Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Filipe Barros Beltrão (UFPB)

Minicurrículo

    Professor na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) lecionando disciplinas ligadas ao som no audiovisual nos cursos de Cinema e RTV. Doutorando do PPGCOM/UFPE com pesquisa sobre Design de som, Mestre em Comunicação Social pelo PPGCOM/UFPE na linha de pesquisa Mídia e Processos Sociais e Graduado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Possui experiência na área de comunicação com ênfase em arte e tecnologia. Atua como músico, compositor e produtor musical.

Ficha do Trabalho

Título

    A natureza selvagem: o processo criativo sonoro no filme Anticristo

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    O artigo se propõe a investigar o processo criativo no âmbito sonoro do filme Anticristo (Lars von Trier, 2009). A obra apresenta uma abordagem da criação do mundo a partir das forças da natureza e exprime essa relação no âmbito sonoro e imagético. A partir de entrevistas com o designer de som (Kristian Andersen) e o foley artist (Julien Naudin) procuraremos aprofundar o processo criativo para a criação de uma identidade sonora que contemple a relação orgânica com os sons.

Resumo expandido

    O processo criativo no som do cinema abre inúmeras possibilidades para os artistas envolvidos na construção da identidade sonora do filme. As escolhas estilísticas, artísticas e técnicas irão definir a assinatura e a peculiaridade do som do filme. Neste artigo abordaremos como esse processo se desenvolve no filme Anticristo (Antichrist, 2009) do cineasta dinamarquês Lars von Trier. Este artigo é fruto da minha pesquisa doutoral a respeito do design de som na filmografia do diretor.
    Anticristo é o primeiro filme da última trilogia lançada pelo diretor que foi intitulada: Depressão (Depression). Na obra em questão parece evidente que o diretor transporta para a tela os seus pesadelos, seu subterrâneo de cunho psicanalítico e seus dramas vivenciados no período de profunda depressão. Nesta perspectiva, Anticristo carrega em si um terror psicológico. abordando a condição humana explicitada nos subterrâneos da mente, em forma de cenas de mutilação genital e sexo explícito.
    Anticristo se utiliza de uma estrutura recorrente dividindo em capítulos intitulados: Luto, Dor (Caos Reina), Desespero (Genocídio) e Os Três Mendigos (CREMASCO; THIELEN, 2010). Além disso, apresenta um prólogo e um epílogo para contar a história de um casal que se refugia numa floresta isolada chamada de Jardim do Éden, após a perda drástica do seu filho único. O casal interpretado Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg vivencia um drama existencial.
    O filme surge da indagação do diretor a cerca da criação do mundo. Ele lança a possibilidade da natureza ser uma criação demoníaca (que ele nomeia “anticristo”) (SOERENSEN; CORDEIRO, 2010). Essa premissa irá nortear a parte sensitiva do filme, mostrando uma natureza cruel e selvagem, onde a força criadora é algo voraz e incontrolável. Durante o roteiro, é muito frequente a presença de animais no éden, em cenas de que mostram o lado mais brutal da sobrevivência na terra. Longe de ser uma natureza bucólica, com sons agradáveis e suaves, a perspectiva do filme era contrastar com esse direcionamento, apresentando sons mais impactantes, causando um certo desconforto.
    Esse arcabouço conceitual foi o principal direcionamento para criar o design de som do filme. A partir de duas entrevistas, uma com com o designer de som e criador da trilha musical Kristian Eidnes Andersen; e outra com o foley artist Julien Naudin, podemos aprofundar detalhes da criação sonora.
    Lars von Trier tinha demandas específicas para o som e dois conceitos foram fundamentais para a criação: 1) a apresentação de sons da natureza com uma certa crueldade e 2) sons internos do corpo apresentando a perspectiva da personagem principal.
    Kristian Eidnes Andersen tem uma extensa colaboração com Trier, atuando desde 1996, e após se dedicar a edição e ao design de som assinou neste filme também a música. No entanto, esta é pouco tradicional e se baseia na utilização de drones criados a partir de sons da natureza.
    Andersen (2016) afirma que passou muito tempo captando sons naturais, rochas, galhos, gravetos. Após essa captação sonora ele criava os samplers no computador e manipulava os sons estendendo a sua duração e diminuendo a sua altura, para que alguns sons soassem mais graves. O resultado foram trilhas que mostram a força da natureza e o poder da terra como algo incontrolável e envolvente.
    A criação do foley por Julien Naudin guarda aspectos interessantes do seu processo criativo. No intuito de mostrar a percepção do sons externos pela personagem principal, ele criou a seguinte solução: enfiou um microfone da marca DPA pela cloaca de uma galinha e colocou perto dele durante as seções de gravação do foley (NAUDIN, 2015). O microfone captava o som interno dentro do animal, simulando uma percepção interior do corpo humano.
    A investigação dos detalhes do processo criativo do filme, nos revelam como os desafios conceituas existentes no design de som se materializam praticamente no seu fazer prático no filme Anticristo.

Bibliografia

    ANDERSEN, Kristian Eidnes. Entrevista com Kristian Andersen: o sound design de Lars von Trier. Recife, 21 de jan. 2016. Entrevista concedida a Filipe Beltrão.
    COULTHARD, Lisa. Dirty Sounds: Haptic Noise in New Extremism. In: VERNALLIS, Carol; HERZOG, Amy; RICHARDSON, John eds. The Oxford Handbook of Sound and Image in Digital Media. New York: Oxford University Press, 2013.
    CREMASCO, Maria Virginia Filomena; THIELEN, Iara Pichioni. Luto e melancolia em Anti-Cristo: um olhar clínico sobre as confissões do realizador. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas, Florianópolis, v. 11, n. 98, p. 32-49, maio 2010.
    NAUDIN, Julien. Entrevista com Julien Naudin: o trabalho de Foley Artist no filmes de Lars von Trier. Recife, 11 de nov. 2015. Entrevista concedida a Filipe Beltrão.
    SIMMONS, Amy. Antichrist. New York: Columbia University Press, 2015.
    SOERENSEN, Claudiana; CORDEIRO, Priscilla de Paula. “O Anticristo” de Lars Von Trier: simbologias e leituras. 2010.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM