Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Tiago de Castro Machado Gomes (UFF)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Mestre em Comunicação pela mesma instituição. Atua na área de pesquisa para filmes e programas televisivos e na área de preservação audiovisual, com passagem pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv), Museu de Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ) e Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Ficha do Trabalho

Título

    Cinema colonial na África Britânica: aspectos positivos e negativos

Resumo

    Na África colonial, os britânicos implementaram unidades cinematográficas (film units) responsáveis por produzir e difundir filmes pensados em termos formais e de conteúdo especialmente para os súditos coloniais. Tendo o Bantu Educational Kinema Experiment (1935-1936) e a Colonial Film Unit (1939-1955) como objetos de estudo, determinaremos alguns dos aspectos positivos e negativos da empreitada cinematográfica colonial britânica no continente africano.

Resumo expandido

    A partir da década de 1930, a Grã-Bretanha investiu em unidades de produção e difusão cinematográfica, tendo por público-alvo preponderante a população que vivia nas colônias subsaarianas na África. O Bantu Educational Kinema Experiment (1935-1936) e a Colonial Film Unit (1939-1955) são os melhores exemplos de tal empreitada devido ao pioneirismo do primeiro e a duração e volume de produção do segundo.
    Entre os aspectos positivos dessas unidades cinematográficas podemos destacar a difusão do cinema pelo interior das colônias africanas através do uso das chamadas “vans de cinema móvel”. É possível afirmar que tal disseminação pelo interior desses territórios só foi possível pela existência de projetos como o BEKE e a CFU, os quais não eram de caráter comercial. O desinteresse do mercado exibidor para além das grandes zonas urbanas era tão marcante que cerca de 90-95% dos espectadores dos filmes do BEKE, entre 1935 e 1936, afirmaram nunca terem visto um filme antes. Nos anos 1940 e 1950, os funcionários da Colonial Film Unit testemunharam um quadro similar.
    Outro relevante avanço foi a promoção do bem estar social através do cinema, com a produção de filmes educativos aliados a campanhas de educação e saúde. Mesmo que muitos desses títulos perpetuassem uma ideia de subdesenvolvimento, miséria e atraso da África e fossem vistos às vezes com desconfiança e indiferença por uma plateia pouco disposta a repensar suas tradições, eles cooperaram na redução da fome, do analfabetismo e das taxas de mortalidade, entre outros progressos sociais da época.
    Os últimos aspectos positivos que levantamos são a formação técnica e a assimilação de africanos enquanto parte das equipes de produção e a posterior incorporação pelos governos africanos pós-coloniais da estrutura montada pelos britânicos, mesmo que bastante simplória em alguns territórios.
    Já os aspectos e impactos negativos do colonialismo e das unidades cinematográficas são não somente mais numerosos, como também mais profundos e complexos. Primeiramente, a dominação colonial não permitiu o florescimento das indústrias cinematográficas locais. Os únicos campos passíveis de exploração econômica, a distribuição e a exibição, rapidamente foram ocupados por profissionais e empresas provenientes da Europa e dos Estados Unidos da América.
    Em segundo lugar, a empreitada cinematográfica colonial foi responsável por contribuir para a noção de “atraso” e incultura dos povos africanos. Acreditava-se tanto no poder de persuasão do cinema sobre tais populações “pouco sofisticadas” e “ingênuas”, como na inabilidade dessas em compreender corretamente a linguagem cinematográfica já em curso no mundo ocidental. O rígido controle de censura de filmes, o pequeno número de salas de cinema fora das zonas urbanas e outros fatores instituíram uma experiência particular frente ao cinema que talvez tenha impacto até hoje. Em uma sociedade dominada pelo eurocentrismo, a imagem foi por extensão contaminada por esse modo de enxergar, julgar e viver no mundo.
    As consequências desse cenário racista para a “alma”/psiquê dos africanos tem sido analisada há décadas em diversas áreas do conhecimento. Frantz Fanon (2008), por exemplo, a partir de sua formação psiquiátrica, colocou a esfera psicológica da dominação colonial no centro de suas pesquisas. Sendo o racismo o elemento estrutural do dualismo entre colonizador e colonizado, afetaria esse último por instigar nele uma negação de si mesmo e o desejo de “ocupar o lugar do outro”. Culpabilidade e inferioridade são, segundo Fanon, apenas uma das consequências dessas dialética.
    Seria o cinema portanto tão colonizador quanto o próprio colonialismo? Visto que a empreitada eurocêntrica e racista continua a todo vapor presente nos meios de comunicação, é possível afirmar que sim. A descolonização da mente, que Ngugi Wa Thiong’O (2007) invocou como fator central da superação colonial continua inalcançada, afetando negativamente a África e os africanos.

Bibliografia

    BURNS, James. Cinema and Society in the British Empire, 1895-1940. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2013.

    FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

    GOMES, Tiago de Castro Machado. “Para Africano Ver” – Cinema na África Colonial Britânica. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016.

    GRIEVESON, Lee; MACCABE, Colin (org.). Empire and Film. Londres: British Film Institute, 2011a.

    ______. Film and the End of Empire. Londres: British Film Institute, 2011b.

    NOTCUTT, L.A.; LATHAM, G.C. The African and the Cinema: An Account of the Work of the Bantu Educational Kinema Experiment. Londres: Edinburgh House Press, 1937.

    THIONG’O, Ngugi Wa. A descolonização da mente é um pré-requisito para a prática criativa do cinema africano? In: MELEIRO, Alessandra (Org.). Cinema no mundo: indústria, política e mercado: África. São Paulo: Escrituras Editora, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM