-histórico marcado pela procura por uma “visão direta”. Em seu último filme, Beaubourg, centre d’art et culture Georges Pompidou (1977), Rossellini atinge um ponto extremo neste percurso que chamamos de depuração da visão e que será tema de nossa contribuição.

Resumo expandido

    Depois de Vania Vannini, filme marcadamente romanesco, a viagem de Roberto Rossellini à Índia entre dezembro de 1956 e setembro de 1957 evidencia uma mudança de rumos em seu cinema. No encontro com uma cultura que lhe era desconhecida, manifesta-se também um novo tipo de visão: diante da imensidão de um país dividido entre a modernização que se anuncia em grandes obras públicas e os arcaísmos das tradições e seus mitos, ambos cercados pela presença de uma natureza misteriosa, o olhar que se dirige ao mundo recupera uma inocência que remete ao cinema dos primórdios.

    Deixando-se levar pelo encanto do registro dos movimentos mais prosaicos do cotidiano, o filmar de Rossellini na Índia remonta a um tempo pregresso, um éden cinematográfico liberto do peso de sua própria trajetória – em suma, um tipo de deslumbre compatível com o olhar das vistas de Lumière (seguimos a deixa de Sandro Bernardi a partir de Eric Rohmer). Se esse périplo cultural-geográfico rumo ao desconhecido leva Rossellini a recuperar uma visão inocente, que registra a “criação do mundo” (Godard), ela também estabelece as bases para a eclosão do projeto pedagógico-histórico desenvolvido pelo cineasta nos anos 60-70.

    Certo esgotamento na relação do cinema com as possibilidades revelatórias do real que ocorre neste momento, levando uma considerável porção de cineastas a retomar abertamente o interesse pela imagem e pela montagem (por exemplo, Jean-Luc Godard em Vento do Leste: “Não uma imagem justa, mas justo uma imagem”) Rossellini passa a traçar um caminho que irá substituir, na proposição de Adriano Aprà, o real dos fatos pelo real dos documentos. O cineasta italiano inspirou-se então em Comenius (Jan Amos Komenský) numa busca pela “visão direta”. Tal “visão” sugere a possibilidade de assimilação do cognoscível sem intermédios simbólicos das palavras e das artimanhas da linguagem. Segundo Comenius, estas prejudicam o aprendizado porque favorecem os mal-entendidos, levando os aprendizes a esquecer aquilo que se propunham a estudar. Isso seria evitado se fosse possibilitada uma “visão direta” como instrumento de apreensão – a busca por tal visão torna-se uma âncora no cinema pedagógico-histórico de Rossellini.

    Nos filmes, isto se traduz num novo tipo de depuração do olhar que realiza, de um modo particular, novamente um retorno a uma condição precedente do cinema: grandes planos fixos com figuras hierarquizadas e a inexistência do fora de campo; a submissão do tempo ao pretérito, pois a duração não se curva ao transcorrer da ação presente, mas à demonstração de um conhecimento já acabado e sintetizado; a prevalência de planos-sequência; o uso de atores amadores como personagens desindividualizados e porta-vozes de discursos; contenção da expressividade na atuação, que é reduzida a gestos codificados e genéricos. Em suma, trata-se de recusas e depurações, de simplificações e condensações que visam o mostrativo e apostam no instrumento da visão despida e desimpedida como um meio de acesso direto ao conhecimento. É como se estes filmes se dirigissem a um espectador que não estivesse contaminado pelos vícios do cinema e fosse dotado de um olhar livre para explorar o momento de infância da televisão.

    O último filme de Roberto Rossellini, Beaubourg, centre d’art et culture Georges Pompidou (1977) leva estes processos a um próximo nível, como se adotasse as premissas daquele espectador de olhar livre e se defrontasse, não com a clareza de um conteúdo histórico condensado a ser assimilado, mas com a arquitetura moderna do então recém-inaugurado museu, um edifício que contrasta com o antiga região parisiense (e que confere o título ao filme). Daí certo desconcerto da visão, que é embalada por um flanar em deslocamentos elaborados, com sucessivas aproximações e distanciamentos, assumindo um ponto de visão abstraído e descorporificado.

    O objetivo deste estudo é discutir a depuração da visão que se opera entre India Matri Bhumi (1959) e Le Beaubourg (1977).

Bibliografia

    BIBLIOGRAFIA

    APRÁ, Adriano. Enciclopédia histórica de Rossellini. in: Roberto Rossellini e o cinema revelador. Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 2007.

    BERGALA, Alain (Org.). Roberto Rossellini: le cinema révélé. 2ª ed. Paris: Cahiers du Cinèma, 2005.

    BERNARDI, Sandro. As paisagens de Rossellini: Natureza, Mito, História. in: Roberto Rossellini e o cinema revelador. Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 2007.

    COSTA, João Bénard. India Matri Bhumi. in: Roberto Rossellini e o cinema revelador. Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 2007.

    BENOLIEL, Bernard; BOURGUEOIS, Nathalie (Org.). India – Rossellini et les animaux. Paris: Cinémathèque française, 1997.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM