Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Diego Paleólogo Assunção (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutor em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ (2015). Tese: A Máquina de Fabricar Vampiros: Tecnologias da Morte, do Sangue e do Sexo. Mestre em Letras (2010), pela PUC-Rio, com a dissertação Produção de Alteridade: a experiência do Minotauro. Atualmente, trabalha e pesquisa literatura e imagem; questões de representação do corpo, alteridade, monstruosidades, estética e polítca; sexualidades disruptivas no cinema de terror. Atualmente é pós-doutorando em Comunicação e Cultura na ECO-UFRJ.

Ficha do Trabalho

Título

    A emergência de uma estético-política queer em Freaks de Tod Browning.

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    O objetivo desse trabalho é reivindicar, na atualidade, o filme Freaks (1932), de Tod Browning, para uma possível (re)leitura queer, mapeando as sexualidades interditas, estranhadas, as identidades fronteiriças e borradas, constituindo uma estético-política das imagens e dos corpos Freaks. Multidões queer como um reflexo ressexualizado de Freaks; a morte e o renascimento queer. É possível revisitar Freaks em tempos de crise como uma narrativa que flerta com a disruptividade da potência queer?

Resumo expandido

    Através da chuva, da lama, da escuridão e dos relâmpagos eles avançam. Os corpos malformados, deformados, monstruosos e estranhos avançam na direção da câmera, olhando para o espectador. A comunidade marginal e grotesca de Tod Browning persegue a beleza hegemônica e normativa que, através de uma torção, torna-se também monstruosa. O estranho deseja vingança. Em ‘Os anormais’, Michel Foucault aponta para o caráter jurídico e discursivo do monstro; Paul B. Preciado, no artigo ‘Multidões queer: notas para uma política dos “anormais”’, escreve que é preciso reconhecer que os corpos não são mais dóceis e que existe uma potencia política, sexopolítica, nos corpos e sexualidades não normativas. O objetivo desse trabalho é reivindicar, no contexto da atualidade, o filme Freaks (1932), de Tod Browning, para uma possível (re)leitura queer, mapeando as sexualidades interditas, estranhadas, as identidades fronteiriças e borradas, constituindo uma estético-política das imagens e dos corpos Freaks. Multidões queer como um reflexo ressexualizado de Freaks; a morte e o renascimento queer. O corpo é um mapa de forças, um campo de produção de sentido. É na lógica especular estabelecida entre corpo, imagem e reconhecimento que nos identificamos na prática milenar do Mesmo e do Outro. O devir-monstro, como deseja José Gil, é um devir abortado, paralisado, e empresta aos corpos monstruosos defasagens temporais, estéticas, políticas específicas; monstruosidades sempre foram queers – marginais, violentas, disruptivas, não-normativas. Esse conjunto heterogêneo de possibilidades retorna no presente como uma potente força política – as multidões freaks/queers não são mais dóceis nem domesticadas. É exatamente na fissura ética e estética engendrada por Browning onde podemos fazer emergir uma potencialidade político-queer que agencie as lutas e a coletividade de uma comunidade marginal, estranha, cuja única aderência possível é através de um circo de horrores, de um espetáculo de monstruosidades que não aparece no filme mas é experimentado pelo espectador. As sexualidades interditas e impedidas por causa dos corpos monstruosos são manifestas nos discursos e práticas heteronormativas do filme, balizadas por um machismo romantizado. A masculinidade hegemônica e normativa, em Freaks, encontra-se constantemente sob ameaça. A crítica de Browning, no entanto, passa despercebida por uma sociedade quebrada, instável e carente. A Grande Depressão, iniciada em 1929, produz toda sorte de monstruosidades. Em Skin Shows, J. Jack Halberstam destaca os filmes de terror como campos possíveis para se pensar gêneros e fronteiras, borrar, agenciar, amalgamar, romper, furar, costurar corpos, sexualidades e identidades. É no mesmo sentido que os editores William Hughes e Andrew Smith realizam o livro Queering the Gothic, no qual diversos autores pensam o queer em narrativas góticas; na introdução observam que, sob muitos sentidos, o gótico sempre foi queer. Resgato essa lógica e penso que Freaks, especificamente o final do filme, sempre foi queer. Freaks, enquanto uma narrativa mítica, não fala apenas de corpos deformados e uma sociedade/comunidade marginal cuja única forma de sobrevivência é a exploração capitalista de seus defeitos; Freaks fala também da perversa lógica de inclusão e exclusão, aceitação e recusa… a beleza hegemônica, normativa, se recusa radicalmente em participar de agenciamentos queers. Inscritos em um período de crise, os “anormais” de Browning realizam sua vingança: transformam a bela trapezista em um monstro emudecido. É através de uma política própria dos anormais que os monstros engendram sua vingança contra uma sociedade que os recusa sistematicamente. Freaks levanta um incômodo questionamento: qual o estatuto estético-político da imagem queer? E, em última instância, é possível revisitar e reivindicar Freaks em tempos de crise como uma narrativa que flerta com a disruptividade da potência queer?

Bibliografia

    BOTTING, Fred. Gothic. Nova Iorque: Routledge, 1996.
    CARROLL, Noël. The philosophy of horror ot the paradoxes of the heart. New York:
    Routledge, 1990.
    ECO, Umberto. (Org.). História da feiura. Rio de Janeiro: Record, 2007.
    FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.
    Lisboa: Edições 70, 2005.
    FOUCAULT, Michel. Os anormais: curso no Collège de France (1974-1975). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.
    GIL, José. Monstros. Lisboa: Relógio D’água Editores, 2006.
    HALBERSTAM, Judith. Skin shows: gothic horror and the technology of monsters. North Carolina: Duke University Press, 1995.
    HUGHES, W.; SMITH, A. (Ed.). Queering the gothic. Manchester: Manchester University Press, 200.
    PRECIADO, Beatriz. Multidões queer: notas para uma política dos anormais. Estudos Feministas, Florianópolis, 19(1): 312, janeiro-abril/2011
    SKAL, David J. The monster show: a cultural history of horror. Nova Iorque: Faber and Faber, 2001.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM