Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    VINICIOS KABRAL RIBEIRO (UFRJ)

Minicurrículo

    Professor do departamento de História e Teoria da Arte, Escola de Belas Artes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutorando em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da UFRJ. Mestre em Cultura Visual, pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Graduado em Comunicação Social, nas habilitações de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, também pela UFG.

Ficha do Trabalho

Título

    Everlyn e Tabu: Belas, Recatadas e do Lar

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Nas companhias das personagens Tabu (Madame Satã, Aïnouz, 2002) e Everlyn (Sérgio Borges, 2010) atravessarei um território ético e político que o cinema nos possibilita, para discutir questões de corpo, gênero e sexualidades. O diálogo entre as duas personagens se dará pelos desejos e projetos de felicidades de ambas. Tenho como objetivo pensar nas possibilidades de futuros, sonhos e pequenas utopias das vidas consideradas “precárias”, nos filmes em questão.

Resumo expandido

    Em Madame Satã (Karim Aïnouz, 2002) João, Laurita e Tabu conversam sobre os seus desejos. O primeiro deseja montar um espetáculo, se apresentar para uma grande plateia. A segunda deseja sair da prostituição, casar e ir ao cinema semanalmente, com vestidos diferentes. Já Tabu diz que seu sonho, seu projeto de felicidade era: “comprar uma máquina Singer, de pedal, pra costurar as fardas do meu anjo de bondade, meu marido. E viver uma vida-lazer”.
    O desejo de Tabu é, em um primeiro olhar, simples e sem muitas exigências. Ela almeja uma relação conjugal monogâmica e um lar, para ocupar um papel sexual e de gênero bem definidos. Se para uma travesti da primeira metade do século XX existir fisicamente já era algo difícil, ela poderia sonhar? Tabu possivelmente era um tabu. Pobre, sem escolaridade, negra, travesti, puta. Ela transgredia as fronteiras sexuais e de gênero, rompendo com a virilidade associada aos homens negros.
    Segundo Rubin (1989) as sexualidades, assim como outros marcadores sociais da diferença, seriam determinantes no prestígio e respeitabilidade gozados no tecido social. Se imaginarmos uma pirâmide, em seu topo estariam casais heterossexuais europeus e estadunidenses brancos, com uma sexualidade branda e com fins reprodutivos. Abaixo, casais brancos sem filhos. Posteriormente, casais negros com filhos. Na base da pirâmide encontramos as sexualidades patologizadas, intergeracionais, com múltiplos parceiros, fetiches, usos de objetos e outras consideradas espúrias. Tabu estaria localizada de forma absolutamente oposta ao que ela imaginava para si. Ela habitaria a base juntamente com outros “tabus””: corpos e desejos considerados perversos e patologizados. Desejar uma máquina de costura e um “anjo de bondade”, poderia ser algo inalcançável, mas também alentador, uma forma de (r)existir.
    Ao nos encontrarmos com Everlyn, em O Céu Sobre os Ombros (Sérgio Borges, 2010), podemos perceber um desejo de amar e ser amada. A psicóloga e mestre em literatura, que vivencia a experiência transexual, habita margens e transita por entre-lugares (Santiago, 2000), especialmente se pensarmos em sua possível ininteligibilidade e abjeção (Butler, 1999). Everlyn, que também tem na prostituição uma forma de garantir sua existência, ao ser questionada por um aluno sobre suas necessidades afetivas, revela que as satisfazem parcialmente com os clientes. Mesmo idealizando o amor, ela é cética em relação a ele. Seus sonhos e afetos compõem seu exercício de escrita, suas epístolas endereçadas ao seu amor imaginado.
    O objetivo deste artigo é pensar nas possibilidades de futuros, sonhos e pequenas utopias das vidas consideradas “precárias”. De um lado o ponto de partida será com o trabalho de Lucia Nagib (2006) e suas reflexões sobre a utopia no cinema brasileiro, e interessa particularmente o que ela chama de utopia vazia, caracterizada a partir do renascimento do cinema brasileiro nos anos de 1990 e que “inclui a exploração geográfica do país, com uma nova curiosidade pelo elemento humano e sua tipicidade (ibidem, 2006, p.61) ”. O outro olhar será a partir das discussões contemporâneas sobre o futuro ou ainda um “não futuro” como propõe Lee Edelman (2014) e Muñoz (2009), ao se referir as “pessoas” queer, que deveriam explorar a potência de uma não-assimilação e não-integração da sociedade, formando outras perspectivas de vida baseada na ironia e no prazer. Ao logo do texto discutirei questões de corpo, gênero e sexualidade, tendo a companhia de Tabu e Everlyn para atravessar um território ético e político que o cinema nos apresenta. O diálogo entre as duas personagens se dará pelos desejos e projetos de felicidade. Por fim, em contraposição a um corpo feminino belo, recatado e do lar, proposto pela mídia impressa conservadora, ficaremos com a Everlyn e seu “piru” que aparece numa sessão de fotos, mas que “qualquer coisa, tira no photoshop” e a pergunta de Madame Satã para Tabu: “e o cu, já deu hoje? ”. Afinal, a vida é uma fechação.

Bibliografia

    BUTLER, Judith. Vida precária. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCar. São Carlos, Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, 2011, n. 1, p. 13-33.
    EDELMAN, Lee. No al futuro. La teoria queer e la pulsión de muerte. Bacelona/Madrid: Egales, 2014.
    Muñoz, José Esteban. Cruising utopia: the then and there of queer futurity. New York: New York University Press, 2009.
    NAGIB, Lucia. A utopia no cinema brasileiro: matrizes, nostalgia, distopias. São Paulo, CosacNaify, 2006.
    RUBIN, Gayle. Reflexionando sobre el sexo: notas para una teoría radical de la sexualidad. In: VANCE, Carol (Org.). Placer e peligro: explorando la sexualidad feminina. México: Revolución, 1989.
    SANTIAGO, Silviano. O entre-lugar do discurso latino-americano. In: Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. São Paulo: Perspectiva, 1978.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM