Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Eduardo dos Santos Oliveira (UFC)

Minicurrículo

    Eduardo dos Santos Oliveira é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC). Possui interesse nas áreas de artes visuais, estudos interseccionais de gênero, sexualidade e performance.

Ficha do Trabalho

Título

    Para ver de perto: o tempo que escorre no cinema de Naomi Kawase

Resumo

    Ao apontarmos a ideia de que algumas produções do cinema contemporâneo e das artes visuais tensionam o nosso modo de estar diante de imagens ao trabalharem com a noção de uma estética do fluxo, tentamos nos aproximar do filme “Carta de Uma Cerejeira Amarela em Flor” (Tsuioku no Dansu, 2003), da realizadora japonesa Naomi Kawase, a fim de perceber na constituição de seus planos alguns caminhos para a experiência do espectador com a obra.

Resumo expandido

    Parece-nos interessante pensar as linhas estéticas do cinema e das artes visuais que desde os anos 1990 apontam para novas possibilidades de construção temporal, de relação entre corpos filmados e temas e de formas de fruição espectatorial. São vertentes que indicam o sensorial e o sensível como processos possíveis para estar com obras audiovisuais em detrimento de uma racionalização teleológica hegemônica. Decidimos, portanto, observar como uma dessas tendências, a da estética do fluxo, opera numa obra audiovisual específica. Esse termo teve origem no começo dos anos 2000, em uma série de artigos publicados por críticos da Cahiers du Cinema, sobretudo por Stephane Bouquet (2002). Para ele, esse emergente modo de fazer cinema aparece sobretudo em contraponto a outra forma, uma que utiliza o plano fílmico como articulação sintática. Ao encontro da ideia de Bouquet, Jean-Marc Lalanne (2002), discorre sobre a possibilidade de identificar essas movimentações estéticas também na dilatação temporal no transcorrer das imagens.

    É como se houvesse uma urgência em pensar esse outro tipo de fazer cinema, diferente do clássico e do moderno. Parte do contemporâneo, mas singular até mesmo nessa esfera. Um cinema que pede uma imersão corpórea na realidade em que se inscreve, que se constrói por blocos sensoriais, que não se mostra essencialmente linearizado ou concatenado sob uma lógica da causalidade. O cinema de fluxo é constituído por narrativas elítpicas e flutuantes, dramas mudos do cotidiano e o não-julgamento das situações e dos personagens, além de dar mais ênfase ao corpo (OLIVEIRA JR, 2008). São modos de elaborar imagens que abrem caminhos para uma reconfiguração na relação entre realizador e obra, e entre espectador e obra, além de indicar novas maneiras de ver e de ouvir, de colocar-se diante de imagens.

    Nessa perspectiva, propomos acompanhar as imagens de “Carta de Uma Cerejeira Amarela em Flor” (Tsuioku no Dansu, 2003), trabalho da realizadora japonesa Naomi Kawase, estar com esse filme, na intenção de investigar como a diretora dá a ver os pequenos gestos de seu amigo, o lento transcorrer dos acontecimentos num quarto de hospital, o “desimportante”. O “Carta” surge a partir de um contato via telefone, de um encontro que se tornou possível em função da presença de uma câmera — ou que ganharia uma outra forma concreta, atual, sem a filmadora. Kazuo Nishii, editor e crítico de fotografia, pede a Kawase que filme os últimos meses de vida dele após ser diagnosticado com câncer. O que vemos na tela por cinquenta e oito minutos, portanto, é o que deriva dessa união.

    Em função do modo que a câmera de Naomi Kawase acompanha o corpo do amigo fotógrafo, vai junto com ele, e de como a diretora dá a ver as suas apostas nas potências subjetivas e nos acasos, optamos por fazer uso do termo fluxo para estar com as imagens do filme. E sobretudo pela possibilidade que a noção do fluxo nos abre para pensar a construção e o processo de fabricação dessas imagens, e não teleologizá-las. De maneira que, operando junto ao conceito, buscaremos circunscrever um comportamento do olhar, e não uma bandeira ou programa a ser seguido. Kawase dá a ver os pormenores, convoca o espectador a perceber o pequeno, a notar parte do encantamento de sua experiência com a câmera e com o outro filmado. Ações que desencadeiam afetos e sensações, não julgamentos. Gestos e expressões mínimas que surgem na (e com a) imagem. Uma mise-en-scène vacilante, trêmula, mas que diz de um cuidado que vai do encontro, do filmar, ao montar e dar a ver. É um desenho conciso do que buscaríamos estender no desenvolvimento deste ensaio.

Bibliografia

    BOUQUET, Stephane. Plan contre flux. In: Cahiérs du Cinema, n. 566, março de 2002. Paris: 2002, pp. 46-47

    COMOLLI, Jean-Louis. Ver e poder. A inocência perdida: cinema, televisão, ficção, documentário. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

    DELEUZE, Gilles. A Imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 2005.

    LALLANE, Jean Marc. C’est quoi ce plan?. In: Cahiérs du Cinema, n. 569, junho de 2002. Paris:2002, pp.26-27.

    OLIVEIRA JR, Luiz Carlos. Rotterdam 2008: o cinema sob o paradoxo do contemporâneo. In: Contracampo, n. 91, 03/2008. Rio de Janeiro: 2008. Disponível em: Acesso em 22/10/2015.

    VIEIRA JR, Erly. Marcas de um realismo sensório no cinema contemporâneo​. 2012. 242p. Tese apresentada ao Programa de Pós­Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Defendida em março de 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM