Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Ingrid Hannah Salame da Silva (Unicamp)

Minicurrículo

    Mestranda do Programa de Pós Graduação em Multimeios da Unicamp, com pesquisa centrada no cinema brasileiro durante as décadas de 1920 e 1930. Jornalista formada pela faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. Durante o período de graduação foi bolsista do Programa de Educação Tutorial (PetFacom/UFJF) e do projeto “Formas de produção e criação no cinema brasileiro de 1930 à contemporaneidade: o cinema independente”, do prof.dr. Luís Alberto Rocha Melo.

Ficha do Trabalho

Título

    Entre fatos e boatos: as aventuras de um mitômano no cinema silencioso

Resumo

    Esta proposta busca resgatar a biografia de Eugênio Pignone, um mitômano que, chegando a São Paulo em 1921, vira assunto na imprensa local após engabelar uma família de imigrantes italianos, para logo em seguida divulgar nesses mesmos jornais histórias de sua vida aventurosa. A partir de 1923, Pignone se apresenta como E. C. Kerrigan, e com esse pseudônimo assina a direção de cinco melodramas (quatro longas e um curta metragem) e pelo menos quatro cinejornais e dois naturais, todos silenciosos.

Resumo expandido

    A trajetória de Eugênio Pignone, que posteriormente adotaria o pseudônimo cinematográfico “E.C. Kerrigan”, é abundante em peripécias e não se restringe aos filmes que dirigiu, mas abarca invenções fantasiosas, rumores, denúncias, versões e contravenções. Em 1921, Pignone chega a São Paulo e se faz passar por conde Eugênio Maria Pignone Rossiglione de Farnet, supostamente membro pertencente à nobreza italiana cujas proezas ao redor do mundo foram registradas na imprensa paulista seguindo uma formatação que ora tende ao fait divers, ora ao folhetim, ora ao melodrama. Talvez esse tenha sido seu traço mais marcante: a capacidade de se reinventar a cada situação e de alimentar tudo o que pudesse acrescentar elementos extraordinários a sua vida. Tratando-se de um mitômano, muitas das informações concernentes a ele estão no limiar da ficção.
    A partir de 1923, Eugênio abandona o sobrenome “Pignone” e passa a se apresentar como “E.C.Kerrigan” e com esse nome assina a direção de cinco posados – Sofrer para gozar (Apa Filme, 1923, Campinas), Quando elas querem (Visual Filme, 1925, São Paulo), Corações em suplício (Masotti Filme, 1925, Guaranésia), Amor que redime (Ita Filme, 1928, Porto Alegre) e Revelação (Uni Filme, 1929, Porto Alegre) –, pelo menos quatro cinejornais – Ita-Jornal 1,2, 4 e 5 – e dois naturais – Glória à Virgem do Rosário e Campeonato estadual de futebol (todos produzidos pela Ita em 1927). Para realizar os filmes de ficção, o italiano recorreu a duas estratégias comumente utilizadas no período silencioso brasileiro: em primeiro lugar, à criação de escolas de cinema, as quais possibilitaram que ele reunisse técnicos, artistas e produtores; em segundo, à realização de documentários com evocações elogiosas a instâncias de poder. Em todos os processos observa-se uma mesma linha de ação: Eugênio cria a persona do diretor com experiência nos estúdios da Vitagraph e da Paramount (Hollywood!) e essa “farsa” é convenientemente aceita (ou rejeitada) pelo público e pelo críticos conforme sua produção pode (ou não) oferecer traços do cinema estrangeiro; em outras palavras, conforme seus filmes são capazes de encerrar os princípios do que hoje entende-se como cinema clássico hollywoodiano. Afinal, o italiano alimenta o desejo de uma cinematografia em formação, fomentado nas páginas de revistas como Para Todos, Selecta, Cinearte. No entanto, a carreira de Kerrigan, assim como a de muitos cineastas, não resiste ao advento do cinema falado, que encarece e complexifica a produção, distribuição e exibição de filmes.
    O presente trabalho propõe-se a resgatar a biografia de Eugênio Pignone/Kerrigan sobretudo através da pesquisa nos jornais Fanfulla, Il Pasquino Coloniale e Correio Paulistano, e nas revistas Selecta, Para Todos e Cinearte.

Bibliografia

    AUTRAN, Arthur. O pensamento industrial cinematográfico brasileiro. Tese de doutoramento apresentada ao Instituto de Artes da UNICAMP. Campinas, 2004.
    MACHADO, Rubens. O cinema paulistano e os ciclos regionais sul-sudeste (1912-1933). In: RAMOS, Fernão (org). História do cinema brasileiro. (2.ed.) São Paulo: Art/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
    GALVÃO, Maria Rita. Crônica do cinema paulistano. São Paulo, Ática, 1975.
    GOMES, Paulo Emílio Salles. Humberto Mauro, Cataguases, Cinearte. São Paulo: Perspectiva/Ed. Universidade de São Paulo, 1974.
    SINGER, Ben. Melodrama and modernity – Early sensational cinema and its contexts. New York: Columbia University Press, 2001.
    SOUZA, Carlos Roberto de. “O cinema em Campinas nos anos 1920 ou uma Hollywood Brasileira”. Dissertação de mestrado apresentada na Escola de Comunicação e Artes. São Paulo, 1979.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM