Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Cristiano Figueira Canguçu (UESB)

Minicurrículo

    Cristiano Canguçu é mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e professor assistente na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), nas áreas de teorias do cinema, linguagem do audiovisual e análise fílmica. E-mail: cristiano.figueira@gmail.com

Ficha do Trabalho

Título

    Narrativa e retórica na ficção científica: o caso de Gattaca (1997)

Resumo

    Este paper se propõe a analisar a estrutura narrativa presente em filmes-mesagem do gênero ficção científica, tomando como estudo de caso a obra Gattaca (1997), a qual demonstra como os principais elementos retóricos e argumentativos são transformados em técnicas da narrativa clássica hollyoowdiana dedicadas a materializar problemas sociais em personagens individuais, orientando e incentivando hipóteses interpretativas do seu espectador.

Resumo expandido

    Na ficção científica, não é raro o pessimismo sobre o porvir tecnológico. Ironizada por Isaac Asimov como “Complexo de Frankenstein”, a desconfiança da noção de “progresso” científico-tecnológico fundamentou inúmeras narrativas do gênero, desde aquele romance de Mary Shelley: robôs que se voltam contra os humanos, monstros resultantes da radiação e apocalipses nucleares seriam apenas alguns dos resultados da húbris da civilização moderna, conforme imaginados nessas narrativas.
    É possível distinguir, contudo, obras nas quais os perigos da tecnologia não são simplesmente parte da estória, mas que propositadamente fundamentam a estrutura narrativa com o objetivo de alertar o leitor/espectador sobre um perigo específico que viria do desenvolvimento científico. Esse corpus consiste numa espécie de parábola ou conto moralizante (“cautionary tale”), no qual fábula do filme assume a fórmula retórica do apelo ao exemplo, apresentando como tal um acontecimento hipotético que poderia acontecer no mundo real se não tomarmos cuidado com o desenvolvimento científico indiscriminado. Há, assim, uma moral negativa: não se pode deixar o mundo chegar no ponto X, representado no mundo ficcional relatado. Como, no entanto, seria esse corpus estruturado enquanto narrativa cinematográfica?
    O filme Gattaca: Experiência Genética (Andrew Niccol, 1997) é um caso representativo desta articulação entre estrutura narrativa e mensagem retórica, em certa medida semelhante ao modo narrativo típico de certos filmes soviéticos e do roman à these (BORDWELL; SULEIMAN): um herói determinado e psicologicamente imutável enfrenta adversários moralmente inferiores, um confronto que deverá terminar com um triunfo absoluto, ou, no máximo, uma derrota temporária.
    Diferentemente da vanguarda soviética, porém, os dispositivos retóricos não são dominantes, mas subsumidos à estrutura narrativa clássica hollywoodiana, transformando as ideias a respeito do mundo numa fábula com personagens individuais com características e metas bem definidas, bem como ações encadeadas por causalidade, reviravoltas e acontecimentos subsidiários: o perigo de uma sociedade gerida pela engenharia genética é materializado no drama de um indivíduo determinado, que precisa enganar a sociedade para lutar por um sonho que por ela lhe foi proibido, em um hipotético futuro. O equilíbrio foi violado pela sobreposição da ciência às paixões humanas e precisa ser restaurado pelo protagonista.
    Mas a narração cinematográfica não se reduz à estória contada, devendo se considerar também o modo pela qual ela se dirige ao espectador. Na estrutura clássica a que se conforma Gattaca, também chamada de “narração erotética” (CARROLL), o filme produz suspense propondo perguntas e adiando respostas que são alternativas fechadas (resultados improváveis, mas moralmente desejáveis, versus resultados prováveis, mas moralmente indesejáveis): Vincent conseguirá realizar seu sonho de viajar ao espaço? Conseguirá enganar os seus colegas e o investigador? Terá um romance com Irene? Quem será o culpado pelo assassinato?
    Há, portanto, uma relação fundamental entre características da narrativa, como a ordenação e as eventuais lacunas nos acontecimentos relatados, e os esforços dedutivos e interpretativos do espectador: em se tratando de um filme com forte componente de mensagem moral, Gattaca aposta na orientação de tais esforços por meio do feito-primazia (BORDWELL), com preâmbulo duradouro com narração over e flashback inicial que pré-interpretam a fábula e procuram focar a atenção do espectador no suspense a respeito dos eventos vindouros. Em filmes como Gattaca, a exposição concentrada (STERNBERG) no início prevê, de maneira compacta, todo o seu desenrolar.

Bibliografia

    ASIMOV, I. A máquina e o robô. in: Visões de robô. Rio de Janeiro: Record, 1994.
    BOOKER, M. K. The Dystopian Impulse in Modern Literature. Westport: Greenwood, 1994.
    BORDWELL, D. Narration in the Fiction Film. Madison: Wisconsin U., 1985.
    CARROLL, N. The Power of the Movies. in: Theorizing the Moving Image. Cambridge: Cambridge U., 1996.
    ______. Toward a Theory of Film Suspense. in: Theorizing the Moving Image. Cambridge: Cambridge U., 1996.
    STERNBERG, M. Expositional Modes and Temporal Ordering in Fiction. Baltimore: Johns Hopkins, 1978.
    SULEIMAN, S. R. Authoritarian Fictions: New York: Columbia U., 1983.
    SUVIN, D. Theses on Dystopia 2001. in: Dark Horizons. New York: Routledge, 2003.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM