Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fernanda Sales Rocha Santos (USP)

Minicurrículo

    Mestranda no programa de pós-graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA – USP, dentro da linha “História, Teoria e Crítica”. É orientada pela Profa. Dra. Cecilia Antakly de Mello. Pesquisa possíveis conexões estilísticas entre as cinematografias brasileira e argentina, partindo de uma tendência do realismo contemporâneo. Bacharela em Imagem e Som pela UFSCar.

Ficha do Trabalho

Título

    Atmosferas do medo em filmes brasileiros e argentinos contemporâneos

Resumo

    Este trabalho busca pontuar uma tendência estilística semelhante nas cinematografias brasileira e argentina contemporâneas, que é a combinação de elementos de uma estética realista de cunho baziniano com elementos característicos do cinema de gênero horror. Partindo disso, se realizará uma análise de seqüências dos filmes O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, 2013) e Bem perto de Buenos Aires (História del Miedo, Benjamín Naishtat, 2014), focando na questão da tensão narrativa inconclusa.

Resumo expandido

    O presente trabalho busca pontuar uma tendência estilística semelhante, presente nas cinematografias brasileira e argentina contemporâneas, a fim de compreender os processos estéticos e narrativos específicos de um recorte do cinema Latino-Americano da atualidade. Por meio do estudo de elementos de construção fílmica, busca-se analisar a criação de atmosferas do medo em filmes com narrativas predominantemente realistas. Entende-se, assim, um movimento que incorpora elementos do gênero cinematográfico horror dentro de filmes com traços característicos de um realismo contemporâneo de fundamento baziniano. Diante do recorte privilegiado, se fará a relação entre realismo, entendido principalmente nos ecos atuais do pensamento fundamental de André Bazin, e, gênero cinematográfico, compreendido como conjunto de preceitos relativamente fluídos que intentam causar um efeito específico no espectador. Intenta-se analisar elementos de construção estilística presente em seqüências de filmes, como a relação entre decupagem clássica e o uso do plano-sequência, as densas atmosferas sonoras construídas por ruídos de objetos do cotidiano e da realidade banal, e a questão do aspecto sensorial e como ele se coloca na perspectiva do gênero horror e do realismo sensório.

    O propósito é investigar a conciliação de impulsos da linguagem audiovisual aparentemente contraditórios (realismo e gênero) em um arranjo que privilegia a questão atmosférica e sensória em obras audiovisuais brasileiras e argentinas. Esse procedimento de estilo pode ser localizado em diversos filmes recentes provenientes tanto do Brasil quanto da Argentina, a despeito de suas variadas peculiaridades e distinções. Pode-se citar como exemplo os filmes O Pântano (La Ciénaga, Lucrécia Martel, 2001), Fantasma (Lisandro Alonso, 2006), A Mulher Sem Cabeça (La Mujer Sin Cabeza, Lucrécia Martel, 2008), Bem Perto de Buenos Aires (História del Miedo, Benjamín Naishtat, 2014), O Clã (El Clã, Pablo Trapero, 2015), no caso argentino, e Os Inquilinos ( Sérgio Bianchi, 2010 ), Trabalhar Cansa (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2011), O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2013), Para Minha Amada Morta (Aly Muritiba, 2016) e Mata-me Por favor (Anita Rocha, 2016), no caso brasileiro.

    Para o presente trabalho, selecionamos como exemplares desta tendência, os seguinte longa-metragens: O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, 2013) e Bem perto de Buenos Aires (História del Miedo, Benjamín Naishtat, 2014), filmes que além de grande semelhanças estilísticas possuem uma evidente conexão temática relacionada a (in)segurança urbana cercada por ocultos conflitos de classe.
    Neste trabalho será realizada uma análise de seqüências dos filmes citados, com ênfase específica no tema da tensão narrativa inconclusa. Ou seja, quando o medo não se concretiza e o susto não ocorre.

    Sendo a concretização do susto importante ponto narrativo para o horror, podemos notar, em ambos os filmes, uma ausência de elementos que concretizam materialmente o espanto. Assim, levando-se em conta a encenação que busca causar suspense ou aflição ao espectador, pontuaremos como o realismo fundamental dos filmes estudados opera, de forma semelhante, na criação de uma ambigüidade do medo. Desta forma, será exibida uma análise pontual que envolve a dramaturgia, a encenação e a construção sonora de uma sequência de cada filme. Busca-se evidenciar a característica de relato e crônica do cotidiano (próprios ao realismo baziniano) presentes na narrativa dos filmes que, a principio, não “combinam” com a lógica de causa-consequência do cinema clássico (a qual garante, nos processos dos filmes clássicos de horror, a aparição ou ocorrência de algo concretamente assombroso após uma atmosfera que a isso induz), no entanto, que se realiza em um criativo hibridismo.

Bibliografia

    BAZIN, André. O que é o cinema? São Paulo: Cosac Naify, 2014
    BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz: a encenação do cinema. Campinas: Papirus, 2009
    CANEPA, Laura. Medo de quê? Uma História do Horror nos Filmes Brasileiros. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Multimeios do Instituto de Artes da UNICAMP. 2008.
    CARREIRO, Rodrigo. Sobre o som no cinema de horror: padrões recorrentes de estilo. Ciberlegenda – Revista do Programa de Pos-Graduação em Comunicação – UFF, v.1, n.24, 2011. p. 43-53.
    CARROLL, Nöel. A filosofia do horror ou paradoxos do coração. Campinas: Papirus, 1999.
    ELSAESSER, Thomas. Cinema Mundial: Realismo, Evidência, Presença. In: MELLO, Cecília (Org.). Realismo Fantasmagórico. Coleção CINUSP, 2015.
    MELLO, Cecília (Org.). Realismo Fantasmagórico. Coleção CINUSP, 2015.
    NAGIB, Lucia; MELLO, Cecilia. Realism and the Audiovisual Media. Basingstoke: Palgrave Macmillian, 2009
    WILLIAMS, Linda. Film Bodies: Gender, Genre, and Excess. In: Film Quarterly, Vol. 44

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM