Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Lillian Bento de Souza (UNICAMP)

Minicurrículo

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Multimeios do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) estudando o corpo na obra de David Cronenberg. Mestre em Comunicação e Cidadania na Universidade Federal de Goiás (UFG) (2007-2009) e jornalista formada pela mesma instituição (2005). Foi professora substituta no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás, em 2013, e professora substituta do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFG (2008 – 2009).

Ficha do Trabalho

Título

    Nem homem, nem mosca: O corpo cinemático de David Cronenberg

Resumo

    O conceito de corpo cinemático, proposto por Steven Shaviro (2015), é aqui evocado para a análise do corpo proposto pelo diretor canadense David Cronenberg tomando como objeto o filme The Fly (1986) que imerso no universo da Ficção Científica trata de mudanças psicofisiológicas e da monstruosidade do corpo. O interesse aqui é investigar esse corpo que, filmado, coloca em evidência a capacidade do cinema de esvaziar significações e identidades e trabalhar a partir de semelhanças.

Resumo expandido

    A centralidade obsessiva no corpo humano e nas transformações sofridas pela carne levam os filmes de David Cronenberg a ocupar um lugar não apenas de representação deste, mas de criação de um novo corpo. Na mise en scène do diretor os corpos vibram, pulsam, gozam e são capazes de fazer vibrar, fazer gozar e fazer sentir sem, no entanto, serem corpos humanos. Por outro lado, o que surge na tela são configurações únicas que subvertem a organização corporal tal qual estabelecida na cultura ocidental. São filmes literalmente corporais, mas trata-se de corpos que, apesar de buscarem na carne a visceralidade e o grotesco, são compostos de luz e sombra e capazes de buscar nas referencias conhecidas as sensações e transformá-las. O espectador de Cronenberg vê deslocado o desejo, reconfigurada a sexualidade e questionada a enfermidade e a morte.
    O corpo que Cronenberg propõe é o que Steven Shaviro (2015) chama de “Corpo Cinemático”, que é ao mesmo tempo seu sujeito, sua substância e seu limite. A presente análise está centrada no corpo proposto em The Fly (1986), que imerso no universo da Ficção Científica constrói narrativas que tratam de mudanças psicofisiológicas e da monstruosidade do corpo. No filme, o corpo apresentado é invadido por uma alteração interna de DNA, que se mescla com os genes de uma mosca, gerando um homem-mosca único, incapaz de fugir de sua condição monstruosa. Mesmo reconhecendo a alteridade entre homem e inseto, essa alteridade já não é palpável e a carne modificada já não volta ao seu estado anterior. A ameaça é interna e aniquilar o mal implica aniquilar esse novo corpo, nada sobra, nada resta, não há rotas de fuga nesse emaranhado tecnogenético.
    O interesse aqui é investigar esse corpo que, filmado, coloca em evidência a capacidade do cinema de esvaziar significações e identidades e trabalhar a partir de semelhanças sem sentido ou origem. Assim, o corpo cinemático de Cronenberg é único porque, apesar de partir do referencial biológico é distante, inerte e, ao mesmo tempo, hiperbólico. O diretor coloca o corpo em primeiro plano em uma leitura literal e visceral da carne e dos duelos travados entre corpo e mente; corpo e natureza e corpo e tecnologia. No entanto, para além dessa leitura metafísica dos dualismos corpóreos temos um corpo hiperbolizado pelo aparelho cinemático e perpetuado na tela. “O cinema é um tipo de contato não representacional, perigosamente mimético e corrosivo, nos empurrando para a vida misteriosa do corpo.” (Shaviro, 2015: 297)
    The Fly (1986) foi realizado quatro anos antes da divulgação do Projeto Genoma Humano, em 1990, que mapeou o DNA humano, e relata a história de um cientista envolvido com a criação de um aparelho de teletransporte de seres vivos. Seth Brundle (Jeff Goldblum), o cientista está tão entusiasmado com a própria invenção, que resolve testar a máquina teletransportando o próprio corpo, porém seus genes se fundem com de uma mosca que entra acidentalmente na máquina. Nos dias seguintes, o personagem começa a ganhar características físicas da mosca, sem deixar de agir sentimentalmente como humano, tornando-se um ser híbrido e único. Surge um corpo que não é humano e não é animal e está carregado de elementos do grotesco. Ao perceber que não seria possível recuperar sua humanidade, Brundle acredita que será o primeiro “inseto político” da história, em uma clara referência à obra de Franz Kafka, mas “o seu devir de mosca é um processo aberto, sempre puxando para cada vez mais longe de qualquer comunidade, identidade ou repouso”. (Shaviro, 2015: 173).
    Desesperado com sua condição ele pede a sua companheira grávida, a jornalista Verônica Quaife (Geena Davis), que entre na máquina com ele para juntos tornarem-se um só ser, uma tríade. Porém, ela recusa e o cientista tenta se livrar da situação com um novo teletransporte. Seria a última esperança, mas ele se funde ao metal da máquina e passa a ter um corpo pesado demais que, assim como o fardo de viver como um monstro.

Bibliografia

    BEARD, William. The Artist as Monster – The Cinema of David Cronenberg. Rev. and expanded. Toronto, CA: University of Toronto Press Incorporation, 2006.
    FOUCAULT, Michel. A História da Sexualidade – A vontade de Saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhom Albuquerque – 1a ed. – São Paulo, Paz e Terra, 2014.
    FOUCAULT, Michel. A História da Sexualidade – O Uso dos Prazeres. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque – 1a ed. – São Paulo, Paz e Terra, 2014.
    GOROSTIZA, Jorge e PÉREZ, Ana. David Cronenberg. Madrid, ES: Humanes de Madrid, 2003.
    GRÜNBERG, Serge. David Cronenberg. Paris, Cahiers du Cinéma – Éd. De l’Étoile, 1992.
    GREINER, Christine. O corpo em crise – Novas Pistas e o Curto-Circuito das Representações. São Paulo: Annablume, 2010. (Coleção Leituras do Corpo)
    NOVAES, Adauto (org.). O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2003.
    SHAVIRO, Steven. O Corpo Cinemático. São Paulo: Paul

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM