Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Naara Fontinele dos Santos (Université Paris 3)

Minicurrículo

    Graduada em Cinema pela UFSC (2010), possui dois mestrados pela Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Mestrado de pesquisa em Études cinématographiques et audiovisuelles intitulado “Da reportagem à invenção, da vie à mise en scène.” (2010-2012) e mestrado profissional em Didactique de l’image: production doutils, art de la transmission (2012-2014). Atualmente doutoranda da Paris 3, pesquisa sobre as “Formas críticas e experimentais no cinema de intervenção social brasileiro”.

Ficha do Trabalho

Título

    A luta do representativo e do predicativo em Lavra-dor (1968)

Resumo

    Através de uma metodologia que aposta na força de deslocamento de iniciativas estéticas e operações formais, propomos analisar o curta-metragem Lavra-dor, de Paulo Rufino e Ana Carolina (1968). Como uma imagem fixa ou móvel, um corpo ou um grafismo na tela, extratos de um poema ou recortes de um discurso político, torna-se matéria de representação ? Buscamos identificar as soluções formais adotadas pelos cineastas na elaboração desse ensaio poético de intervenção social.

Resumo expandido

    Como uma imagem fixa ou móvel, um corpo ou um grafismo na tela, extratos de um poema ou recortes de um discurso político, torna-se matéria de representação ? Como enriquece-los de novos sentidos ? Através da análise fílmica, abordaremos alguns procedimentos estéticos e discursivos no gesto de criação de uma obra original que se constituí fundamentalmente através da operação de reciclagem/reapropriação de materiais fílmicos, fotográficos, textuais e sonoros pré-existentes. Analisaremos um único filme : Lavra-dor, realizado por Paulo Rufino, com importante colaboração de Ana Carolina, em 1968. Premiado no Festival de Belo Horizonte, na Mostra do Cine Latino-Americano (Venezuela) e no Festival de Cine Documental Latino-Americano (Argentino), o curta-metragem recebe certa visibilidade e se inscreve na história do cinema brasileiro graças ao esforço analítico de Jean-Claude Bernardet em Cineastas e Imagens do povo (1985).
    Em Lavra-dor, os jovens cineastas apostam na potencialização do olhar e da escuta de seus espectadores, no questionamento da premissa indicial do cinema documentário, no jogo de sobreposição de vozes e de sentidos, como elementos centrais de invenção de uma nova forma fílmica. Um “ensaio-poema” que se escreve, segundo Paulo Rufino, “por blocos significantes, cuja ordem não é necessária ao sentido ou à fruição que pretende oferecer. Poema em fragmentos, o assunto de Lavra Dor não é seu tema, mas a linguagem com que o recolhe. Ou acolhe.”. Um “ensaio-poema” crítico, que associa dialeticamente trechos de poemas de Mário Chamie no campo visual e sonoro, com discursos políticos, depoimentos (verdadeiros ou inventados para o filme), arquivos fílmicos e fotográficos e performances diante da câmera; a piedade aos discursos dos lavradores se contamina por apropriações textuais e sonoras diversas. Um “ensaio-poema” cujo assunto, o que o filme dá a ver e a ouvir, faz referencia às promessas de reforma agrária até meados dos anos 60 e ao desfalecimento provocado pelo golpe militar de 1964 que asfixia os sindicatos rurais brasileiros. Assim, um “ensaio-poema” de cunho político, no qual a política ressurge tanto da proposta temática quanto do gesto de construção fílmica. O ímpeto de intervenção social convive com as experimentações de “montagem intelectual”, “montagem vertical” e “montagem à intervalos”, de forma que o tratamento visual e sonoro de Lavra-dor mostra uma aproximação significativa com a rica tradição vanguardista do documentário experimental. A estética da colagem e da reciclagem de materiais dos anos 20 se reinventa sob a égide de um ensaísmo muito peculiar para a época e para o contexto brasileiro – como demonstrou Jean-Claude Bernardet em sua análise -, mas em plena correspondência formal com o cinema político e experimental contemporâneos à realização do filme (a integração gráfica de letreiros, tão presentes em Vertov, Jean-Luc Godard e em La hora de los Hornos de Fernando Solanas e Octavio Getino, por exemplo).
    Em nossa análise, atentamos para a maneira como os sentidos implicados não depende somente das relações formais entre os planos, mas também da natureza e textura da imagem. Através de uma metodologia que aposta na força de deslocamento de iniciativas estéticas e operações formais, buscamos identificar e compreender as diferentes soluções adotadas por Paulo Rufino e Ana Carolina para manifestar uma forma de intervenção social-poética na qual a imagem cinematográfica é o lugar de luta do representativo e do predicativo, daquilo que ela dá a ver e daquilo que tentam fazê-la dizer ou pensar.

Bibliografia

    BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

    BLÜMLINGER, Christa, Cinéma de seconde main – Esthétique du remploi dans l’art du film et des nouveaux médias, Paris : Klincksieck, 2013.

    BRENEZ, Nicole, « Montage intertextuel et formes contemporaines du remploi dans le cinéma expérimental », Cinémas, Vol 13, n° 1-2, 2002, p.49-67.
    _Traitement du Lumpenprolétariat par le cinéma d’avant-garde, Paris: Séguier, 2006.

    DELEUZE, Gilles. Différence e répétition, Paris: PUF, 1968.

    EISENSTEIN, Sergei, Film form, traduit de l’anglais par Teresa Ottoni, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012.

    NINEY François, L’épreuve du réel à l’écran. Essai sur le principe de réalité documentaire, Bruxelles: Éditions De Boeck Université, Collection Cinéma et Arts, 2002.

    VERTOV, Dizga, Articles, journaux, projets, Paris : Union générale d’éditions, 1972.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM