Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Mauro Giuntini Viana (UnB)

Minicurrículo

    Professor Adjunto da Universidade de Brasília e cineasta. Defendeu a tese de doutorado “A Narrativa Cinematográfica de Alejandro González Iñárritu” no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB (fev/2015). Mestre em Cinema e Vídeo (MFA) pela School of The Art Institute of Chicago. Leciona disciplinas de audiovisual há vinte anos. Realizador audiovisual desde a década de 80, tendo dirigido os filmes ficcionais de longa-metragem Até que a Casa Caia (2015) e Simples Mortais (2007).

Ficha do Trabalho

Título

    O México e o Mundo de Alejandro G. Iñárritu

Resumo

    O artigo pretende investigar conexões da obra de Alejandro G. Iñárritu com modos narrativos do cinema clássico, moderno e contemporâneo, que ajudem a entender como ele foi capaz de desenvolver uma filmografia com unidade estética, manter sua identidade artística e cultural, mesmo produzindo em diferentes continentes, e, ao mesmo tempo, alcançar audiências em todo planeta. A narrativa cinematográfica será abordada como processo, conforme concepção cognitivista proposta por David Bordwell.

Resumo expandido

    Na primeira década do século XXI, o conjunto de filmes realizados por Alejandro González Iñárritu – Amores brutos (Amores peros, 2000), 21 gramas (21grams, 2003), Babel (Babel, 2006) e Biutiful (Biutiful, 2010) – oferece fértil material para uma reflexão sobre inovação na narrativa cinematográfica e as contradições e conexões entre os cinemas nacionais e a economia globalizada.
    Os filmes de Iñárritu apresentam uma composição singular de manipulações formais das instâncias do tempo e da narração – não-linearidade e multiplicidade de protagonistas e de enredos ¬– assim como também tratam dos principais temas da globalização na atualidade: movimentos populacionais, multiculturalismo, desterritorialização, presença da mídia e da tecnociência no cotidiano. Situar a produção desse diretor latino-americano na história do cinema contemporâneo é examinar sua habilidade em transcender os parâmetros nacionais, imerso na necessidade da própria indústria cinematográfica em promover novas combinações entre a tradição e a inovação.
    O artigo pretende estabelecer algumas conexões que permitam compreender como esse diretor mexicano foi capaz de desenvolver uma filmografia com unidade estética em sua narrativa, manter sua identidade artística e cultural, mesmo filmando em vários países de diferentes continentes, e, ao mesmo tempo, alcançar audiências em todo planeta.
    Ao tratar de temas banalizados no cinema mainstream, como relações familiares, sexo e violência, oferecendo, porém, uma peculiar abordagem humanista marcada por seu imaginário cultural original, a cinematografia de Iñárritu destaca-se no panorama mundial ao expor contrastes e conflitos universais de um planeta caótico interligado por fluxos de informações e pessoas. Solidão, amor, morte e o impacto do acaso no destino são os temas proeminentes nos filmes estudados e serão abordados por um viés que demonstra a influência da identidade cultural mexicana na obra de Iñárritu.
    O México é um país étnico e culturalmente híbrido como todos os outros povos latino-americanos. Apesar de Octavio Paz (2014) afirmar que os mexicanos normalmente neguem sua origem mestiça, sociólogos consideram a hibridização o aspecto mais saliente da mexicanidad (mistura racial, fusão de culturas, tradições e estilos). A negação da mestiçagem, um aspecto tão vital na constituição do povo mexicano, associada à ambiguidade com que concebe sua própria identidade pode ser sugestiva na compreensão da capacidade de Iñárritu em transpor barreiras nacionais e se inserirem em uma dinâmica global.
    De acordo com Paz (2014, p. 31), o traço mais importante da identidade mexicana é a solidão. Tanto em sua incessante procura por sua origem, quanto na negação da sua linhagem histórica, os mexicanos estão, normalmente, trancados neles mesmos, fechados até mesmo para com seus conterrâneos por medo de verem seus reflexos projetados neles. A solidão é proeminente no estado de espírito dos principais personagens dos filmes de Iñárritu.
    Paz (2014, p. 50-53) estabelece uma conexão intrigante entre a solidão e outros aspectos muito marcantes das tradições culturais mexicanas, também presentes nos filmes de Iñárritu: os excessos retóricos, a violência e a morte. A história do cinema desse país é uma das manifestações caracterizadas por essa retórica do excesso. A morte é outro tema muito presente na cultura mexicana e de peso expressivo na dramaturgia de Iñárritu, levando inclusive seus três primeiros filmes a serem denominados de “trilogia da morte”.
    Para balizar esse estudo será utilizado método analítico baseado em concepções cognitivistas neoformalistas, principalmente as propostas por David Bordwell, complementado por valiosos aportes de críticos da cultura, tais como: Gilles Lipovetsky, Octavio Paz e Néstor Canclini.

Bibliografia

    APPADURAI, Arjun. Modernity at large: cultural dimensions of globalization. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996.
    BORDWELL, David. Narration in the fiction film. Madison: The University of Wisconsin Press, 1985.
    __________. The way Hollywood tells it: story and style in modern movies. Berkley: University of California Press, 2006.
    CANCLINI, Néstor Garcia. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: Ed USP, 2011.
    DELEYTO, Celestino e AZCONA, María del Mar. Alejandro Gonzáles Iñárritu: contemporary film directors. IL-USA: University of Illinois Press, 2010.
    LIPOVETSKY, Gilles; SERROY, Jean. A Tela Global: mídias culturais e cinema na era hipermoderna. Porto Alegre: Sulina, 2009.
    MORA, Carl J. Mexican Cinema: reflections of a society 1896-2004. 3 ed. Jefferson, N.C.: McFarland & Company, 2005.
    PAZ, Octavio. O labirinto da solidão. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
    WOOD, Jason. The faber book of Mexican Cinema. London: Faber and Faber, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Diretoria

  • José Gatti (UFSCar) – Presidente
  • Consuelo Lins (UFRJ) – Vice-Presidente
  • Afrânio Mendes Catani (USP) – Tesoureiro
  • Maurício Reinaldo Gonçalves (Anhembi-Morumbi) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Andrea França (PUC-RJ)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Esther Hamburguer (USP)
  • Fernando MAscarello (Unisinos)
  • Henri Gervaiseau (USP)
  • Marcius Freire (Unicamp)
  • Mauro Baptista (Anhembi- Morumbi)
  • Paulo Menezes (USP)
  • Renato Luiz Pucci Jr. (Universidade Tuiuti do Paraná)
  • Rosana de Lima Soares (USP)
  • Rubens Machado Jr. (USP)
  • Sheila Schvarzman (Anhembi- Morumbi)
  • Tunico Amâncio (UFF)
  • Wilton Garcia (Anhembi- Morumbi)

Discentes:

  • Cézar Migliorin (UFRJ)
  • Laura Cánepa (Unicamp)

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figerôa (Unicap)
  • Anelise Corseuil (UFSC)
  • Denilson Lopes (UnB)
  • Ismail Xavier (USP)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Maria Dora Mourão (USP)

Diretoria

  • Denilson Lopes (UFRJ) – Presidente
  • Andréa França (PUC-RJ) – Vice-Presidente
  • Paulo Menezes (USP) – Tesoureiro
  • Rosana de Lima Soares (USP) – Secretária

 

Conselho Deliberativo

Docentes:

  • Afrânio Mendes Catani (USP)
  • Alexandre Figueirôa (UNICAP)
  • André Piero Gatti (UAM–FAAP)
  • Bernadette Lyra (UAM)
  • Eduardo V. Morettin (USP)
  • Erick Felinto (UERJ)
  • Ivana Bentes (UFRJ)
  • João Guilherme Barone Reis e Silva (PUCRS)
  • João Luiz Vieira (UFF)
  • Luiz Claudio da Costa (UERJ)
  • Luciana Corrêa de Araújo (UFSCar)
  • Maria Dora G. Mourão (USP)
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves (UNISO)
  • Miguel Serpa Pereira (PUC-RJ)
  • Rogério Ferraraz (UAM)
  • Gustavo Souza (USP)
  • Reinaldo Cardenuto (UAM–FAAP)

 

Comitê Científico

  • Anelise Reich Corseuil (UFSC)
  • Angela Prysthon (UFPE)
  • Ismail Xavier (USP)
  • Marcius Friere (UNICAMP)
  • Mariarosaria Fabris (USP)

Diretoria

  • Afrânio Mendes Catani – Presidente
  • Antonio Carlos Amancio da Silva – Vice-Presidente
  • Alessandra Soares Brandão – Secretária Acadêmica
  • Mauricio Reinaldo Gonçalves – Tesoureiro

 

Conselho Deliberativo

  • Erick Felinto – UERJ
  • Esther Hamburger – USP
  • Fabio Uchoa – UFSCar
  • Gilberto Alexandre Sobrinho – Unicamp
  • Luíza Beatriz Melo Alvim – UNIRIO
  • Marcel Vieira Barreto Silva – UFPB
  • Luiz Augusto Rezende Filho – UFRJ
  • Mariana Baltar – UFF
  • Gustavo Souza – UFSCar
  • Rodrigo Octávio D’Azevedo Carreiro – UFPE
  • Patricia Rebello – UERJ
  • Rafael de Luna Freire – UFF
  • Ramayana Lira de Souza – UNISUL

 

Discentes

  • Marina Costa – UFSCar
  • Jamer de Mello – UFRGS

 

Conselho fiscal

  • Paulo Menezes – USP
  • Rogerio Ferraraz – UAM
  • Rubens Machado Jr – USP

 

Comitê Científico

  • Alexandre Figueirôa – UFPE
  • César Guimarães – UFMG
  • Genilda Azeredo – UFPB
  • Maria Dora Mourão – USP
  • Miguel Pereira – PUC-Rio
  • Sheila Schvarzman – UAM